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Energia renovável se dissemina nos campos do Paraná
Em apenas sete anos, número de propriedades com painéis solares ou biodigestores saltou de 47 para 25,6 mil.

Marlei Dias Borges e Iranei Donizete Machado vivem realidades distintas no campo. A primeira é uma pequena produtora familiar, que mantém um casal de suínos com alguns leitões, oito vacas e fabrica queijos em seu sítio de 4,8 hectares, localizado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Machado, um grande suinocultor, por sua vez, acabou de ampliar sua granja, em Mamborê, no Noroeste do Estado, que passou a ter capacidade de alojar 2,7 mil matrizes. Apesar das diferenças de porte, eles têm um ponto em comum: ambos passaram a gerar a energia consumida em suas respectivas propriedades a partir de fontes renováveis. Fazem parte de uma tendência no Paraná que não para de crescer nos últimos anos.
O avanço impressiona. Em apenas sete anos, de 2017 a 2023, o número de propriedades rurais paranaenses que passou a contar com sistemas de painéis fotovoltaicos ou com usinas de biogás decolou de apenas 47 para mais de 25,6 mil. A capacidade de energia gerada aumentou de pouco mais de 1,2 mil quilowatts (kW) de potência para mais de 558,7 mil kW. Hoje, as unidades de geração de energia a partir de energias renováveis estão em fazendas de 398 dos 399 municípios do Paraná (Tunas do Paraná é o único sem). Além de sustentáveis do ponto de vista ambiental, a adesão aos sistemas garante aos agricultores e pecuaristas autonomia energética e redução dos custos de produção.

Esse movimento tem como um dos divisores de águas a atuação do Sistema Faep/Senar-PR . Após promover uma série de eventos e seminários sobre geração de energias renováveis, em 2017, a entidade levou, em uma viagem técnica, 160 produtores e líderes rurais à Alemanha, Itália e Áustria. Lá, eles conheceram soluções tecnológicas voltadas à geração de energia limpa no campo – e constataram in loco que as energias renováveis, além de viáveis, também são um ótimo negócio. Desde então, o tema passou a ser uma bandeira do Sistema Faep/Senar-PR, que vem estimulando os agropecuaristas paranaenses a adotarem sistemas fotovoltaicos e de biogás em suas propriedades.
“Quem ainda não aderiu às energias renováveis vai ficar para trás. A energia é um dos itens que mais pesa no custo de produção, principalmente em atividades como avicultura, suinocultura, bovinocultura de leite e piscicultura, nas quais o Paraná é uma potência. É um investimento que se paga em poucos anos e que garante ao produtor economia imediata. Isso sem falar na sustentabilidade ambiental”, resume o presidente do Sistema Faep/Senar-PR, Ágide Meneguette, acrescentando
: “Desde a década passada, essa questão tem sido uma prioridade e passamos, então, a levar informações e a estimular os nossos produtores. As energias renováveis não são mais o futuro: são o presente”.
Do pequeno produtor…
Foi navegando pela internet em seu celular que Marlei Dias Borges, de 68 anos, soube do Renova Paraná, programa do governo estadual voltado a fomentar a implantação de sistemas de energias renováveis no campo. Apesar de ser uma pequena produtora familiar, ela se interessou pela proposta. Queria zerar a conta de energia, que girava em torno de R$ 450 por mês. Quando a técnica do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) passou pelo sítio, Marlei pediu ajuda. E deu certo. Instalado no telhado da casa, o conjunto de 19 painéis solares acabou de completar um ano de funcionamento.

Produtora rural Marlei Dias Borges: “As entidades que estão ajudando e estimulando a entrar na energia solar entenderam um problema do pequeno produtor” – Fotos: Divulgação/Faep
“Melhorou muito a minha vida. As entidades que estão ajudando e estimulando a entrar na energia solar entenderam um problema do pequeno produtor. Energia é tudo”, diz Marlei. “Antes, quando ligava a máquina de fazer ração para os animais ou a bomba d’água por muito tempo, eu já me preocupava: ‘Meu Deus, vai subir a conta!’. Agora, já não tenho essa preocupação. A energia [gerada pelo conjunto] dá e sobra”, aponta.
