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Em ambiente virtual, Pig Meeting alcançou, ao vivo, 500 profissionais da suinocultura

Evento híbrido virtual reuniu especialistas em ambiência, mercado e sanidade que apresentaram uma ampla visão sobre tendências e tecnologias

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Com a bagagem de duas décadas de encontros técnicos anuais de Avicultura, Suinocultura e Bovinocultura de Leite, o Nucleovet – Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas precisou inovar e adaptar. O ano pediu, o momento exigiu e a tecnologia permitiu a realização do Pig Meeting, um encontro virtual para a troca de conhecimentos.

Realizado na quarta-feira, 14 de outubro, o Pig Meeting alcançou a marca de 500 expectadores que acompanharam palestras técnicas voltadas para a suinocultura. Em estúdio, na cidade de Chapecó-SC, a equipe do Nucleovet conversou com os palestrantes que estavam em outros estados do Brasil, na Espanha e no Vietnã.

Para o presidente do Nucleovet, médico veterinário Luiz Carlos Giongo, a experiência foi instigante e desafiadora. “Nos últimos 20 anos, o Nucleovet tem como tradição realizar diversos eventos, simpósios presenciais para suínos, aves e leite. Neste ano, em que todos nós fomos afetados pela pandemia, nos desafiamos a fazer algo diferente e continuar levando conhecimento para os profissionais, empresas e produtores, com palestras técnicas, assuntos modernos e da atualidade”, destacou.

Na abertura do evento, Giongo destacou a importância da resiliência para superarmos momentos difíceis como os vividos em 2020. “Nesses 49 anos de existência do Nucleovet e mais de 20 anos realizando simpósios anuais, precisamos dar algo a mais e resistir às fortes pressões”, resumiu. Para dar sequência ao propósito de contribuir com o aperfeiçoamento dos profissionais, a entidade organizou a conferência virtual. “Com nossos eventos presenciais cancelados em 2020, o Pig Meeting abre uma nova fronteira na realização dos eventos. Para 2021, os Simpósios de aves, suínos e bovinos de leite serão híbridos, permitindo que mais pessoas possam participar à distância”, adiantou.

Mário Sérgio Cortella, filósofo, escritor, educador e professor universitário com Mestrado e Doutorado em Educação, abriu o Pig Meeting com a palestra “Cenários Turbulentos, Mudanças Velozes”.

Ele iniciou sua apresentação ressaltando a necessidade de hidratação, do corpo e da mente. “Quando eu me hidrato, busco não perder a minha vitalidade”. Para Cortella, encontros como o Pig Meeting tem a finalidade de “hidratar nossas cabeças, percepções, concepções, visões e atividades para construir o futuro”.

O futuro, diz ele, não acontecerá se não o edificarmos. “Não há lugar marcado no futuro, nem para pessoas, nem para empresas, nem para países. Para edificar o futuro, é preciso ter esperança. Esperança vem do verbo esperançar e não esperar”. Esperançar, diz Cortella, é ir atrás, juntar-se, não desistir, colaborar. “O caipira tem uma forma muito boa para expressar isso, dizendo que ‘é junto dos bons que a gente fica mió’”. Segundo ele, quem é bom sozinho, é apenas bom. “A gente só consegue ficar melhor quando nos juntamos com outras pessoas”.

Cortella discorreu ainda sobre a importância da coragem, que não é a ausência do medo, que difere do pânico paralisante. “Numa situação como a que vivemos agora e em outras dificuldades da vida, ou senta e chora, ou levanta e enfrenta. Claro que choramos em alguns momentos, mas é necessário lembrar que isso não pode perdurar. É uma situação complexa, que exige esforço, mas não pode nos derrotar”.

Como a ambiência impacta os resultados na suinocultura?

A programação técnica do Pig Meeting apresentou o Painel Ambiência, iniciando com o Médico Veterinário pela Universidade Autônoma de Barcelona – Espanha e Mestrado em Sanidade e Produção de Suínos, Miquel Collell com o tema “Ambiência na produção de suínos e como isso pode prejudicar o desenvolvimento dos animais: Desafios e Oportunidades”.

