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Embrapa Suínos e Aves comemora 50 anos de contribuições à agropecuária brasileira
Começou em 26 de abril de 1973, quando o governo federal criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária como resposta às demandas de modernização do campo. Santa Catarina foi o berço do centro de pesquisa especializado em suinocultura, oficialmente instalado em Concórdia em junho de 1975.

No dia 13 de junho de 2025, a Embrapa Suínos e Aves completa 50 anos de atuação, consolidando-se como uma das principais referências em pesquisa e inovação nas cadeias produtivas de suínos e aves no Brasil. Localizada em Concórdia, no oeste catarinense, a unidade tem sido protagonista em avanços tecnológicos, sustentabilidade e integração com o setor produtivo.
A história da Embrapa começou em 26 de abril de 1973, quando o governo federal criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária como resposta às demandas de modernização do campo. Santa Catarina foi o berço do centro de pesquisa especializado em suinocultura, oficialmente instalado em Concórdia em junho de 1975. Três anos depois, a unidade incorporou também a avicultura, passando a se chamar Embrapa Suínos e Aves.
Desde então, as contribuições da Embrapa Suínos e Aves foram marcantes: desenvolvimento de vacinas, tabelas de composição de alimentos, testes diagnósticos e melhoramento genético estão entre os marcos. Segundo estudos, a unidade foi responsável por 40% do progresso técnico da suinocultura e 20% da avicultura entre 1975 e 2010. Nos últimos 15 anos, a Embrapa Suínos e Aves passou por um processo de modernização: ampliou laboratórios, reformulou estruturas, superou desafios como a pandemia de covid-19 e fortaleceu parcerias com universidades, empresas e instituições públicas. Programas como InovaPork e InovaAvi evidenciam o foco atual em inovação aberta e conexão com o ecossistema tecnológico. A sustentabilidade também tem ganhado protagonismo, com projetos de energia solar, reaproveitamento de água da chuva e reciclagem de resíduos. Tecnologias de ponta em biotecnologia e nanotecnologia reforçam o compromisso com um futuro mais eficiente e sustentável.
Para celebrar este meio século de história, a Embrapa promove uma série de ações comemorativas, com especial destaque para a solenidade de aniversário no próximo dia 13, nas suas dependências, no Distrito de Tamanduá, em Concórdia/SC. A solenidade será marcada pela apresentação da obra “Raízes, ciência e transformação: 50 anos de inovação da Embrapa Suínos e Aves”, que conta a história da Unidade e seus marcos de inovação ao longo das cinco décadas, e do lançamento do software BiosSui, que avalia de forma sistemática as condições de biosseguridade em granjas de produção de suínos baseado num protocolo multicritério. Os participantes da cerimônia poderão acompanhar as principais contribuições da Unidade por meio da exposição “50 Anos – No caminho da suinocultura e da avicultura”. Montada no hall do prédio administrativo, apresenta a trajetória da pesquisa na Unidade, baseada na linha do tempo, numa “divisão” de cinco décadas e a “abertura” de uma nova era (2025). Outras ações estão sendo preparadas para celebrar a data e ocorrerão ao longo do ano.
Para falar um pouco mais sobre o momento histórico, acompanhe uma entrevista especial com o chefe-geral da Unidade, o pesquisador Everton Luís Krabbe. Na conversa, ele comenta os principais marcos da instituição, os desafios enfrentados e as perspectivas para os próximos anos. A entrevista pode ser clicando aqui.
Como você se sente liderando a Embrapa Suínos e Aves neste marco tão significativo dos 50 anos?
Muito feliz pelos 50 anos da Embrapa Suínos e Aves, embora eu tenha participado só dos 15 últimos anos dessa história. Mas eu tenho conversado muito com colegas desde o primeiro dia que eu cheguei aqui nessa unidade. Eu sempre tive uma curiosidade muito grande de entender como que foi a trajetória da Embrapa e os relatos. Estou falando de 1975, quando começou a história, a trajetória da Embrapa, primeiro momento o trabalho com suínos e alguns anos mais tarde com aves. É surpreendente os relatos. Elas estão falando de uma cultura dos últimos 20, 30 anos e fica visível o quanto evoluiu. Então, muito feliz por estar participando desse momento dos 50 anos e ao mesmo tempo preocupado também.
