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Embrapa lança aplicativo para gerenciamento de fazendas leiteiras
App é um coletor de dados que pode ser operado até mesmo quando não há sinal de internet no smartphone
A gestão da fazenda de leite está nas mãos do produtor. A Embrapa Gado de Leite acaba de lançar o aplicativo para dispositivos móveis do programa Gestão Informatizada de Sistemas de Produção de Leite (Gisleite). Segundo o analista de tecnologia da informação da Embrapa Victor Lima, o produtor insere as informações por meio de celular ou tablet e esses dados são compartilhados com a plataforma disponível na internet. Isso significa que o usuário tem que estar cadastrado no sistema Gisleite web para utilizar o aplicativo que opera no sistema operacional Android.
“O app é um coletor de dados que pode ser operado até mesmo quando não há sinal de internet no smartphone, uma situação muito comum no meio rural. Quando o sinal da internet é restabelecido, o Gisleite Web recebe os dados coletados e os armazena no sistema”, esclarece Lima. Dessa forma, o produtor pode se deslocar por diversos pontos da propriedade com um celular, por exemplo, e fazer as anotações necessárias, o que seria impossível com um computador de mesa. “Nosso objetivo foi dar mobilidade ao sistema presente na web”, afirma o especialista.
Software livre para a gestão leiteira
O pesquisador da Embrapa Cláudio Napolis Costa explica que o Gisleite é baseado em software livre, desenvolvido para o ambiente web e com acesso remoto pela internet. “O aplicativo torna a ferramenta mais eficiente, auxiliando o produtor no processo de tomada de decisões”, diz Costa. Com o Gisleite, é possível gerenciar os aspectos econômicos e zootécnicos de uma propriedade leiteira, como reprodução dos animais, produção de leite, movimentação no rebanho e qualidade do leite.
O sistema está estruturado de acordo com as atividades do processo produtivo: cadastro, manejo do rebanho, clientes e fornecedores e custos e receitas. É possível inserir os dados de todas as ações relativas às benfeitorias, máquinas e equipamentos, mão de obra, aquisição e venda de animais, alimentação do rebanho, comercialização da produção etc. “Praticamente todas as atividades econômicas e zootécnicas de uma propriedade leiteira podem ser gerenciadas por meio do sistema”, afirma Costa.
As informações são disponibilizadas pelo Gisleite por meio de quatro grupos dos seguintes documentos:
– Listas de intervenção: vacas que devem ser inseminadas, secadas, em lactação, para criar etc.
– Relatórios gerenciais: indicadores de produção, produtividade, qualidade do leite e de eficiência técnico-econômica dos rebanhos agregados por área, raça, etc.
– Relatórios econômicos: ativo imobilizado, fluxo de caixa, custos de produção etc.
– Relatórios de rastreabilidade: animais cadastrados, aquisições, transferências, descartes e aplicação de vacinas e medicamentos.
O manejo do rebanho é um processo administrativo dinâmico, caracterizado por decisões que têm resultados a curto, médio e longo prazo. O sucesso na atividade depende do acompanhamento cotidiano dos fatores de produção. Costa diz que a disponibilidade de relatórios como os que o Gisleite oferece permite conhecer o desempenho do sistema produtivo como um todo, seja do rebanho em geral, seja de cada animal em particular. “Tais informações são essenciais na orientação de decisões gerenciais a respeito do empreendimento”, completa o pesquisador.
Backup diário e segurança da informação
Segundo os técnicos que desenvolveram o software, o sistema é bastante prático e amigável, com relatórios podendo ser disponibilizados em planilhas Excel. O pesquisador reforça: “os indicadores de desempenho orientam o produtor no manejo do rebanho, no acompanhamento da produção e reprodução dos animais e nas decisões relacionadas a todo o sistema de produção”. As informações inseridas no Gisleite estão em total segurança: somente o produtor e aqueles que ele autorizar podem ter acesso a elas, o backup é feito diariamente pela própria Embrapa e as atualizações do software são automáticas.
O Gisleite web está disponível na internet desde 2007. Desde então, não parou de ser aperfeiçoado. “As evoluções são feitas de acordo com as demandas dos clientes, atendendo às necessidades do produtor”, diz Costa. Cerca de três mil pessoas já acessaram o programa, um número que deve crescer ainda mais com o lançamento do aplicativo para dispositivos móveis, de acordo com seus desenvolvedores. “Sem que tivéssemos feito qualquer divulgação, a loja de aplicativos do Google já contabiliza mais de 200 downloads do App”, informa Lima.
Usuários em todo o Brasil
Produtores, com frequência, enviam e-mails para a Embrapa atestando a qualidade do software. Reinaldo Alves, do Município de Serra do Ramalho, na Bahia, diz que o programa é uma maravilha e que melhorou muito a gestão zootécnica do seu rebanho desde que começou a usá-lo. De Dom Feliciano, no Rio Grande do Sul, o pecuarista Renan Iribarrem parabeniza a Embrapa pela ferramenta e diz: “esse sistema informatizado é de grande valia para os produtores e tem contribuído muito para o meu trabalho”. Sidnei Franco, de Princesa, em Santa Catarina, comemora o lançamento do aplicativo: “o aplicativo me permite fazer a coleta de informações no campo e posteriormente sincronizar com a plataforma on line; as duas ferramentas se complementam e se aplicam muito bem à minha realidade e objetivos”. A própria Embrapa é cliente do Gisleite. Os campos experimentais da Embrapa Gado de Leite em Coronel Pacheco (MG) e Valença (RJ) utilizam a ferramenta para administrar seus sistemas de produção.
O aplicativo passa a ter funcionalidade quando o cliente está cadastrado no Gisleite web. Ambos são totalmente gratuitos. O Gisleite web está disponível no site da Embrapa Gado de Leite. Lá o interessado também encontra o guia do usuário, com todas as informações a respeito do sistema. O programa é multiusuário e está disponível para produtores, técnicos da extensão rural, cooperativas e consultores.
Fonte: Embrapa Gado de Leite

