Suínos
Entenda porque os aditivos podem beneficiar a sustentabilidade da suinocultura
Existem muitas tecnologias que se complementam e que estão disponíveis no mercado e ajudam a tornar a atividade suinícola uma prática mais sustentável.

O grande objetivo do suinocultor é produzir carne de qualidade para alimentar as pessoas. Como todas as atividades agropecuárias, a suinocultura não é exceção e, inevitavelmente, gera resíduos que têm repercussão ambiental, como poluição a nível de solo, de ar e as vezes na geração de gases que podem comprometer o efeito estufa, piorando esse cenário. Porém, o mercado da suinocultura caminha para uma quebra de paradigmas e diz que é possível melhorar este cenário, implantando técnicas de sustentabilidade que ajudam a minimizar os efeitos negativos e potencializar a produção deste importante produto.

Médico-veterinário, doutor e professor associado da Universidade Estadual de Londrina (UEL), na área de Produção e Nutrição de Suínos, Caio Abércio da Silva – Foto: Arquivo Pessoal
Conforme o médico-veterinário e professor associado da Universidade Estadual de Londrina (UEL), na área de Produção e Nutrição de Suínos, doutor Caio Abércio da Silva, aqueles que trabalham com suinocultura precisam reconhecer que os aspectos finais não desejáveis desta cultura podem ser reduzidos e transformados. “Nesse sentido, os esforços para a minimização destes aspectos transformam a suinocultura numa atividade mais ou menos sustentável de acordo com a intensidade com que a promoção deste estado de redução de componentes não desejáveis seja contemplado”, opina.
É certo que a produção de carne caminha para novos padrões, incluindo a necessidade de fomentar a sustentabilidade, bem como a importância de buscar a melhor nutrição animal possível, para que gere resultados positivos para o produtor e toda a comunidade. “Podemos afirmar que muitas demandas estão sendo feitas para aprimorar, cada vez mais, a nutrição animal, para que ela alcance resultados e metas mais sustentáveis. A utilização eficaz de aditivos na dieta de suínos, quando bem administrados, pode promover bem-estar e sustentabilidade ambiental”, informa.
De acordo com o professor, existem muitas tecnologias que se complementam e que estão disponíveis no mercado e ajudam a tornar a suinocultura uma prática mais sustentável. Uma base bastante importante é o melhoramento genética, que sob um processo de contínuo de investimento, busca colocar no mercado animais mais eficientes. “Para que a suinocultura obtenha sucesso é preciso que os animais consigam transformam o alimento que eles ingerem em um produto de qualidade, como a carne. Esse aspecto é determinante, entretanto, ele precisa ser sustentado pela nutrição. Para isso é necessário ter um conhecimento sólido das reais demandas nutricionais dos animais. Quando se tem uma boa fidelização desta oferta para atendimento das necessidades, o processo de produção torna-se mais eficiente e sustentável”, afirma.
Outro aspecto importante são os aditivos que são incorporados nas dietas. “É importante frisar que temos dois tipos de aditivos, aqueles que não têm caráter nutricional direto, mas podem melhorar aspectos de sustentabilidade, pois têm a capacidade de promover um estado de qualidade da microbiota intestinal, e aqueles que são caracterizados como nutricionais, que favorecem ações enzimáticas e até mesmo rompendo ligações químicas de produtos orgânicos que são ingeridos pelos animais, como proteínas, carboidratos, lipídios e minerais que estão ligados a outras moléculas”, explica.
As dietas bem ajustadas podem contribuir muito para melhorar a sustentabilidade das granjas de suínos. Isso porque os suinocultores contam hoje como uma base genética claramente conhecida e que traz demandas nutricionais distintas, na medida em que a idade desses animais avança. “É imprescindível que aqueles que trabalham com suínos tenham conhecimento das exigências nutricionais dos animais, sabendo diferenciar as particularidades de cada fase da vida do animal, proporcionando uma dieta equilibrada e eficiente”, expõe.
