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Dia do Leite 2022

Bovinos / Grãos / Máquinas

Entenda mais sobre gestão na produção de arroba

Gestão de pessoas e dos números da fazenda ainda é gargalo para muitas propriedades conseguirem bons resultados e não acabarem no vermelho

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Uma palavra que está na moda e que o pecuarista brasileiro vem ouvindo muito nos últimos tempos é gestão. A importância de uma boa administração dentro da fazenda é essencial para garantir bons resultados. Mas como fazer este trabalho dar certo é a dúvida de muitos produtores. O engenheiro agrônomo Lucas Oliveira explicou sobre a “gestão na produção de arroba” durante a primeira etapa da Intercorte, que aconteceu em Cuiabá, MT, em abril. O Presente Rural participou do evento.

De acordo com ele, nos últimos anos a receita nas fazendas tem caído e os custos de produção aumentado. “Os custos aumentam mais do que aquilo que estamos recebendo dentro da fazenda. A única maneira de equilibrar isso é produzirmos mais”, afirma. Segundo Oliveira, a maneira de produzir mais é investindo em nutrição, genética, sanidade e manejo. “Para investir em nutrição, vamos melhorar as condições das pastagens, manejar melhor os pastos, dar grãos para os nossos animais. Vamos trabalhar com o confinamento para conseguir controlar 100% daquilo que ele está comendo, para que ele possa engordar mais”, comenta.

Quando o profissional fala em investir em genética, ele reitera que não adianta dar uma excelente comida para o animal se ele não vai responder à altura daquela nutrição que está recebendo. No terceiro ponto abordado – a sanidade –, Oliveira comenta que é bastante importante porque o animal vai produzir mais com qualidade. “Estes três pontos devem estar bem colocados. E depois de estar com isso tudo muito bem feito, vamos manejar. Então pronto, se eu resolver esses quatro alicerces eu terei uma pecuária rentável e lucrativa”, afirma.

Porém, Oliveira destaca que muitos pecuaristas cuidavam destes quatro pontos, mas somente isso não estava resolvendo o problema. “Apesar de eu cuidar, ter uma boa nutrição e genética, meus animais serem bastante saudáveis e ter o manejo correto, nos últimos levantamentos que fizemos em algumas fazendas espalhadas pelo Brasil, 35% delas continuam fechando no vermelho”, conta. Ele informa que a média de reais por hectare/ano foi entre R$ 70 a R$ 80. “Ou seja, o segredo é somente produzir mais? Aí é que vem a palavra gestão. Gestão é buscar resultados através dos processos corretos. Então, eu vou fazer as coisas de maneira correta e buscar lucro, isso é gerir”, assegura.

Dessa forma, Oliveira garante que somente produzir mais não é a resposta. “Eu preciso produzir mais e com lucro, e é nisso que entra a palavra gestão, que vem para conectar as engrenagens”, diz. Um dos pontos mais importantes, que o profissional diz que é preciso que o pecuarista tenha em mente para ter um bom processo dentro da propriedade, são as pessoas. “Eu vou gerir essas pessoas para que todo o processo gere lucro”, afirma.

Gestão de pessoas

Oliveira destaca que quando se fala em gestão o primeiro ponto a se pensar é nas pessoas. “Quando vamos em algumas fazendas, a reclamação número um dos donos das propriedades é sempre a mão de obra. E se vamos conversar individualmente com o capataz ou ajudante e perguntar como é o patrão, ele já responde que o pecuarista não sabe o que quer. Qual a probabilidade de sucesso de um negócio em que o patrão fala mal do funcionário e o funcionário fala mal do patrão?”, questiona.

A resolução deste problema é a gestão de pessoas, assegura. “Todas as coisas são realizadas por pessoas, e elas precisam ser bem geridas, treinadas, precisam ser motivadas. E motivação é desafio versus recompensa”, conta. Para ele, é importante que a mão de obra tenha desafio e metas, além de recompensa, para que ele esteja engajado no projeto. “Dessa forma não precisa ser o olho do dono para engordar o boi, mas o olho de dono. Isso acontece quando o funcionário puxa para ele a responsabilidade de cuidar da propriedade e fazer as coisas acontecerem”, diz.

