Conectado com

Sem categoria

Embrapa pode transformar Brasil em polo internacional de proteção biológica para o agro

Projeto financiado com R$ 14,9 milhões quer habilitar estatal brasileira a receber depósitos internacionais de microrganismos usados em patentes, bioinsumos e pesquisas agrícolas.

Publicado em

em

Fotos: Divulgação

O Brasil iniciou um movimento estratégico para fortalecer sua autonomia tecnológica e ampliar sua presença internacional na área de recursos genéticos voltados à agropecuária. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciou um investimento de R$ 14,9 milhões para estruturar a Embrapa como Autoridade Depositária Internacional (IDA), habilitando a estatal brasileira a armazenar, catalogar e conservar microrganismos utilizados em pesquisas, bioinsumos, alimentos e agricultura.

A iniciativa ocorre poucos meses após a entrada oficial do Brasil no Tratado de Budapeste, acordo internacional administrado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) que reconhece o depósito de microrganismos como parte dos processos de registro de patentes.

Na prática, o projeto permitirá que pesquisadores, empresas e instituições brasileiras realizem depósitos biológicos dentro do próprio país, reduzindo dependência de estruturas internacionais e encurtando etapas ligadas à proteção intelectual de tecnologias desenvolvidas no agro.

Segundo o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, o investimento fortalece a capacidade nacional de conservação genética e reduz barreiras para inovação. “Haverá redução de custos e tempo para a realização de depósito de amostras de material biológico em relação àqueles realizados em IDA de outros países, facilitando processos de proteção industrial, registro de bioinsumos e publicações científicas”, afirma.

Ele acrescenta que o projeto também deve ampliar o reconhecimento internacional da Embrapa. “O Brasil se tornará referência como depósito de material biológico na América do Sul e Caribe”, destaca.

Estrutura genética da Embrapa está entre as maiores do mundo

Foto: Matheus Flalanga

A modernização será realizada no Banco Genético da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, unidade responsável por uma das maiores estruturas de conservação genética do planeta.

Hoje, a Embrapa já realiza conservação ex situ e in situ de diferentes materiais biológicos, incluindo sementes, tecidos vegetais, DNA, sêmen, embriões e microrganismos. O sistema opera por meio de uma rede de Bancos Ativos de Germoplasma distribuídos em diferentes regiões do país.

A estrutura reúne tecnologias avançadas de conservação, como câmaras frias para armazenamento de sementes a -20°C, sistemas de criopreservação em nitrogênio líquido a -196°C, bancos in vitro de tecidos vegetais e áreas protegidas destinadas à conservação ambiental e manutenção de processos evolutivos naturais.

Foto: Divulgação/APS

Com a adequação às exigências internacionais do Tratado de Budapeste, a Embrapa também deverá incorporar protocolos padronizados de rastreabilidade e certificação dos materiais biológicos armazenados.

De acordo com a Finep, o projeto permitirá criar procedimentos compatíveis com padrões internacionais exigidos para reconhecimento oficial de uma IDA, ampliando a segurança jurídica sobre ativos biológicos estratégicos para a agricultura.

A medida ganha relevância em um momento de expansão dos bioinsumos, da biotecnologia agrícola e do mercado global ligado à inovação genética e microbiológica. O reconhecimento internacional da Embrapa como autoridade depositária tende a facilitar registros de patentes, desenvolvimento de soluções biológicas e circulação de tecnologias brasileiras no exterior.

Investimentos à cadeia agroindustrial

Foto: Divulgação

Além do projeto ligado à Embrapa, a Finep ampliou significativamente os investimentos destinados à cadeia agroindustrial nos últimos anos. Entre 2023 e 2025, foram destinados R$ 8 bilhões para 640 projetos ligados ao agro, envolvendo cooperativas, empresas e instituições científicas. No triênio anterior, entre 2019 e 2022, os investimentos somaram R$ 2 bilhões distribuídos em 74 projetos.

Em fevereiro deste ano, a financiadora também lançou uma nova rodada do programa Cadeias Agroindustriais Sustentáveis, com orçamento de R$ 300 milhões voltado ao desenvolvimento tecnológico e à modernização produtiva no campo.

Segundo a Finep, os investimentos estão alinhados à estratégia nacional de fortalecimento das cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais, com foco em segurança alimentar, inovação tecnológica e ampliação do acesso à modernização produtiva no meio rural.

