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Embrapa valida diretrizes técnicas para produção de Carne Baixo Carbono
Os parâmetros avaliados na pesquisa estão sendo contemplados nos requisitos obrigatórios propostos no Protocolo CBC juntamente com os de legislação trabalhista e ambiental.

Depois de lançar a marca-conceito Carne Carbono Neutro (CCN), que valoriza sistemas pecuários com a presença do componente florestal e neutralização da emissão de gases de efeito estufa (GEE), a Embrapa validou as diretrizes de mais um protocolo que vai ajudar o pecuarista a produzir com foco em sustentabilidade: o Carne Baixo Carbono (CBC). Os resultados da avaliação de parâmetros técnicos do protocolo CBC durante dois ciclos produtivos no Cerrado baiano contemplam sistemas pecuários sem a presença de árvores na pastagem, mas com potencial de mitigação das emissões de GEE a partir da adoção de boas práticas agropecuárias, envolvendo os componentes solo, pasto e animal.
Oito foram os parâmetros técnicos avaliados durante os dois anos de validação do protocolo CBC: densidade do solo, estoque de carbono e qualidade do solo, disponibilidade da forragem e cobertura do solo, ganho de peso médio diário dos animais, ganho de peso por área dos animais e emissões entéricas. Esses parâmetros estão sendo contemplados nos requisitos obrigatórios propostos no Protocolo CBC juntamente com requisitos de legislação trabalhista e ambiental.

Segundo a pesquisadora que coordenou o trabalho de validação das diretrizes para produção de CBC, Márcia Silveira, à época na Embrapa Pecuária Sul (RS) e atualmente na Embrapa Milho e Sorgo (MG), os resultados mostram que a implantação do protocolo garante produtividade e qualidade da carne, de forma a aumentar a lucratividade do produtor, sem abrir mão da manutenção ou aumento do estoque de carbono do solo e da mitigação da emissão de GEE, além do efeito poupa-terra, ou seja, com menor pressão sobre a vegetação nativa. “É mais um passo na busca pela eficiência produtiva que leva em conta a qualidade do produto e do seu ambiente de produção”, destaca Silveira.
Estas marcas, como a CBC e a CCN, vêm sendo desenvolvidas no âmbito da Plataforma Pecuária de Baixa Emissão de Carbono, que visa valorizar produtos pecuários produzidos em sistemas mais eficientes e com menor impacto ambiental. As diretrizes técnicas para a produção de Carne Baixo Carbono foram lançadas em 2020, e estão alinhadas ao Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC+). Estes parâmetros necessitavam de validação em um ambiente de produção comercial antes da disponibilização do protocolo para adesão voluntária por parte dos pecuaristas. “Nesse sentido, o trabalho de validação desenvolvido pela Embrapa servirá como modelo para certificação da marca-conceito CBC nas fazendas de pecuária de corte que desejarem produzir carne dentro deste escopo”, ressalta Roberto Giolo, pesquisador da Embrapa Gado de Corte e líder da Plataforma Pecuária de Baixo Carbono.
Projeto Trijunção
O estudo de caso foi realizado na Fazenda Santa Luzia, pertencente à Fazenda Trijunção, localizada entre os municípios de Cocos e Jaborandi (BA). A propriedade é referência na produção de bovinos de corte mediante as Boas Práticas Agropecuárias (BPA), com dados estruturados e sequenciais de todo o sistema produtivo. O período utilizado nessa fase de validação das diretrizes técnicas foi de maio de 2019 a setembro de 2021, totalizando dois ciclos completos de avaliações de produção animal no sistema.
A Unidade de Referência Tecnológica (URT) foi composta por dois talhões, bem como por uma área de vegetação nativa (Cerrado). O primeiro talhão, com a forrageira Brachiaria brizantha cv. Marandu, contou com 115 hectares divididos em quatro piquetes, representando o manejo convencional. O segundo talhão, de pastagem recuperada, com Brachiaria brizantha cv. BRS Piatã, contou com 85 hectares, também dividido em quatro piquetes e manejado segundo as diretrizes técnicas para produção de CBC. As áreas foram usadas para recria e terminação de machos da raça Nelore.

