Avicultura
Embrapa avança em estudo sobre carne cultivada de frango
Do ovo ao laboratório, pesquisa detalha como a ciência trabalha com células de frango para formar carne.

Quando se fala em carne, o produtor rural pensa em genética, manejo, ração, sanidade e mercado. É assim há décadas. Mas, enquanto a rotina segue firme no campo, uma outra frente de pesquisa avança longe das granjas, dentro de laboratórios, com tubos de ensaio, microscópios e incubadoras. Não para substituir o produtor, mas para entender até onde a ciência pode ir na produção de proteína animal.
É nesse contexto que pesquisadoras da Embrapa Suínos e Aves conduziram um estudo que chama atenção até de quem nunca ouviu falar em “carne cultivada”. A pesquisa conseguiu estabelecer, em laboratório, células musculares e células de gordura de frango com potencial para formar biomassa semelhante à carne. Tudo isso sem criar um animal inteiro, sem abate e sem sair do ambiente controlado da pesquisa científica.
O trabalho foi apresentado durante a 19ª Jornada de Iniciação Científica (JINC), em Concórdia (SC), e faz parte da formação acadêmica de uma estudante de Medicina Veterinária, orientada por pesquisadoras da Embrapa. Segundo o estudo, a proposta foi clara: entender se é possível isolar, cultivar e diferenciar células de frango de forma organizada, estável e funcional, criando uma base científica sólida para pesquisas futuras.
Do ovo ao microscópio: de onde vêm essas células
De acordo com a pesquisa, o primeiro passo foi identificar quais tipos de células seriam necessários para formar algo parecido com carne. As autoras trabalharam com três tipos celulares: células-tronco embrionárias, células-tronco mesenquimais e células satélites musculares.
As células-tronco embrionárias foram obtidas a partir de ovos férteis livres de patógenos, ainda em estágio muito inicial de desenvolvimento. Já as outras células vieram de embriões de frango com 15 dias de incubação. Segundo as autoras, todo o processo seguiu protocolos rigorosos de biossegurança, controle de temperatura, tempo e composição dos meios de cultivo.
Na prática, essas células foram isoladas, cultivadas e multiplicadas em laboratório, sempre sob condições controladas. O objetivo não era apenas mantê-las vivas, mas verificar se elas conseguiriam crescer, se diferenciar e cumprir funções específicas, como formar músculo ou armazenar gordura.
Quando a célula “decide” virar músculo ou gordura
Um ponto central do estudo foi a diferenciação celular. Segundo as autoras, células indiferenciadas podem ser estimuladas a assumir funções específicas, desde que recebam os sinais corretos no ambiente de cultivo.
No caso da pesquisa da Embrapa, as células foram induzidas a dois caminhos principais: formar tecido muscular ou formar células de gordura. A diferenciação muscular levou à formação de mioblastos, que depois se fundiram, dando origem a estruturas maiores chamadas miotubos e miofibras – base do músculo.
Já na diferenciação adipogênica, as células passaram a acumular gordura no interior, formando adipócitos. Segundo o estudo, esse processo foi confirmado por análises visuais e genéticas, garantindo que não se tratava apenas de uma aparência semelhante, mas de células com comportamento funcional compatível.
Como a ciência confirma que está tudo certo
Para o produtor rural, confiar em resultado exige prova. E o estudo não ficou apenas na observação visual. De acordo com a pesquisa, as células passaram por análises fenotípicas e genotípicas, usando marcadores específicos que indicam se uma célula é realmente muscular ou adipogênica.
As autoras utilizaram anticorpos e técnicas de fluorescência para identificar proteínas típicas do músculo, além de testes genéticos que confirmaram a ativação de genes ligados à formação de músculo e gordura. Segundo o estudo da Embrapa, esses resultados demonstraram que as células não apenas cresceram, mas se comportaram exatamente como esperado para cada tipo celular.
