Avicultura
Embrapa defende uso racional de aditivos na avicultura brasileira
A pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves concedeu entrevista ao O Presente Rural para falar um pouco mais sobre os antibióticos e outros aditivos usados na produção de proteína animal
A pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Vivian Feddern, concedeu entrevista exclusiva a O Presente Rural para falar um pouco mais sobre os antibióticos e outros aditivos usados na produção de proteína animal. Em sua opinião, faltam mecanismos capazes de comprovar cientificamente a importadores que as dosagens usadas em países exportadores de carnes não são prejudiciais à saúde humana. Para ela, esses produtos de uso veterinário, administrados com parcimônia, só beneficiam a produção nacional.
Para Feddern, “a carne brasileira obtida através de abate inspecionado pelos órgãos de fiscalização oficiais é segura. Isto tem sido anualmente comprovado pelo Mapa por meio de relatórios disponíveis ao público. O Mapa vem investindo muitos recursos nestas análises, que são minuciosas e onerosas. Muitas vezes o que o Brasil tem é falta de comprovação, resultados científicos, bem embasados para ganhar confiança dos mercados interno e externo para os quais o Brasil exporta”.
Ainda conforme a pesquisadora, “a população precisa estar bem informada e cuidar com mídias sensacionalistas que muitas vezes proíbem algo e daqui a pouco permitem, como foi o caso do ovo, considerado em um passado próximo um vilão, quando hoje em dia se sabe que ingerir sete ovos semanalmente não causa qualquer problema ao organismo”.
O Presente Rural (OP Rural) – O que são os antibióticos?
Vivian Feddern (VF) – Antibiótico é um termo generalizado, muitas vezes usado erroneamente para definir uma ampla classe de substâncias indicadas para o tratamento de doenças em humanos e animais. Os antibióticos são substâncias derivadas de microrganismos ou podem ser sintetizadas, as quais inibem o crescimento de outros microrganismos, podendo combater a infecção. O primeiro antibiótico descoberto e, um dos mais conhecidos, é a penicilina, usada para prevenir e tratar infecções.
OP Rural – Qual a diferença para os antimicrobianos?
VF – Os antimicrobianos são substâncias naturais (antibióticos) ou sintéticas (quimioterápicos) que agem sobre microrganismos, inibindo o seu crescimento ou causando a sua destruição. Portanto, os antibióticos são uma classe dentro dos antimicrobianos. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), antimicrobianos são substâncias utilizadas na avicultura com função terapêutica e profilática, com objetivo de controlar e prevenir doenças infecciosas.
OP Rural – Com que finalidades os antibióticos são usados na avicultura?
VF – O termo mais correto seria produtos de uso veterinário ou aditivos, pois nem sempre são utilizados somente antibióticos. Dentre os produtos de uso veterinário estão os antimicrobianos usados principalmente para prevenir e impedir o aparecimento de algumas enfermidades. Eles devem ser empregados na quantidade estritamente necessária à obtenção do efeito desejado. A dosagem, o período de uso e o período de retirada, quando for o caso, são prescritos por um médico veterinário atendendo a legislação vigente.
OP Rural – Quais os principais antibióticos usados na avicultura?
VF – Na avicultura são adicionados outros aditivos que não somente antibióticos, os quais são monitorados pelo Mapa. Temos que analisar o conjunto e a real necessidade de emprego destes aditivos. Os resíduos e contaminantes monitorados são classificados em antimicrobianos, anticoccidianos, contaminantes inorgânicos, piretroides, substâncias de ação anabolizante, micotoxinas, dioxinas e furanos, betagonistas, antiparasitários e organoclorados. Alguns destes podem ser encontrados decorrentes do uso de produtos veterinários acima da dosagem permitida, ou por contaminação cruzada ou ainda por não seguir as recomendações estabelecidas pela legislação.
Em relação aos principais antimicrobianos utilizados na avicultura, podem ser citados a oxaciclina, oxiciclina, oxitetraciclina, ampicilina, eritromicina, enrofloxacina, sulfametazina, sulfametoxazol, difloxacina, entre outros. Com relação aos anticoccidianos (previnem coccidiose, doença muito comum que acomete os frangos), os mais utilizados são a nicarbazina (normalmente de menor custo, eficiente e causadora de poucos problemas com resistência), monensina, lasalocida, narasina, maduramicina, salinomicina, amprólio, clopidol, robenidina e diclazuril.