Em sua apresentação, Collell “quebrou mitos” e conceitos estabelecidos com relação à   ventilação e ao comportamento do suíno. “Ventilamos por razoes químicas, físicas e biológicas”. Porém, o suíno, reage e se adapta de acordo com as condições que tem à disposição.

Um dos mitos: suínos não suam. “Para combater o calor, os suínos têm o mecanismo de ventilação pulmonar, que vai resfriar seu organismo fazendo passar mais ar pelos pulmões, isto é, ele perde temperatura”. Assim, o animal bebe menos água e isso, diz Collell, é um problema. “Quando sente calor, uma das coisas que ele vai fazer é se sujar, tentar se esfregar com suas próprias fezes, o que tiver envolta para simular o efeito do suor”. Outro mito, afirma o veterinário, é de que o suíno é um animal sujo. “Quando está sujo é porque não recebeu as condições adequadas”.

Já ao sentir frio, o suíno tenta reduzir sua superfície de contato com o meio externo. Um dos fatores apresentados por Collell é a temperatura mais fria do piso, que faz com que perca calor. “Quando sente calor, por cada grau acima da sua temperatura de conforto, o suíno deixa de comer 100 gramas de alimento”, afirma. Ao sentir frio, o animal vai comer mais para produzir calor e não para crescer. “Dessa forma perdemos capacidade de crescimento do animal. Portanto, a gente precisa manter o suíno numa ambiência termicamente neutra”, afirma.

Caso as condições desagradáveis permaneçam, os níveis de cortisol/estresse aumentam, e isso faz com que o animal tenha doenças. “É importante reconhecermos os sinais que indicam que o suíno não está confortável, o comportamento, indicando que alto está errado. Se tem alguma doença, com certeza o suíno já deu sinais de que não está em um ambiente adequado”, finalizou.

Na sequência,  a Engenheira Agrônoma, especializada em Engenharia de Construções Rurais, conhecedora dos temas Ambiência e Zootecnia de precisão para suinocultura, Daniella Jorge de Moura abordou as “Novas tecnologias aplicadas ao controle ambiental na produção de suínos”.

Daniella demonstrou como a engenharia agrícola pode contribuir quando aplicada ao controle ambiental na produção de suínos. Para isso, ela explicou o conceito de PLF – Precision livestock farming, que corresponde a pecuária de precisão ou ambiência de precisão. A professora da Unicamp apresentou diversos estudos que mostram a evolução dessas tecnologias. “A zootecnia de precisão tem o objetivo de gerenciar os animais individualmente, monitorando de forma continua, em tempo real a saúde, o bem-estar, a produção, reprodução e o impacto ambiental”, afirmou.

Esses sistemas geram dados dos quais se extrai conhecimento que possibilitam a tomada de decisões mais assertivas para controlar a produção de maneira geral. “A tecnologia pode proporcionar o controle integrado de vários fatores como temperatura, umidade, gases, ventilação, iluminação, consumo de alimentos e água, comportamento, e até a pesagem dos animais automatizada”, afirma. “A ambiência de precisa é solução muito importante para os produtores, permitindo o monitoramento remoto dos animais em sistemas intensivos”.

A pandemia, diz ela, reforçou a digitalização dos dados e os processos incentivando o trabalho remoto e, consequentemente, a precisão na tomada de decisão. “A tecnologia não substitui os seres humanos nas decisões, mas apoia o processo”. Nesse contexto, a PLF traz efeitos positivos sobre os pontos de vista ambiental, econômico e social. “Proporcionando resultados positivos não apenas aos produtores, mas também à indústria e aos consumidores”, finaliza.

Os desafios do mercado mundial de suínos com a PSA

A programação do Pig Meeting apresentou ainda o Painel Biosseguridade e Mercado. Wagner Hiroshi Yanaguizawa – Analista Rabobank, falou sobre “O que esperar do mercado mundial de carnes com a Peste Suína Africana?”

