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Entidades do agro enviam propostas ao Plano Safra 2025/26
Paranaenses pedem ao governo federal R$ 597 bilhões em crédito rural para todo o país, somando linhas de custeio e comercialização e de investimento. Para a subvenção do seguro rural, solicitação é de R$ 4 bilhões.

O Sistema Faep, em conjunto com outras entidades do agronegócio paranaense, pediu ao governo federal R$ 597 bilhões em crédito rural e R$ 4 bilhões à subvenção do seguro agropecuário para todo o país no Plano Safra 2025/26. Estes e outros pedidos constam em um documento que reúne propostas do setor produtivo, enviado aos ministérios da Agricultura e Pecuária e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
“Os produtores paranaenses já estão habituados a contribuir todo ano com a elaboração das propostas ao Plano Safra. O processo de fortalecimento do crédito e do seguro rural contínuo é de extrema importância, pois esses são instrumentos que oferecem condições de seguirmos na atividade, produzindo riquezas e gerando milhões de empregos Brasil afora”, reflete Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema Faep.
Além do Sistema Faep, também participaram da elaboração do documento das propostas ao Plano Safra a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab).
O compilado traz os pedidos que são traduzidos em números e apresenta sugestões para aprimorar não só o Plano Safra em si, mas diversos aspectos das políticas de Gestão de Riscos, como propostas voltadas ao Seguro Rural e ao Proagro. O objetivo das entidades, com isso, é contribuir para promover um ambiente mais favorável e resiliente para o desenvolvimento do setor agropecuário.

Polêmicas envolvendo o Plano Safra

Foto: Gabriel Faria
O governo federal tem se envolvido em polêmicas relacionadas ao Plano Safra. A primeira delas ocorreu no ano passado. O pacote de incentivos ao setor produtivo costuma ser anunciado no fim de junho, já que o ano-safra começa oficialmente no dia 1º de julho de cada ano. Em 2024, o governo federal anunciou o pacote de investimentos no dia 3 de julho, ou seja, três dias depois da inauguração do calendário agrícola, o que foi duramente criticado por entidades do setor agropecuário, incluindo o Sistema Faep.
Mais recentemente, em fevereiro de 2025, a Secretaria do Tesouro Nacional suspendeu a contratação de crédito agrícola pelo Plano Safra. Prontamente, entidades representativas do agronegócio, como o Sistema Faep, reagiram e pressionaram as autoridades. Às pressas, o governo federal publicou uma Medida Provisória abrindo crédito extraordinário de cerca de R$ 4,1 bilhões para retomar as operações de crédito de modo emergencial.
Destaques dos pedidos do Sistema Faep e entidades ao Plano Safra 2025/26
Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM)

Foto: Jaelson Lucas
- Manter os preços mínimos atuais;
- Fortalecer o orçamento para suporte à comercialização de trigo;
- Incluir novos produtos.
Crédito para custeio e comercialização
- Disponibilizar R$ 417 bilhões para o custeio e comercialização da safra brasileira: R$ 45 bilhões para Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf); R$ 72 bilhões para Programa Nacional de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Pronamp); e R$ 300 bilhões para os demais produtores;
- Aumentar o limite de contratação anual de R$ 3 milhões para R$ 4 milhões para os demais produtores;
- Elevar de R$ 240 mil para R$ 500 mil os limites para custeio das atividades de avicultura, suinocultura e piscicultura, exploradas sob regime de integração não classificadas como cooperativa.
Crédito para investimento
- R$ 180,1 bilhões para investimento da safra brasileira no total;
- Aumento do Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro) de R$ 7,7 bilhões para R$ 10 bilhões;
- Aumento do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (PRONAMP Investimento) de R$ 7,4 bilhões para R$ 14,0 bilhões, incluindo atividade de turismo rural.
Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais (Moderagro)

Foto: Jaelson Lucas
- Aumentar recursos de R$ 3,0 bilhões para R$ 3,6 bilhões;
- Dispor de um limite de R$ 400 mil para a aquisição de animais.
Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro)
- Aumentar de R$ 3,5 bilhões para R$ 4,5 bilhões;
- Excluir a obrigatoriedade de que o projeto seja limitado à demanda energética da atividade instalada.
Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA e PCA até 6000 toneladas)
- Aumentar de R$ 7,8 bilhões para R$ 11,5 bilhões;
- Aumentar limite de crédito de R$ 200 para 250 milhões para Armazéns com capacidade acima de 6 mil toneladas;
- Incluir a armazenagem de produtos frigorificados de origem animal e vegetal;
- Incluir a aquisição de armazéns usados.
Gestão de risco rural

