Colunistas Opinião
Em duas décadas, área de grãos do Brasil cresce e produção triplica
A clareza das informações salta aos olhos: multiplicamos por três a oferta e crescemos somente 1,26 vez em utilização de área.

O Brasil é responsável pela alimentação de 12% da população global, ou cerca de 1 bilhão de pessoas. Por trás desse número superlativo há conquistas em todos os campos. Estamos produzindo mais, melhor e de maneira cada vez mais sustentável, com foco ativo em uma agricultura regenerativa e de baixo carbono, que respeita o meio ambiente e é altamente eficiente. Em 2000, a produção brasileira de grãos foi de 81 milhões de toneladas com o uso de 34,7 milhões de hectares. Em 2023, colocamos no mercado 322,8 milhões de toneladas de grãos, cultivados em 78,5 milhões de hectares.
A clareza das informações salta aos olhos: multiplicamos por três a oferta e crescemos somente 1,26 vez em utilização de área. Boas práticas agrícolas, agricultura de precisão, Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e demais práticas sustentáveis contribuem para esse resultado fantástico. No mesmo período, a produtividade saltou 76%, passando de 2.337 kg/ha para 4.111 kg/ha. Os dados são da Embrapa e da Conab.
O produtor brasileiro é o ator principal dessa história, oferecendo uma contribuição singular para o futuro do planeta e das pessoas. Com regularidade, ele faz o manejo integrado de pragas, doenças e plantas invasoras, investindo no uso racional de insumos, com especial atenção ao aumento de adoção das biossoluções, que contribuem cada vez mais para práticas agrícolas mais resilientes e sustentáveis.
Além disso, outras tecnologias e estratégias vêm ganhando projeção, como a irrigação, hoje presente em cerca de 8,5 milhões de hectares, sendo uma excelente opção em termos de uso racional da água, e a citada ILPF, já praticada em 17 milhões de hectares, que reduz em até 30% o volume de emissões de gases de efeito-estufa. Nesse campo, aliás, a pecuária investe cada vez mais no pastejo rotacionado, técnica de alto impacto para preservação das pastagens. Vale ressaltar que o agricultor também é adepto do plantio direto, técnica desenvolvida no Brasil ainda na década de 1970, que protege a terra e aumenta a produtividade, e pode atingir até 75% da área plantada até 2030, segundo projeção do Plano ABC+. Estamos falando em mais de 60 milhões de hectares com a técnica, que reduz o tratamento mecânico do solo.
Todos esses números e exemplos nos orgulham como agentes da cadeia da produção de alimentos. E cumprimos com responsabilidade nosso papel de contribuir para a contínua evolução da agricultura. Afinal, estamos falando em mais alimentos, fibras e bioenergia. Para isso, colocamos à disposição dos agricultores as mais modernas tecnologias para manter esse ritmo de evolução em produção e em produtividade.
Este é, na verdade, nosso dever como parceiro que suporta o agricultor, simplificando o seu dia a dia, oferecendo o que há de mais inovador em insumos, produtos e serviços, de ponta a ponta, desde o pré-plantio até a colheita por meio de um atendimento personalizado.
O aumento da produtividade com sustentabilidade é um benefício para todos. Sendo mais eficientes, os agricultores aumentam a oferta de alimentos seguros e de qualidade para atender às necessidades de uma população global em crescimento. O meio ambiente agradece, pois a biodiversidade é protegida, a natureza responde melhor aos desafios das mudanças climáticas e cumprimos nosso papel para a redução dos gases de efeito estufa.

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Seu contrato de arrendamento pode ser extinto
Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).
Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.
Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.
Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.
A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.
Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.
Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.
E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.
Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.
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Quando uma empresa do agro se torna irrelevante
Fazer diagnóstico de comunicação e marketing é crucial para identificar problemas.