Gestão de números e resultados técnicos

Outro tipo de gestão que não pode ser esquecida e que faz toda a diferença para uma fazenda de sucesso é a gestão dos números. “Temos feito apanhados de fazendas reais e buscado dados sobre elas. Vimos que a primeira grande dificuldade é o pecuarista saber o rebanho dele”, diz. “Já chegou ao absurdo de uma fazenda que acompanhamos ter três anotações diferentes de um rebanho. Uma para o registro do Ministério, outro no software da fazenda e uma terceira em outro local. Para que se tenha uma boa gestão é preciso que eu tenha uma boa anotação. Eu preciso ter os números certos”, afirma.

Por último, aposta Oliveira, é importante fazer ainda a gestão dos resultados técnicos. “Nós temos uma máxima de que tudo aquilo que pode ser medido pode ser melhorado. Dessa forma, não há gestão sem meta e sem número. Tudo o que eu posso medir eu coloco em um número e eu posso melhorar, porque baseado nesse indicador, eu vou criar as metas para a minha fazenda. Não há gestão sem meta, eu preciso ter uma meta, alguma base, e isso são os meus números que vão me mostrar”, assegura.

“Síndromes” de Gabriela e Zeca Pagodinho

Para o profissional, somente o fato do pecuarista colocar um número ele já melhora o próprio negócio. “Porque quando a gente não mede, quando não temos os números da nossa fazenda, daquilo que estamos fazendo, a atividade não funciona e podemos cair no erro das duas principais síndromes do Brasil, a da Gabriela e do Zeca Pagodinho”, conta.

A primeira grande síndrome nas fazendas do Brasil, para Oliveira, é a da Gabriela. “Se eu nasci assim, cresci assim, vou morrer assim. Então, o meu pai fazia assim, meu avô fazia assim e o negócio vai andar desse jeito, eu não preciso fazer mais nada porque assim está dando certo. O problema que esse pecuarista não vê é que a métrica da época do pai dele é diferente da de hoje”, explica.

Já a segunda grande síndrome, de acordo com o profissional, e que está diretamente relacionada com o produtor que não tem os números, é a síndrome do Zeca Pagodinho. “É aquela propriedade que segue como a música: deixa a vida me levar… Ou seja, deixa o negócio ir acontecendo. Uma pesquisa que fizemos em três mil fazendas de gado de corte, mais de 60% dos fazendeiros não tinham nenhum tipo de negociação com o boi gordo. Ele vendia conforme o preço do dia, mesmo tendo várias ferramentas de venda como temos hoje”, relata.

Ganhando com os números

Oliveira conta que fazendo um estudo com uma média de 285 fazendas ao redor do país, alguns números interessantes foram encontrados. “A média de ganho das fazendas é de R$ 85 por hectare/ano. Só que houve 10% destas fazendas analisadas que ganharam R$ 773. Ou seja, tem fazendas ganhando 10 vezes mais que a média”, informa. Ele conta que a média produzida pelas fazendas foi de 6 arrobas hectare/ano, enquanto que aquelas 10% produziram 13 arrobas hectare/ano. “Existe esta ligação de que produzindo mais, eu vou estar ganhando mais”, diz.

Porém, o profissional alerta para outro dado curioso constatado no mesmo estudo. Ele explica que quem produziu uma média de 0 a 5 arrobas teve um rendimento de R$ 9 hectare/ano. Aqueles que produziram de 5 a 10 arrobas conseguiram R$ 65 hectare/ano. As fazendas com uma média de 10 a 15 arrobas renderam uma média de R$ 259 hectares/ano. Ainda subindo, aquelas que produziram de 15 a 20 arrobas tiveram um rendimento de R$ 911 ha/ano. Porém, as fazendas que tiveram uma média de produção acima de 20 arrobas tiveram um prejuízo de R$ 135 ha/ano.

