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Embargo não afeta empregos e rotina em cooperativa do Paraná

Mesmo com a unidade industrial na lista de frigoríficos proibidos de exportar à UE, diretor-presidente da cooperativa afirma que não há risco de demissões ou parada de trabalho

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"Foi uma infelicidade muito grande. Não o trabalho de fiscalização em si, mas a forma como foi divulgado o procedimento. Nenhum país do mundo faria o que o Brasil fez. Parece que foi uma tentativa de destruição da produção brasileira”. A afirmação é de Ricardo Chapla, diretor-presidente da Cooperativa Agroindustrial Copagril, um dos 20 estabelecimentos exportadores brasileiros de frango que foram retirados da lista geral das empresas autorizadas a vender aves à União Europeia. 

Chapla afirma que não é o primeiro e nem será o último a afirmar que, no Brasil, “se fez um negócio totalmente errado”, critica. “O Brasil não tem uma estratégia. Parece que cada um quer aparecer mais que o outro e acaba por prejudicar o todo”, declarou à reportagem de O Presente. 

Instalada em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, desde 2005, atualmente a Unidade Industrial de Aves (UIA) emprega cerca de 1,8 mil pessoas. No ano passado, de acordo com Chapla, a Copagril foi responsável por 40% do total de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) gerados localmente. 

Desde a instalação da indústria, pontua o diretor-presidente da cooperativa, a Unidade Industrial de Aves foi conquistando habilitação para exportação a diversos países. “Uma das primeiras foi a lista geral, na qual entram diversos países, porém também conquistamos diversas habilitações especiais, como é o caso da União Europeia, México, China, Rússia, Japão, países do Oriente Médio, entre outros”, enaltece.

Ele diz que atualmente a empresa possui negócios com mais de 50 países, sendo que os maiores volumes de exportações de carne de frango são destinados ao Japão e à China. 

Expressividade

Conforme o diretor-presidente da Copagril, no ano passado, a indústria rondonense foi uma das últimas empresas suspensas para exportar o peito salgado para a União Europeia – um dos itens que é enviado ao bloco. “Este é o item que mais remunera. Porém, nós continuamos enviando os demais itens que processamos”, salienta. “Os envios à União Europeia, do total de exportações da Copagril, não chegam a 7%. O restante vai para outros mercados”, revela. 

Seja por desconhecimento de como funciona o mercado do frango ou pela forma como a deslistagem de exportação da carne de frango brasileira ao bloco foi divulgada, Chapla explica que não há possibilidade de a Unidade Industrial de Aves parar o trabalho da planta frigorífica ou de ocorrerem demissões. “Os nossos colaboradores, assim como produtores e a comunidade não precisam se preocupar com desemprego ou parada de produção. Nos últimos meses, inclusive, temos ampliado nossa quantia de exportação”, enfatiza o diretor-presidente da Copagril. 

Tanto o trabalho na Unidade Industrial de Aves quanto a produção dos associados, explica, está ocorrendo normalmente e a cooperativa continua atuando dentro do seu planejamento. “Simplesmente poderíamos ter uma remuneração de uma parte do frango um pouco maior e não temos, mas estamos trabalhando junto a entidades como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) para reverter este cenário”, garante. 

Questão comercial

Na visão do diretor-presidente da cooperativa, o embargo foi uma questão totalmente comercial e não sanitária. “O Brasil, salvo algumas exceções, possui um controle sanitário excelente e não somente na produção de carne de frango, mas de suínos e bovinos também. Considero que temos uma das melhores produções de carnes do mundo e adotaram o nome de uma operação que não condiz com a realidade brasileira”, opina ele. 

Chapla afirma que ao passo em que se orgulha da produção brasileira de proteína animal, especialmente da paranaense, também é totalmente favorável à fiscalização, pois assim como exige a qualidade daquilo que produz e comercializa por parte da Copagril, acredita que o mesmo deve ocorrer pelas demais empresas. “Todavia, se há irregularidades em um ou dois lugares, esses locais devem ser punidos, mas não deve ser generalizado que toda a carne do Brasil é fraca, porque ela não é. Nós conhecemos a produção lá de fora, vemos como ocorre e inclusive já entramos em frigoríficos de outros países e por isso afirmamos que nós não brincamos em serviço”, reforça. 