Por que estou preocupado? É pela dinâmica dessas cadeias de produção de aves suínos. Nós somos referência mundial hoje na avicultura, na suinocultura. Ninguém tem os resultados que nós temos. E isso significa que nós precisamos buscar ganhos cada dia maiores. E a ciência tem que fazer parte disso. A Embrapa, uma Casa da Ciência, não a única do país. Ela está conectada com outras casas de ciência, tecnologia, universidades, enfim, outros centros. E é preocupante porque nós temos que buscar os pequenos detalhes. De áreas de atuação que tínhamos anteriormente com o que temos agora, a gente vai ter que fazer uma adaptação cada vez maior para estar com um pé na sua suinocultura e na avicultura de pequena e média escala, que precisa ser atendido, e outro na fronteira da ciência com coisas absolutamente disruptivas. Então é essa é a leitura. Mas chegar nos 50 anos é, sem sombra de dúvidas, algo fantástico. Nunca imaginei que eu estaria nesta posição nesse momento, mas eu vejo que muitos colegas também estão muito felizes com esse momento. Então acho que vai ser um ano muito especial.
Como a Embrapa evoluiu ao longo dessas cinco últimas décadas?
Essa é uma de uma pergunta que demanda tempo. E, como eu mencionei lá na década de 1970, as coisas eram bem diferentes do que são hoje. Então, vejo que essa evolução acontece em função de alguns drivers e da necessidade de cada momento. A necessidade inicialmente era para termos uma melhor eficiência produtiva e podermos produzir alimentos em quantidade, porque nós começamos na década de 1970 sendo um país importador de alimentos e carne. Considerando a realidade de hoje, então a necessidade daquele momento era produzir de uma maneira eficiente. Depois, por uma questão de competitividade e sustentabilidade, houve um crescimento e um adensamento das raças, das produções com vinda dos frigoríficos mais dignificados. Então houve, ali, uma diferença da organização da produção, veio a integração de culturas da agricultura, que padronizou os processos. Então, aí nós estamos falando da década de 1980, 1990, onde veio muito forte esse movimento da integração. E mais recentemente, a gente vem na onda da sustentabilidade, que é uma exigência. Faz todo o sentido.
Não dá para a gente pensar em não produzir de uma maneira sustentável, em todas as dimensões, não só na questão ambiental. E foi inicialmente uma das grandes preocupações, especialmente no setor da agricultura, que era a questão das tecnologias de tratamento de dejetos e o uso agronômico desses dejetos. Mas sempre também vem junto os desafios sanitários, que sempre pautaram muito fortemente a nossa agenda de trabalho e a competitividade. Nós temos que ter a clareza de que nós precisamos hoje continuar buscando coisas que a gente nunca sonhou, como por exemplo, você ter cada dia mais leitões desmamados por cada ano. Cada dia é uma ave mais competitiva. Eu costumo dizer que nós temos um frango de corte que nasce com 42 gramas, em 42 dias ele multiplica 84 vezes o seu peso de nascimento. Olha que loucura! Nasceu com 42 gramas, vive 42 dias e multiplica 84 vezes o seu peso de nascimento. Então isso a sociedade não entende. E nós temos a grande missão de explicar para o consumidor o que de fato faz a agricultura tão bem-sucedida, que é ter um conjunto de tecnologias. E assim, nunca se imaginou que chegasse onde chegou. E eu sou muito otimista. Eu acredito. Nós vamos muito além daquilo que nós já conseguimos alcançar até hoje. Então, resumindo, são momentos diversos com drivers diferentes e é claro, sempre muito forte e pautado por necessidades.