Quando a pesquisa sai do microscópio e vira biomassa
Um dos momentos mais interessantes do estudo foi quando as pesquisadoras avançaram para a produção de biomassa celular. Em termos simples, isso significa sair da escala microscópica e juntar as células de forma que elas passem a ter volume, estrutura e consistência.
Segundo o estudo, foi possível produzir biomassa muscular e adipogênica e moldá-la em um protótipo simples, semelhante a uma almôndega de carne cultivada. As células musculares e de gordura foram processadas e unidas com o auxílio de uma enzima chamada transglutaminase, que ajuda a dar coesão ao material.
As autoras relatam que as estruturas formadas apresentaram integridade suficiente para manipulação, um passo importante para qualquer pesquisa que pense, no futuro, em aplicação alimentar.
Proteína medida com método oficial
Outro dado relevante para quem vive da produção animal é a composição nutricional. Segundo o estudo da Embrapa, a biomassa de células musculares passou por análise de proteína total utilizando o método de Dumas, reconhecido internacionalmente.
O resultado mostrou que os mioblastos apresentaram 10,63% de proteína total em peso seco. De acordo com as autoras, esse dado ajuda a caracterizar o potencial nutricional do material obtido, ainda que o estudo não tenha como objetivo comparar diretamente com a carne produzida no sistema tradicional.
Produzir mais células: o desafio da escala
Produzir células em pequena quantidade é uma coisa. Pensar em volume é outra. Por isso, as pesquisadoras também testaram o cultivo das células musculares em microcarreadores – pequenas estruturas que aumentam a superfície disponível para as células crescerem.
Segundo o estudo da Embrapa, os mioblastos aderiram rapidamente aos microcarreadores e se multiplicaram de forma eficiente. Para as autoras, esse resultado indica que a tecnologia pode ser adaptada, no futuro, para bioprocessos de maior escala, sempre dentro de ambientes controlados.
O que esse estudo realmente diz e o que ele não diz
É importante ser claro. O estudo da Embrapa não afirma que a carne cultivada está pronta para chegar ao mercado. Também não propõe substituir a produção convencional nem faz previsões comerciais.
O que as autoras sustentam é que foi possível estabelecer, com sucesso, protocolos confiáveis para isolamento, cultivo e diferenciação de células de frango, criando uma base científica consistente para pesquisas futuras. Trata-se de ciência básica aplicada, construída com método, cautela e validação técnica.
Por que isso importa para quem está no campo
Para o produtor rural, esse tipo de pesquisa ajuda a entender o cenário mais amplo da produção de alimentos. A ciência que acontece no laboratório não concorre com o campo, ela amplia o conhecimento sobre proteína animal, seus limites, possibilidades e desafios.
A carne cultivada ainda é um tema distante da rotina da maioria das propriedades rurais. Mas entender como ela é estudada, com quais limites e com qual rigor, é uma forma de o produtor se manter informado, sem medo, sem fantasia e sem promessas fáceis.
Ciência, formação e agro no mesmo caminho
O estudo da Embrapa mostra que a inovação no agro não nasce apenas de grandes plantas industriais ou de decisões de mercado, mas também de bancadas de laboratório, projetos de iniciação científica e formação técnica sólida. Ao estabelecer, caracterizar e validar células de frango com potencial para carne cultivada, a pesquisa amplia o conhecimento científico nacional e coloca o Brasil em sintonia com discussões técnicas que já fazem parte da agenda de longo prazo da produção de alimentos.
A versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Avicultura
Agrodefesa amplia estrutura de biossegurança para prevenir influenza aviária em Goiás
Reforço operacional fortalece ações de vigilância, diagnóstico e contenção de emergências zoossanitárias no Estado.

O Governo de Goiás, por meio da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), adquiriu equipamentos de proteção individual (EPIs) e insumos operacionais com o objetivo de fortalecer as ações de vigilância, diagnóstico e controle da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) no estado. O investimento, superior a R$ 160 mil, visa assegurar a proteção da avicultura goiana, a segurança dos servidores envolvidos nas ações de campo e a preservação da saúde pública.
