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Embrapa aponta melhoramento genético de raízes como prioridade para conservação do solo e da água

São fundamentais para aumentar a densidade, a profundidade e a temporalidade das raízes de gramíneas utilizadas em consórcios com plantas de interesse socioeconômico.

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Foto: Joseani Antunes

Investir em pesquisas de melhoramento genético de raízes foi uma das soluções de P&D apresentadas pelo Grupo de Trabalho em Conservação e Manejo do Solo e da Água no Brasil para garantir a conservação e uso sustentável desses recursos naturais. Esse é um dos GTs constituídos pela Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento (DEPD) para avaliar o estado da arte e identificar um mapa de oportunidades para a atuação da Embrapa frente a temas de relevância para a agricultura brasileira. O grupo, formado por 11 colegas de diferentes UDs (veja composição completa em quadro ao final desta matéria), avaliou o tema sob as óticas jurídica e agronômica, e apresentou os resultados no dia 13 de fevereiro.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O estudo aponta que as soluções genéticas são fundamentais para aumentar a densidade, a profundidade e a temporalidade das raízes de gramíneas utilizadas em consórcios com plantas de interesse socioeconômico. “São as raízes que estabilizam a atividade biológica e, em decorrência, a estrutura do solo, assegurando fluxos de energia satisfatórios e matéria no perfil do solo”, explica o pesquisador da Embrapa Trigo José Denardin, que coordenou o GT.  Ao se aprofundarem no solo, as raízes transformam-se em poros contínuos que permitem fluxos de calor, água, ar, nutrientes para as espécies cultivadas.

Esse processo, que constitui a essência do Sistema Plantio Direto, resulta em benefícios à estabilidade da produtividade e à produção agrícola, por propiciar aumento da infiltração de água no solo, que, durante chuvas intensas ou de longa duração, previnem enxurradas e perdas por erosão, e aumento da disponibilidade de água às plantas, por permitirem às raízes acessarem a água em camadas mais profundas durante períodos de estiagem. “A seleção de plantas de serviço, com ênfase nas gramíneas de verão que possuem raízes com essas características, visa associá-las ou consorciá-las ao cultivo das espécies produtoras de grãos e fibras de interesse econômico”, pondera Denardin.

Segundo o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Clenio Pillon, há outras linhas de P&D muito relevantes no que tange ao manejo conservacionista do solo e da água, como por exemplo, o desenvolvimento de estudos socioeconômicos que permitam estabelecer indicadores de baixo custo para monitorar o uso de boas práticas agrícolas. “A Embrapa tem bastante expertise na área de sensoriamento e monitoramento por satélite para garantir que esses indicadores possam ser acompanhados de forma remota, facilitando o trabalho de agentes financiadores, empresas de rastreabilidade e seguradoras. Esses indicadores, chancelados pela pesquisa, podem representar novas oportunidades para monetizar o que fazemos junto a novos públicos”, observa o diretor.

Com esses indicadores, é possível estabelecer prêmios e incentivos para que os produtores utilizem práticas agrícolas sustentáveis, como o sistema plantio direto e os sistemas que integram lavoura, pecuária e floresta, entre outras.  Além disso, ao se reduzir o risco frente a eventos extremos, bem como aumentar a probabilidade de melhores safras, torna-se lógica a possibilidade de conseguir seguros mais baratos, entre outras vantagens. “O que é importante termos em mente é que hoje trabalhamos com públicos diversificados em um novo modelo de agricultura multifuncional, que embarca novas oportunidades para a Embrapa seguir mostrando seu valor público para a sociedade. Por isso, temos que pensar em soluções que contemplem resiliência climática, soberania, sustentabilidade, saudabilidade, rastreabilidade e saúde única, entre outros desafios,  complementa Pillon.

Foto: Divulgação/Embrapa

Adicionalmente, é relevante investir em ações de transferência de tecnologia para que as tecnologias sustentáveis desenvolvidas pela pesquisa agropecuária, incluindo a Embrapa, além de outras instituições de pesquisa e ensino, cheguem com mais agilidade ao setor produtivo. Nesse sentido, como destacam os integrantes do GT e o diretor Pillon, é fundamental envidar esforços em atividade para além das ações já contempladas nessa temática como dias de campo, unidades demonstrativas etc. “A transferência de tecnologia no contexto contemporâneo engloba uso de plataformas digitais:, integração de diferentes áreas de conhecimento, adoção de práticas colaborativas, inovação aberta, e conectividade. Em resumo, é necessário o contínuo investimento em pesquisa e desenvolvimento, com foco em novas tecnologias e práticas sustentáveis mais integradas para garantir a conservação e o uso sustentável do solo e da água no Brasil”, ressalta o diretor de P&D.