Fonte: O Presente Rural com Finep

Empresas Confiança e responsabilidade

Sicoob projeta liberação de R$ 70 bilhões em crédito rural para o Plano Safra 26/27

Balanço final do ciclo 25/26 mostra expansão de 7% sobre o ano anterior e perfil de atendimento concentrado em pequenos e médios produtores

Publicado em

em

Divulgação / Fotos: Sicoob

Com o anúncio do novo Plano Safra pelo governo federal, o Sicoob projeta a liberação de R$ 70 bilhões em crédito rural para a Safra 26/27, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

O anúncio acompanha o balanço final da Safra 25/26, encerrada com R$ 59,5 bilhões em crédito rural liberado, crescimento de 6,88% sobre o ciclo anterior, em mais de 194,7 mil operações realizadas em todo o Brasil.

Perspectivas para a Safra 26/27

Para a agricultura familiar, o Sicoob vai oferecer R$ 11,5 bilhões via Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), volume 39% maior que o da safra anterior. Para os produtores de médio porte, serão R$ 15,8 bilhões via Pronamp (Programa de Apoio ao Médio Produtor Rural), aumento de 48% em comparação ao anterior, reforçando o papel do Sicoob no fortalecimento da base da produção agrícola nacional.

Para os demais produtores, serão disponibilizados R$ 42,7 bilhões, que consolida a atuação da instituição também junto aos grandes produtores e às principais cadeias produtivas do agronegócio brasileiro.

Em relação às atividades produtivas, a expectativa é de que a agricultura concentre a maior parte do crédito projetado, em torno de R$ 27,8 bilhões (40%), seguida pela pecuária, com cerca de R$ 19,5 bilhões (28%), além de uma parcela sem direcionamento específico, estimada em R$ 22,7 bilhões (32%).

“Olhamos para o novo ciclo com confiança e responsabilidade. A demanda do produtor rural por crédito segue forte e o Sicoob está preparado para crescer junto com ele, ampliando o acesso ao crédito mesmo nos municípios onde o sistema bancário tradicional tem menor presença. Nosso compromisso é seguir como parceiro de longo prazo do agro brasileiro, safra após safra”, afirma Marcelo Carneiro, diretor de Desenvolvimento Comercial e de Negócios do Sicoob.

Balanço da Safra 25/26

O desempenho do ciclo encerrado confirma o perfil histórico da carteira da instituição: 63% das operações atenderam pequenos e médios produtores, com ticket médio de R$ 155,3 mil. Mesmo em um ciclo marcado por taxas de juros elevadas e maior seletividade no crédito, o modelo cooperativista do Sicoob manteve o ritmo de concessões e a capilaridade, reafirmando seu compromisso com a produção agrícola em todo o território nacional.

Na Safra 25/26, 28% das operações foram destinadas à pecuária, principalmente bovinocultura. Cerca de 40% foram direcionados à agricultura, com destaque para soja, café, cana-de-açúcar e milho, além de uma parcela sem direcionamento específico, com 32% das operações.

“O Sicoob tem uma característica que o diferencia: segue ao lado do produtor mesmo quando o cenário aperta. O produtor familiar e o médio produtor rural encontram no Sicoob condições e atendimento que permitem celeridade na contratação, e isso se reflete na continuidade das operações ao longo do ciclo”, comenta o executivo.

A trajetória de crescimento no crédito rural é anterior ao ciclo mais recente. Nas últimas 5 safras, o volume de financiamentos agropecuários cresceu 162%, expansão sustentada pelo aumento da rede de cooperativas, pela chegada a novos municípios e pelo aprofundamento do relacionamento com produtores de diferentes portes e regiões. Atualmente, o Sicoob conta com mais de 3.390 pontos de atendimento com crédito rural ativo e mais de 600 mil cooperados no segmento agro.

Fonte: Assessoria
Continue Lendo

Avicultura

De cada dez quilos de frango produzidos no mundo, quase três saem da América Latina

Produção regional cresceu 40,4% em 15 anos, acima da média mundial, enquanto o consumo interno alcançou 27,4 milhões de toneladas em 2025.

Publicado em

em

Fotos: Ari Dias

Produtores, trabalhadores, técnicos, empresas, entidades setoriais e consumidores de toda a América Latina e do Caribe celebram nesta sexta-feira o Dia Latino-Americano do Frango, data criada para reconhecer a contribuição da avicultura para a segurança alimentar, a geração de empregos, o desenvolvimento econômico e o abastecimento da região.

Comemorada anualmente na primeira sexta-feira de julho, a data mobiliza iniciativas em diversos países para destacar a importância da cadeia avícola na produção de alimentos e no desenvolvimento econômico e social latino-americano.

