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Embrapa pede reforço dos cuidados sanitários na produção animal durante pandemia

Para manter a segurança, os especialistas reforçam a importância das boas práticas sanitárias

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A pandemia de Covid-19 faz especialistas chamarem a atenção de produtores para questões sanitárias importantes na criação de animais. Isso porque, assim como o vírus em questão, provavelmente contraído de animais silvestres, outros microrganismos também são transmissíveis entre rebanhos domesticados e humanos, os chamados vírus zoonóticos.

A principal orientação dada pela Embrapa a produtores e agricultores neste momento é proteger-se. “Por ser uma doença de transmissão de humano para humano, o cuidado nas propriedades está em proteger os trabalhadores, adotando medidas importantes que ajudam inclusive a impedir a entrada de outros vírus ou patógenos na área de produção”, explica a pesquisadora e chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Janice Zanella.

Por isso, para combater, ou ao menos desacelerar, a transmissão do vírus Sars-CoV-2, os especialistas recomendam também na produção animal: rotina de limpeza e desinfecção de ambientes, hábito de higiene pessoal, com uso de roupas e equipamentos de proteção individual ao ter contato com pessoas ou ambientes que possam ser vias de contaminação e pouca circulação de pessoas em um mesmo ambiente.

Fornecedor de alimentos, o setor de produção animal é atividade essencial e não pode parar. Para manter a segurança, os especialistas reforçam a importância das boas práticas sanitárias. “A biosseguridade tem papel fundamental na proteção de rebanhos, granjas e propriedades rurais porque evita a entrada e disseminação de agentes infecciosos e que trazem prejuízos enormes, sejam de ordem de saúde animal, seja econômico”, explica a pesquisadora, que é virologista e atuou na identificação da vacina da Influenza A – H1N1 durante o surto da influenza em suínos, em 2009.

Medidas de biosseguridade

Para a segurança sanitária essas medidas são importantes tanto para as granjas de suínos como para as de aves:

Isolamento da área de produção

Para que se tenha controle de acesso aos animais, é importante isolar a produção com a instalação de cercas (impedem a aproximação de pessoas estranhas e outros animais), uso de um único acesso às granjas com área de desinfecção na entrada.

As opções podem variar desde um arco de desinfecção, bomba de aspersão motorizada ou outro método capaz de garantir a higienização e desinfecção de veículos. Pode ser instalado um pedilúvio e realizar a troca de calçado ou colocação de propé (sapatilha descartável que envolve o calçado) antes de ter acesso à granja.

Instalação de silos externos

Silos externos, próximos à cerca de isolamento evita que caminhões circulem na granja

Telamento de aviários

A entrada de pássaros, animais domésticos e silvestres no interior do aviário possibilita a disseminação de diversas doenças que causam impactos econômicos muitos grandes. Pode ocorrer também contaminação da ração e da água, transporte de ácaros e de piolhos, e disseminação aérea de microrganismos.

Isolamento do escritório

O escritório deve ficar próximo à cerca de isolamento, com a área suja voltada para a parte externa da cerca, e a área limpa voltada para o interior. É considerada área suja o local destinado às pessoas que chegam à granja, seja no transporte de animais e insumos, sejam visitantes, funcionários e proprietários antes de entrar na unidade produtiva. Já a área limpa é a parte interna da granja de produção. Na área limpa do escritório, devem ser armazenados documentos, remédios, sêmen e material de escritório.

Controle de acesso e higienização na entrada

O acesso de funcionários, proprietários e visitantes ao interior da unidade produtiva só poderá ser feito após os procedimentos de troca de roupa e calçados e lavagens das mãos.

A recomendação é que os visitantes estejam em vazio sanitário por no mínimo 24 horas. Ou seja, não podem ter contato com outros animais de produção, abatedouro ou laboratório que trabalha com agente infeccioso antes de entrar na granja. E a entrada deles deve ocorrer pelo vestiário, com troca de roupa e calçado de uso exclusivo no interior da granja.

Cuidados com a Covid-19:

Distanciamento humano

Durante a execução do trabalho, mantenha distanciamento mínimo de um metro de pessoas, mesmo sem sintomas aparentes. O vírus da Covid-19 está presente em gotículas liberadas do nariz e boca da pessoa infectada. A distância segura reduz a chance de contato com essas secreções.

