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Embrapa Suínos e Aves comemora 50 anos de contribuições à agropecuária brasileira
Começou em 26 de abril de 1973, quando o governo federal criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária como resposta às demandas de modernização do campo. Santa Catarina foi o berço do centro de pesquisa especializado em suinocultura, oficialmente instalado em Concórdia em junho de 1975.

No dia 13 de junho de 2025, a Embrapa Suínos e Aves completa 50 anos de atuação, consolidando-se como uma das principais referências em pesquisa e inovação nas cadeias produtivas de suínos e aves no Brasil. Localizada em Concórdia, no oeste catarinense, a unidade tem sido protagonista em avanços tecnológicos, sustentabilidade e integração com o setor produtivo.
A história da Embrapa começou em 26 de abril de 1973, quando o governo federal criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária como resposta às demandas de modernização do campo. Santa Catarina foi o berço do centro de pesquisa especializado em suinocultura, oficialmente instalado em Concórdia em junho de 1975. Três anos depois, a unidade incorporou também a avicultura, passando a se chamar Embrapa Suínos e Aves.
Desde então, as contribuições da Embrapa Suínos e Aves foram marcantes: desenvolvimento de vacinas, tabelas de composição de alimentos, testes diagnósticos e melhoramento genético estão entre os marcos. Segundo estudos, a unidade foi responsável por 40% do progresso técnico da suinocultura e 20% da avicultura entre 1975 e 2010. Nos últimos 15 anos, a Embrapa Suínos e Aves passou por um processo de modernização: ampliou laboratórios, reformulou estruturas, superou desafios como a pandemia de covid-19 e fortaleceu parcerias com universidades, empresas e instituições públicas. Programas como InovaPork e InovaAvi evidenciam o foco atual em inovação aberta e conexão com o ecossistema tecnológico. A sustentabilidade também tem ganhado protagonismo, com projetos de energia solar, reaproveitamento de água da chuva e reciclagem de resíduos. Tecnologias de ponta em biotecnologia e nanotecnologia reforçam o compromisso com um futuro mais eficiente e sustentável.
Para celebrar este meio século de história, a Embrapa promove uma série de ações comemorativas, com especial destaque para a solenidade de aniversário no próximo dia 13, nas suas dependências, no Distrito de Tamanduá, em Concórdia/SC. A solenidade será marcada pela apresentação da obra “Raízes, ciência e transformação: 50 anos de inovação da Embrapa Suínos e Aves”, que conta a história da Unidade e seus marcos de inovação ao longo das cinco décadas, e do lançamento do software BiosSui, que avalia de forma sistemática as condições de biosseguridade em granjas de produção de suínos baseado num protocolo multicritério. Os participantes da cerimônia poderão acompanhar as principais contribuições da Unidade por meio da exposição “50 Anos – No caminho da suinocultura e da avicultura”. Montada no hall do prédio administrativo, apresenta a trajetória da pesquisa na Unidade, baseada na linha do tempo, numa “divisão” de cinco décadas e a “abertura” de uma nova era (2025). Outras ações estão sendo preparadas para celebrar a data e ocorrerão ao longo do ano.
Para falar um pouco mais sobre o momento histórico, acompanhe uma entrevista especial com o chefe-geral da Unidade, o pesquisador Everton Luís Krabbe. Na conversa, ele comenta os principais marcos da instituição, os desafios enfrentados e as perspectivas para os próximos anos. A entrevista pode ser clicando aqui.
Como você se sente liderando a Embrapa Suínos e Aves neste marco tão significativo dos 50 anos?
Muito feliz pelos 50 anos da Embrapa Suínos e Aves, embora eu tenha participado só dos 15 últimos anos dessa história. Mas eu tenho conversado muito com colegas desde o primeiro dia que eu cheguei aqui nessa unidade. Eu sempre tive uma curiosidade muito grande de entender como que foi a trajetória da Embrapa e os relatos. Estou falando de 1975, quando começou a história, a trajetória da Embrapa, primeiro momento o trabalho com suínos e alguns anos mais tarde com aves. É surpreendente os relatos. Elas estão falando de uma cultura dos últimos 20, 30 anos e fica visível o quanto evoluiu. Então, muito feliz por estar participando desse momento dos 50 anos e ao mesmo tempo preocupado também.
