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Entenda como o Brasil se tornou o maior produtor de soja do mundo
País produziu 125 milhões de toneladas do grão na última safra, de forma sustentável com a preservação de 66% de sua mata nativa

O Brasil é o maior produtor e exportador no mundo de uma das principais commodities (produtos que funcionam como matéria prima) mundiais – a soja. Dela derivam-se grãos para alimentação humana, o farelo como ingrediente importantíssimo para nutrição animal e o óleo na produção de bens de consumo para cozinha, medicamentos e biodiesel.
O sistema brasileiro de cultivo de soja depende de tecnologias ambientalmente amigáveis, como fixação biológica de nitrogênio, plantio direto e manejo integrado de pragas, que aumenta sua sustentabilidade e reduz as emissões de gases de efeito estufa. O desenvolvimento de tecnologias próprias permite ao Brasil ser líder mundial na produção de soja sem pressionar as áreas de florestas, mesmo considerando os cenários de aumento de demanda do grão nos próximos anos.
Dominante no Brasil para produção de grãos, o sistema de plantio direto ocupa quase 70% da área cultivada com estas culturas e mais de 90% da área da soja. É um sistema diferenciado de manejo do solo, que visa diminuir o impacto da agricultura e das máquinas agrícolas, o que facilita a possibilidade de termos no Brasil até três safras durante o ano.
E por falar em safra, na de 2019/20 o Brasil produziu cerca de 125 milhões de toneladas de soja, com a ocupação de aproximadamente 37 milhões de hectares de área plantada, conforme demonstra o estudo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apresentado em setembro de 2020. O estudo traz ainda que a produtividade do plantio do grão no país é de 3.379 kg/ha.
Mesmo sendo a principal cultura agrícola do país, a soja é plantada em apenas 4% do território brasileiro. Cabe observar que, segundo a Embrapa, o uso do solo no Brasil é distribuído da seguinte forma: 66% de vegetação nativa (florestas e áreas de preservação permanentes) – 554 milhões de hectares; 23% de pastagens – 198 milhões de hectares; 8% na agricultura, em produção de grãos – 60 milhões de hectares; 4% na urbanização e outros usos – 38 milhões de hectares. Dos 8% destinados à produção de grãos, a soja ocupa 3,5%, o equivalente a 33 milhões de hectares.
Como fonte de comparação, hoje, a Europa tem apenas 0,3% das florestas originais do mundo, enquanto o Brasil tem 28,3%, conforme dados do World Resources Institute, de 2019. Como exemplo, em 2016, a França, a Espanha e a Alemanha cultivaram juntos 13% a mais de área do que o Brasil, de acordo com informações do Banco Mundial, apresentadas em 2019. No entanto, a soma da área total dos três países representa apenas 16,7% da área territorial brasileira, o que significa que a pressão da agricultura sobre o meio ambiente é muito maior nesses países do que no Brasil.
Estudo apresentado pela Conab traz que 70% da produção de soja no Brasil se dá nas regiões Centro-Oeste e Sul, sendo o maior produtor da oleaginosa o estado do Mato Grosso, com mais de 35 milhões de toneladas por safra. Ao pensar em biomas, a soja ocupa 9,8% do bioma Cerrado e 0,7% do bioma Amazônia, conforme dados da própria Conab e do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Soja no Bioma Amazônia
Atualmente, apenas 10% de toda soja brasileira é produzida no bioma Amazônico, sem contar que toda a produção está dissociada de qualquer processo de desmatamento desde 2008, com a criação da Moratória da Soja – iniciativa com objetivo de assegurar que a soja produzida e comercializada no bioma Amazônia não está associada à diminuição de vegetação florestal. Basicamente, a Moratória incentiva o plantio em áreas abertas anteriores a 2008, o que evita o uso de floresta para soja, conciliando o desenvolvimento agrícola com a preservação ambiental.
Dados apresentados pelos pesquisadores Amélio Dall’Agnol e Décio Gazzoni, da Embrapa Soja, comparam o desmatamento da área usada para o cultivo do grão e demonstram que, embora a área de soja tenha aumentado de 2005 a 2018 na região amazônica, o desmatamento foi reduzido e o coeficiente de correlação entre as duas séries é negativo.
Já há algumas décadas, a produção agrícola brasileira é baseada em formas, que não o desmatamento, para promover sua expansão. Como exemplos, cabe citar o uso de pastagens degradadas, a conversão de áreas de pastagens boas para uso agrícola, a intensificação agrícola, com o uso de dois, às vezes três, ciclos de cultivo por ano na mesma área (safra e safrinha), o que implica reduzir a área necessária para a mesma produção agrícola e o incremento contínuo do rendimento de soja apoiado por sistemas de produção melhorados, baseados em tecnologia para compensar parcialmente a necessidade de área adicional.
Dados da Aprosoja Brasil estimam que em relação a cadeia produtiva da soja no país haja mais de 243 mil produtores, e um mercado de 1,4 milhões de empregos. Os números apontam ainda, que atualmente 70% da produção de grãos, óleo e farelo de soja são exportados.
Dados de setembro de 2020, do Ministério da Agricultura (MAPA), mostram que o complexo da soja foi responsável pela maior fatia das exportações feitas no país, com 43,5% do total, com a geração de US$ 30,28 bilhões de receita.
Soja brasileira
Sem dúvidas, o índice de proteína encontrado na soja é um dos fatores principais para torná-la tão importante para a alimentação mundial. Mais uma razão para explicar o grande interesse mundial na commodity brasileira. A Embrapa Soja promoveu um estudo para analisar o teor médio de proteína encontrado no grão produzido no Brasil. A pesquisa apresentou 37% de taxa proteica na soja nacional.
Se compararmos com o segundo maior produtor do grão no mundo, os EUA, veremos que até neste quesito a soja brasileira se destaca, uma vez que a oleaginosa norte americana apresenta 34,7% de proteína em sua composição.
O Brasil é um grande produtor e exportador mundial de soja e de muitos outros alimentos. O país é um dos maiores responsáveis pelo abastecimento alimentar no planeta de forma sustentável, com cumprimento e observância a regras sanitárias e ambientais tidas como as mais rígidas do mundo e apresenta um padrão de qualidade contínuo, sem aumentar a área de plantio.