Marlei vive na pequena propriedade desde 2003, com a mãe, de 85 anos, e com o irmão, 59. Na ocasião, ela tinha acabado de se aposentar e, “com o dinheirinho do acerto”, comprou uma vaca. Produzia sete quilos de queijo por semana e fabricava pães. Posteriormente, ia, de ônibus, vendê-los na área central de São José dos Pinhais, batendo de porta em porta. Boa de prosa, logo fez clientela fiel. Com o tempo, aumentou o plantel e turbinou a produção. Hoje, as oito vacas estão inseminadas e, quando entrarem em lactação, Marlei espera produzir cerca de 50 peças de queijo por semana – agora, fabricados pelo irmão. A família também tem um carro popular, usado nas vendas.
Pelo conjunto de geração de energia, Marlei desembolsa R$ 5,1 mil por ano com o financiamento, que espera finalizar em cinco anos. Desde que o sistema começou a operar, a produtora paga apenas a taxa mínima da conta de luz, de uso da rede. Com a produção de energia, ela também investiu no bem-estar da família: comprou um aparelho de ar-condicionado. “Eu vejo isso como uma fonte de renda. Lá na frente, o dinheiro que a gente vai economizar fica como ganho. Eu quero investir um pouco no nosso conforto. Mas também não vou deixar de trabalhar, de vender nosso queijo. Eu sou de fazer amizade. Aqui em São José [dos Pinhais] todo mundo me conhece”, diz, orgulhosa.
… ao grande produtor
Em 2018, a energia era o insumo que mais puxava para cima os custos de produção de Iranei Donizete Machado. Na ocasião, sua granja alojava 2,2 mil matrizes, na fase UPL (Unidade Produtora de Leitões). Para manter os animais, a conta de luz variava entre R$ 18 mil e R$ 20 mil por mês. Os altos valores fizeram com que ele investisse em energia solar fotovoltaica: os 280 painéis instalados reduziram o custo da energia para R$ 8 mil por mês. “Era um custo que estava pesando muito. Com o sistema renovável já deu uma boa reduzida, o que fez com que a gente diminuísse o nosso custo de produção”, apontou Machado.

Produtor Iranei Machado (de chapéu) em sua propriedade: “A energia que a gente produz supre a nossa necessidade e sobra, mesmo com o aumento da granja”
Mas ele não parou por aí. Em 2023, o suinocultor ampliou sua granja: são 10 galpões (seis voltados à maternidade e quatro, à gestação), com capacidade total para 2,7 mil matrizes. No embalo, Machado decidiu aproveitar os dejetos produzidos pelos animais para gerar energia. Em um projeto orçado em R$ 1,3 milhão, ele implantou um biodigestor e dois geradores. Com os painéis solares e o biogás, a energia renovável gerada na propriedade passou a ser maior do que a consumida na granja.
“Agora, a energia que a gente produz supre a nossa necessidade e sobra, mesmo com o aumento da granja. Se não fossem as fontes renováveis, eu estaria pagando R$ 20 mil por mês, na conta de luz. É um baita ganho financeiro”, ressalta o suinocultor. “Além disso, tem a questão sustentável. Não é uma lagoa de dejetos mandando gás para o meio ambiente. Estamos aproveitando isso para gerar energia”, acrescenta.
Mesmo antes de finalizar o financiamento, o conjunto já vai começar a gerar renda para Machado. Ele se cadastrou em uma cooperativa, que pretende comprar a energia excedente produzida na granja. “Vai gerar um crédito, então teremos um ganho financeiro”, resume o suinocultor. “A pessoa só não adere às energias renováveis se não fizer as contas. Se a pessoa tem uma granja, não tem como deixar de aproveitar os dejetos para gerar energia e ter uma fonte de renda extra. Não tem nem que pensar. A viabilidade é enorme”, concluiu.
Paraná é o segundo no ranking de energia renovável
Em 2017, as usinas fotovoltaicas e biodigestores instalados em propriedades rurais do Paraná tinham capacidade de gerar 1,2 mil quilowatts (kW). Sete anos depois, em 2023, a potência instalada no Estado saltou para 558,7 mil kW. Com isso, o Paraná ocupa o segundo lugar no ranking de geração de energia no campo a partir de fontes renováveis. Hoje, o Estado responde por quase 18% da produção de energia limpa em meio rural. Sete anos atrás, esse índice não chegava a 9%.