Reforço nas medidas de higiene

Lavar as mãos frequentemente e atentamente com água e sabão e usar roupas e calçados próprios da granja durante a execução do trabalho. Quando possível, tomar banho antes do acesso à granja e, ao retornar a sua residência, retire os sapatos, lave as mãos com água e sabão, e se possível tome banho imediatamente. Roupas e sapatos usados devem ser higienizados. A limpeza de todas as superfícies frequentemente tocadas, como maçanetas, chaves, devem ser feitas com desinfetante.

Hábitos

O produtor deve estar atento ainda aos seus hábitos, evitando tocar olhos, nariz e boca, que são uma das principais formas de contrair o vírus.

Isolamento de grupos de risco

Produtores e colaboradores do grupo de risco (idosos ou portadores de comorbidades – presença simultânea de mais de uma doença, como diabetes ou hipertensão) devem reavaliar a necessidade de continuar trabalhando, sendo recomendado que se resguardem ou sejam alocados a outras atividades sem contato social com outras pessoas.

Pessoas com sinais de gripe ou mal-estar devem permanecer em casa, sem ir à granja. Em caso de apresentar sintomas como febre, tosse e dificuldade respiratória, devem permanecer em casa e seguir as instruções da Unidade de Saúde em seu município quanto a suspeita de Covid-19.

Vacinação contra a gripe

O produtor também deve estar atento a campanha anual de vacinação da gripe, mesmo que a vacina da gripe não proteja contra a Covid-19 é importante tomar a vacina para reforçar a imunidade e para ajudar o médico no diagnóstico, caso o produtor tenha sintoma.

Lembre-se

O trabalho na granja continua o mesmo. Novos hábitos do avicultor, do suinocultor e dos colaboradores envolvidos na atividade é que vão fazer a diferença no enfrentamento da pandemia de Covid-19 e na preservação de sua segurança, bem como em todas as enfermidades que podem acometer pessoas e a produção.

Coronavírus

Os coronavírus (CoV) são responsáveis pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e, por isso, receberam a denominação de Sars-CoV. De acordo com pesquisadores, essa família contém espécies de vírus que causam infecções comuns em humanos e animais. Alguns coronavírus são zoonóticos como o Sars-CoV-2, causador da Covid-19 que os pesquisadores suspeitam que tenha se originado de morcegos e transmitido para humanos. Não se sabe se existe um outro hospedeiro intermediário, pesquisas estão em andamento.

Em menos de 15 anos, doenças importantes ameaçaram a produção de suínos e de aves no mundo e exigiram dos produtores a adoção de medidas de biosseguridade para controle, erradicação e proteção de seus rebanhos. A maioria das enfermidades foi causada por vírus, alguns zoonóticos (transmissíveis entre humanos e animais), outros não. Um exemplo foi a gripe aviária, causada pelo vírus da influenza aviária H5N1, em 2005, e a gripe suína, em 2009, causado por vírus da Influenza A, o H1N1. Ambos provocam doenças respiratórias em animais e humanos.

Outro vírus da família Coronaviridae e que trouxe perdas econômicas grandes à produção animal é o da PED (Diarreia Epidêmica dos Suínos) e TGE (Gastrenterite Transmissível), que apresentam enfermidades causadas por diferentes vírus dessa família. “Ambos acometem apenas suínos, nos quais causam doenças altamente contagiosas que provocam diarreia resultando em perdas por mortalidade de leitões e de desempenho”, explicou o pesquisador e virologista da Embrapa, Luizinho Caron. O PEDV chegou nos Estados Unidos em 2013 e, desde então, tem sido notícia, inclusive no Brasil, devido às perdas econômicas que causa naquele país.

A lição da H1N1 para a biosseguridade

Com o início da pandemia de influenza em humanos em março-abril de 2009 na América do Norte (México, Estados Unidos e Canadá) e dias depois em países da Europa e Oceania. O vírus H1N1/2009 pandêmico (H1N1pdm09) rapidamente disseminou-se em suínos no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Foi demonstrado que os genes do vírus novo eram uma combinação de vírus de influenza suína da América do Norte e de linhagens da Eurásia e que nunca haviam sido identificados em suínos ou em outra espécie anteriormente. “O suíno é um hospedeiro importante, pois pode se infectar com subtipos virais de diferentes espécies que provocam a gripe humana, aviária e suína”.