Pesquisadoras da Embrapa Milho e Sorgo, Flávia Santos e Márcia Silveira
Essa pesquisa faz parte de um projeto coordenado pela pesquisadora Flávia Santos, também da Embrapa Milho e Sorgo, intitulado: “Intensificação agrícola visando à sustentabilidade do uso de solos arenosos – Projeto Trijunção”. As diretrizes decorrentes dos estudos contribuem com o principal objetivo do trabalho, de definir a melhor estratégia de intensificação agrícola com base em sistemas de produção sustentáveis para solos arenosos.
Santos considera que a importância de se trabalhar em solos arenosos incide sobre o fato de que eles correspondem a cerca de 20% da área do Matopiba, que é a última fronteira agrícola do País. “Contudo, por esses solos apresentarem matriz arenosa, em que os teores de argila não alcançam 15% nos primeiros 50 cm de profundidade, há uma série de limitações: baixos teores de matéria orgânica, baixa CTC (capacidade de troca de cátions), baixa retenção de água, estruturação fraca, elevada acidez, baixa fertilidade, entre outros”, pontua a pesquisadora.
“Portanto, o manejo adequado desses solos é um grande desafio e deve-se focar em construção de fertilidade em profundidade, aumento de matéria orgânica, cobertura de solo, rotação e consorciação de culturas, integração da produção, etc., fatores fundamentais para a sua incorporação ao processo produtivo de forma sustentável. Nesse sentido, os sistemas integrados são alternativas viáveis de manejo e as diretrizes técnicas apresentadas estão perfeitamente alinhadas a esse propósito”, complementa Santos.
O trabalho de validação das Diretrizes CBC foi dividido em pesquisas com os componentes solo, forrageiro e animal, envolvendo desempenho e emissões entéricas, além da avaliação econômica dos resultados da URT. Para tanto, houve o envolvimento de uma equipe multidisciplinar da Embrapa Pecuária Sul, Embrapa Milho e Sorgo, Embrapa Gado de Corte, Embrapa Cerrados e Embrapa Cocais.
Resultados em números
A pesquisadora Flávia Santos ressalta que os dados do componente solo mostraram que os teores de nutrientes se mantiveram mais altos no CBC em relação ao manejo convencional, e também em relação ao Cerrado, bem como a atividade biológica avaliada por meio das enzimas betaglicosidase e arilsulfatase.
“Considerando a camada de 0-20 cm do solo, no ano de 2019, o estoque de carbono no solo sob o CBC foi maior que no solo sob Cerrado (5,4 toneladas por hectare a mais), e no ano de 2021 foi maior que o manejo convencional (2,5 toneladas por hectare a mais), diferença essa que não foi observada na camada de 0-40 cm de solo. Mas, devido à textura arenosa, em que não há proteção física da matéria orgânica pelas partículas do solo, o acúmulo de matéria orgânica e de estoque de carbono é mais difícil e demorado”, relata Santos.
Como destacado pelos pesquisadores Manoel Ricardo, da Embrapa Milho e Sorgo, e Manuel Macedo, da Embrapa Gado de Corte, “esses resultados mostram que, em solos arenosos, é preciso monitorar mais frequentemente a fertilidade, densidade e os estoques de C, pois seu baixo teor de argila, menor proteção da matéria orgânica e estrutura física fraca levam também a variações mais frequentes em suas características”.
“Em relação ao componente forrageiro, a massa de forragem (quilograma por hectare, kg/ha, de matéria seca – MS) e a cobertura do solo (%) foram maiores no tratamento CBC quando comparadas ao tratamento convencional, apresentando valores superiores a 2.000 kg/ha de MS e cobertura do solo acima de 80%, conforme preconizado nas diretrizes do CBC”, observa a pesquisadora Márcia Silveira.
Quanto ao desempenho animal, os ganhos médios diários de peso por animal foram semelhantes entre os tratamentos, sendo os ganhos médios diários (GMDs) de 440 gramas por dia (g/dia) e 404 g/dia no CBC, no primeiro e segundo ciclos avaliados, e 430 g/dia e 375 g/dia no manejo convencional, no primeiro e segundo ciclos avaliados. Porém, Silveira destaca que no tratamento CBC foram registrados maiores ganhos por área em função da possibilidade de trabalhar com maiores taxas de lotação, no caso, 2,33 e 2,77 unidades animal por hectare (UA/ha) nos dois ciclos de avaliação do CBC e 0,89 e 0,70 UA/ha nos dois ciclos de manejo convencional. Esses maiores ganhos por área não proporcionaram aumento de intensidade de emissão de metano entérico.

