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Embrapa marca presença na Expointer com lançamento de três novidades tecnológicas
Evento de apresentação das tecnologias acontece no dia 1º de setembro no Pavilhão Internacional.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresenta, durante a 45ª edição da Expointer, em Esteio (RS), três novas tecnologias para o setor agropecuário. No dia 1º de setembro, à tarde, no estande localizado no Pavilhão Internacional, serão apresentados ao público a cultivar de azevém BRS Estações, a Prova de Emissão de Gases (PEG), que avalia a quantidade de metano emitido por reprodutores bovinos, e o Sumário de Avaliação Genética Hereford e Braford 2022. O presidente da Embrapa, Celso Moretti, participa do evento, acompanhado do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes.
A presença da Embrapa na Expointer inclui a participação em eventos, palestras, assinaturas de novas parcerias, reuniões, painéis e fóruns. As tecnologias da empresa de pesquisa estarão expostas no Pavilhão Internacional junto com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Superintendência Federal de Agricultura do Rio Grande do Sul (SFA/RS), Rede de Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e em áreas de parceiros.
A Expointer acontece entre os dias 27 de agosto a 4 de setembro de 2022. Participam desta edição três Unidades da Embrapa: Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS), Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora, MG) e Embrapa Pecuária Sul (Bagé, RS).
Tecnologias lançadas
BRS Estações: A BRS Estações é uma cultivar de azevém de ciclo longo, recomendada para o cultivo em pastagens para alimentação de ruminantes na Região Sul do Brasil, mas também pode ser utilizada em parte da Região Sudeste, nos climas mais frios, sob irrigação. Oriunda do programa de melhoramento genético conduzido pela Embrapa, no âmbito do convênio com a UFRGS e a Sulpasto, a cultivar resolve dois problemas: a necessidade de pastagens de inverno mais produtivas e a ocorrência nos períodos de transição entre as estações quentes e frias do ano, quando acontecem os vazios forrageiros. A cultivar possui alta relação folha colmo, produtividade média 2% superior à cultivar disponível no mercado, e até 16% superior em produtividade de folhas, o que representa um ganho em qualidade da pastagem, melhorando a produtividade animal no período de inverno. A solução tecnológica foi desenvolvida pela Embrapa Gado de Leite e Embrapa Clima Temperado em parceria com outras instituições.
Prova de Emissão de Gases (PEG): Na COP26, realizada na Escócia em 2021, o Brasil aderiu ao “pacto internacional do metano”, visando reduzir a emissão desse gás, considerado fundamental na estratégia de mitigação do aquecimento global. Considerando que 76% das emissões nacionais deste gás provêm da agropecuária, sendo 90% destes vindos da fermentação entérica dos bovinos, a identificação de animais mais eficientes no uso dos alimentos e que, portanto, emitam menos metano por quilo de alimento consumido, passou a ser de grande relevância para a cadeia da carne bovina brasileira. A Prova de Emissão de Gases (PEG) é uma metodologia usada na Embrapa Pecuária Sul para mensurar a emissão de gás metano (CH4) por reprodutores bovinos. O teste busca identificar os animais com menor emissão de metano para cada quilo de alimento consumido e por quilo de peso vivo produzido. Atualmente o centro de pesquisa tem conduzido os experimentos com reprodutores das raças Angus, Braford, Charolês e Hereford.
Sumário de Avaliação Genética Hereford e Braford 2022: O sumário é uma parceria entre a ABHB, Embrapa Pecuária Sul, Geneplus e Embrapa Gado de Corte. O trabalho valoriza a avaliação genética como ferramenta para o melhoramento dos rebanhos brasileiros. A publicação irá apresentar um ano do trabalho dos criadores que utilizam o Programa Oficial de Avaliação Genética da Associação, o PampaPlus, com informações fundamentais de seleção para os plantéis dos criatórios e instrumentos de avaliação genética em prol do avanço genético das raças Hereford e Braford.
Agenda e Eventos
Confira abaixo a participação de representantes da Embrapa em diversas atividades durante a Expointer.
– No dia 28 de agosto: às 16h30, o chefe-geral e o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso e Marcos Yokoo, palestram sobre A Evolução Genética da Raça durante o evento “O dia Brangus”, realizado pela Associação Brasileira de Brangus.
