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Embrapa defende uso racional de aditivos na avicultura brasileira

A pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves concedeu entrevista ao O Presente Rural para falar um pouco mais sobre os antibióticos e outros aditivos usados na produção de proteína animal

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A pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Vivian Feddern, concedeu entrevista exclusiva a O Presente Rural para falar um pouco mais sobre os antibióticos e outros aditivos usados na produção de proteína animal. Em sua opinião, faltam mecanismos capazes de comprovar cientificamente a importadores que as dosagens usadas em países exportadores de carnes não são prejudiciais à saúde humana. Para ela, esses produtos de uso veterinário, administrados com parcimônia, só beneficiam a produção nacional.

Para Feddern, “a carne brasileira obtida através de abate inspecionado pelos órgãos de fiscalização oficiais é segura. Isto tem sido anualmente comprovado pelo Mapa por meio de relatórios disponíveis ao público. O Mapa vem investindo muitos recursos nestas análises, que são minuciosas e onerosas. Muitas vezes o que o Brasil tem é falta de comprovação, resultados científicos, bem embasados para ganhar confiança dos mercados interno e externo para os quais o Brasil exporta”.

Ainda conforme a pesquisadora, “a população precisa estar bem informada e cuidar com mídias sensacionalistas que muitas vezes proíbem algo e daqui a pouco permitem, como foi o caso do ovo, considerado em um passado próximo um vilão, quando hoje em dia se sabe que ingerir sete ovos semanalmente não causa qualquer problema ao organismo”.

O Presente Rural (OP Rural) – O que são os antibióticos?

Vivian Feddern (VF) – Antibiótico é um termo generalizado, muitas vezes usado erroneamente para definir uma ampla classe de substâncias indicadas para o tratamento de doenças em humanos e animais. Os antibióticos são substâncias derivadas de microrganismos ou podem ser sintetizadas, as quais inibem o crescimento de outros microrganismos, podendo combater a infecção. O primeiro antibiótico descoberto e, um dos mais conhecidos, é a penicilina, usada para prevenir e tratar infecções.

OP Rural – Qual a diferença para os antimicrobianos?

VF – Os antimicrobianos são substâncias naturais (antibióticos) ou sintéticas (quimioterápicos) que agem sobre microrganismos, inibindo o seu crescimento ou causando a sua destruição. Portanto, os antibióticos são uma classe dentro dos antimicrobianos. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), antimicrobianos são substâncias utilizadas na avicultura com função terapêutica e profilática, com objetivo de controlar e prevenir doenças infecciosas.

OP Rural – Com que finalidades os antibióticos são usados na avicultura?

VF – O termo mais correto seria produtos de uso veterinário ou aditivos, pois nem sempre são utilizados somente antibióticos. Dentre os produtos de uso veterinário estão os antimicrobianos usados principalmente para prevenir e impedir o aparecimento de algumas enfermidades. Eles devem ser empregados na quantidade estritamente necessária à obtenção do efeito desejado. A dosagem, o período de uso e o período de retirada, quando for o caso, são prescritos por um médico veterinário atendendo a legislação vigente.

OP Rural – Quais os principais antibióticos usados na avicultura?

VF – Na avicultura são adicionados outros aditivos que não somente antibióticos, os quais são monitorados pelo Mapa. Temos que analisar o conjunto e a real necessidade de emprego destes aditivos. Os resíduos e contaminantes monitorados são classificados em antimicrobianos, anticoccidianos, contaminantes inorgânicos, piretroides, substâncias de ação anabolizante, micotoxinas, dioxinas e furanos, betagonistas, antiparasitários e organoclorados. Alguns destes podem ser encontrados decorrentes do uso de produtos veterinários acima da dosagem permitida, ou por contaminação cruzada ou ainda por não seguir as recomendações estabelecidas pela legislação.

Em relação aos principais antimicrobianos utilizados na avicultura, podem ser citados a oxaciclina, oxiciclina, oxitetraciclina, ampicilina, eritromicina, enrofloxacina, sulfametazina, sulfametoxazol, difloxacina, entre outros. Com relação aos anticoccidianos (previnem coccidiose, doença muito comum que acomete os frangos), os mais utilizados são a nicarbazina (normalmente de menor custo, eficiente e causadora de poucos problemas com resistência), monensina, lasalocida, narasina, maduramicina, salinomicina, amprólio, clopidol, robenidina e diclazuril.

