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Em ambiente virtual, Pig Meeting alcançou, ao vivo, 500 profissionais da suinocultura
Evento híbrido virtual reuniu especialistas em ambiência, mercado e sanidade que apresentaram uma ampla visão sobre tendências e tecnologias

Com a bagagem de duas décadas de encontros técnicos anuais de Avicultura, Suinocultura e Bovinocultura de Leite, o Nucleovet – Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas precisou inovar e adaptar. O ano pediu, o momento exigiu e a tecnologia permitiu a realização do Pig Meeting, um encontro virtual para a troca de conhecimentos.
Realizado na quarta-feira, 14 de outubro, o Pig Meeting alcançou a marca de 500 expectadores que acompanharam palestras técnicas voltadas para a suinocultura. Em estúdio, na cidade de Chapecó-SC, a equipe do Nucleovet conversou com os palestrantes que estavam em outros estados do Brasil, na Espanha e no Vietnã.
Para o presidente do Nucleovet, médico veterinário Luiz Carlos Giongo, a experiência foi instigante e desafiadora. “Nos últimos 20 anos, o Nucleovet tem como tradição realizar diversos eventos, simpósios presenciais para suínos, aves e leite. Neste ano, em que todos nós fomos afetados pela pandemia, nos desafiamos a fazer algo diferente e continuar levando conhecimento para os profissionais, empresas e produtores, com palestras técnicas, assuntos modernos e da atualidade”, destacou.
Na abertura do evento, Giongo destacou a importância da resiliência para superarmos momentos difíceis como os vividos em 2020. “Nesses 49 anos de existência do Nucleovet e mais de 20 anos realizando simpósios anuais, precisamos dar algo a mais e resistir às fortes pressões”, resumiu. Para dar sequência ao propósito de contribuir com o aperfeiçoamento dos profissionais, a entidade organizou a conferência virtual. “Com nossos eventos presenciais cancelados em 2020, o Pig Meeting abre uma nova fronteira na realização dos eventos. Para 2021, os Simpósios de aves, suínos e bovinos de leite serão híbridos, permitindo que mais pessoas possam participar à distância”, adiantou.
Mário Sérgio Cortella, filósofo, escritor, educador e professor universitário com Mestrado e Doutorado em Educação, abriu o Pig Meeting com a palestra “Cenários Turbulentos, Mudanças Velozes”.
Ele iniciou sua apresentação ressaltando a necessidade de hidratação, do corpo e da mente. “Quando eu me hidrato, busco não perder a minha vitalidade”. Para Cortella, encontros como o Pig Meeting tem a finalidade de “hidratar nossas cabeças, percepções, concepções, visões e atividades para construir o futuro”.
O futuro, diz ele, não acontecerá se não o edificarmos. “Não há lugar marcado no futuro, nem para pessoas, nem para empresas, nem para países. Para edificar o futuro, é preciso ter esperança. Esperança vem do verbo esperançar e não esperar”. Esperançar, diz Cortella, é ir atrás, juntar-se, não desistir, colaborar. “O caipira tem uma forma muito boa para expressar isso, dizendo que ‘é junto dos bons que a gente fica mió’”. Segundo ele, quem é bom sozinho, é apenas bom. “A gente só consegue ficar melhor quando nos juntamos com outras pessoas”.
Cortella discorreu ainda sobre a importância da coragem, que não é a ausência do medo, que difere do pânico paralisante. “Numa situação como a que vivemos agora e em outras dificuldades da vida, ou senta e chora, ou levanta e enfrenta. Claro que choramos em alguns momentos, mas é necessário lembrar que isso não pode perdurar. É uma situação complexa, que exige esforço, mas não pode nos derrotar”.
Como a ambiência impacta os resultados na suinocultura?
A programação técnica do Pig Meeting apresentou o Painel Ambiência, iniciando com o Médico Veterinário pela Universidade Autônoma de Barcelona – Espanha e Mestrado em Sanidade e Produção de Suínos, Miquel Collell com o tema “Ambiência na produção de suínos e como isso pode prejudicar o desenvolvimento dos animais: Desafios e Oportunidades”.
Em sua apresentação, Collell “quebrou mitos” e conceitos estabelecidos com relação à ventilação e ao comportamento do suíno. “Ventilamos por razoes químicas, físicas e biológicas”. Porém, o suíno, reage e se adapta de acordo com as condições que tem à disposição.
Um dos mitos: suínos não suam. “Para combater o calor, os suínos têm o mecanismo de ventilação pulmonar, que vai resfriar seu organismo fazendo passar mais ar pelos pulmões, isto é, ele perde temperatura”. Assim, o animal bebe menos água e isso, diz Collell, é um problema. “Quando sente calor, uma das coisas que ele vai fazer é se sujar, tentar se esfregar com suas próprias fezes, o que tiver envolta para simular o efeito do suor”. Outro mito, afirma o veterinário, é de que o suíno é um animal sujo. “Quando está sujo é porque não recebeu as condições adequadas”.