Oliveira explica os números. “Dividimos a média de quem ganhou mais dinheiro e a média de quem perdeu mais dinheiro. Quem mais ganhou conseguiu um média R$ 911, ou seja, continuou subindo a proporção. Produzi mais e ganhei mais. Porém, quem perdeu dinheiro, perdeu muito dinheiro. A média de quem perdeu foi de R$ 1,5 mil hectare/ano. Isso nos mostra que eu produzir mais faz com que o meu risco seja maior”, afirma. Ele relata que é preciso ter uma gestão muito mais apurada, porque quanto mais o pecuarista produz, mais ele está investindo e maior é o risco. “Eu posso ganhar mais? Posso! Se eu fizer uma boa gestão do meu negócio”, diz.

Oliveira aconselha ao pecuarista que para fazer um bom negócio deve fazer o melhor para o momento. “Qual o tipo de animal que você tem, por quanto você comprou o animal, quanto custou o milho e a soja, por quanto vai vender o animal. Não existe sistema melhor para ganhar mais, o que existe é o melhor para aquele momento”, afirma.

Ele ainda acrescenta que é preciso que o pecuarista saiba a diferença entre despesa e custo. “Quando eu suplemento o meu animal, ou dou ração, eu estou aumentando o meu custo ou a minha despesa? É a minha despesa, porque o custo é igual a despesa sobre a minha produtividade. Eu tenho uma alta despesa, mas se eu tiver uma alta produtividade, o custo pode ser o mesmo ou menor”, explica. Oliveira acrescenta que o lucro da fazenda vem do desempenho do animal, multiplicado pela taxa de lotação – ou seja, a quantidade de animais que o produtor tem –, vezes aquilo que ele está recebendo por arroba, menos o custo. “Não é porque estou dando ração proteica energética que estou aumentando o meu custo. Eu posso estar aumentando a minha despesa. Eu tenho que ter um desempenho compatível com aquilo que eu estou fazendo”, afirma.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Em Marechal Cândido Rondon

Palestra sobre avanços e atual cenário do mercado de lácteos encerra programação do Dia Leite

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, no município de Marechal Cândido Rondon (PR), o evento acontece na próxima quarta-feira (1º) no formato híbrido, com participação presencial e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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Foto: Ari Dias/AEN

Reflexões sobre o mercado do leite encerra o ciclo de palestras da primeira edição do Dia do Leite, evento que será realizado na próxima quarta-feira (1º) pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, no município de Marechal Cândido Rondon (PR). Promovido no formato híbrido, haverá participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara Setorial do Leite, Vicente Nogueira Netto: “A retomada da atividade econômica é ainda a melhor oportunidade para o setor” – Foto: Berrante Comunicação

A palestra de encerramento inicia às 13h30 e será ministrada pelo engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (CSLEI/Mapa) pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto, que vai trazer informações relevantes sobre a cadeia leiteira para estimular a reflexão dos participantes com relação ao atual cenário do mercado de lácteos.

De acordo com Netto, todos os elos da cadeia produtiva acompanham diariamente diversas informações e indicadores para entender o comportamento do mercado de lácteos e assim identificar as melhores oportunidades do setor, tanto para as cooperativas como para seus cooperados. De encontro a isso, vai abordar em sua palestra como ocorreu a evolução nacional da cadeia leiteira, os desafios existentes no setor, os avanços da produção de leite na região Sul do país, especialmente no Paraná, que hoje é segundo maior produtor nacional, a importância socioeconômica da cadeia leiteira para o desenvolvimento da agropecuária, sua capacidade de gerar emprego e renda, além do atual cenário de preços e custos de produção.

“O momento atual certamente é muito desafiador para todas as cadeias produtivas de proteína animal, especialmente para o mercado de leite que é ainda muito dependente do mercado interno. Assim, em um cenário macroeconômico de estagnação, o mercado de lácteos tende a sentir os efeitos da perda do poder de compra do consumidor. Além disso, há ainda o forte aumento do custo de produção ocorrido nos últimos dois anos e que tende a persistir até o final de 2022”, ressalta Netto.