Certo dia, cheguei na agência, a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio, e tinha um recado pra mim. O gerente de marketing de uma importante empresa de fertilizantes havia ligado e solicitava retorno. Olhei para o celular e vi que o mesmo profissional também havia me enviado uma mensagem por WhatsApp. Era realmente urgente. Ele estava com um dilema e precisava de ajuda.
A mensagem dele terminava de forma abrangente, talvez por entender que não havia uma fórmula mágica: “Capella, você é especialista em marketing para agronegócio. O que você recomenda que eu faça?”.
O dilema em questão era o fato de a empresa perder relevância no mercado. Ele citou o relatório de uma consultoria que apontava justamente para esse cenário. O problema existia e ele precisava resolver.

Artigo escrito por Rodrigo Capella, palestrante e diretor geral da Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio
Marcamos uma reunião online e o profissional me deu mais detalhes, informando que ano a ano a empresa perdia market share e não conseguia abrir novos mercados. Para ele, a conclusão era clara: a empresa precisava agir logo.
Orientei que o primeiro passo era fazer um diagnóstico de comunicação e de marketing. O que a empresa estava comunicando? Para quem? Com qual objetivo e frequência? Essas e outras perguntas precisavam ser respondidas o quanto antes.
Após algumas semanas, conversando com gerentes, diretores e outros profissionais-chave, percebemos que havia um grande descompasso dentro da empresa, sem ações planejadas e sem um objetivo claro. E pior: não havia um discurso padrão. Cada um denominava a empresa como bem entendesse, o que prejudicava diretamente as vendas.
Como próximo passo, estruturamos e aplicamos um treinamento para unificar as mensagens. Na sequência, elaboramos um planejamento, que englobou presença em eventos, assessoria de imprensa e estruturação de canais digitais.
Em um ano, a realidade da empresa já era outra. A visibilidade tinha aumentado e as vendas haviam subido.
Deste episódio, eu trouxe muitos aprendizados. O principal: uma empresa se torna irrelevante quando deixa de dialogar de forma precisa com o seu público. Nesse caso, identificamos que a comunicação precisava ser feita em eventos, por meio de assessoria de imprensa e em canais digitais.
Mas, e em sua empresa? A comunicação está realmente assertiva?
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Dois Master, dois Brasis
Enquanto um “Master” aparece associado a investigações e suspeitas, o outro anuncia R$ 1 bilhão em investimentos até 2030, expansão industrial, ampliação do sistema de integração e mais recursos nas propriedades rurais.

O noticiário desta semana trouxe novamente à tona o Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Polícia, investigação, disputas judiciais, cifras bilionárias bloqueadas. É o Brasil que costuma ocupar as manchetes: o das crises financeiras, das conexões políticas, das operações policiais.
Mas existe outro Master no país.
Fica a mais de mil quilômetros de Brasília, em Videira, no Meio-Oeste de Santa Catarina, onde a política raramente chega às capas – mas de onde saem toneladas de proteína animal para o mundo. Ali opera a Master Agroindustrial, fundada pelo médico-veterinário Mario Faccin, filho de agricultores que se tornou o maior suinocultor independente do Brasil.

Artigo escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Enquanto um “Master” aparece associado a investigações e suspeitas, o outro anuncia R$ 1 bilhão em investimentos até 2030, expansão industrial, ampliação do sistema de integração e mais recursos nas propriedades rurais. Hoje a empresa integra 350 produtores, emprega cerca de 2 mil pessoas e produz 1,1 milhão de suínos por ano, grande parte destinada à exportação.
São histórias que não têm qualquer relação entre si. Apenas compartilham o nome.
Mas a coincidência é reveladora.
O Brasil urbano e político costuma dominar o debate nacional com seus escândalos, crises institucionais e disputas de poder. Já o Brasil produtivo – espalhado por integradoras, cooperativas, agroindústrias e propriedades rurais – raramente vira manchete, embora sustente boa parte das exportações, da renda e da estabilidade econômica do país.
Um aparece nos autos.
O outro aparece nas planilhas de produção.
Um vive do ruído.
O outro, do trabalho.
No fim das contas, talvez a coincidência de nomes sirva apenas para lembrar que existem dois Brasis convivendo ao mesmo tempo.
Um produz manchetes.
O outro produz comida.



