Avicultura
Enriquecimento de ovos com selênio: saúde animal e humana
Suplementação de selênio nas dietas das aves contribui para a saúde animal e enriquece os ovos, agregando benefícios nutricionais para os consumidores.

Artigo escrito pela nutricionista na Agroceres Multimix, Thaila Fernanda de Moura.
O ovo se destaca nas últimas décadas como opção estratégica para atender à crescente demanda dos consumidores por alimentos funcionais. Na avicultura, a suplementação de selênio (Se) nas dietas das aves contribui para a saúde animal e enriquece os ovos, agregando benefícios nutricionais para os consumidores.
Mineral essencial para o bom funcionamento do organismo, o selênio desempenha papel crucial como cofator de mais de 25 selenoproteínas, incluindo a glutationa peroxidase, que protege as células contra danos oxidativos e o envelhecimento precoce. Além disso, esse mineral exerce um papel importante no fortalecimento do sistema imunológico, na regulação da função tireoidiana e na prevenção de doenças crônicas, como câncer e doenças cardiovasculares. Nesse contexto, otimizar os níveis de selênio nas dietas das aves é fundamental para promover a saúde, a produtividade e a produção de alimentos funcionais.
A exigência de selênio para galinhas varia de 0,05 a 0,08 ppm, dependendo do consumo diário de ração. Pesquisadores recomendam 0,142 mg de selênio por kg de ração para poedeiras suplementadas com fontes orgânicas e 0,315 mg/kg para fontes inorgânicas. Essa necessidade pode ser atendida por uma dieta convencional a base de milho e farelo de soja, sem suplementação adicional.
No entanto, o teor de selênio nos grãos de ração varia amplamente entre as regiões, e é uma prática comum na indústria avícola suplementar as dietas das galinhas poedeiras, com o intuito de evitar deficiências. Em aves, assim como e m outras espécies animais, o selênio pode ser suplementado por fontes inorgânicas ou orgânicas, sendo a escolha dessas fontes fator determinante para o destino metabólico do mineral.
O selenito de sódio é a fonte tradicional e inorgânica de selênio nas dietas animais. No entanto, fontes alternativas, como a selenometionina e leveduras enriquecidas com selênio, têm sido exploradas devido à sua maior biodisponibilidade e vantagens biológicas. Isso ocorre porque, apesar de amplamente utilizado, o selenito de sódio tem menor eficiência na retenção de selênio nos tecidos das aves. Após ser absorvido no intestino delgado, principalmente por difusão passiva, o selenito é transportado para o fígado, onde é convertido em seleneto para a síntese de selenoproteínas.
O seleneto é essencial para a produção de selenoproteínas antioxidantes, como a glutationa peroxidase e a tioredoxina redutase. Essas enzimas desempenham papéis fundamentais na proteção das células contra danos oxidativos, e ambas dependem diretamente do selênio para exercerem suas funções.
A selenometionina, forma orgânica de selênio, é absorvida pelos enterócitos de maneira similar aos aminoácidos, por
meio de transporte ativo. Esse processo ocorre em todas as regiões do intestino delgado, utilizando um mecanismo semelhante ao da metionina. Durante a síntese proteica, a selenometionina pode substituir a metionina, permitindo que o selênio seja armazenado nos tecidos musculares. Assim, ela é incorporada às proteínas e liberada apenas após o turnover proteico, fornecendo selênio de forma gradual e eficiente para o organismo. Sua participação nas vias metabólicas confere vantagens sobre as fontes inorgânicas e outras fontes orgânicas, pois a absorção ocorre de maneira dependente de sódio, de forma semelhante à da metionina.
Um estudo de 2024 demonstrou que grupos suplementados com fontes orgânicas de selênio apresentaram maior teor do mineral nos ovos em comparação aos grupos suplementados com selênio inorgânico. Entre os grupos suplementados com 0,30 mg/kg de selênio, houve um aumento significativo no teor de selênio nos ovos em relação aos grupos suplementados com 0,15 mg/kg.