Para o presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, a iniciativa reforça o compromisso da Agência com a prevenção e a prontidão diante de emergências sanitárias. “A Agrodefesa mantém um preparo contínuo para enfrentar desafios zoossanitários em Goiás. A aquisição destes materiais fortalece nossa capacidade de atuação, permitindo uma resposta rápida, técnica e segura em qualquer cenário de risco para a avicultura goiana”, destaca.
Segundo o diretor de Defesa Agropecuária da Agrodefesa, Rafael Vieira, o enfrentamento à Influenza Aviária envolve equipes que atuam diretamente no campo, realizando fiscalizações, coletas de amostras e monitoramento de granjas; e adotando, se necessário, ações de contenção e desinfecção. “Nessas atividades, a exposição ao vírus da influenza representa um risco real à saúde dos servidores e um potencial vetor de disseminação da doença. A aquisição de EPIs é fundamental para garantir a biossegurança dos profissionais envolvidos, evitando a contaminação e a subsequente propagação do vírus”, explica.
O diretor de Gestão Integrada da Agrodefesa, Renan Willian Martins, enfatiza que a eficiência no campo depende de um suporte administrativo planejado e robusto. “A gestão administrativa e financeira deve estar alinhada à necessidade técnica e à missão da Agência. Neste sentido, a aquisição desses materiais é um investimento na infraestrutura de defesa agropecuária do Estado, assegurando que nossas equipes tenham os melhores recursos para proteger a economia e a saúde da população goiana”, pontua.
Materiais adquiridos
Entre os EPIs e insumos adquiridos estão máscaras de proteção facial, macacões, luvas, chapéus, aventais e botas plásticas; testes para o processo de esterilização a vapor saturado; baldes, escovas, caixas multiuso, caixas frigoríficas, bandejas, lavadoras de alta pressão, mangueiras, pulverizadores, reservatórios, bombonas, mesas, cadeiras, luminárias de emergência, garrafas térmicas e tendas.
Conforme a gerente de Compras e apoio Administrativo da Agência, Ivone Pereira Miranda, a agilidade no processo de aquisição foi prioridade para garantir que as equipes não ficassem desassistidas. “Trabalhamos para viabilizar esses insumos com celeridade, garantindo que o fluxo logístico atenda às demandas emergenciais. A entrega desses materiais é o resultado de um planejamento rigoroso para assegurar que a defesa sanitária tenha os recursos necessários no momento exato da ação”, afirma.
Contenção de foco
Em junho de 2025, a Agrodefesa confirmou e erradicou um foco de influenza aviária de alta patogenicidade em aves de subsistência no município de Santo Antônio da Barra, no Sudoeste Goiano. A Agência atuou na contenção do foco, em trabalho coordenado pelo Centro de Operações de Emergência Zoossanitária (Coezoo) e com o apoio da Defesa Civil, da Segurança Pública, da Secretaria da Saúde, da Secretaria da Educação e das prefeituras de Rio Verde e Santo Antonio da Barra.
Para a gerente de Sanidade Animal da Agrodefesa, Denise Toledo, o sucesso da operação foi fruto do trabalho integrado. “Atuamos com precisão estratégica desde a notificação. O cumprimento do Plano de Contingência garantiu segurança às criações da região. A disponibilidade de equipamentos adequados é o que sustenta essa eficácia, permitindo que nossos servidores executem suas funções com a máxima proteção e qualidade técnica”, ressalta.
A influenza aviária é uma enfermidade de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) devido ao seu alto poder de contágio. A ocorrência da doença pode levar à necessidade de eliminação de plantéis inteiros e à imposição de severas barreiras sanitárias, prejudicando a comercialização de produtos avícolas tanto no mercado interno quanto nas exportações e acarretando impactos sociais e econômicos.
Avicultura No Rio Grande do Sul
2ª Conbrasfran será realizada de 23 a 25 de novembro em Gramado
Evento vai reunir especialistas, agroindústria e representantes de todos os elos da cadeia avícola no Wish Serrano Resort & Convention.