OP Rural – Os antibióticos trazem prejuízos à saúde humana? Se sim, quais?
VF – Primeiramente, é preciso esclarecer que os antibióticos são ferramentas poderosas para a saúde humana e vêm salvando milhões de vidas desde sua descoberta e uso no combate às infecções. O problema está no seu uso sem a recomendação e acompanhamento de um médico, no caso de saúde humana, ou de um médico veterinário, quando se tratar dos animais. Uma das preocupações está na possibilidade de trazer resistência antimicrobiana. Outro fato está relacionado à ocorrência de resíduos nos produtos cárneos e vísceras.
No Brasil, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento é o órgão responsável pela regulamentação e fiscalização de produtos e insumos agropecuários e, portanto, autoriza o uso controlado de aditivos na ração animal, para que não ocorram resíduos destes aditivos nos alimentos consumidos pela população.
Existem equipamentos sofisticados que detectam níveis traço e ultra-traço de resíduos de aditivos utilizados. O Mapa segue os padrões do Codex Alimentarius, que é um Comitê formado por diversos especialistas, oriundos de mais de 100 países, com as mais diversas formações acadêmicas. Este Comitê se reúne periodicamente, antes da liberação de um determinado aditivo ao mercado, para decidir toda parte toxicológica, estabelecer a ingestão diária aceitável (IDA) pelas pessoas e os limites máximos de resíduos (LMRs), abaixo dos quais existe evidência científica de que não há qualquer problema ou perigo à saúde humana e animal.
Como ferramenta de “gerenciamento de risco” e com o objetivo de promover a garantia de qualidade do sistema de produção de alimentos de origem animal ao longo das cadeias produtivas, o governo criou, em 1986, o Plano Nacional de Controle de Resíduos em Produtos de Origem Animal. Este plano contempla o Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC) em Carnes, o qual foi implementado em 1988. Os resíduos são monitorados anualmente em uma série de amostras aleatórias de diversas matrizes e espécies animais, através de laboratórios credenciados pelo Mapa.
O que muitas vezes falta nos países exportadores de produtos cárneos para países mais exigentes é base científica para tomada de decisão, estudos de qualidade comprovando que determinado produto é seguro. Como as análises de resíduos de aditivos são caras, devido ao preparo da amostra envolver etapas de extração, padrões importados, além das amostras serem enviadas para locais de longa distância para serem analisadas em centros especializados, encarecendo o frete, algumas empresas não conseguem comprovar cientificamente a segurança de seus produtos aos países mais exigentes.
É possível usar estes medicamentos e estes deixarem resíduos nos produtos alimentícios e ainda estes produtos serem absolutamente saudáveis, desde que os resíduos estejam abaixo dos chamados limites máximos de resíduos. O Mapa, órgãos de pesquisa, e o Codex Alimentarius, estão atuando para garantir que se possa ao mesmo tempo aumentar a produção e a produtividade e preservar a saúde humana.
Existe ainda a não conformidade da dosagem de determinado aditivo veterinário, que muitas vezes é utilizado de forma incorreta. A crença de que se utilizar uma quantidade acima da recomendada pelo Mapa de determinado produto fará efeito maior na prevenção de certa doença precisa ser modificada, pois isto poderá refletir na ocorrência de resíduos na carne ou órgãos dos animais, que, se consumidos, serão prejudiciais às pessoas.
OP Rural – Há países que restringem o uso de aditivos na produção de proteína animal. O que eles alegam?
VF – A proibição de muitos aditivos ocorre na Europa, mas não necessariamente por serem prejudiciais à saúde. A Europa legisla por precaução e não por base científica, como acontece nos Estados Unidos, por exemplo, que permitem ou proíbem determinado antibiótico quando possuem convicção por meio de dados científicos sólidos de que determinado produto é benéfico ou prejudicial.
Alguns países penalizam o uso excessivo de antibióticos, como a Dinamarca e a Holanda. Em alguns países como a Alemanha, Itália, França, Bélgica e Suécia existem sistemas de monitoramento para ajudar os produtores a controlar o uso de antibióticos e, desta forma, não exceder os valores prescritos pelo médico veterinário.