Cenário nacional

O vice-presidente de mercados da ABPA, Ricardo Santin, afirma que a decisão do bloco europeu é considerada lamentável e “baseada em puro protecionismo escondido”. “A decisão, que é infundada, não se ampara em riscos sanitários ou de saúde pública. Nada mais é que uma medida desproporcional e em critérios inconsistentes diante das regras estabelecidas pelo Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC)”, declarou ao O Presente.

Santin aponta que esta questão, no entanto, não é recente e há tempos a ABPA estudava a proposição ao governo brasileiro de um painel junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). “Nossos questionamentos se referem aos critérios determinados para os embarques de produtos salgados (com apenas 1,2% de sal adicionado), que são obrigados a cumprir critérios de análises para mais de 2,6 mil tipos de Salmonella. Para que se tenha uma ideia, os produtos estritamente in natura (sem sal adicionado) são avaliados apenas pelos resultados das análises para dois tipos de Salmonella”, compara.

Baseado neste fato, ele comenta que é possível que 30% do comércio com a União Europeia seja impactado, o que nos patamares atuais de preços devem gerar perdas na casa dos US$ 300 milhões. “As empresas já falam perdas de postos de trabalho”, assinala. 

O vice-presidente de mercados da ABPA explica que para tentar reverter este cenário a Associação encomendou um estudo que embasará o painel que o Brasil poderá apresentar na OMC contra a União Europeia, conforme já anunciado em coletiva pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi. “Além do próprio painel na OMC, o setor tem pleiteado ações incisivas do governo nas tratativas com o bloco europeu, o que tem sido efetivado pelo próprio Ministério da Agricultura. Há expectativa de avanços nas negociações bilaterais entre as autoridades brasileiras e europeias, especialmente por se tratar de questões que de fato não são sanitárias”, menciona Santin. 

Impacto interno

Ele avalia que a decisão da União Europeia provocou impactos no mercado interno, assim como o diretor-presidente da Copagril, que afirma que o mercado interno do frango está “péssimo e com o frango quase de graça”. “Acreditamos que chegamos ao fundo. Agora a tendência é de melhora de cenário. Com o milho em alta, empresas do setor optaram por reduzir os níveis de produção, o que diminuirá a oferta interna e reequilibrará os preços dos produtos”, ressalta Santin. 

Algumas plantas frigoríficas, conforme a ABPA, anunciariam férias coletivas em vista ao impacto do embargo, como a BRF e a Aurora Alimentos. “Por enquanto, tivemos apenas férias coletivas anunciadas. Mas empresas do setor já informaram que se tal cenário perdurar, até 15 mil postos de trabalho poderão ser atingidos”, lamenta Santin. 

Reacomodação da cadeia produtiva

Apesar das ações, o vice-presidente de mercados da ABPA expõe que ainda não é possível falar no prazo em que a União Europeia coloque as plantas brasileiras novamente na lista de países aptos a exportar para o bloco. “É esperado que ocorra uma reacomodação do cenário, estabilizando e melhorando paulatinamente o cenário da cadeia produtiva”, aponta. 

Santin enfatiza que é importante destacar para a população que a questão está toda em torno da Salmonella spp, que não representa qualquer risco para o consumidor europeu, já que são produtos direcionados para o processamento – o que, necessariamente, prevê o cozimento e a eliminação da Salmonella. “Tanto é que, anteriormente, as próprias autoridades europeias fiscalizavam esta questão de forma randômica”, esclarece.  

Na prática, se pegássemos um peito de frango, salgássemos metade e deixássemos a outra metade sem sal, a metade sem adição de sal entraria no bloco europeu sem qualquer problema. “E não há qualquer problema sanitário no uso do sal. Tudo se trata de critério: sem sal, o produto é avaliado por apenas dois tipos de Salmonella. Se adicionar, sal, passam a ser 2,6 mil tipos”, exemplifica o vice-presidente de mercados da ABPA. “A Salmonella sp não é um problema de saúde pública. Não é hábito consumir carne de frango crua. E basta cozinhar o produto por 15 segundos a 70º para eliminar a bactéria”, reforça Santin.

Apoio

Por meio de nota oficial, o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar) afirma que as consequências da decisão do bloco europeu são inevitáveis, já que esses países são destinos importantes para os produtos avícolas do Estado e do país. “O sindicato ainda aguarda a divulgação dessa lista oficial pela autoridade sanitária da União Europeia com o nome dos frigoríficos para mensurar reflexos exatos no setor e apoia os esforços do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), assim como da ABPA, na busca por meios diplomáticos e jurídicos para estudo de painel contra o bloco europeu”, diz a nota.

