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Embrapa lança jornada para discutir ciência e agricultura rumo à COP30
Soluções já adotadas na agricultura brasileira farão parte dos conteúdos da Jornada pelo Clima, a exemplo da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF, foto acima), exemplo de estratégia de produção caracterizada pela baixa emissão de gases de efeito estufa.

Uma campanha com ações de comunicação, eventos preparatórios em todas as regiões do País e uma grande exposição sobre agricultura sustentável durante a COP30 será lançada no dia 7 de maio, em Brasília (DF). A Jornada pelo Clima é uma iniciativa da Embrapa que visa debater e esclarecer os desafios e as soluções para uma agricultura de baixo carbono, inclusiva e resiliente à mudança do clima, nos diferentes biomas. A ação busca promover a ciência e as práticas sustentáveis no ano em que o Brasil sedia a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em novembro, em Belém (PA).
A Jornada pelo Clima parte do entendimento de que a ciência tem um papel fundamental na construção de sistemas agroalimentares mais adaptados e resilientes, capazes de reduzir a emissão de gases de efeito estufa; diminuir a pressão sobre biomas, florestas e recursos naturais; contribuir para a segurança alimentar e nutricional; e promover inclusão socioprodutiva e digital. Modelos de produção alinhados com os conceitos de bioeconomia e economia circular se incluem entre as abordagens para enfrentamento da emergência climática pretendidas no debate. Somam-se a esses objetivos ações que visam destravar os meios de implementação, incluindo transferência de tecnologia, capacitação e financiamento climático.
Os princípios e as ações da Jornada compõem a página especial que será alimentada durante todo o ano e ganhará vídeos, materiais educativos e vitrine virtual de tecnologias.
Lançamento da Jornada
No dia 7 de maio, em Brasília (DF), Embrapa e parceiros darão início aos Diálogos pelo Clima, um circuito de sete eventos, com duração de um dia cada, que vai percorrer todos os biomas brasileiros. O circuito reunirá representantes de órgãos governamentais, instituições científicas, universidades, organismos internacionais, organizações não-governamentais, empresas públicas e privadas, formadores de opinião e demais lideranças, em palestras e mesas-redondas sobre questões estratégicas para a agricultura, com ênfase nas implicações das mudanças climáticas e rumos futuros. A participação se dará por meio de convites e inscrições.
As diferentes visões e contribuições colhidas nos Diálogos serão consolidadas em um documento síntese a respeito dos temas discutidos, que poderá embasar a formulação de políticas públicas e apoiar os negociadores brasileiros na COP30.A iniciativa busca dar visibilidade e reunir informações sobre a diversidade da agropecuária brasileira que abrange desde pequenos produtores familiares, povos e comunidades tradicionais indo até grandes empreendimentos agrícolas, demonstrando a riqueza e a pluralidade do setor
“A Embrapa tem a ciência como sua principal ferramenta para enfrentar os desafios das mudanças climáticas na agricultura. Por isso, eventos como os Diálogos pelo Clima são fundamentais. Eles criam espaços de discussão qualificada, reunindo governo, setor produtivo, academia e sociedade para debater soluções sustentáveis para cada bioma brasileiro. Essa abordagem territorializada fortalece a construção de estratégias eficazes e alinhadas a realidades locais. Contamos com a participação ativa de instituições parceiras e entidades representativas da sociedade nos debates, de modo a contribuir para políticas públicas e ações concretas que garantam a segurança alimentar e a resiliência do setor agropecuário diante das mudanças do clima.”, ressalta a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.
Soluções já amplamente adotadas na agricultura brasileira, como o sistema plantio direto e a fixação biológica de nitrogênio, farão parte dos conteúdos da Jornada, intercaladas com tecnologias mais recentes e de potencial disruptivo, como novos bioinsumos que aumentam a resiliência de plantas e animais, protocolos de agricultura de baixo carbono, uso de sensores e inteligência artificial e técnicas para restauração florestal de áreas degradadas.
A Jornada pelo Clima é realizada com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), ao qual a Embrapa é vinculada, com o apoio de empresas patrocinadoras e de outras instituições públicas e privadas.
A casa da agricultura sustentável durante a COP30
A Jornada pelo Clima culminará na AgriZone, ou Casa da agricultura sustentável durante a COP30, ambiente de interação, discussão e relacionamento voltado ao debate sobre o presente e o futuro da agenda climática na agricultura. O Espaço estará aberto ao público de 10 a 21 de novembro, dias de realização da Conferência.