Foto: Shutterstock

Os números consolidados no Relatório da Carne de Frango 2026, elaborado pelo Instituto Latino-Americano do Frango (ILP), ligado à Associação Latino-Americana de Avicultura (ALA), mostram a dimensão alcançada pelo setor.

Em 2025, a América Latina e o Caribe produziram 31,5 milhões de toneladas de carne de frango, volume que correspondeu a 57,6% de toda a produção das Américas e a 29,4% da produção mundial.

Na prática, quase três em cada dez quilos de carne de frango produzidos no planeta tiveram origem na América Latina e no Caribe.

A evolução da atividade também demonstra a expansão da capacidade produtiva regional. Entre 2010 e 2025, a produção aumentou 40,4%, passando de 22,5 milhões para 31,5 milhões de toneladas.

O desempenho ficou acima do crescimento registrado no mundo (35,8%) e no conjunto das Américas (36,1%).

A região também ocupa posição estratégica no comércio internacional. Em 2025, as exportações alcançaram aproximadamente 5,74 milhões de toneladas, equivalentes a 39,4% dos embarques mundiais e a 64,6% de todas as exportações realizadas pelas Américas.

Produção abastece principalmente o mercado regional

Maria del Rosário Penedo de Falla, presidente da Associação Latino-Americana de Avicultura (ALA): “O Dia Latino-Americano do Frango é uma oportunidade para reconhecer as milhares de famílias que trabalham diariamente nesta cadeia produtiva” – Foto: Divulgação

Embora a América Latina esteja entre os principais polos exportadores de carne de frango do mundo, a maior parte da produção permanece nos mercados da própria região.

Em 2025, o consumo atingiu 27,4 milhões de toneladas, com média próxima de 41 quilos por habitante ao ano.

Os indicadores evidenciam a presença da carne de frango na alimentação cotidiana da população latino-americana e reforçam sua importância como uma proteína de alto valor nutricional, acessível e amplamente disponível. “O Dia Latino-Americano do Frango é uma oportunidade para reconhecer as milhares de famílias que trabalham diariamente nesta cadeia produtiva, enfrentando grandes desafios, e tornam possível que centenas de milhões de pessoas tenham acesso a uma proteína de qualidade, fundamental para a segurança alimentar. Hoje celebramos o alimento, mas, principalmente, aqueles que o produzem e toda a contribuição social e econômica gerada por essa atividade”, afirma Maria del Rosário Penedo de Falla, presidente da ALA.

Uma cadeia que vai muito além das granjas

Por trás da produção de carne de frango está uma extensa rede formada por produtores, trabalhadores das granjas, médicos-veterinários, técnicos, especialistas em nutrição animal, colaboradores das agroindústrias, transportadores, distribuidores, comerciantes e diversos outros profissionais.

A atuação integrada desses segmentos garante o abastecimento dos mercados, amplia o acesso aos alimentos e gera emprego e renda em áreas rurais e urbanas.

A celebração do Dia Latino-Americano do Frango, portanto, reconhece não apenas o alimento, mas também o trabalho de todos os profissionais responsáveis por levar uma proteína produzida com qualidade, sanidade e regularidade aos consumidores.

Próximos desafios

Os resultados do relatório indicam que a carne de frango deverá manter posição de destaque no sistema alimentar da região.

O crescimento da produção acima da média mundial, o elevado consumo interno e a participação expressiva no comércio internacional demonstram a capacidade da cadeia de atender tanto à demanda regional quanto aos mercados externos.

Entre os principais desafios para os próximos anos estão o aumento da produtividade, o fortalecimento da biosseguridade, os avanços em sanidade, inovação tecnológica, eficiência no uso dos recursos e a adaptação às novas exigências dos consumidores.

A expansão da produção local também será decisiva para ampliar a oferta de alimentos e reduzir vulnerabilidades em uma região marcada por diferentes realidades econômicas, sociais e produtivas.

Fonte: Assessoria Associação Latino-Americana de Avicultura (ALA)
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Rentabilidade desafia pecuária leiteira em cenário de custos elevados e clima instável

Com produção acima de 38 bilhões de litros e preços ainda pressionados, pecuária leiteira brasileira enfrenta desafio de transformar volume em margem, em cenário de custos elevados, clima instável e necessidade crescente de gestão produtiva.

