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Embrapa Suínos e Aves comemora 50 anos de contribuições à agropecuária brasileira
Começou em 26 de abril de 1973, quando o governo federal criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária como resposta às demandas de modernização do campo. Santa Catarina foi o berço do centro de pesquisa especializado em suinocultura, oficialmente instalado em Concórdia em junho de 1975.

No dia 13 de junho de 2025, a Embrapa Suínos e Aves completa 50 anos de atuação, consolidando-se como uma das principais referências em pesquisa e inovação nas cadeias produtivas de suínos e aves no Brasil. Localizada em Concórdia, no oeste catarinense, a unidade tem sido protagonista em avanços tecnológicos, sustentabilidade e integração com o setor produtivo.
A história da Embrapa começou em 26 de abril de 1973, quando o governo federal criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária como resposta às demandas de modernização do campo. Santa Catarina foi o berço do centro de pesquisa especializado em suinocultura, oficialmente instalado em Concórdia em junho de 1975. Três anos depois, a unidade incorporou também a avicultura, passando a se chamar Embrapa Suínos e Aves.
Desde então, as contribuições da Embrapa Suínos e Aves foram marcantes: desenvolvimento de vacinas, tabelas de composição de alimentos, testes diagnósticos e melhoramento genético estão entre os marcos. Segundo estudos, a unidade foi responsável por 40% do progresso técnico da suinocultura e 20% da avicultura entre 1975 e 2010. Nos últimos 15 anos, a Embrapa Suínos e Aves passou por um processo de modernização: ampliou laboratórios, reformulou estruturas, superou desafios como a pandemia de covid-19 e fortaleceu parcerias com universidades, empresas e instituições públicas. Programas como InovaPork e InovaAvi evidenciam o foco atual em inovação aberta e conexão com o ecossistema tecnológico. A sustentabilidade também tem ganhado protagonismo, com projetos de energia solar, reaproveitamento de água da chuva e reciclagem de resíduos. Tecnologias de ponta em biotecnologia e nanotecnologia reforçam o compromisso com um futuro mais eficiente e sustentável.
Para celebrar este meio século de história, a Embrapa promove uma série de ações comemorativas, com especial destaque para a solenidade de aniversário no próximo dia 13, nas suas dependências, no Distrito de Tamanduá, em Concórdia/SC. A solenidade será marcada pela apresentação da obra “Raízes, ciência e transformação: 50 anos de inovação da Embrapa Suínos e Aves”, que conta a história da Unidade e seus marcos de inovação ao longo das cinco décadas, e do lançamento do software BiosSui, que avalia de forma sistemática as condições de biosseguridade em granjas de produção de suínos baseado num protocolo multicritério. Os participantes da cerimônia poderão acompanhar as principais contribuições da Unidade por meio da exposição “50 Anos – No caminho da suinocultura e da avicultura”. Montada no hall do prédio administrativo, apresenta a trajetória da pesquisa na Unidade, baseada na linha do tempo, numa “divisão” de cinco décadas e a “abertura” de uma nova era (2025). Outras ações estão sendo preparadas para celebrar a data e ocorrerão ao longo do ano.
Para falar um pouco mais sobre o momento histórico, acompanhe uma entrevista especial com o chefe-geral da Unidade, o pesquisador Everton Luís Krabbe. Na conversa, ele comenta os principais marcos da instituição, os desafios enfrentados e as perspectivas para os próximos anos. A entrevista pode ser clicando aqui.
Como você se sente liderando a Embrapa Suínos e Aves neste marco tão significativo dos 50 anos?
Muito feliz pelos 50 anos da Embrapa Suínos e Aves, embora eu tenha participado só dos 15 últimos anos dessa história. Mas eu tenho conversado muito com colegas desde o primeiro dia que eu cheguei aqui nessa unidade. Eu sempre tive uma curiosidade muito grande de entender como que foi a trajetória da Embrapa e os relatos. Estou falando de 1975, quando começou a história, a trajetória da Embrapa, primeiro momento o trabalho com suínos e alguns anos mais tarde com aves. É surpreendente os relatos. Elas estão falando de uma cultura dos últimos 20, 30 anos e fica visível o quanto evoluiu. Então, muito feliz por estar participando desse momento dos 50 anos e ao mesmo tempo preocupado também.
