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Embrapa aponta melhoramento genético de raízes como prioridade para conservação do solo e da água

São fundamentais para aumentar a densidade, a profundidade e a temporalidade das raízes de gramíneas utilizadas em consórcios com plantas de interesse socioeconômico.

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Foto: Joseani Antunes

Investir em pesquisas de melhoramento genético de raízes foi uma das soluções de P&D apresentadas pelo Grupo de Trabalho em Conservação e Manejo do Solo e da Água no Brasil para garantir a conservação e uso sustentável desses recursos naturais. Esse é um dos GTs constituídos pela Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento (DEPD) para avaliar o estado da arte e identificar um mapa de oportunidades para a atuação da Embrapa frente a temas de relevância para a agricultura brasileira. O grupo, formado por 11 colegas de diferentes UDs (veja composição completa em quadro ao final desta matéria), avaliou o tema sob as óticas jurídica e agronômica, e apresentou os resultados no dia 13 de fevereiro.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O estudo aponta que as soluções genéticas são fundamentais para aumentar a densidade, a profundidade e a temporalidade das raízes de gramíneas utilizadas em consórcios com plantas de interesse socioeconômico. “São as raízes que estabilizam a atividade biológica e, em decorrência, a estrutura do solo, assegurando fluxos de energia satisfatórios e matéria no perfil do solo”, explica o pesquisador da Embrapa Trigo José Denardin, que coordenou o GT.  Ao se aprofundarem no solo, as raízes transformam-se em poros contínuos que permitem fluxos de calor, água, ar, nutrientes para as espécies cultivadas.

Esse processo, que constitui a essência do Sistema Plantio Direto, resulta em benefícios à estabilidade da produtividade e à produção agrícola, por propiciar aumento da infiltração de água no solo, que, durante chuvas intensas ou de longa duração, previnem enxurradas e perdas por erosão, e aumento da disponibilidade de água às plantas, por permitirem às raízes acessarem a água em camadas mais profundas durante períodos de estiagem. “A seleção de plantas de serviço, com ênfase nas gramíneas de verão que possuem raízes com essas características, visa associá-las ou consorciá-las ao cultivo das espécies produtoras de grãos e fibras de interesse econômico”, pondera Denardin.

Segundo o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Clenio Pillon, há outras linhas de P&D muito relevantes no que tange ao manejo conservacionista do solo e da água, como por exemplo, o desenvolvimento de estudos socioeconômicos que permitam estabelecer indicadores de baixo custo para monitorar o uso de boas práticas agrícolas. “A Embrapa tem bastante expertise na área de sensoriamento e monitoramento por satélite para garantir que esses indicadores possam ser acompanhados de forma remota, facilitando o trabalho de agentes financiadores, empresas de rastreabilidade e seguradoras. Esses indicadores, chancelados pela pesquisa, podem representar novas oportunidades para monetizar o que fazemos junto a novos públicos”, observa o diretor.

Com esses indicadores, é possível estabelecer prêmios e incentivos para que os produtores utilizem práticas agrícolas sustentáveis, como o sistema plantio direto e os sistemas que integram lavoura, pecuária e floresta, entre outras.  Além disso, ao se reduzir o risco frente a eventos extremos, bem como aumentar a probabilidade de melhores safras, torna-se lógica a possibilidade de conseguir seguros mais baratos, entre outras vantagens. “O que é importante termos em mente é que hoje trabalhamos com públicos diversificados em um novo modelo de agricultura multifuncional, que embarca novas oportunidades para a Embrapa seguir mostrando seu valor público para a sociedade. Por isso, temos que pensar em soluções que contemplem resiliência climática, soberania, sustentabilidade, saudabilidade, rastreabilidade e saúde única, entre outros desafios,  complementa Pillon.

Foto: Divulgação/Embrapa

Adicionalmente, é relevante investir em ações de transferência de tecnologia para que as tecnologias sustentáveis desenvolvidas pela pesquisa agropecuária, incluindo a Embrapa, além de outras instituições de pesquisa e ensino, cheguem com mais agilidade ao setor produtivo. Nesse sentido, como destacam os integrantes do GT e o diretor Pillon, é fundamental envidar esforços em atividade para além das ações já contempladas nessa temática como dias de campo, unidades demonstrativas etc. “A transferência de tecnologia no contexto contemporâneo engloba uso de plataformas digitais:, integração de diferentes áreas de conhecimento, adoção de práticas colaborativas, inovação aberta, e conectividade. Em resumo, é necessário o contínuo investimento em pesquisa e desenvolvimento, com foco em novas tecnologias e práticas sustentáveis mais integradas para garantir a conservação e o uso sustentável do solo e da água no Brasil”, ressalta o diretor de P&D.

Análises consideraram as óticas jurídica e agronômica

O GT apresentou um contexto histórico do manejo conservacionista no Brasil desde a década de 1960. De acordo com o estudo, foi no final dos anos 1970 que o conceito do conservacionismo começou a ser, de fato, incorporado às práticas agrícolas, considerando a gestão do uso dos recursos naturais, para suprir as necessidades presentes da humanidade sem comprometê-los para as gerações futuras, mediante geração de crescimento econômico, emergência de ambiência e promoção de bem-estar social. “Foi a partir dessa época que a agricultura brasileira passou a promover considerações efetivas relacionadas à sustentabilidade, com o compromisso de preservar, manter e regenerar as potencialidades dos recursos naturais para as gerações atual e futura”, pontua Denardin.

