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Embrapa Pecuária Sul apresenta tecnologias para uma pecuária mais sustentável na COP30
Pesquisas em genética e manejo de pastagens mostram como a ciência pode reduzir emissões e aumentar a eficiência produtiva no campo.

A Embrapa Pecuária Sul estará presente na AgriZone, durante a COP30, que ocorre de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA), apresentando tecnologias estratégicas para a mitigação da emissão de gases de efeito estufa (GEE) na pecuária. Além das tecnologias, o chefe-geral do centro de pesquisa, Fernando Cardoso, participa de diferentes discussões e debates no evento. A AgriZone é uma grande vitrine de tecnologias, ciência e cooperação internacional voltada à agricultura sustentável e ao combate à fome em um contexto de mudança do clima. O espaço coordenado pela Embrapa e pelo Mapa, estará aberto ao público durante todos os dias do evento das 10h às 18h e vai abrigar aproximadamente 400 eventos, vitrines virtuais de soluções sustentáveis e vitrines vivas com tecnologias de baixo carbono e que tornam a agricultura mais resiliente à mudança do clima. A AgriZone está instalada na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém.
Uma das tecnologias destacada é a Prova de Emissão de Gases (PEG), avaliação que busca selecionar bovinos que emitam menos metano (CH₄), ao mesmo tempo em que convertem com mais eficiência o alimento consumido em peso vivo. A identificação dos jovens reprodutores com menores índices de emissão de metano pode ser empregada no melhoramento dos animais, usando a genética na formação de progênies com essa característica.

Foto: Fabiano Bastos
Com a consolidação de um robusto banco de dados para o atributo de menor emissão de CH₄, a Embrapa e associações de raça parceiras na realização da PEG poderão disponibilizar, nos programas de melhoramento genético, as DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie), indexadores que estimam a capacidade de um animal transmitir características genéticas para a sua descendência. Atualmente a avaliação é realizada com as raças taurinas Angus, Braford, Brangus, Charolês e Hereford.
Outra tecnologia apresentada pela Embrapa Pecuária Sul é o Pasto sobre Pasto, um conjunto de práticas de manejo associadas ao uso de mais de uma espécie forrageira em uma mesma área. A Embrapa Pecuária Sul tem recomendado a adoção da prática com o uso das cultivares forrageiras BRS Ponteio de azevém, BRS URS Entrevero de trevo-branco e BRS Estribo de capim-sudão, lançadas pela instituição e parceiros como a UFRGS e Sulpasto. As cultivares apresentam ciclos produtivos e características complementares, e são introduzidas sem a remoção das espécies que já estão no campo, sobrepondo curvas de produção de forragem ao longo do ano.
A prática possibilita maior estabilidade na oferta de forragem ao longo do ano, principalmente nos críticos períodos de transição entre as estações frias e quentes do ano, quando ocorrem os conhecidos vazios forrageiros. Outro importante benefício do Pasto sobre Pasto é que ao mesmo tempo em que se estabiliza e intensifica a oferta de forragem aos animais, também se proporciona o mesmo com relação à oferta de biomassa vegetal para a microbiota do solo. Eliminando períodos de falta de forragem, além de não reduzir a oferta de alimentos aos animais, é possível manter os processos de melhoria das condições de fertilidade do solo, relacionados com a maior ou menor atividade da microbiota do solo.
Agenda
O chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, participa, como painelista, do evento “Conectando Produção e Conservação: Rastreabilidade no Pampa para um Futuro Sustentável”, que será realizado no dia 14 de novembro, às 14 horas, durante a COP30. O objetivo é promover o diálogo entre instituições públicas, setor produtivo e comunidade científica sobre estratégias de rastreabilidade aplicadas à pecuária sustentável no bioma Pampa. Já no dia 17 pela manhã, Cardoso participa da apresentação do documento oficial da Embrapa na COP 30 junto com a diretoria da Embrapa e chefes de diferentes unidades do país. Outra atividade é no dia 18 em debate sobre pecuária sustentável em conjunto com pesquisadores da Embrapa Acre e Embrapa Gado de Corte.

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Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil
Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.
Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA
A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.
A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA
Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.
O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.
Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping
Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA
A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.
Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”
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Exportações de carne bovina de Mato Grosso crescem mais de 50%
Resultado foi impulsionado pela demanda internacional e valorização da tonelada embarcada.

Mato Grosso voltou a se destacar no cenário internacional da carne bovina ao registrar um desempenho recorde no primeiro trimestre de 2026. O estado exportou 251,83 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), volume que representa 26,72% de toda a carne bovina embarcada pelo Brasil no período — o maior já registrado para um primeiro trimestre na série histórica.
O resultado expressivo também aparece na comparação anual. Em relação ao mesmo período de 2025, o crescimento foi de 53,39% no volume exportado. Já a receita atingiu US$ 1,11 bilhão, alta de 74,71%, impulsionada tanto pelo aumento da demanda internacional quanto pela valorização da tonelada embarcada, que alcançou média de US$ 4,54 mil.

A China manteve-se como principal destino da carne mato-grossense no trimestre, concentrando 50,82% dos embarques, o equivalente a 127,97 mil TEC. O país asiático segue como motor da demanda global, sustentando volumes elevados de importação. No entanto, outros mercados começam a ganhar relevância. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 9,14% das compras (23,03 mil TEC), e chamam atenção pelo ritmo de crescimento: em apenas três meses, já adquiriram 57,38% de todo o volume exportado para o país ao longo de 2025.
Na avaliação do diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o resultado reflete um conjunto de fatores que vêm fortalecendo a pecuária. “Mato Grosso tem avançado na abertura de mercados e na valorização da sua carne. Esse crescimento mostra não só a força da produção, mas também a confiança dos compradores internacionais na qualidade e na regularidade do produto”.
“Além de volume, estamos ganhando valor. Isso passa por uma combinação de eficiência produtiva, melhoria genética, manejo e, cada vez mais, pela adoção de práticas sustentáveis, que são exigências dos mercados mais exigentes”, enfatiza o diretor de Projetos do Imac.
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Brasil abre mercado para exportação de miúdos bovinos ao Vietnã
Negociação amplia oportunidades para a cadeia da carne e reforça presença em um dos principais destinos do agro brasileiro.

O governo brasileiro concluiu negociações com o Vietnã que permitirão a exportação de miúdos bovinos (coração, fígado e rins) para aquele mercado.
A abertura fortalece o comércio com o quarto principal destino das exportações do agronegócio brasileiro e amplia as oportunidades para a cadeia bovina nacional, ao favorecer o aproveitamento integral do animal.
O Vietnã importou mais de US$ 3,5 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, com destaque para milho, complexo soja, fibras e produtos têxteis.
Com esse anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 592 aberturas de mercado desde o início da atual gestão.
Esse resultado decorre da atuação coordenada do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).



