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Embrapa Cerrados articula atuação na aquicultura no Brasil Central

Sistema de produção aquícola tem números atrativos, como a baixa pegada de carbono, o menor uso da terra e os elevados rendimento de carcaça e taxa de retenção proteica.

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Fotos: Shutterstock

Segmento em franca expansão em todo o mundo, a aquicultura passa a ser uma das linhas de atuação da Embrapa Cerrados. Desde o início deste ano, a Unidade tem interagido com potenciais parceiros para discutir possíveis ações de pesquisa e desenvolvimento e de transferência de tecnologia sobre o tema na região do Bioma Cerrado. É o que mostrou o pesquisador Luiz Eduardo Lima, recém-transferido para o centro de pesquisa após 10 anos de atuação na Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), em palestra apresentada no dia 24 de fevereiro.

Foto: Jaelson Lucas

Além de pesquisadores e analistas do centro, estiveram presentes representantes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (Seagri-DF), da Emater-DF, do Senar-DF, da Federação da Agricultura e Pecuária do DF (FAPE-DF), da Emater Goiás, da Universidade de Brasília (UnB) e da Secretaria Municipal de Agricultura de Formosa (GO).

A aquicultura é a ciência que estuda a produção racional de organismos aquáticos como peixes, moluscos, crustáceos, anfíbios, répteis, algas e plantas aquáticas para consumo humano. “Há uma grande demanda da sociedade e do setor produtivo aqui no DF para que a Embrapa Cerrados também trabalhe na aquicultura, somando-se às instituições que estão aqui e sendo mais um player nessa área, que tem uma geração de renda muito alta e uma capacidade ímpar de integrar diversos sistemas de produção”, disse o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Unidade, Eduardo Alano.

Panorama mundial

De acordo com a última estatística da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a produção mundial de pescados, que engloba a aquicultura e a pesca, foi de 185 milhões de toneladas em 2022, com valor agregado de US$ 452 bilhões. “A cadeia de pescados é a que tem o maior volume entre as cadeias de produção de proteína animal, e é a mais consumida no mundo”, comentou Luiz Eduardo Lima, acrescentando que a evolução da cadeia está relacionada à demanda crescente por pescados. Entre 1961 e 2022, o consumo de pescados tem crescido em média 3% ao ano. “Isso é superior ao crescimento médio de todas as proteínas terrestres combinadas (2,7% ao ano) no mesmo período”, apontou.

Foto: Divulgação/UEL

O ano de 2002 também marca a primeira vez em que a produção da aquicultura superou a da pesca, estagnada por problemas na exploração dos recursos pesqueiros. O consumo mundial de pescados é de cerca de 20,6 kg/habitante/ano, e tem sido observada a substituição de produtos da pesca por produtos da aquicultura. “É uma oportunidade interessante, pois são produtos que têm rastreabilidade e índices ambientais muito positivos em comparação à pesca”, comentou Lima.

A produção mundial da aquicultura em 2022, ainda de acordo com a FAO, foi de cerca de 130 milhões de toneladas, o correspondente a US$ 312,8 bilhões. Entre 2000 e 2022, a produção aumentou 204,3%, média de 5,2% ao ano. A China é o maior produtor aquícola, com 53 milhões de toneladas, enquanto o Brasil ocupa a 13ª colocação, com 738 mil toneladas produzidas em 2022.

Segundo Lima, as principais razões para o crescimento da atividade aquícola estão relacionadas aos benefícios do consumo de pescados, que contêm proteína de alta digestibilidade e são ricos em minerais, vitaminas e gorduras poli-insaturadas como ômega-3, além de baixos níveis de colesterol e gorduras saturadas.

Ele explicou que o fato de os organismos aquáticos viverem na água permite menor gasto energético com flutuação e locomoção, e que além de não regularem a temperatura corporal, excretam nitrogênio de forma mais simples que os organismos terrestres. Esses fatores garantem conversões alimentares mais eficientes – enquanto alguns peixes e camarões necessitam consumir menos de 2 kg de alimento para produzirem 1 kg de carne, bovinos necessitam de 3,5 a 9 kg, por exemplo.

O sistema de produção aquícola também tem números atrativos, como a baixa pegada de carbono, o menor uso da terra e os elevados rendimento de carcaça e taxa de retenção proteica.

