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Energia solar ganha força no campo e reduz custos da produção no Paraná
Com apoio do RenovaPR, produtores rurais investem em geração própria, cortam despesas com eletricidade e aumentam a competitividade da agropecuária estadual.

O Paraná tem se consolidado como referência nacional na promoção das energias renováveis, com políticas públicas que estimulam a sustentabilidade, a redução de custos produtivos e a modernização do campo. Entre essas fontes, a energia solar se destaca por ser limpa, renovável e abundante, obtida a partir da luz e do calor do sol e convertida em eletricidade por meio de sistemas fotovoltaicos ou em energia térmica para aquecimento de água.
No Brasil, a energia solar fotovoltaica registrou crescimento expressivo nos últimos anos e ultrapassou 60 gigawatts (GW) de potência instalada em meados de 2025, tornando-se a segunda maior fonte da matriz elétrica nacional, atrás apenas das hidrelétricas. Esse avanço é impulsionado pela redução no custo dos equipamentos, pela maior conscientização ambiental e por políticas públicas de incentivo. No Paraná, o potencial solar é superior ao de diversos países europeus, fator que tem estimulado a adesão de produtores rurais, cooperativas e consumidores residenciais aos sistemas de geração própria.
Entre 2020 e 2024, o número de sistemas fotovoltaicos instalados no Estado cresceu mais de 660%, refletindo o compromisso do Paraná com uma matriz energética mais limpa e eficiente. Parte significativa desse avanço está ligada ao programa RenovaPR, que consolidou a energia solar e o biogás como ferramentas estratégicas para o desenvolvimento sustentável do agronegócio paranaense, com impactos diretos na renda dos produtores, na competitividade das cadeias produtivas e na preservação ambiental.