Dessa forma, em um cenário cada vez mais competitivo, torna-se necessário garantir a produtividade e, ao mesmo tempo, manter a competitividade nos mercados interno e externo. Portanto, são necessários mais estudos para aumentar a confiança do Brasil com outros países que restringem o uso de aditivos de uso veterinário.
OP Rural – Quem defende os antibióticos inclusive como promotores de crescimento, o que alegam?
VF – Alegam que sem evidências científicas de que seu uso seja prejudicial à saúde, eles são extremamente importantes para garantir o bem-estar animal, evitar doenças e consequente propagação da doenças, o que pode causar a condenação de todo um lote.
OP Rural – É possível produzir aves sem o uso de antibióticos?
VF – A produção de frangos sem produtos de uso veterinário, ou mais especificamente sem anticoccidianos ainda é inviável nas condições atuais de produção. Há necessidade de maiores estudos para encontrar formas econômicas para, aos poucos, substituir parcialmente o uso destes aditivos para produtos destinados à alimentação animal, para garantir ao consumidor o preço condizente com suas condições de compra.
No sistema de criação intensivo, caracterizado pela alta concentração de animais, que se tem hoje em dia, é praticamente impossível não utilizar nenhum medicamento veterinário. Se um animal estiver doente, este por sua vez pode contaminar os outros, causando grandes danos em toda granja.
Produtos alternativos aos antimicrobianos convencionais são de interesse, mas para que sejam viáveis a longo prazo, devem ser seguros, efetivos, baratos e fáceis de usar. Assim, restringir o uso de substâncias antimicrobianas apenas para fins terapêuticos implicaria em vários desafios, como segregação de rações nas fábricas, adaptações no manejo (redução da densidade do lote, maior tempo de vazio sanitário, limpeza com maior frequência, maior cuidado com temperatura, manutenção da biossegurança rigorosa, reduzir o estresse, não reaproveitar a cama de aviário); desafios na saúde animal (aumento de doenças entéricas e sistêmicas); desafio no bem-estar animal (quando e como tratar animais doentes, qual seria a alternativa ao programa convencional?).
Os principais desafios enfrentados pelos produtores de animais criados sem produtos de uso veterinário serão, sem dúvida, relacionados à saúde intestinal e mais especificamente para a prevenção e controle da coccidiose e enterite necrótica.
OP Rural – Quais as substâncias alternativas para substituir os aditivos?
VF – O uso de substâncias químicas tem sido eficaz no controle da coccidiose e outras doenças na avicultura. No entanto, devido à ocorrência de resistência, alternativas como vacinas e suplementos naturais têm sido estudadas ao longo dos anos. As vacinas atuam promovendo a geração de estímulos nos mecanismos de defesa das aves e previnem infecções entéricas, evitando o uso de uma terapia medicamentosa. Outras alternativas estudadas para reduzir as perdas causadas pela infecção são os extratos herbais, complexos multienzimáticos, prebióticos e probióticos, entre outros, porém sua eficácia tem sido questionada e os estudos insatisfatórios para propor uma mudança na utilização de aditivos, em grande escala.
OP Rural – Quais os possíveis impactos para o setor em uma possível restrição ao uso de produtos de uso veterinário na produção de proteína animal, seja na questão sanitária, de saúde animal, de produção ou até mesmo econômica?
VF – As consequências serão diversas, as quais vão afetar o bem-estar animal se não for ministrado antibiótico/aditivo no momento certo; redução na produtividade, pois os animais terão que ser criados em densidades menores, para dificultar a propagação de eventuais doenças; maior investimento em biossegurança; perdas econômicas com o possível tratamento de doenças existentes, perda de alguns lotes acometidos por doenças, investimentos extras para adequar as plantas processadoras. Além disso, as empresas vão ser obrigadas a investir mais em pessoal técnico, equipamentos sofisticados, para realizar as análises exigidas pelos países importadores. Do contrário, irão perder mercados importantes para a economia do nosso país. Somado a isso, as empresas terão que se adequar à legislação de cada país importador, pois o Codex estabelece os limites seguros dos antibióticos, mas cabe a cada país decidir se segue ou não. E claro, investir mais pesquisa na busca por produtos alternativos aos antibióticos, que já estão bem consolidados atualmente.