O H1N1pdm09 foi reconhecido como um vírus novo, emergente, zoonótico, possui fragmentos genômicos originários de vírus humanos, aviários e suínos, inclusive fragmentos do vírus de influenza da pandemia de 1918, da Gripe Espanhola que matou aproximadamente 50 milhões de pessoas no mundo, 35 mil no Brasil.

Até então, a doença não era um problema respiratório importante em suínos e as análises realizadas no País não apontavam a presença do H1N1pdm09 antes de 2009. No entanto, hoje é considerado como o principal agente etiológico associado ao complexo de doença respiratória suína.

Ela é caracterizada por um quadro clínico respiratório agudo, acometendo grande número de suínos de várias faixas etárias. Atualmente, a prevalência de influenza em rebanhos brasileiros é de 60%. Além disso, sequenciamento genômico indicou que fragmentos do genoma do H1N1pdm09 estão presentes em todos isolados de vírus da influenza em suínos analisados pelas nossas pesquisas.

A suspeita é que a doença foi introduzida em criações brasileiras por transmissão de humanos gripados para os suínos, pois nos rebanhos que primeiro reportaram a doença, não existiu entrada de outros animais ou outro risco sanitário significativo que levasse a introdução do novo vírus. “A saúde humana e animal estão relacionadas. Os trabalhadores da suinocultura devem se vacinar anualmente contra a gripe”, reforça.

Por isso, os cientistas alertam para a importância de se adotar medidas de biosseguridade nas granjas. “É fundamental para evitar os riscos de introdução e da disseminação dentro dos rebanhos”, afirma Zanella.

A transmissão de doenças virais entre espécies, como as que passam de humanos para suínos, e vice-versa, favorece alterações na sequência do genoma do microrganismo, a chamada mutação. É daí que surgem novos vírus entre os quais alguns serão mais patogênicos e para os quais não haverá imunidade.

“Devemos ter em mente que a saúde humana e a saúde animal estão relacionadas e que a vacinação anual contra a gripe de trabalhadores da suinocultura (produtores, veterinários, transportadores de suínos, etc) deve ocorrer para evitar introdução de vírus humanos em suínos. Assim, além do reforço na biosseguridade (limpeza, desinfecção e demais medidas citadas acima), essas são medidas importantes para evitar que novos vírus surjam, alguns mais patogênicos, para os quais os animais ou os humanos não têm imunidade”, alerta a pesquisadora da Embrapa.

Na avicultura, além do H5N1, outro vírus representa risco à produção. É o da Bronquite Infecciosa, outro membro da família CoV e que acomete apenas galinhas. Ele é causador de doença altamente contagiosa e impõe fortes perdas econômicas à avicultura. Nas primeiras semanas de vida das aves, é possível observar coriza, ouvir espirros e as lesões no sistema respiratório afetam o consumo de ração e, por consequência, o desempenho do lote.

Na suinocultura brasileira e norte-americana, emergiu recentemente um agente causador de uma doença vesicular, o Senecavírus. Apesar de não ser uma zoonose, a infecção pelo por esse microrganismo causa lesões vesiculares semelhantes à febre aftosa, doença de controle oficial e de notificação. Por causa disso, o diagnóstico diferencial para aftosa deve ser realizado em laboratório oficial, o que onera a cadeia.

Biosseguridade tem protegido o Brasil da PED

Diferentemente do Senecavírus, a PED não teve grande impacto dentro das fronteiras brasileiras, ao contrário do que ocorreu em países vizinhos como Peru e Colômbia. E isso se deve ao nível de biosseguridade das propriedades, que manteve o plantel de suínos protegido, colocando em prática medidas para garantir a saúde dos animais. “Como não há vacina disponível para a doença, a proteção do rebanho precisa estar focada em ações de biossegurança e prevenção. Higiene, limpeza das instalações e controle na circulação de pessoas e veículos são ações básicas para minimizar o risco da doença”, enfatiza a pesquisadora Janice Zanella.

Essa prática, de acordo com a pesquisadora, deve ser constante, não somente em momentos de surto. “Boa biossegurança deve ser realizada o tempo todo para garantir a proteção da suinocultura, da economia, da indústria e da sociedade brasileira”. Além disso, cada granja deve estabelecer seus próprios procedimentos, identificando os principais pontos de risco, nos quais o cuidado deve ser ainda maior.