Qual a contribuição da Embrapa para a sociedade nos últimos 50 anos?
Quando a gente pensa muito sobre o que a Embrapa entregou para a sociedade ao longo dos 50 anos percebemos que nem sempre são produtos. A Embrapa entregou produtos, como os materiais genéticos, em diferentes momentos, com diferentes características, tanto de aves quanto de suínos. Nós entregamos metodologias de análise. Nós ajudamos na solução de vários problemas sanitários nesse país. Mas a Embrapa entregou uma coisa para a sociedade – e em todos os centros da Embrapa fazem isso – que são políticas públicas.
Tivemos uma participação muito importante em vários momentos ao longo dessa trajetória de 50 anos, no sentido de ajudar o Brasil a definir políticas públicas para problemas que estavam conectados com a avicultura e a suinocultura. Recentemente, e como um bom destaque, está a questão da inspeção com base em riscos. Lá atrás tivemos forte contribuição com a questão ambiental da suinocultura. Então, ao longo de todas essas cinco décadas, a Embrapa Suínos e Aves trouxe muitas políticas públicas importantes. Temos, em média, contribuição por ano em dez políticas públicas. Isso é bem expressivo e difícil de quantificar e monetizar o que representa uma contribuição, uma política pública. Mas eu não tenho dúvida de que isso ajudou muito o país a se estabelecer.
Como a sustentabilidade é incorporada nas pesquisas e soluções oferecidas pela Embrapa?

Chefe-geral da Unidade, o pesquisador Everton Luís Krabbe, Everton Krabbe
A sustentabilidade não é um termo novo. Todo mundo escuta falar de sustentabilidade há bastante tempo, talvez mais de duas décadas. Mas recentemente as empresas começaram muito fortemente a trazer a tríade ESG. A sustentabilidade hoje, para nós aqui no Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves, passa a ocupar uma outra lógica na nossa agenda. Não olhamos mais aspectos isolados da sustentabilidade de como conseguiu ser mais eficiente na transformação do alimento em ganho de peso e sustentabilidade. Precisamos agora, e estamos trabalhando nisso, olhar para a integração de todas as tecnologias, para que a gente consiga fazer a geração de métricas de sustentabilidade. É a nossa meta trabalhar isso inicialmente com suínos e, já na sequência, entrar na avicultura também para gerar as métricas de sustentabilidade. Porque o que se observa é que todo mundo fala em sustentabilidade, mas nem todo mundo está falando da mesma coisa.
Então, o que nós queremos é estabelecer os critérios e começar a medir as diferentes realidades do país e poder mostrar o que é a sustentabilidade brasileira na dimensão social, ambiental, econômica e na dimensão dos animais também. Então é isso que a gente está trabalhando nesse momento. De fato, a sustentabilidade tem que vir de todas as áreas, da ambiência, da sanidade, enfim, da genética. Tudo junto é que faz com que a gente consiga ser sustentável.
Como a Embrapa trabalha com o desafio constante da inovação?
Esse é um outro desafio que a Embrapa tem tratado com bastante atenção nos últimos anos. Acredito que na última década isso veio muito fortemente, que percebemos que o mundo começou a ser fortemente movido por inovação e tecnologias disruptivas, e assim por diante. Não poderia ser diferente na Embrapa. Aqui temos um programa, o Inova que fomos aprendendo, evoluindo e começamos de maneira mais instituída e já organizada ainda em 2019. Estamos sempre trabalhando sobre o prisma da inovação e, basicamente, para a Embrapa, inovar não é fazer isso só dentro de casa.
A nossa inovação tem que ser feita com o setor produtivo, com o setor privado. Então temos trabalhado muito numa lógica de prospecção sobre quais são os temas importantes, onde cabe a inovação, onde precisa de tecnologia. E a partir disso lançamos editais e buscamos parceiros que tenham interesse em usar a tecnologia e também parceiros que tenham interesse em desenvolver essa tecnologia junto com a gente. É assim que olhamos. A inovação hoje é algo ainda recente, mas na minha leitura evoluiu bastante e é um processo de aprendizado. Você vai fazendo sistematicamente e você vai melhorando em relação ao ano anterior. Mas começamos bem, estamos andando bem.