Análises consideraram as óticas jurídica e agronômica

O GT apresentou um contexto histórico do manejo conservacionista no Brasil desde a década de 1960. De acordo com o estudo, foi no final dos anos 1970 que o conceito do conservacionismo começou a ser, de fato, incorporado às práticas agrícolas, considerando a gestão do uso dos recursos naturais, para suprir as necessidades presentes da humanidade sem comprometê-los para as gerações futuras, mediante geração de crescimento econômico, emergência de ambiência e promoção de bem-estar social. “Foi a partir dessa época que a agricultura brasileira passou a promover considerações efetivas relacionadas à sustentabilidade, com o compromisso de preservar, manter e regenerar as potencialidades dos recursos naturais para as gerações atual e futura”, pontua Denardin.

Pela ótica jurídica, devem ser considerados os aspectos relativos a incentivos, obrigações e proibições previstos em lei. Já o contexto agronômico, prioriza os aspectos evolutivos da pesquisa e desenvolvimento. Os estudos do GT mostraram que as inovações tecnológicas relativas à conservação do solo e da água foram e são fortemente centradas nas áreas sob cultivo de espécies temporárias e adaptadas às espécies perenizadas.

Os resultados obtidos pelo ponto de vista agronômico mostram que a criação da Embrapa na década de 1970 contribuiu para intensificar as pesquisas em conservação do solo e da água, tornando o País uma referência mundial em agricultura de conservação, com forte contribuição de instituições de C&T do setor privado, destaca Pillon.

Plantio direto foi um divisor de águas no manejo conservacionista no Brasil

Foto: Paulo Kuntz

O fortalecimento do Sistema de Plantio Direto (SPD), na década de 1990, suscitou um novo paradigma para o manejo conservacionista no Brasil. Esse modelo agrícola, no qual o solo só é revolvido supeficialmente na linha de semeadura, e preconiza certa rotação de culturas e proteção do solo, é enquadrado como uma estratégia de agricultura conservacionista e sustentável, e amplamente adotado em diversas regiões do País e do mundo.

O SPD ganhou ainda mais força na década de 2.000, quando se consolidou como tecnologia indutora de sustentabilidade à agricultura. Trata-se de um complexo de tecnologias, processos, produtos e serviços que submete o sistema agrícola produtivo a um menor grau de perturbação, quando comparado a outras formas de manejo que empregam mobilização de solo.

Em síntese, o SPD se constitui em uma ferramenta da agricultura conservacionista capaz de viabilizar o ato de produzir sem preparo prévio do solo, de modo contínuo, safra após safra. Em consequência, requer menos máquinas e equipamentos, menos força de trabalho e menos energia fóssil, além de favorecer a atividade biológica do solo e o controle biológico de pragas, doenças e plantas daninhas. Além disso, o SPD bem conduzido praticamente elimina a erosão, melhora a eficiência do uso de fertilizantes, aumenta a floculação e a agregação do solo e reduz a decomposição da matéria orgânica, estabelecendo sincronismo entre a disponibilidade de nutrientes e o crescimento das formas de vida presentes no solo.

Estimativas indicam que, em 2024, a área plantada com o sistema de plantio direto abrange entre 33 e 39 milhões de hectares. Esses números refletem a crescente adoção do SPD pelos produtores brasileiros, destacando-se como uma prática agrícola sustentável que contribui para a conservação do solo e o aumento da produtividade.

Paralelamente, pela ótica jurídica, a criação das Leis n° 9.279 (Propriedade Industrial) e n° 9.456 (Proteção de Cultivares), na década de 1990, reforçaram o apoio à pesquisa agropecuária e ao setor produtivo.

Integração lavoura-pecuária-floresta

Foto: Ronaldo Rosa

De acordo com o GT, o avanço da priorização da sustentabilidade na agricultura levou à criação do sistema integrado de produção lavoura-pecuária (ILPF) ainda na década de 1980. A ILPF oferece benefícios como a recuperação de pastagens degradadas, aumento da produtividade e contribuição para a redução das emissões de gases de efeito estufa, alinhando-se às metas ambientais brasileiras.