Segundo o médico-veterinário, por meio da oferta de dietas específicas e bem identificadas com as necessidades nutricionais dos animais é possível melhorar a eficiência do plantel. “No entanto, não basta simplesmente aderir as prerrogativas de uma demanda nutricional ajustada com as genéticas que utilizamos, mas também fazer uso de dietas que permitam que o animal aproveite esses nutrientes. Ou seja, quanto mais próximo for a fidelização, quanto menor for a sobra de eventuais componentes que se perdem, via gases produzidos pelos animais, via fezes, estaremos melhorando a sustentabilidade da suinocultura e tendo uma produção mais eficiente”, pontua.
Principais aditivos
É preciso reconhecer que os aditivos possuem dois caráteres: os nutricionais e os não nutricionais, sendo que essas duas classes visam melhorar, naturalmente, a sustentabilidade. Os não nutricionais, em geral, têm efeitos indiretos e envolvem basicamente a determinação de um estado de saúde melhor para o animal e que neste caso têm o foco maior na saúde intestinal. “Neste viés destacamos os probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos os polifenóis, e os taninos, que de uma maneira bastante efetiva promovem mudanças na microbiota intestinal, a favor de uma microbiota benéfica e que age sobre o substrato do alimento que o animal ingere, melhorando sua digestibilidade, produzindo outros ácidos que melhoram os processos absortivos, além de beneficiar o estado de renovação do trato gastrointestinal. Todo este conjunto transforma o alimento ingerido em um alimento melhor digerido, que será melhor aproveitado”, informa.
Já os aditivos nutricionais agem, basicamente, em substratos específicos e fazem com que esse substrato seja melhor disponibilizado para que o animal consiga aproveitar os nutrientes dietéticos. “Neste caso existem várias enzimas, cada uma tem uma especificidade e pode melhorar a absorção de fósforo, de uma fibra, bem como aprimorar a absorção dos carboidratos, proteínas e lipídios. E em geral são muito eficientes e têm respondido muito bem, correspondendo a uma classe de aditivos muito importante e utilizada comercialmente”, explica.
Entre os principais aditivos utilizados nas dietas da suinocultura atual e que promovem mais sustentabilidade ambiental estão as enzimas e os minerais quelatados ou orgânicos (quando superam o atendimento das necessidades nutricionais e têm outros fins, os minerais nesta condição podem ser considerados “aditivos”), pois, em geral, esses últimos são muito bem absorvidos e, desta forma, muito bem aproveitados pelos animais.
Caio Abércio explica que os aditivos agem de forma bastante peculiar. “As enzimas são substratos dependentes, o que significa que elas atuam especificamente sobre um determinado substrato – ou seja, um nutriente. Por exemplo, a fitase age sobre o fitato, a carboidrase sobre o carboidrato, etc. Desta forma, nessa ação ela oportuniza a liberação de nutrientes que num estado anterior à ação enzimática mostram-se menos sujeitos ao processo digestivo completo ou mais completo por conta da insuficiência ou inexistência de enzimas endógenas (aquelas produzidas pelos animais). Então ela colabora ampliando essa ação que muitas vezes não é executada ou é parcialmente executada pelo suíno. E assim ela amplia a oportunidade destes nutrientes serem melhores absorvidos, o que é fundamental para uma produção mais eficiente”, evidencia.
“No caso dos aditivos já relatados, como os minerais, essa veiculação com a molécula orgânica, em geral, facilita processos absortivos, diferente de alguns minerais inorgânicos e, nesse sentido, os tecidos acabam tendo uma reserva maior no sistema orgânico, que passa a ter uma maior presença destes minerais e que tem naturalmente uma função específica nas vias metabólicas, nas demandas que o organismo exige. Os probióticos e prebióticos são utilizados para melhorar o estabelecimento modular de uma flora benéfica em detrimento de uma flora patogênica em nível intestinal. Isso coloca o intestino num platô diferente em que essa bactérias melhoram o estado de conservação do intestino, pois elas competem com as bactérias patogênicas por substratos que passam a ser utilizados eficientemente e não para fins de produção de toxinas, pois isso ocorreria se fossem utilizados estes substratos pelas bactérias patogênicas. Com isso, esse estado todo de saúde permite que o intestino tenha um melhor processo digestivo, melhorando a técnica de absorção dos nutrientes”, expõe.