Aquicultura nacional e regional

Ainda pouco relevante no cenário mundial, a aquicultura brasileira tem grande potencial de expansão, segundo o pesquisador. A atividade tem crescido significativamente nos últimos anos. Entre 2000 e 2022, a produção passou de 172 mil toneladas para 738 mil toneladas. O IBGE estimou em R$ 10,2 bilhões o valor da produção nacional para 2023, cifra 16,6% superior à do ano anterior.

O carro-chefe da aquicultura nacional é a piscicultura de água doce, com produção de 655 mil toneladas (R$ 6,7 bilhões) em 2023, 5,8% superior à do ano anterior. A tilápia é o peixe mais criado no País (67,5% do total), e a produção cresceu 7,6% em relação a 2022. O Brasil já é o quarto maior produtor mundial da espécie. Na produção de animais marinhos, o destaque é a criação de camarões em viveiros (carcinicultura), com produção de 127,5 mil toneladas (R$ 2,6 bilhões) e crescimento de 13% em relação a 2022.

Os principais estados produtores são Paraná, São Paulo e Rondônia. Entre os estados onde a Embrapa Cerrados atua, Minas Gerais, quarto maior produtor nacional (61,6 mil toneladas em 2023), se destaca na produção de tilápias (58,2 mil toneladas). O município de Morada Nova de Minas, situado às margens da Represa de Três Marias, é o maior produtor de pescados do Brasil, responsável por 3,1% da produção nacional. O estado de Goiás é o 11º produtor nacional (29,8 mil toneladas em 2023), sendo Niquelândia o principal município produtor.

Foto: Divulgação/Peixe PR

Já o DF é apenas o 24º maior produtor (2 mil toneladas em 2023). De acordo com levantamento da Emater-DF, o perfil dos piscicultores locais (cerca de 800) é de pequenos produtores em sua maioria, além de haver alguns estabelecimentos de pesque-pague e empresas de médio e grande porte, ocupando uma área de cerca de 80 ha.

“Mas quando se fala em potencial, o DF tem uma característica muito interessante: ele é o terceiro maior consumidor de pescados (cerca de 14 kg/hab/ano) do Brasil, um pouco atrás do Amazonas e do Pará. É um consumo superior à média de 9 kg/hab/ano do País e acima do preconizado pela Organização Mundial de Saúde, de 12 kg/hab/ano. Porém, ainda está abaixo da média mundial, 20,5 kg/hab/ano”, comentou o pesquisador.

Apenas 14% das 50 mil toneladas de pescados consumidas no DF em 2023 foram produzidos internamente, enquanto a maior parte (86%) veio de estados como São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Paraná.

Possibilidades de atuação no DF

Para desenvolver o potencial de crescimento da aquicultura no Distrito Federal, Lima elencou possíveis estratégias de atuação da Embrapa Cerrados para discussão com as demais entidades. “Apesar dos problemas de licenciamento, tarifários e de crédito que o setor produtivo enfrenta, podemos fazer alguns inputs de inovação tecnológica que possibilitem a adoção de tecnologias pelos produtores para aumentar a produção não só no DF, mas também em Goiás e outros estados”, afirmou.

Ele apontou a aproximação de instituições que já atuam com a aquicultura na região, como a Emater-DF, a Seagri-DF, a UnB, o Senar e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), para o desenvolvimento de ações em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em parceria.

Foto: O Presente Rural

Segundo o pesquisador, essas ações podem ser operacionalizadas com a participação da Unidade em programas e outras iniciativas em andamento, como o Alevinar & ProAqua+, da Seagri-DF; a participação em câmaras (como a Câmara Setorial das Cadeias Produtivas da Aquicultura da Seagri-DF) e outros fóruns técnicos para captação das demandas de PD&I do setor produtivo e das instituições; o envolvimento em ações de transferência de tecnologia, como dias de campo e eventos; e o desenvolvimento de projetos de PD&I em conjunto para atendimento a demandas das instituições, como a criação de peixes em barragens para irrigação (Emater-DF) e o levantamento de indicadores econômicos da tilápia no DF (UnB).

Apesar de a Embrapa Cerrados não contar com instalações para pesquisas em aquicultura, Lima lembrou que infraestruturas existentes podem ser usadas e otimizadas, como as da Emater-DF (Unidade Didática e as Unidades de Referência Tecnológica em Tanques de Ferrocimento, Produção Intensiva, Criação Bifásica de Tilápias e Boas Práticas na Piscicultura), da Seagri-DF (Granja Modelo Ipê), além da possibilidade de realização de pesquisas nas próprias áreas de produtores rurais.