Quanto à visão econômica, as análises comprovaram maior lucratividade do CBC em comparação ao manejo convencional, devido à maior produção por área ao longo do período analisado e, na segunda safra, à possibilidade dos animais CBC terem alcançado o peso mínimo de entrada no confinamento e, posteriormente, terem sido abatidos. “Logo, os resultados indicam que a implementação do protocolo CBC proporciona maior produção por área de carne, com aumento da lucratividade”, destaca Mariana Aragão, pesquisadora da Embrapa Gado de Corte.
“Na perspectiva ambiental, o sistema de produção CBC propiciou boa cobertura do solo, que impactou na manutenção do estoque de carbono, na mitigação da emissão de gases de efeito estufa, além de promover o efeito poupa-terra e a resiliência do sistema de produção”, completa Giolo.

Marcas-conceito
A Plataforma Pecuária de Baixa Emissão de Carbono é uma iniciativa genuinamente brasileira, desenvolvida pela Embrapa e empresas parceiras. Ao longo de dez anos, a proposta trouxe a concepção de marca-conceito para a realidade do pecuarista. “As marcas-conceito carregam a concepção de ciência e seguem padrões internacionais, além de estarem associadas a um processo de certificação – monitoramento, reportagem e verificação”, destaca Giolo.
Ainda segundo Giolo, as marcas CCN e CBC buscam a sustentabilidade do sistema agrícola. Criada entre 2012 e 2020, a CCN pode ser usada em sistemas pecuários com árvores, como silvipastoris e agrossilvipastoris, sendo o componente florestal responsável pelo sequestro de carbono para compensar as emissões dos animais em pastejo. No Brasil, o protocolo CCN tem potencial para ser aplicado entre dois e dez milhões de hectares.
Por sua vez, a marca CBC está associada a sistemas pecuários sem a presença de árvores, que a partir das boas práticas agropecuárias, envolvendo a recuperação e manejo correto da pastagem, e integração lavoura-pecuária, promovem aumento do estoque de carbono no solo, mitigando as emissões de GEE do sistema. Estima-se que as pastagens armazenem de 20% a 30% do carbono do solo no mundo e que possuam potencial para sequestrar carbono por meio da melhoria no manejo do sistema de produção animal em pasto, trazendo benefícios significativos para a sustentabilidade ambiental, em virtude da grande extensão de área que ocupam. Assim, estudos apontam que o correto manejo das pastagens pode ser considerado a segunda tecnologia agrícola disponível mais importante para a mitigação das mudanças climáticas globais.
Lançamento do protocolo CBC
Para entrar em vigor, o Protocolo CBC deverá ser disponibilizado ao público na plataforma Agri Trace Rastreabilidade Animal, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em 2024. Para aderir à certificação, o produtor deverá demonstrar, já na auditoria inicial, que a propriedade está em conformidade com 20 requisitos mínimos obrigatórios para a implantação do sistema, de um total de 67, que serão requeridos progressivamente ao longo de auditorias bienais. O protocolo na íntegra será disponibilizado apenas aos produtores que ingressarem na plataforma. A adesão ao protocolo CBC, assim como a do protocolo CCN é voluntária. O intuito da criação da marca-conceito é possibilitar a valorização de sistemas pecuários que apresentem potencial de mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

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Crédito rural empresarial atinge R$ 404 bilhões no Plano Safra 2025/2026
Expansão é puxada pela alta de 38% nas CPRs, que elevam os recursos para custeio a R$ 303 bilhões, enquanto linhas de investimento e custeio tradicional recuam diante dos juros elevados