Criado em agosto de 2021 pelo Governo do Estado, o RenovaPR incentiva a geração própria de energia por meio da Geração Distribuída (GD), nas modalidades solar e biogás. Executado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o programa tem como meta instalar 100 mil unidades de geração até 2030. Atualmente, já soma mais de 39,5 mil unidades produtivas atendidas, oferecendo crédito facilitado, capacitação e assistência técnica aos produtores interessados.
A iniciativa tem impacto direto nos custos de produção, especialmente no campo, onde a energia elétrica pode representar até 30% das despesas totais. Ao reduzir esse peso, o RenovaPR fortalece a competitividade do setor agropecuário e contribui para a sustentabilidade econômica e ambiental das propriedades rurais. Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, cada projeto implantado reforça esse ciclo positivo. “O Paraná está mostrando que sustentabilidade também é economia: quando o produtor rural investe em energias renováveis, ele preserva o meio ambiente, reduz custos e vê sobrar mais dinheiro no bolso para investir na propriedade e gerar renda no campo”, afirma Márcio Nunes.
De acordo com o coordenador do Programa de Energias Renováveis do Paraná, Herlon Goelzer de Almeida, a geração própria de energia estimulada pelo RenovaPR ampliou significativamente a viabilidade da proteína animal produzida no Estado. “Na avicultura, uma das atividades mais eletrointensivas, conseguimos reduzir o impacto do custo da energia, que em 2019 era o segundo maior item de despesa e hoje ocupa a quarta ou quinta posição na composição dos custos de produção. Essa é uma das grandes virtudes do RenovaPR”, destaca.
Alvaro José Baccin, de Cascavel, trabalha com avicultura há dez anos. A granja dele tem seis aviários e capacidade de alojamento de 220 mil frangos. Há quatro anos ele instalou o primeiro projeto de energia solar num transformador de 75 KVA, e no ano seguinte o segundo. “Esses dois projetos, duas miniusinas, nós adquirimos com os recursos do BNDES, financiados pelo Banco do Brasil, e com o convênio no RenovaPR, com o Banco do Agricultor Paranaense. Nós pagamos os juros e somos reembolsados, dentro de dois meses. Então, desse modo, a gente acaba pagando só o principal. E isso daí torna viável o projeto, em função dessa vantagem que o governo do estado do Paraná nos ofereceu”, explica. Baccin completa: “É um investimento interessante, eu acho que a propriedade tem o espaço para se fazer e o produtor que não fez ainda deve estar pensando em fazer, devia fazer o investimento. Se essa energia permanecer do jeito que está em custo atual, eu acho que foi uma boa vantagem”.
O agricultor Clóvis Motin produz rúcula, agrião e vários tipos de alface na propriedade de dois hectares no centro de Colombo, na Região Metropolitana. O cultivo é feito pelo sistema de hidroponia, técnica que dispensa o solo, e onde as raízes das plantas recebem uma solução aquosa balanceada com todos os nutrientes minerais essenciais para seu desenvolvimento. O sistema proporciona um crescimento controlado e eficiente, com vantagens como maior produção em menor área, proteção contra pragas e solo, e economia de água. Mas a hidroponia exige o bombeamento dessa solução o dia inteiro, o que torna a energia elétrica o custo mais alto da produção. Por isso, há três anos, Clóvis resolveu adotar o sistema de placas solares. “Quando eu optei por esse sistema disseram que em 10 anos o sistema se pagava, mas já em 4 anos vai se pagar. Eu gastava em torno R$ 2 mil de luz e com o sistema das placas agora eu pago no máximo R$ 300 por mês. Então diminuiu 80% meu consumo de energia de fatura e para mim foi bem vantajoso, bem proveitoso”, contabiliza. Com essa economia, ele tem investido na propriedade, aumentado as estufas e melhorado seus processos para oferecer um produto de maior qualidade.
Eduardo Biazzi de Lapena cria tilápias na propriedade de 4,8 alqueires em Bragantina, um distrito de Assis Chateaubriand. Como trabalha no modelo de integração, não tem gasto com ração e o maior custo de produção era a energia elétrica, com cerca de 70% do total. Há um ano implantou as placas solares e agora esse custo gira em torno de 30% a 40%. “A gente tem uma bomba no rio que usa bem raramente para renovar a água e encher os açudes, mas 99,9% do consumo de energia são os geradores que servem para fornecer oxigênio para os peixes em dias nublados, durante o dia para homogenizar a água e principalmente à noite”, comenta. Sem a energia solar, Eduardo gastava R$ 271 para produzir uma tonelada de tilápia. Com as placas, o gasto caiu para R$ 88 por tonelada. Numa conta simples, se a economia alcançada por Eduardo for projetada para toda a produção de tilápias no estado, que foi de cerca de 192 mil toneladas em 2024 (segundo o Departamento de Economia Rural da Seab), seriam mais de R$ 35 milhões em economia que poderiam ser reinvestidos na cadeia de produção.
Parcerias
O RenovaPR é coordenado pelo Sistema Estadual de Agricultura (Seagri), por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e do IDR-Paraná, e conta com a parceria de diversas instituições públicas e privadas. O acesso ao programa ocorre por meio de empresas integradoras credenciadas e de linhas de crédito com juros reduzidos oferecidas pelo Banco do Agricultor Paranaense, seguindo as normas estabelecidas na legislação estadual.
Com iniciativas como o RenovaPR, o Paraná reafirma sua posição de liderança na transição para uma matriz energética mais limpa, sustentável e alinhada ao desenvolvimento econômico, fortalecendo o campo, gerando renda e contribuindo para a preservação ambiental.

Colunistas
A verdade é aliada do agronegócio
A desinformação, ao se propagar, compromete o diálogo social e mina a confiança entre o campo e a cidade.