Outras possibilidades de atuação

A atuação no estado de Goiás, em parceria com o Instituto Federal Goiano, a Universidade Federal de Goiás, a Universidade Federal de Jataí e a Emater Goiás, entre outras instituições, é também uma das possibilidades de atuação. O pesquisador vislumbrou como oportunidade a Usina Hidrelétrica (UHE) Serra da Mesa, em Niquelândia, o maior reservatório de água do Brasil (54,4 bilhões m3). De acordo com o MPA, a UHE tem 227 cessões de uso e capacidade de produção de 21 mil toneladas de pescado – atualmente, são produzidas pouco mais de 4,2 mil toneladas.

Atuar em Minas Gerais é outra possibilidade, e a Universidade Federal de Minas Gerais, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e a Codevasf são apontadas como potenciais parceiros. Embora haja tantas possibilidades, Lima pretende dar foco e iniciar com poucos projetos, focando em áreas prioritárias do setor e atuando sempre em parceria com as instituições e os produtores de cada localidade.

Avaliação de coprodutos e aproveitamento de efluentes na fertirrigação

Lima trouxe exemplos de trabalhos realizados durante a passagem pela Embrapa Pesca e Aquicultura. Entre eles, avaliação de coprodutos da agricultura e da pecuária como potenciais matérias-primas e aditivos para a alimentação de organismos aquáticos, como o uso de folhas e os pecíolos de mandioca na ração para tambaqui na piscicultura amazônica. O pesquisador estudou, em parceria com a Embrapa Acre (AC), a Embrapa Cerrados e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a digestibilidade e a determinação dos níveis de inclusão que não prejudiquem o desempenho zootécnico do tambaqui.

Foto: Divulgação/O Perobal

Outro exemplo apresentado é o da avaliação de coprodutos da aquicultura que podem ser fornecidos à agricultura, como o uso de subprodutos da indústria de macroalgas como bioestimulantes e biofertilizantes para algumas culturas agrícolas.

Lima mostrou que os efluentes da piscicultura, ricos em nitrogênio e fósforo, podem ser usados na fertirrigação. “O peixe só consegue aproveitar em torno de 30% do nitrogênio e do fósforo incluídos na ração. Os outros 70% são despejados no corpo hídrico, sendo que a maior parcela está na parte solúvel. Então, é possível fazer uma integração com as culturas agrícolas, tanto na escala de pequeno produtor, utilizando tecnologias como o Sisteminha, assim como outras adequadas para escalas maiores”, explicou, acrescentando a possibilidade de uso dos efluentes em sistemas de aquaponia na agricultura familiar e periurbana.

Ele também citou a criação de peixes em barragens e canais de irrigação e o uso dos efluentes na fertirrigação, o que pode reduzir a demanda por fertilizantes nas culturas agrícolas. Em parceria com a Codevasf, a Embrapa construiu, em Palmas, um sistema de tanques suspensos de geomembrana capazes de destinar efluentes para a fertirrigação de dois hectares. Também estão sendo testados sistemas de irrigação por aspersão convencional e por gotejamento, além de diferentes rotações de culturas agrícolas e pastagens. A ideia é gerar indicadores para determinar a quantidade de nutrientes como o nitrogênio e fósforo produzidos por um sistema de criação de peixes, além de analisar quanto é absorvido pelas plantas e dimensionar quanto de fertilizantes pode ser economizado nas diferentes culturas.

Instituições mostram otimismo e apontam demandas

Os representantes das instituições que participaram do debate após a apresentação manifestaram disposição para colaborar em iniciativas conjuntas. Coordenador do Programa de Aquicultura da Emater-DF, Adalmyr Borges disse que a expectativa do órgão com a chegada do pesquisador à Embrapa Cerrados é positiva. “A Emater-DF e a Embrapa têm uma ligação muito forte aqui em Brasília. Faltava ampliar essa relação para a área de aquicultura. Estamos muito satisfeitos com a vinda do Luiz”, afirmou.

Ele destacou duas demandas observadas pelo órgão de extensão rural do Distrito Federal. A primeira é o aproveitamento, mediante adequação da outorga, dos reservatórios de geomembrana utilizados para irrigação. “Apenas com os 247 pequenos reservatórios implantados na região da bacia do Rio Preto, podemos dobrar a produção de pescado aqui. São pequenas ações que podem ter um grande impacto”, disse, acrescentando a necessidade de definição de um modelo de viabilidade econômica e ambiental para a atividade.

