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Energia renovável se dissemina nos campos do Paraná

Em apenas sete anos, número de propriedades com painéis solares ou biodigestores saltou de 47 para 25,6 mil.

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Marlei Dias Borges e Iranei Donizete Machado vivem realidades distintas no campo. A primeira é uma pequena produtora familiar, que mantém um casal de suínos com alguns leitões, oito vacas e fabrica queijos em seu sítio de 4,8 hectares, localizado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Machado, um grande suinocultor, por sua vez, acabou de ampliar sua granja, em Mamborê, no Noroeste do Estado, que passou a ter capacidade de alojar 2,7 mil matrizes. Apesar das diferenças de porte, eles têm um ponto em comum: ambos passaram a gerar a energia consumida em suas respectivas propriedades a partir de fontes renováveis. Fazem parte de uma tendência no Paraná que não para de crescer nos últimos anos.

O avanço impressiona. Em apenas sete anos, de 2017 a 2023, o número de propriedades rurais paranaenses que passou a contar com sistemas de painéis fotovoltaicos ou com usinas de biogás decolou de apenas 47 para mais de 25,6 mil. A capacidade de energia gerada aumentou de pouco mais de 1,2 mil quilowatts (kW) de potência para mais de 558,7 mil kW. Hoje, as unidades de geração de energia a partir de energias renováveis estão em fazendas de 398 dos 399 municípios do Paraná (Tunas do Paraná é o único sem). Além de sustentáveis do ponto de vista ambiental, a adesão aos sistemas garante aos agricultores e pecuaristas autonomia energética e redução dos custos de produção.

Esse movimento tem como um dos divisores de águas a atuação do Sistema Faep/Senar-PR . Após promover uma série de eventos e seminários sobre geração de energias renováveis, em 2017, a entidade levou, em uma viagem técnica, 160 produtores e líderes rurais à Alemanha, Itália e Áustria. Lá, eles conheceram soluções tecnológicas voltadas à geração de energia limpa no campo – e constataram in loco que as energias renováveis, além de viáveis, também são um ótimo negócio. Desde então, o tema passou a ser uma bandeira do Sistema Faep/Senar-PR, que vem estimulando os agropecuaristas paranaenses a adotarem sistemas fotovoltaicos e de biogás em suas propriedades.

“Quem ainda não aderiu às energias renováveis vai ficar para trás. A energia é um dos itens que mais pesa no custo de produção, principalmente em atividades como avicultura, suinocultura, bovinocultura de leite e piscicultura, nas quais o Paraná é uma potência. É um investimento que se paga em poucos anos e que garante ao produtor economia imediata.  Isso sem falar na sustentabilidade ambiental”, resume o presidente do Sistema Faep/Senar-PR, Ágide Meneguette, acrescentando
: “Desde a década passada, essa questão tem sido uma prioridade e passamos, então, a levar informações e a estimular os nossos produtores. As energias renováveis não são mais o futuro: são o presente”.

Do pequeno produtor…

Foi navegando pela internet em seu celular que Marlei Dias Borges, de 68 anos, soube do Renova Paraná, programa do governo estadual voltado a fomentar a implantação de sistemas de energias renováveis no campo. Apesar de ser uma pequena produtora familiar, ela se interessou pela proposta. Queria zerar a conta de energia, que girava em torno de R$ 450 por mês. Quando a técnica do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) passou pelo sítio, Marlei pediu ajuda. E deu certo. Instalado no telhado da casa, o conjunto de 19 painéis solares acabou de completar um ano de funcionamento.

Produtora rural Marlei Dias Borges: “As entidades que estão ajudando e estimulando a entrar na energia solar entenderam um problema do pequeno produtor” – Fotos: Divulgação/Faep 

“Melhorou muito a minha vida. As entidades que estão ajudando e estimulando a entrar na energia solar entenderam um problema do pequeno produtor. Energia é tudo”, diz Marlei. “Antes, quando ligava a máquina de fazer ração para os animais ou a bomba d’água por muito tempo, eu já me preocupava: ‘Meu Deus, vai subir a conta!’. Agora, já não tenho essa preocupação. A energia [gerada pelo conjunto] dá e sobra”, aponta.

Marlei vive na pequena propriedade desde 2003, com a mãe, de 85 anos, e com o irmão, 59. Na ocasião, ela tinha acabado de se aposentar e, “com o dinheirinho do acerto”, comprou uma vaca. Produzia sete quilos de queijo por semana e fabricava pães. Posteriormente, ia, de ônibus, vendê-los na área central de São José dos Pinhais, batendo de porta em porta. Boa de prosa, logo fez clientela fiel. Com o tempo, aumentou o plantel e turbinou a produção. Hoje, as oito vacas estão inseminadas e, quando entrarem em lactação, Marlei espera produzir cerca de 50 peças de queijo por semana – agora, fabricados pelo irmão. A família também tem um carro popular, usado nas vendas.

