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Em meio à pandemia, uma janela

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A natureza das emergências faz com que processos históricos, mudança de paradigmas ou falência de crenças avancem muito rapidamente. Durante a emergência, novas percepções da realidade quebram preconceitos, decidem desapegos ou aceitam rupturas, às vezes em horas ou dias, quando na vida normal levaria tempo para isso acontecer, se é que aconteceria.

Agora mesmo, na crise da pandemia, observa-se isso. Escolas do fundamental ao superior fecham e vão para online. Milhões vão trabalhar em casa e comunicam-se apenas à distância. O Congresso autoriza o descumprimento do teto de gastos e recebe aplausos. Decisões que, em tempos normais, teriam pelo menos algum grau de discordância de instituições, empresas, governos ou opinião pública.

Mas os tempos não são normais e a pandemia bem pode representar um ponto de inflexão em valores, padrões e crenças. Pode estar acontecendo algo assim com a ciência, que nas últimas décadas vinha enfrentando desgastes de credibilidade, na percepção de parte das pessoas. O próprio agro tem feito uma cruzada pela primazia da ciência nas discussões sobre alimentos e produção do campo, mas sem avanços sensíveis na persuasão dos resistentes.

Agora com a pandemia, e sob a forte carga emocional que a situação traz, quando instigadas a escolher entre autonomia e saúde as pessoas escolhem saúde. E isso vem se traduzindo na busca de informações de base científica sobre o enfrentamento do Covid-19. Uma espécie de cidadania da saúde, pois informação correta, com lastro na ciência, significa empoderamento para cuidar da própria saúde e fazer escolhas conscientes e seguras.

Para fazer a coisa certa, enfim, as pessoas estão recorrendo à ciência. Prova disso são as ruas desertas nas grandes metrópoles e a menor repercussão de receitas fantasiosas e milagrosas como panaceia contra o vírus, que sempre inundam a internet nessas ocasiões. A confiança popular na ciência, que vinha perdendo certo fôlego nos últimos tempos, talvez esteja sendo em parte restaurada, em poucas semanas.

O que mostra que em momentos de crise, principalmente aquelas que tocam nossa humanidade, as mentes e os corações podem mudar rapidamente. Como se de uma hora para outra fosse resgatado um elo de confiança perdido, sugerindo que pode estar nascendo um momento favorável à recuperação da confiança das pessoas na ciência como pilar essencial.

E aqui fica uma provocação para reflexão: talvez este momento seja uma oportunidade para alimentar as pessoas com informações corretas, bem narradas e de lastro científico sobre alimentação, saúde, segurança e sustentabilidade do alimento, bem-estar animal, Amazônia. Tudo com ciência, mas sem ranço científico na comunicação. Em seu lugar, a empatia e o compartilhamento dos valores das pessoas. Aliás, tecnologia é fator de credibilidade, sim; mas o que sedimenta confiança é compartilhamento de valores.

Não é tarefa heroica para um só emissor. É trabalho para muitos, por um bom tempo e usando todas as ferramentas e canais que o século 21 nos dá para fazer isso. E o mais importante: de forma coordenada, conceitualmente alinhada e olhando os mesmos objetivos. Nem precisa ter um só chefe. Muito pelo contrário, pois nesse desafio a pluralidade vai ser essencial. Mas o espírito de tudo tem que ser um só, unificado.

Fonte: Por Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor da ESPM.
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Notícias Para especialista

Milho do Brasil pode ter chance na China com mudanças após peste suína

Milho do Brasil, segundo exportador global deste cereal, poderá ter oportunidades de ingressar no mercado da China

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Divulgação/AENPr

O milho do Brasil, segundo exportador global deste cereal, poderá ter oportunidades de ingressar no mercado da China, que atualmente já é a maior compradora de uma série de produtos agrícolas brasileiros, com o país asiático realizando uma reforma no sistema produtivo após impacto da peste suína africana, disse um respeitado especialista.

Marcos Jank, titular da cátedra Luiz de Queiroz de Sistemas Agropecuários Integrados no ciclo 2019-20 —entregue nesta quarta-feira ao ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli—, disse que a China passará a investir mais em sistemas modernos de produção de suínos, reduzindo granjas de fundo de quintal, o que demandará mais matérias-primas como milho e soja para as criações.

Segundo Jank, a China que responde por metade da produção global de carne suína está “eliminando o porco do fundo de quintal”, as pequenas criações que colaboraram com a disseminação da peste suína africana, que dizimou o rebanho asiático.

“Ela passa para granjas modernas, e essas granjas consomem milho e soja, quando sai da granja de quintal”, ressaltou ele, durante evento transmitido pela internet, que marcou também o lançamento do livro “Parceria Brasil-China em Agricultura e Segurança Alimentar”.

A China, maior importador global de soja, que responde por mais de 80% das exportações brasileiras da oleaginosa, é um comprador menos relevante de milho, uma vez que possui uma grande produção local, lembrou Jank.

