Notícias Comemoração
Embrapa celebra 48 anos com emoção e homenagens
Parceiros, produtores, autoridades e homenageados destacaram a importância da estatal para a inovação do agro brasileiro

Pela segunda vez consecutiva, em função da pandemia que impôs restrições a eventos presenciais, a solenidade de aniversário da Embrapa foi realizada de forma remota e virtual. Neste ano, porém, os 48 anos da Empresa foram celebrados por meio de uma live descontraída, com um tom mais informal, realizada na quarta-feira (28), às 10 horas, e acompanhada por meio do YouTube por mais de 1.700 pessoas.
No palco, somente os apresentadores Fernanda Diniz e Sérgio Abud, empregados do quadro da Embrapa; o presidente Celso Moretti; o presidente do Conselho de Administração da Empresa (Consad), Fernando Camargo; e a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. No lugar dos tradicionais discursos de autoridades e homenageados, depoimentos gravados em vídeo. A edição ágil permitiu mais leveza, focando e destacando melhor as mais recentes contribuições da Embrapa para melhorar a vida de quem trabalha no campo brasileiro, as metas do VII Plano Diretor e o Balanço Social 2020, que, mais uma vez, comprovou o retorno dado pela ciência ao investimento público e à sociedade.
Celso Moretti abriu a solenidade agradecendo e reconhecendo a parceria de pesquisadores da Empresa, diretores, gestores, colaboradores, instituições parcerias, produtores rurais, parlamentares, extensionistas e estudantes. Relembrou a trajetória da agropecuária nacional e o cenário da 70, quando a Embrapa foi criada e o Brasil ainda era submetido a condições de insegurança alimentar e importação de produtos básicos da mesa do brasileiro. “Foi quando aconteceu o início da grande transformação do campo, responsável pela revolução que hoje se consolidou e elevou o País à condição de exportador e protagonista dos cenários futuros da segurança alimentar mundial”, disse.
“Os solos ácidos e pobres do Cerrado foram transformados em terras férteis, teve início a tropicalização de culturas e animais, e o desenvolvimento de uma plataforma de produção sustentável – esses foram os três principais pilares responsáveis por toda essa transformação”, comentou, lembrando que, graças a tecnologia da ciência agropecuária, mais de 800 milhões de pessoas são alimentadas em todo o globo, em mais de 170 países.
Farol que aponta caminhos
Sobre o VII Plano Diretor da Embrapa, que chamou de “farol que aponta os caminhos futuros da empresa”, lembrou a tradição institucional de fazer planejamento estratégico desde a década de 90. “Em novembro do ano passado, pela primeira vez, ousamos nesse planejamento, definindo nossas metas em objetivos quantificáveis, com números e dados que vão se concretizar em resultados”, afirmou, destacando entre os exemplos o aumento de 10 milhões de hectares as áreas com o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) no território nacional, até 2025, em parceria com o setor produtivo, em uma ação coordenada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Para cada real investido na Embrapa, o retorno foi de R$ 17,7 em 2020
O presidente também falou sobre os resultados do Balanço Social 2020, uma tradicional forma da Embrapa apresentar à sociedade o resultado do trabalho desenvolvido pela ciência. “Há 24 anos, desenvolvemos estudos a partir de sólida metodologia científica para constatar esse retorno, social e econômico”, disse. “Esse lucro social obtido por meio de uma amostra de 152 tecnologias e pela adoção de 220 cultivares de plantas é de 61 bilhões de reais, que divididos pelo custo anual da Embrapa, demonstra que para cada 1 real que a sociedade investiu, no ano passado, foram devolvidos 17,7 reais”, destacou.
Moretti chamou a atenção para o ano difícil de pandemia, ressaltando que as tecnologias da Embrapa ajudaram a criar 41 mil empregos no agro brasileiro. Sobre os lançamentos de tecnologias, o presidente referiu-se à Embrapa como uma “casa de soluções” a partir da pesquisa e do desenvolvimento. Foram apresentadas seis novas soluções tecnológicas da Embrapa para o agro brasileiro.
Aquaplus e mitigação da seca por bactérias do mandacaru
A primeira delas foi a plataforma Aquaplus, desenvolvida pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF) e pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas-SP), que consiste na análise, manejo, melhoramento e qualificação genética das principais espécies da aquicultura nacional. A plataforma possui três ativos disponíveis hoje: o TambaPlus pureza, o TambaPlus parentesco e o recém lançado VannaPlus 1.0, que testa a paternidade, o parentesco e faz a identificação individual do camarão cinza. Além desses, existem novos ativos em fase final de validação técnica, que serão inseridos na plataforma ainda esse ano: TrutaPlus, TilaPlus, ArapaimaPlus e PirapitingaPlus.
A segunda solução tecnológica apresentada na live foi a mitigação da seca por bactérias benéficas, desenvolvida pela Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna-SP). Como seu nome sugere, o processo consiste em associar micro-organismos à soja, ao milho e ao trigo com o objetivo de diminuir os efeitos do stress hídrico nesses produtos. Um bioinsumo foi desenvolvido para a cultura do milho em parceria com a empresa privada NOOA, o Auras, que é o primeiro produto biológico desenvolvido a partir da bactéria Bacillus aryabhattai, presente nas raízes do Mandacaru.
