Peixes
Embrapa inaugura Banco de Sêmen de Peixes Nativos
Iniciativa visa preservar patrimônio de 3 milhões de reais em material genético selecionado durante sete anos.

A Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas/TO) deu mais um passo importante para a conservação e melhoramento genético de uma das espécies mais importantes da aquicultura brasileira: o tambaqui (Colossoma macropomum). No dia 20 de outubro, foi inaugurado o Banco de Sêmen de Peixes Nativos, que visa conservar, por meio de congelamento, material genético de tambaquis selecionados que vem sendo formado ao longo de sete anos. Foram 3 milhões de reais investidos na formação da população de peixes com variabilidade e pureza genética.
O Banco de Sêmen gerou elogios entre as autoridades que estiveram na inauguração. “Eu sei que cada centavo aplicado na Embrapa é tratado com muito zelo, é muito bem aplicado. Hoje eu pude confirmar isso mais uma vez e continuarei trazendo recursos para a Embrapa”, elogiou o deputado federal Vicentinho Júnior, autor da emenda que garantiu recursos para a viabilização do Banco de Sêmen, que estava apenas parcialmente montado.

Foto: Jefferson Christofoletti
César Halum, secretário de Agricultura e Pecuária do Tocantins (Seagro), também parabenizou a iniciativa: “Para mim o Banco de Sêmen é importante, mas para a região do Tocantins e para a Região Amazônica ainda é mais importante. Nós precisamos consolidar o nosso peixe nativo, fazer com que ele tenha competitividade no mercado”.
Na ocasião, os parlamentares puderam retirar o sêmen do tambaqui e escrever seus nomes nas lâminas com as amostras que serão congeladas. Ao final, experimentaram petiscos feitos com o peixe.
Além da presença do deputado federal e do secretário de Agricultura do estado, também compareceram ao evento Humberto Simão, chefe da Divisão de Desenvolvimento Rural do Ministério da Agricultura; Roberto Sahium, secretário da Pesca e Aquicultura (Sepea), César Félix, superintendente da Codevasf, entre outras autoridades, parceiros e representantes do setor produtivo.
Proteção de acervo
Segundo a pesquisadora Luciana Shiotsuki, a Embrapa Pesca e Aquicultura vem formando uma população base de tambaqui com material genético de origem pública e privada, visando garantir variabilidade e pureza genética. “A ideia é justamente preservar o material genético desses animais, além de outras espécies nativas, antes que se percam por falta de recursos para a manutenção dos peixes”, explica a pesquisadora. “Por enquanto, ainda não conseguimos guardar o sêmen de todos os nossos reprodutores porque a capacidade estrutural que temos não nos possibilitou ainda preservar todo o material genético que temos”.
A estrutura conta atualmente com três botijões de 47 litros, capazes de armazenar até 3.960 amostras de sêmen — número que pode crescer, conforme novos equipamentos forem adquiridos.
A técnica de criopreservação do sêmen consiste no congelamento do material genético a temperaturas de 192 graus Celsius negativos, para uso futuro. Ela é apontada como uma solução eficaz para reduzir custos de manutenção dos reprodutores e evitar a perda de linhagens selecionadas. “Além disso, a prática ajuda a resolver problemas de assincronia reprodutiva, facilita o transporte do material genético e aumenta a segurança sanitária e o bem-estar animal”, detalha a pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Luciana Ganeco.
Foco em pesquisas e inovação
O novo banco de sêmen servirá de base para pesquisas voltadas à conservação e ao melhoramento genético de tambaquis qualificados e selecionados. As investigações incluem estudos sobre qualidade espermática, desenvolvimento de diferentes métodos de congelamento e descongelamento e criação de recipientes mais eficientes para o armazenamento do sêmen.
Outro objetivo é o avanço das pesquisas na conservação de células germinativas. “Essas ações fortalecem a base científica e tecnológica necessária para novas estratégias de conservação de recursos genéticos e reprodução de peixes”, destaca Luciana Ganeco.
Banco ainda não estará disponível para produtores
Por enquanto, o banco não estará disponível para produtores, já que o material ainda está em fase de consolidação. Mas na próxima época reprodutiva do tambaqui, estão programadas novas coletas e criopreservações.
No futuro, com o banco estabilizado e protocolos de rastreabilidade definidos, será possível disponibilizar o material genético para o setor produtivo, fortalecendo os programas de melhoramento e a sustentabilidade da cadeia aquícola nacional.

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Peixes
Por que o tucunaré virou um dos peixes mais cobiçados dos rios brasileiros
Além das cores marcantes, espécie chama atenção pelo comportamento reprodutivo e pela resistência como predador.

Encontrado em rios, lagos e áreas alagadas de diferentes regiões do Brasil, o tucunaré conquistou um lugar de destaque entre os peixes de água doce mais conhecidos do país. A combinação entre cores vibrantes, comportamento de caça e características reprodutivas únicas transformou a espécie em uma das mais cobiçadas por pescadores esportivos e admiradores da biodiversidade brasileira.

Foto: Divulgação
A aparência é um dos primeiros fatores que chamam atenção. Dependendo da espécie, o tucunaré pode apresentar tonalidades de amarelo, verde, azul e vermelho, além de diferentes padrões de manchas pelo corpo. Uma característica comum entre as espécies é o ocelo, uma mancha arredondada próxima à cauda que auxilia na identificação do peixe.
Mas a popularidade do tucunaré vai além da aparência. A espécie apresenta um comportamento pouco comum entre os peixes de água doce: o cuidado com a própria prole. Após a reprodução, o casal permanece próximo ao ninho, protegendo os ovos e, posteriormente, os alevinos contra possíveis predadores.

Foto: Divulgação
Esse cuidado parental aumenta as chances de sobrevivência dos filhotes e diferencia o tucunaré de muitas outras espécies encontradas nos ambientes aquáticos brasileiros.
Diversidade nos rios brasileiros
Atualmente, são reconhecidas 16 espécies de tucunaré, sendo 14 delas encontradas no Brasil. Embora apresentem diferenças de coloração, tamanho e padrões corporais, todas compartilham características que ajudam na adaptação aos ambientes onde vivem.
Com hábitos diurnos, o tucunaré ocupa principalmente lagos, lagoas e regiões de remanso dos rios, locais com menor correnteza. Predador ativo, alimenta-se principalmente de peixes menores e camarões, utilizando sua agilidade para capturar as presas.
A espécie também ganhou destaque na pesca esportiva pela resistência e pelo comportamento durante a captura,

Foto: Divulgação
sendo considerada uma das principais espécies-alvo dessa atividade, segundo o banco de dados da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN).
Um símbolo dos rios brasileiros
A presença do tucunaré em diferentes regiões e sua capacidade de adaptação fizeram da espécie um dos símbolos da biodiversidade dos ambientes de água doce do Brasil.
Além de representar um atrativo para a pesca amadora e esportiva, o peixe também desperta interesse pelo comportamento biológico, especialmente pela estratégia de proteção da prole, uma característica que ajuda a explicar sua permanência e importância nos ecossistemas onde está presente.
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