OP Rural – Os antibióticos trazem prejuízos à saúde humana? Se sim, quais?

VF – Primeiramente, é preciso esclarecer que os antibióticos são ferramentas poderosas para a saúde humana e vêm salvando milhões de vidas desde sua descoberta e uso no combate às infecções. O problema está no seu uso sem a recomendação e acompanhamento de um médico, no caso de saúde humana, ou de um médico veterinário, quando se tratar dos animais. Uma das preocupações está na possibilidade de trazer resistência antimicrobiana. Outro fato está relacionado à ocorrência de resíduos nos produtos cárneos e vísceras.

No Brasil, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento é o órgão responsável pela regulamentação e fiscalização de produtos e insumos agropecuários e, portanto, autoriza o uso controlado de aditivos na ração animal, para que não ocorram resíduos destes aditivos nos alimentos consumidos pela população.

Existem equipamentos sofisticados que detectam níveis traço e ultra-traço de resíduos de aditivos utilizados. O Mapa segue os padrões do Codex Alimentarius, que é um Comitê formado por diversos especialistas, oriundos de mais de 100 países, com as mais diversas formações acadêmicas. Este Comitê se reúne periodicamente, antes da liberação de um determinado aditivo ao mercado, para decidir toda parte toxicológica, estabelecer a ingestão diária aceitável (IDA) pelas pessoas e os limites máximos de resíduos (LMRs), abaixo dos quais existe evidência científica de que não há qualquer problema ou perigo à saúde humana e animal.

Como ferramenta de “gerenciamento de risco” e com o objetivo de promover a garantia de qualidade do sistema de produção de alimentos de origem animal ao longo das cadeias produtivas, o governo criou, em 1986, o Plano Nacional de Controle de Resíduos em Produtos de Origem Animal. Este plano contempla o Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC) em Carnes, o qual foi implementado em 1988. Os resíduos são monitorados anualmente em uma série de amostras aleatórias de diversas matrizes e espécies animais, através de laboratórios credenciados pelo Mapa.

O que muitas vezes falta nos países exportadores de produtos cárneos para países mais exigentes é base científica para tomada de decisão, estudos de qualidade comprovando que determinado produto é seguro. Como as análises de resíduos de aditivos são caras, devido ao preparo da amostra envolver etapas de extração, padrões importados, além das amostras serem enviadas para locais de longa distância para serem analisadas em centros especializados, encarecendo o frete, algumas empresas não conseguem comprovar cientificamente a segurança de seus produtos aos países mais exigentes.

É possível usar estes medicamentos e estes deixarem resíduos nos produtos alimentícios e ainda estes produtos serem absolutamente saudáveis, desde que os resíduos estejam abaixo dos chamados limites máximos de resíduos. O Mapa, órgãos de pesquisa, e o Codex Alimentarius, estão atuando para garantir que se possa ao mesmo tempo aumentar a produção e a produtividade e preservar a saúde humana.

Existe ainda a não conformidade da dosagem de determinado aditivo veterinário, que muitas vezes é utilizado de forma incorreta. A crença de que se utilizar uma quantidade acima da recomendada pelo Mapa de determinado produto fará efeito maior na prevenção de certa doença precisa ser modificada, pois isto poderá refletir na ocorrência de resíduos na carne ou órgãos dos animais, que, se consumidos, serão prejudiciais às pessoas.

OP Rural – Há países que restringem o uso de aditivos na produção de proteína animal. O que eles alegam?

VF – A proibição de muitos aditivos ocorre na Europa, mas não necessariamente por serem prejudiciais à saúde. A Europa legisla por precaução e não por base científica, como acontece nos Estados Unidos, por exemplo, que permitem ou proíbem determinado antibiótico quando possuem convicção por meio de dados científicos sólidos de que determinado produto é benéfico ou prejudicial.

Alguns países penalizam o uso excessivo de antibióticos, como a Dinamarca e a Holanda. Em alguns países como a Alemanha, Itália, França, Bélgica e Suécia existem sistemas de monitoramento para ajudar os produtores a controlar o uso de antibióticos e, desta forma, não exceder os valores prescritos pelo médico veterinário.

Dessa forma, em um cenário cada vez mais competitivo, torna-se necessário garantir a produtividade e, ao mesmo tempo, manter a competitividade nos mercados interno e externo. Portanto, são necessários mais estudos para aumentar a confiança do Brasil com outros países que restringem o uso de aditivos de uso veterinário.