“É a criatividade dos pesquisadores que olharam para uma cactácea da Caatinga brasileira e observaram que nas raízes dela cresciam bactérias que ajudavam a planta a se adaptar e a conviver com a seca”, contou o presidente da Embrapa. “Isso é algo que vai ajudar 25 milhões de habitantes do semiárido brasileiro, em mais de 100 milhões de hectares”, afirmou.
Nanoemulsão de cera de carnaúba e sanitização do açaí
Em seguida foi apresentada a nanoemulsão de cera de Carnaúba, tecnologia desenvolvida pela Embrapa instrumentação (São Carlos-SP), em parceria com a QGP Tanquímica e com a Universidade Federal de São Carlos. Se trata de uma cera vegetal à base de Carnaúba, com nanopartículas invisíveis a olho nu, para revestimento de frutos de mesa.
A nova tecnologia pode prolongar o tempo de vida dos frutos de 10 a 15 dias em relação ao método convencional, auxiliando na manutenção da qualidade e na redução das perdas pós-colheita. O revestimento de frutas frescas foi lançado no mercado em 2019, já sendo utilizado no Peru e no Chile, e em 2021 chegará aos mercados norte-americano e europeu com o nome Life Ultra, por intermédio da agrofresh, a maior empresa de pós-colheita do mundo.
Também foi apresentado o processo de sanitização do açaí por choque térmico, desenvolvido pela Embrapa Amapá (Macapá-AP). Ativo qualificado em 2021, tem como objetivo o controle do protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, e também dos principais micro-organismos patogênicos contaminantes do açaí, provocadores de intoxicação alimentar e gastroenterites.
Consiste na lavagem e sanitização, aquecimento do produto seguido imediatamente pelo resfriamento, e por fim, o despolpamento em batedeiras. A aplicação é indicada para pequenas e médias indústrias de processamento de açaí e não causa mudança no sabor da fruta. “É mais uma contribuição para a cadeia produtiva da fruta e para o público urbano, que terá segurança para consumidor o produto, sem o risco de contaminação”, salientou Celso Moretti.
Novas cultivares de algodão e soja resistentes a doenças e pragas
A BRS 500 B2RF foi a próxima solução apresentada, dessa vez voltada para a cotonicultura. A cultivar de algodoeiro é geneticamente modificada e foi desenvolvida pela Embrapa Algodão (Campina Grande-PB), possuindo alta produtividade e produção de fibra branca de comprimento médio. É resistente às lagartas, ao herbicida glifosato, e também aos nematoides de galha e à mancha da Ramulária, uma das principais doenças do algodoeiro. A BRS 500 B2RF é indicada para as áreas comerciais de elevada produtividade, além daquelas com incidências de nematoides de galha na região do cerrado.
Já a BRS 539 é uma cultivar de soja convencional (não transgênica) lançada pela Embrapa Soja (Londrina-PR), e que utiliza duas tecnologias: a Shield, que confere resistência genética à ferrugem asiática, e a Block, que da à soja tolerância ao complexo de percevejos. Segundo os pesquisadores da Embrapa, o uso de cultivares com essas tecnologias se mostra de extrema importância no contexto do manejo integrado de pragas. Além disso, a cultivar tem alto potencial produtivo e estabilidade e estará disponível para a safra 2021/2022, para agricultores que cultivam soja orgânica ou não transgênica.
Publicações e novos cursos virtuais
Como forma de disponibilizar conhecimentos e resultados gerados para a sociedade, a Embrapa reservou um espaço na live de aniversário para divulgar publicações e novos cursos virtuais. Quatro publicações foram destacadas: “Tecnologias Poupa-Terra 2021”, “Manual para Gestão da Água e de Resíduos do Processamento de Peixes”, O Eucalipto e a Embrapa – Quatro Décadas de Pesquisa e Desenvolvimento” e “Juventudes, Identidades e Saberes Agroecológicos”.
Treze cursos online serão ofertados, com inscrições abertas a partir de quinta-feira (29), sendo 11 gratuitos. Os conteúdos foram desenvolvidos por especialistas da Embrapa e estão disponibilizados na plataforma de ensino no portal da Embrapa, o e-campo (www.embrapa.br/e-campo).
Homenageados destacam papel decisivo do Brasil para alimentar a humanidade
Seis personalidades do agro foram homenageadas durante a solenidade do 48º aniversário da Embrapa e, além de demonstrarem o reconhecimento ao trabalho já realizado nesses anos todos, destacaram a importância da ciência para o setor, a necessidade de modernização e o olhar no futuro, principalmente para que a agropecuária brasileira se torne cada vez mais sustentável.
Governo Federal
Em seu discurso, a ministra Tereza Cristina, homenageada na categoria “Governo Federal”, reforçou esse desafio. Ela disse que o Brasil é uma potência agroambiental e que “a jóia da coroa”, como gosta de se referir à Embrapa, deverá manter seu apoio para que o Brasil continue oferecendo segurança alimentar ao país e para mais de 800 milhões de pessoas no mundo.
Tereza Cristina lembrou que, mesmo durante a pandemia, que paralisou atividades no mundo todo, a Embrapa continuou trabalhando com a agricultura movida à ciência. “Nesses dias difíceis a gente vê como a ciência é importante, como investir na ciência é importante para os países”, afirmou. Deu como exemplo as vacinas desenvolvidas por cientistas e lembrou que a Embrapa desenvolve alimentos, também fundamentais.
Após retransmitir uma breve mensagem de apoio do presidente Jair Bolsonaro, a ministra comentou algumas entregas feitas durante a solenidade, como a plataforma Aquaplus e a mitigação da seca por bactérias benéficas, que terão forte impacto nas regiões Norte e Nordeste do país. Encerrou dizendo que é preciso modernizar, “porque os tempos hoje andam muito rápido e nós precisamos estar à frente como sempre esteve nossa querida Embrapa”.
Produtor rural
