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Enfermidades e soluções de manejo sanitário em confinamentos

Mesmo sendo relativamente baixo o investimento em sanidade, podemos ter altos prejuízos com a manifestação de enfermidades e mortalidade

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Gustavo Chilitti, consultor Técnico para a Bayer

A pecuária nacional enfrenta o desafio contínuo de produzir mais e melhor para atender a crescente demanda mundial por proteína animal, mesmo sofrendo forte pressão da agricultura sobre áreas destinadas a pastagens. Para a convivência do boi com a lavoura se tornar mais harmoniosa, os produtores têm lançado mão de tecnologias como a integração lavoura-pecuária (ILP), semi-confinamento e confinamento.

O Brasil confinou em 2018 aproximadamente 5 milhões de cabeças, e cerca de mais 5 milhões foram terminadas em semi-confinamento. Esses 10 milhões de animais abatidos representam um terço do abate total do Brasil.

Quando falamos em confinamentos, 70% do custo está ligado à aquisição dos animais que entrarão no sistema de terminação. Dentro dos outros 30% dos custos, 70% são provenientes da dieta. As despesas operacionais efetivas com sanidade ficam em torno de 0,2 a 0,5% do custo operacional total.

Mesmo sendo relativamente baixo o investimento em sanidade, podemos ter altos prejuízos com a manifestação de enfermidades e mortalidade, dependendo da frequência em que as mesmas ocorrerem. As enfermidades mais comuns nos confinamentos do Brasil são:

Doença Respiratória Bovina (DRB)

A DRB é o conjunto de doenças do trato respiratório, tanto superior (narinas, cornetos e seios nasais), quanto inferior (traqueia e pulmões), sendo que a maioria evolui para as pleuropneumonias, levando o animal à morte ou baixo desempenho.

Entre os principais agentes virais, estão a IBR (Rinotraqueite infecciosa bovina), PI3 (Parainfluenza 3), BVD (Diarreia bovina a vírus), Coronavírus e BRSV (Vírus sincicial respiratório bovino). Esses vírus abrem portas para infecções secundárias por Pasteurella multocida, Mannheimia haemolytica, Histophilus somni e Mycoplasma bovis.

A prevenção da DRB deve ser feita através do uso de vacinas, de preferência as que atuam contra vírus e bactérias. O ideal é que os animais sejam imunizados antes da entrada no confinamento, porém devido a fatores de logística e manejo, muitas vezes são vacinados na chegada ao confinamento.

Clostridioses

Doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium. Em confinamentos destacam-se a Enterotoxemia (Clostridium perfringens), Mionecroses (C. chauvoei e C. septicum) e botulismo (Clostridium botulinum).

É prática comum na pecuária nacional o uso de vacinas contra clostridioses, principalmente em animais jovens. Mesmo assim é fundamental que o animal receba o reforço vacinal no protocolo de entrada do confinamento.

Refugo de cocho

É um problema bastante frequente, principalmente quando trabalhamos com animais zebuínos e mais erados, como vacas descarte e bois castrados. Alguns animais simplesmente se negam a ingerir alimento e até mesmo água, e se não retirados da baia, chegam ao óbito.

Trabalhos recentes demonstram que a suplementação com compostos vitamínicos a base de vitaminas A, D e E associada à vermifugação estimulam o consumo, reduzindo a incidência de “refugos de cocho”. Naqueles animais que ainda assim não se alimentam, a suplementação com Butafosfana (Fósforo orgânico) + Vit. B12 estimula os mesmos a voltarem a comer.

A padronização de lotes, área de cocho, dieta de adaptação com alto volumoso e baixo concentrado e o uso de feno no fundo das baias também são medidas que reduzem refugos de cocho.

Lesões do sistema locomotor

As mais comuns são as de origem infecciosa e traumática. A dermatite digital é introduzida através de animais portadores da lesão e excesso de barro e matéria orgânica no ambiente. Já as traumáticas são decorrentes de piso inadequado (lama e cascalho), além da sodomia.

No tratamento dessas lesões, devemos avaliar o grau de severidade e fase em que o animal se encontra, muitas vezes sendo necessário tratamento curativo, com antibióticos de ação potente, e transferência para baia de enfermaria.