OP Rural – Quem defende os antibióticos inclusive como promotores de crescimento, o que alegam?

VF – Alegam que sem evidências científicas de que seu uso seja prejudicial à saúde, eles são extremamente importantes para garantir o bem-estar animal, evitar doenças e consequente propagação da doenças, o que pode causar a condenação de todo um lote.

OP Rural – É possível produzir aves sem o uso de antibióticos?

VF – A produção de frangos sem produtos de uso veterinário, ou mais especificamente sem anticoccidianos ainda é inviável nas condições atuais de produção. Há necessidade de maiores estudos para encontrar formas econômicas para, aos poucos, substituir parcialmente o uso destes aditivos para produtos destinados à alimentação animal, para garantir ao consumidor o preço condizente com suas condições de compra.

No sistema de criação intensivo, caracterizado pela alta concentração de animais, que se tem hoje em dia, é praticamente impossível não utilizar nenhum medicamento veterinário. Se um animal estiver doente, este por sua vez pode contaminar os outros, causando grandes danos em toda granja.

Produtos alternativos aos antimicrobianos convencionais são de interesse, mas para que sejam viáveis a longo prazo, devem ser seguros, efetivos, baratos e fáceis de usar. Assim, restringir o uso de substâncias antimicrobianas apenas para fins terapêuticos implicaria em vários desafios, como segregação de rações nas fábricas, adaptações no manejo (redução da densidade do lote, maior tempo de vazio sanitário, limpeza com maior frequência, maior cuidado com temperatura, manutenção da biossegurança rigorosa, reduzir o estresse, não reaproveitar a cama de aviário); desafios na saúde animal (aumento de doenças entéricas e sistêmicas); desafio no bem-estar animal (quando e como tratar animais doentes, qual seria a alternativa ao programa convencional?).

Os principais desafios enfrentados pelos produtores de animais criados sem produtos de uso veterinário serão, sem dúvida, relacionados à saúde intestinal e mais especificamente para a prevenção e controle da coccidiose e enterite necrótica.

OP Rural – Quais as substâncias alternativas para substituir os aditivos?

VF – O uso de substâncias químicas tem sido eficaz no controle da coccidiose e outras doenças na avicultura. No entanto, devido à ocorrência de resistência, alternativas como vacinas e suplementos naturais têm sido estudadas ao longo dos anos. As vacinas atuam promovendo a geração de estímulos nos mecanismos de defesa das aves e previnem infecções entéricas, evitando o uso de uma terapia medicamentosa. Outras alternativas estudadas para reduzir as perdas causadas pela infecção são os extratos herbais, complexos multienzimáticos, prebióticos e probióticos, entre outros, porém sua eficácia tem sido questionada e os estudos insatisfatórios para propor uma mudança na utilização de aditivos, em grande escala.

OP Rural – Quais os possíveis impactos para o setor em uma possível restrição ao uso de produtos de uso veterinário na produção de proteína animal, seja na questão sanitária, de saúde animal, de produção ou até mesmo econômica?

VF – As consequências serão diversas, as quais vão afetar o bem-estar animal se não for ministrado antibiótico/aditivo no momento certo; redução na produtividade, pois os animais terão que ser criados em densidades menores, para dificultar a propagação de eventuais doenças; maior investimento em biossegurança; perdas econômicas com o possível tratamento de doenças existentes, perda de alguns lotes acometidos por doenças, investimentos extras para adequar as plantas processadoras. Além disso, as empresas vão ser obrigadas a investir mais em pessoal técnico, equipamentos sofisticados, para realizar as análises exigidas pelos países importadores. Do contrário, irão perder mercados importantes para a economia do nosso país. Somado a isso, as empresas terão que se adequar à legislação de cada país importador, pois o Codex estabelece os limites seguros dos antibióticos, mas cabe a cada país decidir se segue ou não. E claro, investir mais pesquisa na busca por produtos alternativos aos antibióticos, que já estão bem consolidados atualmente.

OP Rural – A cadeia produtiva de aves está preparada para substituir os antibióticos?

VF – A cadeia ainda não está preparada, pois não existe substituição total, além de poucos estudos sobre alternativas ao uso de antibióticos. Os poucos estudos que se têm não são confirmatórios e nem decisórios para mudar drasticamente toda uma cadeia que está indo bem, e exportando para mais de 100 países.