No topo da lista, aparece Minas Gerais, com potência instalada de 659,2 mil kW e que responde por 21,1% da energia gerada no campo a partir de recursos renováveis. Para efeitos de comparação, Minas tem 853 municípios – mais que o dobro do que o Paraná. Além disso, a população mineira é de mais de 20,7 milhões de pessoas, enquanto os paranaenses somam 11,6 milhões de habitantes.

“Por si só, o avanço do Paraná já é fantástico. Temos números de geração muito próximos de Minas Gerais, que tem mais que o dobro de nossas dimensões. O trabalho que temos feito é grandioso e só tende a aumentar”, observa Luiz Eliezer Ferreira, do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep/Senar-PR.
“Como instituição, nosso objetivo é continuar trabalhando, levando informações e apoiando os nossos produtores a aderir às energias renováveis. Queremos, cada vez mais, ver usinas solares e biodigestores em propriedades rurais paranaenses, porque isso dá autonomia e competitividade aos nossos produtores”, reforça Ágide Meneguette, presidente do Sistema Faep/Senar-PR.
Programa estadual impulsionou novos projetos
Lançado em julho de 2021, o Programa Paraná Energia Rural Renovável (Renova Paraná) impulsionou a instalação de conjuntos de painéis fotovoltaicos e de biodigestores no campo. Às vésperas de completar dois anos de atividade, a iniciativa já apoiou o financiamento de mais de 5,8 mil projetos, que passam de R$ 1 bilhão. Apesar da velocidade com que o programa avançou, o coordenador do Renova Paraná, Herlon Goelzer de Almeida, prevê crescimento ainda maior para os próximos anos.
“Os produtores despertaram para a necessidade de gerar a própria energia. Nunca o Estado teve um programa com tanta velocidade na adesão e tanta repercussão. Isso mostra a importância da política pública”, aponta Almeida. “Embora expressivos, estamos só começando. O Paraná tem 330 mil propriedades rurais. Quem ainda não aderiu, tem que aderir”, alerta.
O Renova Paraná estimula os projetos por meio da equalização da taxa de juros, ou seja, na prática, o programa paga parte dos juros dos financiamentos. Além disso, há incentivos tributários e aproveitamento de créditos a quem aderir. “É uma iniciativa de acesso universal. Produtores de qualquer dimensão podem aderir. Não tem nenhum freio, nenhuma trava. Basta querer”, ressalta Almeida. “O produtor pode pagar as parcelas do financiamento com o que vai economizar de energia. Quando terminou de pagar, pronto: recuperou o capital. É altamente viável”, diz.
Aumento do custo da energia reforça viabilidade do investimento em fontes renováveis
Ao longo dos últimos cinco anos, o peso exercido pela energia elétrica sobre o setor agropecuário aumentou significativamente. Até 2018, a tarifa rural correspondia a 70% da tarifa residencial. No fim daquele ano, no entanto, nos últimos dias de seu governo, o então presidente Michel Temer assinou o Decreto 9.642/18, que previa a redução gradativa de subsídios federais à energia consumida no campo, até que as tarifas fossem equiparadas. Mas não parou por aí.
No Paraná, o governo do Estado extinguiu a Tarifa Rural Noturna, um programa que previa a redução de 60% na energia consumida entre 21h e 6h em propriedades rurais. Não bastasse isso, o custo da energia aumentou de forma acentuada nos últimos anos, com a implantação de um sistema de bandeiras tarifárias – em que a tarifa chega a aumentar 23% no caso de um cenário de escassez hídrica.
“Nos últimos cinco anos, o campo foi quem mais sofreu com os aumentos de energia elétrica. A tarifa para a classe rural registrou aumento de 58,6%, enquanto a tarifa residencial teve alta de 34%. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA foi de 29%. Ou seja, a alta da energia rural foi praticamente o dobro da inflação”, observa Luiz Eliezer Ferreira, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep/Senar-PR.
