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Embrapa Cerrados articula atuação na aquicultura no Brasil Central

Sistema de produção aquícola tem números atrativos, como a baixa pegada de carbono, o menor uso da terra e os elevados rendimento de carcaça e taxa de retenção proteica.

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Fotos: Shutterstock

Segmento em franca expansão em todo o mundo, a aquicultura passa a ser uma das linhas de atuação da Embrapa Cerrados. Desde o início deste ano, a Unidade tem interagido com potenciais parceiros para discutir possíveis ações de pesquisa e desenvolvimento e de transferência de tecnologia sobre o tema na região do Bioma Cerrado. É o que mostrou o pesquisador Luiz Eduardo Lima, recém-transferido para o centro de pesquisa após 10 anos de atuação na Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), em palestra apresentada no dia 24 de fevereiro.

Foto: Jaelson Lucas

Além de pesquisadores e analistas do centro, estiveram presentes representantes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (Seagri-DF), da Emater-DF, do Senar-DF, da Federação da Agricultura e Pecuária do DF (FAPE-DF), da Emater Goiás, da Universidade de Brasília (UnB) e da Secretaria Municipal de Agricultura de Formosa (GO).

A aquicultura é a ciência que estuda a produção racional de organismos aquáticos como peixes, moluscos, crustáceos, anfíbios, répteis, algas e plantas aquáticas para consumo humano. “Há uma grande demanda da sociedade e do setor produtivo aqui no DF para que a Embrapa Cerrados também trabalhe na aquicultura, somando-se às instituições que estão aqui e sendo mais um player nessa área, que tem uma geração de renda muito alta e uma capacidade ímpar de integrar diversos sistemas de produção”, disse o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Unidade, Eduardo Alano.

Panorama mundial

De acordo com a última estatística da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a produção mundial de pescados, que engloba a aquicultura e a pesca, foi de 185 milhões de toneladas em 2022, com valor agregado de US$ 452 bilhões. “A cadeia de pescados é a que tem o maior volume entre as cadeias de produção de proteína animal, e é a mais consumida no mundo”, comentou Luiz Eduardo Lima, acrescentando que a evolução da cadeia está relacionada à demanda crescente por pescados. Entre 1961 e 2022, o consumo de pescados tem crescido em média 3% ao ano. “Isso é superior ao crescimento médio de todas as proteínas terrestres combinadas (2,7% ao ano) no mesmo período”, apontou.

Foto: Divulgação/UEL

O ano de 2002 também marca a primeira vez em que a produção da aquicultura superou a da pesca, estagnada por problemas na exploração dos recursos pesqueiros. O consumo mundial de pescados é de cerca de 20,6 kg/habitante/ano, e tem sido observada a substituição de produtos da pesca por produtos da aquicultura. “É uma oportunidade interessante, pois são produtos que têm rastreabilidade e índices ambientais muito positivos em comparação à pesca”, comentou Lima.

A produção mundial da aquicultura em 2022, ainda de acordo com a FAO, foi de cerca de 130 milhões de toneladas, o correspondente a US$ 312,8 bilhões. Entre 2000 e 2022, a produção aumentou 204,3%, média de 5,2% ao ano. A China é o maior produtor aquícola, com 53 milhões de toneladas, enquanto o Brasil ocupa a 13ª colocação, com 738 mil toneladas produzidas em 2022.

Segundo Lima, as principais razões para o crescimento da atividade aquícola estão relacionadas aos benefícios do consumo de pescados, que contêm proteína de alta digestibilidade e são ricos em minerais, vitaminas e gorduras poli-insaturadas como ômega-3, além de baixos níveis de colesterol e gorduras saturadas.

Ele explicou que o fato de os organismos aquáticos viverem na água permite menor gasto energético com flutuação e locomoção, e que além de não regularem a temperatura corporal, excretam nitrogênio de forma mais simples que os organismos terrestres. Esses fatores garantem conversões alimentares mais eficientes – enquanto alguns peixes e camarões necessitam consumir menos de 2 kg de alimento para produzirem 1 kg de carne, bovinos necessitam de 3,5 a 9 kg, por exemplo.