O crédito rural empresarial registrou desempenho expressivo entre julho de 2025 e março de 2026, com crescimento de 10% no volume total de recursos contratados, que chegou a R$ 404 bilhões. A safra passada contabilizou R$ 368 bilhões no mesmo período. Os dados integram o Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, elaborado pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário (DEFIN), da Secretaria de Política Agrícola, com base em dados do SICOR/Banco Central.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
Já os recursos efetivamente concedidos, aquelas operações cujos valores foram liberados na conta do produtor rural, totalizaram R$ 387 bilhões, crescimento de 5% em relação à safra anterior.
O destaque é para a emissão de Cédulas de Produto Rural (CPR) por produtores em favor de instituições financeiras, que avançou 38% no período, chegando a R$ 183,1 bilhões. Como a CPR é majoritariamente voltada ao custeio da safra, ao somar esse instrumento ao crédito de custeio convencional, o volume de recursos disponibilizados para essa finalidade alcança R$ 303,1 bilhões, 13% acima do registrado na safra 2024/2025. “O crescimento de 10% nas contratações e de 5% nas concessões demonstra a solidez do financiamento agropecuário brasileiro, mesmo em um cenário de maior seletividade por parte dos produtores e do sistema financeiro”, ressalta a Secretaria de Política Agrícola do Mapa.

Foto: Shutterstock
Desempenho por finalidade
A análise por modalidade revela comportamentos distintos entre as linhas de crédito. A industrialização registrou o maior crescimento proporcional: alta de 74% nas contratações (R$ 28,1 bilhões) e de 64% nas concessões (R$ 26,4 bilhões), refletindo maior demanda por financiamento de processamento agroindustrial.
Por outro lado, as linhas tradicionais de custeio e investimento apresentaram retração. O custeio caiu 11% nas contratações (R$ 120,0 bilhões) e 15% nas concessões (R$ 114,3 bilhões). O crédito de investimento recuou 16% nas contratações (R$ 45,5 bilhões) e 30% nas concessões (R$ 37,6 bilhões). A comercialização também registrou quedas: -10% nas contratações (R$ 27,2 bilhões) e -16% nas concessões (R$ 25,5 bilhões).
O boletim aponta que a retração no investimento reflete a cautela do setor diante das taxas de juros vigentes, em um contexto de expectativa de queda da Selic em torno de 2 pontos percentuais até o fim de 2026.
Entre os principais programas, o Prodecoop foi o único a registrar crescimento (+20%), com R$ 900 milhões concedidos. Os demais apresentaram queda, porém em

Foto: Gilson Abreu
percentuais menores do que os observados no mês passado.
O total de contratos firmados no período recuou 24%, passando de 534.351 para 408.353 operações. Por segmento, o Pronamp registrou 156.485 contratos, enquanto os demais produtores somaram 127.615 contratos. As operações vinculadas a CPR totalizaram 125.310 contratos.
Na regionalização, a região Sul mantém a liderança no número de operações, enquanto o Sudeste lidera em termos de valores.
Fontes de recursos
As fontes controladas de crédito rural totalizaram R$ 106,5 bilhões em concessões, com redução de 7%. Entre as principais fontes, os Recursos Obrigatórios cresceram 19%, somando R$ 42,8 bilhões. A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) Controlada teve crescimento expressivo de 3.564%, alcançando R$ 26,9 bilhões. A Poupança Rural Controlada somou R$ 7,5 bilhões em recursos concedidos e os Fundos Constitucionais somaram R$ 14,5 bilhões.

Foto: Shutterstock
As fontes não controladas atingiram R$ 97,3 bilhões. A LCA, com R$ 47,8 bilhões, e a Poupança Rural Livre, com R$ 44,4 bilhões e crescimento de 39%, são os destaques. O BNDES Livre recuou 11%, somando R$ 4,4 bilhões.
Execução do Plano Safra
Até março de 2026, do total de R$ 113,4 bilhões em recursos equalizáveis programados para o Plano Safra 2025/2026, foram concedidos R$ 43,4 bilhões, representando 38% da execução, com saldo de 62% ainda a ser contratado.
Para o custeio, foram concedidos R$ 24,7 bilhões dos R$ 63,0 bilhões programados (39% executado). No investimento, R$ 18,4 bilhões foram concedidos dos R$ 49,5 bilhões previstos (37% executado). Na comercialização, R$ 307 milhões dos R$ 845 milhões programados foram aplicados (36% executado).
O Banco do Brasil lidera a execução, com R$ 7,1 bilhões em custeio (34% do programado) e R$ 7,0 bilhões em investimento (39%). O Sistema de Cooperativas Financeiras do Brasil (Sicoob) executou 59% do seu volume de custeio programado (R$ 5,6 bilhões), e o Sistema Cresol concluiu 100% das metas previstas nessa modalidade. No segmento de investimento, o Sicoob executou 69% do programado.
Há ainda R$ 21,7 bilhões em crédito já contratado mas ainda não concedido, dos quais R$ 10,8 bilhões referem-se a financiamentos sem vínculo com programa