Nesta categoria, o homenageado foi Paulo Roberto Bonato, que tem propriedades em Cristalina (GO) e Brasília (DF), onde apoia a produção de sementes de trigo e projetos de transferência de tecnologia. Bonato é recordista em produtividade de trigo, com quase 150 sacas por hectare. “Estou muito feliz em receber essa homenagem da Embrapa e queria agradecer às pessoas que não mediram esforços para que eu conseguisse essa produtividade”, disse.
Ele agradeceu aos pesquisadores da Embrapa, que desenvolveram uma variedade adaptada para a região e com alto potencial produtivo, à Coopa-DF (Cooperativa dos Produtores Agropecuários do Distrito Federal), que incentivou e valorizou o trigo daquela região, aos seus colaboradores que conseguiram implementar os tratos culturais necessários, e à sua família, por entender sua dedicação à agricultura.
Setor produtivo
O diretor-presidente do Sebrae Nacional, Carlos Melles, foi o homenageado nesta categoria. A parceria institucional com a Embrapa visa a maior inserção dos pequenos negócios rurais no mercado. Melles recordou o início de seus contatos com a empresa, já na década de 1970, e falou que poucas instituições geram tanta alegria e a sensação de missão cumprida nesse país de agricultura tropical.
“A Embrapa fez uma transformação no país sob o aspecto da agricultura, do domínio sobretudo do bioma Cerrado, enfim, deu um exemplo ao mundo de como se faz uma agricultura eficiente e competente na produção de alimentos, no desenvolvimento da ciência e da tecnologia para o bem do ser humano, afirmou”
Mérito técnico-científico
O pesquisador José Carlos Polidoro, da Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ), foi o homenageado na categoria Mérito técnico-científico. Ele coordena o Pronasolos (Programa Nacional de Levantamento e Intepretação de Solos). “Receber esse prêmio é motivo de extremo orgulho e me dá a certeza de que devo dividi-lo com toda a equipe da Embrapa Solos. O fato de eu receber esse prêmio por ter sido líder na articulação institucional, na formação de parcerias para construir o Pronasolos, que é o maior programa de solos do mundo tropical e que vai mudar a relação do homem com esse recurso natural fundamental para a sua existência, mostra que a Embrapa Solos está no caminho certo.” Ele também agradeceu à família.
Legislativo Federal
O deputado federal Alceu Moreira, do Rio Grande do Sul, foi escolhido por sua parceria e contribuições para o desenvolvimento da pesquisa e do agro nacional para receber a homenagem nesta categoria. Ele disse que a história do Brasil seria outra se não fosse essa empresa de pesquisa.
“Ela, na verdade, é responsável por transformar nosso país em celeiro do mundo. Ninguém vai conseguir falar da alimentação dos seus povos sem antes sentar e deixar uma cadeira para o Brasil. Somos decisivos, somos certamente do ponto de vista geopolítico, um dos países que têm maior importância para humanidade”, falou. Ele disse que esse protagonismo se deve aos produtores, ao clima, ao solo, mas principalmente à Embrapa.
Especial
Na categoria Especial, a homenagem foi para o ex-ministro da Agricultura e atual presidente da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho), Alysson Paolinelli. Indicado para o Prêmio Nobel da Paz deste ano, Paolinelli lembrou que conhece a Embrapa desde a sua criação.
“Nesta caminhada eu aprendi que a agricultura tem de ser movida à ciência. Fizemos isso juntos no Brasil e hoje, com muita honra, podemos medir os resultados deste trabalho. O Brasil deixou de ser um importador de alimentos e se transformou no maior player exportador de alimentos para a Terra, sendo hoje o sustentáculo e, sobretudo, a segurança alimentar para os povos que virão.”
Parceiros
Antes das homenagens, depoimentos gravados por importantes parceiros foram exibidos na solenidade. Deixaram seus cumprimentos o presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Márcio Lopes de Freitas, e o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins Junior. Freitas lembrou que a agropecuária brasileira é uma das mais competitivas e sustentáveis do planeta e que as iniciativas de planejamento e projeção da empresa levarão ao sucesso no futuro. Martins falou que a Embrapa colocou o Brasil numa posição de destaque mundial em relação à produção de alimentos.
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Sérgio Souza, também se manifestou. Ele disse que se não fosse a Embrapa, o Brasil não seria hoje o segundo maior produtor e exportador de alimentos do planeta. “Alimento de qualidade produzido em áreas que nunca ninguém imaginou que fosse possível.”
Revolução digital
Fernando Camargo, presidente do Consad (Conselho de Administração da Embrapa), também deixou sua mensagem. Primeiro, lembrou que a ciência aplicada teve papel fundamental para que o peso da alimentação na cesta básica do brasileiro diminuísse muito. “Isso foi a maior política de Estado, talvez a maior conquista que fizemos para a população brasileira nos últimos 48 anos.”
Agora, segundo Camargo, é o momento de ajudar o Brasil a fazer a revolução da agropecuária digital, da agricultura do século 21, da agricultura de precisão, da agricultura de 5.0. “Enfim, a Embrapa tem muito a contribuir ainda com o Brasil e com o mundo, porque todos sabemos que nós conseguimos alimentar mais de 170 países e mais de um bilhão de pessoas.”
O presidente da Embrapa, Celso Moretti, fez questão de saudar todos o homenageados e destacou o trabalho do Pronasolos. “Se conhecendo apenas 5% do nosso território, o Brasil já fez essa revolução na agricultura mundial, imaginem quando o país conhecer 100% dos nossos solos. Ninguém vai segurar o Brasil”, afirmou.

