Notícias Pesquisa e Inovação
Embrapa Agroenergia realiza 7º Encontro de Pesquisa e Inovação
Temas como bioeconomia, descarbonização, o uso industrial e agrícola de biotecnologia serão discutidos durante os três dias de evento.

Nesta semana, a Embrapa Agroenergia reúne em Brasília (DF), gestores públicos, pesquisadores, membros da academia, parlamentares, e representantes de empresas e associações ligadas ao setor produtivo para discutir tecnologias e inovações que venham promover a sustentabilidade na agropecuária brasileira e a circularidade na indústria nacional. Debates que acontecerão durante o 7º Encontro de Pesquisa e Inovação, que teve início terça (24) e prossegue até esta quinta-feira (26) na sede da instituição.
Temas como bioeconomia (bioinsumos, biocombustíveis e bioprodutos), descarbonização, uso industrial e agrícola de biotecnologia e materiais renováveis e a ampliação de políticas públicas para alavancar os projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) serão debatidos durante os três dias de evento.
Na abertura do encontro, a representante do Ministério da Agricultura e Pecuária, a secretária de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo e pesquisadora, Renata Miranda, destacou a relevância e contribuição deste evento para a construção de novas tecnologias e políticas públicas assertivas para o setor agropecuário brasileiro. “Ao promovermos a pesquisa, inovação e ciência, garantimos nossa capacidade de gerar respostas aos desafios postos para as atuais e futuras gerações”, complementou a secretária.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, lembrou aos participantes que uma das prioridades dessa nova gestão é fortalecimento das ações de bioeconomia. “Estamos trazendo para esses três dias de discussão temas importantes que apontam diretamente para a segurança alimentar, energética e climática. Convido todos a avançar nessa pauta, pois esse é hoje o nosso grande desafio”.
O secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Rodrigo Rollemberg, destacou que os investimentos em ciência e tecnologia transformam as oportunidades em vantagens. “Nós temos uma matriz energética limpa em comparação ao resto do mundo. Temos uma grande disponibilidade de água e capacidade científica e tecnológica. O que nós precisamos é transformar todas essas vantagens comparativas em vantagens competitivas e dar foco e convergência política a essa agenda”.
O professor emérito do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues, chamou atenção para a relevância que a agricultura tropical vem assumindo no agro global, a partir do desenvolvimento de tecnologias e inovações chaves para o setor. “Nenhum outro país utiliza tão bem os programas de descarbonização e mitigação como o Brasil. Estamos fadados a liderar um projeto mundial no uso dessas tecnologias”, afirmou.

Notícias
Paraná exporta US$ 22,6 milhões em carne de peru e mantém 79% do milho em boas condições
Estado ocupa a terceira posição nacional nos embarques da proteína, enquanto produtores seguem otimistas com a segunda safra diante da ausência de geadas no curto prazo.

A segunda safra de milho segue sustentando boas expectativas no Paraná. Levantamento divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostra que 79% das lavouras apresentam boas condições de desenvolvimento, enquanto 14% estão em condição mediana e apenas 7% são classificadas como ruins.

Foto: Divulgação
A área cultivada foi mantida em 2,9 milhões de hectares na safra 2025/26. Embora o excesso de dias nublados e as temperaturas mais baixas exijam cautela em relação ao potencial produtivo, a ausência de previsão de geadas para os próximos 14 dias mantém o otimismo entre os produtores.
O milho é a principal cultura de inverno do Paraná e um dos pilares da produção de proteínas animais do Estado, servindo como base para a alimentação de aves, suínos e bovinos confinados.
Exportações de carne de peru ganham força
Outro destaque do boletim é o desempenho da carne de peru no mercado internacional. Nos quatro primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 22,3 mil toneladas do produto, com receita cambial de US$ 90,8 milhões.
O Paraná ocupou a terceira posição entre os estados exportadores, com embarques de 4.739 toneladas e faturamento de US$ 22,6 milhões.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, as exportações paranaenses cresceram 6,9%. O avanço foi acompanhado pelos demais estados da Região Sul, com altas de 38,4% em Santa

Foto: Divulgação
Catarina e de 21,2% no Rio Grande do Sul.
Além do aumento nos volumes comercializados, houve forte valorização do produto. O preço médio da carne de peru in natura alcançou US$ 4.059,03 por tonelada, valor 77,6% superior ao registrado no primeiro quadrimestre do ano anterior, quando a média ficou em US$ 2.285,33 por tonelada.
Entre os principais destinos da proteína brasileira estão México, Chile, África do Sul, Países Baixos, Peru, Guiné Equatorial, Gana, Benin, Gabão e Bahamas.
Amendoim pode alcançar nova safra histórica
O boletim do Deral também destaca a expansão da cultura do amendoim no país. A estimativa para a safra brasileira 2025/26 é de produção recorde de 1,2 milhão de toneladas.

