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Entenda porque os aditivos podem beneficiar a sustentabilidade da suinocultura

Existem muitas tecnologias que se complementam e que estão disponíveis no mercado e ajudam a tornar a atividade suinícola uma prática mais sustentável.

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Foto: Arquivo/OP Rural

O grande objetivo do suinocultor é produzir carne de qualidade para alimentar as pessoas. Como todas as atividades agropecuárias, a suinocultura não é exceção e, inevitavelmente, gera resíduos que têm repercussão ambiental, como poluição a nível de solo, de ar e as vezes na geração de gases que podem comprometer o efeito estufa, piorando esse cenário. Porém, o mercado da suinocultura caminha para uma quebra de paradigmas e diz que é possível melhorar este cenário, implantando técnicas de sustentabilidade que ajudam a minimizar os efeitos negativos e potencializar a produção deste importante produto.

Médico-veterinário, doutor e professor associado da Universidade Estadual de Londrina (UEL), na área de Produção e Nutrição de Suínos, Caio Abércio da Silva – Foto: Arquivo Pessoal

Conforme o médico-veterinário e professor associado da Universidade Estadual de Londrina (UEL), na área de Produção e Nutrição de Suínos, doutor Caio Abércio da Silva, aqueles que trabalham com suinocultura precisam reconhecer que os aspectos finais não desejáveis desta cultura podem ser reduzidos e transformados. “Nesse sentido, os esforços para a minimização destes aspectos transformam a suinocultura numa atividade mais ou menos sustentável de acordo com a intensidade com que a promoção deste estado de redução de componentes não desejáveis seja contemplado”, opina.

É certo que a produção de carne caminha para novos padrões, incluindo a necessidade de fomentar a sustentabilidade, bem como a importância de buscar a melhor nutrição animal possível, para que gere resultados positivos para o produtor e toda a comunidade. “Podemos afirmar que muitas demandas estão sendo feitas para aprimorar, cada vez mais, a nutrição animal, para que ela alcance resultados e metas mais sustentáveis. A utilização eficaz de aditivos na dieta de suínos, quando bem administrados, pode promover bem-estar e sustentabilidade ambiental”, informa.

De acordo com o professor, existem muitas tecnologias que se complementam e que estão disponíveis no mercado e ajudam a tornar a suinocultura uma prática mais sustentável. Uma base bastante importante é o melhoramento genética, que sob um processo de contínuo de investimento, busca colocar no mercado animais mais eficientes. “Para que a suinocultura obtenha sucesso é preciso que os animais consigam transformam o alimento que eles ingerem em um produto de qualidade, como a carne. Esse aspecto é determinante, entretanto, ele precisa ser sustentado pela nutrição. Para isso é necessário ter um conhecimento sólido das reais demandas nutricionais dos animais. Quando se tem uma boa fidelização desta oferta para atendimento das necessidades, o processo de produção torna-se mais eficiente e sustentável”, afirma.

Outro aspecto importante são os aditivos que são incorporados nas dietas. “É importante frisar que temos dois tipos de aditivos, aqueles que não têm caráter nutricional direto, mas podem melhorar aspectos de sustentabilidade, pois têm a capacidade de promover um estado de qualidade da microbiota intestinal, e aqueles que são caracterizados como nutricionais, que favorecem ações enzimáticas e até mesmo rompendo ligações químicas de produtos orgânicos que são ingeridos pelos animais, como proteínas, carboidratos, lipídios e minerais que estão ligados a outras moléculas”, explica.

As dietas bem ajustadas podem contribuir muito para melhorar a sustentabilidade das granjas de suínos. Isso porque os suinocultores contam hoje como uma base genética claramente conhecida e que traz demandas nutricionais distintas, na medida em que a idade desses animais avança. “É imprescindível que aqueles que trabalham com suínos tenham conhecimento das exigências nutricionais dos animais, sabendo diferenciar as particularidades de cada fase da vida do animal, proporcionando uma dieta equilibrada e eficiente”, expõe.