Manter-se livre das doenças na produção também poderá significar uma ótima oportunidade de negócio para o Brasil. O país é um grande produtor e exportador agrícola e um importante fornecedor mundial de carnes de qualidade, de acordo com Zanella. Mesmo com seu volume elevado, a produção brasileira é livre de importantes problemas sanitários que acometem outros grandes produtores de carne suína e de frango, como a Peste Suína Africana (PSA), a Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRS), a influenza aviária ou gripe aviária.

Para os pesquisadores, a biosseguridade é o pilar mais importante da cadeia produtiva. “Medidas de biosseguridade em granjas têm como foco mitigar os riscos de contaminação de rebanhos e a disseminação de doenças. A sobrevivência de agentes causadores e transmissores de doenças depende muito de condições ambientais”, detalha a pesquisadora.

O crescimento das zoonoses

De acordo com a pesquisadora Janice Zanella, 75% das doenças emergentes e reemergentes do último século são zoonoses. Ou seja, doenças de origem animal que, além de causar fatalidades humanas e animais, afetam a economia. “Os seres humanos sempre dependeram de animais para alimentação, transporte, trabalho e companhia. Entretanto, eles podem ser fontes de doenças infecciosas causadas por vírus, bactérias e parasitas, que passam para os humanos”, lembra Zanella.

A pesquisadora explica que os vírus podem sofrer mutações ou modificações para uma adaptação ao hospedeiro humano. “Novos vírus são capazes de transmissão rápida por não haver resposta imune no hospedeiro ou vacinas disponíveis, caso do Sars-CoV-2”, relata.

Outro exemplo dessa evolução dos vírus, segundo Janice, foi o Sars 1, em 2002, identificado na China. “Especialistas verificaram a necessidade de fechar cidades. Ele era um vírus sem muita transmissibilidade, mas com grande mortalidade. Depois, no Oriente Médio, o hospedeiro era o camelo, com o Mers, também da família dos coronavírus, com taxa de mortalidade em torno de 30%”.

A pesquisadora aponta o aumento populacional como um dos mais importantes fatores dessa emergência e reemergência de zoonoses. “Esse aumento da população, aliado à urbanização das cidades, provoca densidade concentrada em centros urbanos, o que vai impactando vários setores: comércio, globalização, viagem, mudanças de clima, alterações do habitat”.

A biodiversidade é uma preocupação no Brasil, de acordo com a cientista, pois o país possui muitos animais e plantas de muitas espécies. “Com certeza, vamos ter vírus e outros agentes que não conhecemos. Porém, o Brasil nunca deu origem a uma pandemia. Temos apenas que ficar alerta, pois temos doenças causadas por mosquito, por exemplo, e doenças emergem e reemergem em todos lugares”.

Para ela, o país deve ficar alerta e manter o alto nível de segurança em sua indústria de proteína animal. “Nossa carne é de muita qualidade. No Brasil, a inspeção é rigorosa e eficiente, sendo um sistema modelo para o mundo. O consumo de carnes de caça, por exemplo, é regional, o comércio não ocorre e os abates devem seguir as mesmas normas da produção comercial”.

Zanella enfatiza que prever o surgimento ou volta de epidemias não é algo fácil. O ponto-chave, para ela, é a prevenção e a identificação de patógenos em animais e responder rapidamente antes que a doença se torne uma ameaça à população humana. O trabalho deve ser coordenado entre vários atores da sociedade e poder público. “É preciso investimento e valorizar a biosseguridade”.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saiba a diferença

Bem-estar animal X Direito dos animais

Bem-estar animal e direito dos animais são dois conceitos diferentes, mas que algumas ONGs ou pessoas não entendem ou fingem não entender a diferença

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Arquivo/OP Rural

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Para o médico-veterinário doutor em Ciência Animal, Cleandro Pazinato Dias, co-autor do livro Bem-estar dos Suínos, a primeira condição para discutir os ataques à produção de proteína animal por uma parte da sociedade é entender a diferença entre bem-estar animal e direito dos animais. Dias, que é consultor, pesquisador e suinocultor, acredita que os ataques como os da Xuxa serão cada vez mais frequentes simplesmente pelo fato de que esses ativistas querem o fim da produção de proteína animal, algo inconcebível e até caricato em um mundo onde a fome ainda atinge mais de 820 milhões de pessoas, conforme o relatório ‘O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018′, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Dias explica que o bem-estar animal está ligado à produção de proteína, total e absolutamente pautado em ciência. Já o direito dos animais é intrínseco, por exemplo, aos animais de companhia, de estimação, como cães e gatos. No entanto, sugere o pesquisador, essas Organizações Não Governamentais (ONGs) não entendem ou fingem não entender a diferença entre os conceitos. Em sua opinião, é uma minoria de pessoas, mas que acaba confundindo a população em geral sobre os temas.