Alexander Fleming, quando criou a penicilina em 1928, objetivou auxiliar no tratamento de doenças, as quais não possuíam sinal de cura por nenhum outro método, uma vez instalada a enfermidade. Hoje em dia se tem a opção de prevenir, o que é muito mais inteligente e barato. Logo, não vejo motivos concretos da não utilização de antibióticos. Por que iria se querer deixar os frangos adoecerem?

OP Rural – Cada vez mais, debates acerca do tema tomam os grandes eventos do setor de aves e suínos no país. Em sua opinião, a tendência é que o Brasil crie nova legislação para abolir os antibióticos?

VF – O Mapa publicou no DOU de 24/05/2016 a criação da Comissão sobre Prevenção da Resistência aos Antimicrobianos em Animais. Até o presente os mercados aderentes ao tema têm usado como base a classificação da OMS, tabela que segue:

Não acredito que o Brasil vá abolir, pois perderia competitividade e mercado, sem garantias de que terá um sistema que propicie maior segurança dos alimentos do que se tem atualmente. O que deve haver é o controle do uso de aditivos adicionados na ração. Para isso, é de suma importância utilizar o produto correto, na dosagem correta, tempo (com ou sem período de retirada; quantos dias antes do abate precisa retirar o aditivo) e momento correto (fase inicial, fase adulta).

 

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Avicultura Saúde Animal

Colibacilose assume protagonismo das enfermidades aviárias no mundo

A utilização de vacinas específicas tem sido uma arma importante na prevenção desta enfermidade

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Artigo escrito por Gleidson Salles, médico veterinário, MSc, doutorando e assistente Técnico Sr da Zoetis

A Escherichia Coli é uma velha conhecida nossa. Esse agente está presente em toda a história da avicultura mundial, embora muito negligenciado. O que vimos nos últimos anos foi ressurgimento desse patógeno na avicultura, isso obviamente tem trazido perdas para todo o processo produtivo. Em geral, acredita-se que Salmonella e E. coli descenderam de um ancestral comum há 160 -180 milhões de anos, durante o período terciário, em paralelo com os invertebrados. Ao longo da evolução, E. coli e a maioria das cepas de Salmonella difásica se adaptaram aos mamíferos e aves.

A colibacilose se caracteriza por uma doença sindrômica de aves onde apresenta em sua maioria lesões fibrinosas ao redor dos órgãos viscerais causadas por um grupo de E. coli patogênica extraintestinal (ExPEC) conhecida nesse caso, como E. coli patogênica aviária (Avian Pathogenic Escherichia Coli), APEC. Algumas lesões são sempre associadas ao quadro de colibacilose como: aerossaculite, celuite, pericardite, perihepatite, onfalite, salpingite, dificuldades respiratórias estão entre as lesões mais comumente ligadas a perdas no processo produtivo de aves.

As perdas econômicas sentidas pela indústria são altíssimas, os valores estimados assustam, pois estamos falando de bilhões de dólares anuais em decorrência deste patógeno no mundo, isso coloca a E. coli como uma das principais enfermidades da avicultura industrial. Esse impacto econômico para indústria global está relacionado principalmente as taxas de mortalidade, desempenho prejudicados e elevação de condenação no abatedouro.

Essa bactéria normalmente é caracterizada como agente oportunista secundário, nesse caso, é importante haver um fator primário que dê condições para desenvolvimento da colibacilose, como por exemplo, doenças imunossupressoras (Gumboro, Marek, Micotoxinas, Anemia Infecciosa) disbacterioses, doenças virais respiratórias (Bronquite Infecicosa, Metapneumovírus), fatores ambientais (poeira, fumaça, amônia), entre outros. De modo geral, 15 a 20% das E. coli presentes no intestino das aves são patogênicas (APEC’s).

O que se viu ao passar dos anos, foi o aumento da capacidade da E. coli causar doenças por si só, como agente primário em aves saudáveis. Esse fator não deve ser ignorado, uma vez que a pressão de seleção foi muito alta no decorrer dos anos e fez com que essa bactéria evoluísse no meio e fosse capaz de se adaptar. Alguns mecanismos são fundamentais para esse processo evolutivo acontecer, como o uso intenso de antibióticos. Trabalho publicado em 2018 mostrou que 95% das APEC’s estudadas eram capazes de produzir biofilmes, essa característica confere a bactéria uma grande habilidade em permanecer no meio por mais tempo.