Essa iniciativa consiste em um pavilhão a ser montado na Embrapa Amazônia Oriental, centro de pesquisa localizado em Belém. A estrutura abrigará auditórios e salas para eventos técnicos-científicos e de negócios. Ambientes imersivos com recursos digitais vão permitir ao visitante viajar pelo Brasil para conhecer as melhores tecnologias e boas práticas já adotadas e de grande impacto positivo no enfrentamento à mudança do clima. No ambiente externo, serão montadas vitrines vivas com plantas, animais e demonstrações de sistemas de produção sustentáveis, como sistemas agroflorestais. Os visitantes terão ainda a oportunidade de entrar em uma área de floresta amazônica nativa e preservada a menos de 2 quilômetros da área oficial de negociação da COP30.
Estandes para patrocinadores e instituições interessadas em apresentar seus trabalhos, alinhados com a proposta, e áreas para que produtores familiares e comunidades tradicionais exponham e comercializem seus produtos (Feira da Sociobiodiversidade), além de uma praça de alimentação, estão previstos na estrutura.
“A ideia é promover, nesse grande espaço, experiências interativas e imersivas e apresentar a trajetória da pesquisa agropecuária frente à mudança do clima. Pretendemos envolver nas discussões instituições e atores nacionais e internacionais inseridos na temática, em total convergência com a agenda do clima e de forma a abranger toda a diversidade e grandeza da agricultura”, ressalta a diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler. Nesse espaço será possível discutir e vivenciar não apenas a agricultura brasileira, mas como a ciência pode gerar soluções que podem ser adaptadas a diferentes contextos.
Chamada pública
Chamada pública será aberta nos próximos dias para que interessados em compor a agenda programática técnico-científica na AgriZone apresentem à Embrapa suas iniciativas. A chamada será dirigida aos diversos segmentos da sociedade civil, setor produtivo, empresas públicas e privadas – sejam elas de grande ou pequeno porte -, parceiros, patrocinadores e entidades representativas ligadas à temática, tanto nacionais quanto internacionais.
“É importante dimensionarmos interesses e necessidades e conciliá-los com as viabilidades de tempo, recursos logísticos e infraestrutura, de modo a compor uma agenda plural e representativa dos diversos segmentos da sociedade civil dentro da AgriZone para as duas semanas de evento”, explica Daniel Trento, assessor da diretoria da Embrapa.
A Jornada pelo Clima tem o apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária. A expectativa é que o espaço AgriZone faça parte da agenda oficial do Brasil na COP30, como ambiente de visitação e eventos.
Patrocínios e parcerias
Alguns eventos e produtos de comunicação previstos na Jornada pelo Clima, incluindo a realização de viagens de jornalistas a centros ou a experimentos de pesquisa (press trips), serão viabilizados com recursos de patrocínios. Desde setembro de 2024 o projeto tem sido apresentado a parceiros e potenciais patrocinadores. O book de patrocínio e os critérios para seleção estão disponíveis no Portal Embrapa.
Feiras e exposições
Estandes da Embrapa em feiras e exposições realizadas em 2025 contarão com áreas específicas chamadas Espaço do Clima. É nesse espaço que o trabalho da Empresa e parceiros voltado à mitigação de emissões e adaptação à mudança do clima será apresentado, com os conteúdos adequados ao perfil de cada feira.
O estande da Embrapa na Agrishow 2025, que acontece de 28 de abril a 2 de maio, funcionará como um espaço de ativação da Jornada pelo Clima, para divulgar o lançamento oficial previsto para o dia 7 de maio, durante o primeiro dos Diálogos pelo Clima.
Acompanhe a Jornada pelo Clima aqui.

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França
Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.
Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.
A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.
A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.
Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.
Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.
No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio
Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação
Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.
No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.
União Europeia
Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.
Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.
Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.
Salvaguardas
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.
Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação
Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”
Sobre o acordo
Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.
O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília
Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

Foto: Divulgação
De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.
Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional
marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.






