Avicultura
Embargos internacionais derrubam preço da carne de frango no Brasil
Após caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul, exportações recuam e excesso de oferta interna pressiona margens da indústria avícola.

Os reflexos do caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) registrado no Rio Grande do Sul em 16 de maio começaram a pesar no mercado interno de carne de frango. A suspensão temporária das compras por diversos países importadores reduziu os embarques e direcionou volumes adicionais ao mercado doméstico, provocando forte queda nos preços e pressionando as margens da indústria. Sem novos casos, o Brasil se autodeclarou livre da doença em 18 de junho, quando completou os 28 dias do vazio sanitário na granja infectada, e aos poucos as exportações devem ser retomadas.

Foto : Jonathan Campos
De acordo com dados do Cepea, o valor da carne de frango atingiu R$ 8,81/kg na data do registro do foco da doença. Desde então, os preços recuaram 16,3% até 16 de junho, chegando a R$ 7,37/kg, nível próximo ao registrado há um ano, o que evidencia a fragilidade do mercado diante das restrições sanitárias impostas por parceiros comerciais.
Com a desaceleração das exportações, os embarques totais de carne de frango in natura em maio somaram 336 mil toneladas, o que representa quedas de 17,4% em relação a abril deste ano e de 21,9% frente a maio de 2024. Além disso, o preço médio da carne embarcada recuou 1,9% no comparativo mensal. Na parcial de junho, até a segunda semana, a previsão é de retração ainda maior: queda de 25,3% nos volumes e de 3,3% nos preços médios em dólares, em relação ao mesmo mês do ano anterior.
O impacto também se refletiu no spread de rentabilidade. Em maio, o indicador para o frango abatido ficou em 44%, acima da média dos últimos cinco anos (30%) e da média histórica desde 2006 (35%). Contudo, a perda de preço e a estabilidade dos custos vêm reduzindo essa margem. Em junho, a estimativa preliminar aponta recuo de 2% nos custos e queda de 13% no preço da ave, o que reduz o spread para 36%.

Foto: Divulgação/Anffa Sindical
A produção, por sua vez, ainda não mostrou sinais claros de ajuste. Dados do Serviço de Inspeção Federal (SIF) indicam uma queda de 4% nos abates em abril, seguida de um aumento de 7% em maio, frente aos mesmos meses de 2024. No primeiro trimestre deste ano, segundo o IBGE, o setor já havia registrado alta de 2,3% frente ao mesmo período do ano anterior.
Apesar disso, há expectativa de redução nos alojamentos de pintos de corte em junho, o que, se confirmado, deve levar a uma oferta mais ajustada de frangos abatidos a partir da segunda quinzena de julho, considerando o ciclo médio de produção de cerca de 45 dias.
Com um cenário desafiador no mercado externo e excesso de produto no mercado doméstico, a avicultura brasileira atravessa um momento de ajuste, no qual os próximos movimentos dependerão do ritmo de retomada das exportações e da capacidade do setor em equilibrar oferta e demanda interna.

Avicultura
Queda da demanda pressiona preços dos ovos na segunda quinzena de junho
Com consumo enfraquecido no fim do mês, produtores reduzem valores para manter o escoamento e já avaliam ajustes na oferta para o período de férias escolares.

Após um período de estabilidade na primeira metade de junho, o mercado de ovos registrou desaceleração nas negociações e voltou a apresentar queda nas cotações nas regiões monitoradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Foto: Shutterstock
Segundo o centro de pesquisas, a retração da demanda pela proteína, comportamento comum na segunda quinzena do mês, aumentou a pressão sobre os preços. Diante do ritmo mais lento das vendas, produtores passaram a conceder descontos para garantir o escoamento da produção.
A atenção do setor agora se volta para julho, quando o período de férias escolares costuma reduzir ainda mais o consumo de ovos. Com expectativa de demanda enfraquecida, agentes de mercado acompanham de perto a evolução das vendas e avaliam estratégias para equilibrar a oferta.
Em algumas regiões, produtores já relatam a programação do descarte de poedeiras mais velhas como forma de reduzir a disponibilidade de ovos no mercado interno e minimizar quedas mais acentuadas nas cotações nas próximas semanas, conforme apontam pesquisadores do Cepea.
Avicultura Pelo terceiro mês seguido
Poder de compra do avicultor paulista cresce com alta do frango e queda dos insumos
Valorização do frango vivo e recuo nos preços do milho e do farelo de soja ampliam a capacidade de compra dos produtores em junho, segundo levantamento do Cepea.