“Há uma grande diferença entre direito dos animais e bem-estar animal tem que ficar muito clara antes de iniciar um debate. O bem-estar animal vale para a suinocultura, mas também para todas as cadeias de proteínas, como leite, ovos, frango e carne bovina. O objetivo básico do bem-estar animal é melhorar qualidade de vida deles por meio de melhor alimentação, melhor alojamento, garantia da saúde e ambiente que lhe permita expressar seu comportamento. As práticas de bem-estar animal são feitas com base em pesquisas, em estudos que ajudem a melhorar esses parâmetros”, menciona Dias.

Ele explica que o bem-estar é observado não só nas granjas, mas também no transporte até o frigorífico e abate dos animais. O profissional destaca, por exemplo, que os animais são insensibilizados e não sentem dor ou qualquer outro infortúnio quando são abatidos. “A suinocultura, como também as outras cadeias de produção animal, é altamente regulamentada por órgãos oficiais, com base na ciência, com o objetivo que seja a mais humanitária possível, da granja ao abate. “O abate, por exemplo, ocorre sem dor e sem consciência”, frisa. Nas plantas mais modernas, a insensibilização ocorre com gás. Outros utilizam eletricidade – os animais são sensibilizados antes de sentirem dor.

Dias explica que além da qualidade nutricional, a suinocultura está cada vez mais conectada à produção ética, com respeito aos animais, aos trabalhadores, às comunidades e ao meio ambiente. “Além de ser importante para a geração de renda e alimento de qualidade, a suinocultura trata os animais com toda a dignidade, está cada vez mais conectada com a qualidade do produto, mas também qualidade ética, em todos os aspectos.

Ainda nas granjas, infraestrutura de primeira garante desempenho zootécnico e bem-estar animal. Dias garante que a ampla maioria das granjas brasileiras são modernas, inclusive climatizadas, e estão entre as melhores do mundo. “Já faz anos que começaram a surgir granjas cada vez mais modernas, até 100% climatizadas, com controle de temperatura, qualidade do ar, etc. As granjas brasileiras estão no patamar das melhores do mundo. Não perdemos para ninguém. Estamos no mínimo equivalentes aos melhores. Conheço granjas em outros países. Não podemos nos encolher para ninguém. Não da para achar que a gente é melhor que os outros, pois sempre tem alguém fazendo algo novo, mas estamos no nível dos melhores”, destaca.

Ainda conforme o pesquisador e consultor, as granjas mais antigas estão se transformando. “Foram criados modelos novos de produção, com propriedades dedicadas a creches ou engorda, por exemplo. Nesse contexto, as agroindústrias são muito eficientes”, aponta.

Para o médico-veterinário doutor em Ciência Animal e também produtor, no vídeo publicado por Xuxa há claros sinais de transgressão às práticas de bem-estar animal, mas trata-se de exceções. “Realmente o cidadão estava cometendo maus tratos. Esse é um extremo ruim da nossa cadeia, mas ele faz parte da cadeia, temos que entender para corrigir. Em minha opinião, eles (ONG Mercy for Animals) foram a dedo escolher um cara desses para ter argumentos e fatos, para dar base para eles defenderem que essa produção tem que parar”, avalia.

“Ataques de ativistas ao agronegócio serão cada vez mais frequentes”

Já o direito dos animais, frisa Dias, quer simplesmente acabar com a produção mundial de proteína animal. Ele versa, entre outras situações, na prática de abandono de pets nas ruas, no acorrentamento em espaços sujos e inadequados, na alimentação restrita e na manifestação de doenças sem o devido tratamento. “Muitas pessoas da zona urbana estão desconectadas da zona rural, não sabem da onde vem o alimento. Muitas ativistas dos direitos dos animais são vinculadas a ONGs, que, como primeiro ponto, querem a abolição da produção animal, querem que as pessoas parem de consumir leite, ovos e carne. Muitas estão ligadas ao vegetarianismo ou ao veganismo, que é mais extremo”, pontua.