Notícias
Estudo mostra que terraços evitam até 99% da perda de solo em lavouras
Levantamento no Norte do Paraná também indica redução de 80% na perda de água.

A adoção de terraços na produção de grãos diminui a perda de solo em até 99 % e água em 80%. Esse é o resultado da pesquisa realizada pela Rede Paranaense de Agropesquisa, com apoio do Sistema Faep, na região de Cambé, no Norte do Paraná. O estudo desenvolvido entre 2018 e 2024 ocorreu em áreas onde o produtor realiza o manejo em plantio de soja no verão e milho na segunda safra.
Para o monitoramento, a equipe de pesquisadores utilizou megaparcelas experimentais com auxílio de calhas H instaladas no ponto de saída dessas estruturas, em áreas de acúmulo ou concentração do escoamento superficial, e calha Parshall instalada no rio da microbacia. Desta forma, foi possível monitorar os eventos de chuva para quantificar as perdas de solo, água e nutrientes durante os processos erosivos.
O resultado mostrou que, em um período de cinco dias em novembro de 2024, choveu cerca de 96 milímetros, sendo 53,7 milímetros em apenas 40 minutos. Nesse cenário, a área com terraço perdeu cerca de 47,7 quilos de solo por megaparcela, com vazão máxima de 61,3 L/s. Já na área sem terraço, a erosão atingiu 26,5 toneladas de solo por megaparcela, com vazão máxima de 320 L/s. Ou seja, enquanto a parcela com terraço perdeu cerca de 18 quilos por hectare, a área sem atingiu 10 toneladas de sedimentos por hectare.