O sistema de produção aquícola também tem números atrativos, como a baixa pegada de carbono, o menor uso da terra e os elevados rendimento de carcaça e taxa de retenção proteica.

Aquicultura nacional e regional

Ainda pouco relevante no cenário mundial, a aquicultura brasileira tem grande potencial de expansão, segundo o pesquisador. A atividade tem crescido significativamente nos últimos anos. Entre 2000 e 2022, a produção passou de 172 mil toneladas para 738 mil toneladas. O IBGE estimou em R$ 10,2 bilhões o valor da produção nacional para 2023, cifra 16,6% superior à do ano anterior.

O carro-chefe da aquicultura nacional é a piscicultura de água doce, com produção de 655 mil toneladas (R$ 6,7 bilhões) em 2023, 5,8% superior à do ano anterior. A tilápia é o peixe mais criado no País (67,5% do total), e a produção cresceu 7,6% em relação a 2022. O Brasil já é o quarto maior produtor mundial da espécie. Na produção de animais marinhos, o destaque é a criação de camarões em viveiros (carcinicultura), com produção de 127,5 mil toneladas (R$ 2,6 bilhões) e crescimento de 13% em relação a 2022.

Os principais estados produtores são Paraná, São Paulo e Rondônia. Entre os estados onde a Embrapa Cerrados atua, Minas Gerais, quarto maior produtor nacional (61,6 mil toneladas em 2023), se destaca na produção de tilápias (58,2 mil toneladas). O município de Morada Nova de Minas, situado às margens da Represa de Três Marias, é o maior produtor de pescados do Brasil, responsável por 3,1% da produção nacional. O estado de Goiás é o 11º produtor nacional (29,8 mil toneladas em 2023), sendo Niquelândia o principal município produtor.

Foto: Divulgação/Peixe PR

Já o DF é apenas o 24º maior produtor (2 mil toneladas em 2023). De acordo com levantamento da Emater-DF, o perfil dos piscicultores locais (cerca de 800) é de pequenos produtores em sua maioria, além de haver alguns estabelecimentos de pesque-pague e empresas de médio e grande porte, ocupando uma área de cerca de 80 ha.

“Mas quando se fala em potencial, o DF tem uma característica muito interessante: ele é o terceiro maior consumidor de pescados (cerca de 14 kg/hab/ano) do Brasil, um pouco atrás do Amazonas e do Pará. É um consumo superior à média de 9 kg/hab/ano do País e acima do preconizado pela Organização Mundial de Saúde, de 12 kg/hab/ano. Porém, ainda está abaixo da média mundial, 20,5 kg/hab/ano”, comentou o pesquisador.

Apenas 14% das 50 mil toneladas de pescados consumidas no DF em 2023 foram produzidos internamente, enquanto a maior parte (86%) veio de estados como São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Paraná.

Possibilidades de atuação no DF

Para desenvolver o potencial de crescimento da aquicultura no Distrito Federal, Lima elencou possíveis estratégias de atuação da Embrapa Cerrados para discussão com as demais entidades. “Apesar dos problemas de licenciamento, tarifários e de crédito que o setor produtivo enfrenta, podemos fazer alguns inputs de inovação tecnológica que possibilitem a adoção de tecnologias pelos produtores para aumentar a produção não só no DF, mas também em Goiás e outros estados”, afirmou.

Ele apontou a aproximação de instituições que já atuam com a aquicultura na região, como a Emater-DF, a Seagri-DF, a UnB, o Senar e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), para o desenvolvimento de ações em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em parceria.