Por que estou preocupado? É pela dinâmica dessas cadeias de produção de aves suínos. Nós somos referência mundial hoje na avicultura, na suinocultura. Ninguém tem os resultados que nós temos. E isso significa que nós precisamos buscar ganhos cada dia maiores. E a ciência tem que fazer parte disso. A Embrapa, uma Casa da Ciência, não a única do país. Ela está conectada com outras casas de ciência, tecnologia, universidades, enfim, outros centros. E é preocupante porque nós temos que buscar os pequenos detalhes. De áreas de atuação que tínhamos anteriormente com o que temos agora, a gente vai ter que fazer uma adaptação cada vez maior para estar com um pé na sua suinocultura e na avicultura de pequena e média escala, que precisa ser atendido, e outro na fronteira da ciência com coisas absolutamente disruptivas. Então é essa é a leitura. Mas chegar nos 50 anos é, sem sombra de dúvidas, algo fantástico. Nunca imaginei que eu estaria nesta posição nesse momento, mas eu vejo que muitos colegas também estão muito felizes com esse momento. Então acho que vai ser um ano muito especial.
Como a Embrapa evoluiu ao longo dessas cinco últimas décadas?
Essa é uma de uma pergunta que demanda tempo. E, como eu mencionei lá na década de 1970, as coisas eram bem diferentes do que são hoje. Então, vejo que essa evolução acontece em função de alguns drivers e da necessidade de cada momento. A necessidade inicialmente era para termos uma melhor eficiência produtiva e podermos produzir alimentos em quantidade, porque nós começamos na década de 1970 sendo um país importador de alimentos e carne. Considerando a realidade de hoje, então a necessidade daquele momento era produzir de uma maneira eficiente. Depois, por uma questão de competitividade e sustentabilidade, houve um crescimento e um adensamento das raças, das produções com vinda dos frigoríficos mais dignificados. Então houve, ali, uma diferença da organização da produção, veio a integração de culturas da agricultura, que padronizou os processos. Então, aí nós estamos falando da década de 1980, 1990, onde veio muito forte esse movimento da integração. E mais recentemente, a gente vem na onda da sustentabilidade, que é uma exigência. Faz todo o sentido.
Não dá para a gente pensar em não produzir de uma maneira sustentável, em todas as dimensões, não só na questão ambiental. E foi inicialmente uma das grandes preocupações, especialmente no setor da agricultura, que era a questão das tecnologias de tratamento de dejetos e o uso agronômico desses dejetos. Mas sempre também vem junto os desafios sanitários, que sempre pautaram muito fortemente a nossa agenda de trabalho e a competitividade. Nós temos que ter a clareza de que nós precisamos hoje continuar buscando coisas que a gente nunca sonhou, como por exemplo, você ter cada dia mais leitões desmamados por cada ano. Cada dia é uma ave mais competitiva. Eu costumo dizer que nós temos um frango de corte que nasce com 42 gramas, em 42 dias ele multiplica 84 vezes o seu peso de nascimento. Olha que loucura! Nasceu com 42 gramas, vive 42 dias e multiplica 84 vezes o seu peso de nascimento. Então isso a sociedade não entende. E nós temos a grande missão de explicar para o consumidor o que de fato faz a agricultura tão bem-sucedida, que é ter um conjunto de tecnologias. E assim, nunca se imaginou que chegasse onde chegou. E eu sou muito otimista. Eu acredito. Nós vamos muito além daquilo que nós já conseguimos alcançar até hoje. Então, resumindo, são momentos diversos com drivers diferentes e é claro, sempre muito forte e pautado por necessidades.
