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Embrapa inaugura escritório na Etiópia e retoma atuação estratégica na África

Nova estrutura em Adis Abeba reforça cooperação agrícola, acelera projetos no continente e marca retorno oficial da empresa ao solo africano.

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Foto: Apex Brasil

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, e o diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), embaixador Ruy Pereira, participaram no dia 06 de fevereiro, em Adis Abeba, na Etiópia, da inauguração do Escritório de Cooperação Técnica para a África, coordenado pelas duas instituições, em cooperação entre os ministérios da Agricultura brasileiro e etíope.

A iniciativa faz parte da estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de retomar as ações de atendimento às demandas do continente africano, por meio do diálogo com parceiros de pesquisa e desenvolvimento, como o Instituto Etíope de Pesquisa Agrícola (Eiar, na sigla em inglês), o Instituto Internacional de Pesquisa Pecuária (ILRI, na sigla em inglês), o Consultative Group on International Agricultural Research (CGIAR) e agências de cooperação internacional alemã GIZ e japonesa Jica.

“A iniciativa representa o retorno da Embrapa ao solo africano oficialmente, em atendimento a uma demanda do Estado brasileiro, contribuindo com a redução do tempo de resposta às demandas locais e permitindo também um acompanhamento contínuo dos projetos em andamento na região”, afirma a presidente da Embrapa. “Além disso, reforça o compromisso da Empresa como provedora de soluções tecnológicas de ambiente tropical para o enfrentamento do desafio da segurança alimentar e para o desenvolvimento do setor agropecuário na África, por meio da cooperação Sul-Sul”, destaca.

A cerimônia de inauguração contou com uma comitiva brasileira de alto nível e representou uma oportunidade para o diálogo com parceiros estratégicos de pesquisa e desenvolvimento, como o Instituto Etíope de Pesquisa Agrícola (Eiar, na sigla em inglês), o Instituto Internacional de Pesquisa Pecuária (ILRI, na sigla em inglês), o Consultative Group on International Agricultural Research (CGIAR) e agências de cooperação internacional, com destaque para a GIZ (Alemanha) e a Jica (Japão), visando fortalecer sinergias para o desenvolvimento agrícola regional.

Neste sábado (7), ao final da missão, a presidente da Embrapa assinará a carta de intenções entre a Embrapa e o conglomerado empresarial Kerchanshe, para a instalação da primeira unidade de referência tecnológica (URT), com foco em produção animal, transferência de embriões, inseminação artificial, melhoramento genético e pastagens.

Esta será a primeira URT internacional da Embrapa, considerada um marco institucional da Empresa, voltado à validação e à demonstração de tecnologias brasileiras adaptadas às condições locais, facilitando a adoção em larga escala por grandes players e pequenos produtores. O encontro entre as representações das duas instituições ocorreu na unidade de Buna Qela, em Hawassa.

Iniciativa inédita

Na segunda-feira, dia 2, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, anunciou, em Nairóbi, no Quênia, a estruturação de um programa de apoio especial às exportações brasileiras para o continente africano. A iniciativa, apresentada durante a etapa queniana da Missão África 2026,  foi organizada em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, com o objetivo de aprofundar a cooperação econômica, ampliar o comércio bilateral e aproximar empresas brasileiras de mercados estratégicos da África.

O programa contará com aporte de recursos, colaboração de parceiros como a Embrapa, Sebrae e Fiocruz e atuação regionalizada da Apex, com o apoio das representações nas diferentes regiões da África para compreender as características de cada mercado, gerar melhores resultados para as empresas brasileiras e estreitar os laços com parceiros locais e institucionais.

A missão em Nairóbi reuniu 26 empresas brasileiras e cooperativas, além de instituições parceiras como Sebrae, Anvisa e Embrapa, e contou com a realização de 230 reuniões de negócios, com foco na segurança alimentar, no desenvolvimento da cadeia agroindustrial queniana, no fortalecimento do complexo industrial da saúde e na transferência de tecnologia, áreas consideradas prioritárias para a cooperação entre Brasil e Quênia.

Segundo estudo da Inteligência de Mercado da ApexBrasil, a África concentra mais de 6 mil oportunidades para produtos brasileiros, com destaque para alimentos e máquinas e equipamentos de transporte. Nigéria, Gana, Costa do Marfim e Senegal — países que integram a estratégia de atuação da Agência na África Ocidental — somam 740 oportunidades, evidenciando o potencial de expansão do comércio bilateral na região.

Com a Missão Empresarial Brasil–África, a ApexBrasil reforça o compromisso de diversificar destinos, ampliar a presença de empresas brasileiras em mercados estratégicos e estimular parcerias comerciais sustentáveis, alinhadas às demandas do continente africano e às capacidades competitivas do Brasil.

Acesse aqui mais informações sobre a Missão Empresarial Brasil-África

Fonte: Assessoria Embrapa com informações da ApexBrasil

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Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho

Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

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Foto: Freepik

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.

Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB

“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.

O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.

Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja

Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

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Foto: Breno Lobato

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.

O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.

Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.

Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho

Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.

Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.

Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.

Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.

A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.

Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Seu contrato de arrendamento pode ser extinto

Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

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Foto: Divulgação/Sistema Faep

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).

Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.

Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.

Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.

Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.

A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.

Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.

Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.

E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.

Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.

Fonte: Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
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