A outra demanda se refere à adequação dos custos de produção, uma vez que, segundo o extensionista, as margens de lucro da aquicultura vêm diminuindo nos últimos anos. “Sabemos que o principal custo na produção de peixes é a alimentação, que é a especialidade do pesquisador”, apontou.

“Precisávamos de alguém para ‘chacoalhar’ o setor. Sabemos da demanda no DF e a potencialidade. Temos que trabalhar juntos e voltar a pensar em infraestruturas difusoras de tecnologias como a Granja do Ipê (da Seagri-DF) e ter um projeto estruturado”, declarou Hermano dos Santos, chefe da Unidade de Recursos Pesqueiros e Aquicultura da Codevasf, acrescentando que o órgão tem recebido muitas demandas de alevinos, inclusive de associações do DF.

Adson Rodrigues, coordenador da Regional Planalto da Emater Goiás, que abrange 19 municípios do Entorno do DF, afirmou que o órgão vê uma grande oportunidade para a pesquisa. “Nos 19 municípios, há piscicultura e demanda por resultados oficiais de pesquisa. Nós extensionistas dependemos desses resultados para nos estruturarmos e fazermos que os produtores tenham confiança em aplicar os seus recursos”, afirmou, acrescentando que a região conta com produtores de alevinos e grandes piscicultores.

O extensionista citou o Projeto Fruticultura Irrigada no Vão do Paranã, liderado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás e que tem a participação da Embrapa Cerrados. Ele explicou que 150 famílias de assentados de reforma agrária de Flores de Goiás, Formosa e São João d’Aliança estão financiando e recebendo da Codevasf equipamentos para a irrigação de 2 ha de manga e maracujá. Também está sendo financiado um tanque de geomembrana de 400 m3.

Foto: Jefferson Christofoletti

“O pequeno agricultor tem que aproveitar essa estrutura com água e diversificar (a produção). Estamos no berço das águas (do Brasil) e existe o potencial. Mesmo não havendo uma pesquisa oficial, os produtores estão conseguindo produzir. Podemos fazer o elo com esses produtores e desenvolver o trabalho”, afirmou, ressaltando que a integração da aquicultura às demais atividades agropecuárias realizadas no Entorno do DF será oportuna para os produtores.

Também presente à palestra, Carlos Magno da Rocha, ex-presidente da Embrapa e ex-chefe-geral da Embrapa Cerrados e da Embrapa Pesca e Aquicultura, relembrou o início das pesquisas da Empresa com aquicultura e destacou a importância do segmento no mundo. Para ele, iniciar trabalhos com aquicultura na Embrapa Cerrados é um marco, e a atividade deve ser vista como estratégica para o Brasil.

“Não tenho dúvida de que esse setor da economia vai crescer, e muito, principalmente no país que é líder na produção de grãos. Não temos problema para produzir ração. Na região geoeconômica de Brasília, muita gente já está trabalhando com isso, mas com muita dificuldade, porque o conhecimento ainda não está chegando. Vejo como uma oportunidade ímpar de (a Unidade) se agregar. A vinda do Luiz é um passo, uma semente que vai germinar”, comentou Rocha.

Após o debate, a chefia da Embrapa Cerrados realizou uma reunião com Lima e os representantes das demais instituições para discutir possibilidades de parcerias para atuação, definir as prioridades de curto, médio e longo prazo, além de estabelecer a estratégia de ação.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados

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Armazenamento correto garante qualidade e previne perdas de produtos pecuários

Boas práticas são essenciais para a produtividade da fazenda e envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço.

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Grãos e rações devem ficar sobre paletes com distanciamento da parede para evitar surgimento de roedores – Foto: Divulgação/Connan

Na pecuária, o bom desempenho do rebanho está ligado a fatores como alimentação, controle de doenças e parasitas, cuidado com o bem-estar animal e monitoramento constante do gado. Além desses critérios, as boas práticas no armazenamento de produtos destinados aos animais também devem ser consideradas essenciais, uma vez que previnem perdas e garantem a produtividade da fazenda.

As boas práticas visam garantir a qualidade, segurança e valor dos produtos, prevenindo contaminações e perdas. Os procedimentos envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço, e variam conforme o tipo de produto (ração, suplementos, medicamentos). “Esses princípios mantêm a boa qualidade desses itens, evitando, além das perdas ligadas ao seu valor financeiro, chance de contaminar outros artigos ou provocar doenças no rebanho”, explica o zootecnista Bruno Marson.