Qual a contribuição da Embrapa para a sociedade nos últimos 50 anos?
Quando a gente pensa muito sobre o que a Embrapa entregou para a sociedade ao longo dos 50 anos percebemos que nem sempre são produtos. A Embrapa entregou produtos, como os materiais genéticos, em diferentes momentos, com diferentes características, tanto de aves quanto de suínos. Nós entregamos metodologias de análise. Nós ajudamos na solução de vários problemas sanitários nesse país. Mas a Embrapa entregou uma coisa para a sociedade – e em todos os centros da Embrapa fazem isso – que são políticas públicas.
Tivemos uma participação muito importante em vários momentos ao longo dessa trajetória de 50 anos, no sentido de ajudar o Brasil a definir políticas públicas para problemas que estavam conectados com a avicultura e a suinocultura. Recentemente, e como um bom destaque, está a questão da inspeção com base em riscos. Lá atrás tivemos forte contribuição com a questão ambiental da suinocultura. Então, ao longo de todas essas cinco décadas, a Embrapa Suínos e Aves trouxe muitas políticas públicas importantes. Temos, em média, contribuição por ano em dez políticas públicas. Isso é bem expressivo e difícil de quantificar e monetizar o que representa uma contribuição, uma política pública. Mas eu não tenho dúvida de que isso ajudou muito o país a se estabelecer.
Como a sustentabilidade é incorporada nas pesquisas e soluções oferecidas pela Embrapa?

Chefe-geral da Unidade, o pesquisador Everton Luís Krabbe, Everton Krabbe
A sustentabilidade não é um termo novo. Todo mundo escuta falar de sustentabilidade há bastante tempo, talvez mais de duas décadas. Mas recentemente as empresas começaram muito fortemente a trazer a tríade ESG. A sustentabilidade hoje, para nós aqui no Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves, passa a ocupar uma outra lógica na nossa agenda. Não olhamos mais aspectos isolados da sustentabilidade de como conseguiu ser mais eficiente na transformação do alimento em ganho de peso e sustentabilidade. Precisamos agora, e estamos trabalhando nisso, olhar para a integração de todas as tecnologias, para que a gente consiga fazer a geração de métricas de sustentabilidade. É a nossa meta trabalhar isso inicialmente com suínos e, já na sequência, entrar na avicultura também para gerar as métricas de sustentabilidade. Porque o que se observa é que todo mundo fala em sustentabilidade, mas nem todo mundo está falando da mesma coisa.
Então, o que nós queremos é estabelecer os critérios e começar a medir as diferentes realidades do país e poder mostrar o que é a sustentabilidade brasileira na dimensão social, ambiental, econômica e na dimensão dos animais também. Então é isso que a gente está trabalhando nesse momento. De fato, a sustentabilidade tem que vir de todas as áreas, da ambiência, da sanidade, enfim, da genética. Tudo junto é que faz com que a gente consiga ser sustentável.
Como a Embrapa trabalha com o desafio constante da inovação?
Esse é um outro desafio que a Embrapa tem tratado com bastante atenção nos últimos anos. Acredito que na última década isso veio muito fortemente, que percebemos que o mundo começou a ser fortemente movido por inovação e tecnologias disruptivas, e assim por diante. Não poderia ser diferente na Embrapa. Aqui temos um programa, o Inova que fomos aprendendo, evoluindo e começamos de maneira mais instituída e já organizada ainda em 2019. Estamos sempre trabalhando sobre o prisma da inovação e, basicamente, para a Embrapa, inovar não é fazer isso só dentro de casa.
A nossa inovação tem que ser feita com o setor produtivo, com o setor privado. Então temos trabalhado muito numa lógica de prospecção sobre quais são os temas importantes, onde cabe a inovação, onde precisa de tecnologia. E a partir disso lançamos editais e buscamos parceiros que tenham interesse em usar a tecnologia e também parceiros que tenham interesse em desenvolver essa tecnologia junto com a gente. É assim que olhamos. A inovação hoje é algo ainda recente, mas na minha leitura evoluiu bastante e é um processo de aprendizado. Você vai fazendo sistematicamente e você vai melhorando em relação ao ano anterior. Mas começamos bem, estamos andando bem.
