Peixes
Embrapa lança tecnologia para reduzir custo da tilápia e ampliar consumo de pescado nas escolas
Publicações apresentadas na Agrotins incluem cartilhas sanitárias, orientações para piscicultura familiar e livro com receitas testadas na merenda escolar à base de peixe sem espinhas.

A Embrapa aproveitou a realização da Agrotins 2026, em Palmas (TO), para apresentar um pacote de tecnologias e publicações voltadas à piscicultura, alimentação escolar e gestão da produção rural. Entre os destaques está uma nova tabela alimentar para tilápia-do-nilo em tanques-rede, tecnologia que promete reduzir em até 10% o consumo de ração e cortar 7% dos custos gerais de produção.
Os lançamentos ocorreram na última sexta-feira (15), durante a 26ª edição da Feira Agrotecnológica do Tocantins, uma das principais vitrines do agronegócio da região Norte.

Pesquisadora Flavia Tavares apresentou a nova tabela para alimentação de tilápia: “A proposta apresenta uma alternativa prática, segura e livre de espinhas, além de ser de fácil preparo e bem aceita pelos estudantes” – Foto: Elisângela Santos
Além do foco em eficiência produtiva, a Embrapa também direcionou parte das ações para ampliar o consumo de pescado na alimentação escolar. O livro “O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar” reúne 12 preparações culinárias desenvolvidas com carne mecanicamente separada (CMS) de peixe, produto processado sem espinhas e adaptado ao ambiente das cozinhas escolares.
A publicação foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Tocantins e busca enfrentar um problema recorrente nas redes públicas de ensino: a baixa presença do pescado nos cardápios, mesmo em regiões com forte produção aquícola.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Hellen Kato, a proposta busca oferecer uma alternativa prática para merendeiras e nutricionistas. “A proposta apresenta uma alternativa prática, segura e livre de espinhas, além de ser de fácil preparo e bem aceita pelos estudantes”, afirmou.
Os testes de aceitação realizados com crianças indicaram alto índice de aprovação das receitas. De acordo com o pesquisador Diego Sousa, o objetivo é incentivar gestores do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) a ampliar o uso do pescado nas escolas públicas.
Sanidade e mercado formal

Outra publicação apresentada durante a feira foi a cartilha “Principais doenças e boas práticas sanitárias na criação de tambaqui”, voltada especialmente à piscicultura familiar. O material reúne orientações sobre prevenção, identificação e controle de enfermidades na criação da espécie, considerada uma das mais relevantes da aquicultura brasileira.
A Embrapa também lançou a cartilha “Inclusão produtiva rural na piscicultura familiar”, com orientações para pequenos produtores acessarem mercados formais de comercialização. O material aborda exigências sanitárias, organização da cadeia produtiva e estratégias coletivas de comercialização.
Segundo Sousa, a formalização ainda é um dos principais gargalos enfrentados por pequenos piscicultores. “Para o piscicultor chegar no mercado formal, todos os elos da cadeia do pescado precisam estar coesos. Se tiver alguma falha, alguma ruptura, ele não vai conseguir acessar o mercado”, destacou.
Tecnologia e capacitação

Além das publicações técnicas, a Embrapa realizou o pré-lançamento de um software de gestão pecuária desenvolvido em parceria com a empresa Agro 365 dentro do Programa ABC Corte. A plataforma deverá ser disponibilizada no segundo semestre de 2026 e incluirá ferramentas de controle financeiro, gestão de estoque, manejo de talhões, acompanhamento produtivo e emissão de relatórios.
Na área de capacitação, foram apresentados dois novos cursos da plataforma E-campo. Um deles aborda produção de peixes em tanques-rede. O outro, “Aquacompete 3: Inteligência comercial e exportação na aquicultura”, será lançado oficialmente durante a Aquishow, programada para junho.
Segundo o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Pedro Alcântara, a plataforma já reúne mais de 170 treinamentos, dos quais cerca de 85% são gratuitos.

Peixes
Embrapa apresenta aplicativo gratuito para auxiliar gestão da piscicultura
Ferramenta reúne inteligência artificial, monitoramento da água, controle de custos e manejo de tilápia e tambaqui. Apresentação será no dia 05 de agosto.

A Embrapa promoverá no dia 05 de agosto, às 14 horas, uma apresentação on-line sobre o aplicativo Aquicultura Certa para técnicos, piscicultores e demais interessados. Disponível gratuitamente para dispositivos com sistema Android, o app é uma ferramenta de gestão inteligente da piscicultura, auxiliando no manejo e na tomada de decisões.
A apresentação será feita pelo pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (Campinas-SP) Silvio Evangelista, que explicará cada uma das funcionalidades da ferramenta. A participação é gratuita e o acesso pode ser feito clicando aqui.