Os bons resultados da implantação de ILP e ILPF levaram a uma expansão considerável desse modelo agropecuário no País. Atualmente, a área total com ILPF no Brasil é estimada em cerca de 15 milhões de hectares, mas a meta é expandir significativamente essa área nas próximas décadas.

Paralelamente, pelo ponto de vista jurídico, o Decreto nº 11.815, de 5/12/2023 instituiu o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD) para promover e coordenar políticas públicas voltadas à conversão de pastagens degradadas, o que representou mais um passo concreto rumo à sustentabilidade agropecuária no Brasil.

Pillon reforça que a equipe da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento utilizará o resultado apresentado pelo GT como base diagnóstica para o fortalecimento dessas ações de PD&I no âmbito do SEG, pois se trata de uma agenda transversal às cadeias produtivas e aos públicos prioritários. “Além disso, apresenta forte interface aos grandes desafios nacionais e globais priorizados em nosso planejamento estratégico, notadamente no que se refere à segurança e soberania alimentar, resiliência climática, descarbonização,  saúde única e inclusão socioprodutiva”, conclui o diretor.

Fonte: Assessoria Embrapa

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Brasil abre quase 100 novos mercados para aves e suínos e reforça posição global, diz Luis Rua no SBSA

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Foto: O Presente Rural

Em meio a guerras, instabilidade logística e rearranjos no comércio global de alimentos, o Brasil segue ampliando espaço no mercado internacional de proteínas animais. A avaliação é do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, que concedeu entrevista exclusiva ao O Presente Rural durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó (SC). Segundo ele, o país vem acumulando recordes sucessivos nas exportações e consolidando uma posição rara no cenário global: a de fornecedor com escala, sanidade, competitividade e regularidade de oferta ao mesmo tempo.

“O Brasil tem batido recordes sucessivos, seja na carne bovina, seja na carne de aves, na carne suína, nos pescados”, afirmou. Na entrevista, Rua também chamou atenção para o avanço dos pescados, que, segundo ele, já despontam como “uma nova estrela nesse rol das proteínas animais”.

Articulação

O secretário atribuiu parte desse desempenho à articulação entre governo e entidades setoriais para destravar acessos comerciais e ampliar destinos para a produção brasileira. Ao tratar especificamente das cadeias de aves e suínos, ele afirmou que o trabalho inclui tanto carne quanto genética e ressaltou o alcance dos resultados mais recentes. “Nós abrimos próximo dos 100 mercados para essas duas cadeias produtivas”, disse.

No recorte mais amplo do agronegócio, Rua informou que o Brasil abriu 574 mercados nos últimos três anos e três meses. Dentro desse total, aproximadamente 100 estão ligados à proteína animal, com destaque para avicultura e suinocultura. Para ele, esse movimento não se resume a uma conquista diplomática ou comercial. Tem impacto direto na base produtiva do país. “Isso gera oportunidades, gera renda e gera emprego onde a gente mais precisa, que é no interior do nosso país”, afirmou.

Cadeias fortes

A fala dialoga diretamente com regiões como o Oeste catarinense e o Oeste paranaense, onde aves e suínos estruturam cadeias industriais, cooperativas, empregos e arrecadação. Ao participar do SBSA, Rua destacou a força econômica do segmento e a relevância estratégica da proteína animal dentro da pauta exportadora brasileira.

Mundo

Ao comentar o ambiente geopolítico, o secretário reconheceu o peso das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia sobre o humor dos mercados e as rotas comerciais. “Naturalmente é um clima de incerteza”, afirmou. Ainda assim, sustentou que o Brasil chega a esse cenário com atributos que poucos concorrentes conseguem reunir. “O Brasil tem algumas características que tornam ele, se não o único, uma das poucas geografias do mundo que podem apoiar nesse momento.”

Ele ainda enumerou os fatores que, na sua visão, explicam essa vantagem comparativa: “O Brasil pode apoiar porque tem qualidade, porque tem sanidade, porque tem quantidade, porque tem estabilidade no fornecimento, porque tem competitividade, tem sustentabilidade”. A leitura do secretário é de que, em tempos de conflito e incerteza, essa combinação pesa mais do que nunca na decisão de compra dos mercados importadores.