Yanaguizawa informou sobre os principais players e todas as influencias e impactos que a PSA tem gerado no mercado mundial de suínos neste ano. Nesse cenário, a China é o ator principal. Dados de 2018 informam que metade da produção mundial de suínos estava concentrada em território chinês. “De uma produção global de pouco mais de 110 milhões de toneladas, só o mercado chinês respondia por 55 milhões de toneladas”, afirmou. Além de maior produtor, a China também é o maior consumidor de carne suína do mundo.

Justamente por se disseminar na China, a Peste Suína Africana ganhou holofotes da imprensa e do mercado mundial a partir de 2018. Os casos da doença se espalharam por todo sudeste asiático e, recentemente, vem impactando a produção de suínos na Alemanha, no continente europeu.

Em 2019, com a PSA, o volume da produção chinesa de carne suína caiu 22%. “Praticamente metade do rebanho foi perdido”, afirmou o palestrante. Além dos abates sanitários, o abate intenso de matrizes também acentuou o cenário. “Algumas particularidades da China com relação à estrutura e perfil de produção e distribuição geográfica facilitaram a dispersão do vírus”. Metade da produção de suínos do país era em pequenas criações de fundo de quintal, sem tecnificação, nutrição adequada ou escala. “Além de uma alta concentração da produção no norte e nordeste do pais”.

Yanaguizawa destaca o esforço do país asiático para reestruturar a produção. Uma das ações é reduzir pela metade o número de pequenas criações. “Reduzir esse perfil de produtor e melhorar a distribuição geográfica, levando a produção um pouco mais para o centro Sul do pais”. Essas medidas, em tese, estão apresentando alguns resultados positivos. “O número de novos casos segue uma tendência de redução, mas continua ativo ainda”.

Enquanto isso, as exportações de carne suína do Brasil, no acumulado dos nove primeiros meses desse ano, aumentaram 140%, um volume de 177 mil toneladas. “Já ultrapassou todo o volume exportado em 2019. Esse ano deve fechar com um novo recorde superior ao de 2019”. Metade das exportações brasileiras são para o mercado chinês, seguido por Hong Kong. “Essa dependência de um único comprador acende um sinal de alerta”. Por outro lado, nesse cenário em que o Covid-19 provocou queda do PIB mundial e no consumo de proteínas, “a gente tem a sorte que a China é nosso maior importador, pois é um dos poucos países que está importando”.

O consultor reafirma a necessidade de ficar alerta para os próximos anos com relação à tendência de redução do mercado chinês. “Mas, por ora, estamos tendo um dos melhores anos de exportação por conta da China”. O Brasil registrou aumento de 44% do volume exportado em 2020 e faturamento de 53%. “Conseguimos vender mais volume e, mesmo com a forte desvalorização do real frente ao dólar, estamos conseguindo vender com preços melhores”.

A última palestra técnica do Pig Meeting foi realizada, direto do Vietnã, pelo Médico Veterinário e PhD em Nutrição de Suínos, Francisco Domingues – Head of Swine Operation at Japfa Comfeed Vietnam que falou sobre a “Peste Suína Africana sob o ponto de vista prático: o que aconteceu e qual será o futuro na produção de suínos”.

Domingues relatou sua experiência no país asiático, onde está desde 2017, e os desafios no enfrentamento da peste suína africana. “Esperamos que não chegue a América do Sul de forma alguma, é um desafio muito grande, mas nada que não se consiga contornar”, destaca.

Enfrentando os desafios da PSA, ele afirmou que é possível atuar na suinocultura mesmo com a enfermidade. “Vimos uma diminuição drástica do rebanho, em torno de 60% na China e 50% no Vietnã e outros países afetados”.

Neste momento, esses países veem uma leve recuperação, mas a guerra continua. “A redução de planteis elevou os preços, mas não é fácil manter o rebanho, pois é necessário um mínimo de cabeças para fazer o negócio girar”. Nesse cenário, as pequenas granjas são as mais afetadas. “Na tentativa de recuperar a produção, acabaram provocando uma segunda onda de PSA”, relata.

O antídoto tem sido focar em biossegurança como prioridade total, convivendo com a doença. “Identificamos áreas de risco e implementamos diversas medidas, com isso diminuímos as perdas”, revela. Há dois anos a empresa vinha reforçando a biosseguridade como forma de evitar PRRS e PED. As medidas caíram como uma luva para a crise da PSA. “No final das contas, tudo se resume a biossegurança”.