Pelo conjunto de geração de energia, Marlei desembolsa R$ 5,1 mil por ano com o financiamento, que espera finalizar em cinco anos. Desde que o sistema começou a operar, a produtora paga apenas a taxa mínima da conta de luz, de uso da rede. Com a produção de energia, ela também investiu no bem-estar da família: comprou um aparelho de ar-condicionado. “Eu vejo isso como uma fonte de renda. Lá na frente, o dinheiro que a gente vai economizar fica como ganho. Eu quero investir um pouco no nosso conforto. Mas também não vou deixar de trabalhar, de vender nosso queijo. Eu sou de fazer amizade. Aqui em São José [dos Pinhais] todo mundo me conhece”, diz, orgulhosa.

… ao grande produtor
Em 2018, a energia era o insumo que mais puxava para cima os custos de produção de Iranei Donizete Machado. Na ocasião, sua granja alojava 2,2 mil matrizes, na fase UPL (Unidade Produtora de Leitões). Para manter os animais, a conta de luz variava entre R$ 18 mil e R$ 20 mil por mês. Os altos valores fizeram com que ele investisse em energia solar fotovoltaica: os 280 painéis instalados reduziram o custo da energia para R$ 8 mil por mês. “Era um custo que estava pesando muito. Com o sistema renovável já deu uma boa reduzida, o que fez com que a gente diminuísse o nosso custo de produção”, apontou Machado.

Produtor Iranei Machado (de chapéu) em sua propriedade: “A energia que a gente produz supre a nossa necessidade e sobra, mesmo com o aumento da granja”

Mas ele não parou por aí. Em 2023, o suinocultor ampliou sua granja: são 10 galpões (seis voltados à maternidade e quatro, à gestação), com capacidade total para 2,7 mil matrizes. No embalo, Machado decidiu aproveitar os dejetos produzidos pelos animais para gerar energia. Em um projeto orçado em R$ 1,3 milhão, ele implantou um biodigestor e dois geradores. Com os painéis solares e o biogás, a energia renovável gerada na propriedade passou a ser maior do que a consumida na granja.

“Agora, a energia que a gente produz supre a nossa necessidade e sobra, mesmo com o aumento da granja. Se não fossem as fontes renováveis, eu estaria pagando R$ 20 mil por mês, na conta de luz. É um baita ganho financeiro”, ressalta o suinocultor. “Além disso, tem a questão sustentável. Não é uma lagoa de dejetos mandando gás para o meio ambiente. Estamos aproveitando isso para gerar energia”, acrescenta.

Mesmo antes de finalizar o financiamento, o conjunto já vai começar a gerar renda para Machado. Ele se cadastrou em uma cooperativa, que pretende comprar a energia excedente produzida na granja. “Vai gerar um crédito, então teremos um ganho financeiro”, resume o suinocultor. “A pessoa só não adere às energias renováveis se não fizer as contas. Se a pessoa tem uma granja, não tem como deixar de aproveitar os dejetos para gerar energia e ter uma fonte de renda extra. Não tem nem que pensar. A viabilidade é enorme”, concluiu.

Paraná é o segundo no ranking de energia renovável

Em 2017, as usinas fotovoltaicas e biodigestores instalados em propriedades rurais do Paraná tinham capacidade de gerar 1,2 mil quilowatts (kW). Sete anos depois, em 2023, a potência instalada no Estado saltou para 558,7 mil kW. Com isso, o Paraná ocupa o segundo lugar no ranking de geração de energia no campo a partir de fontes renováveis. Hoje, o Estado responde por quase 18% da produção de energia limpa em meio rural. Sete anos atrás, esse índice não chegava a 9%.

No topo da lista, aparece Minas Gerais, com potência instalada de 659,2 mil kW e que responde por 21,1% da energia gerada no campo a partir de recursos renováveis. Para efeitos de comparação, Minas tem 853 municípios – mais que o dobro do que o Paraná. Além disso, a população mineira é de mais de 20,7 milhões de pessoas, enquanto os paranaenses somam 11,6 milhões de habitantes.

“Por si só, o avanço do Paraná já é fantástico. Temos números de geração muito próximos de Minas Gerais, que tem mais que o dobro de nossas dimensões. O trabalho que temos feito é grandioso e só tende a aumentar”, observa Luiz Eliezer Ferreira, do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep/Senar-PR.

“Como instituição, nosso objetivo é continuar trabalhando, levando informações e apoiando os nossos produtores a aderir às energias renováveis. Queremos, cada vez mais, ver usinas solares e biodigestores em propriedades rurais paranaenses, porque isso dá autonomia e competitividade aos nossos produtores”, reforça Ágide Meneguette, presidente do Sistema Faep/Senar-PR.

Programa estadual impulsionou novos projetos

Propriedade de Iranei Machado conta com conjunto fotovoltaico e biodigestores

Lançado em julho de 2021, o Programa Paraná Energia Rural Renovável (Renova Paraná) impulsionou a instalação de conjuntos de painéis fotovoltaicos e de biodigestores no campo. Às vésperas de completar dois anos de atividade, a iniciativa já apoiou o financiamento de mais de 5,8 mil projetos, que passam de R$ 1 bilhão. Apesar da velocidade com que o programa avançou, o coordenador do Renova Paraná, Herlon Goelzer de Almeida, prevê crescimento ainda maior para os próximos anos.