Fonte: O Presente

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Itaipu avalia potencial de ampliar geração com energia solar no reservatório

Estudos indicam capacidade teórica relevante ainda dependente de avanços técnicos regulatórios.

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O reservatório de água da usina de Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai, na Região Sul do país, possui cerca de 1,3 mil quilômetros quadrados (km²) de perímetro, com quase 170 km de extensão, desde a barragem até o lado oposto, e uma largura média de 7 km entre as margens direita e esquerda.

Toda a capacidade hidrelétrica contida na área inundada do Rio Paraná, que move turbinas que geram até 14 mil megawatts (MW) de energia elétrica, também pode ser aproveitada para gerar eletricidade a partir de painéis solares instalados justamente sobre o espelho d’água. Esse é o experimento que vem sendo estudado por técnicos brasileiros e paraguaios desde o fim do ano passado.

Ao todo, foram instalados 1.584 painéis fotovoltaicos em uma área de menos de 10 mil metros quadrados (m²) sobre o lago, a apenas 15 metros de um trecho da margem no lado paraguaio, com profundidade de aproximadamente 7 metros.

A planta solar de Itaipu tem capacidade de gerar 1 megawatt-pico (MWp), unidade de medida para a capacidade máxima de geração de energia. Essa energia é equivalente ao consumo de 650 casas e só é utilizada para consumo interno, sem comercialização e sem ligação direta com a rede de geração hidrelétrica.

Na prática, o objetivo atual da “ilha solar” de Itaipu é funcionar como um laboratório de pesquisa para futuras aplicações comerciais. Os engenheiros envolvidos no projeto analisam todos os aspectos, como a interação das placas com o ambiente, incluindo eventuais impactos no comportamento de peixes e algas, na própria temperatura da água, influência dos ventos sobre o desempenho do painéis, a estabilidade da estrutura, dos flutuadores e da ancoragem com o solo.

A ideia, no futuro, é expandir a geração de energia elétrica por esta via, algo que precisará ser atualizado no próprio Tratado de Itaipu, assinado em 1973 entre Brasil e Paraguai e que viabilizou a colossal obra de engenharia compartilhada. “Se falarmos em um potencial bem teórico, uma área de 10% do reservatório, coberta com placas solares, seria o mesmo que outra usina de Itaipu, em termos de capacidade de geração. Claro que isso não está no planos, pois seria uma área muito grande e depende ainda de muitos estudos, mas mostra o potencial dessa pesquisa”, apontou o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Rogério Meneghetti.

Estimativas preliminares indicam que seriam necessários pelo menos quatro anos de tempo de instalação para atingir uma geração solar de 3 mil megawatts (algo como 20% da capacidade instalada da hidrelétrica atualmente).

O investimento é de US$ 854,5 mil (cerca de R$ 4,3 milhões na cotação atual). As obras de instalação foram tocadas por um consórcio binacional formado pelas empresas Sunlution (brasileira) e Luxacril (paraguaia), vencedor da licitação.

Uma usina, muita fontes

A diversificação de fontes de energia na Itaipu Binacional não se limita aos estudos em energia solar, mas envolve projetos ousados com hidrogênio verde e baterias.

Essas iniciativas estão em desenvolvimento no Itaipu Parquetec, um ecossistema de inovação e tecnologia, criado em 2003 pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu (PR). Conta com parceria de universidades e empresas públicas e privadas e já formou mais de 550 doutores e mestres em diferentes áreas.

Ali, funciona o Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio, que desenvolve o hidrogênio verde. O hidrogênio é denominado “verde”, ou sustentável, porque ele pode ser obtido sem emissão de gás carbônico (CO₂), causador do efeito estufa e, por consequência, do aquecimento global.

A técnica usada no Itaipu Parquetec é o processo da eletrólise da água, que promove a separação dos elementos químicos a partir de moléculas como a da água (H₂O), por meio do uso de equipamentos em processos químicos automatizados feitos em laboratórios.