Foto: Shutterstock
Já os polifenóis e os taninos também cumprem um papel direto antimicrobiano, pois eles inviabilizam bactérias patogênicas de se estabelecer no trato digestório. “Eles também possuem outro importante benefício que é a ação anti-inflamatória, reduzindo os danos do estresse oxidativo, principalmente quando os animais passam por grandes mudanças, como o desmame ou uma transferência para uma nova instalação”, reflete.
Otimizar a disponibilidade de nutrientes
É claro que produzir uma carne de excelência tem muito a ver com a disponibilidade de bons nutrientes aos animais. Com relação a isso o pesquisador evidenciou a importância de otimizar a disponibilidade de nutrientes aos animais. “É preciso oferecer dietas com ingredientes que possam ser bem digeridos, absorvidos e metabolizados, para que se alcance a meta desejada, que naturalmente deve ser: aumento de ganho de peso, deposição de músculo, boa produção de leitões e assim por diante”, enumera.
O doutor professor da UEL salienta ainda que o maior cuidado não deve ser apenas com a disponibilização. “A princípio, quanto maior o consumo de ração melhor, pois o ganho é em tese aumentado. Entretanto, é preciso ficar atento com a qualidade da ração que estamos entregando aos nossos suínos, pois o alimento precisa ser balanceado e não deve entregar mais nutrientes do que o animal exige, porque havendo um excesso de nutritivos isso não será utilizado pelo animal, pois existe um limite genético para aproveitar o alimento. Ou seja, tudo o que não for necessário ele vai jogar fora. Desta forma, o excesso na alimentação acaba sendo um desperdício, e desta maneira, há um maior impacto ambiental negativo. Nesse caso, a sustentabilidade ambiental estará sendo piorada, pois estamos ampliando o poder poluente desse processo”, destaca.
Riscos da adição de aditivos
É preciso difundir a informação de que quando os aditivos são administrados conforme as prerrogativas e orientações técnicas comerciais, eles não possuem nenhum viés negativo, pois são produtos bastante seguros e não têm efeitos negativos. “Por outro lado, é preciso ter conhecimento, pois, por exemplo, sob a administração de um mineral orgânico de forma excedente à dose recomendada, este mineral pode apresentar toxicidade, bem como pode interagir com outros minerais, levando um prejuízo na absorção destes. “A utilização de forma equivocada também pode gerar alterações gastrointestinais, sem contar no desperdício financeiro, pois os aditivos acabam elevando os custos das dietas. Por isso é imprescindível ficar atento às limitações técnicas e comerciais de uso, pois isso é muito importante de ser seguido”, afirma.
Novas fronteiras da nutrição animal
Ainda de acordo com o professor, existe uma perseguição implacável para transformar a suinocultura, como todas as outras cadeias de produção de proteína animal, em atividades mais sustentáveis. “Nós vivemos hoje mudanças recentes ligadas à redução de alguns aditivos que têm poder de impacto ambiental bastante grande, chamo a atenção para o óxido de zinco, que na Europa teve seu banimento como um aditivo controlador das diarreias em leitões, definida recentemente. A China caminha para isso também e é uma mobilização em nível mundial”, pontua.
Por outro lado, o professor reflete que o mais importante é buscar a melhor forma de os animais ingerirem efetivamente aquilo que eles precisam para cumprir as suas finalidades: como produzir carne, ovos, leite, entre outros. “E isso eu acredito que passa por um tema bem interessante, que já chegou no Brasil e está sendo implantado que é a nutrição de precisão, pois ela avança e tem uma expectativa bastante otimista que vai ser determinante neste processo de sustentabilidade, pois acredito que chegaremos a usar dietas que se ajustam individualmente e diariamente às necessidades de cada animal, de acordo com seu peso, seu perfil produtivo e sua finalidade. Vivemos épocas de mudanças gigantescas, mas precisamos reconhecer que já avançamos muito na redução da emissão de poluentes e que vamos continuar aprimorando isso”, sintetiza.