Pela ótica jurídica, devem ser considerados os aspectos relativos a incentivos, obrigações e proibições previstos em lei. Já o contexto agronômico, prioriza os aspectos evolutivos da pesquisa e desenvolvimento. Os estudos do GT mostraram que as inovações tecnológicas relativas à conservação do solo e da água foram e são fortemente centradas nas áreas sob cultivo de espécies temporárias e adaptadas às espécies perenizadas.

Os resultados obtidos pelo ponto de vista agronômico mostram que a criação da Embrapa na década de 1970 contribuiu para intensificar as pesquisas em conservação do solo e da água, tornando o País uma referência mundial em agricultura de conservação, com forte contribuição de instituições de C&T do setor privado, destaca Pillon.

Plantio direto foi um divisor de águas no manejo conservacionista no Brasil

Foto: Paulo Kuntz

O fortalecimento do Sistema de Plantio Direto (SPD), na década de 1990, suscitou um novo paradigma para o manejo conservacionista no Brasil. Esse modelo agrícola, no qual o solo só é revolvido supeficialmente na linha de semeadura, e preconiza certa rotação de culturas e proteção do solo, é enquadrado como uma estratégia de agricultura conservacionista e sustentável, e amplamente adotado em diversas regiões do País e do mundo.

O SPD ganhou ainda mais força na década de 2.000, quando se consolidou como tecnologia indutora de sustentabilidade à agricultura. Trata-se de um complexo de tecnologias, processos, produtos e serviços que submete o sistema agrícola produtivo a um menor grau de perturbação, quando comparado a outras formas de manejo que empregam mobilização de solo.

Em síntese, o SPD se constitui em uma ferramenta da agricultura conservacionista capaz de viabilizar o ato de produzir sem preparo prévio do solo, de modo contínuo, safra após safra. Em consequência, requer menos máquinas e equipamentos, menos força de trabalho e menos energia fóssil, além de favorecer a atividade biológica do solo e o controle biológico de pragas, doenças e plantas daninhas. Além disso, o SPD bem conduzido praticamente elimina a erosão, melhora a eficiência do uso de fertilizantes, aumenta a floculação e a agregação do solo e reduz a decomposição da matéria orgânica, estabelecendo sincronismo entre a disponibilidade de nutrientes e o crescimento das formas de vida presentes no solo.

Estimativas indicam que, em 2024, a área plantada com o sistema de plantio direto abrange entre 33 e 39 milhões de hectares. Esses números refletem a crescente adoção do SPD pelos produtores brasileiros, destacando-se como uma prática agrícola sustentável que contribui para a conservação do solo e o aumento da produtividade.

Paralelamente, pela ótica jurídica, a criação das Leis n° 9.279 (Propriedade Industrial) e n° 9.456 (Proteção de Cultivares), na década de 1990, reforçaram o apoio à pesquisa agropecuária e ao setor produtivo.

Integração lavoura-pecuária-floresta

Foto: Ronaldo Rosa

De acordo com o GT, o avanço da priorização da sustentabilidade na agricultura levou à criação do sistema integrado de produção lavoura-pecuária (ILPF) ainda na década de 1980. A ILPF oferece benefícios como a recuperação de pastagens degradadas, aumento da produtividade e contribuição para a redução das emissões de gases de efeito estufa, alinhando-se às metas ambientais brasileiras.

Os bons resultados da implantação de ILP e ILPF levaram a uma expansão considerável desse modelo agropecuário no País. Atualmente, a área total com ILPF no Brasil é estimada em cerca de 15 milhões de hectares, mas a meta é expandir significativamente essa área nas próximas décadas.

Paralelamente, pelo ponto de vista jurídico, o Decreto nº 11.815, de 5/12/2023 instituiu o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD) para promover e coordenar políticas públicas voltadas à conversão de pastagens degradadas, o que representou mais um passo concreto rumo à sustentabilidade agropecuária no Brasil.

Pillon reforça que a equipe da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento utilizará o resultado apresentado pelo GT como base diagnóstica para o fortalecimento dessas ações de PD&I no âmbito do SEG, pois se trata de uma agenda transversal às cadeias produtivas e aos públicos prioritários. “Além disso, apresenta forte interface aos grandes desafios nacionais e globais priorizados em nosso planejamento estratégico, notadamente no que se refere à segurança e soberania alimentar, resiliência climática, descarbonização,  saúde única e inclusão socioprodutiva”, conclui o diretor.

Fonte: Assessoria Embrapa

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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

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Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo

Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

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Foto: Paulo Kurtz

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.

O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.

Potencial de uso da plataforma

O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.

Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.

Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.

Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.

Avanços para o melhoramento genético

As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:

“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje

“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.

Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.

No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.

Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.

Fonte: Assessoria Embrapa Trigo
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