Publicado em

em

Foto: Ari Dias

A pecuária leiteira superou 38 bilhões de litros em 2025, posicionando o Brasil entre os maiores produtores mundiais, mas é cada vez mais desafiador transformar volume em rentabilidade. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o indicador de preço do leite cru pago ao produtor atingiu a média nacional de R$ 2,66 por litro em abril deste ano (último dado disponível).

Foto: Shutterstock

Embora o resultado represente melhora em relação aos meses anteriores, o valor ainda está abaixo dos R$ 2,74 registrados em abril de 2025 e distante do recorde histórico de R$ 3,57 por litro alcançado em julho de 2022, o maior patamar da série iniciada em 2004 e divulgada pelo órgão. Apesar da recuperação observada desde dezembro passado, as margens continuam pressionadas por custos operacionais elevados, desafios climáticos e necessidade constante de ganhos de eficiência dentro da porteira.

Isso significa que o desafio do produtor não é apenas produzir mais. Ele tem de produzir de forma (ainda) mais eficiente. Mesmo com o alívio recente nos custos de alguns insumos, como milho e soja, despesas com energia elétrica, mão de obra e suplementação alimentar continuam impactando as despesas e limitando a rentabilidade da atividade. Da mesma forma, as condições climáticas exigem atenção: a formação do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento acima da média da superfície do mar por um longo período, pode aumentar a temperatura e a irregularidade das chuvas em algumas regiões do Brasil, afetando a formação das pastagens e elevando os custos com alimentação do rebanho.

Com a baixa disponibilidade e a menor qualidade das citadas pastagens, principal fonte de alimentação em muitos sistemas leiteiros, as vacas tendem a reduzir o consumo de nutrientes,

Foto: Carolina Jardine

impactando a produção de leite. Além disso, a escassez de alimentos e água pode elevar os níveis de estresse, comprometendo o bem-estar e, por consequência, a saúde geral dos animais.

Como a rentabilidade da atividade leiteira depende cada vez mais da eficiência produtiva, o planejamento da propriedade e o uso eficiente dos recursos disponíveis se tornam cada vez mais importantes. Nesse sentido, o primeiro passo é investir no planejamento. Isso inclui elaborar estratégias para períodos de seca, garantir reservas alimentares, monitorar indicadores produtivos e econômicos e buscar maior eficiência no uso da terra, por meio do manejo adequado das pastagens, adoção do pastejo rotacionado, produção de forragem, controle rigoroso das despesas e foco em infraestrutura que aumente a produtividade por área.

Tecnologias voltadas para a gestão das pastagens e do rebanho podem gerar ganhos expressivos de produtividade e competitividade. O investimento em infraestrutura durável e de qualidade, como um cercamento estratégico, permite ampliar a eficiência do uso das pastagens e otimizar o manejo dos animais. Essa estrutura possibilita a divisão das áreas em piquetes, o que favorece o controle do tempo de ocupação e descanso do pasto, contribui para a recuperação das forrageiras, amplia a capacidade de suporte da propriedade e reduz a dependência de suplementação alimentar externa, um dos principais custos da atividade. Com isso, a propriedade ganha maior estabilidade econômica, mesmo em cenários de preços desfavoráveis.

Foto: Fredox Carvalho

Com as cercas bem posicionadas, os resultados podem ser observados em diversos indicadores, como aumento da produção de leite por hectare, redução dos custos com alimentação suplementar, melhoria da eficiência de utilização das pastagens e aumento da produtividade por animal. Em muitos casos, também há redução de gastos com manutenção de cercas e manejo, bem como melhor retorno sobre os investimentos realizados na propriedade. Essa exigência contribuiu para o desenvolvimento de soluções específicas para a pecuária leiteira moderna, como os arames Belgo Eletrix e Belgo Eletrix Light. Desenvolvidos para cercas elétricas e com alta resistência, eles viabilizam a implantação de piquetes e o manejo racional de forma eficiente, durável e econômica, além de exigirem menos manutenção.

Em um mercado que exige cada vez mais eficiência, o cercamento da propriedade rural deve ser visto não apenas como uma estrutura física, mas como uma ferramenta de gestão que gera ganhos produtivos, econômicos e de bem-estar animal. Investimentos em infraestrutura de qualidade ajudam a construir sistemas mais resilientes, sustentáveis e preparados para os desafios do futuro.

Fonte: Artigo escrito por Vanessa Amorim Teixeira, médica-veterinária, mestre e doutora em Zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais e analista de mercado agro da Belgo Arames.
Continue Lendo
Editora O Presente 35 anos

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.