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Em encontro técnico, quatro estados do Codesul discutem planejamento integrado
Objetivo é promover o desenvolvimento integrado entre Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, que respondem por cerca de 18% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Representantes dos quatro estados que integram o Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) reuniram-se na última quinta-feira (31) no Palácio Iguaçu, em Curitiba (PR), para a apresentação da etapa VI do Planejamento Estratégico “Visão Regional 2040”. O objetivo é promover o desenvolvimento integrado entre Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, que respondem por cerca de 18% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Fotos: Ari Dias/AEN
Técnicos da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), contratada pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para desenvolvimento do projeto, apresentaram os indicadores estratégicos, metas e propostas para a região do Codesul. Por meio de um diagnóstico, foram identificadas as principais demandas, possibilidades e gargalos que podem ser desenvolvidos em conjunto para promoção do desenvolvimento integrado.
Segundo o vice-governador Darci Piana, por terem economias muito parecidas, é essencial o desenvolvimento de um plano conjunto entre os estados. “Os problemas são comuns. Questões de infraestrutura, de escoamento de produção, de competitividade, são todos assuntos que são muito similares para os estados. Então nada mais inteligente que a gente poder organizar, e pensar juntos o futuro da região, que terá desafios importantes para os próximos anos”, ressaltou.

Vvice-governador do Paraná, Darci Piana: “
O secretário do Planejamento do Paraná, Guto Silva, destacou que o plano de desenvolvimento integrado garantirá que as ações sejam perenes. “Nosso objetivo é amadurecermos instrumentos de longo prazo, para que isso possibilite que os futuros governantes dos estados possam ter uma bússola para seguir nesses próximos anos. É um processo de muita construção, de escuta, e agora estamos agrupando tudo isso numa lógica de planejamento”, afirmou. “O momento é de finalização desse processo para que a gente possa implementar”.
Ao todo, são 28 objetivos estratégicos, com 65 indicadores e metas, além de 166 propostas de ação para pôr em prática o que está sendo desenhado dentro do plano de desenvolvimento. Elas estão reunidas dentro de nove eixos, que tem como temas agronegócio, infraestrutura, enfrentamento às mudanças climáticas, combate à pobreza e desigualdades, energias renováveis, qualificação de serviços públicos e educação voltada às atividades portadoras de futuro.
Na última reunião de governadores do Codesul, em agosto deste ano, foi assinado um Termo de Cooperação entre as Defesas Civis dos estados para estabelecer mecanismos de apoio mútuo, visando a troca de informações hidrometeorológicas, a cooperação técnica e operacional nas atividades de prevenção, mitigação, preparação, resposta, recuperação e reconstrução em situações de desastres.
O secretário do Codesul pelo Paraná, Orlando Pessuti, salientou que o grupo técnico instituído em agosto trabalha na construção de uma sala de situação para atuar em casos de desastres. “Vamos trabalhar com os indicadores sociais, as questões ligadas à saúde, ao turismo, à mulher, à logística, à violência, além de levarmos adiante ações de defesa civil para combatermos os efeitos das mudanças climáticas que estão acontecendo, não só na nossa região, mas em todo o Brasil e pelo mundo afora”, explicou.
Durante a manhã, representantes das secretarias de Planejamento de cada estado discutiram as ações propostas e
possíveis melhorias em metas e indicadores, validando o estudo da Unisinos e apontando possíveis alterações e melhorias. Já na parte da tarde, os esforços se concentraram em como instrumentalizar as ações para colocá-las em prática e monitorá-las. “São os quatro estados pensando juntos num futuro melhor para toda a região. O Estado não como um mero passageiro da história, mas pautando e direcionando as ações de todo um território em prol do desenvolvimento que certamente virá de uma forma mais consistente com o planejamento a longo prazo”, acrescentou o coordenador da Comissão do Planejamento do Codesul, Thaner Castro Nogueira. “Acredito que isso vai levar nossos estados a realmente alcançarem todas essas metas que estão desenhadas.”
Segundo o professor da Unisinos, Marcos Lélis, pensar o desenvolvimento de maneira conjunta ajuda, inclusive, na busca de recursos para fazer a região se desenvolver. “É o primeiro planejamento feito em termos dos quatro estados em conjunto, então é um marco histórico para pensar a região, até para buscar fundos e outros instrumentos para melhorar o desenvolvimento econômico regional”, afirmou.
Próximos passos
Após o fechamento dos indicadores estratégicos, das metas e propostas, será realizada a entrega final do material aos governadores. Na sequência, será promovido um seminário de imersão para que secretários de Planejamento e equipes possam preparar as propostas de implementação do projeto em cada um dos estados.
Uma plataforma de Business Intelligence (BI) será disponibilizada, já com as validações das secretarias, permitindo a padronização das informações e a realização de análises críticas dos eixos de trabalho, diagnóstico do produto entregue, comparação entre eixos temáticos, até a produção da proposta de implantação do Projeto Visão Regional 2040.
Codesul
Fundado em 1961, o Codesul reuniu, inicialmente, os estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em 1992, o Mato Grosso do Sul passou a fazer parte do Conselho, que tem como principal objetivo buscar o desenvolvimento regional, reduzindo desequilíbrios e atuação em questões comuns aos estados-membros. O principal feito do Conselho foi a criação do BRDE.
Presenças
Participaram do encontro o diretor de Planejamento da Secretaria de Planejamento do Paraná, Bruno Lemos; o diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Jorge Callado; o diretor de Pesquisa do Ipardes, Julio Suzuki Júnior; o vice-presidente do BRDE, Renê Garcia Junior; o diretor administrativo do Banco, Heraldo Neves; técnicos da Secretaria do Planejamento do Paraná e das secretarias dos demais estados.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