Com visões tão diferentes, sugere Dias, profissionais de produção e ativistas jamais vão entrar em consenso. “Dificilmente vamos encontrar um meio termo nessas duas linhas de raciocínio. O direito dos animais é abolicionista, quer extinguir a produção”, reforça. “As partes não conversam entre si. O radicalismo é cada vez mais evidente na humanidade, as pessoas que pensam completamente diferentes não consegue falar entre si. Nesse caso, há uma diferença filosófica gigantesca”, amplia.

Por conta dessa visão oposta, sugere o pesquisador e produtor, os ataques ao agronegócio serão cada vez mais frequentes. “Essas investigações sigilosas vão ser cada vez mais usadas por essas ONGs de proteção ao direito dos animais. Ataques ao agronegócio vão ser cada vez mais frequentes, vão se repetir com muito mais agressividade. Vão aumentar em frequência e em nível de qualificação, por assim dizer, como essa que utilizou um drone. Eles pensam: vou bagunçar o coreto desses produtores de proteína animal, vou bagunçar a casa deles, pois não concordo com o que eles fazem. Para isso, vão tentar descobrir os piores transportes, os piores produtores, as piores indústrias, as falhas que tiverem no processo eles vão captar para jogar na mídia, fazendo com que aquilo pareça algo rotineiro, como se, na verdade, a exceção fosse a regra”, sustenta o profissional.

Para Dias, essas pessoas são poucas, mas conseguem criar desafios para o setor de proteína animal pois são financiadas, têm recursos financeiros à disposição. “Os ativistas têm recursos, têm empresas que colocam dinheiro, empresas que patrocinam, fazem campanhas na Internet, vão comprar drone, vão viajar, etc., não são desarticulados”, destaca. “É um grupo pequeno, mas que faz um barulho muito grande”, amplia.

Evolução do bem-estar animal

Dias é co-autor do primeiro livro em Português editado no Brasil, em 2014. Nos últimos seis anos, houve também evolução no bem-estar dos animais. “Esse livro foi um marco porque foi o primeiro em língua portuguesa. De 2014 até hoje a suinocultura evoluiu muito, por exemplo, com a adoção de gestação coletiva, em baias com vários animais, ao invés de gestação nas gaiolas individuais. Quando lançamos o livro, a gestação coletiva estava iniciando no Brasil. De lá para cá, as principais empresas produtoras, que são BRF, Seara JBS, Aurora, Frimesa, Pamplona e Alegra, já estão em transição para a gestação coletiva. “Juntas, representam cerca de 60% do mercado de produção de carne suína no país”, justifica o pesquisador. “É um exemplo claro e incontestável de evolução em bem-estar animal”, garante.

Ainda segundo Dias, “o bem-estar animal é pauta em todos eventos, congressos e nos trabalhos científicos produzidos nas universidades. Nosso entendimento de bem-estar animal hoje é muito contundente”, diz.

O pesquisador e produtor acredita que os avanços no setor não param com o tempo. “Para o futuro, vamos produzir carne suína com o bem-estar cada vez mais evoluído, vamos ser ainda melhores, levando lado a lado com as questões econômicas. O bem-estar na suinocultura vai continuar evoluindo, seja na melhoria das instalações, na alimentação, entre outros aspectos e outras áreas de tecnologia, como climatização e ambiência”, garante. Para Dias, a suinocultura já aplica o bem-estar único, que inclui animais, funcionários, comunidade no entorno e meio ambiente.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

O rigoroso transporte de suínos que Xuxa não conhece

Produtores, transportadores e indústrias são responsáveis pela produção de suínos saudáveis, manejados e transportados respeitando BEA, boas práticas no manejo pré-abate e segurança do alimento

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Divulgação/ABCS

 Artigo escrito por Charli Ludtke, médica veterinária e diretora técnica comercial da ABCS

No Brasil são transportados mais de 92 milhões de suínos ao ano, sendo que a maioria das viagens está relacionada ao transporte dos animais para os frigoríficos, quando atingem o peso para o abate que varia de 100 a 130Kg. A decisão de transportar os suínos requer responsabilidade compartilhada entre o produtor, transportador e a indústria, devendo ser adotadas as boas práticas e o bem-estar animal durante toda a viagem. Produtores, transportadores e indústrias são responsáveis pela produção de suínos saudáveis, manejados e transportados respeitando o bem-estar animal, as boas práticas no manejo pré-abate e a segurança do alimento.