Segundo o médico-veterinário, por meio da oferta de dietas específicas e bem identificadas com as necessidades nutricionais dos animais é possível melhorar a eficiência do plantel. “No entanto, não basta simplesmente aderir as prerrogativas de uma demanda nutricional ajustada com as genéticas que utilizamos, mas também fazer uso de dietas que permitam que o animal aproveite esses nutrientes. Ou seja, quanto mais próximo for a fidelização, quanto menor for a sobra de eventuais componentes que se perdem, via gases produzidos pelos animais, via fezes, estaremos melhorando a sustentabilidade da suinocultura e tendo uma produção mais eficiente”, pontua.

Principais aditivos

É preciso reconhecer que os aditivos possuem dois caráteres: os nutricionais e os não nutricionais, sendo que essas duas classes visam melhorar, naturalmente, a sustentabilidade. Os não nutricionais, em geral, têm efeitos indiretos e envolvem basicamente a determinação de um estado de saúde melhor para o animal e que neste caso têm o foco maior na saúde intestinal. “Neste viés destacamos os probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos os polifenóis, e os taninos, que de uma maneira bastante efetiva promovem mudanças na microbiota intestinal, a favor de uma microbiota benéfica e que age sobre o substrato do alimento que o animal ingere, melhorando sua digestibilidade, produzindo outros ácidos que melhoram os processos absortivos, além de beneficiar o estado de renovação do trato gastrointestinal. Todo este conjunto transforma o alimento ingerido em um alimento melhor digerido, que será melhor aproveitado”, informa.

Já os aditivos nutricionais agem, basicamente, em substratos específicos e fazem com que esse substrato seja melhor disponibilizado para que o animal consiga aproveitar os nutrientes dietéticos. “Neste caso existem várias enzimas, cada uma tem uma especificidade e pode melhorar a absorção de fósforo, de uma fibra, bem como aprimorar a absorção dos carboidratos, proteínas e lipídios. E em geral são muito eficientes e têm respondido muito bem, correspondendo a uma classe de aditivos muito importante e utilizada comercialmente”, explica.

Entre os principais aditivos utilizados nas dietas da suinocultura atual e que promovem mais sustentabilidade ambiental estão as enzimas e os minerais quelatados ou orgânicos (quando superam o atendimento das necessidades nutricionais e têm outros fins, os minerais nesta condição podem ser considerados “aditivos”), pois, em geral, esses últimos são muito bem absorvidos e, desta forma, muito bem aproveitados pelos animais.

Caio Abércio explica que os aditivos agem de forma bastante peculiar. “As enzimas são substratos dependentes, o que significa que elas atuam especificamente sobre um determinado substrato – ou seja, um nutriente. Por exemplo, a fitase age sobre o fitato, a carboidrase sobre o carboidrato, etc. Desta forma, nessa ação ela oportuniza a liberação de nutrientes que num estado anterior à ação enzimática mostram-se menos sujeitos ao processo digestivo completo ou mais completo por conta da insuficiência ou inexistência de enzimas endógenas (aquelas produzidas pelos animais). Então ela colabora ampliando essa ação que muitas vezes não é executada ou é parcialmente executada pelo suíno. E assim ela amplia a oportunidade destes nutrientes serem melhores absorvidos, o que é fundamental para uma produção mais eficiente”, evidencia.

“No caso dos aditivos já relatados, como os minerais, essa veiculação com a molécula orgânica, em geral, facilita processos absortivos, diferente de alguns minerais inorgânicos e, nesse sentido, os tecidos acabam tendo uma reserva maior no sistema orgânico, que passa a ter uma maior presença destes minerais e que tem naturalmente uma função específica nas vias metabólicas, nas demandas que o organismo exige. Os probióticos e prebióticos são utilizados para melhorar o estabelecimento modular de uma flora benéfica em detrimento de uma flora patogênica em nível intestinal. Isso coloca o intestino num platô diferente em que essa bactérias melhoram o estado de conservação do intestino, pois elas competem com as bactérias patogênicas por substratos que passam a ser utilizados eficientemente e não para fins de produção de toxinas, pois isso ocorreria se fossem utilizados estes substratos pelas bactérias patogênicas. Com isso, esse estado todo de saúde permite que o intestino tenha um melhor processo digestivo, melhorando a técnica de absorção dos nutrientes”, expõe.