No caso do cereal, embora o Brasil seja um grande exportador atrás apenas dos Estados Unidos, não costuma vender aos chineses. “Acho que temos oportunidade de sermos fornecedores de milho para China, acho que é próximo produto…”, ressaltou ele, destacando ainda que o Brasil já é o principal exportador de diversas mercadorias agrícolas aos chineses, como carnes, e poderia ofertar milho também.

“Acho que trigo e arroz é mais complicado, pela segurança alimentar… Mas há também oportunidades de o Brasil exportar lácteos e peixes, produtos cujo consumo cresce fortemente lá.”

Para o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa, que também participou da palestra pela internet, o aumento expressivo registrado nas exportações agrícolas do Brasil para a China foi fruto de um “casamento entre o desenvolvimento da agricultura brasileira e a necessidade de segurança alimentar da China”.

Ele citou ainda que alguns desses fatos de sucesso na relação Brasil-China aconteceram ao “acaso”, e avalia que uma melhor organização pode impulsionar ainda mais as relações comerciais entre os dois países. “Existe grande oportunidade para que o próximo capítulo possa ser feito de forma integrada, para potencializar os interesses de ambos”, comentou Pessôa, que é autor de um dos capítulos do livro.

Fonte: Reuters
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Notícias Brasil

Semeio de trigo no Sul é favorecido pelas chuvas em importantes regiões produtoras

Diante disso, estimativas já passam a indicar produção elevada

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Arquivo/OP Rural

O cultivo da nova safra de trigo segue avançando no Sul do País, devido ao clima favorável. Segundo agentes colaboradores do Cepea, choveu em importantes regiões produtoras do Brasil, melhorando a umidade do solo, o que deve fazer com que este início de junho seja marcado pela intensificação dos trabalhos no campo.

Diante disso, estimativas já passam a indicar produção elevada. Mas, enquanto isso, a escassez de trigo no mercado nacional e a demanda aquecida mantêm firmes as importações do cereal. Assim, o mercado doméstico segue operando com volume restrito e valores firmes.

Fonte: Cepea
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Notícias Opinião

Exportações brasileiras de carne suína in natura e a recuperação da China

Ano promissor para a suinocultura brasileira ficou em xeque, aguardando os possíveis desdobramentos

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Jairo Backes/Embrapa

 Artigo escrito por Alvimar Lana e Silva Jalles, médico veterinário e consultor de mercado da Asemg

O déficit de carnes na China, projetado para 2020, iniciou o ano em mais de 11 milhões de toneladas devido ao efeito da Peste Suína Africana/PSA que provocou importante redução no plantel daquele país. O número é tão grande que é capaz de afetar o mercado de todas as carnes no mundo inteiro, o que dirá o próprio mercado de carne suína em exportadores preferenciais como o Brasil.

No meio desse trajeto, uma pandemia como há mais de 100 anos não acontecia colocou tudo em suspense, deixando o planeta preocupado com sua saúde e sua economia. O ano promissor para a suinocultura brasileira ficou em xeque, aguardando os possíveis desdobramentos.

Em final de janeiro, quando a doença começava a se espalhar, o governo chinês colocou Wuhan e 14 outras cidades da província de Hubei em quarentena forçada, impedindo o movimento de mais de 60 milhões de pessoas. No ponto alto da crise, calcula-se que 780 milhões de chineses – mais da metade da população – estava sob algum tipo de restrição, sejam auto impostas ou determinadas pelo Estado. O isolamento social na própria China foi na nos meses de fevereiro e março.

Nós monitoramos as compras chinesas de carne suína através dos dados obtidos de seus principais fornecedores somados aos embarques para Hong Kong: Europa, Estados Unidos, Canadá e Brasil. Foi com alguma surpresa que, no mês de março, segundo mês das medidas de restrição na China devido à Covid-19, as vendas desses referidos países, somadas, bateram recordes de embarques. Esse evento está totalmente alinhado com a hipótese que defendemos de que os alimentos não são produtos de consumo facultativo e sim essenciais.

Agora, no fechamento das exportações de carne suína in natura do Brasil, do mês de maio, para todos os destinos, vemos um recorde absoluto de 90.722 toneladas. Isso representa 37,6% acima do recorde anterior que era de dezembro de 2019 de 65.927 toneladas. Notícias extraoficiais informam que as vendas já efetuadas para embarques em junho estão também em ritmo excepcional.

Paralelo a isso, também foram divulgados na China os dados da pesquisa do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), que subiu de 49,4 em abril para 50,7 em maio, de acordo com os dados divulgados pelo grupo de mídia Caixin, em parceria com o instituto de pesquisas Markit. O índice PMI tem por objetivo medir as expectativas em relação à economia como um todo, sendo feito em vários países. O valor de 50 é o ponto de inflexão que separa a economia em expansão ou em contração. Essa leitura, a mais alta dos últimos quatro meses, é reflexo da reabertura das empresas após o término da fase mais crítica da pandemia de coronavírus no país.

A divulgação dos dados confirmou ainda que esse mês registrou o maior aumento na produção desde janeiro de 2011, graças à retomada. Isso é muito positivo para o ritmo das importações chinesas de carne suína e seus efeitos benéficos ao setor, no Brasil.

Fonte: Assessoria
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