Calha Parshall instalada no rio da microbacia
“O produtor rural precisa desses estudos para ter consciência da necessidade das boas práticas dentro da porteira e também otimizar a sua produção. Essa união entre o Sistema Faep e a rede de pesquisadores espalhados pelo Paraná permite esse respaldo científico, com base em dados reais. Isso garante a manutenção e crescimento da força produtiva no meio rural do Paraná nas próximas décadas”, ressalta o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Para a pesquisadora e coordenadora da equipe de pesquisa na região Norte, Graziela Moraes de Cesare Barbosa, os dados quantificados servem para analisar como o manejo do solo e o uso de práticas conservacionistas impactam na hidrologia da bacia e os efeitos na recarga das nascentes e rios.
“Esses números indicam a eficiência dessa prática conservacionista quando os eventos de chuva são mais intensos e auxiliam no bom manejo das lavouras”, explica Graziela. “A perda na parcela com terraço indica que o solo fica retido no canal, portanto, o agricultor tem que fazer a manutenção dos terraços quando necessário”, complementa.
Hoje, todas as áreas agrícolas no Paraná são obrigadas, pela Lei Estadual 8.014/1984, a usar terraços. Ou seja, em caso de o produtor optar por uma área agrícola sem terraços, excluindo aquela onde há mata local, e causar um processo erosivo que impacta o meio ambiente, pode ser autuado pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).

Calha H instalada no ponto de saída de água em cada megaparcela
“Usar o terraço e boas práticas é lei. O que estamos fazendo é mostrar para o produtor que se ele não usa terraço, além de estar infringindo a lei, também pode ter perda de solo, água e nutrientes. Ou seja, impacta no custo da produção”, alerta a pesquisadora Graziela. “A erosão no solo causa perda de fertilizantes, fazendo com que o produtor gaste mais com esses produtos”, reforça.
Outra pesquisa da Rede Paranaense de Agropesquisa dá a dimensão da diferença entre se usar ou não os terraços no quesito perdas com fertilizantes. Em Londrina, de maio de 2019 a outubro de 2022, as perdas dos nutrientes nos sedimentos contidos na água escoada pela erosão foram de US$ 282 por hectare na parcela sem terraço e de apenas US$ 32 por hectare na área com terraço.
Apesar da importância dos terraços, Graziela é contundente em afirmar: é necessário um conjunto de práticas conservacionistas complementares, como o plantio direto, o plantio em nível, a rotação de cultura e a manutenção de palhagem.
“Na perda de solo, os prejuízos são incalculáveis se pensarmos que um centímetro de solo demora mais de 400 anos para ser formado na natureza. E em um único evento de grande intensidade, esse solo pode ser arrastado ao longo da encosta agrícola ou parar dentro dos rios”, explica a pesquisadora.
Ainda, nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio também podem ser levados junto com o processo erosivo, causando prejuízo ao produtor que comprou esses elementos para adubar a cultura. Ou seja, a falta vai impactar na produtividade e, consequentemente, na lucratividade da safra.
Capacitação
Para auxiliar os produtores rurais na execução das boas práticas dentro da porteira, o Sistema Faep oferta o curso ‘Manejo e Conservação do Solo – Prática de Campo’. Ao longo das 20 horas de treinamento, o produtor rural conhece os tipos de solos, suas fragilidades e potencialidades, além de técnicas que auxiliam na tomada de decisão para o manejo correto. A capacitação é gratuita e com certificado aos concluintes. Os interessados podem obter mais informações e realizar a inscrição no site da entidade.
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Safra de soja 2026/27 dos EUA começa com estoques elevados
Enquanto os EUA avançam com oferta confortável, no Brasil a aquisição de fertilizantes segue abaixo da média histórica.

A safra norte-americana 2026/27 começou com projeções de aumento de área de soja, estoques confortáveis e condições climáticas favoráveis ao início do plantio. Ao mesmo tempo, no Brasil, a piora na relação de troca tem desacelerado as compras de fertilizantes para a próxima safra de verão.
No fim de março, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou o relatório de intenção de plantio, baseado em entrevistas com produtores. O levantamento indica que os EUA devem semear 34,3 milhões de hectares de soja na safra 2026/27. O número ficou levemente abaixo da expectativa do mercado, de 34,6 milhões de hectares, mas ainda representa um crescimento de 4% em relação à safra 2025/26.