Notícias
Paraná será polo de produção de insumos para a saúde animal do Brasil
Previsão é que até o início de 2027 sejam disponibilizados os lotes-piloto fabricados no Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários do Tecpar, que está em construção. A unidade produzirá insumos para o diagnóstico de brucelose, tuberculose e leucose bovina.

O Paraná caminha para se consolidar como um polo estratégico na produção de insumos para a saúde animal no Brasil. Isso porque avançam as obras do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV) do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). A unidade, que está em construção em Curitiba, produzirá insumos para o diagnóstico de brucelose, tuberculose e leucose bovina, doenças infecciosas que afetam o gado e são um risco à saúde pública e ao agronegócio.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
O mercado veterinário brasileiro aguarda com expectativa a inauguração da nova planta que já está em contagem regressiva para iniciar as operações. A previsão é que os lotes-piloto sejam produzidos até o início de 2027. A entrega da obra atende a uma antiga solicitação do segmento. Atualmente, parte da demanda brasileira pelos insumos é atendida com importação.
O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, enfatiza que o instituto pretende suprir essa necessidade do mercado, fornecendo produtos com qualidade e em quantidade para todo o Brasil, a um custo menor. “A retomada da produção de insumos veterinários vai beneficiar toda a cadeia produtiva da pecuária brasileira, contribuindo para o fim da dependência dos insumos importados, e promovendo a independência tecnológica do país. Além disso, os consumidores de produtos de origem animal também serão beneficiados, já que o custo da importação é repassado para o valor final do produto na prateleira”, ressalta Marafon.
Referência em saúde animal desde a sua fundação, o Tecpar produziu testes sorológicos que abasteceram a demanda nacional por três

