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Embrapa avança em estudo sobre carne cultivada de frango

Do ovo ao laboratório, pesquisa detalha como a ciência trabalha com células de frango para formar carne.

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IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA, criada com apoio de inteligência artificial (ChatGPT), para fins editoriais - Produção: Giuliano De Luca/O Presente Rural

Quando se fala em carne, o produtor rural pensa em genética, manejo, ração, sanidade e mercado. É assim há décadas. Mas, enquanto a rotina segue firme no campo, uma outra frente de pesquisa avança longe das granjas, dentro de laboratórios, com tubos de ensaio, microscópios e incubadoras. Não para substituir o produtor, mas para entender até onde a ciência pode ir na produção de proteína animal.

É nesse contexto que pesquisadoras da Embrapa Suínos e Aves conduziram um estudo que chama atenção até de quem nunca ouviu falar em “carne cultivada”. A pesquisa conseguiu estabelecer, em laboratório, células musculares e células de gordura de frango com potencial para formar biomassa semelhante à carne. Tudo isso sem criar um animal inteiro, sem abate e sem sair do ambiente controlado da pesquisa científica.

O trabalho foi apresentado durante a 19ª Jornada de Iniciação Científica (JINC), em Concórdia (SC), e faz parte da formação acadêmica de uma estudante de Medicina Veterinária, orientada por pesquisadoras da Embrapa. Segundo o estudo, a proposta foi clara: entender se é possível isolar, cultivar e diferenciar células de frango de forma organizada, estável e funcional, criando uma base científica sólida para pesquisas futuras.

Do ovo ao microscópio: de onde vêm essas células

De acordo com a pesquisa, o primeiro passo foi identificar quais tipos de células seriam necessários para formar algo parecido com carne. As autoras trabalharam com três tipos celulares: células-tronco embrionárias, células-tronco mesenquimais e células satélites musculares.

As células-tronco embrionárias foram obtidas a partir de ovos férteis livres de patógenos, ainda em estágio muito inicial de desenvolvimento. Já as outras células vieram de embriões de frango com 15 dias de incubação. Segundo as autoras, todo o processo seguiu protocolos rigorosos de biossegurança, controle de temperatura, tempo e composição dos meios de cultivo.

Na prática, essas células foram isoladas, cultivadas e multiplicadas em laboratório, sempre sob condições controladas. O objetivo não era apenas mantê-las vivas, mas verificar se elas conseguiriam crescer, se diferenciar e cumprir funções específicas, como formar músculo ou armazenar gordura.

Quando a célula “decide” virar músculo ou gordura

Um ponto central do estudo foi a diferenciação celular. Segundo as autoras, células indiferenciadas podem ser estimuladas a assumir funções específicas, desde que recebam os sinais corretos no ambiente de cultivo.

No caso da pesquisa da Embrapa, as células foram induzidas a dois caminhos principais: formar tecido muscular ou formar células de gordura. A diferenciação muscular levou à formação de mioblastos, que depois se fundiram, dando origem a estruturas maiores chamadas miotubos e miofibras – base do músculo.

Já na diferenciação adipogênica, as células passaram a acumular gordura no interior, formando adipócitos. Segundo o estudo, esse processo foi confirmado por análises visuais e genéticas, garantindo que não se tratava apenas de uma aparência semelhante, mas de células com comportamento funcional compatível.

Como a ciência confirma que está tudo certo

Para o produtor rural, confiar em resultado exige prova. E o estudo não ficou apenas na observação visual. De acordo com a pesquisa, as células passaram por análises fenotípicas e genotípicas, usando marcadores específicos que indicam se uma célula é realmente muscular ou adipogênica.

As autoras utilizaram anticorpos e técnicas de fluorescência para identificar proteínas típicas do músculo, além de testes genéticos que confirmaram a ativação de genes ligados à formação de músculo e gordura. Segundo o estudo da Embrapa, esses resultados demonstraram que as células não apenas cresceram, mas se comportaram exatamente como esperado para cada tipo celular.