Já ao sentir frio, o suíno tenta reduzir sua superfície de contato com o meio externo. Um dos fatores apresentados por Collell é a temperatura mais fria do piso, que faz com que perca calor. “Quando sente calor, por cada grau acima da sua temperatura de conforto, o suíno deixa de comer 100 gramas de alimento”, afirma. Ao sentir frio, o animal vai comer mais para produzir calor e não para crescer. “Dessa forma perdemos capacidade de crescimento do animal. Portanto, a gente precisa manter o suíno numa ambiência termicamente neutra”, afirma.
Caso as condições desagradáveis permaneçam, os níveis de cortisol/estresse aumentam, e isso faz com que o animal tenha doenças. “É importante reconhecermos os sinais que indicam que o suíno não está confortável, o comportamento, indicando que alto está errado. Se tem alguma doença, com certeza o suíno já deu sinais de que não está em um ambiente adequado”, finalizou.
Na sequência, a Engenheira Agrônoma, especializada em Engenharia de Construções Rurais, conhecedora dos temas Ambiência e Zootecnia de precisão para suinocultura, Daniella Jorge de Moura abordou as “Novas tecnologias aplicadas ao controle ambiental na produção de suínos”.
Daniella demonstrou como a engenharia agrícola pode contribuir quando aplicada ao controle ambiental na produção de suínos. Para isso, ela explicou o conceito de PLF – Precision livestock farming, que corresponde a pecuária de precisão ou ambiência de precisão. A professora da Unicamp apresentou diversos estudos que mostram a evolução dessas tecnologias. “A zootecnia de precisão tem o objetivo de gerenciar os animais individualmente, monitorando de forma continua, em tempo real a saúde, o bem-estar, a produção, reprodução e o impacto ambiental”, afirmou.
Esses sistemas geram dados dos quais se extrai conhecimento que possibilitam a tomada de decisões mais assertivas para controlar a produção de maneira geral. “A tecnologia pode proporcionar o controle integrado de vários fatores como temperatura, umidade, gases, ventilação, iluminação, consumo de alimentos e água, comportamento, e até a pesagem dos animais automatizada”, afirma. “A ambiência de precisa é solução muito importante para os produtores, permitindo o monitoramento remoto dos animais em sistemas intensivos”.
A pandemia, diz ela, reforçou a digitalização dos dados e os processos incentivando o trabalho remoto e, consequentemente, a precisão na tomada de decisão. “A tecnologia não substitui os seres humanos nas decisões, mas apoia o processo”. Nesse contexto, a PLF traz efeitos positivos sobre os pontos de vista ambiental, econômico e social. “Proporcionando resultados positivos não apenas aos produtores, mas também à indústria e aos consumidores”, finaliza.
Os desafios do mercado mundial de suínos com a PSA
A programação do Pig Meeting apresentou ainda o Painel Biosseguridade e Mercado. Wagner Hiroshi Yanaguizawa – Analista Rabobank, falou sobre “O que esperar do mercado mundial de carnes com a Peste Suína Africana?”
Yanaguizawa informou sobre os principais players e todas as influencias e impactos que a PSA tem gerado no mercado mundial de suínos neste ano. Nesse cenário, a China é o ator principal. Dados de 2018 informam que metade da produção mundial de suínos estava concentrada em território chinês. “De uma produção global de pouco mais de 110 milhões de toneladas, só o mercado chinês respondia por 55 milhões de toneladas”, afirmou. Além de maior produtor, a China também é o maior consumidor de carne suína do mundo.
Justamente por se disseminar na China, a Peste Suína Africana ganhou holofotes da imprensa e do mercado mundial a partir de 2018. Os casos da doença se espalharam por todo sudeste asiático e, recentemente, vem impactando a produção de suínos na Alemanha, no continente europeu.
Em 2019, com a PSA, o volume da produção chinesa de carne suína caiu 22%. “Praticamente metade do rebanho foi perdido”, afirmou o palestrante. Além dos abates sanitários, o abate intenso de matrizes também acentuou o cenário. “Algumas particularidades da China com relação à estrutura e perfil de produção e distribuição geográfica facilitaram a dispersão do vírus”. Metade da produção de suínos do país era em pequenas criações de fundo de quintal, sem tecnificação, nutrição adequada ou escala. “Além de uma alta concentração da produção no norte e nordeste do pais”.