Foto: Geraldo Bubniak/AEN
Caso o volume se confirme, será o maior já registrado na série histórica nacional, superando o recorde alcançado na safra anterior.
No Paraná, a expectativa é colher 5,6 mil toneladas. A região de Paranavaí concentra pouco mais de metade da produção estadual, enquanto a região de Umuarama responde por cerca de 23% da área cultivada.
Segundo o analista do Deral, Edmar Gervásio, os trabalhos de campo estão atualmente concentrados em Umuarama, uma das principais regiões produtoras da cultura no Estado.
Historicamente, o amendoim teve papel importante na indústria brasileira de óleos vegetais. Até a década de 1970, grande parte da produção era destinada à fabricação de óleo para consumo doméstico. Com a expansão da soja e o aumento de sua competitividade econômica, o amendoim perdeu espaço nesse mercado e passou a buscar novas alternativas de comercialização, especialmente voltadas ao consumo alimentício e à indústria de alimentos.
Notícias
Agro do Paraná vê impacto limitado após proposta de nova tarifa dos Estados Unidos
Principais produtos exportados pelo Estado ao mercado norte-americano permanecem isentos da cobrança adicional de 25%.

Os Estados Unidos anunciaram, nesta segunda-feira (1º), uma proposta de implementação de tarifa adicional de 25% aos produtos brasileiros. Caso entre em vigor, a medida deve afetar itens como alguns dos produtos florestais, pescados e mel. No entanto, outros itens, considerados estratégicos pelos EUA, estarão isentos da sobretaxa, incluindo carnes, frutas e café. Esses são produtos considerando relevantes da pauta da exportação do Paraná para os Estados Unidos.

Foto: Edinan Ferreira
“Embora a nova tarifa americana represente um sinal de alerta e deva afetar alguns dos setores, o impacto na agropecuária do Paraná tende a ser limitado. Isso porque parte expressiva da exportação agropecuária paranaense aos Estados Unidos segue isenta dessa sobretaxa”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Entre janeiro e maio de 2026, o Paraná exportou para os EUA cerca de US$ 24,5 milhões em café, US$ 11 milhões em carnes e US$ 165 mil em frutas.
Entre as categorias que sofrerão o acréscimo de 25%, estão alguns tipos de produtos florestais. Ao todo, somando o que será taxado e o que ficou de fora, o segmento florestal representou US$ 90 milhões nas exportações do Paraná para os Estados Unidos neste ano.
“Ainda que a taxação não atinja todo o setor, não podemos ignorar o peso dessa medida, que deve atingir produtores que movimentam um segmento considerável das exportações paranaenses”, avalia Meneguette.
O prazo para o início da aplicação da taxa adicional de 25% vai até 15 de julho — período em que é possível haver negociações entre os dois países.

Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep: “Embora a nova tarifa americana represente um sinal de alerta e deva afetar alguns dos setores, o impacto na agropecuária do Paraná tende a ser limitado”
A proposta partiu do Escritório de Comércio dos EUA, após uma investigação do órgão concluir que o Brasil adota “práticas comerciais desleais”. A investigação aconteceu no âmbito da Seção 301, mecanismo legal dos EUA que permite investigar e retaliar países cujas políticas sejam consideradas prejudiciais aos interesses comerciais norte-americanos. Entre as práticas apontadas no documento, estão o uso do PIX como método de pagamento, a pirataria e uma suposta falta de fiscalização e de regulamentações ambientais, o que contribuiria para o desmatamento ilegal.
O relatório afirma que áreas desmatadas ilegalmente seriam utilizadas para atividades agropecuárias, o que proporcionaria às exportações do agronegócio brasileiro uma vantagem competitiva considerada injusta.
“Classificar a nossa produção dessa forma é um erro. O agronegócio do Paraná segue legislações ambientais rigorosas, com rastreabilidade e um compromisso real com a preservação”, observa o presidente do Sistema Faep. “O produtor paranaense trabalha rigorosamente dentro da lei e não deveria ser penalizado.”
Colunistas
Quando a proteção ambiental deixa de ser fiscalização e passa a ser parceria
A aproximação entre a Polícia Militar Ambiental e os produtores rurais fortalece a segurança, a preservação dos recursos naturais e o desenvolvimento sustentável em Santa Catarina.

A Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina desempenha um papel fundamental na proteção dos recursos naturais, na preservação da ordem pública e na promoção da segurança das comunidades urbanas e rurais. Trata-se de uma instituição que reúne preparo técnico, compromisso com a legislação e profundo senso de responsabilidade com as atuais e futuras gerações. Sua atuação vai muito além da fiscalização ambiental. Ao proteger florestas, mananciais e a biodiversidade, combater crimes ambientais, atuar em situações de emergência, monitorar o território com o apoio de tecnologias modernas e desenvolver ações educativas, a corporação contribui diretamente para o desenvolvimento sustentável de Santa Catarina.

Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC).
Para o setor produtivo rural, a Polícia Militar Ambiental tem se consolidado, cada vez mais, como uma parceira estratégica. O campo catarinense depende da harmonia entre produção e preservação ambiental, e essa relação somente se fortalece quando há diálogo, orientação e cooperação. Nesse aspecto, é importante reconhecer os avanços conquistados nos últimos anos, especialmente a partir de uma gestão pautada pela aproximação institucional, pelo equilíbrio e pela construção de pontes entre os produtores rurais e as forças de proteção ambiental.
A realidade atual demonstra que a confiança mútua produz resultados mais consistentes do que qualquer relação baseada exclusivamente na fiscalização. O produtor rural catarinense tem mostrado, ao longo do tempo, seu compromisso com a preservação dos recursos naturais e com o cumprimento da legislação. Quando encontra orientação adequada e canais permanentes de diálogo, torna-se um aliado ainda mais importante na defesa do meio ambiente e na promoção da sustentabilidade.
Nesse contexto, merecem destaque iniciativas que aproximam a Polícia Militar Ambiental das comunidades rurais. Um exemplo é a Operação Campo Seguro, desenvolvida em parceria com a Polícia Militar, que reforça a presença das forças de segurança no meio rural, combate crimes que afetam diretamente os produtores, como o furto de gado, e amplia a sensação de proteção das famílias que vivem e trabalham no campo. A presença policial, aliada ao diálogo e ao conhecimento da realidade rural, contribui para prevenir delitos, fortalecer vínculos e ampliar a confiança da população nas instituições responsáveis pela segurança pública.
Outro exemplo de grande relevância é o Programa Protetor Ambiental Rural (PROA Rural), iniciativa do Comando de Polícia Militar Ambiental desenvolvida em parceria com o Sistema Faesc/Senar. O programa representa um modelo moderno de atuação preventiva e educativa, voltado à disseminação de conhecimentos sobre legislação ambiental, práticas sustentáveis e preservação dos recursos naturais. Mais do que orientar, o PROA Rural promove integração, aproxima instituições e fortalece a consciência ambiental nas comunidades rurais.
Inspirado no tradicional Programa Protetor Ambiental, que há anos forma jovens multiplicadores de boas práticas ambientais em diversas regiões catarinenses, o PROA Rural amplia esse trabalho ao envolver diretamente produtores, trabalhadores rurais, crianças e adolescentes. Por meio de atividades teóricas e práticas, contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e comprometidos com a preservação da fauna, da flora e dos recursos naturais que sustentam a atividade agropecuária.
A experiência demonstra que a prevenção, a educação e a proximidade são ferramentas indispensáveis para a construção de um ambiente rural mais seguro, produtivo e sustentável. Quando o produtor se sente respeitado, ouvido e orientado, fortalece seu compromisso com a legalidade e com a preservação ambiental. Da mesma forma, a Polícia Militar Ambiental amplia sua capacidade de atuação ao contar com o apoio e a colaboração daqueles que conhecem profundamente a realidade do campo.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) reconhece a importância dessa parceria e reafirma seu compromisso de seguir trabalhando lado a lado com a Polícia Militar Ambiental em iniciativas que promovam segurança, educação ambiental e desenvolvimento sustentável. O fortalecimento dessa cooperação é essencial para que Santa Catarina continue sendo referência nacional tanto na produção agropecuária quanto na preservação dos recursos naturais.
A Polícia Militar Ambiental é, sem dúvida, um patrimônio dos catarinenses. Sua presença firme, técnica e equilibrada contribui para proteger o meio ambiente, garantir a segurança das famílias rurais e assegurar condições para que o setor agropecuário continue produzindo riqueza, oportunidades e desenvolvimento. O diálogo permanente, o respeito mútuo e a cooperação institucional são os caminhos para consolidar essa relação e construir um futuro cada vez mais sustentável para o campo catarinense.