Mais de uma tonelada de carne suína doada

Conforme Giongo, o Nucleovet tem como tradição realizar ações sociais casadas com seus eventos técnicos. Neste ano, com apoio de parceiros, realizou a doação de mais de uma tonelada de carne suína a entidades. “Denota a sensibilidade de olhar para o lado, perceber a necessidade da sociedade e fortalecer essas ações”, afirmou. As entidades beneficiadas foram: APAE Chapecó, Pastoral da Criança de Videira, Lar do Idoso de Xanxerê, Centro de Convivência do Idoso de Chapecó e para a Associação de Voluntários do HRO, APAE de São Carlos e Programa Viver de Chapecó, Amigos Cooperados de Chapecó, APAE Seara e Casa de Acolhida João Piltz.

Fabiano Parisoto, diretor da Ecofrigo, uma das parceiras nas doações de carne suína, falou sobre o orgulho de poder contribuir e parabenizou o Nucleovet pela brilhante iniciativa. “Nessa parceria com entidades filantrópicas, poder auxiliar o próximo, é algo maravilhoso”, afirmou.

Ao longo de 2020, o Nucleovet realizou ações distintas de doações à sociedade, como kits de respiradores e cardioversor para a UTI do para o Hospital Regional de Chapecó e kits para diagnóstico do Covid-19, auxiliando o trabalho da Embrapa Concórdia.

Fonte: Assessoria
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Notícias Paraná

Polícia Civil do Paraná e Adapar investigam adulteração em fertilizantes

É importante que produtor fique atento quanto ao material recebido na propriedade e caso conste alguma irregularidade, procure a Adapar

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Divulgação/Adapar

Nos últimos anos a agricultura brasileira teve um salto em produtividade. Esse resultado positivo deve-se a diversos fatores, como clima favorável para o desenvolvimento das culturas, utilização dos defensivos agrícolas para combate de pragas e doenças, melhoramento genético das plantas para alta produção e adequação do solo com utilização dos corretivos e fertilizantes. Com o uso dos fertilizantes foi possível tornar um solo pobre em nutrientes em um solo agricultável e produtivo por muito tempo. A matéria-prima deste insumo geralmente é importada de outros países e cotada em dólar e, por isso, apresenta significativo impacto no custo de produção do agricultor.

Devido a seu alto valor agregado, os fertilizantes frequentemente são objeto de adulteração em sua qualidade. No ano de 2016 a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR) atendeu casos de adulteração de fertilizantes que ocorreram nos municípios de Toledo e Cascavel, no Oeste do Paraná. Na oportunidade, os agricultores adquiriram um total de aproximadamente 200 toneladas de fertilizantes produzidos por empresa idônea no mercado e que foram comercializados por estabelecimentos comerciais devidamente registrados.

No entanto, ao iniciar a semeadura, os agricultores perceberam anormalidades nas características físicas do produto e comunicaram a Agência para averiguar possíveis irregularidades. Após amostragem oficial o resultado laboratorial acusou deficiência em todos os nutrientes garantidos nos produtos, constando que os lotes analisados não continham praticamente nenhum dos elementos na composição. Caso semelhante ocorreu em 2019 no Estado do Mato Grosso causando prejuízos milionários para diversos agricultores.

Investigação policial

A Polícia Civil de Marechal Cândido Rondon, PR, iniciou investigação durante os meses de abril e maio de 2021 sobre a ocorrência de adulteração de fertilizantes que foram entregues na região oeste do Paraná. De acordo com o delegado da Polícia Civil, Rodrigo Baptista Santos, no dia 07 de maio foi verificado a chegada de dois caminhões carregados de adubos vindos do Porto de Paranaguá e entregues em empresas localizadas em Marechal Cândido Rondon e Mercedes que se apresentavam adulterados para fórmulas de péssima qualidade, sendo então realizada a abordagem.

Realizado o teste preliminar no material, foi constatado que era totalmente adulterado, não tendo a mínima qualidade e propriedades necessárias para fazer efeito no solo do agricultor. Sendo assim, o motorista do caminhão foi conduzido para a Delegacia. No momento da abordagem, o motorista, inclusive, quebrou o telefone celular buscando esconder provas.