Além da área projetada, o USDA também trouxe os dados de estoques trimestrais de grãos. As reservas norte-americanas seguem em patamar considerado confortável e acima do registrado no mesmo período do ano passado, reforçando um cenário de oferta mais folgada.
No campo climático, as condições também são consideradas positivas para o início do plantio. Apesar de áreas com algum nível de seca estarem ligeiramente maiores do que no ano anterior neste período, os mapas de precipitação no Meio-Oeste indicam boa distribuição de chuvas nas próximas semanas. O período entre abril e meados de maio, que concentra os trabalhos de plantio, deve contar com volumes adequados de chuva no Cinturão de Grãos. Já as projeções para junho e julho também apontam precipitações bem distribuídas, o que, caso se confirme, pode favorecer o desenvolvimento da safra.
No Brasil, o cenário é de maior cautela no campo dos insumos. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a alta dos fertilizantes, influenciada pelo conflito no Oriente Médio e pela piora na relação de troca, tem travado o ritmo de compras para a safra 2026/27. Até o final de março, cerca de 38% dos fertilizantes haviam sido adquiridos, abaixo da média de cinco anos, de 51%.
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Exportações de insumos agrícolas somam US$ 188 milhões no 1º trimestre de 2026
Sementes alcançam US$ 63 milhões e se destacam no crescimento, com melhor resultado para o período.

As exportações brasileiras de insumos agrícolas, como defensivos químicos, bioinsumos e sementes, somaram US$ 188 milhões no 1º trimestre de 2026, recorde no período. Em volume, foram embarcadas cerca de 30,9 mil toneladas de produtos. O valor representa um crescimento de 8,7% em relação ao mesmo período do ano passado e reflete o avanço da inserção internacional do setor.
As sementes agrícolas atingiram US$ 63 milhões, um terço do total das vendas externa, melhor resultado para os três primeiros meses do ano. O destaque reforça a trajetória observada nos últimos cinco anos. “O Brasil consolidou sua posição como exportador de insumos agrícolas e os números do primeiro trimestre de 2026 comprovam que o setor está em plena expansão, com recordes históricos e uma novidade importante, a diversificação. O portfólio exportador de sementes cresceu e se renovou. Culturas que antes mal figuravam nas estatísticas, hoje chegam a novos mercados em quatro continentes. Esse movimento não é isolado, acompanha a trajetória do agronegócio brasileiro que segue batendo marcas expressivas a cada trimestre”, analisou o gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides.

A abertura e ampliação de novos mercados contribuiu para o desempenho dos setores, avaliou o gerente-executivo. Do valor total exportado de insumos, defensivos químicos representou US$ 105 milhões e os bioinsumos, US$ 21 milhões.
Comércio exterior
Em 2022, as exportações de sementes estavam concentradas em forrageiras, milho e hortaliças, que representavam 92% do total das vendas. Em 2026, essas culturas ainda lideram, mas com participação reduzida para 82%, dando o espaço para novos produtos. Neste 1º trimestre, por exemplo, o Brasil exportou sementes de nabo para o Uruguai, ricino para Congo e Quênia, sorgo para a Bolívia e melão para os Estados Unidos, movimentos que já representam 14% das vendas externas do segmento.

Sob outra perspectiva, as importações de defensivos químicos somaram US$ 2,3 bilhões, queda de 11% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A retração foi observada em todos os segmentos, produtos formulados, técnicos e matérias-primas, e acompanhada por redução de 8% no volume importado. Esse movimento, já notado anteriormente, reflete, entre outros fatores, a maior participação de produtos genéricos nas compras externas, contribuindo para a queda dos preços médios.

Registros de produtos
No 1º trimestre de 2026, o segmento de defensivos químicos contabilizou 186 produtos com registros ativos. Desse montante, 107 são produtos formulados e 79 produtos técnicos. Já entre os 19 registros ativos biológicos, o detalhamento apresenta 12 novos produtos de agente microbiológicos, 4 de agentes macrobiológicos e 3 de bioquímicos. Os dados da CropLife Brasil utilizam informações oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Bioinsumos
A mercado de bioinsumos, que atingiu desempenho inédito em 2025, manteve trajetória de crescimento. Em janeiro de 2026, o setor movimentou R$ 445 milhões, alta de 3% na comparação anual. A área tratada também se destacou, com 12 milhões de hectares no mês, crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano passado. O segmento dos bioinseticidas liderou tanto em valor de mercado (R$ 264 milhões), quanto em área (5,3 milhões).