Quando a pesquisa sai do microscópio e vira biomassa

Um dos momentos mais interessantes do estudo foi quando as pesquisadoras avançaram para a produção de biomassa celular. Em termos simples, isso significa sair da escala microscópica e juntar as células de forma que elas passem a ter volume, estrutura e consistência.

Segundo o estudo, foi possível produzir biomassa muscular e adipogênica e moldá-la em um protótipo simples, semelhante a uma almôndega de carne cultivada. As células musculares e de gordura foram processadas e unidas com o auxílio de uma enzima chamada transglutaminase, que ajuda a dar coesão ao material.

As autoras relatam que as estruturas formadas apresentaram integridade suficiente para manipulação, um passo importante para qualquer pesquisa que pense, no futuro, em aplicação alimentar.

Proteína medida com método oficial

Outro dado relevante para quem vive da produção animal é a composição nutricional. Segundo o estudo da Embrapa, a biomassa de células musculares passou por análise de proteína total utilizando o método de Dumas, reconhecido internacionalmente.

O resultado mostrou que os mioblastos apresentaram 10,63% de proteína total em peso seco. De acordo com as autoras, esse dado ajuda a caracterizar o potencial nutricional do material obtido, ainda que o estudo não tenha como objetivo comparar diretamente com a carne produzida no sistema tradicional.

Produzir mais células: o desafio da escala

Produzir células em pequena quantidade é uma coisa. Pensar em volume é outra. Por isso, as pesquisadoras também testaram o cultivo das células musculares em microcarreadores – pequenas estruturas que aumentam a superfície disponível para as células crescerem.

Segundo o estudo da Embrapa, os mioblastos aderiram rapidamente aos microcarreadores e se multiplicaram de forma eficiente. Para as autoras, esse resultado indica que a tecnologia pode ser adaptada, no futuro, para bioprocessos de maior escala, sempre dentro de ambientes controlados.

O que esse estudo realmente diz e o que ele não diz

É importante ser claro. O estudo da Embrapa não afirma que a carne cultivada está pronta para chegar ao mercado. Também não propõe substituir a produção convencional nem faz previsões comerciais.

O que as autoras sustentam é que foi possível estabelecer, com sucesso, protocolos confiáveis para isolamento, cultivo e diferenciação de células de frango, criando uma base científica consistente para pesquisas futuras. Trata-se de ciência básica aplicada, construída com método, cautela e validação técnica.

Por que isso importa para quem está no campo

Para o produtor rural, esse tipo de pesquisa ajuda a entender o cenário mais amplo da produção de alimentos. A ciência que acontece no laboratório não concorre com o campo, ela amplia o conhecimento sobre proteína animal, seus limites, possibilidades e desafios.

A carne cultivada ainda é um tema distante da rotina da maioria das propriedades rurais. Mas entender como ela é estudada, com quais limites e com qual rigor, é uma forma de o produtor se manter informado, sem medo, sem fantasia e sem promessas fáceis.

Ciência, formação e agro no mesmo caminho

O estudo da Embrapa mostra que a inovação no agro não nasce apenas de grandes plantas industriais ou de decisões de mercado, mas também de bancadas de laboratório, projetos de iniciação científica e formação técnica sólida. Ao estabelecer, caracterizar e validar células de frango com potencial para carne cultivada, a pesquisa amplia o conhecimento científico nacional e coloca o Brasil em sintonia com discussões técnicas que já fazem parte da agenda de longo prazo da produção de alimentos.

versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura Editorial

O Nordeste avícola já não cabe no rodapé

Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.

Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.

O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.

A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.

Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
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Avicultura

Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura

Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

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A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock

A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock

A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.

A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.

Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock

que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.

Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura No Noroeste do Estado

Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência

Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

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Foto: Divulgação/Ilustração

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação

A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.

De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.

A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.

Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi

A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.

A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.

Fonte: O Presente Rural
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