– No dia 29 de agosto: às 11h30, os chefes-gerais da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, e da Embrapa Clima Temperado, Roberto Pedroso, participam do lançamento da Abertura Oficial da Colheita do Arroz, na Casa do Irga; às 14 horas, os chefes-gerais da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski, da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, e da Embrapa Clima Temperado, Roberto Pedroso, participam, na Casa da RBS, do Painel Duas Safras; às 17h30, o chefe-geral e o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso e Gustavo Silva, participam do Lançamento do Manual Selo Angus Sustentabilidade, no estande da Associação Brasileira de Angus.
– No dia 30 de agosto: às 13 horas, o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, participa como palestrante do Fórum Gaúcho de Mudanças Climáticas, no Estande da Sema; às 16 horas, o analista da Embrapa Pecuária Sul, Álvaro Neto, apresenta o Talk Agro – Conectando Ideias de Sustentabilidade no Agronegócio, no estande do Senar.
– No dia 31 de agosto: às 13h30, o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Naylor Perez, palestra sobre o Plano ABC+ – Contribuições e Oportunidades na Pecuária de Corte, com transmissão ao vivo pelo canal do NESPro no YouTube; às 14 horas, o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sul, Gustavo Silva, participa da Mesa Diretiva da Alianza del Pastizal; às 19h, o chefe-geral e o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso e Marcos Yokoo, participam do Lançamento do Sumário de Avaliação Genética Hereford e Braford 2022 e da entrega de prêmios dos campeões das raças, no estande da ABHB; às 19 horas, o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, participa do lançamento dos novos selos de reprodutores na Expointer 2022: Adaptação e Performance, no estande da Angus.
– No dia 1º de setembro: às 08h30 acontece a reunião da diretoria da Rede de Inovação do Agro do RS, na Casa da RBS; às 10 horas, o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Marcos Yokoo, participa da reunião anual do PampaPlus, no estande da ABHB; às 10 horas, acontece a assinatura do termo de cooperação entre Embrapa e TecnoPUC, com a participação do presidente da Embrapa, Celso Moretti; às 17h, o chefe-geral e o analista da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso e Roberto Collares, participam da Apresentação dos resultados da Prova de Avaliação a Campo e de Eficiência Alimentar da Raça Charolês, na Casa do Charolês, em evento promovido pela Associação em parceria com a Embrapa.
Parcerias
Emater/RS-Ascar: A cultivar de azevém BRS Estações, lançamento da Embrapa Clima Temperado e Embrapa Gado de Leite, estará exposta em vitrine tecnológica implantada no espaço da Emater/RS-Ascar durante a exposição. No local, serão realizadas apresentações e palestras técnicas sobre a nova cultivar.
Sindilat/RS: A Embrapa participa com o Sindilat/RS e o Ministério da Agricultura de ação para conscientização de crianças de cinco a 10 anos sobre o setor lácteo, incentivando o consumo de leite e derivados, fortalecendo a importância de todos os elos do setor, através do projeto Fazenda Doce de Leite.
Parceria com TecnoPUC: A Embrapa e a PUC/RS assinam Contrato de Cooperação Técnica para estabelecer parceria para o fomento ao empreendedorismo e inovação no setor agropecuário, com ações voltadas à dinamização do ecossistema de startups.
Associação Brasileira de Criadores de Charolês: seis animais das Provas de Avaliação a Campo, de Eficiência Alimentar e de Emissão de Gases (Embrapa/Charolês) estarão em exposição na Casa do Charolês.
Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB): no dia 31 de agosto, às 19h, no estande da Associação Brasileira de Hereford e Braford, será realizado o lançamento do Sumário de Avaliação Genética Hereford e Braford 2022.O Sumário é uma parceria entre a ABHB, Embrapa Pecuária Sul, Geneplus e Embrapa Gado de Corte. A publicação irá apresentar um ano do trabalho dos criadores que utilizam o Programa Oficial de Avaliação Genética da Associação, o PampaPlus, com informações fundamentais de seleção para os plantéis dos criatórios e ferramentas de avaliação genética em prol do melhoramento das raças Hereford e Braford.
Associação Brasileira de Angus: Para simplificar o processo de seleção genética dos rebanhos, a Associação Brasileira de Angus lançará dois novos selos de reprodutores na Expointer 2022: Adaptação e Performance. As certificações, desenvolvidas em parceria com a Embrapa Pecuária Sul e com o Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo), visam chancelar os animais que têm maior capacidade de adaptação e de desempenho, respectivamente, conforme dados das DEPs e índices disponíveis. O lançamento oficial dos novos crivos ocorrerá no dia 31 de agosto, às 19h, na casa da Angus.