Por que estou preocupado? É pela dinâmica dessas cadeias de produção de aves suínos. Nós somos referência mundial hoje na avicultura, na suinocultura. Ninguém tem os resultados que nós temos. E isso significa que nós precisamos buscar ganhos cada dia maiores. E a ciência tem que fazer parte disso. A Embrapa, uma Casa da Ciência, não a única do país. Ela está conectada com outras casas de ciência, tecnologia, universidades, enfim, outros centros. E é preocupante porque nós temos que buscar os pequenos detalhes. De áreas de atuação que tínhamos anteriormente com o que temos agora, a gente vai ter que fazer uma adaptação cada vez maior para estar com um pé na sua suinocultura e na avicultura de pequena e média escala, que precisa ser atendido, e outro na fronteira da ciência com coisas absolutamente disruptivas. Então é essa é a leitura. Mas chegar nos 50 anos é, sem sombra de dúvidas, algo fantástico. Nunca imaginei que eu estaria nesta posição nesse momento, mas eu vejo que muitos colegas também estão muito felizes com esse momento. Então acho que vai ser um ano muito especial.
Como a Embrapa evoluiu ao longo dessas cinco últimas décadas?
Essa é uma de uma pergunta que demanda tempo. E, como eu mencionei lá na década de 1970, as coisas eram bem diferentes do que são hoje. Então, vejo que essa evolução acontece em função de alguns drivers e da necessidade de cada momento. A necessidade inicialmente era para termos uma melhor eficiência produtiva e podermos produzir alimentos em quantidade, porque nós começamos na década de 1970 sendo um país importador de alimentos e carne. Considerando a realidade de hoje, então a necessidade daquele momento era produzir de uma maneira eficiente. Depois, por uma questão de competitividade e sustentabilidade, houve um crescimento e um adensamento das raças, das produções com vinda dos frigoríficos mais dignificados. Então houve, ali, uma diferença da organização da produção, veio a integração de culturas da agricultura, que padronizou os processos. Então, aí nós estamos falando da década de 1980, 1990, onde veio muito forte esse movimento da integração. E mais recentemente, a gente vem na onda da sustentabilidade, que é uma exigência. Faz todo o sentido.
Não dá para a gente pensar em não produzir de uma maneira sustentável, em todas as dimensões, não só na questão ambiental. E foi inicialmente uma das grandes preocupações, especialmente no setor da agricultura, que era a questão das tecnologias de tratamento de dejetos e o uso agronômico desses dejetos. Mas sempre também vem junto os desafios sanitários, que sempre pautaram muito fortemente a nossa agenda de trabalho e a competitividade. Nós temos que ter a clareza de que nós precisamos hoje continuar buscando coisas que a gente nunca sonhou, como por exemplo, você ter cada dia mais leitões desmamados por cada ano. Cada dia é uma ave mais competitiva. Eu costumo dizer que nós temos um frango de corte que nasce com 42 gramas, em 42 dias ele multiplica 84 vezes o seu peso de nascimento. Olha que loucura! Nasceu com 42 gramas, vive 42 dias e multiplica 84 vezes o seu peso de nascimento. Então isso a sociedade não entende. E nós temos a grande missão de explicar para o consumidor o que de fato faz a agricultura tão bem-sucedida, que é ter um conjunto de tecnologias. E assim, nunca se imaginou que chegasse onde chegou. E eu sou muito otimista. Eu acredito. Nós vamos muito além daquilo que nós já conseguimos alcançar até hoje. Então, resumindo, são momentos diversos com drivers diferentes e é claro, sempre muito forte e pautado por necessidades.
Qual a contribuição da Embrapa para a sociedade nos últimos 50 anos?