A prevenção desse tipo de enfermidade deve ser feita através do tratamento e isolamento de animais acometidos, cuidados de higiene e ambiência nas baias, como retirada do excesso de lama e matéria orgânica, assim como um bom sistema de drenagem e concretagem de beiras de cocho. Quanto à sodomia, a melhor prevenção é a padronização dos lotes (racial, sexo e peso), não introdução de animais novos no lote, e aumento da energia na dieta, deixando os animais mais calmos.

Transtornos digestivos (acidose ruminal)

Atualmente as dietas de confinamento apresentam altos teores de carboidratos de fácil digestão, especialmente amido e baixa quantidade de volumoso, o que favorece a diminuição do pH do rúmen.

Com a acidose ruminal, outros problemas começam a acontecer, como alterações na parede do rúmen (paraqueratose ruminal), timpanismo, Polioencefalomalácia (PEM) e laminite.

O controle da acidose ruminal se dá através da formulação adequada da dieta, adaptação dos animais a dietas com elevado teor de concentrado, e utilização de aditivos e tamponantes que equilibrem esse pH ruminal.

Parasitas internos e externos

As verminoses, carrapatos, berne e moscas são parasitas que costumam vir junto dos animais para o confinamento. De modo geral se dá pouca atenção a esses parasitas, mas eles podem representar grandes “vazamentos” dentro do sistema de produção, levando a prejuízos na operação do confinamento.

Com o uso de um bom endectocida e de um ectoparasiticida pour on (quando necessário) no manejo de entrada, o confinador pode ficar tranquilo quanto a parasitas, visto que a reinfestação dentro do confinamento é quase nula.

Como diz o ditado: “é melhor prevenir que remediar”! A eleição de um protocolo de entrada completo, bem como o uso produtos com alta eficácia, é sem dúvida a melhor opção. Em resumo, o protocolo de entrada deve conter: vacina contra clostridioses e DRB, um bom vermífugo de amplo espectro, ectoparasiticidas se necessário e um melhorador de desempenho, como os suplementos a base de vitamina ADE.

No dia a dia do confinamento, a capacitação da equipe de manejo para identificação de patologias durante a ronda sanitária é peça chave para o diagnóstico precoce e redução de perdas por problemas sanitários.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Cientistas rastreiam tuberculose bovina por meio do DNA da bactéria causadora

Experimentos foram realizados em animais do Rio Grande do Sul e servem de base para as demais regiões

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Arquivo/OP Rural

Por meio de mutações observadas no genoma da bactéria Mycobacterium bovis, agente causador da turberculose bovina, cientistas estão rastreando a transmissão da doença em animais ou no rebanho. O trabalho é de pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, MS, em projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e aprovado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect). Esse é o primeiro resultado da pesquisa recém-iniciada e com duração prevista de dois anos.

“Constatamos que fazendas próximas ou que comercializaram animais têm isolados de Mycobacterium bovis idênticos geneticamente. Com isso, avançamos no conhecimento das relações entre genótipos e distribuição espacial de cepas de M. bovis”, relata o imunologista Flábio Ribeiro de Araújo, pesquisador da Embrapa. Ele ressalta que esse conhecimento é importante aos estudos de manutenção e disseminação de focos de tuberculose bovina, essenciais para o sucesso de medidas de erradicação da doença. “Uma metodologia de rastreamento de focos de tuberculose bovina baseada em mutações de sítio único terá como clientes potenciais o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Tuberculose do Ministério da Agricultura (Mapa), além das agências estaduais de vigilância sanitária”, prevê.

Araújo comenta que os experimentos foram realizados em animais do Rio Grande do Sul e servem de base para as demais regiões. “Sequenciamos isolados provenientes de cultivo de tecidos de bovinos obtidos pelos serviços veterinários desse estado em seis propriedades rurais”, conta. Cada isolado de bovino acompanha dados de localização do foco, origem dos animais, movimentações prévias, resultados de diagnóstico pela prova intradérmica (teste cervical comparativo), sorologia, cultivo e nested-PCR de tecidos.