No entanto, mesmo com todos os desafios, a cadeia produtiva de lácteos tem passado por grandes transformações, otimizando processos e buscando se consolidar no mercado com a adoção de tecnologias e melhor aproveitamento dos insumos e uso mais eficiente dos recursos de produção. “A retomada da atividade econômica é ainda a melhor oportunidade para o setor, por isso toda a atenção aos indicadores macroeconômicos é importante para identificar a retomada e, em sequência, a melhora no consumo por conta do fortalecimento do consumidor. Esse é um cenário que pode trazer muitas oportunidades para as cooperativas, na exploração de novas tendências de consumo, adoção de novas tecnologias para atendimento aos cooperados, na união para fortalecer e otimizar operações e no posicionamento de mercado”, analisa Netto.

De acordo com ele, ainda há incertezas quanto a retomada da economia, especialmente por se tratar de um ano de eleições. Mesmo assim a economia está começando a dar sinais de retomada, o que tende a ser a maior oportunidade para o setor. “Além disso, a valorização das commodities lácteas ao redor do mundo, devido ao aumento da demanda, abriu oportunidades para exportações, que também tende a ser uma oportunidade a ser explorada pelas cooperativas”, enfatizou.

Com uma vasta experiência no setor lácteo nacional, Netto foi chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente da Federação Pan-Americana de Leite (Fepale), e atualmente é sócio-diretor da Tropical Genética de Embriões.

Ciclo de palestras

A programação engloba três palestras, que vão trazer um panorama geral do cenário atual da bovinocultura leiteira. O credenciamento inicia às 09 horas, em seguida, às 09h30, haverá a abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

O ciclo de palestras inicia às 10 horas, com o secretário de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), Norberto Anacleto Ortigara, que vai tratar sobre a “Importância do status sanitário das propriedades leiteiras no Paraná”. Com uma vasta experiência no âmbito da agricultura, Ortigara é técnico agrícola e economista, com especialização em Economia Rural e Segurança Alimentar, e desde 1978 é servidor público da Seab.

Em seguida, às 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

O encerramento da programação do Dia do Leite está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Em 1º de junho

Importância do status sanitário do Paraná abre ciclo de palestras do Dia do Leite

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a primeira edição do Dia do Leite acontece em 1º de junho no formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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Fotos: Divulgação

Segundo maior produtor do país, o Paraná produz por ano cerca de quatro bilhões de litros de leite, ficando atrás apenas de Minas Gerais. Essa cadeia produtiva engloba 86% dos pequenos agricultores familiares do Estado, mas, nos últimos anos, principalmente em decorrência da paralisação dos negócios pela pandemia da Covid-19, os elevados custos de produção e as intempéries climáticas prejudicaram o desenvolvimento de toda a cadeia leiteira, que não cresceu aos níveis projetados e desejados.

Secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara: “A moderna tecnologia está chegando ao campo e, onde já é aplicada, os produtores conseguem produtividade média comparada à dos grandes produtores mundiais”

Porém, mesmo com todas as dificuldades, o Estado mantém vivo o desafio de tornar o leite mais uma cadeia vitoriosa, tanto para abastecer o mercado interno com preços mais acessíveis ao consumidor quanto para abocanhar mais fatias do mercado internacional. “É preciso ousadia no setor comercial para não perder mercados conquistados e para prospectar novos. Não se pode mais ficar dependente apenas do incerto mercado doméstico”, afirma o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara, que será um dos palestrantes do Dia do Leite, evento realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa.