Quando a gente pensa muito sobre o que a Embrapa entregou para a sociedade ao longo dos 50 anos percebemos que nem sempre são produtos. A Embrapa entregou produtos, como os materiais genéticos, em diferentes momentos, com diferentes características, tanto de aves quanto de suínos. Nós entregamos metodologias de análise. Nós ajudamos na solução de vários problemas sanitários nesse país. Mas a Embrapa entregou uma coisa para a sociedade – e em todos os centros da Embrapa fazem isso – que são políticas públicas.
Tivemos uma participação muito importante em vários momentos ao longo dessa trajetória de 50 anos, no sentido de ajudar o Brasil a definir políticas públicas para problemas que estavam conectados com a avicultura e a suinocultura. Recentemente, e como um bom destaque, está a questão da inspeção com base em riscos. Lá atrás tivemos forte contribuição com a questão ambiental da suinocultura. Então, ao longo de todas essas cinco décadas, a Embrapa Suínos e Aves trouxe muitas políticas públicas importantes. Temos, em média, contribuição por ano em dez políticas públicas. Isso é bem expressivo e difícil de quantificar e monetizar o que representa uma contribuição, uma política pública. Mas eu não tenho dúvida de que isso ajudou muito o país a se estabelecer.
Como a sustentabilidade é incorporada nas pesquisas e soluções oferecidas pela Embrapa?

Chefe-geral da Unidade, o pesquisador Everton Luís Krabbe, Everton Krabbe
A sustentabilidade não é um termo novo. Todo mundo escuta falar de sustentabilidade há bastante tempo, talvez mais de duas décadas. Mas recentemente as empresas começaram muito fortemente a trazer a tríade ESG. A sustentabilidade hoje, para nós aqui no Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves, passa a ocupar uma outra lógica na nossa agenda. Não olhamos mais aspectos isolados da sustentabilidade de como conseguiu ser mais eficiente na transformação do alimento em ganho de peso e sustentabilidade. Precisamos agora, e estamos trabalhando nisso, olhar para a integração de todas as tecnologias, para que a gente consiga fazer a geração de métricas de sustentabilidade. É a nossa meta trabalhar isso inicialmente com suínos e, já na sequência, entrar na avicultura também para gerar as métricas de sustentabilidade. Porque o que se observa é que todo mundo fala em sustentabilidade, mas nem todo mundo está falando da mesma coisa.
Então, o que nós queremos é estabelecer os critérios e começar a medir as diferentes realidades do país e poder mostrar o que é a sustentabilidade brasileira na dimensão social, ambiental, econômica e na dimensão dos animais também. Então é isso que a gente está trabalhando nesse momento. De fato, a sustentabilidade tem que vir de todas as áreas, da ambiência, da sanidade, enfim, da genética. Tudo junto é que faz com que a gente consiga ser sustentável.
Como a Embrapa trabalha com o desafio constante da inovação?
Esse é um outro desafio que a Embrapa tem tratado com bastante atenção nos últimos anos. Acredito que na última década isso veio muito fortemente, que percebemos que o mundo começou a ser fortemente movido por inovação e tecnologias disruptivas, e assim por diante. Não poderia ser diferente na Embrapa. Aqui temos um programa, o Inova que fomos aprendendo, evoluindo e começamos de maneira mais instituída e já organizada ainda em 2019. Estamos sempre trabalhando sobre o prisma da inovação e, basicamente, para a Embrapa, inovar não é fazer isso só dentro de casa.
A nossa inovação tem que ser feita com o setor produtivo, com o setor privado. Então temos trabalhado muito numa lógica de prospecção sobre quais são os temas importantes, onde cabe a inovação, onde precisa de tecnologia. E a partir disso lançamos editais e buscamos parceiros que tenham interesse em usar a tecnologia e também parceiros que tenham interesse em desenvolver essa tecnologia junto com a gente. É assim que olhamos. A inovação hoje é algo ainda recente, mas na minha leitura evoluiu bastante e é um processo de aprendizado. Você vai fazendo sistematicamente e você vai melhorando em relação ao ano anterior. Mas começamos bem, estamos andando bem.
Como a Embrapa lida com as mudanças e as exigências dos mercados nacional e internacional?