Tudo isso provoca reflexos diretos da porteira para dentro. Nos levantamentos de custos de produção realizados pelo Sistema Faep/Senar-PR R junto a avicultores e a suinocultores, a cada semestre, a energia elétrica aparece como um dos principais custos e que vem em trajetória crescente. Um dos casos mais evidentes ocorreu em Cascavel, na região Oeste do Paraná, onde a energia elétrica representou 32% dos desembolsos de um avicultor, considerando um aviário modal. “Pela primeira vez na história, o custo da energia superou o da mão de obra na avicultura em Cascavel”, aponta Ferreira.
Ao longo da última década, a questão energética passou a ser uma das prioridades do Sistema Faep/Senar-PR. A entidade promoveu um intenso trabalho de difusão de informações técnicas qualificadas aos produtores rurais sobre a adoção de sistemas de energias renováveis. A partir da viagem técnica internacional, em 2017, os esforços da instituição foram crescentes, com palestras e eventos. No ano passado, por exemplo, o Sistema Faep/Senar-PR promoveu seminários em cinco regiões do Estado, que tiveram a participação de mais de 600 pessoas.
“Institucionalmente, temos estimulado os produtores. Temos levado informações sobre a instalação e o funcionamento dos sistemas, sobre o investimento e a viabilidade financeira. O produtor precisa reduzir custos e a energia, hoje, tem um papel estratégico na atividade agropecuária”, destaca o presidente do Sistema Faep/Senar-PR, Ágide Meneguette. “Todos os nossos esforços têm dado resultado. Tanto que vemos no campo uma infinidade de usinas solares ou de biodigestores, das pequenas às grandes propriedades”, acrescenta.
Além disso, o Sistema Faep/Senar-PR lançou duas cartilhas sobre energias renováveis. Ambos os materiais trazem a síntese das legislações aplicadas ao tema e apresentam o funcionamento de sistemas fotovoltaicos e de biogás. Também, as publicações contemplam estudos de viabilidade técnica e financeira, estimando a necessidade de geração em propriedades modais voltadas à avicultura e à bovinocultura de leite, e calculando qual seria o payback – ou seja, o tempo de retorno do investimento. Os dois materiais estão disponíveis, gratuitamente, no site sistemafaep.org.br.
“Os estudos comprovam que é um investimento extremamente viável. Os conjuntos se pagam entre cinco e sete anos, enquanto a vida útil dos sistemas passa dos 25 anos. Na prática, o produtor terá energia praticamente de graça por cerca de duas décadas”, aponta Ferreira do DTE do Sistema Faep/Senar-PR.

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C.Vale amplia faturamento e eleva sobras em 83% em 2025
Cooperativa alcança R$ 25,2 bilhões em receita e R$ 274,4 milhões em benefícios aos associados, mesmo diante de estiagem, gripe aviária e juros altos.

Mesmo com uma rara combinação de fatores negativos em um único ano, a C.Vale conseguiu ampliar o faturamento e os resultados do exercício de 2025. A cooperativa precisou superar estiagens, desvalorização dos grãos, juros altos, gripe aviária e o tarifaço norte-americano para melhorar seu desempenho no ano que passou. As sobras e outros benefícios aos associados cresceram 83,21% e chegaram a R$ 274,4 milhões. Os resultados proporcionados pela agroindustrialização e a boa safra de Mato Grosso, compensaram estiagens, principalmente nas lavouras de soja do Rio Grande do Sul. O pagamento do retorno começa no dia 9 de fevereiro nas unidades da cooperativa em seis estados (PR, SC, RS, MT, MS e GO).

Lang apresentou relatório ao lado Ademar Pedron (vice-presidente), Walter Dal’Boit (secretário do Conselho de Administração) e Edio Schreiner (diretor-executivo)
Em assembleia na Asfuca de Palotina (PR), no dia 06 de fevereiro, o presidente do Conselho de Administração da C.Vale, Alfredo Lang, apresentou relatório apontando faturamento consolidado de R$ 25,2 bilhões, um crescimento de 14,69% sobre a receita de 2024. O recebimento de 6,5 milhões de toneladas de produtos, quase 27% maior que o do ano anterior, ajudou a sustentar o desempenho positivo.