Antes de armazenar os produtos, é importante observar qual tipo de espaço ele deve ser guardado. Rações e suplementos precisam ser armazenados em locais secos e arejados, preferencialmente em suas embalagens originais ou em recipientes herméticos, sobre paletes e afastados das paredes para evitar umidade e acesso de pragas. “No caso de medicamentos e vacinas veterinárias é preciso seguir rigorosamente as instruções do fabricante quanto à temperatura, uma vez que muitos desses produtos requerem refrigeração e condições de armazenamento em local seguro e separado de outros produtos químicos”, destaca Marson.

No caso de defensivos agrícolas e químicos, o armazenamento deve ser feito em local isolado, com ventilação adequada, piso impermeável e sinalização de perigo. A legislação brasileira dispõe sobre o sistema de armazenagem dos produtos agropecuários, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fornece cartilhas de boas práticas para serviços de alimentação que são relevantes para produtos de origem animal.

Princípios fundamentais

Marson enfatiza que a higiene rigorosa é essencial, por isso é necessário manter as instalações, equipamentos e utensílios sempre limpos e sanitizados, e que a higiene pessoal dos colaboradores também é crucial. Os locais de armazenamento devem ser limpos, organizados, bem ventilados e protegidos da luz solar direta, umidade, insetos, roedores e outros animais.

No caso da temperatura, seu controle é vital, especialmente para insumos como vacinas e medicamentos. Câmaras frias e refrigeradores devem ser usados conforme as especificações do fabricante. “As embalagens devem proteger o produto da umidade e de contaminações externas. No caso de rações e grãos a granel, deve-se prevenir o ataque de pragas através de iscas, evitar acesso livre ao material e bloquear possíveis abrigos”, orienta.

Outra dica de Marson é organizar os produtos de forma a permitir a fácil inspeção e limpeza e implementar a rotação de estoque (primeiro a entrar, primeiro a sair – PEPS) para garantir que os produtos mais antigos sejam usados antes de vencerem. Além disso, implementar um plano eficaz para a gestão de resíduos e controle de pragas para evitar a infestação das instalações. “Seguindo essas orientações, os produtos ficarão bem armazenados, garantindo assim a produtividade do rebanho e a rentabilidade da fazenda”, menciona Marson.

Fonte: Assessoria Connan
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Sobretaxas dos Estados Unidos derrubam exportações brasileiras em vários setores

Estudo mostra que apenas seis dos 21 segmentos conseguiram compensar, em outros mercados, a queda nas vendas ao mercado americano.

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Foto: Gilson Abreu/AEN

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tiveram impacto amplo e negativo sobre as exportações do país. Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que apenas seis dos 21 setores exportadores conseguiram compensar, em outros mercados, as perdas registradas nas vendas ao mercado americano.

Entre agosto e novembro de 2025, todos os setores analisados venderam menos para os Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2024. A queda somada alcançou US$ 1,5 bilhão. Em praticamente todos os segmentos, a retração das exportações para os EUA foi mais intensa do que a variação das vendas globais, o que evidencia o peso do mercado americano para a pauta exportadora brasileira.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR

A tentativa de redirecionar exportações para outros países não foi suficiente para a maioria dos setores. Em 15 dos 21 segmentos avaliados, o crescimento das vendas ao restante do mundo não conseguiu compensar as perdas nos Estados Unidos. Juntas, essas áreas acumularam redução de US$ 1,2 bilhão.

Os impactos mais expressivos foram registrados nos setores de alimentos, como mel e pescados, além de plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte. Apenas seis setores conseguiram equilibrar as perdas com vendas em outros mercados: produtos vegetais; gorduras e óleos; químicos; pedras preciosas; máquinas e aparelhos elétricos; e máquinas e instrumentos mecânicos.

Mesmo nesses casos, a compensação foi limitada. O estudo aponta que, muitas vezes, os produtos exportados para outros destinos não são os mesmos que tradicionalmente têm os Estados Unidos como principal mercado. Isso indica que a substituição do mercado americano ocorre de forma incompleta, tanto em valor quanto em perfil de produtos.