Foram lavradas as apreensões de todos os materiais. A investigação agora vem se aprofundando a fim de identificar todos os envolvidos na ação criminosa, e tem apontado para diversas cargas dessa natureza já terem sido entregues na região. Até momento já foram identificadas seis cargas com valor aproximado de R$ 91 mil cada, gerando um prejuízo de mais de meio milhão de reais.

Fiscalização

A Adapar é a instituição oficial responsável pela Defesa Agropecuária do Estado do Paraná e entre as diversas atividades de rotina executadas pelos fiscais da Gerência de Sanidade Vegetal destaca-se a fiscalização de corretivos e fertilizantes tanto no comércio quanto em propriedades rurais.

De acordo com a coordenadora do Programa de Fiscalização de Fertilizantes da Adapar, engenheira agrônoma Caroline Garbuio, no presente caso, a fiscalização observou diversos itens nos fertilizantes suspeitos, tais como origem fiscal do produto, registro do estabelecimento produtor e do comerciante, especificações, lacres, características das embalagens e rótulos e tudo indicava inicialmente ser produto original. No entanto, após avaliações mais detalhadas, foram observadas diferenças nas características físicas entre os fertilizantes acondicionados em embalagens consideradas originais com as embalagens dos fertilizantes apresentando indícios de adulteração. “Desta forma, realizamos coletas oficiais, considerando 222 toneladas desses fertilizantes suspeitos e encaminhamos para análise em laboratório oficial do Estado para atestar a adulteração”, conta.

Segundo Caroline, muitas vezes a adulteração é realizada de forma tão perfeita que somente a análise laboratorial no fertilizante é que permite detectar esse tipo de irregularidade.

Danos a agricultura

A eficiência do fertilizante é medida pelo ganho de produção por unidade de nutriente aplicado de forma que a dose aplicada deve corresponder a necessidade da cultura, para promover retornos adequados sobre os investimentos. Para manter a fertilidade química a adubação precisa suprir a exigência da cultura, para compensar as quantidades de macro e micronutrientes exportados como produto colhido mais aquelas perdidas do solo por erosão, lixiviação e volatilização.

De acordo com a doutora Maria do Carmo Lana, professora de Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), as práticas de calagem e adubação assumem grande relevância, sendo responsáveis por cerca de 50% dos ganhos de produtividade, de forma que necessitam ser aplicados para alcançar o melhor retorno econômico. “Considerando, por exemplo, o fósforo, que é um dos elementos mais limitantes nos solos brasileiros, para uma condição de nível médio de fertilidade do solo quanto a este nutriente, visando alcançar 5 t/ha de soja, um fertilizante que deveria conter 07-30-12 de N-P2O5-K2O e na realidade possui 01-04-05 de N-P2O5-K2O, corresponde a aplicação de apenas 12% da necessidade de recomendação de fósforo da cultura, refletindo em baixa eficiência do fertilizante aplicado e baixa produtividade alcançada. Portanto, a garantia do fertilizante quanto à concentração de nutrientes é uma das características preponderantes na qualidade do fertilizante”, informa.

Dicas importantes para evitar adquirir fertilizantes adulterados:

