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Empretec Rural mostra novas perspectivas sobre o trabalho no campo
O propósito dessa capacitação é aumentar a rentabilidade da empresa rural, estimular novos negócios e gerar, entre outros benefícios, novas oportunidades de empregos.

O município de Galvão, no oeste de Santa Catarina, com cerca de 2 mil e 700 habitantes, recebeu no período de 17 a 22 de julho o Empretec Rural. O evento teve como intuito aprimorar as características pessoais empreendedoras de 16 agricultores e potencializar os negócios do campo. A iniciativa foi realizada pelo Sebrae/SC em parceria com o Sistema Faesc/Senar-SC e apoio da Administração Municipal de Galvão.
A metodologia do Empretec foi desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e atualmente é aplicada em 34 países. No Brasil, o Empretec é realizado exclusivamente pelo Sebrae.
Manoel Gusthmann é produtor em Galvão, trabalha com plantio de grãos, gado leiteiro, gado de corte e ovinos, e participou do evento. De acordo com ele, o curso mostrou várias perspectivas, que já estão sendo aplicadas. “Tanto do ponto de vista pessoal, quanto de meus negócios, o Seminário mostrou que podemos ser diferentes. Ter o foco em uma meta e realizar o planejamento”.
Para a produtora Roseane Aparecida Timótheo da Costa Woloszyn, de Galvão, que trabalha com a criação de aves, bovinos e produção de alimentos, o curso proporciona resultados rápidos. “Na minha propriedade estabeleço metas, elaboro o planejamento e coloco em prática as estratégias, e o Empretec proporcionou uma nova visão do trabalho. Já estou executando as ações e está sendo maravilhoso”.
O agronegócio em Santa Catarina movimenta uma receita maior que R$ 12 bilhões anualmente. Desenvolver e capacitar esses agricultores, para potencializar os resultados, é o objetivo principal do Sebrae.
O propósito dessa capacitação é aumentar a rentabilidade da empresa rural, estimular novos negócios e gerar, entre outros benefícios, novas oportunidades de empregos.
Para o prefeito de Galvão, Admir Edi Dalla Cort, o Empretec Rural reforçou a parceria entre o Sebrae/SC e a Administração Municipal, para capacitar os empreendedores rurais. “O empreendedorismo dos agricultores é algo necessário, para que permaneçam em suas atividades, cada vez mais qualificados, com novas perspectivas e assim investindo no município, colaborando para o crescimento do campo e da cidade”.
Sobre o Empretec
O Empretec Rural busca proporcionar oportunidades para pequenos empresários rurais, estabelecendo metas, exigência de qualidade e comprometimento. O Seminário tem duração de 60 horas de capacitação, distribuídas durante seis dias. “Com atividades práticas e cientificamente fundamentadas os participantes ampliaram suas capacidades de detectar oportunidades de negócios, estabelecer metas desafiadoras, melhorar eficiência, aumentar resultados em situações complexas e testar modelos de negócios”, destacou o gerente regional do Sebrae/SC no oeste, Udo Martin Trennepohl.

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Brasil e Coreia do Sul ampliam cooperação agrícola e elevam relação a Parceria Estratégica
Declaração conjunta firmada em Seul também prevê acordos em tecnologia, saúde, medicamentos, educação e reforço no comércio bilateral, com plano de ação para os próximos três anos.
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Economia brasileira cresceu 2,2% em 2025, aponta prévia da FGV
Monitor do PIB mostra perda de ritmo no fim do ano.

A economia brasileira cresceu 2,2% em 2025, na comparação com 2024, estimou a pesquisa Monitor do PIB, divulgada nesta sexta-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). 

A pesquisa reúne dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária e é considerada uma prévia do produto interno bruto (PIB), indicador do conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país.
O resultado de 2025 representa o quinto ano seguido de alta, mesmo com perda de ritmo nos últimos meses. Em 2024, o avanço tinha sido de 3,4%.