Foto: Albari Rosa
- Prever no PAP 2025/2026, a liberação de R$ 4,0 bilhões para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural;
- Implementação de uma subvenção diferenciada para culturas predominantes em cada região, como soja, milho e trigo, que são mais vulneráveis a eventos climáticos adversos;
- Transferir o orçamento do PSR para o caixa das operações oficiais de crédito gerenciadas pela Secretaria do Tesouro Nacional, 2OC, com aplicação obrigatória.
- Incluir a cobertura a partir da data da semeadura e se estender até o término da colheita.
Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC)
- Disponibilizar recursos para a Embrapa realizar levantamentos e estudos técnicos que embasem o Zarc – Níveis de Manejo.
Acesse aqui o documento das propostas para o Plano Safra 2025/26.

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Crise geopolítica na Venezuela acende alerta no agronegócio brasileiro
Cenário reforça a necessidade de tratar riscos geopolíticos como um fator transversal no agronegócio, combinando gestão de custos, contratos mais resilientes, planejamento logístico e fortalecimento de práticas de compliance.

A recente operação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, reacendeu alertas no agronegócio brasileiro sobre os efeitos indiretos de crises geopolíticas em cadeias globais de produção, logística e comércio. Embora não haja impacto bilateral direto relevante, especialistas apontam que o setor pode ser afetado por custos, volatilidade e maior rigor regulatório.

Doutor em Agronegócio André Aidar: “Tensões prolongadas podem reforçar o Brasil como fornecedor confiável de alimentos, mas também ampliam a exposição a volatilidade cambial, custos de frete, combustíveis e fertilizantes” – Foto: Divulgação
Para o doutor em Agronegócio André Aidar, a reconfiguração da relação entre Estados Unidos e Venezuela tende a gerar reflexos econômicos indiretos, mas relevantes, para o agro brasileiro. “Alterações nos fluxos de energia, commodities e insumos estratégicos afetam preços internacionais, logística e competitividade. Tensões prolongadas podem reforçar o Brasil como fornecedor confiável de alimentos, mas também ampliam a exposição a volatilidade cambial, custos de frete, combustíveis e fertilizantes”, avalia.
Segundo Aidar, o cenário exige atenção redobrada à gestão de riscos, com diversificação de mercados, revisão contratual e monitoramento constante de sanções, barreiras comerciais e exigências sanitárias, que podem mudar rapidamente em contextos de instabilidade internacional.
Na mesma linha, o especialista em Direito Empresarial e Direito Ambiental Adhemar Michelin Filho destaca que os principais impactos para o agronegócio tendem a ocorrer via energia e logística. “Ruídos geopolíticos costumam aumentar a volatilidade do petróleo, pressionando diesel, fretes e custos logísticos no Brasil. Isso repercute diretamente em cadeias como a de proteína animal, onde transporte, refrigeração e distribuição têm peso relevante”, expõe.

especialista em Direito Empresarial e Direito Ambiental Adhemar Michelin Filho: “Ruídos geopolíticos costumam aumentar a volatilidade do petróleo, pressionando diesel, fretes e custos logísticos no Brasil” – Foto: Divulgação
Michelin também chama atenção para o aumento das exigências de compliance e rastreabilidade nas cadeias internacionais. “Mesmo empresas que não negociam com a Venezuela podem enfrentar maior rigor em due diligence, checagem de contrapartes e exigências de bancos e seguradoras, o que impacta prazos, contratos e liquidez”, frisa.
Para os especialistas, o cenário reforça a necessidade de tratar riscos geopolíticos como um fator transversal no agronegócio, combinando gestão de custos, contratos mais resilientes, planejamento logístico e fortalecimento de práticas de compliance, a fim de preservar margens, garantir embarques e manter competitividade em um ambiente global cada vez mais instável.
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Exportadores de proteínas projetam US$ 1,4 bilhão em negócios após a Gulfood 2026
Ação da ABPA, em parceria com a ApexBrasil, reuniu 21 agroindústrias brasileiras e gerou US$ 131,4 milhões em vendas durante a feira.