O poder de compra do avicultor paulista registrou nova melhora em junho e acumula três meses consecutivos de crescimento, impulsionado pela combinação entre a valorização do frango vivo e a redução dos custos com os principais insumos da atividade: milho e farelo de soja. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Foto: Shutterstock
Na parcial de junho, considerando os dados até o dia 24, o frango vivo negociado no estado de São Paulo apresentou média de R$ 5,12 por quilo, aumento de 1,1% em relação à média registrada em maio. De acordo com pesquisadores do Cepea, embora o mercado tenha mantido trajetória positiva, o ritmo de valorização perdeu força após a expressiva alta observada entre abril e maio, reflexo de uma demanda ligeiramente mais fraca por novos lotes de animais.
Ao mesmo tempo, os custos de alimentação recuaram. Segundo a equipe de Grãos do Cepea, a queda no preço do milho está relacionada ao comportamento mais retraído dos compradores durante o período de safra, enquanto o farelo de soja tem sido pressionado pela maior disponibilidade do produto no mercado.
Com esse cenário, a relação de troca ficou mais favorável ao produtor. Em junho, a venda de um quilo de frango vivo permitiu a compra de 4,82 quilos de milho, volume 3,9% superior ao registrado em maio. No caso do farelo de soja, o avicultor passou a adquirir 3,06 quilos do derivado por quilo de frango comercializado, aumento de 3,7% na comparação mensal e o melhor resultado desde novembro de 2025.
Avicultura
Casal cria galinheiro inspirado em disco voador; veja vídeo
Construído com antenas parabólicas reaproveitadas e equipada com isolamento térmico, controle de temperatura e sistema para facilitar o manejo, estrutura criada por casal dos Estados Unidos combina funcionalidade e humor.

Um casal do estado de Idaho, nos Estados Unidos, encontrou uma maneira pouco convencional de unir a criação de galinhas ao interesse por ficção científica. Em vez de um galinheiro tradicional, os dois desenvolveram uma estrutura em formato de disco voador que cria a ilusão de que as aves estão sendo abduzidas por alienígenas, especialmente durante a noite.

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
O projeto voltou a ganhar repercussão nas redes sociais após imagens da construção circularem novamente na internet. Embora tenha aparência lúdica, a chamada ‘galinave’ foi idealizada para atender às necessidades práticas da criação de aves, reunindo soluções para conforto térmico, segurança e facilidade de manutenção.
A base da estrutura foi montada com duas antigas antenas parabólicas de aproximadamente três metros de diâmetro cada. A partir desse esqueleto, o casal realizou adaptações para impermeabilização, ventilação, coleta de ovos e limpeza interna.

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
As janelas foram produzidas com cúpulas acrílicas originalmente utilizadas em câmeras de segurança. O piso foi rebaixado por meio da instalação de um círculo de madeira de cerca de 2,4 metros de diâmetro, enquanto o isolamento térmico recebeu aplicação de espuma para reduzir os efeitos das baixas temperaturas no inverno.
Estrutura alia criatividade e soluções para o manejo
Além da porta de acesso das galinhas, a construção ganhou uma escotilha destinada à retirada dos ovos e às atividades de limpeza, contribuindo também para a circulação de ar. O teto recebeu revestimento impermeável e pintura com tinta de alumínio, escolhida tanto pelo aspecto visual semelhante ao de uma nave espacial quanto pela capacidade de refletir a luz solar e ajudar a reduzir o aquecimento durante o verão.
Para minimizar o risco de ataques de predadores, o galinheiro foi instalado sobre a base

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
reaproveitada de um trampolim, elevando a estrutura do solo e reforçando o efeito de um objeto flutuando.
Os acabamentos incluíram ninhos, sistemas de abertura para manutenção e iluminação instalada na parte inferior da estrutura.
À noite, as luzes simulam um feixe luminoso semelhante ao frequentemente retratado em filmes sobre extraterrestres, criando a impressão de que as galinhas estão sendo sugadas para o interior da nave.

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
Posteriormente, o casal incorporou um sistema de controle de temperatura baseado em uma placa Raspberry Pi, permitindo o monitoramento e o ajuste remoto das condições internas pela internet.
Projeto foi publicado com tutorial e voltou a repercutir
A ‘galinave’ foi apresentada originalmente em 2021 no fórum Backyard Chickens, plataforma dedicada a criadores e entusiastas da avicultura doméstica. Na ocasião, os responsáveis compartilharam imagens do resultado final e um tutorial detalhando as etapas da construção e os materiais utilizados.
Nos últimos dias, o projeto voltou a circular nas redes sociais, chamando atenção pela combinação

Foto: Reprodução/Backyard Chickens
entre reaproveitamento de materiais, soluções técnicas para o manejo das aves e uma estética inspirada na cultura pop.
O caso se destaca por transformar um equipamento voltado à produção doméstica em uma instalação criativa que desperta curiosidade muito além do universo da avicultura.