Os produtores são responsáveis por manter os animais saudáveis e bem nutridos, e em condições físicas adequadas para a realização da viagem. Além disso, manter com a agroindústria uma equipe capacitada com colaboradores cuidadosos para realizar o manejo de embarque dos suínos, é essencial. Para realizar o transporte dos animais, os produtores precisam solicitar a emissão da GTA (Guia de Trânsito Animal) nas unidades veterinárias da região para fins de controle do trânsito dos animais, exigências sanitárias (saúde) e rastreabilidade dos suínos. O transporte dos suínos da granja ao frigorífico é realizado em veículos específicos para este fim e acompanhado de toda a documentação fiscal e da GTA. As empresas de transporte, proprietários de veículos e motoristas são responsáveis pelo planejamento da viagem, transportar somente animais aptos para a viagem e garantir o cuidado durante todo o percurso, além disso buscar atender os requisitos que se refere a: utilizar o veículo e lotação adequada para a viagem, (espaço disponível para todos os animais deitarem) capacitar todos os envolvidos no transporte, principalmente os motoristas em relação ao comportamento e bem-estar dos animais. Assim como desenvolver e manter o plano de viagem incluindo o embarque e desembarque dos animais, duração da viagem, caminho a ser percorrido e o plano de contingência para tratar de emergências (acidentes, condições climáticas adversas) visando minimizar o estresse dos animais durante o transporte.

Os responsáveis das indústrias devem promover as boas instalações durante o embarque, transporte e desembarque no frigorifico, de forma que os suínos possam ser conduzidos com o mínimo de estresse e proporcionando interação positiva com os manejadores. Atenção deve ser dada ao frigorifico, quando os suínos desembarcam e são encaminhados para a área de descanso, antes de serem abatidos. Este ambiente deve promover a recuperação dos animais com áreas adequadas de descanso, conforto térmico, acesso a água e proteção das condições climáticas adversas. Nesta etapa todos os suínos são avaliados pelo Médico Veterinário Oficial quanto aos aspectos de saúde e do bem-estar animal, a fim de permitir que sejam encaminhados ao abate.

Toda a equipe de colaboradores do frigorífico que maneja diretamente os animais deve ser treinada para adotar as boas práticas, evitando assim o sofrimento e o estresse desnecessário aos suínos, mantendo os padrões de qualidade e de segurança do alimento. O transporte constitui uma importante parte do processo, e se não for bem executado pode ocasionar sérios problemas de bem-estar aos animais e de perdas econômicas. A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) tem desenvolvido material técnico e treinamentos para a conscientização de toda a cadeia de suínos, atuando, junto às suas afiliadas estaduais na capacitação, visando o aprimoramento do bem-estar animal nas granjas e as boas práticas no transporte e frigorífico. Assim, a suinocultura brasileira se mantém em sintonia com as exigências dos consumidores.

Nota do editor: O título deste artigo não reflete a opinião da autora. É de responsabilidade do jornal O Presente Rural.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Uso de leveduras vivas na suinocultura: alternativa para nutrição de matrizes prolíficas

Esperamos que no futuro o uso destas estratégias de Nutrologia sejam cada vez melhor aplicadas para melhorarmos a eficiência produtiva animal

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Alexandre Barbosa de Brito, médico veterinário, PhD em Nutrição Animal e gerente técnico LAM da AB Vista

Nas últimas décadas o tamanho da leitegada e o número de leitões desmamados por porca por ano foram consideravelmente melhorados, principalmente devido à maior produtividade da matriz visando esta característica nos processos de seleção. Com um aumento de 0,2 leitão/ano nos últimos 20 anos. O número de desmamados/fêmea/ano nos Estados Unidos saiu de 23,2 para 25,0 leitões e na União Europeia de 24 para 27,8 leitões, se compararmos os dados de 2008 a 2017.