Lang entende que os resultados mantêm a boa saúde financeira da cooperativa, fator fundamental para garantir a segurança dos negócios com associados e fornecedores. Para ele, os indicadores positivos permitem à cooperativa dar sequência aos investimentos na melhoria das unidades de grãos. “Esse processo terá continuidade ao longo de 2026 porque precisamos acelerar o recebimento e a expedição de produtos”, assegurou.
Em seu primeiro ano completo de operação, a esmagadora de soja processou 16,4 milhões de sacas do grão.
Conselho fiscal
Os associados aprovaram a chapa ao novo Conselho Fiscal da C.Vale para 2026. Tomaram posse os conselheiros efetivos Volmar Paulo Hendges, José Antônio Tondo e Gilson Lussani, e os suplentes Wilson Gilberto Costa, Nelson Lauersdorf e Milton Cividini.
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Aurora Coop fecha 2025 com R$ 26,9 bilhões em faturamento e 3,5 mil novos empregos
Cooperativa registra sobras de R$ 1,2 bilhão, amplia presença internacional e reforça impacto econômico em quatro estados.

Geração de milhares de empregos, contribuição ao desenvolvimento econômico regional de centenas de municípios brasileiros, melhoria da qualidade de vida das famílias rurais e atenção ao bem-estar animal estão entre os efeitos da atuação da Cooperativa Central Aurora Alimentos (Aurora Coop), ao lado de resultados superavitários, em 2025.
Os resultados obtidos nos ano passado foram apresentados pelo presidente Neivor Canton, pelo vice-presidente de agronegócios Marcos Antonio Zordan e pela diretora administrativa Marinei Zuffo Rocha.
Os dirigentes fizeram uma análise do Sistema Aurora Coop que une 14 cooperativas agropecuárias, 87 mil famílias rurais no campo e 50,4 mil colaboradores lotados nas fábricas e unidades comerciais, logísticas e administrativas responsáveis pela produção e processamento diário de 35 mil suínos, 1,4 milhão de aves e 1,6 milhão de litros de leite.
“Podemos afirmar que a Aurora Coop se tornou o maior paradigma brasileiro de intercooperação, pois aqui laboram mais de 150 mil famílias para fornecer alimentos de excelência para o Brasil e para mais de 80 países com um portfólio de mais de 850 produtos das marcas comerciais Aurora, Aurora Premium, Aurora Bem Leve, Nobre, Alegra e Gran Mestri, assinala Canton.
Contexto

Vice-Presidente de agronegócios Marcos Antonio Zordan. Presidente Neivor Canton e Secretário Romeo Bet
Em 2025, diante de um ambiente econômico desafiador, marcado por inflação persistente de alimentos, instabilidades geopolíticas, pressões sanitárias e maior seletividade do consumo, a Aurora Coop demonstrou solidez estratégica de adaptação em suas operações comerciais. O ano exigiu decisões assertivas, disciplina operacional e leitura apurada do mercado, tanto no cenário nacional quanto internacional.
No mercado externo, a cooperativa enfrentou restrições relevantes, especialmente em função da influenza aviária, da doença de New Castle e do fechamento temporário de mercados estratégicos. Ainda assim, a Aurora Coop preservou resultados em faturamento, apoiada pela reorganização dos fluxos de exportação, pela valorização cambial e pela melhoria do mix de produtos, com destaque para suínos e processados. O avanço do processo de internacionalização ganhou um marco importante com a inauguração da primeira subsidiária internacional da cooperativa, em Xangai, fortalecendo a presença da Aurora Coop no mercado asiático e ampliando sua capacidade de relacionamento e inteligência comercial global.
No mercado interno, o ano foi caracterizado por um consumo mais racional, maior sensibilidade a preço e mudanças no comportamento do consumidor. Nesse contexto, a Aurora Coop avançou por meio do fortalecimento da segmentação de canais, da evolução dos canais digitais, da ampliação da atuação territorial e da evolução das rotinas de planejamento e atendimento. Os ganhos de participação de mercado em carnes congeladas e industrializadas refletem a consciência da estratégia comercial e o foco em rentabilidade e valor agregado.