Foz do Iguaçu (PR), 14/04/2026 - Itaipu Parquetec, centro tecnológico de inovação que integra entidades como instituições de ensino, empresas e órgãos governamentais, da Itaipu Binacional. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Foz do Iguaçu (PR), 14/04/2026 – Itaipu Parquetec, centro tecnológico de inovação da Itaipu Binacional. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O hidrogênio verde é versátil e pode servir como insumo sustentável para a cadeia de produção industrial, incluindo siderúrgica, química, petroquímica, agrícola, alimentícia entre outras, e como combustível para o mercado de energia e transporte. Em Itaipu, uma planta de produção do hidrogênio verde serve como uma plataforma para desenvolvimento de projetos-piloto.

“Nós somos uma plataforma tecnológica, então trabalhamos para atender, por exemplo, projetos de pesquisa [científica] ou projetos para indústria nacional. Existem algumas empresas nacionais que estão fazendo seus desenvolvimentos de carreta [movida] a hidrogênio, de ônibus a hidrogênio, por exemplo. Aqui é o lugar para testar e validar esses projetos”, explica Daniel Cantani, gerente do Centro de Tecnologia de Hidrogênio do Itaipu Parquetec.

Uma dessas iniciativas foi apresentada durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, quando um barco movido a hidrogênio, a partir de uma pesquisa no Itaipu Parquetec, foi entregue para atuar na coleta seletiva das comunidades ribeirinhas no entorno da capital paraense.

Outro destaque no Itaipu Parquetec é um centro de gestão energética, que alavanca pesquisas na área de desenvolvimento de células e protótipos para fabricação e reaproveitamento de baterias, para o armazenamento de energia, especialmente em sistemas estacionários, voltados para empresas ou outras estações fixas, que demandam, por exemplo, uma reserva energética.

Biogás e SAF

A Itaipu também vem apostando na geração de biogás a partir de resíduos orgânicos gerados pelos restaurantes espalhados por diferentes alas da usina e de materiais apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA-Vigiagro), em fiscalização de fronteira.

Tudo isso, em vez de ser descartado em aterro, transforma-se em biogás e biometano.

A convite da Itaipu Binacional, a Agência Brasil acompanhou, no último dia 13 de abril, a reinauguração da Unidade de Demonstração de Biocombustíveis que fica no complexo da usina. O local é gerido pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), uma empresa fundada por Itaipu voltada a soluções na área de combustível limpo.

Por um processo de biodigestão realizado em grandes tanques, alimentos oriundos de contrabando e outros resíduos orgânicos gerados na região são transformados em combustível limpo, capaz de abastecer carros que circulam dentro de Itaipu, abastecidos por meio de cilindros de gás instalados nos veículos.

Foz do Iguaçu (PR), 13/04/2025 - Unidade de Produção de Hidrocarbonetos Renováveis e de Demonstração de Biocombustiveis da Usina Itaipu Binacional. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Foz do Iguaçu (PR), 13/04/2026 – Unidade de Produção de Hidrocarbonetos Renováveis e de Demonstração de Biocombustíveis da Usina Itaipu Binacional. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em quase nove anos de operação, segundo a usina, foram processadas mais de 720 toneladas de resíduos orgânicos, volume que resultou na geração de biometano suficiente para percorrer cerca de 480 mil quilômetros, o equivalente a 12 voltas ao redor da Terra.

A planta também desenvolve, de forma experimental, o bio-syncrude, um óleo sintético que pode ser usado na produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação, na sigla em inglês).

“Eu acredito que nos próximos 10 anos, nós vamos ver muito sobre os combustíveis avançados. Vamos ouvir muito sobre o hidrogênio, sobre o SAF, inclusive por conta da lei de combustíveis futuro, que vem aí com mandato. Biometano e SAF são os assuntos do momento”, destaca Daiana Gotardo, diretora técnica do CIBiogás.

Fonte: Agência Brasil
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Queda do petróleo impacta diretamente os preços do milho no mercado internacional

Desvalorização da commodity energética diminui margens do etanol reduz sustentação dos preços.

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Foto: Shutterstock

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, em março, o cereal registrou valorização tanto na Bolsa de Chicago (CBOT) quanto no mercado brasileiro. No exterior, o avanço foi sustentado principalmente pela alta do petróleo, que melhora a rentabilidade das usinas de etanol nos Estados Unidos, além de incertezas geopolíticas e preocupações com os custos de insumos e os riscos para a safra americana 2026/27. Na média mensal, o milho em Chicago subiu 5,3%, alcançando US$ 4,53 por bushel.