Como a Embrapa lida com as mudanças e as exigências dos mercados nacional e internacional?
Essa é uma pergunta importante e complemento: o que a avicultura suinocultura brasileira tem de diferente em relação ao resto do mundo. E eu diria que é a agilidade. O Brasil tem uma característica de fazer as coisas muito rapidamente e se ajusta a necessidades de mercado, especialmente aquelas que vêm de fora. Por isso que o Brasil tem hoje acesso há mais de 150 mercados para proteína de aves e mais de 100 mercados para a proteína de suínos. E seguimos crescendo ao longo dos anos. Nesse aspecto, então, qual é o desafio? Num centro como o nosso em relação à essa característica brasileira, que é a adaptação e a agilidade, o nosso desafio é fazer parte desse processo com a agilidade que o setor demanda. E não é algo muito simples. E por quê? Porque, como eu mencionei, fazemos parte de desenvolvimento de tecnologia, mas também muitas vezes trabalhando numa lógica de política pública. E para embasar uma política pública precisa de um conjunto robusto de informações. Não é um experimento isolado que resolve ou responde ou subsidia uma política pública.
O grande desafio é fazer uma máquina pesada como a Embrapa, que está preocupada com o bem-estar, com a biosseguridade, com as pessoas, ser ágil também no sentido de atendimento da necessidade imediata das cadeias. Então, é isso que a gente tem tentado fazer sistematicamente. Na minha leitura também acredito que a gente conseguiu evoluir. Isso é uma cultura que precisa ser trabalhada. Mas eu vejo que ao longo dos últimos anos, nós nos tornamos mais ágeis no sentido de acompanhar um pouco mais rapidamente esse movimento. Agora, falando de ciência, a gente não consegue fazer o que o setor privado faz. A ciência leva seu tempo. Então a gente está tentando trazer cronogramas de anos, cinco anos para três anos e três anos para dois anos. Mas ainda assim, ciência requer tempo. Então, esse é um dos grandes desafios que a gente está tentando enfrentar nesse novo mundo acelerado.
Como a Embrapa pretende se manter relevante diante da revolução digital e de novas demandas da sociedade?
Esse é um ponto crucial: manter-se relevante para a sociedade. Todos os dias penso nisso: o que temos que fazer para nos mantermos relevantes para a sociedade? A nossa história é rica, é muito exitosa. Agora, daqui para frente, o mais importante de tudo é, primeiro entender o que é que a sociedade precisa. Para isso a prospecção dentro da rotina de um centro como o nosso precisa estar muito ativa. E isso a gente faz pelas áreas de transferência de tecnologia, participando de feiras, temos canais de comunicação com o setor, recebemos pessoas aqui e atuamos à campo verificando diretamente com parceiros e usuários de tecnologias como está nossa inserção. Enfim, a prospecção do que precisa ser feito é fundamental. Não adianta criar coisas e soluções para problemas que não existem.
A segunda questão são as pessoas. Nós temos que trabalhar o capital humano, porque quem faz a pesquisa, quem pensa a pesquisa são as pessoas. Precisamos fazer um investimento sistemático na atualização das pessoas. É um desafio grande, porque o mundo está acelerado e como fazer uma pessoa dividir seu tempo entre o seu projeto ou os seus projetos? Nós temos muitos colegas que trabalham com vários projetos simultaneamente. Essa pessoa precisa ter força e tempo e condição de espírito para poder se atualizar. Então esse é o grande desafio: investir em pessoas, saber o que tem que ser feito e termos uma infraestrutura atualizada. E a gente está sendo e está tendo um momento importante aqui no nosso centro, que é o Plano de Aceleração de Crescimento – PAC da Embrapa. Em 2024 fizemos uma série de aquisições de equipamentos para modernizar os nossos laboratórios e temos a meta de fazer obras de ampliações, modernizações e obras. Esse é o momento em que a gente se encontra agora, investir em infraestrutura e equipamentos. Estamos trabalhando nisso. As pessoas estarem motivadas e capacitadas é um desafio. Temos isso muito claro, que precisamos fazer sistematicamente e, por fim, saber o que tem que ser feito. Então eu acho que é isso e essa tríade aí, que é o que faz com que a gente consiga estar participativo do desenvolvimento das cadeias.