O cientista relata que próximo passo será trabalhar, estaticamente, a relação da distância física entre as propriedades e o número de mutações idênticas. Esse é um dos objetivos da doutoranda Rudielle Andrade, do programa de Ciências Veterinárias da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), orientada por Araújo. Andrade realizou treinamento na área no Instituto Sanger, no Reino Unido.

Monitorando a bactéria em humanos

Outra frente de trabalho tem sido desenvolvida por pesquisadores de instituições do Norte do país (Amazonas e Pará). Eles trabalham com o sequenciamento de isolados dessas regiões e com um detalhe inédito: foco em humanos. “Se encontrarmos M. bovis em humanos, vamos correlacionar quão parecidos são com os isolados de bovinos da região. Se isso for confirmado, será a primeira descrição no Brasil de tuberculose zoonótica, o que representa muito para os estudos”, acentua Araújo. Pioneiramente, esses testes são realizados no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) de Manaus, AM, ligado à Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), parceira do projeto.

Os estudos estão sob os cuidados dos pesquisadores Paulo Alex Carneiro (Instituto Federal do Amazonas – IFAM e Centro de Epidemiologia Comparada da Michigan State University – MSU), John Kaneene (MSU), Haruo Takatani e Christian Barnadd (Agência Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas – ADAF) e Marlucia Garrido e Ana (FVS-AM).

O grupo de pesquisa ainda é formado por especialistas de diversas instituições, como Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Universidade de São Paulo (USP), e Secretaria da Pecuária, Agricultura e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul.

Doença afeta animais e humanos

A tuberculose bovina é uma doença infectocontagiosa crônica causada pela bactéria M. Bovis, que acomete animais e humanos. Entre os animais atingidos estão bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos, suínos e animais silvestres, como javalis, por exemplo. “A tuberculose é de notificação obrigatória e uma das mais importantes catalogadas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Havendo ocorrência da doença, os países membros da OIE são obrigados a fazer a notificação, pois há influência no comércio internacional”, explica Araújo. “O Brasil aderiu às politicas da Organização porque possui um comércio intenso e representativo e por isso segue as regras estabelecidas”.

A presença de tuberculose na fazenda implica exclusão da propriedade do rol de exportação do produto para alguns mercados. O pesquisador alerta que a carne de um animal infectado não pode ser consumida, pois representa risco à saúde. “A forma mais comum de o ser humano se infectar é consumir leite cru ou derivados de animais infectados. A ingestão de carne não inspecionada também é um potencial risco”, ressalta.

O cientista da Embrapa conta que o diagnóstico da doença em animais não é fácil, porque nem sempre eles apresentam sintomas. No entanto, animais infectados podem apresentar emagrecimento ou problemas respiratórios. Araújo relata que quanto mais tempo o animal estiver infectado, pior será a situação dele e da própria propriedade. “O desenvolvimento da doença é progressivo e causa lesões no sistema linfático e no pulmão. A queda na produção gira em torno de 10% a 15%”, esclarece.

“A tuberculose é um obstáculo comercial e uma doença importante, por isso, são necessários estudos avançados, como os que já estão em andamento, para conhecer com mais detalhes a transmissão da doença, sua origem e disseminação e dessa forma construir linhas de controle, combate e erradicação,” defende o pesquisador.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019 ou online.

Fonte: Embrapa
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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo Conab

Produção de grãos cresce e chega a 246 milhões de toneladas

Área semeada mantém a expectativa positiva de crescimento superior à safra passada, alcançando 64,2 milhões de hectares

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A terceira estimativa da safra 2019/20 de grãos sinaliza para uma produção de 246,6 milhões de toneladas, com aumento de 1,9%, equivalente a 4,6 milhões de toneladas, sobre a safra 2018/19. Os números que registram novo recorde da série histórica foram divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nesta terça-feira (10).

A área semeada mantém a expectativa positiva de crescimento superior à safra passada, com variação de 1,5%, alcançando 64,2 milhões de hectares. É bom lembrar que as culturas de segunda e terceira safras, além das de inverno, terão seus indicativos atualizados mais adiante, perto do período de cultivo.