A 2ª Conbrasfran, a Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Carne de Frango, vai reunir os principais especialistas da cadeia produtiva em Gramado, entre os dias 23 e 25 de novembro, durante o Natal Luz de Gramado. Em sua segunda edição, o evento se consolida como um dos encontros estratégicos do setor avícola por reunir programações magnas, programações técnicas sobre sanidade avícola, qualidade industrial, assuntos jurídicos e tributários, mercados, logísticas, suprimentos e atividades sociais com as principais lideranças, especialistas, empresas, entidades representativas e órgãos governamentais em um mesmo espaço.
Para este ano, uma das novidades é que a conferência terá novo local: o Wish Serrano Resort & Convention, em Gramado (RS), anunciou o presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e organizador do evento, José Eduardo dos Santos. “Estamos de casa nova e teremos ainda mais novidades. Para esta edição, vamos manter o elevado nível dos debates e debatedores, a união de todos os elos da cadeia produtiva e uma área ainda maior para a central de negócios”, afirmou Santos. “Por ser realizada durante o período do Natal Luz de Gramado, os participantes que desejaram podem, de forma opcional, aproveitar as atrações e o ambiente de Gramado durante sua estadia”, enfatizou.
Entre as empresas já confirmadas como expositoras desta edição, ele destaca a Avioeste, Bambozzi, Cumberland Agromarau, Dimel, Mebrafe, Plena Segurança em Alimentos, Silveira Industrial, Solufrigo, Vaccinar e Avimig. “A central de negócios foi ampliada. Será um espaço estratégico para apresentar soluções, tecnologias, produtos e serviços voltados à indústria avícola. As empresas interessadas em fortalecer sua marca e ampliar sua presença no setor já podem adquirir cotas de patrocínio ou estandes”, afirma.
As inscrições para o evento serão abertas em abril. Outras informações sobre a 2ª Conbrasfran podem ser encontradas no site oficial, acesse clicando aqui, ou através do Instagram @conbrasfran, WhatsApp (51) 9 8600.9684 e do e-mail conbrasfran@asgav.com.br.
Avicultura
Asgav reforça consumo de ovos no verão com campanha nutricional
Ação destaca os ovos como fonte de proteína, vitaminas e energia para os dias quentes e orienta o consumidor a procurar o Selo Ovos RS nas embalagens.

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) promove desde 05 de janeiro a campanha “Verão com vitamina e proteína”, iniciativa que reforça o consumo de ovos como uma alternativa leve, nutritiva e adequada para uma alimentação equilibrada durante os meses de temperaturas mais elevadas.
Leves, versáteis e acessíveis, os ovos são destacados pela entidade como grandes aliados da alimentação no verão. Fonte de proteínas de alto valor biológico, além de vitaminas e minerais essenciais, o alimento contribui para a saciedade, a manutenção da massa muscular e o fornecimento de energia adequada para a rotina diária, mesmo em períodos de altas temperaturas.
A campanha também orienta os consumidores a priorizarem preparos mais frescos e práticos, que combinam com o clima da estação. Entre as sugestões estão omeletes com legumes, ovos cozidos ou pochê acompanhando saladas, sanduíches naturais, wraps e bowls leves, alternativas que unem sabor, praticidade e valor nutricional.
Outro ponto central da ação é o estímulo ao consumo consciente e à valorização da produção local. A Asgav reforça a importância de buscar o Selo Ovos RS nas embalagens, que identifica produtos oriundos de sistemas produtivos que seguem critérios de qualidade e cuidado em todas as etapas da produção.
Com a campanha, a entidade busca ampliar a informação ao consumidor e fortalecer a imagem do ovo como alimento completo, saudável e adequado para todas as épocas do ano, especialmente no verão, quando escolhas leves e nutritivas ganham ainda mais relevância.