Como o passar do tempo, vimos o aumento significativo dos genes de patogecidade presente em amostras e E. coli, esses genes são numerosos e tem como finalidade, auxiliar a APEC se tornar extraintestinal e causar algumas lesões, resumidamente, esses genes estão associados na adesão bacteriana, invasão, produção de toxinas, sobrevivência sérica e aquisição de ferro, e a associação desses genes confere a E. coli capacidade de se tornar patogênica e causar doença em aves saudáveis.

As cepas patogênicas possuem uma variedade grande de genes de virulência que podem codificar fatores importantes e associados a capacidade da bactéria causar colibacilose. Para realizar a classificação de APEC (Avian Pathogenic Escherichia Coli) e AFEC (Avian Fecal Escherichia Coli), são necessários ao menos 5 genes de virulência presentes no material genético da bactéria ser caracterizada como APEC.

Um estudo sobre E. coli trouxe a frequência dos principais genes de patogenicidade na avicultura industrial brasileira, são eles: cvaC, iroN, iss, iutA, sitA, tsh, fyuA, irp-2, ompT e hlyF.

Muitos estudos estão sendo publicados com o objetivo de demonstrar a presença de genes que codificam características responsáveis pela virulência em amostras de E. coli. Algumas vezes, esses genes estão presentes nos plasmídeos, que são estruturas de DNA independentes do DNA cromossomal.

Por meio de um processo conhecido como conjugação, uma E. coli, que normalmente não seria capaz de provocar lesões e resistir a um determinado antibiótico, pode receber um ou mais plasmídeos de uma outra E. coli, se tornando uma bactéria patogênica e resistente a algumas drogas.

Diante de cenários desafiadores, precisamos nos reinventar, pensar no controle de patógenos como um todo, pois a redução de antibióticos é uma realidade cada vez mais presente em todo o mundo, nesse sentido, é fundamental termos uma visão holística do controle sanitário dos plantéis.

Nos Estados Unidos, 6 a cada 10 frangos foram criados sem qualquer tipo de antibióticos no ano de 2019.  Esse cenário deixou de ser tendência e se tornou realidade em vários países. No gráfico 1 podemos conferir a evolução da retirada dos antibióticos nos Estados Unidos.

Existem várias formas de prevenção, controle e erradicação de doenças nos plantéis avícolas. Esses assuntos normalmente são muito debatidos na comunidade científica, e acabam auxiliando as empresas a escolherem os caminhos mais prudentes.

Se dividirmos as formas de controle integrado de patógenos, não podemos esquecer da biosseguiridade dos plantéis avícolas, passando por tratamentos convencionais com antibióticos até chegarmos a imunoprofilaxia.

A utilização de vacinas específicas tem sido uma arma importante na prevenção desta enfermidade. Vacinas inativadas autógenas (não replicantes) podem ser utilizadas em matrizes e aves de postura comercial, entretanto, o sucesso dessas bacterinas é limitado ao controle de amostras do mesmo sorogrupo, já que não produzem proteção cruzada contra amostras diferentes. É muito importante realizar a identificação molecular de E. coli, para entender quais e quantos genes de virulência estão presentes.

Uma ferramenta que tem sido amplamente usada na avicultura mundial é vacina viva bacteriana (replicante), que pode atuar por diferentes caminhos, e todos eles estão sendo elucidados através de pesquisas.

De maneira geral, a imunoprofilaxia com vacinas vivas bacterianas tem se mostrado uma excelente alternativa para realização do controle de E. coli e pode contribuir para redução do uso de antibióticos, o que é de grande importância quando pensamos em saúde única. A vacina viva bacteriana, de modo geral, aumenta a produção de CD4+, essa célula imunológica é um fator importante na produção de imunoglobulinas de mucosa IgA e também auxilia na modulação da flora intestinal, com aumento de lactobacillus após a vacinação. Outra característica importante da vacina viva bacteriana, é a proteção cruzada contra os principais sorogrupos presente na avicultura.