Essa é uma pergunta importante e complemento: o que a avicultura suinocultura brasileira tem de diferente em relação ao resto do mundo. E eu diria que é a agilidade. O Brasil tem uma característica de fazer as coisas muito rapidamente e se ajusta a necessidades de mercado, especialmente aquelas que vêm de fora. Por isso que o Brasil tem hoje acesso há mais de 150 mercados para proteína de aves e mais de 100 mercados para a proteína de suínos. E seguimos crescendo ao longo dos anos. Nesse aspecto, então, qual é o desafio? Num centro como o nosso em relação à essa característica brasileira, que é a adaptação e a agilidade, o nosso desafio é fazer parte desse processo com a agilidade que o setor demanda. E não é algo muito simples. E por quê? Porque, como eu mencionei, fazemos parte de desenvolvimento de tecnologia, mas também muitas vezes trabalhando numa lógica de política pública. E para embasar uma política pública precisa de um conjunto robusto de informações. Não é um experimento isolado que resolve ou responde ou subsidia uma política pública.
O grande desafio é fazer uma máquina pesada como a Embrapa, que está preocupada com o bem-estar, com a biosseguridade, com as pessoas, ser ágil também no sentido de atendimento da necessidade imediata das cadeias. Então, é isso que a gente tem tentado fazer sistematicamente. Na minha leitura também acredito que a gente conseguiu evoluir. Isso é uma cultura que precisa ser trabalhada. Mas eu vejo que ao longo dos últimos anos, nós nos tornamos mais ágeis no sentido de acompanhar um pouco mais rapidamente esse movimento. Agora, falando de ciência, a gente não consegue fazer o que o setor privado faz. A ciência leva seu tempo. Então a gente está tentando trazer cronogramas de anos, cinco anos para três anos e três anos para dois anos. Mas ainda assim, ciência requer tempo. Então, esse é um dos grandes desafios que a gente está tentando enfrentar nesse novo mundo acelerado.
Como a Embrapa pretende se manter relevante diante da revolução digital e de novas demandas da sociedade?
Esse é um ponto crucial: manter-se relevante para a sociedade. Todos os dias penso nisso: o que temos que fazer para nos mantermos relevantes para a sociedade? A nossa história é rica, é muito exitosa. Agora, daqui para frente, o mais importante de tudo é, primeiro entender o que é que a sociedade precisa. Para isso a prospecção dentro da rotina de um centro como o nosso precisa estar muito ativa. E isso a gente faz pelas áreas de transferência de tecnologia, participando de feiras, temos canais de comunicação com o setor, recebemos pessoas aqui e atuamos à campo verificando diretamente com parceiros e usuários de tecnologias como está nossa inserção. Enfim, a prospecção do que precisa ser feito é fundamental. Não adianta criar coisas e soluções para problemas que não existem.
A segunda questão são as pessoas. Nós temos que trabalhar o capital humano, porque quem faz a pesquisa, quem pensa a pesquisa são as pessoas. Precisamos fazer um investimento sistemático na atualização das pessoas. É um desafio grande, porque o mundo está acelerado e como fazer uma pessoa dividir seu tempo entre o seu projeto ou os seus projetos? Nós temos muitos colegas que trabalham com vários projetos simultaneamente. Essa pessoa precisa ter força e tempo e condição de espírito para poder se atualizar. Então esse é o grande desafio: investir em pessoas, saber o que tem que ser feito e termos uma infraestrutura atualizada. E a gente está sendo e está tendo um momento importante aqui no nosso centro, que é o Plano de Aceleração de Crescimento – PAC da Embrapa. Em 2024 fizemos uma série de aquisições de equipamentos para modernizar os nossos laboratórios e temos a meta de fazer obras de ampliações, modernizações e obras. Esse é o momento em que a gente se encontra agora, investir em infraestrutura e equipamentos. Estamos trabalhando nisso. As pessoas estarem motivadas e capacitadas é um desafio. Temos isso muito claro, que precisamos fazer sistematicamente e, por fim, saber o que tem que ser feito. Então eu acho que é isso e essa tríade aí, que é o que faz com que a gente consiga estar participativo do desenvolvimento das cadeias.