Foto: O Presente Rural

Segundo o pesquisador, essas ações podem ser operacionalizadas com a participação da Unidade em programas e outras iniciativas em andamento, como o Alevinar & ProAqua+, da Seagri-DF; a participação em câmaras (como a Câmara Setorial das Cadeias Produtivas da Aquicultura da Seagri-DF) e outros fóruns técnicos para captação das demandas de PD&I do setor produtivo e das instituições; o envolvimento em ações de transferência de tecnologia, como dias de campo e eventos; e o desenvolvimento de projetos de PD&I em conjunto para atendimento a demandas das instituições, como a criação de peixes em barragens para irrigação (Emater-DF) e o levantamento de indicadores econômicos da tilápia no DF (UnB).

Apesar de a Embrapa Cerrados não contar com instalações para pesquisas em aquicultura, Lima lembrou que infraestruturas existentes podem ser usadas e otimizadas, como as da Emater-DF (Unidade Didática e as Unidades de Referência Tecnológica em Tanques de Ferrocimento, Produção Intensiva, Criação Bifásica de Tilápias e Boas Práticas na Piscicultura), da Seagri-DF (Granja Modelo Ipê), além da possibilidade de realização de pesquisas nas próprias áreas de produtores rurais.

Outras possibilidades de atuação

A atuação no estado de Goiás, em parceria com o Instituto Federal Goiano, a Universidade Federal de Goiás, a Universidade Federal de Jataí e a Emater Goiás, entre outras instituições, é também uma das possibilidades de atuação. O pesquisador vislumbrou como oportunidade a Usina Hidrelétrica (UHE) Serra da Mesa, em Niquelândia, o maior reservatório de água do Brasil (54,4 bilhões m3). De acordo com o MPA, a UHE tem 227 cessões de uso e capacidade de produção de 21 mil toneladas de pescado – atualmente, são produzidas pouco mais de 4,2 mil toneladas.

Atuar em Minas Gerais é outra possibilidade, e a Universidade Federal de Minas Gerais, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e a Codevasf são apontadas como potenciais parceiros. Embora haja tantas possibilidades, Lima pretende dar foco e iniciar com poucos projetos, focando em áreas prioritárias do setor e atuando sempre em parceria com as instituições e os produtores de cada localidade.

Avaliação de coprodutos e aproveitamento de efluentes na fertirrigação

Lima trouxe exemplos de trabalhos realizados durante a passagem pela Embrapa Pesca e Aquicultura. Entre eles, avaliação de coprodutos da agricultura e da pecuária como potenciais matérias-primas e aditivos para a alimentação de organismos aquáticos, como o uso de folhas e os pecíolos de mandioca na ração para tambaqui na piscicultura amazônica. O pesquisador estudou, em parceria com a Embrapa Acre (AC), a Embrapa Cerrados e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a digestibilidade e a determinação dos níveis de inclusão que não prejudiquem o desempenho zootécnico do tambaqui.

Foto: Divulgação/O Perobal

Outro exemplo apresentado é o da avaliação de coprodutos da aquicultura que podem ser fornecidos à agricultura, como o uso de subprodutos da indústria de macroalgas como bioestimulantes e biofertilizantes para algumas culturas agrícolas.

Lima mostrou que os efluentes da piscicultura, ricos em nitrogênio e fósforo, podem ser usados na fertirrigação. “O peixe só consegue aproveitar em torno de 30% do nitrogênio e do fósforo incluídos na ração. Os outros 70% são despejados no corpo hídrico, sendo que a maior parcela está na parte solúvel. Então, é possível fazer uma integração com as culturas agrícolas, tanto na escala de pequeno produtor, utilizando tecnologias como o Sisteminha, assim como outras adequadas para escalas maiores”, explicou, acrescentando a possibilidade de uso dos efluentes em sistemas de aquaponia na agricultura familiar e periurbana.