Realizando uma comparação com dados brasileiros apresentados pela Agriness (2020), podemos observar que o número médio de nascidos vivos/fêmea/ano no Brasil foi de 27,22 leitões em 2008, para 31,02 leitões em 2019, incremento de 14%. Neste mesmo período, houve uma redução do peso médio do leitão ao nascimento de 1,47kg em 2008 para 1,37kg em 2019, uma perda de 100gr/leitão, ou de 6,8%.

O aumento do tamanho da leitegada levou inevitavelmente a uma redução no peso médio de nascimento dos leitões e a uma escalada na variabilidade de peso desta leitegada. Analisando outros dados, o peso ao nascer e o tamanho da leitegada são características importantes para a produtividade. Aumentos rápidos no tamanho da leitegada interferem na produtividade anual de reprodutoras. Peso ao nascer mais leve em leitões tem sido associado a uma maior mortalidade ao desmame, taxas de crescimento mais lentas e diminuição da qualidade de leitões. Estes dados referem-se, possivelmente, a um resultado de menor volume de fibras musculares primárias. De forma geral, existem animais que nascem com até 0,89 kg de diferença entre aqueles mais leves e os mais pesados, o que influenciam em até 9,64 kg o peso ao abate (Tabelas 1 e 2).

Fica claro que elevar o peso geral da leitegada possui uma medida de correlação muito elevada com o peso ao abate, pois animais mais pesados ao nascer irão possuir um melhor volume de fibras musculares de qualidade que sustentaram o crescimento futuro deste animal.

Uma forma para sustentar o crescimento do peso da leitegada ao nascimento refere-se ao uso de leveduras vivas na alimentação das fêmeas suínas reprodutoras durante a gestação e lactação. Embora haja muitos fatores que possam afetar o peso do desmame, o uso de leveduras vivas deve ser algo a ser considerado como uma importante ferramenta para elevá-lo.

Estudo norte-americano analisou-se a suplementação de levedura viva em um período de 18 dias de lactação. Os resultados mostraram que as taxas de crescimento em maternidade de leitões proveniente de matrizes alimentadas com leveduras vivas foram melhoradas em 6% em relação aos leitões controles (0,30 kg extras em peso à desmama). Além disso, os leitões nas porcas alimentadas com levedura viva tiveram uma mortalidade reduzida antes do desmame em comparação com os leitões do grupo controle. Esta redução da mortalidade pré-desmame resultou em 0,5 leitões a mais por desmame. Trabalhos europeus mostraram que para leitões desmamados com idades mais elevadas (> 21 dias), a taxa de crescimento pré-desmame aumentou (+12%) e houve um volume extra de 0,4 leitões desmamados quando as matrizes foram alimentadas com levedura viva durante o período de lactação. Com base em três ensaios, o ganho de peso médio ao desmame foi de +0,86 kg/suíno.

Em outro trabalho, o uso associado de levedura viva durante a fase de gestação gerou um benefício de até 3.1 kg de peso de leitegada (Tabela 4).

Atuação

Uma importante pergunta que resta ser respondida seria: Porque a levedura viva beneficia a matriz suína a ponto de elevar o peso ao nascimento da leitegada e melhorar sua performance na maternidade?

Existem diferentes razões para os resultados apresentados nestes trabalhos, essencialmente a levedura viva é um probiótico e atua como aglutinante de patógenos por meio de seus oligossacarídeos mananos exclusivos na parede celular externa, o que reduz a população de patógenos no lúmen intestinal. As leveduras atuam igualmente como um eliminador de oxigênio, o que suprimem o crescimento de bactérias indesejáveis, enquanto mudam o ambiente intestinal para mais favorável à fermentação de fibras, pois a maioria da microbiota fermentadora de fibras é anaeróbica e prefere um pH mais baixo do que a microbiota patogênica.

O ambiente luminal favorável para bactérias degradadoras de fibra pode resultar em maior hidrólise da fibra em detergente neutro, em níveis mais altos de produção de ácidos graxos voláteis e, portanto, em um nível mais alto de extração de energia nos materiais de alimentação, que pode ser desperdiçado. Ambos os modos de ação são fundamentais para apoiar as necessidades do animal durante períodos estressantes.

Esperamos que no futuro o uso destas estratégias de Nutrologia sejam cada vez melhor aplicadas para melhorarmos a eficiência produtiva animal e um desenvolvimento sadio do trato gastrintestinal.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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