Quais os planos estratégicos da Embrapa Suínos e Aves para os próximos anos?
Todos os anos fazemos um planejamento para o ano seguinte, mas também o que orienta muito nossas ações é o Plano Diretor da Embrapa. O documento, de tempos em tempos, é revisitado e atualizado de acordo com o que precisa ser feito. Temos muito claramente quais são os nossos objetivos estratégicos e são vários: de economia, sustentabilidade, saudabilidade, etc. Alguns objetivos são internos, como o de modernização, que é importantíssimo para a gente se manter atualizado. Isso que orienta esse nosso planejamento para cinco, dez anos. Agora, é muito difícil de antever algumas coisas. Por exemplo, problemas sanitários. Eles surgem eventualmente do nada e temos que estar sempre preparados. Então faz parte do nosso planejamento estratégico ter pessoas e infraestrutura cada vez mais preparados. Por exemplo, para podermos desenvolver vacinas é importantíssimo termos um laboratório estruturado e adequado, modernizado para podermos trabalhar com agentes causadores de doenças importantes.
A Embrapa teve uma contribuição extremamente importante em nosso centro na época da covid-19. Gosto de salientar isso pois na época contribuímos muito e ficamos como uma estrutura de retaguarda, de apoio para o sistema de saúde humana. E agora estamos trabalhando na influenza aviária, em influenza suína e em outras doenças importantes da saúde animal. Isso é o DNA da Unidade. Então é por aí.
Precisamos estar preparados e com uma agenda estratégica, que pode mudar a qualquer minuto, dependendo do que eventualmente surja e que não estava previsto. Na questão de estratégica não posso deixar de mencionar que estamos também focados nas questões das mudanças do clima, dos extremos climáticos. Entendemos que a suinocultura e a avicultura estão inseridas nesse contexto. Faz parte da nossa visão para o futuro termos tecnologias que amenizem um pouco esses extremos e que permitam que a nossa avicultura e suinocultura continuem eficientes, produzindo alimentos de qualidade para a sociedade.
Qual a mensagem para os empregados, parceiros e produtores que fazem parte dos 50 anos da Embrapa Suínos e Aves?
Começando por agradecimento. Acredito que a Embrapa, o nosso centro, não fez, não chegou e não caminhou sozinho. Nós só chegamos onde chegamos porque tivemos sempre muito respaldo junto ao setor produtivo, muito respaldo junto às instituições de ciência e tecnologia. Assim, enfim, às entidades governamentais, seja ela municipal, estadual ou federal. Sempre tivemos uma boa conexão com as empresas de assistência técnica, institutos de meio ambiente e assim por diante. Então, primeiro agradecer a todos de fora da Unidade, nossos parceiros, e a todos de dentro da Unidade, porque nós tivemos aqui pessoas que contribuíram muito e que outras seguem contribuindo ainda até hoje na nossa rotina e na nossa trajetória.
E assim dizer que internamente precisamos estar sempre de prontidão e abertos aos desafios que sequer imaginamos que existam ou que poderão vir a existir. Temos que estar sempre com a nossa cabeça aberta e dispostos a ajudar. Acredito que é por aí e tenho a plena convicção de que nós ainda teremos muitos desafios, mas também tenho a certeza de que nós temos condições no enfrentamento desses desafios futuros. E isso se faz através de pessoas. Procedimentos vieram daqueles produtos que precisam ser gerados para solucionar esses problemas.