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
específico, R$ 2,2 bilhões ao Pronamp, R$ 0,9 bilhão ao PCA, e R$ 0,6 bilhão cada para Funcafé e Moderfrota.
Perspectivas
“O Boletim do Crédito Rural de julho/2025 a março/2026 revela um setor agropecuário que mantém a trajetória de crescimento no volume global de recursos, com destaque para a expansão da CPR e da industrialização. Ao mesmo tempo, a retração nas linhas de investimento e custeio convencional sinaliza maior seletividade dos produtores, associada ao ambiente de juros elevados”, explicou a SPA.
Os dados apontam ainda para expressivo potencial de crescimento até o encerramento do Plano Safra, com 62% dos recursos equalizáveis ainda disponíveis para contratação nos próximos meses.
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Rede pública do Paraná consome 21 mil toneladas de alimentos da agricultura familiar
Fornecimento envolve 220 cooperativas e prioriza produtores locais, com impacto direto na renda rural e na economia regional.

O Paraná serve diariamente 1,5 milhão de refeições a cerca de 1,2 milhão de estudantes matriculados na rede pública, com quase 40% dos alimentos provenientes da agricultura familiar (AF), base de um modelo que integra segurança alimentar, desempenho escolar e renda no campo.

Foto: Divulgação/Fundepar
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) movimentou R$ 187 milhões em 2025 no Estado e envolve diretamente mais de 24 mil famílias em quase 220 cooperativas, responsáveis por produzir 21 mil toneladas de alimentos destinados às escolas.
Mesmo com a ampliação, em 2026, do percentual mínimo obrigatório de compras da agricultura familiar com recursos federais (de 30% para 45%) o Paraná já supera essa exigência desde 2018, ao destinar a totalidade desses recursos para essa finalidade.
Impacto educacional
Alimentos mais saudáveis nas escolas públicas, oriundos da AF, estão diretamente associados ao melhor desempenho dos alunos nas disciplinas de português e matemática. É o que aponta estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2024, com base em dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Foto: José Fernando Ogura/AEN
A pesquisa indica que escolas que ampliam a compra desses produtos registram ganhos nas notas, com aumento de até 3,3 pontos em matemática e quase 3 pontos em português. O impacto está ligado a fatores como melhor nutrição, maior concentração em sala e redução de problemas de saúde que afetam a aprendizagem.
Os indicadores reforçam que a alimentação escolar vai além da nutrição, pois se trata de um fator pedagógico relevante, capaz de influenciar o aprendizado e o rendimento acadêmico dos estudantes.
Para o secretário de Estado da Educação (Seed-PR), Roni Miranda, a AF ocupa um papel central na alimentação escolar porque conecta três pilares fundamentais de uma política pública eficiente: qualidade nutricional, desenvolvimento econômico e equidade social. “Ao levar alimentos frescos, saudáveis e diversificados para as escolas, garantimos melhores condições de aprendizagem, ao mesmo tempo em que fortalecemos a renda de milhares de famílias e incentivamos a produção local em todas as regiões do estado”, afirma.
Diversidade alimentar
O alcance da política reflete na estrutura da rede: são cerca de 2.080 escolas atendidas, incluindo 485 unidades do campo, 31 agrícolas e 42 indígenas e quilombolas. Ao todo, 108 itens da agricultura familiar compõem os cardápios, com predominância de alimentos in natura, como frutas (30%), hortaliças (25%) e laticínios (20%), além de panificados (10%) e outros produtos (15%).
De acordo com Andrea Bruginski, responsável técnica pelo PNAE do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), a AF propôs uma