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
décadas, porém, para atender a novos requisitos de biossegurança, a planta iniciou um projeto de atualização das práticas de fabricação.
A conclusão da obra é aguardada por representantes de toda a cadeia de usuários de insumos para diagnóstico de brucelose e tuberculose, evidenciando como cada segmento contribui para a eficácia dos diagnósticos e fortalecimento das ações de controle sanitário no País.
Segundo o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, os diagnósticos de brucelose e tuberculose serão o próximo desafio para a sanidade animal no Brasil, e isso exige a produção dos antígenos para o diagnóstico dos rebanhos. “Esse novo laboratório vai trazer para todos nós, que trabalhamos com sanidade animal, uma tranquilidade em relação à produção de antígenos, que estarão à disposição dos profissionais que fazem o diagnóstico em todo o Paraná”, menciona.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
“Estamos ansiosos para que essa produção aconteça, e que possamos dizer para todo o Brasil que aqui temos antígeno suficiente para atender todo o rebanho bovino do País”, salienta Martins. “É um momento muito importante em que o Governo do Estado, investindo esse recurso junto ao Tecpar, que é um órgão de excelência, vai poder fornecer os insumos necessários à pecuária bovina brasileira e, quiçá, também à pecuária bovina do Exterior”, complementa.
Leiteira
O médico-veterinário e superintendente da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH), Altair Valloto, confirma que existe uma grande expectativa do setor pecuário, principalmente da cadeia produtiva do leite, para a retomada da produção dos insumos para kit diagnóstico.
O Paraná é o segundo maior produtor de leite do Brasil, com uma produção anual de 4,5 bilhões de litros, além de possuir uma grande população de animais da pecuária leiteira e ser um grande exportador de genética para os outros estados.
Para Valotto, os kits diagnósticos são a base para animais saudáveis, para que produzam alimentos seguros e de qualidade. “A retomada da