Como a Embrapa lida com as mudanças e as exigências dos mercados nacional e internacional?
Essa é uma pergunta importante e complemento: o que a avicultura suinocultura brasileira tem de diferente em relação ao resto do mundo. E eu diria que é a agilidade. O Brasil tem uma característica de fazer as coisas muito rapidamente e se ajusta a necessidades de mercado, especialmente aquelas que vêm de fora. Por isso que o Brasil tem hoje acesso há mais de 150 mercados para proteína de aves e mais de 100 mercados para a proteína de suínos. E seguimos crescendo ao longo dos anos. Nesse aspecto, então, qual é o desafio? Num centro como o nosso em relação à essa característica brasileira, que é a adaptação e a agilidade, o nosso desafio é fazer parte desse processo com a agilidade que o setor demanda. E não é algo muito simples. E por quê? Porque, como eu mencionei, fazemos parte de desenvolvimento de tecnologia, mas também muitas vezes trabalhando numa lógica de política pública. E para embasar uma política pública precisa de um conjunto robusto de informações. Não é um experimento isolado que resolve ou responde ou subsidia uma política pública.
O grande desafio é fazer uma máquina pesada como a Embrapa, que está preocupada com o bem-estar, com a biosseguridade, com as pessoas, ser ágil também no sentido de atendimento da necessidade imediata das cadeias. Então, é isso que a gente tem tentado fazer sistematicamente. Na minha leitura também acredito que a gente conseguiu evoluir. Isso é uma cultura que precisa ser trabalhada. Mas eu vejo que ao longo dos últimos anos, nós nos tornamos mais ágeis no sentido de acompanhar um pouco mais rapidamente esse movimento. Agora, falando de ciência, a gente não consegue fazer o que o setor privado faz. A ciência leva seu tempo. Então a gente está tentando trazer cronogramas de anos, cinco anos para três anos e três anos para dois anos. Mas ainda assim, ciência requer tempo. Então, esse é um dos grandes desafios que a gente está tentando enfrentar nesse novo mundo acelerado.
Como a Embrapa pretende se manter relevante diante da revolução digital e de novas demandas da sociedade?
Esse é um ponto crucial: manter-se relevante para a sociedade. Todos os dias penso nisso: o que temos que fazer para nos mantermos relevantes para a sociedade? A nossa história é rica, é muito exitosa. Agora, daqui para frente, o mais importante de tudo é, primeiro entender o que é que a sociedade precisa. Para isso a prospecção dentro da rotina de um centro como o nosso precisa estar muito ativa. E isso a gente faz pelas áreas de transferência de tecnologia, participando de feiras, temos canais de comunicação com o setor, recebemos pessoas aqui e atuamos à campo verificando diretamente com parceiros e usuários de tecnologias como está nossa inserção. Enfim, a prospecção do que precisa ser feito é fundamental. Não adianta criar coisas e soluções para problemas que não existem.
A segunda questão são as pessoas. Nós temos que trabalhar o capital humano, porque quem faz a pesquisa, quem pensa a pesquisa são as pessoas. Precisamos fazer um investimento sistemático na atualização das pessoas. É um desafio grande, porque o mundo está acelerado e como fazer uma pessoa dividir seu tempo entre o seu projeto ou os seus projetos? Nós temos muitos colegas que trabalham com vários projetos simultaneamente. Essa pessoa precisa ter força e tempo e condição de espírito para poder se atualizar. Então esse é o grande desafio: investir em pessoas, saber o que tem que ser feito e termos uma infraestrutura atualizada. E a gente está sendo e está tendo um momento importante aqui no nosso centro, que é o Plano de Aceleração de Crescimento – PAC da Embrapa. Em 2024 fizemos uma série de aquisições de equipamentos para modernizar os nossos laboratórios e temos a meta de fazer obras de ampliações, modernizações e obras. Esse é o momento em que a gente se encontra agora, investir em infraestrutura e equipamentos. Estamos trabalhando nisso. As pessoas estarem motivadas e capacitadas é um desafio. Temos isso muito claro, que precisamos fazer sistematicamente e, por fim, saber o que tem que ser feito. Então eu acho que é isso e essa tríade aí, que é o que faz com que a gente consiga estar participativo do desenvolvimento das cadeias.