Foto: Karina Audrey/Fundepar
transformação significativa no perfil dos hábitos escolares e nos cardápios oferecidos aos estudantes. “Hoje, a alimentação escolar é marcada pela presença de produtos frescos, com alto valor nutricional e ampla diversidade, garantindo cardápios mais equilibrados, saudáveis e atrativos para os estudantes. Esse modelo contribui para melhores hábitos alimentares e maior aceitação das refeições”, diz.
Entre os alimentos naturais servidos na alimentação das escolas, a banana lidera o fornecimento em quantidade em todas regiões, com destaque para a Metropolitana (770 toneladas), Norte Central (596 toneladas) e Oeste (256 toneladas), indicando alta capacidade de fornecimento contínuo. Na sequência aparece o leite pasteurizado, com maior volume na Metropolitana (721 mil litros), Norte Central (582 mil litros) e Noroeste (288 mil litros).
Ocupando o terceiro posto no ranking, a laranja ocupa papel relevante no Norte Central (214 toneladas), Noroeste (117 toneladas) e Sudoeste (92 toneladas), reforçando a oferta de vitaminas na alimentação escolar. Outros itens de destaque são iogurte, repolho, batata-doce, alface e maçã, pois têm presença recorrente em diversas regiões, fortalecendo a segurança alimentar e impulsionando a economia local.
Controle e qualidade
A alimentação escolar abastecida pela agricultura familiar no Paraná conta com um sistema rigoroso de inspeção para garantir a qualidade dos produtos adquiridos. O controle envolve desde a produção até a entrega dos alimentos nas escolas, assegurando padrões sanitários, nutricionais e de rastreabilidade.

Foto: José Fernando Ogura/AEN
A fiscalização inclui o cumprimento de normas de higiene, armazenamento e transporte, além da exigência de certificação para produtos de origem animal e certificação de produtos orgânicos. Nutricionistas da rede estadual também acompanham se os alimentos atendem aos cardápios escolares, considerando valor nutricional e diversidade alimentar.
Outro ponto central é a rastreabilidade, que permite identificar a origem dos produtos e prioriza fornecedores locais selecionados por meio de chamada pública. Esse modelo facilita o controle e fortalece a economia regional.
No Estado, o processo é coordenado pelo Fundepar, com apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), que orienta os produtores, e do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), responsável por análises laboratoriais. As vigilâncias sanitárias municipais também participam da fiscalização.
Seleção de fornecedores
A escolha dos fornecedores ocorre por meio de chamadas públicas no âmbito do PNAE, com base em critérios técnicos definidos em edital e sem concorrência por

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
menor preço.
O modelo prioriza produtores locais e inclusão social, dando preferência a agricultores do próprio município ou região, além de grupos como assentamentos da reforma agrária, comunidades indígenas, quilombolas e mulheres associadas.
Em 2025, 217 cooperativas e associações participaram do último processo. As entidades selecionadas firmam contratos com duração inicial de um ano, com possibilidade de prorrogação por até cinco, o que garante previsibilidade para a produção e regularidade no abastecimento das escolas.

Foto: Karina Audrey/Fundepar
Força do campo
O Paraná atualmente contabiliza mais de 24 mil registros de CAF (Cadastro da Agricultura Familiar) distribuídos pelas regiões, com forte concentração no Sudoeste (5.540) e no Norte Central (4.261), que lideram em números. Na sequência, aparecem o Oeste (3.015) e o Centro-Sul (2.698), reforçando o peso dessas regiões na produção rural.
No Norte Central, estão cidades como Londrina, Maringá, Apucarana e Arapongas. O Noroeste inclui Umuarama, Paranavaí e Cianorte. O Oeste reúne municípios como Cascavel, Toledo e Foz do Iguaçu, enquanto o Sudoeste abrange Francisco Beltrão, Pato Branco e Dois Vizinhos. No Leste, a Região Metropolitana de Curitiba compreende diversas cidades, entre elas Curitiba, São José dos Pinhais, Colombo e Araucária. Já o Centro-Sul inclui municípios como Guarapuava, Irati e União da Vitória.
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Produção brasileira de carnes deve alcançar 33,38 milhões de toneladas em 2026
Conab projeta recorde histórico para aves e suínos, exportações em alta e recuo de 5,3% na bovinocultura com efeito da cota chinesa e do ciclo pecuário.