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
produção pelo Tecpar é muito importante, porque temos uma necessidade muito grande, e precisamos exportar leite e animais para os outros países. E como vamos exportar se não tivermos como comprovar sanidade de nossos rebanhos? A associação tem trabalhado intensamente, monitorando a tuberculose e a brucelose, duas doenças que têm um impacto significativo na produção. Sem os kits, isso não é possível, por isso eles são o grande pilar da sanidade animal”, ressalta.
Sem atraso
A produção dos insumos veterinários no Paraná também vai facilitar o trabalho do médico veterinário Pedro Paulo Benyunes Vieira, sócio-proprietário de uma clínica especializada em reprodução e produção de bovinos do município de Carambeí, que atende toda a região dos Campos Gerais.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
Segundo ele, a produção local favorece a questão logística, fazendo que os produtos cheguem ao usuário final com mais rapidez do que se viessem de outros lugares, principalmente quando o insumo é importado. “Nossa expectativa em relação ao retorno da produção de insumos para kits diagnósticos pelo Tecpar é que possamos ter uma constância maior de produtos nas lojas e cooperativas onde compramos os insumos, para que possamos atender à demanda e não fiquem exames em atraso”, ressalta o médico-veterinário, que está entre os profissionais habilitados no Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal.
Produtos
Ao todo, sete insumos serão produzidos pelo Tecpar: tuberculina PPD bovina, tuberculina PPD aviária, antígeno acidificado tamponado (AAT), prova lenta (PL) em tubos, anel do leite Ring Test (RT), kit para diagnóstico da brucelose ovina e kit para diagnóstico da leucose bovina.
Esses produtos integram o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), vinculado ao

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Além de abastecer o Paraná, o foco é a comercialização destes insumos junto aos demais estados que possuem maior rebanho leiteiro do País: Minas Gerais, Goiás, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
“O Tecpar vem atualizando o seu processo produtivo frequentemente, alcançando novos patamares de qualidade. O conhecimento e a expertise adquiridos em mais de sete décadas de atuação capacitam o instituto para tratar de um projeto de elevada complexidade. Esse investimento terá reflexos diretos na exportação agropecuária, que precisa atender às exigências sanitárias cada vez mais altas por parte dos países importadores”, destaca a gerente do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários, Giselle Almeida Nocera Espírito Santo.
A área total do CIV será de 3 mil metros quadrados e a capacidade produtiva prevista da planta é de 40 milhões de doses ao ano. O investimento do Governo do Estado na construção é de R$ 41,5 milhões, e mais R$ 30 milhões em equipamentos técnicos. Os recursos são do Fundo Paraná, dotação de fomento científico gerida pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).
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Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano debate momento histórico de progresso para o setor
Evento em Foz do Iguaçu (PR), de 14 a 16 de abril, destaca novo patamar para o biocombustível, a partir das oportunidades e desafios das recentes conquistas regulatórias.

Foz do Iguaçu (PR) será palco do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB) entre terça (14) e quinta-feira (16). Serão 48 horas de programação. Em nove painéis, sendo o primeiro “Biogás, Biometano e Políticas Públicas”, especialistas apresentarão contribuições para o debate sobre o futuro do setor. Inscrições podem ser feitas clicando aqui.

Foto: Divulgação/UQ Eventos
No Espaço de Negócios, mais de 60 expositores vão mostrar produtos, serviços, equipamentos e resultados de projetos para a cadeia do biogás. Nas visitas técnicas, os participantes irão conhecer de perto sete unidades geradoras de biogás, instaladas em seis municípios do Oeste do Paraná.
Recentes avanços na legislação, especialmente a Lei do Combustível do Futuro, abrem mercado, atendem demandas históricas do setor e dão ao biometano a oportunidade de protagonismo na transição energética brasileira. Na mesma intensidade das oportunidades, essas mudanças também propõem desafios.
Para o biometano atingir seu potencial de ser um dos combustíveis dessa nova era energética, vai precisar investir na qualidade do produto e dos processos, na capacidade produtiva para atender à demanda e na estrutura para aumentar a sua abrangência em um país de proporção continental. E esse “futuro” proposto pela legislação tem a urgência do “presente”. É com foco nos desafios que o 8° FSBBB define o tema central da edição: Biometano: bem feito, suficiente, bem distribuído.
São mais de 800 participantes inscritos nesta edição, que tem confirmada a presença de público de 16 países. O evento, no Bourbon