No controle sanitário desse patógeno é muito importante buscarmos o equilíbrio entre ambiente, hospedeiro e agente. Conhecendo melhor as características do “inimigo”, podemos buscar soluções que antecipem as perdas produtivas, como é o caso da imunoprofilaxia.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Inspiração

De professora aos 14 anos a CEO da Seara e mentora de novas líderes

Joanita Maestri Karoleski passou por duas diretorias e foi CEO da Seara e agora encabeça projetos importantes da JBS, como o Fazer o Bem Faz Bem e o Fundo JBS pela Amazônia

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Joanita Maestri Karoleski é o tipo de mulher que está no agro e inspira muitas outras. Líder nata, ela já foi CEO da Seara e hoje ocupa o cargo de presidente do Fundo JBS pela Amazônia. Nascida e criada na pequena cidade de Botuverá, no Leste de Santa Catarina, Joanita começou a trabalhar cedo, ainda com 14 anos, como professora substituta. “Uma professora da minha escola teve que sair de licença e como eu era uma das mulheres alunas o inspetor me convidou para substituí-la por um ano. Aceitei o desafio e dei aulas para estudantes da primeira à quarta série, todos na mesma sala, à maneira como funcionam muitas escolas no interior”, recorda.

Ela conta que apesar dessa primeira experiência em educação, decidiu seguir uma carreira técnica e se formou em Ciências da Computação e Informática pela Universidade de Blumenau. “Talvez pela minha paixão de compartilhar conhecimento e de ajudar a desenvolver pessoas, logo no início da minha carreira identificaram em mim a capacidade de liderar”, afirma. Joanita começou na Bunge, onde trabalhou por 34 anos. “Em 2013 o Gilberto Tomazoni, hoje CEO global da JBS e com quem eu trabalhei na Bunge, me convidou para a equipe da Seara. Cheguei como diretora de Supply Chain, passei pela Diretoria Comercial de Mercado Interno e, em 2015, tornei-me CEO, cargo que ocupei até o início do ano passado”, informa.

Segundo Joanita, a decisão de deixar a posição de CEO foi para se dedicar a antigos sonhos. “Deixei o cargo com a sensação de missão cumprida e orgulho das conquistas do time que tive a honra de liderar”, conta. De acordo com ela, a escolha de se aposentar da Seara veio porque sempre teve vontade de trabalhar com projetos sociais. “Cresci muito próxima da minha avó paterna, pessoa capaz de tirar o próprio casaco para dar a alguém que precisasse. Acredite, não é modo de falar, eu presenciei essa cena. Acho que essa influência também explica meu interesse em ajudar as pessoas a se desenvolver. Após cinco anos intensos à frente da Seara, em que colocamos no mercado um portfólio variado de produtos, fruto de processos e tecnologias inovadoras, senti que tinha cumprido minha missão. Era hora de colocar em prática meus antigos sonhos: dedicar-me a projetos sociais, usando a experiência que adquiri no setor privado, e orientar jovens profissionais como mentora. Naturalmente, ocupando posições de liderança, eu já me dedicava ao desenvolvimento de pessoas, mas era sempre disputando atenção com outras atribuições. Agora, quero doar meu tempo”, afirma.

Porém, durante a transição de CEO para aposentada, engatilhando projetos no terceiro setor, a pandemia do Covid-19 estourou. “A JBS, cumprindo sua missão de contribuir para uma sociedade melhor, estava reforçando suas ações de filantropia e montaria um grande programa. O CEO Gilberto Tomazoni fez um convite para que eu gerenciasse o programa Fazer o Bem Faz Bem, com R$ 400 milhões doados pela JBS”, conta.

Dentro deste projeto, Joanita encabeçou ações de atuação desde saúde pública à pesquisa científica, da educação a projetos assistenciais. “Para entender as necessidades e estipular como o dinheiro deveria ser aplicado, formamos comitês de especialistas em saúde, ciência e tecnologia e projetos sociais. Foi um trabalho muito intenso, mas é uma satisfação saber que fizemos mais do que atender a necessidades pontuais. Deixamos legados permanentes”, diz. Entre as ações desenvolvidas esteve a construção de dois hospitais, a doação de 88 ambulâncias, instalação de wi-fi em escolas, perfuração de poços artesianos no Nordeste e destinação de verbas para centenas de pesquisas para buscar soluções. “O programa Fazer o Bem Faz Bem já atingiu cerca de 77 milhões de pessoas em mais de 310 cidades do Brasil, e me permitiu neste momento fazer um trabalho bastante significativo e ajudar as pessoas a passarem por esse momento crítico”, comenta.