A levedura enriquecida com selênio é outra opção de fonte orgânica que contém aproximadamente 50-70% de selenometionina, podendo incluir outras formas de selênio, como a selenocisteína. Essa fonte natural é absorvida de maneira eficiente por transporte ativo no intestino e utilizada nos tecidos de forma semelhante à selenometionina.
utros estudiosos, ao avaliarem a deposição de selênio em ovos de galinhas poedeiras, observaram que os níveis de selênio transferidos para os ovos aumentaram linearmente com a suplementação do mineral na dieta (de 0,15 a 3 ppm), independentemente da fonte de selênio (orgânica ou inorgânica). No entanto, quando a suplementação foi feita com a forma orgânica do mineral, houve uma maior deposição de selênio nos ovos. Aos níveis de 0,60 ppm de selenito de sódio e levedura enriquecida com selênio, as respostas foram de 0,327 e 0,670, respectivamente, enquanto nas doses de 3,00 ppm, as respostas aumentaram para 0,641 e 2,207 para selenito e levedura, respectivamente.
Outro estudo com galinhas alimentadas com uma dieta contendo selenometionina observou que elas transferiram mais selênio para seus ovos (+28,8%) e acumularam maiores reservas nos músculos (+28%) em comparação com as aves alimentadas com dietas suplementadas com selênio inorgânico e selênio de levedura.
Embora existam outros produtos, como quelatos, glicinatos e proteinatos, ainda são necessários mais estudos para que esses se tornem fontes confiáveis.
Viabilidade
Do ponto de vista da viabilidade econômica, a combinação de fontes orgânicas e inorgânicas tem se mostrado uma abordagem eficaz em custo-benefício, permitindo que os produtores ajustem a suplementação ao longo das fases produtivas das aves e atendam às crescentes demandas do mercado por alimentos funcionais e nutritivos. Fontes inorgânicas de selênio, como o selenito de sódio, são necessárias para a síntese de selenocisteína.
Ovo como um alimento funcional
O ovo, por ser uma fonte rica de ácidos graxos poli-insaturados, é altamente suscetível à oxidação lipídica,
especialmente durante o processamento e estocagem. Esse processo compromete a qualidade sensorial do alimento e é acelerado por fatores como tempo e temperatura, que afetam diretamente sua estabilidade.
O selênio é fundamental para prolongar a vida útil dos ovos, desempenhando um papel central como componente da enzima antioxidante glutationa peroxidase. Essa enzima atua reduzindo e neutralizando radicais livres gerados pela oxidação lipídica, retardando os processos oxidativos que afetam a qualidade do ovo.
Como resultado, a suplementação com selênio contribui para preservar as características sensoriais e nutricionais do ovo, assegurando sua estabilidade durante o armazenamento e transporte.
Além disso, no Brasil, a Instrução Normativa nº 75/2008 estabelece critérios para destacar o valor funcional dos alimentos. Essa regulamentação define os requisitos necessários para que um alimento seja rotulado como “fonte” ou “rico em selênio”, incluindo as concentrações mínimas exigidas para essas alegações. No caso dos ovos, ajustar a suplementação alimentar das aves para atender a essas exigências legais é essencial, permitindo que os produtores agreguem valor ao produto e atendam às expectativas do mercado consumidor por alimentos funcionais.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Os Valores Diários de Referência (VDR) indicam que a ingestão recomendada de selênio para adultos é de 60 μg por dia. Para classificar um alimento de acordo com seu conteúdo de selênio, são adotados os seguintes critérios:
- Fonte de selênio: quando o alimento contém no mínimo 15% do VDR por porção.
- Rico em selênio: quando o alimento apresenta no mínimo 30% do VDR por porção.
Um ovo de 50 g contém cerca de 15 μg de selênio, o que representa aproximadamente 25% da ingestão diária recomendada. Para ser classificado como “rico” em selênio, o ovo (50g) deve conter pelo menos 18 μg do mineral.
Portanto, o enriquecimento de ovos com selênio, por meio da suplementação adequada na dieta das aves, não apenas contribui para a saúde e o bem-estar animal, mas também oferece um valor nutricional significativo aos consumidores, atendendo à demanda crescente por alimentos funcionais. Além disso, com o respaldo de regulamentações como a Instrução Normativa nº 75/2008, é possível destacar o valor funcional do ovo, agregando maior valor ao produto e cumprindo as expectativas do mercado.