Ele também citou a criação de peixes em barragens e canais de irrigação e o uso dos efluentes na fertirrigação, o que pode reduzir a demanda por fertilizantes nas culturas agrícolas. Em parceria com a Codevasf, a Embrapa construiu, em Palmas, um sistema de tanques suspensos de geomembrana capazes de destinar efluentes para a fertirrigação de dois hectares. Também estão sendo testados sistemas de irrigação por aspersão convencional e por gotejamento, além de diferentes rotações de culturas agrícolas e pastagens. A ideia é gerar indicadores para determinar a quantidade de nutrientes como o nitrogênio e fósforo produzidos por um sistema de criação de peixes, além de analisar quanto é absorvido pelas plantas e dimensionar quanto de fertilizantes pode ser economizado nas diferentes culturas.

Instituições mostram otimismo e apontam demandas

Os representantes das instituições que participaram do debate após a apresentação manifestaram disposição para colaborar em iniciativas conjuntas. Coordenador do Programa de Aquicultura da Emater-DF, Adalmyr Borges disse que a expectativa do órgão com a chegada do pesquisador à Embrapa Cerrados é positiva. “A Emater-DF e a Embrapa têm uma ligação muito forte aqui em Brasília. Faltava ampliar essa relação para a área de aquicultura. Estamos muito satisfeitos com a vinda do Luiz”, afirmou.

Ele destacou duas demandas observadas pelo órgão de extensão rural do Distrito Federal. A primeira é o aproveitamento, mediante adequação da outorga, dos reservatórios de geomembrana utilizados para irrigação. “Apenas com os 247 pequenos reservatórios implantados na região da bacia do Rio Preto, podemos dobrar a produção de pescado aqui. São pequenas ações que podem ter um grande impacto”, disse, acrescentando a necessidade de definição de um modelo de viabilidade econômica e ambiental para a atividade.

A outra demanda se refere à adequação dos custos de produção, uma vez que, segundo o extensionista, as margens de lucro da aquicultura vêm diminuindo nos últimos anos. “Sabemos que o principal custo na produção de peixes é a alimentação, que é a especialidade do pesquisador”, apontou.

“Precisávamos de alguém para ‘chacoalhar’ o setor. Sabemos da demanda no DF e a potencialidade. Temos que trabalhar juntos e voltar a pensar em infraestruturas difusoras de tecnologias como a Granja do Ipê (da Seagri-DF) e ter um projeto estruturado”, declarou Hermano dos Santos, chefe da Unidade de Recursos Pesqueiros e Aquicultura da Codevasf, acrescentando que o órgão tem recebido muitas demandas de alevinos, inclusive de associações do DF.

Adson Rodrigues, coordenador da Regional Planalto da Emater Goiás, que abrange 19 municípios do Entorno do DF, afirmou que o órgão vê uma grande oportunidade para a pesquisa. “Nos 19 municípios, há piscicultura e demanda por resultados oficiais de pesquisa. Nós extensionistas dependemos desses resultados para nos estruturarmos e fazermos que os produtores tenham confiança em aplicar os seus recursos”, afirmou, acrescentando que a região conta com produtores de alevinos e grandes piscicultores.

O extensionista citou o Projeto Fruticultura Irrigada no Vão do Paranã, liderado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás e que tem a participação da Embrapa Cerrados. Ele explicou que 150 famílias de assentados de reforma agrária de Flores de Goiás, Formosa e São João d’Aliança estão financiando e recebendo da Codevasf equipamentos para a irrigação de 2 ha de manga e maracujá. Também está sendo financiado um tanque de geomembrana de 400 m3.

Foto: Jefferson Christofoletti

“O pequeno agricultor tem que aproveitar essa estrutura com água e diversificar (a produção). Estamos no berço das águas (do Brasil) e existe o potencial. Mesmo não havendo uma pesquisa oficial, os produtores estão conseguindo produzir. Podemos fazer o elo com esses produtores e desenvolver o trabalho”, afirmou, ressaltando que a integração da aquicultura às demais atividades agropecuárias realizadas no Entorno do DF será oportuna para os produtores.