Além do Fazer o Bem Faz Bem, Joanita também está à frente, como presidente, desde setembro de 2020, do Fundo JBS pela Amazônia, iniciativa que financiará projetos de desenvolvimento sustentável e tecnológico das comunidades locais e de conservação e recuperação da floresta. “A JBS aportará R$ 250 milhões nos primeiros cinco anos e igualará a contribuição de cada doação até atingir R$ 500 milhões – nossa intenção é chegar a R$ 1 bilhão. Um Conselho Consultivo e um Comitê Técnico nos ajudam a escolher os projetos contemplados. Estou aprendendo diariamente sobre sustentabilidade em um desafio que aceitei liderar por partir de uma premissa em que acredito: a união da iniciativa privada, do terceiro setor e das autoridades pode transformar a sociedade”, menciona.

Mulheres são parte fundamental do desenvolvimento do agro

Joanita vê que a desvantagem numérica das mulheres na alta liderança pode dar a impressão de que elas se sentem mais isoladas. “O que não é verdade. Uma pesquisa já mostrou que mulheres em posição de liderança costumam colocar mais em prática comportamentos relacionados ao desenvolvimento de pessoas, que ajudam a estabelecer conexões. A meu ver, construir relações verdadeiras é a melhor forma de superar dificuldades porque integra a equipe e cria um ambiente de respeito, em que os resultados aparecem”, diz.

Para ela, as mulheres são muito importantes no agronegócio. “Como em outros setores da economia, a participação feminina na liderança é cada vez maior. Mais de 15% das granjas integradas à Seara são propriedades lideradas diretamente por mulheres. Se considerarmos as que lideram indiretamente, esse número é ainda maior. As mulheres criam oportunidades no campo, estão se preparando para processos de sucessão. Elas são parte fundamental do desenvolvimento do agronegócio”, afirma.

Além disso, Joanita comenta que levantamentos mais recentes sobre diversidade nas empresas comprovam que a presença feminina nos cargos da alta gestão se intensificou nas últimas décadas. “É um avanço que acontece ano a ano, mas as mulheres ainda são minoria. Como mulheres na alta liderança, temos a chance de contribuir para a formação de futuros líderes que valorizem a diversidade. Podemos criar um círculo virtuoso” menciona.

A participação de mais mulheres em cargos de liderança também é por pessoas como Joanita, que inspiram aquelas que sonham em estar em cargos de decisão. “As mulheres que chegam a altos cargos de gestão mostram às novas gerações que elas podem – e devem – aspirar à alta liderança. Ao longo da minha carreira, sempre busquei referências e tive a preocupação de dividir o que eu sabia. Acredito que devemos oferecer apoio às gerações que nos sucederão e construir relações de cooperação, que tornam o ambiente de trabalho mais respeitoso, produtivo e inovador. Nesse meu novo momento, reservei espaço para compartilhar um pouco do conhecimento e da experiência que adquiri. Tenho desenvolvido projetos paralelos de mentoria e me tornei Conselheira Consultiva do Instituto Mulheres do Varejo, onde atuo como mentora para formar novas gerações de executivas”, conclui.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mercado

ABPA celebra viabilização de vendas de ovos in natura para Argentina e Chile

As exportações brasileiras de ovos do Brasil têm obtido bons resultados em 2021

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Divulgação/AENPr

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebrou a dupla autorização de exportações ocorrida na última quinta-feira (08), com a publicação de Certificados Sanitários Internacionais (CSI’s) para a exportação de ovos in natura para a Argentina e o Chile.

Os CSI’s foram publicados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento brasileiro, e são válidos para todos os estados, no caso da Argentina;  e para todos os estabelecimentos localizados no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, no caso do Chile.

As exportações brasileiras de ovos do Brasil têm obtido bons resultados em 2021. No primeiro bimestre, o setor acumulou alta superior a 150%, índice que deve se manter com os resultados de março, conforme dados preliminares calculados pela ABPA.  Com a abertura da Argentina e do Chile – mercados geograficamente mais próximos que o atual principal destino do setor, os Emirados Árabes Unidos – há boas expectativas quanto ao incremento ainda maior das vendas do setor.

“A proximidade dos mercados são facilitadores para as vendas do setor.  O Brasil se consolidou como grande produtor e agora busca novas fronteiras para as vendas de ovos produzidos no país.  Com estes dois mercados viabilizados ontem, há boas expectativas de expansão dos negócios”, avalia Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Fonte: Assessoria ABPA
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CONBRASUL/ASGAV

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