A circulação acelerada de informações, potencializada pelo ambiente digital, impôs à sociedade contemporânea um desafio que extrapola o campo da tecnologia e alcança a esfera ética, econômica e institucional: o combate sistemático à desinformação. No caso do agronegócio brasileiro, setor estratégico para a segurança alimentar, para a geração de empregos e para o equilíbrio da balança comercial, as notícias falsas produzem efeitos particularmente nocivos, pois distorcem percepções, fragilizam reputações e comprometem decisões públicas e privadas baseadas em dados equivocados.
As entidades de representação e defesa do setor primário da economia (como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e todas as Federações estaduais) vêm alertando sobre a transmissão intencional de mentiras na forma de narrativas simplificadoras e frequentemente ideologizadas, disseminadas com o objetivo de desqualificar a produção agropecuária nacional.

Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)
Atribui-se ao campo, de forma leviana, a responsabilidade exclusiva por problemas complexos, como mudanças climáticas, insegurança alimentar ou crises ambientais, ignorando-se deliberadamente o arcabouço legal, científico e tecnológico que orienta a atividade rural no Brasil. Afirmações como a suposta inexistência de controle sobre o uso da água na irrigação, a ideia de que a produção de grãos avança indiscriminadamente sobre áreas protegidas ou a falsa noção de que a pecuária brasileira opera à margem de qualquer critério de bem-estar animal são exemplos de construções retóricas que não resistem à uma análise minimamente fundamentada.
A desinformação, ao se propagar, compromete o diálogo social e mina a confiança entre o campo e a cidade. O produtor rural passa a ser visto como antagonista do interesse coletivo, quando, na realidade, é protagonista de avanços relevantes em produtividade sustentável, rastreabilidade, inovação genética, agricultura de precisão e adoção de práticas conservacionistas. Esse descompasso entre percepção e realidade gera prejuízos concretos, desde restrições comerciais baseadas em argumentos infundados até a formulação de políticas públicas dissociadas da realidade produtiva.
Combater as notícias falsas não significa negar a necessidade de aperfeiçoamentos contínuos ou de fiscalização rigorosa. Ao contrário, pressupõe transparência, acesso à informação qualificada e valorização do conhecimento técnico-científico. Exige, sobretudo, o fortalecimento do pensamento crítico, da educação midiática e da responsabilidade na produção e no compartilhamento de conteúdos. Instituições representativas, imprensa profissional, comunidade acadêmica e sociedade civil têm papel complementar nesse processo.
A Faesc utiliza todos os seus canais de comunicação para levar cotidianamente à sociedade informações verdadeiras, verificáveis e confiáveis sobre tudo o que envolve o universo rural, mas o enfrentamento da desinformação sobre o agronegócio é uma tarefa permanente, que demanda compromisso com os fatos, respeito à ciência e disposição para o diálogo. Defender a verdade sobre o campo brasileiro é defender o desenvolvimento sustentável, a soberania alimentar e o futuro de milhões de famílias que produzem com responsabilidade, sob uma das legislações ambientais mais exigentes do mundo. Trata-se de um dever institucional e cívico que não pode ser relativizado.
Notícias
Mudanças climáticas lideram lista de preocupações no campo paranaense
Levantamento apresentado no Show Rural Coopavel indica que 91% temem impactos climáticos e 40% citam pragas e despesas como entraves à rentabilidade.

Os produtores rurais do Paraná iniciam 2025 sob forte atenção aos impactos climáticos e à sustentabilidade econômica do negócio. Dados da 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural, com recorte exclusivo de 2025, apresentados durante o Fórum ABMRA de Comunicação, realizado no Show Rural Coopavel, nesta quarta-feira, 11, mostram que 91% dos agricultores do estado acreditam que as mudanças no clima causarão algum tipo de impacto em suas propriedades nos próximos anos. A radiografia é maior do que a média nacional, que chega a 86% de preocupação pelos produtores rurais.
O levantamento também revela quais são os desafios do produtor paranaense, colocando o clima como o principal, citado por 67% dos entrevistados. Na sequência estão pragas e doenças e custos de produção com 40% em ambos os cenários.