Lançamentos em categorias estratégicas, a expansão da atuação em industrializados e a entrada em segmentos de maior valor agregado, como os queijos especiais com a incorporação da Gran Mestri, reforçaram a competitividade da Aurora Coop e ampliaram sua presença nos principais momentos de consumo.
Força para economia regional
Mais uma vez a empresa revelou-se uma grande fomentadora do mercado de trabalho. A Aurora Coop criou 3.591 novos empregos em 2025 e encerrou o ano com 50.437 colaboradores diretos. Os investimentos em remuneração e encargos somaram R$ 2,9 bilhões. Outros R$ 686,9 milhões foram investidos em benefícios, como alimentação, vale-alimentação, transporte, plano de saúde, previdência privada, prêmio por tempo de serviço, auxílio creche e seguro de vida.
Os investimentos gerais em colaboradores (incluídos salários/encargos, benefícios, segurança e saúde no trabalho, capacitação/desenvolvimento e auxílio-escola) totalizaram R$ 3,7 bilhões.
As atividades no campo, nas unidades industriais e no mercado geraram movimento econômico que irrigaram a economia dos municípios, especialmente em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul. Essa contribuição foi superior a R$ 27 bilhões, assim representados: geração de ICMS (R$ 3,0 bilhões), valor adicionado na atividade agropecuária “indireto” (R$ 12,3 bilhões), valor adicionado na atividade industrial e comercial (R$ 8,3 bilhões), remuneração e encargos sobre a folha de pagamento e benefícios (R$ 3,5 bilhões).
Ativos biológicos
Por operar com imensos ativos biológicos, a Aurora Coop adotou o moderno conceito “saúde única” (one health), o qual reconhece a interdependência entre saúde animal, humana e ambiental e assume papel central na gestão moderna, orientando práticas que garantem sustentabilidade, biosseguridade e bem-estar em todas as etapas produtivas. Nessa mesma linha, o bem-estar animal (BEA) continuou na pauta de prioridades da empresa, que se tornou referência nacional em práticas sustentáveis e éticas na produção agropecuária. A Aurora Coop consolidou seu protagonismo no setor com investimentos que ultrapassam R$ 1,4 bilhão em melhorias nas áreas de suinocultura, avicultura e bovinocultura de leite.
A gestão ética, sustentável e humanitária dos ativos biológicos garante o suprimento das matérias-primas de origem animal para as indústrias. As 9 unidades industriais de processamento de aves têm capacidade instalada para o abate diário de 1,4 milhão de frangos. De outra parte, as 8 plantas das unidades industriais de suínos têm capacidade de abate de 35 mil suínos/dia. O planejamento do abate de suínos foi influenciado por fatores externos que exigiram adaptações estratégicas nas operações industriais.
Produção
As 8 plantas industriais de suínos da Aurora Coop abateram 8,2 milhões de cabeças em 2025, registrando crescimento de 2,6% em relação ao ano anterior.
As 9 plantas frigoríficas de aves processaram 347,9 milhões de frangos, um incremento de 1,4% em relação a totalidade do ano anterior.
No exercício de 2025, a Aurora Coop consolidou o setor de lácteos como um dos pilares estratégicos. A Aurora Coop adquiriu a Gran Mestri, de Guaraciaba (SC), tradicional marca brasileira de queijos especiais, reconhecida pelo seu portfólio de alto valor agregado e pela excelência na produção de queijos tipo grana, parmesão, pecorino, mascarpone, brie, gorgonzola, entre outros. A marca é uma das poucas no país autorizadas a utilizar a nomenclatura Grana Padano, legítimo queijo grana, símbolo de tradição e nobreza da queijaria italiana.
O volume de leite captado das cooperativas do Sistema Aurora Coop em 2025 atingiu 489 milhões de litros.
Desempenho ecônomico
Refletindo o esforço de todo o Sistema Aurora Coop, a receita operacional bruta de 2025 atingiu R$ 26,9 bilhões (uma elevação de 8,3%) e as sobras do exercício subiram para R$ 1,2 bilhão (aumento de 43,5% em comparação a 2024). O mercado interno deu origem a 65,8% do faturamento e, o mercado externo, a 34,2%.