Foto: Claudio Neves
Em dezembro, o PIB teve variação nula (0%) na comparação com novembro, e, no quarto trimestre, também ficou estável em relação ao terceiro.
Ao detalhar o comportamento setorial da economia, o Monitor do PIB estima que o consumo das famílias cresceu 1,5% em 2025. A chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que reflete o nível de investimento da economia, como compras de máquinas e equipamentos, teve expansão de 3,6% no ano.
No comércio exterior, as exportações avançaram 6,2% em 2025, enquanto as importações, 5,1%. O estudo estima que a taxa de investimento da economia foi de 17,1%, a maior dos últimos três anos.
Recordes
De acordo com a FGV, em termos monetários, o PIB brasileiro em valores correntes atingiu R$ 12,63 trilhões, o maior valor da série histórica. Já o PIB per capita ─ valor do PIB dividido pelo tamanho da população do país ─ alcançou R$ 59.182, também um patamar recorde.
Análise
De acordo com a coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre, a economista Juliana Trece, os juros altos foram um dos motivos que levaram à perda de força no crescimento da economia em 2025.
“Nota-se evidente perda de fôlego do PIB ao longo de 2025, com a taxa, na série ajustada sazonalmente [ajuste que permite a comparação entre meses e trimestres imediatamente seguidos], tendo iniciado o ano com forte crescimento e terminado estável no quarto trimestre de 2025”.
Efeito dos juros

Fotos: Claudio Neves
Juliana Trece assinala que 2025 foi “um ano de forte aperto monetário e imposição de tarifas ao Brasil”. O aperto monetário se refere à alta taxa de juros. Em setembro de 2024, preocupado com a trajetória da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou uma escalada da taxa básica de juros da economia, a Selic, então em 10,5% ao ano, elevando-a até 15% em junho de 2025, assim permanecendo até os dias atuais.
A meta de inflação do governo é de 3% no acumulado de 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o número oficial da inflação, chegou a ficar 13 meses fora do intervalo de tolerância, o que inclui praticamente todo o ano de 2025. A Selic influencia todas as demais taxas de juros do país e, quando elevada, age de forma restritiva na economia, ou seja, encarece operações de crédito e desestimula investimentos e consumo.
O impacto esperado é a menor procura por produtos e serviços, esfriando a inflação. O efeito colateral é que a economia em marcha lenta tende a diminuir a geração de empregos. Apesar da pressão restritiva, 2025 terminou com o menor percentual já registrado na taxa de desemprego, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Tarifaço

Foto: Allan Santos/PR
O outro efeito citado pela economista é o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciado em agosto de 2025. A aplicação de taxas adicionais sobre o Brasil levou à redução das vendas externas aos americanos.
O governo dos Estados Unidos afirma que a medida pretende proteger a economia americana, já que, com a taxação, o país tende a fabricar produtos localmente em vez de adquiri-los no exterior. Nesta sexta-feira, uma decisão da Suprema Corte dos EUA derrubou a política tarifária de Trump.
Em novembro, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, calculou que 22% das exportações para os Estados Unidos estavam sujeitas às sobretaxas.
Resultado oficial
O Monitor do PIB é um dos estudos que servem como termômetros da economia brasileira. Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na última quarta-feira (19), que indicou expansão de 2,5% em 2025.
O resultado oficial do PIB é aferido e apresentado pelo IBGE. O comportamento de 2025 será divulgado no próximo dia 3 de março.
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Agrotóxicos estão mais nocivos em todo o mundo, aponta estudo
Brasil é um dos países longe da meta estabelecida pela ONU.

O grau de toxicidade dos pesticidas aumentou em todo o mundo de 2013 e 2019, com o Brasil entre os países líderes. A conclusão está em um estudo publicado este mês na revista Science e contraria a meta de redução de riscos dos pesticidas até 2030, estabelecida na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15).