Dando sequência ao fomento do Protocolo Angus Sustentabilidade, a associação da raça lançará, durante a Expointer, no dia 29 de agosto, às 17h30, o Manual Selo Angus Sustentabilidade. A publicação é resultado de parceria firmada com a Embrapa Pecuária Sul e será disponibilizada em versão impressa e digital.

Notícias Maior zona de livre comércio do mundo
Acordo UE–Mercosul reforça protagonismo do Brasil no comércio internacional
Após 25 anos de negociações, tratado reforça liderança brasileira no bloco sul-americano e amplia acesso a um dos maiores mercados do mundo.

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: ” O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação” – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser uma vitória do diálogo. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou.
Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é uma sinalização em favor do comércio internacional. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.
O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigor.
Notícias
Dia de Campo da Copacol conecta pesquisa, manejo e mercado ao produtor
Estudos do CPA mostraram, na prática, soluções para solo, soja e milho, além de análises de mercado para apoiar a tomada de decisão do produtor.

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo CPA (Centro de Pesquisa Agrícola), e contou com a participação de 1,5 mil visitantes. “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperados que já acompanham de perto o trabalho do CPA garantem que eventos como esse fazem a diferença, como comenta o produtor de Joetaesse, Cássio Henrique Moeller. “O CPA sempre nos ajuda a alcançar melhores resultados e potencializar nossa produtividade e eventos como o Dia de Campo agregam muito conhecimento e traz novidades que nos ajudam a crescer nas propriedades”.
Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.
Na prática
Um dos assuntos abordados nas palestras em campo foi a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção. Essa compactação consiste na incapacidade de o solo absorver a água, o que muitas vezes pode gerar o aumento da umidade na superfície, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. “Nós utilizamos o método Dres [Diagnóstico rápido de estrutura de solo] onde podemos avaliar o nível de compactação do solo para saber qual técnica deve ser aplicada em cada propriedade, seja com plantas de cobertura, ou utilização de maquinários. É um processo muito importante, que impacta diretamente no desenvolvimento das culturas e na produtividade delas”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do CPA, Andrei Regis Sulzbach.

Para cooperado de Jesuítas, Renato da Silva Tonelli, é importante acompanhar o trabalho do CPA, e saber que problemas que eles enfrentam no dia a dia, já estão sendo estudados e soluções já podem ser aplicadas na propriedade. “No último ano tivemos problema com relação a compactação de solo, e hoje vi que há um trabalho de pesquisa já sendo feito para desenvolver novas formas de manejo, melhorar nossas condições e minimizar esses problemas que nós que vivemos do campo temos”, comenta o cooperado.
Outro assunto que chamou atenção dos participantes foi o painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA, que são apresentadas com duas datas de semeadura, adubação em quantidades de acordo com a época e orientação de acordo com a região plantada, também foram apresentados manejos de doença e controle de pragas. “Apresentamos um demonstrativo com as épocas de semeadura diferentes com o mesmo manejo, onde fica visível a diferença de comportamento de cada planta, para mostrar a importância de se atentar as recomendações do CPA, de acordo com testes feitos na prática”, conta o engenheiro agrônomo André Luiz Borsoi.
Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor.
Além disso, também foram apresentados resultados sobre plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades e manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo.
Comercialização
O mercado também faz parte do processo produtivo, e entender como e quando comercializar os grãos, é fundamental para o cooperado. Pensando nisso, a abertura do Dia de Campo contou com uma palestra sobre tendências no mercado de commodities, com o consultor da StoneX Brasil, Étore Baroni. “O objetivo é trazer mais informações para os cooperados. São muitos fatores que influenciam nos preços, então, é preciso preparar o produtor para aproveitar as melhores oportunidades ao longo do ano. Tivemos mudanças muito fortes nos preços nos últimos anos e o CPA consegue trazer esse ganho de produtividade contínua. Por isso, é preciso alinhar a produtividade boa, com níveis de preços bons, mantendo uma rentabilidade para o produtor”, completa o consultor.
Notícias Maior zona de livre comércio do mundo
Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA
Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos
Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.
No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.
Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.
Carne suína
Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intra-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.
Aves
Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.
O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intra-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.
Cotas do acordo
Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos
A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.
Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.
Confira a Nota Setorial na íntegra:
NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.
O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.
No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.
Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.
No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intra-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.
Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.