  • Sempre adquirir fertilizantes de empresas fabricantes registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e de estabelecimentos comerciais registrados na Adapar. Nestes locais ocorrem fiscalizações rotineiras para verificação da conformidade dos produtos;
  • Sempre exija a nota fiscal de compra dos fertilizantes;
  • Contratar empresas de transportes idôneas, pois é grande o indício de adulterações dos fertilizantes durante o transporte;
  • Ao receber o fertilizante no comércio ou em propriedade rural verificar se os lacres da carga (lona/carroceria) conferem com o número identificado na nota fiscal. Conferir se os lacres das embalagens dos fertilizantes não foram violados (rompidos ou dilatados) e se as características das embalagens e rótulos conferem com as descrições da nota fiscal, como por exemplo: as garantias dos nutrientes, registros de estabelecimento, nº do lote, data de fabricação, especificações físicas;
  • Para verificar a conformidade do fertilizante, o próprio agricultor pode realizar coleta de amostras e encaminhar para análise em laboratório credenciado no Ministério da Agricultura. Neste caso, é importante que a amostragem ocorra considerando o mesmo lote do produto e a retirada da amostra abranja toda a extensão da embalagem, tendo em vista que é comum em fertilizantes adulterados a presença de fertilizante original apenas na parte superior da embalagem e o restante ser adulterado;
  • Se no momento da semeadura o agricultor observar problemas nas características do fertilizante, suspenda a utilização do fertilizante e entre imediatamente em contato com a empresa que comercializou este produto, bem como, com o representante da empresa fabricante, pois estes conhecem as características do produto e podem auxiliar inicialmente em suspeita de adulteração;
  • Permanecendo a dúvida, entre em contato com a Unidade da Adapar mais próxima.

Fonte: Adapar
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Notícias Produção

Lideranças do agro e produtores rurais levantam custos de produção em SC

Painéis virtuais tiveram por objetivo calcular os preços praticados nas culturas de soja, milho, trigo e arroz

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Três painéis de levantamento dos custos de produção do Projeto Campo Futuro foram realizados nesta semana, de forma virtual, em Santa Catarina. Desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), a iniciativa contou com a parceria do Sistema FAESC/SENAR-SC e Sindicatos Rurais. A proposta é calcular os custos de produção nas propriedades e disponibilizar informações para os produtores sobre o mercado. Outros sete painéis estão programados para julho e agosto em seis municípios.

Os dois primeiros painéis da semana discutiram as culturas de soja, milho e trigo em Xanxerê (dia 15) e Campos Novos (dia 16). Na quinta-feira (17), o evento, realizado em Tubarão, focou no custo de produção de arroz. Os encontros contaram com a participação de lideranças, técnicos e produtores rurais dos municípios envolvidos.

Na abertura de cada encontro, o presidente da Faesc José Zeferino Pedrozo, o vice-presidente Enori Barbieri e os presidentes dos Sindicatos Rurais dos três municípios destacaram a importância da iniciativa para que os produtores minimizem riscos e assegurem rentabilidade, tendo como base um estudo local.

Pedrozo reforçou que o Campo Futuro traz informações valiosas sobre custos de produção. Reconheceu a importante parceria entre a CNA e o CEPEA que oferecem condições para que o setor conheça os dados e valorizou o papel dos técnicos que vão até os produtores fazer um trabalho de grande representatividade. “É uma iniciativa que permite a geração de informação para a administração de custos, riscos de preços e gerenciamento da produção. Com isso, o produtor tem subsídios para tomar as melhores decisões”, observou.

Campos Novos

O assessor técnico da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Fábio Carneiro, destacou que em Campos Novos, as lavouras no geral tiveram um bom resultado na safra 2020/2021. No milho 1ª safra, a expectativa era colher de 180 a 200 sacas por hectare, mas o resultado médio ficou em 110 sacas. Os danos da cigarrinha do milho e um período de estiagem no desenvolvimento vegetativo reduziu o potencial produtivo das lavouras”, explicou.

De acordo com a análise das culturas, os produtores do município devem aumentar a área plantada de milho 1ª safra na próxima safra. “A perspectiva é ter bom resultado, mas o controle da cigarrinha ainda preocupa e afeta na decisão de plantio”, ressaltou Carneiro.

O levantamento identificou ainda que os custos com insumos para a soja subiram quase 15% e que a praga tripes (Thysanoptera) tem sido registrada no campo com mais frequência pelos produtores da região. Já nas culturas de inverno, trigo e aveia apresentaram bons resultados e conseguiram pagar o custo total.

Xanxerê

Em Xanxerê, região mais afetada pela cigarrinha em 2021, a perspectiva é a redução em até 20% da área plantada do milho na próxima safra. “Os produtores apontaram que estão selecionando o material que será plantado na próxima safra, com foco em resistência à cigarrinha, deixando de lado a produtividade. Isso pode afetar de certa forma a produção para o próximo ano na região”, afirmou o coordenador do Campo Futuro, Thiago Rodrigues.