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Brasil amplia acordos de cooperação com a Coreia do Sul
Intercâmbio técnico, cooperação em sanidade e pesquisa de bioinsumos, buscando tecnologia e sustentabilidade para o campo brasileiro busca ampliar competitividade e fortalecer a produção sustentável.

O Ministério da Agricultura e Pecuária assinou, nesta segunda-feira (23), em Seul, dois memorandos de entendimento com o governo da Coreia do Sul voltados ao fortalecimento da cooperação bilateral em agricultura, sanidade, inovação e desenvolvimento rural. Os atos foram celebrados na Casa Azul durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático. “A Coreia do Sul é um parceiro estratégico e esta agenda inaugura uma nova etapa de cooperação baseada em confiança, diálogo e complementaridade econômica. Estamos aproximando tecnologia, sustentabilidade e produção responsável para ampliar oportunidades ao agro brasileiro e fortalecer a segurança alimentar”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro: “Estamos aproximando tecnologia, sustentabilidade e produção responsável para ampliar oportunidades ao agro brasileiro e fortalecer a segurança alimentar” – Foto: Caroline de Vita/Mapa
O primeiro acordo, firmado entre os ministérios da Agricultura dos dois países, estabelece a ampliação do intercâmbio técnico e institucional com foco em ciência, tecnologia, agricultura digital, segurança alimentar e cadeias de abastecimento. O memorando inclui a cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS), com previsão de harmonização de normas e troca de informações para avançar em temas de interesse comum.
O documento também prevê cooperação em infraestrutura agrícola, promoção de investimentos, intercâmbio científico e criação de um Comitê de Cooperação Agrícola Brasil-Coreia para acompanhar a implementação das iniciativas conjuntas.
O segundo memorando reúne o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Administração de Desenvolvimento Rural da Coreia. O acordo estabelece uma estrutura de cooperação voltada ao registro, avaliação e gestão de agrotóxicos e bioinsumos, além do intercâmbio de informações e desenvolvimento de pesquisas conjuntas.

Foto: Caroline de Vita/Mapa
Entre as ações previstas estão o compartilhamento de dados técnicos, intercâmbio de especialistas, programas de capacitação e realização de workshops e projetos científicos conjuntos.
Os acordos integram a agenda da missão oficial brasileira na Ásia e reforçam a parceria estratégica entre Brasil e Coreia do Sul, com potencial para ampliar o intercâmbio tecnológico, estimular a inovação no campo e fortalecer a cooperação sanitária e regulatória no setor agropecuário.
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Países em desenvolvimento buscam protagonismo na redefinição da ordem econômica mundial
Integração entre economias emergentes mira maior autonomia financeira, tecnológica e comercial.

A defesa de maior articulação entre países em desenvolvimento marcou o encerramento da agenda presidencial na Ásia. Na madrugada deste domingo (22), antes de deixar a Índia rumo à Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a sustentar que o chamado Sul Global precisa atuar de forma coordenada para alterar a atual estrutura do comércio e das decisões econômicas internacionais.

Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva: “Países pequenos precisam negociar juntos para equilibrar forças” – Foto: Ricardo Stuckert/PR
O argumento central é que economias emergentes enfrentam assimetrias estruturais nas negociações com grandes potências. Segundo ele, acordos bilaterais diretos tendem a reproduzir desequilíbrios históricos, reduzindo a margem de barganha de países menos desenvolvidos. “Países pequenos precisam negociar juntos para equilibrar forças”, afirmou, ao citar Índia, Brasil e Austrália como exemplos de nações que podem ampliar seu poder de influência quando atuam em bloco.
O presidente associou essa defesa a um diagnóstico histórico. Na avaliação dele, a inserção internacional de diversas economias emergentes ainda carrega traços de dependência tecnológica e financeira herdados do período colonial. A crítica não se limita ao passado político, mas alcança a estrutura contemporânea de cadeias globais de valor, nas quais países exportadores de commodities permanecem, em muitos casos, na base da pirâmide produtiva.