Esse diferencial competitivo permite ao produtor elevar o preço de venda em mais de 60%, posicionando os ovos

Foto: Rodrigo Félix Leal
enriquecidos como uma solução estratégica que combina alta rentabilidade com a crescente demanda por alimentos funcionais e saudáveis.
Assim, ao otimizar a suplementação de selênio nas dietas das aves, é possível melhorar a qualidade do produto, atender às exigências legais e satisfazer as necessidades dos consumidores, promovendo benefícios para a saúde humana de forma sustentável e eficiente.
Considerações finais
O enriquecimento de ovos com selênio configura-se como uma estratégia poderosa e diversificada para melhorar tanto a saúde animal quanto a humana. Ao suplementar as dietas das aves com fontes orgânicas de selênio, é possível não apenas otimizar a saúde e o desempenho das poedeiras, mas também aumentar o teor desse mineral nos ovos, contribuindo para a produção de alimentos funcionais com benefícios nutricionais significativos. Além disso, o selênio exerce um papel fundamental na preservação das características sensoriais dos ovos, especialmente ao atuar como um potente antioxidante, retardando a oxidação lipídica e prolongando a vida útil do produto.
O enriquecimento de ovos com selênio não é apenas uma tendência crescente, mas uma solução eficaz que integra saúde animal, benefícios nutricionais e valorização do produto. Ao adotar práticas de suplementação bem planejadas, os produtores podem impulsionar a qualidade de seus ovos, atendendo tanto às exigências dos consumidores quanto às necessidades do mercado global de alimentos funcionais.
As referências bibliográficas estão com os autores. Contato: joao.santos@agroceres.com.
O acesso à edição digital do jornal Avicultura Corte & Postura é gratuito. Para ler a versão completa, basta clicar aqui. Boa leitura!

Avicultura
Preços do frango podem reagir após período de demanda enfraquecida no início do ano
Custos equilibrados de milho e competitividade frente à carne bovina reforçam cenário mais positivo.

Com o fim do período tradicionalmente mais fraco para o consumo, o mercado de frango pode entrar em uma fase de estabilização e recuperação de preços nas próximas semanas. A expectativa é de que a queda observada nos valores da ave seja interrompida após o feriado de Carnaval, acompanhando a melhora da demanda doméstica.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o ambiente segue favorável para o setor, sustentado por exportações aquecidas, elevada competitividade da carne de frango em relação à bovina e custos equilibrados de ração.
No campo da oferta, o ritmo de crescimento pode perder força a partir deste período, dependendo do volume de alojamentos realizados em janeiro. Caso tenham sido menores do que a forte colocação registrada em dezembro, a disponibilidade de aves tende a se ajustar gradualmente. As aves alojadas no fim de dezembro influenciam diretamente a oferta até meados de fevereiro.
As exportações continuam com perspectiva positiva e devem seguir contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda, reforçando o suporte aos preços no mercado interno.
Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável. A primeira safra de milho apresentou resultado acima das expectativas e, até o momento, a safrinha mantém boas perspectivas. No entanto, o plantio da segunda safra ainda está em fase inicial no Cerrado, e não há definição sobre o percentual que poderá ficar fora da janela ideal, que se encerra no fim do mês.
Mesmo com expectativa de boa oferta de milho e demanda doméstica firme, a tendência é de um mercado equilibrado para o cereal, sem espaço para oscilações expressivas. Ainda assim, as condições climáticas nos meses de março e abril continuarão sendo determinantes para o comportamento dos preços.
Avicultura
Ovos retomam alta e frango mantém preços estáveis no pós-Carnaval
Equilíbrio entre oferta e demanda sustenta cotações dos ovos, enquanto setor avícola monitora consumo para possível reação em março.

O mercado de ovos voltou a registrar alta após cinco meses consecutivos de queda nos preços. Levantamentos do Cepea indicam que, em algumas regiões acompanhadas, a média parcial até 18 de fevereiro apresenta avanço superior a 40% em relação a janeiro.
Segundo o Centro de Estudos, o equilíbrio entre oferta e demanda tem sustentado a recuperação das cotações, mesmo na segunda quinzena do mês, período em que as vendas costumam perder ritmo. Apesar da recente reação, os preços ainda seguem abaixo dos verificados no mesmo período do ano passado, acumulando retração real superior a 30% nas regiões monitoradas.