OP Rural – A cadeia produtiva de aves está preparada para substituir os antibióticos?
VF – A cadeia ainda não está preparada, pois não existe substituição total, além de poucos estudos sobre alternativas ao uso de antibióticos. Os poucos estudos que se têm não são confirmatórios e nem decisórios para mudar drasticamente toda uma cadeia que está indo bem, e exportando para mais de 100 países.
Alexander Fleming, quando criou a penicilina em 1928, objetivou auxiliar no tratamento de doenças, as quais não possuíam sinal de cura por nenhum outro método, uma vez instalada a enfermidade. Hoje em dia se tem a opção de prevenir, o que é muito mais inteligente e barato. Logo, não vejo motivos concretos da não utilização de antibióticos. Por que iria se querer deixar os frangos adoecerem?
OP Rural – Cada vez mais, debates acerca do tema tomam os grandes eventos do setor de aves e suínos no país. Em sua opinião, a tendência é que o Brasil crie nova legislação para abolir os antibióticos?
VF – O Mapa publicou no DOU de 24/05/2016 a criação da Comissão sobre Prevenção da Resistência aos Antimicrobianos em Animais. Até o presente os mercados aderentes ao tema têm usado como base a classificação da OMS, tabela que segue:
Não acredito que o Brasil vá abolir, pois perderia competitividade e mercado, sem garantias de que terá um sistema que propicie maior segurança dos alimentos do que se tem atualmente. O que deve haver é o controle do uso de aditivos adicionados na ração. Para isso, é de suma importância utilizar o produto correto, na dosagem correta, tempo (com ou sem período de retirada; quantos dias antes do abate precisa retirar o aditivo) e momento correto (fase inicial, fase adulta).
Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2016 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Avicultura Em Arapongas (PR)
1ª Feira Aves Seara deve reunir dois mil produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul
Evento exclusivo para integrados terá painéis com lideranças da avicultura, exposição de tecnologias e participação de mais de 40 empresas do setor.

Arapongas, no Norte do Paraná, será palco da primeira edição da Feira Aves Seara na próxima sexta-feira (26). A iniciativa, criada para fortalecer a cadeia produtiva avícola e ampliar o desenvolvimento dos produtores integrados da companhia, deve reunir cerca de dois mil avicultores de frangos de corte e matrizes ligados às operações da empresa no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

Diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior: “A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira” – Foto: Divulgação
Com participação gratuita e exclusiva para os integrados, o evento foi estruturado como um ambiente de troca de experiências, atualização técnica e geração de oportunidades para o setor. A programação terá início às 08h30, no Golden Hall Eventos, às margens da PR-218, Km 5, na saída para Astorga.
Segundo o diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior, a proposta é reforçar a parceria construída com os produtores ao longo dos anos. “Os produtores integrados são protagonistas do modelo de negócio da Seara e fundamentais para a qualidade e a competitividade dos nossos produtos. A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira”, afirma.
Debates com lideranças da avicultura
A programação inclui painéis e debates com executivos da Seara e representantes de destaque do setor avícola nacional. Entre os convidados estão Francisco Turra, conselheiro da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e Ricardo Santin, presidente da entidade.

Foto: Divulgação
Além do conteúdo técnico, os participantes terão acesso a uma área de exposição com mais de 40 empresas fornecedoras de equipamentos, tecnologias e soluções para a atividade. Também estarão presentes companhias ligadas às áreas de nutrição animal, genética e bem-estar animal, apresentando inovações, tendências e oportunidades de negócios para os produtores.
Plataforma de relacionamento com mais de 10 mil integrados
A Feira Aves Seara faz parte da Plataforma SuperAgro, principal programa de relacionamento da companhia com seus mais de 10 mil produtores integrados de aves e suínos em todo o país.
Criada há mais de uma década, a iniciativa reúne ações voltadas ao reconhecimento dos produtores, acompanhamento de desempenho, capacitação técnica e gerencial, treinamentos e suporte às propriedades, com foco no fortalecimento da atividade no campo e na evolução sustentável da cadeia produtiva.