No início de abril, porém, o cenário mudou. A queda do petróleo, influenciada por sinais de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã, reduziu a competitividade do etanol e pressionou as cotações do milho. Na média da primeira quinzena do mês, o preço recuou 0,5%, para US$ 4,50 por bushel.

Foto: Jaelson Lucas/AEN

No Brasil, o movimento de alta em março acompanhou o mercado internacional, mas também refletiu fatores internos, como o atraso no plantio da segunda safra em algumas regiões, a menor oferta de produtores focados na colheita da safra de verão e preocupações logísticas relacionadas ao aumento do diesel e dos fretes. Em Campinas, o milho teve alta de 4,4%, chegando a R$ 71 por saca.

Já em abril, os preços passaram a recuar com o avanço da colheita da primeira safra, a melhora das condições climáticas para a segunda safra e a queda do dólar. A valorização do real reduziu a paridade de exportação, desestimulando negócios nos portos e aumentando a cautela dos compradores domésticos, muitos já abastecidos. Na primeira quinzena do mês, as cotações em Campinas voltaram a ficar abaixo de R$ 70 por saca.

Até o momento, a segunda safra se desenvolve de forma positiva nas principais regiões produtoras. As chuvas recentes ajudaram a aliviar o estresse hídrico em áreas do oeste do Paraná. Atualmente, a maior parte das lavouras está em fase de desenvolvimento vegetativo, enquanto quase um terço, concentrado em Mato Grosso, já entrou na fase de floração, período de maior demanda por água.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Porto de Paranaguá concentra 70% das exportações brasileiras de óleo de soja

No período, o porto paranaense embarcou 386,3 mil toneladas do produto, 38% a mais que no mesmo período de 2025.

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Fotos: Claudio Neves/Portos do Paraná

O Porto de Paranaguá movimentou 70% das exportações brasileiras de óleo de soja entre janeiro e março de 2026, de acordo com o Comex Stat, sistema do governo federal que reúne dados sobre o comércio exterior. No período, o porto paranaense embarcou 386,3 mil toneladas do produto.

Segundo o centro de estatísticas da Portos do Paraná, o volume representa um crescimento de 38% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 280 mil toneladas. Os principais mercados compradores estão concentrados na Ásia e na África.

Somente no mês de março, a participação de Paranaguá nas exportações nacionais de óleo de soja atingiu 75,3%, com 135 mil toneladas embarcadas.

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

Em volume, a soja em grão foi a commodity que mais cresceu em movimentação nos portos paranaenses no primeiro trimestre de 2026. Foram 4,6 milhões de toneladas exportadas, segundo dados da Autoridade Portuária e do Comex Stat, o que representa uma em cada cinco toneladas das exportações brasileiras do produto.

O volume embarcado de soja em grão registrou crescimento de 12% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 4,1 milhões de toneladas.

“O nosso controle de qualidade e toda a dinâmica operacional garantem o reconhecimento internacional e a busca constante do mercado pelos portos paranaenses”, afirmou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Com o envio de 1,3 milhão de toneladas, o farelo de soja também se destacou nas exportações do trimestre, representando 25,6% do volume nacional — o segundo maior do País, mesmo com uma ligeira queda se comparado com o mesmo período de 2025.

Somente em março, foram embarcadas 700 mil toneladas, principalmente para a Ásia e a Europa, volume equivalente a mais de 30% das exportações brasileiras.

Movimentação em geral

No acumulado até março, os portos paranaenses movimentaram 16,7 milhões de toneladas. Houve redução nas exportações de açúcar, impactadas pela queda nos preços internacionais e pelo aumento dos estoques globais.

A exportação de milho também apresenta retração, já que parte da produção tem sido direcionada ao mercado interno para a fabricação de etanol, combustível alternativo ao petróleo. Esse movimento está relacionado ao cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas, como o conflito entre Estados Unidos e Irã.

Essas condições internacionais também começam a impactar a importação de fertilizantes. O Paraná é a principal porta de entrada desses insumos no Brasil. No primeiro trimestre do ano passado, foram importadas 2,7 milhões de toneladas, enquanto, no mesmo período de 2026, o volume caiu para 2,2 milhões de toneladas.

Por outro lado, a importação de malte registrou alta de 227%, enquanto a cevada cresceu 10%. Já os derivados de petróleo apresentaram aumento de 9% nas importações em relação a 2025.

Fonte: AEN-PR
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