A expectativa do setor agora está voltada para a Quaresma, iniciada no último dia 18. Pesquisadores do Cepea destacam que, durante os 40 dias do período religioso, o consumo de ovos tende a aumentar gradualmente, já que a proteína ganha espaço como alternativa às carnes. A perspectiva é de que a demanda mais aquecida continue dando sustentação aos preços.
No mercado de frango, a semana de recesso de Carnaval registra estabilidade nas cotações, reflexo da demanda firme. Ainda assim, na média mensal, o valor da proteína congelada negociada no atacado da Grande São Paulo está em R$ 7,00/kg até o dia 18 de fevereiro — o menor patamar real desde agosto de 2023, quando foi de R$ 6,91/kg, considerando valores deflacionados pelo IPCA de dezembro.
Os preços mais baixos refletem as quedas intensas observadas nas primeiras semanas do ano, movimento que já se estende por pouco mais de três meses. O cenário mantém os agentes cautelosos.
De acordo com participantes consultados pelo Cepea, uma possível recuperação dos preços do frango pode ocorrer apenas a partir do início de março, diante da expectativa de maior consumo no começo do mês. Para esta segunda metade de fevereiro, a liquidez deve permanecer no ritmo atual, limitando avanços mais expressivos nas cotações.
Avicultura
Avicultura gaúcha resiste a crises, mantém relevância e freia expansão diante de incertezas
Mesmo entre pressões climáticas, custos elevados e desafios sanitários, setor mantém posição estratégica no cenário nacional, projeta crescimento moderado nas exportações e adota postura cautelosa para preservar competitividade e rentabilidade em 2026.

A avicultura do Rio Grande do Sul vive um momento de transição, marcado pela necessidade de ajustar produção, custos e mercados em um cenário que combina instabilidade climática, incertezas sanitárias e mudanças no ambiente regulatório. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos, traçou um panorama da atividade para 2026 e apontou os principais gargalos que limitam a competitividade do estado, apesar de sua tradição como um dos maiores produtores e exportadores de carne de frango e líder nacional nas exportações de ovos.
De acordo com o dirigente, o setor sofreu nos últimos três anos com situações atípicas que retardaram planos de expansão e reconfiguraram a estrutura produtiva. “As adversidades climáticas e os acontecimentos sanitários retardaram parcialmente o crescimento do setor”, frisa.

Presidente da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Cautela nunca é demais e muita atenção no cenário mundial, pois os conflitos que porventura possam surgir no exterior poderão refletir na nossa atividade” – Foto: Divulgação/Asgav
A perspectiva é de uma retomada gradual. Com os resultados de 2025 ainda sendo fechados, Santos projeta crescimento de 3% a 4% nas exportações de carne de frango, de 10% a 20% nas exportações de ovos, e de 2% a 3% na produção de carne de frango, mantendo uma postura cautelosa. No segmento de ovos, a expectativa é de manutenção da estabilidade na produção. “Havendo uma safra de grãos regular, o custo de produção poderá estabilizar e os ganhos e rentabilidade no mercado interno dependerão da disciplina do setor em analisar o cenário de oferta e procura”, avalia.
A análise do executivo revela uma preocupação central para a necessidade de equilíbrio entre oferta e demanda no mercado doméstico. Ele alerta que, mesmo com condições favoráveis de produção, a rentabilidade vai depender da capacidade do setor de controlar a oferta e de entender o comportamento do consumo.
Cautela para 2026
Em relação a 2026, Santos aposta em um comportamento ainda mais prudente. “O cenário econômico nacional, global e a geopolítica que se molda ultimamente no mundo, nos remete a uma cautela permanente”, pontua, enfatizando que a definição de rumos, seja para crescimento ou estabilidade, exige monitoramento constante do contexto internacional e doméstico. “A tendência é que o estado adote um modelo cauteloso e equilibrado na ampliação da produção”, salienta.
O Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor e exportador de carne de frango do país, mantém estabilidade no abate, com crescimento moderado. A decisão de não acelerar a expansão, segundo Santos, reflete a necessidade de evitar sobredimensionamento diante de um cenário que pode mudar de forma repentina, especialmente por fatores externos.