Metas da suinocultura
É impossível falar de metas na suinocultura e não pontuar a importância de práticas sustentáveis. “Reconhecer que a nossa atividade tem um caráter poluidor é fundamental. Isso não é exclusivo apenas da suinocultura. Nesse sentido, as nossas metas devem estar atreladas à redução dos efeitos poluentes, buscando melhor eficácia e menor poluição. Nosso esforço deve ser conjunto, primando por uma genética de qualidade, rações que atendam às necessidades nutricionais, bem como a capacidade destas rações serem o mais possível digeridas. Essas são metas que precisamos correr atrás para minimizar os efeitos negativos e tornar a suinocultura cada vez mais sustentável”, arremata o professor.
“Reconhecer que a nossa atividade tem um caráter poluidor é fundamental …. Nosso esforço deve ser conjunto, primando por uma genética de qualidade, rações que atendam às necessidades nutricionais, bem como a capacidade destas rações serem o mais possível digeridas. Essas são metas que precisamos correr atrás para minimizar os efeitos negativos e tornar a suinocultura cada vez mais sustentável”.
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Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.
Suínos
Estudantes do Oeste do Paraná desenvolvem soluções para o mercado agro global
Projetos criados na Faculdade Donaduzzi e incubados no Biopark utilizam inteligência artificial e ciência de dados para aumentar eficiência, reduzir custos e acelerar a digitalização do campo.

O Paraná, um dos principais motores do agronegócio mundial, pode ampliar a digitalização do campo com a entrada de novas soluções tecnológicas no mercado. O Biopark, ecossistema de inovação sediado em Toledo, oficializou a incorporação de projetos desenvolvidos por estudantes da Faculdade Donaduzzi à sua trilha de produção comercial.
Compliance no campo
Outra frente tecnológica que conquista o mercado nacional foca na desburocratização do agronegócio. Criada por estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e de Engenharia de Software, a solução automatiza a gestão de licenciamentos ambientais e de outorgas.

Foto: Shutterstock
A plataforma emite alertas inteligentes sobre prazos legais, evitando multas e paralisações operacionais. A ferramenta reduz custos logísticos para as grandes integradoras ao eliminar vistorias burocráticas presenciais. Inicialmente voltado à piscicultura, o software poderá ser adaptado a outros setores que exigem controle regulatório.
Trilha empreendedora
O avanço das soluções tecnológicas para a fase comercial é estruturado pela Trilha Empreendedora do Biopark, modelo que organiza a transformação de projetos acadêmicos em negócios sustentáveis. O programa é dividido em etapas que contemplam maturação tecnológica, validação de mercado, com foco em marketing, vendas e precificação, e residência no parque tecnológico, etapa voltada à conexão com investidores e parceiros estratégicos. “Estamos preparados para receber projetos em todos os estágios. Identificamos o nível de maturidade e aplicamos a expertise necessária para que a ideia se torne uma empresa que gere empregos e produtividade”, afirma Hermes Ignacio, gerente de Novos Negócios do Biopark.
A consolidação do modelo também reflete a estratégia acadêmica da Faculdade Donaduzzi, que direciona a formação para desafios concretos do agronegócio. A proposta integra ensino, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico em ambiente de inovação, aproximando estudantes das demandas reais do setor produtivo.
Segundo a gerente acadêmica Dayane Sabec, o objetivo é formar profissionais com capacidade de converter conhecimento técnico em valor econômico e social. “Nosso objetivo é formar profissionais capazes de transformar conhecimento em valor econômico e social, conectando ciência, tecnologia e empreendedorismo. Quando um projeto acadêmico alcança o mercado, reafirmamos a potência de uma educação que ultrapassa os muros da sala de aula e contribui diretamente para o desenvolvimento regional e nacional”, destaca.