Para a soja, há tendência de crescimento de 2,6% na área plantada em relação à safra passada e a estimativa aponta também para uma produção de 121,1 milhões de toneladas. As chuvas irregulares registradas no início do ciclo, em estados da região Centro-Oeste e Sudeste, por exemplo, apresentaram melhoras a partir do mês de novembro, o que favoreceu o avanço das operações de plantio. Já no Matopiba, que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, as mudanças climáticas interferiram na evolução da semeadura, mas a perspectiva é que o plantio seja realizado dentro do calendário próprio para a região.

O milho primeira safra, que tem crescimento de área de 1,2% e totalização de 4,2 milhões de hectares, continua perdendo espaço para a soja neste período. Nesta primeira fase, a estimativa de produção é de 26,3 milhões de toneladas. Com a colheita da soja, a partir de janeiro, inicia-se a semeadura da segunda safra de milho, que representa 72% da produção total do cereal no país.

A área do algodão, que apresentou grandes aumentos nas últimas duas safras, registra agora um acréscimo de 1,6%, devendo situar-se em 1,6 milhão de hectares. A produção estimada do algodão em caroço é de 6,8 milhões de toneladas e a da pluma, de 2,7 milhões de toneladas, similares, portanto, ao da safra anterior.

Já para o feijão primeira safra, a estimativa é de redução de 1,3% na área em comparação com a temporada passada. A cultura também perde espaço para a soja e o milho que apresentam melhor rentabilidade. Também o trigo que já está com 97% da produção colhida, deve alcançar 5,2 milhões de toneladas e redução de 3,9% em relação a 2018.

Fonte: Conab
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Bovinos / Grãos / Máquinas Mercado

Planejamento é essencial para ganhos na pecuária de corte em 2020

Segundo gerente executivo da Assocon, o próximo ano poderá ser de ganhos para todos da cadeia produtiva, se estiverem planejados com suas compras e vendas

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Arquivo/OP Rural

Sendo um ano de muitas incertezas em toda a economia nacional, 2019 surpreendeu de muitas formas os pecuaristas brasileiros. Apesar de altos e baixos, preços, consumo e produção foram fatores que influenciaram muito a pecuária nacional. O gerente executivo da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Bruno de Jesus Andrade, faz uma avaliação do cenário econômico nacional na pecuária e fala sobre as perspectivas para 2020.

De acordo com ele, o mercado pecuário de gado de corte iniciou 2019 com boas expectativas, com um novo governo com promessas de reformas e boas projeções para a exportação, mas os resultados positivos demoraram a aparecer. “O primeiro semestre não correspondeu às expectativas de forma plena. No segundo semestre começamos a observar uma melhora no cenário para o pecuarista, uma consolidação da melhoria das exportações e aumento da rentabilidade ao produtor”, conta.

Para Andrade, o cenário ainda não é perfeito, o consumo interno ainda está enfraquecido e a recuperação prometida, se vier, deve ser somente para 2020. “O mercado interno é o nosso principal consumidor. Dessa forma, esse ganho aparente (com as exportações) que o setor teve em 2019 é muito frágil”, analisa.

O gerente explica que embora a demanda interna esteja enfraquecida e a oferta se comportando de maneira similar ao ano anterior, as exportações estão muito interessantes. “Continuando nesse ritmo, esperamos valorização da arroba do boi gordo até o final do ano. Existem negociações acontecendo bem acima dos indicadores oficiais de mercado”, informa.

Além do mais, Andrade comenta que este foi um bom ano porque os custos se mantiveram sob controle do pecuarista e ocorreu uma valorização da arroba do boi gordo. “Ainda assim, não foi um ano de grandes investimentos ou ousadia, considerando a atual situação (econômica) do Brasil”, comenta.

Ele ainda explica que mesmo com este cenário, existem mercados que a pecuária brasileira pode conquistar. “Temos Coréia do Sul e Japão como metas para os próximos anos. Além disso, ampliar nossas exportações para lugares que hoje já exportamos, como Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e Ásia. Importante também a exportação de animais vivos, que tende a crescer muito nos próximos anos e é um mercado relativamente jovem para o Brasil”, sustenta.

E o mercado interno?