Foto: César Silvestro
Thermas Eco Resort Cataratas do Iguaçu, reunirá especialistas, produtores de biogás, pesquisadores e representantes dos setores público e privado.
O coordenador-geral do Fórum, Felipe Souza Marques, diretor-presidente do Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), de Foz do Iguaçu, destaca que o debate é fundamental, levando-se em conta as novas oportunidades para o setor. “Estamos vivendo um momento decisivo para o biometano. A demanda que virá é uma conquista de muito esforço do setor, que agora precisa responder à altura, com produtividade, qualidade e estratégia de distribuição. Temos muito a crescer se soubermos aproveitar essa oportunidade”, afirma Felipe.
Mais unidades produtoras
Em 2024, houve um acréscimo de 248 novas unidades de produção de biogás no Brasil, de acordo com o Panorama do Biogás, elaborado pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CiBiogás). No total, são 1.633 plantas. O setor se amplia principalmente a partir de unidades produtoras de pequeno e médio porte, embora as grandes plantas concentrem a maior parte da produção. O biogás está presente em 611 municípios e 24 estados. Os três estados do Sul do Brasil estão entre os 10 mais representativos em número de plantas de biogás: PR (490), SC (130) e RS (81).

Foto: Leonardo Leite
O setor representa uma solução energética eficiente e sustentável e constitui alternativa segura para a disponibilidade de combustível e de biofertilizantes ao País. “Os conflitos mundo afora e seus impactos colocam o biogás, o biometano e o digestato em um novo patamar. Disponibilidade regional passa a ser questão-chave. Dependência de importação é um risco ao qual o Brasil deve estar atento, especialmente no que se refere aos transportes e ao agronegócio”, destaca Felipe Marques.
Dados da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) indicam que há potencial no país para a produção de 120MMm³/dia de biometano, principalmente a partir dos segmentos sucroenergético, de proteína animal e agrícola.
Potencial do setor na programação
Além de painéis, o Fórum contará com um Espaço de Negócios, a premiação Melhores do Biogás Brasil e o Momento Startups. O último dia será reservado às visitas técnicas.

Foto: Leonardo Leite
Realizado pelo CIBiogás, pela Embrapa Suínos e Aves, e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), o Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano é organizado pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (SBERA). O Fórum é anual e itinerante nos três estados do Sul.
Por dentro da programação do 8º FSBBB
Painéis temáticos:
– Biogás, Biometano e Políticas Públicas
– O Mercado dos Certificados
– Mobilidade a Biometano
– Energia Elétrica – Novas Abordagens
– O negócio dos Substratos e as Culturas Energéticas
– Investimentos na Cadeia de Biogás e Biometano
– Indústria do Biogás
– Biometano e Gás Natural
– Biogás na Prática
– Oportunidades e Desafios Setoriais
Prêmio Melhores do Biogás Brasil – Nesta edição haverá entrega do prêmio em cinco categorias, sendo duas inéditas: Consumidor de Biogás/Biometano e Mobilidade com Biometano, além de Profissional, Organização e Plantas/Unidades Geradoras de Biogás (incluindo as subcategorias Saneamento, Pecuária e Indústria).

Foto: Leonardo Leite
Startups de Biogás – O Momento Startups, uma iniciativa do Fórum em parceria com o Pollen – Parque Científico e Tecnológico de Chapecó (SC), da Unochapecó, e Agência de Inovação da Universidade de Caxias do Sul (RS), terá três startups apresentando soluções inovadoras para a cadeia do biogás.
Espaço de Negócios – Destinado para expositores apresentarem suas marcas, produtos, serviços, equipamentos e resultados de projetos. Acontece entre as plenárias e permite a troca de ideias, além de oportunizar negócios e parcerias.
Visitas Técnicas – Na quinta-feira (16) será dedicado às visitas técnicas, em quatro roteiros na região: nas unidades de biogás nas cooperativas Frimesa e Copacol, nos municípios de Medianeira e Jesuítas, respectivamente; em Toledo, nas plantas Biokohler/Biograss e Central Bioenergia de Toledo; em Santa Helena, na Granja Haacke e em Itaipulândia, na Usina Rui; e na UD Itaipu, em Foz do Iguaçu.
Pré-eventos – Na segunda-feira (13) está programada uma agenda de reuniões, encontros e workshop, reunindo agentes da cadeia do biogás sobre energia elétrica, transporte com biometano no agronegócio, laboratórios e o Encontro Mulheres do Biogás.