Colunistas
Mudança no crédito rural abre discussão sobre direito à prorrogação de dívidas
Resolução do CMN passa a tratar alongamento como decisão das instituições financeiras e reacende debate jurídico no setor.

No dia 25 de junho, o Conselho Monetário Nacional (CMN) editou a Resolução 5.314, que alterou um dos itens mais importantes para os produtores rurais, ou seja, a regra do Manual de Crédito Rural -MCR que trata do alongamento de dívidas. A nova redação passou a prever que a instituição financeira está autorizada, “por sua conveniência e decisão”, a prorrogar a dívida referente à operação de crédito rural.
Será que o produtor perdeu o direito à prorrogação?

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Há anos o Superior Tribunal de Justiça – STJ (Súmula n. 298) fixou um entendimento que continua em vigor, afirmando que “o alongamento de dívida originada de crédito rural não constitui faculdade da instituição financeira, mas, direito do devedor nos termos da lei”.
Então, o entendimento do judiciário para situações dessa natureza de alongamento de débito, após muitos anos de discussão, firmou-se no sentido de que aquilo que a norma trata como faculdade da instituição financeira converte-se em obrigação, desde que o produtor preencha os requisitos legais.
E os requisitos são dificuldade de comercialização, frustração de safras, ocorrências prejudiciais ao desenvolvimento das lavouras e dificuldades no fluxo de caixa devido ao impacto acumulado de perdas de safra.
Devidamente comprovada a necessidade de prorrogação, assim como comprovada a capacidade de pagamento, o produtor tem direito ao benefício.
Contudo, a nova redação do MCR poderá levar a arbitrariedades e subjetividades por parte das instituições financeiras que poderá prejudicar muitos produtores com eventuais negativas aos pedidos de prorrogação.
Isso levará a um processo de judicialização das questões e o judiciário será obrigado a enfrentar a questão e decidir sobre a aplicação do entendimento que permite ao produtor o alongamento da dívida, desde que preenchidos os requisitos legais. Ou seja, não pode ficar a critério e conveniência da instituição financeira.
O entendimento vigente tem caráter objetivo e assim precisa ser tratado na prática, sob pena de aumentar ainda mais a inadimplência de um setor que tem sofrido de forma drástica com o elevado custo de produção e baixo preço de venda dos produtos (o que dá direito ao alongamento do débito, desde que comprovado e solicitado à instituição financeira).
Diante disso, cabe ao produtor seguir o entendimento vigente e, em sendo o caso, tecnicamente amparado, notificar a instituição financeira para que cumpra com a obrigação (e não faculdade) de alongar o débito, desde que preenchidos os requisitos legais e, se preciso, em caso de negativa, procurar socorro do judiciário para que a questão seja, de fato, definida.
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Cooperativas do Rio Grande do Sul apontam insuficiência de recursos no Plano Safra 2026/27
FecoAgro/RS afirma que programa preserva desenho dos últimos anos e não atende à expansão da demanda por financiamento no campo.

