Peixes
Embrapa conquista quatro prêmios na Aquishow com projetos que vão da merenda escolar à redução de custos na tilapicultura
Pesquisas premiadas incluem livro sobre consumo de pescado nas escolas, documentário sobre piscicultura familiar e tecnologia capaz de reduzir em até 7% os custos de produção de tilápia.

A Embrapa Pesca e Aquicultura teve quatro trabalhos premiados no Prêmio Inovação Aquícola 2026, durante a abertura da Aquishow Brasil 2026, realizada na última terça-feira (09), em Uberlândia (MG). O Centro de Pesquisa teve projetos reconhecidos nas três categorias da premiação: Sustentabilidade, Academia e Produção, com destaque para o primeiro lugar obtido pelo livro O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar.
O Prêmio Inovação Aquícola reconhece projetos e iniciativas que contribuem para o desenvolvimento da cadeia produtiva da aquicultura no Brasil. Os três primeiros colocados de cada categoria receberam troféu, certificado e ajuda de custo para participação no evento.
Além dos resultados no Prêmio Inovação Aquícola, o pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho esteve entre os finalistas do Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026, entregue na mesma solenidade. A Aquishow Brasil segue até 11 de junho.
Para Roberto Flores, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, o reconhecimento obtido na Aquishow Brasil 2026 demonstra que a pesquisa desenvolvida pela Unidade está conectada às necessidades da aquicultura brasileira. “Os prêmios mostram que estamos no caminho correto, atendendo às demandas que o setor precisa. São anos de desenvolvimento dessas inovações e de dedicação dos pesquisadores que resultam em reconhecimentos como esse”, destaca.
Livro sobre alimentação escolar vence categoria Sustentabilidade
O livro O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar foi o vencedor da categoria Sustentabilidade. A obra é resultado de uma parceria entre a Embrapa Pesca e Aquicultura e o curso de Nutrição da Universidade Federal do Tocantins (UFT), voltada à promoção da inserção do pescado na alimentação escolar por meio de ações de educação alimentar e nutricional.
A publicação reúne receitas à base de pescado desenvolvidas para o ambiente escolar com o uso da Carne Mecanicamente Separada (CMS), tecnologia que elimina o risco de consumo de espinhas e amplia as possibilidades de preparo para o cardápio das escolas.
O livro é um dos produtos do projeto Integração do pescado da piscicultura familiar nas políticas agroalimentares: estratégias de transferência de tecnologia para os atores envolvidos na alimentação escolar, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT), por meio da Rede de Desenvolvimento Regional do Tocantins (Rede Deser).
São autores da publicação Hellen Christina de Almeida Kato, Diego Neves de Sousa e Jefferson Cristiano Christofoletti, da Embrapa Pesca e Aquicultura, além de Caroline Roberta Freitas Pires e Rebeca Gomes Bruschi, da UFT. “O Prêmio Inovação Aquícola demonstra que os esforços desenvolvidos em pesquisa, transferência de tecnologia e articulação institucional têm gerado resultados concretos para a valorização da cadeia do pescado, contribuindo para a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento regional”, afirma Sousa.
Projeto de governança territorial conquista terceiro lugar
Também na categoria Sustentabilidade, o projeto Inovação em governança territorial para uma aquicultura de política de Estado alcançou o terceiro lugar. Desenvolvido em parceria com a Secretaria da Pesca e Aquicultura do Estado do Tocantins (Sepea) e coordenado pela pesquisadora Hellen Christina de Almeida Kato, o projeto apoia a elaboração de planos municipais de desenvolvimento da pesca e da aquicultura por meio de uma metodologia construída a partir das realidades locais.
Como parte da iniciativa, foram realizadas oficinas presenciais com representantes municipais, técnicos e lideranças comunitárias para identificar prioridades e definir estratégias de desenvolvimento adequadas a cada território.
Entre os resultados alcançados está a promulgação da Lei Estadual nº 4.508/2024, que instituiu o Programa Trilha da Pesca e Aquicultura no Tocantins. “Participamos da construção de um modelo que pode ser replicado para outros estados. Sistematizar essa experiência pode contribuir para o fortalecimento da governança da aquicultura para além dos limites do Tocantins”, afirma Hellen.
Documentário sobre piscicultura familiar
O documentário Entre Redes e Desafios foi reconhecido com o segundo lugar na categoria Academia. A produção é de autoria de Elizângela de França Carneiro Carvalho, Hellen Christina de Almeida Kato e Diego Neves de Sousa, da Embrapa Pesca e Aquicultura, e dos professores Carlos Franco e Keile Aparecida Beraldo, da Universidade Federal do Tocantins (UFT).
A produção foi realizada pela Embrapa, pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas (Gespol/UFT) e pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR/UFT), com apoio da Associação Bom Peixe, da Secretaria de Estado da Pesca e Aquicultura do Tocantins (Sepea) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/TO).
A obra retrata os desafios enfrentados por piscicultores familiares no acesso às políticas públicas, acompanhando a realidade da Associação Bom Peixe, localizada no Parque Aquícola de Sucupira, em Palmas (TO). “Receber esse prêmio na Aquishow, que é um evento de grande relevância para a aquicultura nacional, é muito significativo. O documentário Entre Redes e Desafios retrata a realidade da grande maioria dos piscicultores do Brasil. Estima-se que 99% deles são pequenos produtores e enfrentam dificuldades no acesso a políticas públicas”, pontua Elizângela.
Para a autora, a visibilidade proporcionada pela premiação pode contribuir para o avanço de ações conjuntas voltadas à implementação de políticas públicas capazes de atender às diferentes realidades dos piscicultores do país.
Soluções para redução de custos
O trabalho Eficiência produtiva da tilapicultura: soluções inovadoras para redução de custos e aumento do desempenho da produção de tilápia em tanques-rede no Tocantins obteve o segundo lugar na categoria Produção. O projeto foi conduzido pelos pesquisadores Ana Paula Oeda Rodrigues, Flávia Tavares de Matos, Giovanni Vitti Moro, Leandro Kanamaru Franco de Lima, Viviane Rodrigues Verdolin dos Santos e Manoel Xavier Pedroza Filho, da Embrapa Pesca e Aquicultura, com participação de Luiz Eduardo Lima de Freitas, da Embrapa Cerrados.
A pesquisa resultou em uma nova tabela de alimentação para tilápia em tanques-rede, com fornecimento de ração 10% inferior ao recomendado pela referência anterior. Como a ração responde por cerca de 70% dos custos da atividade, a nova tabela, associada a boas práticas de manejo, tem potencial para reduzir as despesas em até 7%.
Na prática, isso representa uma redução de R$ 7,00 para R$ 6,51 por quilo de peixe produzido. Os resultados foram obtidos em uma piscicultura comercial no reservatório de Lajeado, no Tocantins. “Esse prêmio é muito importante porque mostra que as pesquisas desenvolvidas pela Embrapa estão voltadas para a solução de problemas reais do produtor. O reconhecimento em um evento como a Aquishow demonstra que estamos no caminho certo para desenvolver tecnologias de aplicação prática. A adoção dessa tabela de alimentação pode gerar uma redução significativa nos custos de produção, aumentando a rentabilidade da tilapicultura no Tocantins”, destaca Moro.
Indicação ao Prêmio Personalidades
A Aquishow Brasil 2026 promoveu ainda a entrega do Prêmio Aline Brun e Geraldo Bernardino – Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026, homenagem anual a um homem e uma mulher que se destacaram no desenvolvimento da aquicultura brasileira. O pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho esteve entre os finalistas da categoria masculina, reconhecimento que reflete a relevância de sua atuação para o setor.
Entre as contribuições que embasaram a indicação estão a criação e manutenção do Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura (CIAQUI), plataforma online que reúne dados econômicos e estratégicos do setor; a publicação do Informe Trimestral de Comércio Exterior da Piscicultura, elaborado em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) desde 2019; e a realização de estudos de mercado e de cadeia de valor da aquicultura nos âmbitos nacional e internacional.
Também integra esse conjunto de contribuições sua atuação na implementação de um mecanismo federal de desoneração tributária para as exportações de tilápia, implantado em 2020. A medida reduziu a carga tributária incidente sobre os insumos utilizados na produção destinada ao mercado externo, ampliando a competitividade do produto brasileiro no cenário internacional.
Para Pedroza Filho, a indicação reforça a relevância de iniciativas desenvolvidas em apoio ao setor aquícola brasileiro. “Esse reconhecimento mostra a importância dos nossos trabalhos e serve como um indicador do impacto dessas ações. O CIAQUI e as iniciativas de apoio às exportações de tilápia estão entre os trabalhos reconhecidos, o que nos motiva a continuar dedicando esforços ao desenvolvimento da aquicultura no Brasil”, ressalta.