Avicultura
Um em cada três frangos abatidos no Brasil sai do Paraná
Estado respondeu por 35% da produção nacional no primeiro trimestre de 2026, período em que o país atingiu o maior volume de abates da série histórica.

O Paraná ampliou sua liderança na avicultura brasileira e respondeu sozinho por mais de um terço de todos os frangos abatidos no país no primeiro trimestre de 2026. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o estado concentrou 35% do abate nacional no período, mantendo ampla vantagem sobre os demais produtores.

Foto: Ari Dias
Ao todo, o Brasil abateu 1,71 bilhão de frangos entre janeiro e março, resultado 3,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apesar do crescimento anual, houve ligeira retração de 0,5% em relação ao quarto trimestre de 2025.
Ainda assim, o desempenho foi suficiente para garantir o melhor resultado já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do IBGE, em 1997. O mesmo ocorreu com os abates de bovinos e suínos, indicando um começo de ano marcado por volumes recordes nas principais cadeias de proteína animal do país.
A distância do Paraná em relação aos demais estados ajuda a dimensionar a importância da avicultura na economia estadual. Com participação de 35%, o estado produz praticamente três vezes mais do que o quarto colocado nacional.
Na sequência aparecem Santa Catarina, com 13,3% do total abatido, Rio Grande do Sul, com 11,8%, e São Paulo, com 10,9%. Juntos, os quatro estados responderam por mais de 70% do abate nacional de frangos no primeiro trimestre.
Produção de carne cresce acima do ritmo de abate
Além do aumento no número de aves abatidas, a produção de carne de frango registrou expansão ainda maior no

Foto: Ari Dias
início deste ano.
O peso acumulado das carcaças alcançou 3,73 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, alta de 6,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2,2% frente ao trimestre imediatamente anterior.
O crescimento da produção em ritmo superior ao do abate indica ganho de eficiência na cadeia produtiva, com aves mais pesadas e melhor aproveitamento dos sistemas de criação e processamento.
A avicultura brasileira ocupa posição estratégica no agronegócio nacional. Além de atender ao mercado interno, o setor é fortemente orientado às exportações e possui no Sul do país sua principal base produtiva, sustentada pela integração entre produtores, cooperativas e agroindústrias.
Os números divulgados pelo IBGE reforçam essa concentração. Somente Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul responderam por 60,1% do abate nacional no primeiro trimestre, confirmando a Região Sul como o principal polo da produção brasileira de carne de frango.
Avicultura
Galinhas livres de gaiolas e foco em biossegurança garantem produção de ovos bem-sucedida
Plantel de 500 mil aves, produção sem antibióticos melhoradores de desempenho e certificação em bem-estar animal sustentam o modelo adotado pela Planalto Ovos há oito anos.

Galinhas livres de gaiolas, biosseguridade e a adoção de sistemas preventivos e sustentáveis garantem há oito anos o sucesso da Planalto Ovos, cujos resultados produtivos obtidos ao longo da sua trajetória demonstram a consistência do modelo escolhido para sua operação desde a concepção do projeto. Membro fundadora da Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA), a empresa mantém hoje um plantel de aproximadamente 500 mil aves, distribuídas entre diferentes unidades produtivas em Minas Gerais.

Foto: Divulgação
A decisão de adotar a criação de galinhas livres foi influenciada pela experiência prévia dos sócios na avicultura, construída entre 1964 e 2017 na Granja Planalto, e pela avaliação de que o modelo permitiria estruturar uma produção baseada em manejo cuidadoso, disciplina sanitária e qualidade do produto.
Em 2018, o mercado brasileiro de ovos provenientes de sistemas alternativos ainda era pouco desenvolvido. Existiam iniciativas pontuais, muitas vezes de pequena escala e com baixa padronização de processos. Porém, as mudanças observadas em mercados internacionais indicavam que modelos de criação que proporcionassem melhores condições às aves tenderiam a ganhar relevância ao longo do tempo. Esse contexto sinalizava uma oportunidade para a Planalto, que desde o início descartou a ideia de realizar uma transição gradual a partir de estruturas convencionais.