Foto: Leonardo Leite
Panorama do Biogás – Na quarta-feira (15) vai ocorrer o lançamento do Panorama do Biogás no Brasil 2025, documento elaborado pelo CIBiogás que apresenta os dados sobre a produção e aproveitamento energético.
Para saber mais:
O que é biogás
O biogás é formado a partir da decomposição da matéria orgânica, por microrganismos, gerando uma mistura gasosa rica em gás metano, que pode ser usado em substituição aos compostos de origem fóssil e não renovável. Pode ser usado como fonte de calor (ex: aquecimento da água, em caldeiras industriais) ou mesmo na produção de energia elétrica renovável, distribuída na rede.

Foto: Divulgação
Em paralelo, o biogás pode ser purificado e usado diretamente como combustível veicular em substituição ao GNV. Atualmente, pesquisas mostram potenciais ainda maiores do biogás, podendo ser matéria-prima para produzir hidrogênio e amônia verde ou mesmo precursor de SAF (Combustível Sustentável de Aviação).
A produção do biogás ocorre no biodigestor e o material digerido, chamado de digestato, possui valor agronômico e torna o processo circular, o que amplia a sustentabilidade das cadeias produtivas envolvidas.
Quem pode produzir biogás
Os substratos utilizados para produção de biogás no Brasil estão divididos em três categorias:
Agropecuária – Envolve as atividades de criação de animais como avicultura, bovinocultura, suinocultura, ovinocultura, dentre outros.
Indústria – Contempla abatedouros e frigoríficos, usinas de açúcar e etanol, fecularias e amidonarias, cervejarias, indústrias de óleo vegetal, gelatina, entre outros.
Saneamento – Contempla os aterros sanitários (RSU), as usinas de tratamento de resíduos orgânicos e as estações de tratamento de esgoto (ETE).
Notícias
Reforma tributária passa a taxar insumos do agro e pressiona custos no campo
Tributação de até 10% sobre fertilizantes, sementes e defensivos preocupa setor produtivo.

Desde 1º de abril, insumos essenciais à produção agropecuária, como fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, deixaram de contar com a isenção dos impostos Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A mudança faz parte da reforma tributária, em vigor desde o início do ano. Diante do início da tributação, o Sistema Faep pede que o governo federal prorrogue o prazo para cobrança.
“O momento de iniciar a cobrança é totalmente descabido. Há diversos fatores geopolíticos que estão influenciando negativamente o fornecimento dos insumos, gerando transtornos no meio rural e alta dos custos ao produtor rural. Por isso, é necessária a revisão dessa medida e a prorrogação do prazo para a tributação”, diz o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Com o fim da isenção, esses insumos passaram a ser tributados em 0,925%, podendo chegar a até 10%, dependendo do regime tributário adotado pelo produtor. Na prática, a medida encarece diretamente o custo de produção, especialmente em culturas intensivas em tecnologia, como soja, milho e algodão.
Esse aumento do imposto sobre fertilizantes ocorre em um momento em que Rússia e China, maiores fornecedores do produto no mundo, estão restringindo as exportações. O Brasil é diretamente impactado por esse cenário global. Atualmente, 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que torna o setor vulnerável a oscilações de preços e restrições de oferta causadas por fatores geopolíticos, como conflitos internacionais.
Meneguette atenta para o fato de que, do ponto de vista econômico, tributar insumos estratégicos equivale a tributar a produção antes mesmo do plantio. Além disso, o resultado é um aumento do custo marginal da produção agrícola, que tende a se propagar ao longo de toda a cadeia, resultando em inflação e alta dos alimentos a população.
“É fundamental a suspensão temporária ou a prorrogação da cobrança de PIS e Cofins sobre fertilizantes e insumos estratégicos, enquanto persistirem condições adversas no mercado internacional. Isso é uma decisão estratégica para o setor continuar produzindo com qualidade e eficiência”, complementa o presidente do Sistema Faep.