Fórum ABMRA de Comunicação apresentou dados inéditos do perfil do produtor rural paranaense – Foto: Divulgação
Para o presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), Ricardo Nicodemos, o retrato apresentado pela pesquisa é estratégico para o mercado. “Esses dados são fundamentais para que as empresas deixem de falar com um produtor genérico e passem a se comunicar com o produtor real de 2025, o qual é mais qualificado, mais pressionado pelo clima e pelos custos e muito mais atento à comercialização. Quando entendemos exatamente quais são suas prioridades e desafios, conseguimos construir estratégias de comunicação mais assertivas, com mensagens relevantes, escolha adequada de canais e abordagens que realmente dialoguem com a tomada de decisão no campo”, afirma.
O perfil do produtor rural no estado apresenta uma característica de maturidade de idade com média de 47 anos. Em termos de escolaridade, 35% concluíram o ensino médio e 10% possuem ensino superior completo.
A tradição familiar permanece como principal motivador para atuar no agro, mencionada por 53% dos entrevistados, enquanto 46% destacam o conhecimento adquirido no setor.
Notícias
Exportações aos EUA recuam pelo sexto mês seguido e déficit triplica em janeiro
Vendas ao mercado americano somam US$ 2,4 bilhões, com queda de 25,5% pressionada por tarifas e retração do petróleo no início de 2026.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos iniciaram 2026 em retração. Segundo o Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil, as vendas ao mercado americano somaram US$ 2,4 bilhões em janeiro, queda de 25,5% na comparação anual e o sexto recuo consecutivo.
As importações brasileiras de produtos norte-americanos também diminuíram, com baixa de 10,9% no mesmo período. Como a contração das exportações foi mais intensa, o déficit comercial brasileiro na relação bilateral alcançou cerca de US$ 0,7 bilhão — mais que o triplo do registrado em janeiro de 2025.
Tarifas e petróleo pressionam a balança
O desempenho negativo foi puxado principalmente pelos óleos brutos de petróleo, cuja receita caiu 39,1% em relação a janeiro do ano anterior. Produtos sujeitos a tarifas adicionais registraram retração média de 26,7%, com destaque para os bens enquadrados na Seção 232, que recuaram 38,3%.
Entre os itens com maior impacto negativo estão semiacabados de ferro ou aço, sucos, elementos químicos inorgânicos e combustíveis derivados de petróleo.
“O início de 2026 segue marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral. A combinação entre a queda das exportações brasileiras e a manutenção de tarifas elevadas, especialmente sobre bens industriais, tem aprofundado o desequilíbrio na balança comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Produtos sobretaxados ampliam retração
A análise do conjunto de bens afetados por tarifas adicionais indica que a queda foi superior à média geral. Produtos sujeitos a sobretaxas de 40% e 50% registraram retração expressiva, assim como itens vinculados à Seção 232, especialmente cobre e produtos siderúrgicos.
O movimento reforça a tendência observada nos meses anteriores, com manutenção de barreiras tarifárias pressionando o fluxo bilateral.
Resiliência parcial na pauta exportadora
Apesar do cenário adverso, parte da pauta exportadora apresentou desempenho relativamente mais robusto. Entre os dez principais produtos enviados aos Estados Unidos em janeiro, seis tiveram desempenho melhor do que as exportações brasileiras para o restante do mundo. É o caso de café não torrado, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia.
Em contrapartida, produtos que perderam espaço no mercado americano mostraram desempenho superior quando destinados a outros países, sinalizando reorientação geográfica das vendas externas.
Mesmo com o aumento do déficit global dos Estados Unidos no comércio de bens, o Brasil segue entre os poucos países com os quais os norte-americanos mantêm superávit comercial relevante. “Avançar no diálogo econômico de alto nível é essencial para restaurar previsibilidade, reduzir barreiras e criar condições para a retomada do fluxo comercial ao longo de 2026”, conclui Abrão Neto.