Frango

Rua usou o desempenho recente da carne de frango para exemplificar a capacidade de reação do setor brasileiro. Segundo ele, mesmo com o Oriente Médio entre os principais destinos da proteína avícola nacional e ao mesmo tempo no centro das tensões internacionais, o Brasil ampliou embarques em março. “O Brasil aumentou, inclusive, suas exportações”, declarou. De acordo com o secretário, a alta foi de 7% sobre março do ano passado, com volume de 490 mil toneladas.

Para ele, o dado reforça uma característica estrutural da cadeia. “Isso mostra que é um setor resiliente”, resumiu. E avançou: “É um setor que está acostumado a lidar com dificuldades, com desafios e faz isso com muita resiliência, com muito trabalho e com uma atuação coordenada entre o setor público e o setor privado.”

Mensagens

A entrevista de Luis Rua no SBSA reforça, portanto, três mensagens centrais do governo para o setor: o Brasil segue abrindo mercados em ritmo acelerado, as proteínas animais continuam entre os motores mais dinâmicos dessa expansão e, apesar das turbulências externas, o país tem conseguido transformar instabilidade global em oportunidade comercial. No caso de aves e suínos, a aposta é que essa combinação de acesso, oferta e credibilidade internacional continue sustentando a presença brasileira nos principais fluxos globais de proteína.

Fonte: O Presente Rural
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Rede de monitoramento de CO₂ em áreas agrícolas no Sul do Brasil abre caminho para crédito de carbono

Projeto da UFSM mede emissões e captura em tempo real e indica potencial de monetização no campo. Dados mostram redução de gases com manejo e estimam receita de até US$ 33 milhões ao ano no Pampa.

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Foto: Divulgação

Uma rede de monitoramento instalada em áreas agrícolas no Sul do Brasil está produzindo dados inéditos sobre a relação entre produção agropecuária e emissões de gases de efeito estufa. O sistema, coordenado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LABGEE), utiliza torres de fluxo, tecnologia considerada a mais precisa para medir, de forma contínua, a troca de carbono entre o solo, as plantas e a atmosfera.

Foto: Ricardo Bonfanti

A iniciativa coloca a UFSM entre as instituições protagonistas no Brasil e no mundo no monitoramento contínuo e em tempo real do balanço de CO₂ em sistemas agrícolas, o que é estratégico para compreender o papel da agropecuária nas mudanças climáticas. No Brasil, pesquisas desse tipo em sistemas agrícolas monitorados continuamente por torres de fluxo são raras, especialmente em culturas importantes para a economia regional, como soja, arroz irrigado e pecuária.

À frente desta iniciativa, os professores Débora Roberti, do Departamento de Física do CCNE, e Rodrigo Jacques, do Departamento de Solos do CCR, destacam que o diferencial está na consistência dos dados ao longo do tempo. “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo. Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono”, ressaltam.

Ao todo, nove torres estão distribuídas em diferentes sistemas produtivos, incluindo lavouras de soja, milho, trigo e arroz irrigado, além de áreas de pastagem natural no bioma Pampa, nos municípios gaúchos Catuípe (duas unidades), Alegrete, Cachoeira do Sul (quatro unidades) e Santa Maria, além de uma área no Paraná. Os locais foram escolhidos por permitirem comparar manejos tradicionais ou melhorados das lavouras e pastagens.

Os equipamentos realizam até 10 medições por segundo, registrando se o sistema está emitindo ou absorvendo dióxido de carbono (CO₂), além de variáveis como temperatura, radiação solar e precipitação. Na prática, o monitoramento permite calcular o chamado fluxo de carbono, o saldo entre o que é capturado pelas plantas durante a fotossíntese e o que é liberado por processos naturais. Esse acompanhamento contínuo mostra, em tempo real, quando uma área agrícola funciona como fonte ou como sumidouro de carbono.

Todos os dados são transmitidos automaticamente pela internet para o LABGEE, situado no prédio do INPE, onde são processados e analisados pelos pesquisadores e estudantes de pós-

Professora do Departamento de Física do CCNE da UFSM, Débora Roberti: “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo” – Foto: Arquivo pessoal

graduação de Física e Meteorologia, com apoio do meteorologista Murilo Lopes.