A proposta apresentada envolve intensificar parcerias entre países com níveis de desenvolvimento semelhantes, com foco em cooperação tecnológica, agregação de valor e ampliação do comércio intra-bloco. O objetivo estratégico é reduzir vulnerabilidades externas e aumentar a autonomia decisória.
Nesse contexto, o BRICS aparece como instrumento central dessa reconfiguração. O presidente afirmou que o grupo deixou de ser

Brics – Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
periférico para assumir papel mais estruturado na governança internacional. Destacou a criação do Novo Banco de Desenvolvimento como exemplo de mecanismo financeiro alternativo às instituições tradicionais dominadas por economias avançadas.
Ele também buscou afastar a narrativa de confronto direto com o Ocidente. Ao mencionar a preocupação dos Estados Unidos, sobretudo em relação à China, afirmou que o objetivo não é reeditar divisões geopolíticas típicas da Guerra Fria, mas fortalecer a capacidade de articulação dos emergentes dentro da própria arquitetura global, inclusive com eventual ampliação da interlocução com o G20.
Outro ponto sensível abordado foi a discussão sobre moeda comum. O presidente voltou a negar a intenção de criar uma divisa própria do bloco. A proposta, segundo ele, limita-se a ampliar o uso de moedas nacionais nas transações comerciais entre os países-membros, como forma de reduzir custos cambiais e dependência do dólar. Trata-se de uma agenda pragmática, voltada à eficiência comercial, ainda que com implicações estratégicas no sistema financeiro internacional.
A fala reforça uma linha de política externa que combina multilateralismo, diversificação de parceiros e busca por maior protagonismo das economias emergentes. A agenda na Índia e na Coreia do Sul integra essa estratégia de aproximação com a Ásia, região vista como eixo dinâmico da economia global nas próximas décadas.
ONU
Ao defender o fortalecimento da Organização das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou a necessidade de resgatar o papel institucional do organismo em um cenário internacional marcado por conflitos e tensões geopolíticas. Segundo ele, a entidade precisa “voltar a ter legitimidade e eficácia” para cumprir sua missão central de manutenção da paz.
O presidente relatou ter feito contatos diretos com outros chefes de Estado diante de crises recentes. “Esses dias eu liguei para quase todos os presidentes, propondo que a gente tem que dar uma resposta ao que aconteceu na Venezuela, ao que aconteceu em Gaza, ao que aconteceu na Ucrânia”, afirmou.
Para Lula, não se pode permitir que decisões unilaterais de grandes potências interfiram na soberania de outros países. “Você não pode

Foto: Divulgação
permitir que, de forma unilateral, nenhum país, por maior que seja, possa interferir na vida de outros países. Precisamos da ONU para resolver esse tipo de problema. E, por isso, ela precisa ter representatividade”, reiterou.
Relação com os Estados Unidos
Ao tratar da relação bilateral com os Estados Unidos, Lula condicionou o aprofundamento de parcerias à disposição americana de enfrentar o crime organizado transnacional. “O crime organizado hoje é uma empresa multinacional. Por isso, nossa Polícia Federal precisa construir parcerias com todos os países que tenham interesse em enfrentá-lo conosco”, disse. Ele acrescentou que, havendo cooperação efetiva, o Brasil estará “na linha de frente”, inclusive solicitando o envio de brasileiros envolvidos com organizações criminosas que estejam em território americano.
O presidente também defendeu que a atuação americana na América do Sul e no Caribe seja pautada pelo respeito. Classificou a região como pacífica, sem armamento nuclear e focada no desenvolvimento econômico e social. Segundo Lula, esse será um dos temas a serem tratados em encontro previsto com o presidente Donald Trump. “Quero discutir qual é o papel dos EUA na América do Sul, se é de ajuda ou ameaça. O que o mundo precisa é de tranquilidade”, afirmou, acrescentando que o atual momento registra o maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Sobre a recente decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou tarifas impostas pelo governo americano, Lula evitou juízo de valor. Disse que não cabe ao presidente do Brasil comentar decisões internas de outras jurisdições.