Exportações e mercados em recuperação
Os episódios sanitários recentes no estado, como a Influenza aviária e a Doença de Newcastle, tiveram impacto bem menor do que inicialmente se previa nas exportações gaúchas. “Tivemos uma queda de 0,77%, comparando 686,3 mil toneladas exportadas em 2025 com 691,6 mil em 2024”, informa, relembrando que em 2024 o estado sofreu redução do volume embarcado de 6,75% em relação a 2023, em um ano marcado por enchentes e o caso de Newcastle.
Para 2026, ele não aponta mercados específicos como puxadores da retomada, mas destaca que a consolidação e reabertura de mercados ainda exigem esforço contínuo, sobretudo na reestruturação de credibilidade e previsibilidade sanitária do estado.
Competitividade frente a Paraná e Santa Catarina

Foto: Rodrigo Felix Leal
O Rio Grande do Sul enfrenta, historicamente, forte concorrência interna com estados como Paraná e Santa Catarina. Santos destaca que o estado mantém sua posição de destaque há décadas, mas reconhece que o ambiente competitivo exige ações estruturais. “Infelizmente, no Rio Grande do Sul, a ‘guerra fiscal’ nos atropelou e a insuficiência de milho nos trouxe um custo de produção elevado”, lamenta.
Para o dirigente, a ausência de políticas de incentivo fiscal adequadas teria contribuído para a perda de competitividade. Ele aponta que o estado passou a se tornar atrativo para empresas de outros estados que direcionam volumes consideráveis de carne de frango para a região gaúcha. “Não obtivemos políticas de incentivo fiscal suficientes que nos ajudassem a reverter os danos da ‘guerra fiscal’. Mas apesar de todas as dificuldades que o Rio Grande do Sul enfrenta, o estado se manter entre os três principais em produção e exportação é algo que merece destaque”, menciona.
Santos ressalta que o estado mantém características favoráveis que podem sustentar o crescimento a médio e longo prazo, como mão de obra qualificada, empreendedorismo, sistema integrado e cooperativado bem-organizado. “Somado a estes fatores se houver o surgimento de uma gestão governamental que nos ofereça condições de maior competitividade vamos poder alavancar o crescimento de forma mais dinâmica da avicultura do Rio Grande do Sul”, projeta o executivo, ressaltando que o estado tem atraído novos investimentos e a manutenção de muitas indústrias de pequeno, médio e grande porte.
Pressões de custos
Além da guerra fiscal e do alto custo do milho, outros itens pressionam a competitividade. Grãos, energia, logística e mão de obra seguem como fatores críticos, mas Santos destaca novos pontos de atenção para 2026. Entre eles, a Reforma Tributária e propostas de mudanças na jornada de trabalho, que podem elevar os custos com pessoal. “São pontos de atenção que podem afetar o custo do setor, e principalmente temos que ficar muito atentos aos reais impactos da efetivação que a Reforma Tributária poderá trazer para a avicultura”, enfatiza Santos.
A leitura do dirigente sugere que o setor está atento ao risco de deterioração da margem produtiva por pressões regulatórias e fiscais, especialmente em um ano eleitoral, quando mudanças podem ser aceleradas ou postas em debate.
Comunicação ampla e contínua

Para o mercado doméstico, Santos acredita que há espaço para crescimento do consumo, mas não sem estratégia. Ele defende a necessidade de ações mais proativas para fortalecer a percepção da carne de frango como alimento essencial na dieta dos brasileiros, apontando para a necessidade de uma política de comunicação mais ampla e contínua, com recursos e estrutura adequados para sustentar campanhas de longo prazo. “Muitos acham que o que se faz hoje é suficiente, que a população já está ciente e saturada com muita informação sobre a carne de frango, mas essa visão não considera o contexto de transformação social e cultural, com muitos outros tipos de alimentos e dietas, novos conceitos e ideologias. O planejamento de algo audacioso, constante e criativo pode alavancar o consumo de carne de frango no Brasil, mas lógico que é preciso um bom investimento”, salienta.
Setor emergente no agro
O segmento de ovos é, para o dirigente, um dos principais vetores de crescimento e consolidação internacional do Rio Grande do Sul. O estado figura entre os principais nas exportações do produto, e Santos avalia que o segmento se tornou um exemplo de setor emergente no agro.
