Bovinos / Grãos / Máquinas
Embrapa promove seminário on-line sobre rumos da cadeia do leite no Brasil
Evento é gratuito e será realizado no dia 29 de abril, das 09 às 11 horas, com transmissão ao vivo pelo canal da Embrapa no YouTube.

A Rede de Socioeconomia da Agricultura da Embrapa realiza no dia 29 de abril, das 09 às 11 horas, o Seminário Debates em Socioeconomia – Leite e Derivados: realidade e perspectivas futuras. O evento é gratuito, aberto ao público e será transmitido ao vivo pelo canal da Embrapa no YouTube.
Com foco nos desafios e nas tendências da cadeia produtiva do leite, o evento vai reunir especialistas da Embrapa Gado de Leite e representantes do setor produtivo para discutir estratégias voltadas ao fortalecimento da competitividade do setor. O objetivo é aprofundar a compreensão sobre o cenário atual da produção leiteira no Brasil, com atenção especial à inovação tecnológica, ao mercado consumidor e ao papel da produção familiar.
A programação contará com três apresentações seguidas de um debate com o público. Às 09 horas, Jônadan Ma, da Comissão Técnica da Pecuária de Leite da FAEMG, abordará os desafios da produção sob a perspectiva do produtor de leite. Em seguida, às 09h30, Glauco Carvalho, da Embrapa Gado de Leite, falará sobre os desafios e tendências para a cadeia produtiva do leite. Às 10 horas, a pesquisadora Kennya Siqueira, também da Embrapa Gado de Leite, discutirá o mercado de leite e derivados sob a ótica do consumidor.
O seminário é uma oportunidade para produtores, técnicos, pesquisadores e demais interessados se atualizarem sobre as transformações e perspectivas do setor leiteiro brasileiro.
Alinhar visões e estratégias

Foto: Ari Dias
A mediação do seminário ficará a cargo do pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Samuel Oliveira, que reforça a importância de uma abordagem integrada sobre o tema. “A cadeia produtiva do leite está em um momento de inflexão. Temos avanços significativos em produtividade e no uso de tecnologias, mas também enfrentamos novos desafios relacionados à competitividade, à oscilação do consumo e à reorganização da produção no território nacional. O seminário será uma oportunidade para alinhar visões e estratégias com base em uma leitura qualificada do cenário atual”, afirma.
Samuel destaca ainda que o evento pretende ser um espaço de análise crítica e troca de experiências. “Nossa proposta é reunir diferentes perspectivas – do produtor, do pesquisador, do mercado – para compreender a complexidade do setor e identificar caminhos viáveis, tanto do ponto de vista econômico quanto social”, destaca.
Transformações e perspectivas
De acordo com estudos da Embrapa, o Brasil alcançou em 2023 a marca de 97 milhões de litros de leite por dia. Ainda que a produção pouco tenha se alterado nos últimos dez anos, ocorreu forte redução do número de vacas ordenhadas, evidenciando o aumento da produtividade por animal, que passou de 1.492 litros/vaca/ano em 2013 para 2.259 litros em 2023.
Avanços e Desafios

Foto: Valter Campanato
Apesar dos avanços, os desafios permanecem. “A cadeia precisa enfrentar o aumento de custos, a concorrência das importações e um consumo interno que cresce em ritmo mais lento”, explica Samuel, acrescentando: “Por outro lado, há oportunidades reais ligadas à gestão eficiente, ao uso de tecnologias e ao fortalecimento das estratégias de agregação de valor nos produtos lácteos”.
O pesquisador também reforça a importância do olhar socioeconômico sobre o setor. “A produção de leite envolve grandes produtores, mas também um número significativo de agricultores familiares. É fundamental pensar políticas e soluções que ajudem os pequenos a se manter competitivos. A sustentabilidade econômica e social da cadeia depende disso”, salienta.
Rede de Socioeconomia da Embrapa
A Rede de Socioeconomia da Agricultura (RSA) é uma iniciativa da Embrapa criada oficialmente este ano, a partir de um grupo de trabalho instituído pela Diretoria Executiva em 2024, com coordenação da Assessoria de Estratégia e Sustentabilidade (AEST). A Rede tem como missão fortalecer a área de socioeconomia na Empresa, promovendo a integração entre pesquisa e inteligência estratégica para apoiar a competitividade e a sustentabilidade do setor agropecuário brasileiro.
A rede conta hoje com pelo menos 273 empregados da Embrapa – entre economistas, sociólogos, agrônomos, estatísticos, cientistas da computação e outras especialidades. A Rede busca gerar análises, subsídios e dados estratégicos voltados à formulação de políticas públicas, ao desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis, ao monitoramento de inovações tecnológicas e à inclusão socioprodutiva de pequenos agricultores.

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China
Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock
O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.
“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa
Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.
Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais
Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.
Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.
O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.
Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso
Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.
Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.
Economia cresce, mas desafios permanecem
A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.
A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.
Cenário internacional exige atenção
As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.
Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.
Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.
Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.
Logística reversa preocupa empresas
Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.
Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.
Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação
A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos
Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock
O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.
Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.
Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

Foto: Shutterstock
incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.
Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário
Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.
Cinco produtos representam mais de um terço das exportações
Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.
A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.