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Peixes
Por que o tucunaré virou um dos peixes mais cobiçados dos rios brasileiros
Além das cores marcantes, espécie chama atenção pelo comportamento reprodutivo e pela resistência como predador.

Encontrado em rios, lagos e áreas alagadas de diferentes regiões do Brasil, o tucunaré conquistou um lugar de destaque entre os peixes de água doce mais conhecidos do país. A combinação entre cores vibrantes, comportamento de caça e características reprodutivas únicas transformou a espécie em uma das mais cobiçadas por pescadores esportivos e admiradores da biodiversidade brasileira.

Foto: Divulgação
A aparência é um dos primeiros fatores que chamam atenção. Dependendo da espécie, o tucunaré pode apresentar tonalidades de amarelo, verde, azul e vermelho, além de diferentes padrões de manchas pelo corpo. Uma característica comum entre as espécies é o ocelo, uma mancha arredondada próxima à cauda que auxilia na identificação do peixe.
Mas a popularidade do tucunaré vai além da aparência. A espécie apresenta um comportamento pouco comum entre os peixes de água doce: o cuidado com a própria prole. Após a reprodução, o casal permanece próximo ao ninho, protegendo os ovos e, posteriormente, os alevinos contra possíveis predadores.

Foto: Divulgação
Esse cuidado parental aumenta as chances de sobrevivência dos filhotes e diferencia o tucunaré de muitas outras espécies encontradas nos ambientes aquáticos brasileiros.
Diversidade nos rios brasileiros
Atualmente, são reconhecidas 16 espécies de tucunaré, sendo 14 delas encontradas no Brasil. Embora apresentem diferenças de coloração, tamanho e padrões corporais, todas compartilham características que ajudam na adaptação aos ambientes onde vivem.
Com hábitos diurnos, o tucunaré ocupa principalmente lagos, lagoas e regiões de remanso dos rios, locais com menor correnteza. Predador ativo, alimenta-se principalmente de peixes menores e camarões, utilizando sua agilidade para capturar as presas.
A espécie também ganhou destaque na pesca esportiva pela resistência e pelo comportamento durante a captura,

Foto: Divulgação
sendo considerada uma das principais espécies-alvo dessa atividade, segundo o banco de dados da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN).
Um símbolo dos rios brasileiros
A presença do tucunaré em diferentes regiões e sua capacidade de adaptação fizeram da espécie um dos símbolos da biodiversidade dos ambientes de água doce do Brasil.
Além de representar um atrativo para a pesca amadora e esportiva, o peixe também desperta interesse pelo comportamento biológico, especialmente pela estratégia de proteção da prole, uma característica que ajuda a explicar sua permanência e importância nos ecossistemas onde está presente.
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