As vendas no mercado interno evoluíram 13,5% e totalizaram R$ 15,6 bilhões, receita obtida com os segmentos de suínos (R$ 9,4 bilhões), aves (R$ 3,3 bilhões), lácteos (R$ 1,9 bilhão), massas (R$ 310 milhões), pescado (270 milhões), vegetais (R$ 230 milhões) e bovinos (R$ 72 milhões).
As vendas no mercado externo fecharam o ano em R$ 9,1 bilhões, contabilizando um crescimento de 2.2%. O segmento de carnes suínas contribuiu com R$ 4,3 bilhões, carnes de aves com R$ 4,8 bilhões e os lácteos com apenas R$ 5 milhões. A participação da Aurora Coop nas exportações brasileiras de carne suína é de 19,7% e, de carne de frango, 8,4%. Os principais destinos foram Oriente Médio, Japão, África, China, América Centro-Sul, Ásia, América do Norte, Hong Kong, Coreia do Sul, Cingapura, Eurásia e Europa. Destaca-se o incremento de volumes para Filipinas em contrapartida a redução de China e EUA.
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Copercampos registra crescimento de 17% no faturamento em 2025
Assembleia em Campos Novos (SC) aprova destinação de sobras, destaca investimentos em armazéns e elege novo Conselho Fiscal para 2026.

A Copercampos realizou em na quinta-feira (19), na Associação Atlética Copercampos (AACC), em Campos Novos, a sua 55ª Assembleia Geral Ordinária (AGO), reunindo associados para apreciação do relatório de gestão, prestação de contas do exercício 2025, deliberação sobre destinação das sobras e eleição do novo Conselho Fiscal.
Durante a assembleia, o Conselho de Administração apresentou a análise dos negócios e os principais indicadores econômicos e sociais da cooperativa, reforçando a transparência e a participação dos associados nas decisões estratégicas da organização.
A cooperativa encerrou o exercício de 2025 com faturamento total de R$ 5,016 bilhões, crescimento de aproximadamente 17% em relação ao ano anterior. O setor de cereais permaneceu como principal atividade econômica da cooperativa, sendo seguida por comercialização de insumos, produção de sementes e produção de suínos.
A assembleia deliberou sobre o resultado do exercício, que foi superior a R$ 147 milhões. Deste valor, uma parte foi destinada aos fundos de investimento e à reserva legal. O montante de sobras à disposição da assembleia foi superior a R$ 81 milhões, ficando aprovada a capitalização de 90% das sobras — maisc de R$ 73,1 milhões —, proporcional ao movimento dos associados, enquanto 10% do valor será distribuído em dinheiro aos associados — mais de R$ 8 milhões.
Além destes valores de sobras, a Copercampos distribuiu no ano, R$ 32,8 milhões aos associados que participam dos programas de: Fidelidade, Bonificação de Sementes e Bonificação de Suínos.
A cooperativa fechou o ano com evolução no quadro social, alcançando 2.550 associados, inaugurando novas unidades e ampliando a sua atuação regional. Os maiores investimentos foram para construção de armazéns de grãos e sementes, além da Indústria de Etanol.
Conselho Fiscal eleito – Gestão 2026
Durante a AGO também ocorreu a eleição do Conselho Fiscal para a gestão 2026, ficando definido:
- Édio Rafael Franco – Agronômica/SC
- Givanildo Bombarda – Barracão/RS
- Marlon Andrigo Scarabotto – Campos Novos/SC
- Maurício Bruneto – Otacílio Costa/SC
- Jair Socolovski – Campos Novos/SC
- Lourdes Maria Berwig – Campos Novos/SC
“Nossa Assembleia Geral Ordinária reafirmou o modelo cooperativista da Copercampos, baseado na participação dos associados, na transparência da gestão e na distribuição dos resultados. Tivemos muitos desafios no ano, mas um bom resultado ao final do ciclo de 2025 e distribuímos um bom valor aos associados”, ressalta o Diretor Presidente Luiz Carlos Chiocca.