A produção de carne suína e de frango deverá atingir neste ano o maior patamar na série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), superando as 22 milhões de toneladas quando somadas. Com a inclusão da carne bovina, o valor total estimado para a produção das três proteínas é de 33,38 milhões de toneladas, volume próximo ao estimado para 2025, quando o Brasil registrou produção recorde. Essa tendência é acompanhada do aumento da disponibilidade interna de carne de aves e de suínos, como aponta o Quadro de Suprimento da Conab.

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Em termos percentuais, a produção de carne suína apresenta o maior incremento previsto em relação a 2025, aproximando-se de 4%. Com o rebanho alcançando o melhor montante da série histórica, equivalente a 44,8 milhões de cabeças, estima-se que o total produzido da proteína chegue a 5,88 milhões de toneladas, superando os anos anteriores. “O cenário indica aumento da demanda e das exportações, impulsionadas pela abertura de novos mercados”, analisa o gerente de Fibras e Alimentos Básicos da Conab, Gabriel Rabello.
O país deve exportar cerca de 1,58 milhão de toneladas, o que representa um ganho de 6,1% em comparação a 2025 e confirma o crescimento progressivo do mercado, acentuado a partir de 2020, ano em que as exportações brasileiras de carne suína chegaram ao marco de milhão de toneladas. Mesmo com a alta nas vendas internacionais, também é esperado um aumento de 3,4% para a quantidade do produto no mercado interno, com disponibilidade de aproximadamente 4,33 milhões de toneladas.
Avicultura de corte
A avicultura de corte também segue a tendência de ultrapassagem da série histórica. A produção deve alcançar mais de 16 milhões de

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toneladas, consolidando a posição do Brasil como principal fornecedor mundial. Os dados sistematizados pela Companhia demonstram crescimento de 3,6% nas exportações, com estimativa de 5,34 milhões de toneladas. “As exportações devem continuar em ascensão em 2026, graças ao baixo impacto da gripe aviária no Brasil em comparação a outros países, reflexo das boas condições sanitárias que asseguram a qualidade e segurança da produção brasileira”, avalia Rabello.
No mercado interno, a disponibilidade prevista é de 10,85 milhões de toneladas. O incremento de 1,8% em relação ao ano anterior mantém as expectativas favoráveis para a comercialização do produto.
Produção de carne bovina
A Conab prevê uma leve queda na produção de carne bovina, que pode chegar a 5,3% em comparação a 2025. Ainda assim, neste ano o país deve registrar a segunda maior produção da série, estimada em 11,3 milhões de toneladas produzidas. O ano de 2025 foi simbólico para a bovinocultura brasileira.

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Além do recorde de produção na série histórica nacional, o país alcançou a posição de maior produtor mundial de carne, pela primeira vez, na série histórica elaborada desde 1960 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Com os investimentos em genética, nutrição e manejo que têm garantido maior produtividade ao plantel, a queda na produção pode ser inferior à prevista, avalia a Conab.
Ainda segundo a estimativa da Companhia, 4,35 milhões de toneladas devem ser exportadas, valores que, se avaliados no conjunto da série histórica da bovinocultura de corte, superam as taxas anuais registradas entre 2018 e 2024. A redução no volume de vendas neste ano reflete o início da reversão do ciclo pecuário e a cota de salvaguarda chinesa, em vigor desde 1° de janeiro.
Por meio da medida, a China, maior importadora da carne bovina brasileira nos últimos dois anos, limitou as exportações nacionais à cota

Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN
de 1,1 milhão de toneladas por ano, com pagamento de sobretaxa de 55% aos valores excedidos. O país asiático também estabeleceu cotas para outros exportadores da proteína, incluindo Argentina, Austrália e Uruguai. Nessa conjuntura, as exportações de carne bovina devem atingir um volume elevado na primeira metade do ano.
Ovos
As expectativas para a avicultura seguem aquecidas para a produção de ovos, com previsão de 51,2 bilhões de unidades, alta de 4,6% em relação ao resultado projetado para 2025, correspondente a 49 bilhões de unidades. O aumento da disponibilidade para o mercado interno é outro ponto de relevância da série de dados, completando o quadro favorável para a avicultura nacional.