De meia em meia hora, por três anos

Como as medições são contínuas, com os dados gerados a cada 30 minutos, os pesquisadores conseguem acompanhar ao longo do ano a dinâmica de emissão e absorção de carbono em cada área monitorada. Com uma série anual completa, já é possível estimar o balanço de carbono de sistemas agrícolas, pecuários ou naturais e identificar quais práticas ampliam a captura ou intensificam as emissões.

Para aumentar a confiabilidade das análises, no entanto, o monitoramento precisa abranger períodos mais longos, já que a variabilidade climática entre safras interfere diretamente nos resultados. Por isso, os pesquisadores trabalham com um horizonte mínimo de três anos de coleta contínua de dados. “Esse é o destaque desta técnica, que está na vanguarda das metodologias de medida de gás do efeito estufa na atmosfera”, afirma Débora.

Manejo define se área emite ou captura carbono

Os resultados já apontam diferenças relevantes entre sistemas de produção. Em áreas de arroz irrigado, a introdução de pastagens de inverno reduziu as emissões de CO₂ em 20% e de metano em 60%. Em lavouras com soja e trigo, a adoção de plantas de cobertura pode elevar em até três vezes a capacidade de captura de carbono por hectare.

No bioma Pampa, o manejo adequado das pastagens permite que a produção pecuária atue como captadora de carbono, compensando parte das emissões de metano dos bovinos. Por outro lado, áreas sem cobertura vegetal, como lavouras em pousio, tendem a se tornar emissoras.

Professor do Departamento de Solos do CCR da UFSM, Rodrigo Jacques: “Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono” – Foto: Arquivo pessoal

Os dados reforçam que o impacto climático da agropecuária depende diretamente das práticas adotadas no campo. Sistemas bem manejados podem inverter a lógica tradicional que associa produção rural apenas à emissão de gases de efeito estufa.

Além do aspecto ambiental, os resultados abrem espaço para monetização. Estimativas do próprio projeto indicam que, se metade das pastagens naturais do Pampa fosse direcionada à geração de créditos de carbono, o volume poderia chegar a 3,3 milhões de créditos por ano. A preços médios de US$ 10 por crédito, isso representaria cerca de US$ 33 milhões anuais.

O projeto reúne pesquisadores de diferentes áreas, como Física, Agronomia e Meteorologia, e envolve investimento de aproximadamente R$ 5 milhões. Os dados já começam a integrar bancos internacionais e são utilizados por grupos de pesquisa de outros países, ampliando a inserção do Brasil nas discussões globais sobre clima e produção de alimentos.

A expectativa é que, após três anos de monitoramento contínuo, período mínimo para consolidação dos dados, o sistema avance para novas culturas e projetos-piloto de crédito de carbono, com aplicação direta no campo.

Fonte: O Presente Rural com UFSM
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Biometano: da produção à distribuição é tema de fórum do setor

Especialistas discutem oportunidades e desafios no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu (PR)

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Assessoria

Uma abordagem integrada, que vai da produção à distribuição de biometano, será destaque no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB), realizado de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR). Com o tema Biometano: bem feito, suficiente, bem distribuído, o evento reunirá especialistas para discutir os principais avanços, desafios e oportunidades do setor.

 

A programação contempla painéis temáticos sobre produção, políticas públicas, mobilidade, investimentos, relação com o gás natural e perspectivas de mercado. Segundo o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Airton Kunz, integrante da comissão organizadora, o debate ganha relevância diante das novas oportunidades abertas pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que amplia a inserção do biometano na matriz energética brasileira. Outro ponto de destaque é o potencial do biometano na cadeia de proteína animal. “O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário, especialmente pela capacidade de geração a partir dos resíduos da produção animal. É uma oportunidade estratégica que precisa ser melhor explorada, sobretudo pelas oportunidades que se criam para substituir o óleo diesel pelo biometano em soluções de logística nestas cadeias”, afirma Kunz.

 

Apesar do cenário promissor, o avanço do biometano ainda enfrenta desafios, como a garantia da qualidade do produto, o aumento da escala de produção e a expansão da infraestrutura de distribuição. Atualmente, o biocombustível já vem sendo utilizado em frotas de caminhões e em processos industriais, substituindo combustíveis fósseis (diesel evitado) e contribuindo para a descarbonização. “Além de produzir bem, é fundamental avançar na distribuição eficiente, especialmente no transporte”, destaca o pesquisador.

