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Entidades ligadas ao agro unem esforços após enchentes para auxiliar produtores rurais em Santa Catarina
Foi criado um comitê de crise para discutir medidas emergenciais, bem como oferecer apoio na prorrogação dos financiamentos dos programas da Secretaria da Agricultura e a possibilidade de indenização pelo Fundesa na perda dos animais.

O Secretário de Estado da Agricultura de Santa Catarina, Valdir Colatto, promoveu, na segunda-feira (09), uma reunião para traçar estratégias para ajudar e apoiar produtores rurais afetados pelas enchentes no Estado. Participaram do encontro, a presidente da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Celles Regina de Matos, o presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Dirceu Leite, o presidente da Central de Abastecimento de Santa Catarina, Sandro Vidal (Ceasa/SC), e demais entidades representativas do setor como Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa), Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Santa Catarina (Fetaesc), Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc), Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne), Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc) e Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA).
O encontro teve como objetivo formar um comitê de crise para discutir medidas emergenciais e ajudar os produtores rurais afetados pelos danos ocasionados pela recente enchente no Estado, bem como oferecer apoio na prorrogação dos financiamentos dos programas da Secretaria de Estado da Agricultura e a possibilidade de indenização pelo Fundo Estadual de Sanidade Animal (Fundesa) na perda dos animais. Foram debatidas estratégias para atenuar os prejuízos enfrentados pelos produtores rurais, que tiveram suas propriedades afetadas pelas enchentes.
O foco principal foi a busca por soluções rápidas e efetivas para auxiliar na recuperação das áreas agrícolas e no restabelecimento da produção agropecuária animal e vegetal. O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), através da Portaria n.º 203/2023, prorrogou temporariamente o prazo de vencimento de licenças ambientais e processos administrativos de empreendimentos localizados em municípios declarados em situação de emergência provocados pelas fortes chuvas que afetam o Estado de Santa Catarina.
A presidente da Cidasc apresentou as ações das equipes técnicas dos Departamentos Regionais da Cidasc junto à Defesa Civil em cada região do Estado. “Este é um momento diferente na vida do catarinense e exige medidas diferentes ao pedir que os cidasquianos prestem apoio à Defesa Civil. Estamos nos fazendo presentes na hora que a comunidade mais precisa”, completou a presidente da Cidasc.
“A Cidasc disponibiliza de um galpão no município de Campos Novos, o plantão para emissão de Guia de Trânsito Animal (GTA), a retirada dos animais em situação de perigo ou morte, o auxílio na dragagem e abertura de canais, com os automóveis na entrega de donativos, caminhões e camionetes 4×4 para socorros aos atingidos. A Cidasc possui uma cadeira no Grupo de Ações Coordenadas (Grac) e apoia a Defesa Civil em ações emergenciais”, reforça Celles.
Levantamento de perdas na agricultura
Colatto enfatizou a importância de formar um comitê de crise e centralizar as informações com a Epagri, que irá fazer o levantamento de quais culturas, lavouras e cidades foram afetadas. “No primeiro momento a determinação do governador é que deixemos as pessoas em segurança. Em seguida, precisamos levantar as culturas afetadas para saber exatamente o que fazer e buscar os recursos previstos para a estruturação das propriedades rurais afetadas pelas enchentes. Com a força de trabalho seremos dezenas de mãos unidas para minimizar os danos causados pelas chuvas em todo o Estado de Santa Catarina”, destaca Colatto.
O presidente da Epagri, Dirceu Leite, afirma que neste momento a missão da Empresa é levar seus técnicos a campo. “Temos uma rede de escritórios em 293 municípios. Em alguns o levantamento será feito de forma mais ágil, em outros a situação é mais complicada, pois temos áreas inacessíveis, com pontes que foram carregadas. Esse levantamento é fundamental para que o Governo do Estado desenhe qual será sua resposta frente à situação, para levar uma solução ao agricultor de forma rápida”, ressalta.
Dirceu reforça a importância da população acompanhar a previsão do tempo em fontes oficiais, pois há mais chuva prevista para o Estado. “Neste contexto, a Epagri/Ciram e a Defesa Civil têm publicado constantes avisos meteorológicos de forma conjunta para alertar a população a buscar a sua segurança e a de sua família durante as chuvas, evitando maiores danos”, frisa o presidente.
O secretário de Estado da Agricultura, Valdir Colatto, solicitou que os técnicos da Epagri orientem agricultores em relação ao procedimento para acessar os benefícios do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), devido às fortes chuvas que ocorreram nos últimos dias. O Proagro cobre perdas decorrentes de eventos climáticos (como ventos fortes ou frios; chuva excessiva, geada, granizo; seca – áreas não irrigadas), desde que a lavoura já tenha emergido na área enquadrada no programa.
As entidades presentes se comprometeram a trabalhar em conjunto para viabilizar suporte aos produtores rurais e contribuir para a reconstrução das áreas atingidas, garantindo a sustentabilidade e o desenvolvimento da agricultura catarinense.
Recomendações
A recomendação da Defesa Civil é que havendo sinais de deslizamentos, infiltrações, aparecimento de fendas, depressões no terreno, rachaduras em paredes, inclinação de tronco ou postes, a população deve abandonar imediatamente o local e acionar a Defesa Civil. Em casos de emergência médica, a população deve ligar para o 192 e acionar o Samu e usar o 193 para chamar o Corpo de Bombeiros para resgates e salvamentos.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