No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões no período analisado. Já as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões. Apesar do saldo positivo, itens específicos de maior valor agregado, como transformadores e geradores, também tiveram desempenho fraco fora dos EUA. As exportações de transformadores caíram tanto para o mercado americano quanto para o restante do mundo, enquanto os geradores registraram queda acentuada nos EUA e avanço modesto nos demais destinos.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O levantamento reforça que o mercado dos Estados Unidos segue difícil de substituir. Além do volume, o país importa produtos mais diversificados e com maior valor agregado, o que limita a capacidade de redirecionamento das exportações brasileiras no curto prazo.

Para a Amcham, os dados mostram que a diversificação de mercados ajuda, mas não resolve. A entidade avalia que, para grande parte da indústria brasileira, as perdas provocadas pelas sobretaxas não podem ser plenamente revertidas sem avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos.

Fonte: O Presente Rural com informações Amcham
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Preços dos grãos terminam 2025 sob pressão e incerteza no mercado

Soja, milho e trigo enfrentaram um ano de ajustes ao longo da cadeia global.

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O mercado global de commodities encerrou 2025 marcado por preços pressionados, oferta elevada em várias cadeias e forte influência de fatores externos. Para 2026, o cenário segue condicionado a decisões políticas, tensões comerciais, clima e ajustes entre oferta e demanda, aponta a análise da Hedgepoint Global Markets.

No plano internacional, as políticas tarifárias dos Estados Unidos continuam no radar, com potencial para alterar fluxos comerciais, especialmente na relação com a China. A disputa entre as duas potências segue como um dos principais focos de atenção dos mercados. Em países emergentes, eleições também devem influenciar o ambiente econômico. No Brasil, o processo eleitoral previsto para outubro tende a aumentar a volatilidade ao longo do ano.

Na política monetária, a expectativa é de um período de maior equilíbrio. Após cortes de juros em 2025, bancos centrais como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu se aproximam de uma fase de estabilização. No Brasil, há espaço para redução da taxa Selic ao longo de 2026, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas, com projeção de encerrar o ano em torno de 12%.

Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico se soma aos desafios específicos de cada mercado agrícola, especialmente ligados ao clima, à produção e ao consumo.

Complexo soja

O mercado de soja viveu em 2025 um cenário de forças opostas. A safra recorde da América do Sul contrastou com a redução de área nos Estados Unidos. A guerra comercial reduziu a demanda pela soja americana, ao mesmo tempo em que o crescimento do esmagamento e a perspectiva de maior uso de biocombustíveis ajudaram a sustentar o mercado. Uma trégua nas tensões entre EUA e China deu algum fôlego aos preços no fim do ano.

Em 2026, quatro pontos concentram as atenções. O primeiro é o volume de compras da China de soja norte-americana, após o compromisso de aquisição de pelo menos 25 milhões de toneladas. O segundo envolve o biodiesel nos Estados Unidos, cujas definições adiadas em 2025 devem impactar óleos vegetais e farelo no próximo ano. O terceiro fator é o clima na América do Sul, com incertezas sobre o potencial produtivo de Brasil e Argentina. Por fim, a decisão sobre a área de plantio nos EUA para a safra 26/27 dependerá do comportamento dos preços, com possibilidade de migração de área do milho para a soja.

Milho e trigo

No milho, 2025 foi marcado por produção recorde nos Estados Unidos, resultado da combinação entre aumento de área e condições climáticas favoráveis. As exportações surpreenderam positivamente, sustentadas pela competitividade dos preços. No trigo, grandes produtores também ampliaram a oferta, levando a produção global a níveis elevados.

Para 2026, o clima na América do Sul será determinante. Brasil e Argentina podem elevar a produção se as condições forem favoráveis, embora o fenômeno La Niña traga riscos, especialmente para a safra argentina. No Brasil, atrasos no plantio da soja podem comprometer o calendário do milho safrinha, elevando a exposição a riscos climáticos. Ainda assim, há tendência de aumento de área, impulsionada pela demanda crescente por etanol de milho, com novas plantas previstas para entrar em operação.

Nos Estados Unidos, a definição da área entre milho e soja dependerá da relação de preços no primeiro trimestre de 2026. Apesar da possibilidade de redução de área do milho, a demanda aquecida pode limitar cortes mais significativos. No trigo, as atenções se voltam ao clima no desenvolvimento da safra de inverno do Hemisfério Norte, em um contexto de transição do La Niña para condições neutras ao longo do primeiro semestre.

Fonte: O Presente Rural
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