Foto: Divulgação/Embrapa
A primeira versão do aplicativo conta com informações para a criação de tambaqui e tilápia. Nele, o usuário pode cadastrar seus tanques e criadouros, inserir informações sobre o número de alevinos, data de início da criação e peso alvo.
Um relatório traz indicadores sobre estimativa de despesca, estimativa de produção, custos com análises e tratamento da água, energia elétrica, produtos veterinários e manutenção do viveiro. O relatório traz também análises sobre a viabilidade econômica de cada viveiro.
O aplicativo ainda recebe dados sobre a biometria dos peixes, indicando curva de crescimento, calculando e orientando sobre a alimentação diária necessária. A qualidade da água também pode ser monitorada e as indicações de correção são feitas automaticamente usando, entre outras informações, os dados meteorológicos.
Alertas meteorológicos são emitidos pelo aplicativo, indicando, por exemplo, a recomendação de diminuir a quantidade de ração em certas condições climáticas, que mudam o comportamento dos peixes. O Aquicultura Certa conta ainda com recursos de inteligência artificial, que possibilitam tirar dúvidas do piscicultor por meio de um chat.
Reaqua
A apresentação do dia 05 será uma oportunidade de técnicos e piscicultores de todo o Brasil conhecerem melhor a ferramenta que está disponível gratuitamente. A iniciativa faz parte da Reaqua, rede que integra agentes de assistência técnica e extensão rural de todo o país. A coordenação da rede é da zootecnista Marcela Mataveli, da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO).

Foto: Paulo Michellon
De acordo com ela, “a Reaqua vem se consolidando como um espaço de articulação e troca de conhecimentos entre esses profissionais voltados à aquicultura. Nesse processo, vêm sendo realizadas oitivas com todas as instituições integrantes da rede, cujas contribuições têm orientado a definição das ações prioritárias”.
Marcela continua: “entre as principais demandas identificadas, destacam-se a apresentação e o compartilhamento de tecnologias voltadas aos sistemas intensivos de produção, alinhadas às soluções desenvolvidas pelo projeto BRS Aqua, fortalecendo a transferência de conhecimento e a inovação para o setor”.
Coordenado pela Embrapa, o BRS Aqua tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNA / MPA) e da própria Embrapa, contando ainda com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Para a live, Marcela espera a participação de diferentes públicos: extensionistas, técnicos, produtores e representantes de instituições parceiras. “A live busca fortalecer o engajamento da rede, ampliar o acesso a informações técnicas qualificadas e apresentar novas tecnologias que contribuam para o desenvolvimento e a competitividade da aquicultura brasileira”, entende.
Peixes
Tilápia registra queda nas cotações em todas as principais regiões produtoras
Levantamento do Cepea mostra retração semanal entre 0,10% e 0,61% nos preços pagos ao produtor.

Os preços da tilápia apresentaram recuo em todas as principais regiões produtoras monitoradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na semana de 13 a 17 de julho.
O maior valor foi registrado no Norte do Paraná, onde o quilo da tilápia foi negociado a R$ 10,31, apesar da retração semanal de 0,61%. Em seguida aparecem o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com cotação de R$ 10,04 por quilo e queda de 0,50%, e a região dos Grandes Lagos, onde o preço fechou em R$ 9,80, recuo de 0,52%.
Em Morada Nova de Minas, o quilo da tilápia foi comercializado a R$ 9,48, com desvalorização de 0,26% na comparação com a semana anterior.
No Oeste do Paraná, a cotação ficou em R$ 8,70 por quilo, a menor entre as regiões pesquisadas. Apesar disso, o mercado registrou a menor variação negativa da semana, com queda de 0,10%.
Os dados são do levantamento semanal do Cepea, que acompanha a evolução dos preços da tilápia nas principais regiões produtoras do país.
Peixes
Seguro-defeso pode passar a ser pago durante todo o período de proibição da pesca
Mudança também prevê cadastro nacional de pescadores artesanais e regras mais rígidas para combater fraudes na concessão do benefício.

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê que o Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal seja pago durante todo o período em que a pesca estiver proibida por medidas de preservação ambiental.
O Projeto de Lei 806/2026 altera a Lei nº 10.779/2003, que regulamenta o seguro-defeso, benefício concedido aos pescadores artesanais durante a paralisação temporária da atividade para garantir a reprodução das espécies.

Foto: Claudio Neves
Segundo o texto, o objetivo é evitar situações em que o pescador permanece impedido de exercer a atividade por determinação legal, mas deixa de receber o benefício durante parte do período de restrição.
Além da ampliação da cobertura, a proposta cria o Cadastro Nacional de Pescadores Artesanais e Marisqueiras. A ferramenta deverá reunir informações para registro, controle e cruzamento de dados, permitindo maior fiscalização na concessão e no acompanhamento do seguro-defeso.
O projeto também endurece as regras contra fraudes. Pela proposta, quem obtiver ou tentar obter o benefício mediante fraude ou má-fé ficará impedido de participar ou receber benefícios de programas sociais.
Autores da proposta, os deputados Carla Dickson (PL-RN) e Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmam que a medida busca garantir que os recursos do seguro-defeso sejam destinados exclusivamente aos profissionais que dependem da pesca artesanal como fonte de renda.
Tramitação
O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.