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a primeira edição do Dia do Leite acontece em 1º de junho no formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Sob a temática “A importância do status sanitário das propriedades leiteiras do Paraná”, Ortigara vai abrir o ciclo de palestras às 10 horas, após a abertura do evento com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella. “O cuidado com a sanidade tem uma história de pelo menos 50 anos, período em que todas as forças do Estado se uniram para cumprir as exigências e seguir as regras estipuladas. Isso culminou com a certificação de livre de febre aftosa sem vacinação, concedida pelo OIE em 27 de maio de 2021. Junto com ela, veio o reconhecimento do Paraná como área livre de peste suína clássica independente. Mas o Estado aprendeu que, ao se vencer um desafio, outros se apresentam, exigindo a mesma força de vontade e a mesma união de todos para serem superados. O mais imediato é manter o status. Para isso, o cadastro de rebanho é fundamental. A campanha termina em 30 de junho”, menciona.

Segundo Ortigara, a cadeia de leite será vitoriosa quando souber mostrar ao mundo a sanidade de excelência e quando refinar ainda mais a visão estratégica para olhar e aproveitar as oportunidades que o mundo oferece. “Poucos ou quase nenhum setor tem a capacidade de mostrar o Brasil competente e competitivo no mundo, que não o agropecuário, que responde por mais de um terço da produção bruta do Paraná. Por isso, abocanhar uma fatia maior do mercado de leite e de alimentos em geral depende de todos e de cada um”, exalta.

Estratégias em conjunto

Secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara: “O Estado aprendeu que, ao se vencer um desafio, outros se apresentam, exigindo a mesma força de vontade e a mesma união de todos para serem superados”

De acordo com o gestor da Seab, é necessário estabelecer estratégias em conjunto – produtores e indústria – para que a produção e a renda individuais se mantenham em equilíbrio, ainda que as influências externas tendam a fazer com que penda para um ou outro lado. “E é preciso, também, fortalecer a união para garantir força de pressão quando, por conveniência ou inconveniência, importações inoportunas atrapalharem os negócios. Para isso, o Estado faz valer a expertise e as boas condições de criação, com forragens de qualidade superior, sobretudo nas regiões dos Campos Gerais, Oeste e Sudoeste. A moderna tecnologia está chegando ao campo e, onde já é aplicada, os produtores conseguem produtividade média comparada à dos grandes produtores mundiais. Onde ainda não chegou, é preciso caminhar rápido, pois o mercado acabará excluindo quem não tiver um mínimo de profissionalismo”, expõe.

Melhores pastagens, medições de temperatura inteligentes, umidade controlada, internet das coisas aplicada ao campo estão no limite entre a sustentabilidade do negócio e a competitividade no mercado ou a paralisação no tempo e o sucateamento. “As técnicas de manejo foram aperfeiçoadas ao longo do tempo e hoje possibilitam, inclusive, que se tenha rastreabilidade total, que vai desde o conhecimento profundo da saúde do animal até a entrega ao consumidor na gôndola do mercado”, ressalta Ortigara.

O secretário estadual diz que, cada vez mais, o conceito de conforto e bem-estar animal tem recebido a atenção dos pecuaristas, o que também proporciona um leite de melhor qualidade. Ele também destaca que investimento em equipamentos mais modernos e que reduzam os custos de produção, como o uso de energia renovável ou um bom sistema de irrigação, além da atualização das normas sanitárias de acordo com os modernos conhecimentos, proporcionando garantia de animais saudáveis e de boa qualidade do produto aos consumidores.

Confiança

A confiabilidade que o Estado transmite é retribuída na forma de investimentos. Um deles, segundo o secretário, é o aporte de R$ 500 milhões em uma moderna indústria de queijo pelas cooperativas Frisia, Capal e Castrolanda nas proximidades de Ponta Grossa. “Nas regiões Oeste e Sudoeste, várias agroindústrias de transformação do leite também estão se instalando ou expandindo, como a maior fábrica de queijos do país em São Jorge D´Oeste, muitas delas com o auxílio fundamental do Estado”, exalta.

Esse cenário propicia aumento de geração de empregos, em mais salários e em mais pessoas em condições de consumidor. “É preciso agregar valor e vender pelo preço justo, que é aquele que cobre os custos e dá margem de investimento e de vida digna a quem produz”, salienta Ortigara.