“Os produtores despertaram para a necessidade de gerar a própria energia. Nunca o Estado teve um programa com tanta velocidade na adesão e tanta repercussão. Isso mostra a importância da política pública”, aponta Almeida. “Embora expressivos, estamos só começando. O Paraná tem 330 mil propriedades rurais. Quem ainda não aderiu, tem que aderir”, alerta.

O Renova Paraná estimula os projetos por meio da equalização da taxa de juros, ou seja, na prática, o programa paga parte dos juros dos financiamentos. Além disso, há incentivos tributários e aproveitamento de créditos a quem aderir. “É uma iniciativa de acesso universal. Produtores de qualquer dimensão podem aderir. Não tem nenhum freio, nenhuma trava. Basta querer”, ressalta Almeida. “O produtor pode pagar as parcelas do financiamento com o que vai economizar de energia. Quando terminou de pagar, pronto: recuperou o capital. É altamente viável”, diz.

Aumento do custo da energia reforça viabilidade do investimento em fontes renováveis

Ao longo dos últimos cinco anos, o peso exercido pela energia elétrica sobre o setor agropecuário aumentou significativamente. Até 2018, a tarifa rural correspondia a 70% da tarifa residencial. No fim daquele ano, no entanto, nos últimos dias de seu governo, o então presidente Michel Temer assinou o Decreto 9.642/18, que previa a redução gradativa de subsídios federais à energia consumida no campo, até que as tarifas fossem equiparadas. Mas não parou por aí.

No Paraná, o governo do Estado extinguiu a Tarifa Rural Noturna, um programa que previa a redução de 60% na energia consumida entre 21h e 6h em propriedades rurais. Não bastasse isso, o custo da energia aumentou de forma acentuada nos últimos anos, com a implantação de um sistema de bandeiras tarifárias – em que a tarifa chega a aumentar 23% no caso de um cenário de escassez hídrica.

“Nos últimos cinco anos, o campo foi quem mais sofreu com os aumentos de energia elétrica. A tarifa para a classe rural registrou aumento de 58,6%, enquanto a tarifa residencial teve alta de 34%. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA foi de 29%. Ou seja, a alta da energia rural foi praticamente o dobro da inflação”, observa Luiz Eliezer Ferreira, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep/Senar-PR.

Tudo isso provoca reflexos diretos da porteira para dentro. Nos levantamentos de custos de produção realizados pelo Sistema Faep/Senar-PR R junto a avicultores e a suinocultores, a cada semestre, a energia elétrica aparece como um dos principais custos e que vem em trajetória crescente. Um dos casos mais evidentes ocorreu em Cascavel, na região Oeste do Paraná, onde a energia elétrica representou 32% dos desembolsos de um avicultor, considerando um aviário modal. “Pela primeira vez na história, o custo da energia superou o da mão de obra na avicultura em Cascavel”, aponta Ferreira.

Ao longo da última década, a questão energética passou a ser uma das prioridades do Sistema Faep/Senar-PR. A entidade promoveu um intenso trabalho de difusão de informações técnicas qualificadas aos produtores rurais sobre a adoção de sistemas de energias renováveis. A partir da viagem técnica internacional, em 2017, os esforços da instituição foram crescentes, com palestras e eventos. No ano passado, por exemplo, o Sistema Faep/Senar-PR promoveu seminários em cinco regiões do Estado, que tiveram a participação de mais de 600 pessoas.

“Institucionalmente, temos estimulado os produtores. Temos levado informações sobre a instalação e o funcionamento dos sistemas, sobre o investimento e a viabilidade financeira. O produtor precisa reduzir custos e a energia, hoje, tem um papel estratégico na atividade agropecuária”, destaca o presidente do Sistema Faep/Senar-PR, Ágide Meneguette. “Todos os nossos esforços têm dado resultado. Tanto que vemos no campo uma infinidade de usinas solares ou de biodigestores, das pequenas às grandes propriedades”, acrescenta.

Além disso, o Sistema Faep/Senar-PR lançou duas cartilhas sobre energias renováveis. Ambos os materiais trazem a síntese das legislações aplicadas ao tema e apresentam o funcionamento de sistemas fotovoltaicos e de biogás. Também, as publicações contemplam estudos de viabilidade técnica e financeira, estimando a necessidade de geração em propriedades modais voltadas à avicultura e à bovinocultura de leite, e calculando qual seria o payback – ou seja, o tempo de retorno do investimento. Os dois materiais estão disponíveis, gratuitamente, no site sistemafaep.org.br.

“Os estudos comprovam que é um investimento extremamente viável. Os conjuntos se pagam entre cinco e sete anos, enquanto a vida útil dos sistemas passa dos 25 anos. Na prática, o produtor terá energia praticamente de graça por cerca de duas décadas”, aponta Ferreira do DTE do Sistema Faep/Senar-PR.

Fonte: Sistema Faep/Senar-PR

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

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Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

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Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

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Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
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