Também presente à palestra, Carlos Magno da Rocha, ex-presidente da Embrapa e ex-chefe-geral da Embrapa Cerrados e da Embrapa Pesca e Aquicultura, relembrou o início das pesquisas da Empresa com aquicultura e destacou a importância do segmento no mundo. Para ele, iniciar trabalhos com aquicultura na Embrapa Cerrados é um marco, e a atividade deve ser vista como estratégica para o Brasil.

“Não tenho dúvida de que esse setor da economia vai crescer, e muito, principalmente no país que é líder na produção de grãos. Não temos problema para produzir ração. Na região geoeconômica de Brasília, muita gente já está trabalhando com isso, mas com muita dificuldade, porque o conhecimento ainda não está chegando. Vejo como uma oportunidade ímpar de (a Unidade) se agregar. A vinda do Luiz é um passo, uma semente que vai germinar”, comentou Rocha.

Após o debate, a chefia da Embrapa Cerrados realizou uma reunião com Lima e os representantes das demais instituições para discutir possibilidades de parcerias para atuação, definir as prioridades de curto, médio e longo prazo, além de estabelecer a estratégia de ação.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados

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Dados contestam argumento dos EUA para taxar o Brasil

Estudo recente lança dúvidas sobre a alegação ambiental usada para justificar a sobretaxa.

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Foto: Eufran Amaral

A alegação do governo dos Estados Unidos de que o desmatamento no Brasil justificaria a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros não encontra respaldo em dados ambientais, avalia o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini. Para ele, a questão ambiental está sendo utilizada como argumento para sustentar uma medida de caráter político e comercial. “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa. O próprio governo Trump virou as costas para a agenda ambiental ao retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris”, afirmou Astrini.

Secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini: “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa” – Foto: Divulgação/OC

Segundo o ambientalista, a justificativa perde força diante do fato de que outros países também registram desmatamento, mas não foram alvo de medidas tarifárias semelhantes. “É uma medida puramente política. Não tem relação com a questão ambiental. Trata-se apenas de um pretexto para impor uma barreira comercial ao Brasil”, disse.

Astrini também destaca que a política brasileira de combate ao desmatamento foi reforçada nos últimos anos com a retomada das ações de fiscalização. Entre os fatores apontados por ele está o fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que recebeu recursos do Fundo Amazônia para ampliar as operações de controle.

Os números mais recentes do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), elaborado pelo MapBiomas, indicam redução da perda de vegetação nativa no país. Em 2025, o Brasil desmatou 984.794 hectares, queda de 20,6% em relação a 2024. Foi a primeira vez, desde 2019, que a área desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano.

Apesar da redução, Amazônia e Cerrado concentraram mais de 84% de toda a área desmatada no país. O Cerrado

Foto: Divulgação

permaneceu como o bioma com maior perda de vegetação nativa, com 540.614 hectares desmatados, o equivalente a 54,9% do total nacional, embora tenha registrado redução de 16,9% frente ao ano anterior.

Na Amazônia, a área desmatada somou 289.478 hectares, recuo de 23,5% na comparação com 2024. O Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre os biomas, com queda de 48,4%, totalizando 12.260 hectares desmatados.

O MapBiomas, iniciativa formada por universidades, organizações da sociedade civil e empresas de tecnologia voltada ao monitoramento da cobertura e do uso da terra no Brasil, também aponta que a expansão da agropecuária continua sendo o principal fator associado ao desmatamento. Nos últimos

Foto: Divulgação/TV Brasil

sete anos, essa atividade respondeu por mais de 97% da perda de vegetação nativa e, somente em 2025, esteve relacionada a 99% da área desmatada no país.

O levantamento mostra ainda que 99% da área desmatada ligada ao garimpo concentrou-se na Amazônia, principalmente no Pará. Já os desmatamentos associados à implantação de empreendimentos de energia renovável ocorreram quase integralmente na Caatinga, responsável por 97% dessa categoria. Nas áreas urbanas, o desmatamento aumentou 7% em relação a 2024, com maior concentração no Cerrado e na Amazônia, que responderam por mais de 60% da vegetação nativa suprimida para expansão urbana.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

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Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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