Sobre as movimentações no mercado interno, Andrade informa que o custo da arroba engordada do confinamento em São Paulo no período de janeiro a setembro de 2018 ficou em R$ 132,30 e de R$ 133,45 entre janeiro e setembro de 2019. “É um aumento de 1%”, diz. Já em Goiás, o mesmo período em 2018, o custo da arroba engordada ficou em R$ 113,84 e em 2019 R$ 116,63. “É um aumento de 2,5%”. O importante, em sua visão, é que “de forma geral, os custos da engorda parecem estar controlados”.

Quanto à reposição de plantel, ou seja, a aquisição do animal para colocar no confinamento foi o item mais preocupante para os confinamentos que necessitaram comprar animais para a engorda em 2019, conta Andrade, que prevê a mesma situação para o ano que vem. “Esperamos mercado difícil também para 2020. O sistema conjugado, recria-engorda ou ciclo completo nos parece mais atrativo atualmente e para o próximo ano”, avalia.

Sobre a produção de animais confinados, o gerente explica que a estimativa continua estável, com a previsão de um pequeno crescimento. “Porém, boa parte desses animais já foram comercializados, restando muito pouco até o final do ano. Não acreditamos que esse volume crie algum impacto no mercado para depreciar os valores da arroba do boi gordo. Muito pelo contrário, o mercado está aquecido. O crescimento estimado, de 2019 em relação a 2018 é de 5%. Nosso número se baseia em propriedades que temos mapeadas e não representa 100% dos confinamentos brasileiros. Arredondando os números, 3,4 milhões de animais confinados em 2018 e 3,5 milhões de animais em 2019”, expõe.

O que esperar para 2020

Já para a pecuária para o próximo anos, Andrade espera que no cenário macroeconômico haja o surgimento dos primeiros resultados positivos, o que poderá fortalecer o mercado interno e promover um maior consumo de carne bovina. “Nossas exportações estão consolidadas e assim esperamos que continuem em 2020. Custos de produção subirão e o pecuarista tem que estar atento para a sua reposição. Em resumo, poderá ser um ano de ganhos para todos da cadeia produtiva se estiverem planejados com suas compras e vendas”, afirma.

Outro ponto de interesse para o pecuarista em 2020 é a retirada da vacinação contra a febre aftosa que já está acontecendo em alguns estados. “O Brasil tem o maior projeto de vacinação do mundo. Isso confere a nós o melhor status sanitário frente aos demais países competidores e alcance de mercado. A campanha vitoriosa do controle da febre aftosa conseguiu agregar todos os outros protocolos sanitários. Desmontar toda essa estrutura, que foi criada para o controle da febre aftosa, sem o devido preparo, seria temerário”, analisa.

Segundo ele, até o momento o Brasil não dispõe de estudos profundos que indiquem o real ganho do país com a retirada da vacinação. “A Assocon tem muito orgulho dessa conquista do setor e trabalharemos juntos com as demais entidades e Mapa para garantir a segurança sanitária de nosso rebanho. Portanto, para abdicarmos da vacinação precisamos ter a máxima certeza de que todas as variáveis serão controladas”, comenta.

Consumo de carne bovina no Brasil

De acordo com Andrade, cada brasileiro consome aproximadamente 47 quilos de carne bovina por ano, entretanto, dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam um consumo de 27 kg. “Alguns outros artigos apontam valores próximos de 30 kg de consumo por habitante ao ano. De qualquer forma, sabe-se que nos últimos anos, devido à crise econômica interna, esse consumo caiu, antes era estimado entre 35 – 37,5 kg por habitante/ano”, conta.

Dessa forma, para mudar este cenário, a Assocon tem desenvolvido uma campanha chamada “Semana com Carne”. “Nossa proposta foi criar algo positivo sobre o consumo de carne. Inicialmente estamos trazendo cortes de baixo custo e que podem ser aproveitados no dia a dia da família brasileira”, explica. A campanha terá ainda outras duas fases. “Em uma próxima etapa trataremos sobre os benefícios do consumo de carne e outras informações importantes. E em uma terceira pretendemos trabalhar os mitos e fatos sobre o consumo e produção de carne bovina. Sempre no sentido de instruir, informar e conscientizar as pessoas sobre o que é fato ou fake news”, explica.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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