Foto: Shutterstock

Já os polifenóis e os taninos também cumprem um papel direto antimicrobiano, pois eles inviabilizam bactérias patogênicas de se estabelecer no trato digestório. “Eles também possuem outro importante benefício que é a ação anti-inflamatória, reduzindo os danos do estresse oxidativo, principalmente quando os animais passam por grandes mudanças, como o desmame ou uma transferência para uma nova instalação”, reflete.

Otimizar a disponibilidade de nutrientes

É claro que produzir uma carne de excelência tem muito a ver com a disponibilidade de bons nutrientes aos animais. Com relação a isso o pesquisador evidenciou a importância de otimizar a disponibilidade de nutrientes aos animais. “É preciso oferecer dietas com ingredientes que possam ser bem digeridos, absorvidos e metabolizados, para que se alcance a meta desejada, que naturalmente deve ser: aumento de ganho de peso, deposição de músculo, boa produção de leitões e assim por diante”, enumera.

O doutor professor da UEL salienta ainda que o maior cuidado não deve ser apenas com a disponibilização. “A princípio, quanto maior o consumo de ração melhor, pois o ganho é em tese aumentado. Entretanto, é preciso ficar atento com a qualidade da ração que estamos entregando aos nossos suínos, pois o alimento precisa ser balanceado e não deve entregar mais nutrientes do que o animal exige, porque havendo um excesso de nutritivos isso não será utilizado pelo animal, pois existe um limite genético para aproveitar o alimento. Ou seja, tudo o que não for necessário ele vai jogar fora. Desta forma, o excesso na alimentação acaba sendo um desperdício, e desta maneira, há um maior impacto ambiental negativo. Nesse caso, a sustentabilidade ambiental estará sendo piorada, pois estamos ampliando o poder poluente desse processo”, destaca.

Riscos da adição de aditivos

É preciso difundir a informação de que quando os aditivos são administrados conforme as prerrogativas e orientações técnicas comerciais, eles não possuem nenhum viés negativo, pois são produtos bastante seguros e não têm efeitos negativos. “Por outro lado, é preciso ter conhecimento, pois, por exemplo, sob a administração de um mineral orgânico de forma excedente à dose recomendada, este mineral pode apresentar toxicidade, bem como pode interagir com outros minerais, levando um prejuízo na absorção destes. “A utilização de forma equivocada também pode gerar alterações gastrointestinais, sem contar no desperdício financeiro, pois os aditivos acabam elevando os custos das dietas. Por isso é imprescindível ficar atento às limitações técnicas e comerciais de uso, pois isso é muito importante de ser seguido”, afirma.

Novas fronteiras da nutrição animal

Ainda de acordo com o professor, existe uma perseguição implacável para transformar a suinocultura, como todas as outras cadeias de produção de proteína animal, em atividades mais sustentáveis. “Nós vivemos hoje mudanças recentes ligadas à redução de alguns aditivos que têm poder de impacto ambiental bastante grande, chamo a atenção para o óxido de zinco, que na Europa teve seu banimento como um aditivo controlador das diarreias em leitões, definida recentemente. A China caminha para isso também e é uma mobilização em nível mundial”, pontua.

Por outro lado, o professor reflete que o mais importante é buscar a melhor forma de os animais ingerirem efetivamente aquilo que eles precisam para cumprir as suas finalidades: como produzir carne, ovos, leite, entre outros. “E isso eu acredito que passa por um tema bem interessante, que já chegou no Brasil e está sendo implantado que é a nutrição de precisão, pois ela avança e tem uma expectativa bastante otimista que vai ser determinante neste processo de sustentabilidade, pois acredito que chegaremos a usar dietas que se ajustam individualmente e diariamente às necessidades de cada animal, de acordo com seu peso, seu perfil produtivo e sua finalidade. Vivemos épocas de mudanças gigantescas, mas precisamos reconhecer que já avançamos muito na redução da emissão de poluentes e que vamos continuar aprimorando isso”, sintetiza.

Metas da suinocultura

É impossível falar de metas na suinocultura e não pontuar a importância de práticas sustentáveis. “Reconhecer que a nossa atividade tem um caráter poluidor é fundamental. Isso não é exclusivo apenas da suinocultura. Nesse sentido, as nossas metas devem estar atreladas à redução dos efeitos poluentes, buscando melhor eficácia e menor poluição. Nosso esforço deve ser conjunto, primando por uma genética de qualidade, rações que atendam às necessidades nutricionais, bem como a capacidade destas rações serem o mais possível digeridas. Essas são metas que precisamos correr atrás para minimizar os efeitos negativos e tornar a suinocultura cada vez mais sustentável”, arremata o professor.