Índia, comércio e agregação de valor
Na agenda asiática, Lula destacou os encontros com o primeiro-ministro Narendra Modi, em Nova Delhi. Segundo ele, o foco foi a ampliação do comércio e da cooperação econômica. “Tratamos muito da nossa relação comercial. Não entramos em detalhes sobre geopolítica internacional. Discutimos o que nos une, em especial fortalecer nossas economias para nos tornarmos países altamente desenvolvidos”, afirmou.
O intercâmbio bilateral, atualmente em US$ 15,5 bilhões, tem meta de alcançar US$ 30 bilhões até 2030. Lula classificou as conversas com empresários indianos como positivas. “Todos os empresários indianos que investem no Brasil elogiam o país e dizem que vão aumentar seus investimentos”, reteirou.
O presidente voltou a defender que a exploração de minerais críticos e terras raras no Brasil esteja condicionada à agregação de valor no território nacional. “O processo de transformação precisa acontecer no Brasil. O que não vamos permitir é que aconteça com nossas terras raras o que aconteceu com nosso minério de ferro”, afirmou, criticando o modelo histórico de exportação de commodities sem industrialização local.
Após a passagem pela Índia, Lula seguiu para Seul, onde foi recebido a convite do presidente Lee Jae Myung. A visita prevê a adoção de um Plano de Ação Trienal 2026-2029, com o objetivo de elevar a relação bilateral ao patamar de parceria estratégica, consolidando a ofensiva diplomática brasileira na Ásia.
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Trump eleva tarifa global para 15% e testa novos limites legais após revés na Suprema Corte
Presidente norte-americano amplia sobretaxa temporária sobre todas as importações e anuncia nova estratégia jurídica para sustentar política comercial.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no última sábado (21) a elevação de 10% para 15% da tarifa temporária aplicada sobre todas as importações que entram no país. A medida ocorre poucos dias após a Suprema Corte dos EUA derrubar o programa tarifário anterior, baseado em poderes de emergência econômica.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump reage à decisão da Suprema Corte e sinaliza aumento imediato da tarifa global sobre importações, reforçando a centralidade das barreiras comerciais em sua estratégia econômica – Foto: Divulgação
Na sexta-feira (20), em reação direta ao julgamento, Trump já havia determinado a aplicação imediata de uma tarifa global de 10% sobre todos os produtos importados, adicional às tarifas já existentes. Agora, decidiu ampliar o percentual ao limite máximo permitido pela legislação invocada.
Pela lei comercial americana, o presidente pode instituir uma taxa de até 15% por um período de 150 dias, mecanismo previsto para situações consideradas excepcionais. A utilização desse dispositivo, contudo, pode enfrentar questionamentos judiciais, especialmente após a Corte ter delimitado o alcance dos poderes presidenciais em matéria tarifária.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a elevação da tarifa ocorre com efeito imediato e justificou a decisão como resposta a décadas de práticas comerciais que, segundo ele, prejudicaram a economia americana. Disse ainda que o percentual de 15% representa o nível totalmente permitido e legalmente testado.
O presidente também sinalizou que a medida é transitória. Durante os 150 dias de vigência, o governo trabalhará na formulação de novas tarifas consideradas legalmente admissíveis, indicando que a estratégia comercial será reestruturada para se apoiar em fundamentos jurídicos distintos daqueles rejeitados pela Suprema Corte.
A decisão reforça que, apesar do revés judicial, a política tarifária permanece no centro da agenda econômica do governo. Ao mesmo tempo, amplia a tensão institucional em torno dos limites entre Executivo e Congresso na condução da política comercial dos Estados Unidos.