O painel mostrou também que o uso do seguro rural é pouco efetivo, uma parcela reduzida de produtores fez uso dessa ferramenta, apenas aqueles que possuíam parte da safra financiada por instituições que trabalham com crédito oficial. Tal situação, por exemplo, limita o produtor a utilizar os benefícios do Proagro, avalia Rodrigues.

Em relação aos custos, para soja o levantamento apontou que 57% do Custo Operacional Efetivo (COE) foram referentes ao desembolso com insumos, e desse desembolso, o gasto com fertilizante ocupou 38%. A produtividade média da soja foi de 58 sacas por hectare.

O milho fechou o COE com um desembolso maior com insumos, 62% desse custo e o destaque também foi o gasto com fertilizantes. A expectativa dos produtores no início da safra era colher acima de 200 sacas por hectare, mas o resultado obtido foi de 130.

“Nas outras culturas analisadas o destaque foi para o feijão. O levantamento apontou uma produtividade de 22 sacas por hectare, somada a um preço favorável, trouxe bons resultados financeiros para o produtor. Já para o trigo, apenas as despesas de desembolso foram cobertas, apesar de a produtividade ter sido boa, com 55 sacas por hectare”, ressaltou Rodrigues.

Confira a programação dos próximos painéis do Campo Futuro

A programação do Projeto Campo Futuro segue no dia 20 de julho com dois painéis em Seara: suinocultura (UT), das 9 às 13 horas e suinocultura (UPL), das 14 às 18 horas.  No dia 21, serão realizados eventos sobre avicultura (corte) em Chapecó, das 9 às 13 horas, e em Itaiópolis, das 14 às 18 horas.  Os painéis seguem no dia 2 de agosto, das 14 às 18 horas, em São Joaquim sobre fruticultura (maçã); no dia 3, das 14 às 18 horas, em Ituporanga sobre horticultura (cebola); e no dia 5, das 14 às 18 horas, sobre horticultura (alho).

Fonte: Assessoria
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Notícias Santa Catarina

Sistema OCESC promove Semana do Cooperativismo Catarinense

Atividades serão todas on-line e visam realçar o Dia Internacional do Cooperativismo

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Para festejar o sucesso de um movimento que viceja em todos os continentes e é responsável pelo desenvolvimento cultural, social e econômico de milhões de pessoas, a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC) e o SESCOOP/SC promovem, no período de 28 de junho a 2 de julho, a Semana do Cooperativismo Catarinense. As atividades serão todas on-line e visam realçar o Dia Internacional do Cooperativismo, comemorado sempre no primeiro sábado de julho e os 50 anos de fundação da OCESC.

A programação inicia no dia 28 de junho (segunda-feira), às 16 horas, com abertura pelo presidente da OCESC Luiz Vicente Suzin.

Na sequência, o professor Pedro Waengertner palestrará sobre o tema Criando o futuro: como as cooperativas podem usar a inovação para atingir novos patamares.

Waengertner é CEO da ACE (antiga Aceleratech), a principal aceleradora de startups da América Latina, apoiando dezenas de empreendedores a atingirem seus objetivos. Trabalha com startups e grandes empresas na mudança de mindset em assuntos relacionados a crescimento, marketing, gestão e liderança. É autor do livro Estratégia – Inovação Radical, além de professor e coordenador da área de Marketing Digital da ESPM, onde atua há mais de 15 anos.

No dia 29 de junho (terça-feira), às 16 horas, a programação reinicia com a palestra Tendências do agronegócio para o próximo ano e próxima década (mercado interno) – proteína animal (suínos e aves) e cereais (milho e soja), que será ministrada pelo economista José Mendonça de Barros.

Com doutorado em Economia pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado no Economic Growth Center, Yale University, Mendonça de Barros lecionou economia na USP por mais de 30 anos e foi professor visitante do Departamento de Economia Agrícola e Sociologia Rural da Ohio State University. Desenvolveu e estruturou o Projeto Novo Mercado para a Bovespa, foi Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda de 1995 a 1998 e pertenceu ao Comitê Estratégico da Companhia Vale do Rio Doce.