A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS) avalia que o Plano Safra 2026/202, embora traga avanços pontuais, como a redução das taxas de juros em algumas linhas de financiamento e a ampliação dos limites de crédito para cooperativas, mantém praticamente a mesma arquitetura dos últimos anos e foi lançado com um volume de recursos abaixo das necessidades do setor agropecuário.

Foto: Shutterstock
Para a Federação, a redução dos juros em programas como Prodecoop, Procap-Agro, PCA e Pronaf, entre outras é positiva, especialmente para investimentos de longo prazo. No entanto, esses avanços não compensam a falta de mudanças estruturais nem a insuficiência dos recursos disponibilizados para atender à demanda crescente por crédito rural.
A FecoAgro/RS também manifesta forte preocupação com a redução dos recursos destinados à equalização das taxas de juros. Em um ambiente de juros elevados, a diminuição desse orçamento compromete a competitividade das linhas oficiais de crédito, restringe investimentos e reduz a capacidade de crescimento dos produtores e das cooperativas.
Outro ponto crítico é o seguro rural. Embora a dotação orçamentária da subvenção seja definida por orçamento específico, a sequência de cortes nos recursos destinados ao programa enfraquece um dos principais instrumentos de gestão de risco da atividade agropecuária, justamente em um cenário de maior frequência de eventos climáticos extremos.
A Federação reforça que as cooperativas agropecuárias são protagonistas na operacionalização do crédito rural e no atendimento aos produtores. Por isso, defende um Plano Safra com recursos compatíveis com a realidade do campo, maior orçamento para a equalização dos juros e fortalecimento do seguro rural, condições indispensáveis para garantir investimentos, produção e competitividade ao agro.
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Período proibitivo das queimadas entra em vigor com alerta para seca mais severa em Mato Grosso
Previsão de estiagem intensa aumenta o risco de incêndios e reforça a necessidade de medidas preventivas nas propriedades rurais.

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) alerta os produtores rurais sobre o início do período proibitivo do uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. A restrição entrou em vigor nesta terça-feira (1º de julho) e segue até o dia 30 de novembro, conforme estabelece o Decreto Estadual nº 2.015/2026.
Durante esse período, fica proibida a realização de queimadas, medida que busca reduzir os riscos de focos de calor e incêndios florestais durante os meses de estiagem, quando as altas temperaturas, a baixa umidade do ar e os ventos intensos favorecem a rápida propagação do fogo, considerando o El Nino 2026.

Presidente da Acrimat, Nando Conte: “Os pecuaristas são os principais interessados na proteção de suas propriedades e do meio ambiente”
Além de representar um importante instrumento de proteção ambiental, o cumprimento da legislação também evita prejuízos à atividade pecuária. Incêndios ou focos de calor podem comprometer pastagens, cercas, instalações, equipamentos e colocar em risco rebanhos, propriedades vizinhas e até mesmo vidas humanas.
Neste ano, os órgãos ambientais e de segurança reforçam o alerta devido à previsão de um período de seca mais severo em Mato Grosso, cenário que aumenta significativamente o risco de ocorrência de incêndios em todo o Estado.
O presidente da Acrimat, Nando Conte, destaca que a conscientização dos produtores é fundamental para evitar ocorrências durante esse período crítico. “Os pecuaristas são os principais interessados na proteção de suas propriedades e do meio ambiente. O fogo descontrolado causa grandes prejuízos econômicos, ambientais e sociais. Por isso, é fundamental que todos respeitem o período proibitivo e adotem medidas preventivas para proteger suas áreas e seus vizinhos”, ressalta.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Durante a vigência do decreto, também ficam suspensas as autorizações para queima controlada emitidas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), permanecendo autorizadas apenas as ações realizadas ou supervisionadas pelos órgãos responsáveis pelo combate e prevenção aos incêndios florestais.
A Acrimat orienta os produtores a realizarem a manutenção de aceiros, manterem equipamentos de combate inicial em condições de uso, evitarem qualquer atividade que possa gerar faíscas próximo à vegetação seca e reforçarem a vigilância nas propriedades durante o período de estiagem.
O descumprimento da legislação pode resultar em responsabilização administrativa, criminal, além da obrigação de reparar os danos ambientais causados.
Em caso de identificação de focos de calor e incêndios, a orientação é comunicar imediatamente o Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193, ou a Polícia Militar, pelo 190.