Quais os planos estratégicos da Embrapa Suínos e Aves para os próximos anos?
Todos os anos fazemos um planejamento para o ano seguinte, mas também o que orienta muito nossas ações é o Plano Diretor da Embrapa. O documento, de tempos em tempos, é revisitado e atualizado de acordo com o que precisa ser feito. Temos muito claramente quais são os nossos objetivos estratégicos e são vários: de economia, sustentabilidade, saudabilidade, etc. Alguns objetivos são internos, como o de modernização, que é importantíssimo para a gente se manter atualizado. Isso que orienta esse nosso planejamento para cinco, dez anos. Agora, é muito difícil de antever algumas coisas. Por exemplo, problemas sanitários. Eles surgem eventualmente do nada e temos que estar sempre preparados. Então faz parte do nosso planejamento estratégico ter pessoas e infraestrutura cada vez mais preparados. Por exemplo, para podermos desenvolver vacinas é importantíssimo termos um laboratório estruturado e adequado, modernizado para podermos trabalhar com agentes causadores de doenças importantes.
A Embrapa teve uma contribuição extremamente importante em nosso centro na época da covid-19. Gosto de salientar isso pois na época contribuímos muito e ficamos como uma estrutura de retaguarda, de apoio para o sistema de saúde humana. E agora estamos trabalhando na influenza aviária, em influenza suína e em outras doenças importantes da saúde animal. Isso é o DNA da Unidade. Então é por aí.
Precisamos estar preparados e com uma agenda estratégica, que pode mudar a qualquer minuto, dependendo do que eventualmente surja e que não estava previsto. Na questão de estratégica não posso deixar de mencionar que estamos também focados nas questões das mudanças do clima, dos extremos climáticos. Entendemos que a suinocultura e a avicultura estão inseridas nesse contexto. Faz parte da nossa visão para o futuro termos tecnologias que amenizem um pouco esses extremos e que permitam que a nossa avicultura e suinocultura continuem eficientes, produzindo alimentos de qualidade para a sociedade.
Qual a mensagem para os empregados, parceiros e produtores que fazem parte dos 50 anos da Embrapa Suínos e Aves?
Começando por agradecimento. Acredito que a Embrapa, o nosso centro, não fez, não chegou e não caminhou sozinho. Nós só chegamos onde chegamos porque tivemos sempre muito respaldo junto ao setor produtivo, muito respaldo junto às instituições de ciência e tecnologia. Assim, enfim, às entidades governamentais, seja ela municipal, estadual ou federal. Sempre tivemos uma boa conexão com as empresas de assistência técnica, institutos de meio ambiente e assim por diante. Então, primeiro agradecer a todos de fora da Unidade, nossos parceiros, e a todos de dentro da Unidade, porque nós tivemos aqui pessoas que contribuíram muito e que outras seguem contribuindo ainda até hoje na nossa rotina e na nossa trajetória.
E assim dizer que internamente precisamos estar sempre de prontidão e abertos aos desafios que sequer imaginamos que existam ou que poderão vir a existir. Temos que estar sempre com a nossa cabeça aberta e dispostos a ajudar. Acredito que é por aí e tenho a plena convicção de que nós ainda teremos muitos desafios, mas também tenho a certeza de que nós temos condições no enfrentamento desses desafios futuros. E isso se faz através de pessoas. Procedimentos vieram daqueles produtos que precisam ser gerados para solucionar esses problemas.

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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores
Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.
A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”
Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.
A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.
Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.
Recomeço em outro país
Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.
O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”
A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.
A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.
Escola, trabalho e novas oportunidades
Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.
A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida
Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.
Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.
A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.
Reconhecimento e qualidade de vida
Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.
A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.
O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.
Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.
Integração além da porteira
Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.
Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.
O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.
Planos para ficar
Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.
Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.
Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal
Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de R$ 6,38 milhões.
Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão. O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.
Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.
Desafios para o segundo semestre
Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.
O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.
Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo
Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.
Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.
O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.
Potencial de uso da plataforma
O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.
Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.
Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.
Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.
Avanços para o melhoramento genético
As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:
“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje
“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.
Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.
No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.
Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.