“Reconhecer que a nossa atividade tem um caráter poluidor é fundamental …. Nosso esforço deve ser conjunto, primando por uma genética de qualidade, rações que atendam às necessidades nutricionais, bem como a capacidade destas rações serem o mais possível digeridas. Essas são metas que precisamos correr atrás para minimizar os efeitos negativos e tornar a suinocultura cada vez mais sustentável”.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso

Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.

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Foto: Divulgação/Acrismat

Apesar do crescimento da produção e dos recordes nas exportações brasileiras de carne suína, a rentabilidade dos produtores de Mato Grosso vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A combinação entre preços em queda, custos de produção ainda elevados e dificuldades para ampliar o consumo interno foi um dos principais temas debatidos durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).

Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer,

Superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer: “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor” – Foto: Divulgação/Acrismat

apresentou um panorama atualizado da cadeia produtiva e destacou que o Estado segue ampliando seu rebanho e sua produção. Entretanto, esse crescimento não tem se refletido na renda do produtor.

Segundo ele, após a virada do ano, os preços pagos pelo quilo do suíno apresentaram forte retração, reduzindo significativamente a margem da atividade. “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor. Hoje estamos observando alguns dos menores resultados econômicos da série histórica da suinocultura em Mato Grosso”, afirmou.

Gauer explicou que a situação é ainda mais preocupante para produtores que possuem financiamentos e investimentos em andamento, já que a redução da rentabilidade compromete a capacidade de cumprir esses compromissos. Outro ponto destacado foi o comportamento das exportações.

Embora o Brasil registre embarques recordes de carne suína, esse desempenho ainda não é suficiente para equilibrar

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins: “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção” – Foto: Divulgação/Acrismat

o mercado interno. “Quando analisamos Mato Grosso, apenas cerca de 15% da produção é destinada à exportação. Ou seja, a maior parte permanece no mercado interno, o que limita o impacto positivo das vendas externas sobre os preços recebidos pelos produtores”, explicou.

Gestão eficiente será decisiva

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, reforçou que o cenário exige dos produtores uma gestão ainda mais eficiente das granjas. Durante sua palestra sobre custos de produção e perspectivas para 2027, ele apresentou a metodologia utilizada pela Embrapa para calcular os custos de produção em seis estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, disponibilizando informações que servem de referência para produtores.

Segundo o pesquisador, embora o Brasil viva um excelente momento nas exportações, esse avanço não foi suficiente para garantir margens satisfatórias aos produtores. “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção. Isso exige que o produtor olhe cada vez mais para dentro da propriedade, buscando eficiência, redução de desperdícios e melhoria da gestão”, destacou.

Presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho: “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas” – Foto: Divulgação/Acrismat

Para Martins, além do trabalho realizado dentro das granjas, será fundamental que toda a cadeia continue investindo em ações de estímulo ao consumo da carne suína. “A ampliação da demanda é um caminho importante para que, no médio prazo, o setor consiga recuperar melhores níveis de rentabilidade”, afirmou.

Além da economia, o pesquisador também abordou a importância da biosseguridade como fator estratégico para manter a competitividade da suinocultura brasileira, tema que também ganhou destaque durante o simpósio.

Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a discussão sobre custos de produção, mercado e rentabilidade tornou-se indispensável diante do atual cenário da atividade. “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas. Por isso, a Acrismat fez questão de reunir especialistas que apresentassem um diagnóstico econômico do setor e apontassem caminhos para que o produtor possa tomar decisões mais seguras. Conhecimento é uma ferramenta essencial para manter a atividade competitiva”, afirmou.

Segundo ele, um dos principais objetivos do 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso foi aproximar os produtores das informações técnicas e econômicas que impactam diretamente a rentabilidade das granjas, fortalecendo o setor para enfrentar os desafios dos próximos anos.

Fonte: Assessoria Acrismat
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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas

Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

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Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.

Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.

Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.

Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.

O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.

Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.

A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.

Fonte: Assessoria ABRAVES
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