Encerrada na semana passada, a ação da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), na Gulfood 2026, realizada em Dubai (Emirados Árabes Unidos), foi concluída com resultados expressivos para os setores de aves e ovos do Brasil.
De acordo com projeções consolidadas junto às empresas participantes, os contatos e negociações realizados durante o evento deverão gerar US$ 1,4 bilhão em negócios ao longo dos próximos 12 meses.
Apenas durante os cinco dias de feira, os negócios efetivamente realizados somaram US$ 131,4 milhões, reforçando o papel da Gulfood como a principal vitrine global para o mercado halal e para destinos estratégicos do Oriente Médio, Ásia e África.
A ação integrou a estratégia de promoção comercial internacional conduzida pela ABPA, e contou com um espaço exclusivo de mais de 430 metros quadrados em meio à Gulfood, dedicado à realização de negócios, relacionamento institucional e promoção da proteína animal brasileira.
Ao todo, 21 agroindústrias brasileiras participaram da ação coordenada pela ABPA: Adoro Alimentos, Avine, Avivar, Bello Alimentos, BFB Alimentos, C.Vale – Cooperativa Agroindustrial, Coasul – Cooperativa Agroindustrial, Copacol – Cooperativa Agroindustrial Consolata, Coroaves, Frango Pioneiro, Granja Faria, GTFoods, Jaguá Alimentos, Lar Cooperativa Agroindustrial, Netto Alimentos, Pif Paf Alimentos, Somave Alimentos, SSA Alimentos, Villa Germania Alimentos, Vossko do Brasil e Zanchetta Alimentos.
Durante os dias de evento, o espaço brasileiro registrou uma intensa agenda de reuniões comerciais com importadores, distribuidores e decisores de compras de diferentes regiões do mundo. A ação da ABPA também contou com uma área central de degustação, onde foram servidos shawarma de carne de frango e de pato, além de omeletes, com o objetivo de reforçar junto aos visitantes a qualidade, a versatilidade e o sabor diferenciado dos produtos brasileiros. Ao longo dos dias de feira, foram servidos cerca de 6.500 shawarmas e de 1.000 omeletes.
A participação na Gulfood 2026 reforçou as alianças estratégicas do setor exportador brasileiro com o mercado halal. O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango produzida segundo os preceitos islâmicos e mantém posição de destaque como fornecedor confiável para países muçulmanos, atendendo exigências sanitárias, religiosas e de rastreabilidade.
“Os resultados alcançados na Gulfood 2026 refletem a confiança do mercado internacional na proteína animal brasileira. A feira é um espaço estratégico para consolidar parcerias, ampliar o diálogo com importadores e reforçar a imagem do Brasil como fornecedor seguro, previsível e alinhado às exigências dos mercados halal”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
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Preços do trigo têm comportamento desigual entre os estados em janeiro
Cotações recuam em Santa Catarina e Paraná, enquanto Rio Grande do Sul e São Paulo registram maior firmeza.

Em janeiro, os preços do trigo apresentaram movimentos distintos dentre os estados acompanhados pelo Cepea. Segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas, os preços foram influenciados pelas diferentes condições de oferta e demanda.

Foto: Cleverson Beje
Enquanto em Santa Catarina e no Paraná as cotações cederam, pressionadas por liquidação de estoques, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, os valores estiveram mais firmes. No estado sulista, o bom fluxo das exportações deu suporte aos preços. Em São Paulo, o movimento de avanço foi verificado pelo terceiro mês consecutivo e foi influenciado pela restrição vendedora.
Levantamento do Cepea indica que, em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 1.158,92/tonelada em janeiro, recuos de 1,6% em relação a dezembro e de 18,3% em relação a janeiro/25 e o menor patamar real desde março/18 (as médias mensais foram deflacionadas pelo IGP-DI de dezembro/25).
No Paraná, a média mensal foi de R$ 1.178,66/t, baixa de 0,4% na comparação mensal e de 15,2% na anual e também a menor desde outubro/23, em termos reais. Já no Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.050,89/t em janeiro, a mais elevada em três meses, com avanço mensal de 1,4%, mas queda anual de 16,1%. Em São Paulo, o preço médio atingiu R$ 1.257,25/t em janeiro, avanço de 0,4% frente ao de dezembro, porém, recuo de 19,9% em relação a janeiro/25.