A programação da Semana do Cooperativismo Catarinense prossegue no dia 30 de junho (quarta-feira), às 16 horas, com a participação da consultora Paula Abbas que abordará o tema Inovação inteligente, maximizando a experiência dos cooperados e clientes.

Paula Abbas é consultora em design estratégico, com foco em insights de consumo, estudos de futuro e estratégias para inovação. Leciona nas áreas de Gestão Estratégica do Design, Inovação e Coolhunting na PUC, UEL e ISAE/FGV. Concluiu pós-graduação em Marketing pela FAE Business School e mestrado em Direito Corporativo pela Universidade de Barcelona (Espanha). Estudou psicanálise e antropologia; design thinking, pesquisa de tendências e sua aplicação no design. É técnica em Design de Interiores e mestranda em Design Estratégico pela UFPR.

Na quinta-feira, dia 1º de julho, novamente às 16 horas, o diretor de regulação do Banco Central do Brasil Otávio Damaso prelecionará sobre Perspectivas para as cooperativas de crédito no campo regulatório e na prática.

Damaso já ocupou os cargos de chefe de gabinete do presidente do Banco Central e de Secretário-Adjunto de Política Econômica no Ministério da Fazenda. Presidiu os Conselhos de Administração da Caixa Econômica Federal, do IRB Brasil RE e do Banco do Estado do Ceará. Formado em Economia pela Universidade de Brasília, é funcionário de carreira do Banco Central desde 1998.

O futuro do cooperativismo: como alavancar resultados. Esse será o tema da palestra de Artur Igreja, na sexta-feira, dia 2 de julho, às 10 horas da manhã.

Arthur Igreja é referência em “inovação disruptiva” e possui experiência profissional e acadêmica em mais de 25 países. É Masters in International Business nos EUA pela Georgetown University e Corporate Masters of Business Administration na Espanha pela ESADE. Concluiu mestrado executivo em Gestão Empresarial pela FGV/EBAPE. Cursa o Doctorate in Business Administration na ESC de Rennes, na França. Possui certificações executivas em Harvard & Cambridge, pós-MBA em Negociação pela FGV e MBA pela FGV/Ohio University.

A Semana do Cooperativismo Catarinense será concluída na sexta-feira, dia 2 de julho, a partir das 19h30. O presidente do Sistema OCESC Luiz Vicente Suzin fará uma mensagem de encerramento.

A programação será finalizada com live do historiador Leandro Karnal sobre O papel da mulher no cooperativismo, na sociedade e no mercado de trabalho. A importância da mulher como formadora do núcleo familiar, independência econômica, direcionamento do consumo e capacitação para competir no mercado serão alguns dos aspectos abordados.

Karnal é um dos intelectuais brasileiros mais reverenciados da atualidade e um dos mais solicitados palestrantes do Brasil. Em 2018, Leandro Karnal foi premiado com o selo “Top of mind RH” de palestrante mais lembrado do Brasil. Alguns de seus livros estão entre os mais vendidos como O Dilema do Porco-espinho; Inferno Somos Nós; Todos Contra Todos; Crer ou Não Crer; O Que Aprendi Com Hamlet. É um dos grandes influenciadores da internet. Seus vídeos viralizam com milhões de visualizações e suas redes sociais alcançaram a marca de 2 milhões de seguidores. Recentemente, lançou um canal no Youtube, onde democratiza o saber. Leonardo Karnal é graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e tem doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo.

“Estamos muito honrados e felizes com essa programação, que comemora duas importantes datas: o Dia Internacional do Cooperativismo e os 50 anos da OCESC, celebrado no mês de agosto. Convidamos as cooperativas e comunidade em geral para que participem dessa semana especial, que irá tratar de cooperativismo com o eixo temático principal voltado à inovação. Por isso, concentramos as palestras entre os dias 28 de junho e 2 de julho para que as cooperativas possam comemorar e realizar as suas atividades alusivas ao Dia Internacional do Cooperativismo no próprio dia 3 de julho”, menciona Luiz Vicente Suzin, presidente do Sistema OCESC.

Fonte: Assessoria
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