Ciclo de palestras

O Dia do Leite inicia às 09 horas com o credenciamento. Após, às 09h30, está marcada a solenidade de abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

A partir das 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

E no período da tarde, a partir das 13h30, o engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara do Leite da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto, vai ministrar a palestra “Reflexões sobre o mercado do leite”.

O encerramento da programação do Dia do Leite está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Final das águas: a segunda janela de oportunidade para uma safra bovina produtiva

Uma característica desta fase é a sementeira dos pastos, indicando o fim do ciclo produtivo

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Foto: Assessoria

Por Lauriston Bertelli

Uma pecuária de corte lucrativa e sustentável é o desejo de todo pecuarista. Para isso, é fundamental criar o conceito de safra bovina, um formato que conduz um plano de trabalho para uma visão do todo, ou seja, com começo, meio e fim.

Considerando o conceito de safra, fica evidente a necessidade de planejar e realizar os processos produtivos respeitando as janelas que compõem o ano pecuário. São quatro momentos distintos e todos com sua devida importância.

Para ficar claro, existem quatro janelas no ciclo pecuário:

 

Janela 1 – período das águas;

Janela 2 – transição 1: saída das águas para o período da seca;

Janela 3 – período da seca;

Janela 4 – transição 2: saída de seca para período das águas.

 

Neste artigo vamos focar na janela 2 ou transição 1, que é o momento onde de fato se consolida ou não a sustentabilidade do ciclo produtivo. Esta é a fase que termina no período chuvoso, o mais produtivo do sistema de produção a pasto, e entra no período da seca, que via de regra é o “fantasma” da pecuária brasileira.

Este período coincide com o inicio do outono, fase de diminuição das chuvas e reduções do fotoperíodo e das temperaturas médias, o que induz a limitação da produtividade das forrageiras, encaminhando para uma fase de crescimento forrageiro praticamente nulo.

Uma característica desta fase é a sementeira dos pastos, indicando o fim do ciclo produtivo. O momento é oportuno para uma avaliação de todos os pastos para verificação do estoque atual de forragens, com o objetivo de enfrentar o período da seca de forma planejada.

Nesta transição, em algumas regiões ainda podem ocorrer chuvas suficientes para algumas práticas zootécnicas, como o pastejo diferido ou até uma possível fertilização nitrogenada, práticas que estendem a produção e a qualidade das pastagens.

Recomenda-se, portanto, a implementação desta rotina em todas as propriedades de produção de bovinos de corte que têm metas produtivas anuais e com o conceito “safra”, com compromisso de efetuar as ações dentro da “janela” correta.

É importante destacar também que neste período existem pastagens que ainda apresentam uma coloração verde e que já estejam sementeadas ou sementeando, nas quais os níveis nutricionais já estão em decréscimo. Este é o momento de virar a chave da suplementação de águas para a suplementação de transição.

Para este período, é possível utilizar três tipos de suplementação, cujos produtos devem ser aditivados preferencialmente com aditivo natural:

 

1- Suplemento na dosagem de 2 a 3 gramas por quilo de peso corporal, contendo 35% de proteína total e bem balanceado com macrominerais e microminerais;

2- Suplemento na dosagem de 4 a 6 gramas por quilo de peso corporal, contendo 18% de proteína total e bem balanceado com macrominerais e microminerais;

3 – Em caso de animais em pré terminação, pode-se iniciar uma terminação intensiva a pasto (TIP).

 

Esta suplementação vai permitir prolongar a fase de ganho de peso por mais 45 a 60 dias, indo ao encontro do máximo ganho por animal.

Se a avaliação das pastagens for feita adequadamente, as práticas zootécnicas vão sustentar a produção por hectare ou por área.

Estas avaliações podem ser feitas utilizando lombo de mulas, cavalos, quadriciclos, drones ou até mesmo por imagens de satélites. Por isso, não existe razão para não fazê-las onde quer que esteja a propriedade.

A utilização desta metodologia é um caminho fundamental para o sucesso na safra bovina.

 

Lauriston Bertelli Fernandes é criador, zootecnista, ex-presidente da ASBRAM e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Premix

 

Fonte: Assessoria
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