Quais os planos estratégicos da Embrapa Suínos e Aves para os próximos anos?
Todos os anos fazemos um planejamento para o ano seguinte, mas também o que orienta muito nossas ações é o Plano Diretor da Embrapa. O documento, de tempos em tempos, é revisitado e atualizado de acordo com o que precisa ser feito. Temos muito claramente quais são os nossos objetivos estratégicos e são vários: de economia, sustentabilidade, saudabilidade, etc. Alguns objetivos são internos, como o de modernização, que é importantíssimo para a gente se manter atualizado. Isso que orienta esse nosso planejamento para cinco, dez anos. Agora, é muito difícil de antever algumas coisas. Por exemplo, problemas sanitários. Eles surgem eventualmente do nada e temos que estar sempre preparados. Então faz parte do nosso planejamento estratégico ter pessoas e infraestrutura cada vez mais preparados. Por exemplo, para podermos desenvolver vacinas é importantíssimo termos um laboratório estruturado e adequado, modernizado para podermos trabalhar com agentes causadores de doenças importantes.
A Embrapa teve uma contribuição extremamente importante em nosso centro na época da covid-19. Gosto de salientar isso pois na época contribuímos muito e ficamos como uma estrutura de retaguarda, de apoio para o sistema de saúde humana. E agora estamos trabalhando na influenza aviária, em influenza suína e em outras doenças importantes da saúde animal. Isso é o DNA da Unidade. Então é por aí.
Precisamos estar preparados e com uma agenda estratégica, que pode mudar a qualquer minuto, dependendo do que eventualmente surja e que não estava previsto. Na questão de estratégica não posso deixar de mencionar que estamos também focados nas questões das mudanças do clima, dos extremos climáticos. Entendemos que a suinocultura e a avicultura estão inseridas nesse contexto. Faz parte da nossa visão para o futuro termos tecnologias que amenizem um pouco esses extremos e que permitam que a nossa avicultura e suinocultura continuem eficientes, produzindo alimentos de qualidade para a sociedade.
Qual a mensagem para os empregados, parceiros e produtores que fazem parte dos 50 anos da Embrapa Suínos e Aves?
Começando por agradecimento. Acredito que a Embrapa, o nosso centro, não fez, não chegou e não caminhou sozinho. Nós só chegamos onde chegamos porque tivemos sempre muito respaldo junto ao setor produtivo, muito respaldo junto às instituições de ciência e tecnologia. Assim, enfim, às entidades governamentais, seja ela municipal, estadual ou federal. Sempre tivemos uma boa conexão com as empresas de assistência técnica, institutos de meio ambiente e assim por diante. Então, primeiro agradecer a todos de fora da Unidade, nossos parceiros, e a todos de dentro da Unidade, porque nós tivemos aqui pessoas que contribuíram muito e que outras seguem contribuindo ainda até hoje na nossa rotina e na nossa trajetória.
E assim dizer que internamente precisamos estar sempre de prontidão e abertos aos desafios que sequer imaginamos que existam ou que poderão vir a existir. Temos que estar sempre com a nossa cabeça aberta e dispostos a ajudar. Acredito que é por aí e tenho a plena convicção de que nós ainda teremos muitos desafios, mas também tenho a certeza de que nós temos condições no enfrentamento desses desafios futuros. E isso se faz através de pessoas. Procedimentos vieram daqueles produtos que precisam ser gerados para solucionar esses problemas.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