Pesquisadores alemães da universidade de Kaiserslautern-Landau avaliaram 625 pesticidas em 201 países. Eles utilizaram o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT), que considera o volume usado e o grau de toxicidade de cada substância.
Seis de oito grupos de espécies estão mais vulneráveis aos níveis crescentes de toxicidade. São eles: artrópodes terrestres (como insetos, aracnídeos e lacraias), cuja toxicidade aumentou 6,4% ao ano; organismos do solo (4,6%), peixes (4,4%); invertebrados aquáticos (2,9%), polinizadores (2,3%) e plantas terrestres (1,9%).
O TAT global diminuiu apenas para plantas aquáticas (−1,7%) e vertebrados terrestres (−0,5% ao ano). Humanos fazem parte desse último grupo. “O aumento das tendências globais de TAT representa um desafio para o alcance da meta de redução de risco de pesticidas da ONU e demonstra a presença de ameaças à biodiversidade em nível global”, diz um dos trechos do estudo.
Brasil em destaque

Foto: Fernando Dias
O Brasil aparece como um dos principais protagonistas desse cenário. O estudo identifica o país como detentor de uma das maiores intensidades de toxicidade por área agrícola em todo o planeta, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia.
Além disso, Brasil, China, Estados Unidos e Índia respondem juntos por 53% a 68% da toxicidade total aplicada no mundo.
A relevância brasileira está diretamente ligada ao peso do agronegócio, especialmente de culturas extensivas. Embora cereais tradicionais e frutas ocupem grandes áreas, a toxicidade associada a culturas como soja, algodão e milho exerce impacto significativamente maior em relação à extensão cultivada.
Tipos de pesticidas
Um dos achados mais relevantes do estudo indica que o problema é altamente concentrado: em média, apenas 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
O levantamento aponta que diferentes classes químicas dominam os impactos. Classes de inseticidas, como piretroides e organofosforados, contribuíram com mais de 80% do TAT de invertebrados aquáticos, peixes e artrópodes terrestres. Neonicotinoides, organofosforados e lactonas representaram mais de 80% do TAT de polinizadores.
Organofosforados, juntamente com outras classes de inseticidas, foram os que mais contribuíram para os TATs de vertebrados terrestres. Herbicidas acetamida e bipiridil contribuíram com mais de 80% para o TAT das plantas aquáticas, enquanto uma mistura mais ampla de herbicidas (incluindo acetamida, sulfonilureia e outros) definiu o TAT das plantas terrestres. Herbicidas de alto volume, como acetoclor, paraquat e glifosato, pertencem a essas classes e têm sido associados a riscos ambientais e à saúde humana.
Fungicidas conazol e benzimidazol, juntamente com os inseticidas neonicotinoides, aplicados no revestimento de sementes, contribuíram principalmente para o TAT dos organismos do solo.
Meta global distante
O estudo também avaliou a trajetória de 65 países. O diagnóstico é de que, sem mudanças estruturais, apenas um país (Chile) atingirá a meta da ONU de redução de 50% da toxicidade dos pesticidas até 2030.
Segundo os pesquisadores, China, Japão e Venezuela estão no caminho para atingir a meta e apresentam tendências de queda em todos os indicadores. Mas precisam de uma aceleração nas mudanças de uso de agrotóxicos.
Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se afastando da meta, com pelo menos um indicador dobrando nos últimos 15 anos. Eles precisam reverter as tendências de rápido aumento para voltar a trajetória anterior.
Todos os outros países do estudo, o que inclui o Brasil, precisam retornar os riscos de pesticidas aos níveis de mais de 15 anos atrás. O que significa reverter padrões de uso das substâncias consolidadas há décadas, em termos de volume e toxicidade das misturas.
Os pesquisadores indicam três frentes principais para conter a escalada dos riscos: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão da agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas. Tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso são apontadas como estratégias capazes de reduzir impactos sem comprometer produtividade.