Toda a produção da empresa é desde então conduzida em sistemas livres de gaiolas ou caipira e integralmente certificada em bem-estar animal, para estabelecer um elevado padrão produtivo para todas as aves, independentemente do destino comercial dos ovos. Essa abordagem contribui para maior consistência operacional e reforça o princípio de que as práticas de manejo e as condições de criação devem ser uniformes em todo o plantel.
Biosseguridade como eixo central da produção
Desde a concepção do projeto, a biosseguridade foi estabelecida como um dos principais pilares da operação. Inicialmente havia preocupação de que a criação no piso pudesse ampliar o risco de desafios sanitários. Na prática, a experiência demonstrou que um programa robusto de prevenção, aliado a boas condições de manejo, permite manter estabilidade sanitária e consistência produtiva.

Foto: Divulgação
Um dos desdobramentos dessa abordagem foi conduzir a produção sem utilização de antibióticos como melhoradores de desempenho. Para viabilizar esse modelo, a empresa estruturou um conjunto integrado de medidas preventivas, baseadas em biosseguridade rigorosa, nutrição equilibrada e manejo adequado das aves.
Nesse contexto, são utilizadas alternativas tecnológicas que contribuem para a saúde intestinal e para a estabilidade da microbiota das aves, como probióticos e simbióticos, ácidos orgânicos e óleos essenciais. Essas ferramentas auxiliam na manutenção do equilíbrio microbiológico e reduzem a necessidade de intervenções terapêuticas ao longo do ciclo produtivo.
A abordagem está alinhada ao conceito de Saúde Única, que reconhece a interdependência entre saúde animal, saúde humana e equilíbrio ambiental, reforçando a importância de sistemas produtivos preventivos e sustentáveis.
A estrutura produtiva é compartimentalizada, com unidades fisicamente separadas (fábrica de ração, fazendas e entreposto de ovos), o que, apesar de aumentar a complexidade logística, reduz significativamente o risco de disseminação de patógenos.
O manejo sanitário inclui vacinação, monitoramento, controle de acesso e desinfecção, com atenção adicional, em sistemas no piso, ao manejo da cama, escolha do ninho e prevenção de endoparasitas.
Reconhecimento internacional
Os resultados produtivos obtidos demonstram a consistência do modelo adotado. Um dos marcos mais relevantes foi o reconhecimento de um lote da linhagem Lohmann como o mais produtivo já registrado pela genética, atingindo 593,8 ovos por ave alojada.
A empresa também recebeu em 2024 o Good Egg Award, concedido pelo ONG de bem-estar animal internacional Compassion in World Farming. A premiação reconhece empresas que adotam padrões elevados de criação e práticas alinhadas à melhoria das condições de vida das galinhas poedeiras.

Diretor da Planalto Ovos, Daniel Mohallem: “A viabilidade de sistemas livres de gaiolas depende menos de discurso e mais de execução: planejamento, disciplina sanitária, observação das aves, equipe capacitada e expansão alinhada à demanda” – Foto: Divulgação
Segundo a empresa, esses reconhecimentos demonstram que essas dimensões não são conflitantes, mas que é possível combinar altos níveis de bem-estar animal com alta e consistente produtividade.
Cooperação e perspectivas para o setor
A participação na criação da COBEA está alinhada à visão de que iniciativas colaborativas podem acelerar o aprendizado do setor. A troca de experiências entre empresas, academia e organizações da cadeia produtiva contribui para ampliar o alcance de boas práticas e fortalecer discussões técnicas e estratégicas sobre produção animal.
Na avaliação da Planalto Ovos, o Brasil tem capacidade técnica para avançar, mas enfrenta desafios como acesso a financiamento, custos mais altos e necessidade de melhor organização comercial; nesse contexto, certificações independentes são chave para diferenciar boas práticas e dar transparência ao mercado. “A viabilidade de sistemas livres de gaiolas depende menos de discurso e mais de execução: planejamento, disciplina sanitária, observação das aves, equipe capacitada e expansão alinhada à demanda. Nossa participação na COBEA serve não apenas para compartilhar nossa experiência com outros, mas também para evoluir em conjunto e promover a colaboração necessária em toda a cadeia de valor, o que pode ajudar a acelerar a transição para sistemas de produção que promovam um melhor bem-estar animal”, afirma o diretor da Planalto Ovos, Daniel Mohallem.