Ele destaca o Programa Ovos RS, que está em sua 13ª edição e reúne módulos técnicos e de promoção. “O programa possui módulos que dão um suporte importante para indústria e produtores, contando com módulo técnico que audita e orienta os estabelecimentos membros do programa a se qualificarem e manterem suas empresas dentro das diretrizes legais de produção”, explica, ressaltando que a iniciativa também promove ações permanentes de incentivo ao consumo de ovos.
Com base nesse modelo, Santos acredita que o estado gaúcho pode ampliar sua participação no mercado externo, desde que mantenha estabilidade nas exportações vigentes e fidelize os mercados importadores. “Com ações de aprimoramento constante, uma boa prospecção de mercados com apoio da ABPA e do Governo Federal, vamos poder ampliar ainda mais nossa participação no mercado externo”, diz, otimista.
Biossegurança como prioridade estratégica
Os episódios recentes de Doença de Newcastle e Influenza aviária reforçaram a importância de biossegurança, um tema que Santos considera central para reduzir riscos sanitários e garantir previsibilidade em 2026. Ele afirma que a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) tem trabalhado com máxima atenção para que o setor atenda aos procedimentos normativos vigentes, além de comunicar continuamente a importância da proteção dos plantéis.
A entidade também atua em iniciativas de conscientização e mobilização política. “Pensando em vulnerabilidade e aumentar a biossegurança no setor é que a Asgav apresentou na ABPA minuta de um Projeto de lei que institui o Dia Nacional da Biosseguridade na Produção Animal, com a proposta sendo aprovada por unanimidade no Conselho Diretivo da entidade e encaminhada à Câmara Federal. O objetivo do PL é evidenciar cada vez mais a importância da biosseguridade, estimular criação de políticas públicas para atender e orientar pequenos produtores de aves domésticas e outras criações de subsistência”, detalha.
Ele reforça ainda que as autoridades ligadas direta e indiretamente com o agro precisam entender o potencial prejuízo de surtos em larga escala e que é melhor investir em prevenção do que enfrentar perdas imensuráveis. “É melhor investir e disponibilizar recursos para prevenção e defesa sanitária, do que, em caso de uma catástrofe, o país sofrer prejuízos imensuráveis com os impactos diretos e indiretos com uma possível incidência expressiva de Influenza aviária”, ressalta.
Gargalos estruturais
Entre os principais obstáculos ao avanço da avicultura gaúcha, Santos destaca a dependência de milho de fora do estado e a falta de incentivos fiscais. Ele também aponta o acesso ao crédito e a necessidade de um fundo de apoio para modernização e adequações de indústrias e aviários como itens críticos para a competitividade. “A falta de incentivos fiscais nos deixam em desvantagem competitiva em relação a outras unidades produtivas da federação”, reforça, acrescentando que as tratativas com o governo do estado avançam lentamente, com dificuldades para liberação de créditos de ICMS e outros mecanismos que poderiam apoiar investimentos.
Orientação para o setor em 2026
Para 2026, a agenda da Asgav junto ao poder público se concentra em fortalecer programas de incentivo e ampliar a defesa sanitária do estado. Santos destaca a importância de um quadro técnico estruturado na defesa sanitária, capaz de executar suas atividades com eficiência.
Ao setor produtivo, ele recomenda cautela e atenção à gestão econômica e ao contexto político, sobretudo em um ano eleitoral. “Cautela nunca é demais e muita atenção no cenário mundial, pois os conflitos que porventura possam surgir no exterior poderão refletir na nossa atividade”, alerta, lembrando que o setor avícola nacional tem forte presença no mercado externo e responde por quase 40% do fornecimento de proteína animal para o mundo, o que reforça a necessidade de previsibilidade e planejamento estratégico.
O executivo reforça ainda que a avicultura do Rio Grande do Sul mantém sua relevância nacional e internacional, mas enfrenta uma combinação de desafios que exigem adaptação e disciplina. “A recuperação das exportações, a consolidação de mercados, a promoção do consumo interno, a segurança sanitária e a necessidade de políticas públicas estruturadas aparecem como eixos centrais para que o setor retome um ritmo de crescimento mais robusto em 2026”, salienta Santos.
A versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.