 

Como já é tradição, o evento contará com uma programação prévia, que será realizada no dia 13, como reuniões técnicas, encontros e palestras. Já, a abertura oficial será no dia 14, seguindo com programação até dia 15, onde haverá espaço de negócios com mais de 70 empresas já confirmadas, momento startups de biogás, premiação “Melhores do Biogás”, vários painéis de debates sobre temas de interesse ao biogás. O dia 16 será dedicado a quatro roteiros de visitas técnicas.

 

A Embrapa é co-realizadora do evento e participa com especialistas na moderação e apresentação de painéis, além da organização de reuniões técnicas. Entre os destaques estão os painéis “O negócio dos Substratos e as Culturas Energéticas”, com participação de Airton Kunz; “Biogás na Prática”, com moderação de Ricardo Steinmetz; e “Oportunidades e Desafios Setoriais”, com a participação de Fabiane Goldschmidt Antes.

 

O FSBBB é realizado pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), pela Embrapa Suínos e Aves e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), com organização da Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindústria (SBERA). Para maiores informações acesse: biogasebiometano.com.br.

 

Reunião técnica discutirá transporte no agronegócio

Como atividade pré-evento do FSBBB e com um olhar mais direcionado à distribuição, será realizada a Reunião Técnica Transporte a Biometano no Agronegócio, no dia 13 de abril, das 14 às 16 horas, no Hotel Bourbon Cataratas Resort, como atividade pré-evento. O encontro abordará temas como corredores rodoviários sustentáveis, descarbonização da cadeia agroindustrial, novas tecnologias e o uso de caminhões a gás e modelos dual fuel.

 

Apesar do cenário promissor, o avanço do biometano ainda enfrenta desafios, como a garantia da qualidade do produto, o aumento da escala de produção e a expansão da infraestrutura de distribuição. Atualmente, o biocombustível já vem sendo utilizado em frotas de caminhões e em processos industriais, substituindo combustíveis fósseis e contribuindo para a descarbonização. “Além de produzir bem, é fundamental avançar na distribuição eficiente, especialmente no transporte”, destaca o pesquisador.

 

A reunião também apresentará casos práticos, incluindo uma unidade rural produtora de biometano com abastecimento de caminhões e experiências no transporte de proteína animal. A iniciativa é organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Fetranspar, Embrapa, Superintendência de Energia do Paraná (SUPEN) e Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás). Gratuito, o encontro pré-evento é voltado a produtores de biogás e biometano, além de profissionais das áreas de logística, transporte e gestão de frotas. As inscrições podem ser feitas pelo link.

 

Trilha de atualização conecta especialistas e laboratórios de biogás

Outro momento que antecede a programação oficial do FSBBB é a Trilha de Atualização para Laboratórios de Biogás e Biometano, marcada também para o dia 13, das 8 às 17 horas. A trilha reunirá profissionais vinculados ao Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Biogás, participantes de ensaios de proficiência, representantes de laboratórios, pesquisadores, estudantes e demais interessados. O encontro será um espaço dedicado à troca de experiências e ao compartilhamento de informações entre os atores que atuam na área.

 

As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas até o dia 10 de abril, pelo link do evento, com vagas limitadas a 50 participantes. A atividade será presencial. O encontro ocorrerá no Itaipu Parquetec (Av. Tancredo Neves, 6731, bairro Jardim Itaipu, em Foz do Iguaçu). A iniciativa é promovida pelo CIBiogás, Embrapa Suínos e Aves, Senai/SC, Inmetro e Universidade de Caxias do Sul, com fomento do NAPI Biogás.

 

A programação da manhã será marcada por apresentações voltadas à avaliação de substratos e ao uso de ensaios interlaboratoriais como ferramenta de controle de qualidade, além de discussões sobre novas rodadas de ensaios de proficiência. Também serão abordadas as principais fontes de erro na medição de biometano. O período da manhã inclui ainda uma visita técnica ao laboratório do CIBiogás.

 

À tarde, os temas se concentram em ferramentas microbiológicas para eficiência energética, relatos práticos sobre processos de acreditação de laboratórios e o uso de calculadoras científicas na otimização da digestão anaeróbia. A programação se encerra com uma mesa redonda sobre a jornada de acreditação, seguida de alinhamentos para ações futuras.

 

Fonte: Embrapa Suínos e Aves
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