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Embrapa divulga resultado da 6ª Prova Brasileira de Produção de Leite a Pasto do Zebu Leiteiro
Foram premiadas as novilhas Gir Leiteiro que se destacaram nesse teste zootécnico realizado no Centro de Tecnologia para Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL).

O resultado da 6ª Prova Brasileira de Produção de Leite a Pasto do Zebu Leiteiro foi divulgado na última quinta-feira (15). O evento foi realizado no Parque de Exposições da Granja do Torto (Brasília/DF) dentro da programação da Exposição Agropecuária de Brasília (Expoabra). Foram premiadas as novilhas Gir Leiteiro que se destacaram nesse teste zootécnico realizado no Centro de Tecnologia para Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL). A prova de leite a pasto é uma parceria da Embrapa Cerrados com a Associação de Criadores de Zebu do Planalto (ACZP).
Com duração de 13 meses, sendo dois de adaptação e 11 de avaliação, a prova identifica as melhores novilhas das raças zebuínas leiteiras participantes e seus cruzamentos que, em 305 dias de lactação em pasto rotacionado com suplementação, se destacaram nos seguintes atributos: maior produção de leite, maior teor de gordura e proteína no leite, menor contagem de células somáticas no leite, menor idade ao parto, menor intervalo entre o parto e a concepção e maior persistência de lactação. “Esses atributos compuseram o índice fenotípico geral usado para classificar e premiar as novilhas”, explicou o pesquisador Carlos Frederico Martins, um dos coordenadores da Prova.
O pesquisador detalhou no evento os resultados de cada índice e divulgou a classificação final da Prova (acesse aqui). Nessa edição, participaram 15 novilhas da raça Gir Leiteiro de sete criadores do Brasil Central, sendo que 10 concluíram o teste. Os animais pariram de 29 de dezembro de 2020 a 28 de fevereiro de 2021 e foram avaliados entre janeiro de 2021 e janeiro de 2022. O objetivo da Prova é selecionar as melhores novilhas da raça Gir Leiteiro por meio da mensuração desses importantes parâmetros econômicos para a produção de leite em condição de pastagem no bioma Cerrado.
De acordo com o pesquisador, essa é a única prova brasileira de avaliação da lactação completa de novilhas zebuínas a pasto. O teste ocorreu nas condições climáticas da região de Brasília, sem que os animais recebessem estímulo hormonal para produção ou ejeção do leite. “Não olhamos a marca do criador, apenas medimos e analisamos os resultados. Trata-se de uma mensuração do processo de lactação. É uma forma científica de selecionarmos animais com potencial genético para produção de leite nas condições de pasto”, enfatizou o especialista da Embrapa.
Para o chefe-geral da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro, a produção de leite a pasto no Brasil deve ser incentivada e estudada. “A saída para esse setor é a sustentabilidade. E a sustentabilidade na produção de leite está alinhada com os demais processos de produção agropecuária do Cerrado. Esses resultados vão nortear outros trabalhos e serão alicerces para a pesquisa e para o desenvolvimento da produção de leite a pasto sustentável no Brasil”, afirmou.
“Há muito tempo tínhamos essa ideia de começar a analisar as fêmeas zebuínas leiteiras numa condição que traduzisse a realidade da produção leiteira nos trópicos. Foi assim que surgiu essa prova”, contou Marcelo Toledo, superintendente técnico da ACZP. Segundo ele, a prova de produção de leite a pasto cumpre o papel de mostrar como deve ser direcionado um sistema de produção para que seja viável e traduza a realidade da produção leiteira do país. No momento, está em andamento a 7ª Prova. As inscrições para a 8ª Prova estão abertas desde junho e a entrada dos animais no CTZL está prevista para ocorrer no período de 4 a 8 de outubro.
Homenagem
Durante o evento de premiação, o criador Hamilton Nunes de Carvalho recebeu uma homenagem póstuma. Uma placa entregue à família trazia a seguinte mensagem: “A Embrapa Cerrados, o Centro de Tecnologia para Raças Zebuínas Leiteiras (CTLZ) e a Associação de Criadores de Zebu do Planalto (ACZP) homenageiam o amigo e criador Hamilton Nunes de Carvalho (in memoriam) em reconhecimento pelos anos de dedicação na seleção de Gir Leiteiro, pelo apoio incondicional com a pesquisa na Embrapa e por seu esforço e conhecimento empregados para o avanço da pecuária nacional junto à ACZP”.
“Ele sempre foi um entusiasta, muito motivado. Ele era apaixonado pelo Gir Leiteiro, tinha um trabalho de seleção respeitável. Sempre o admirei muito por essa paixão pelo Gir, por sua vontade de querer ajudar. Nesse processo de parceria entre a ACZP e Embrapa ele foi muito presente e participativo. Era aquela pessoa que fazia acontecer e está fazendo muita falta”, contou Toledo, da ACZP. “Meu marido foi de fato um apaixonado pelo gado Gir e sempre esteve nessa luta para sempre melhorar a genética do gado dele”, contou a esposa Tânia, ao receber a placa. Também estavam presentes os filhos Gustavo, Mariana e Guilherme.

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França
Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.
Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.
A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.
A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.
Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.
Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.
No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio
Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação
Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.
No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.
União Europeia
Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.
Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.
Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.
Salvaguardas
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.
Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação
Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”
Sobre o acordo
Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.
O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília
Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

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De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.
Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional
marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.