Yanaguizawa destaca o esforço do país asiático para reestruturar a produção. Uma das ações é reduzir pela metade o número de pequenas criações. “Reduzir esse perfil de produtor e melhorar a distribuição geográfica, levando a produção um pouco mais para o centro Sul do pais”. Essas medidas, em tese, estão apresentando alguns resultados positivos. “O número de novos casos segue uma tendência de redução, mas continua ativo ainda”.
Enquanto isso, as exportações de carne suína do Brasil, no acumulado dos nove primeiros meses desse ano, aumentaram 140%, um volume de 177 mil toneladas. “Já ultrapassou todo o volume exportado em 2019. Esse ano deve fechar com um novo recorde superior ao de 2019”. Metade das exportações brasileiras são para o mercado chinês, seguido por Hong Kong. “Essa dependência de um único comprador acende um sinal de alerta”. Por outro lado, nesse cenário em que o Covid-19 provocou queda do PIB mundial e no consumo de proteínas, “a gente tem a sorte que a China é nosso maior importador, pois é um dos poucos países que está importando”.
O consultor reafirma a necessidade de ficar alerta para os próximos anos com relação à tendência de redução do mercado chinês. “Mas, por ora, estamos tendo um dos melhores anos de exportação por conta da China”. O Brasil registrou aumento de 44% do volume exportado em 2020 e faturamento de 53%. “Conseguimos vender mais volume e, mesmo com a forte desvalorização do real frente ao dólar, estamos conseguindo vender com preços melhores”.
A última palestra técnica do Pig Meeting foi realizada, direto do Vietnã, pelo Médico Veterinário e PhD em Nutrição de Suínos, Francisco Domingues – Head of Swine Operation at Japfa Comfeed Vietnam que falou sobre a “Peste Suína Africana sob o ponto de vista prático: o que aconteceu e qual será o futuro na produção de suínos”.
Domingues relatou sua experiência no país asiático, onde está desde 2017, e os desafios no enfrentamento da peste suína africana. “Esperamos que não chegue a América do Sul de forma alguma, é um desafio muito grande, mas nada que não se consiga contornar”, destaca.
Enfrentando os desafios da PSA, ele afirmou que é possível atuar na suinocultura mesmo com a enfermidade. “Vimos uma diminuição drástica do rebanho, em torno de 60% na China e 50% no Vietnã e outros países afetados”.
Neste momento, esses países veem uma leve recuperação, mas a guerra continua. “A redução de planteis elevou os preços, mas não é fácil manter o rebanho, pois é necessário um mínimo de cabeças para fazer o negócio girar”. Nesse cenário, as pequenas granjas são as mais afetadas. “Na tentativa de recuperar a produção, acabaram provocando uma segunda onda de PSA”, relata.
O antídoto tem sido focar em biossegurança como prioridade total, convivendo com a doença. “Identificamos áreas de risco e implementamos diversas medidas, com isso diminuímos as perdas”, revela. Há dois anos a empresa vinha reforçando a biosseguridade como forma de evitar PRRS e PED. As medidas caíram como uma luva para a crise da PSA. “No final das contas, tudo se resume a biossegurança”.
Mais de uma tonelada de carne suína doada
Conforme Giongo, o Nucleovet tem como tradição realizar ações sociais casadas com seus eventos técnicos. Neste ano, com apoio de parceiros, realizou a doação de mais de uma tonelada de carne suína a entidades. “Denota a sensibilidade de olhar para o lado, perceber a necessidade da sociedade e fortalecer essas ações”, afirmou. As entidades beneficiadas foram: APAE Chapecó, Pastoral da Criança de Videira, Lar do Idoso de Xanxerê, Centro de Convivência do Idoso de Chapecó e para a Associação de Voluntários do HRO, APAE de São Carlos e Programa Viver de Chapecó, Amigos Cooperados de Chapecó, APAE Seara e Casa de Acolhida João Piltz.
Fabiano Parisoto, diretor da Ecofrigo, uma das parceiras nas doações de carne suína, falou sobre o orgulho de poder contribuir e parabenizou o Nucleovet pela brilhante iniciativa. “Nessa parceria com entidades filantrópicas, poder auxiliar o próximo, é algo maravilhoso”, afirmou.
Ao longo de 2020, o Nucleovet realizou ações distintas de doações à sociedade, como kits de respiradores e cardioversor para a UTI do para o Hospital Regional de Chapecó e kits para diagnóstico do Covid-19, auxiliando o trabalho da Embrapa Concórdia.

Notícias Maior zona de livre comércio do mundo
Acordo UE–Mercosul reforça protagonismo do Brasil no comércio internacional
Após 25 anos de negociações, tratado reforça liderança brasileira no bloco sul-americano e amplia acesso a um dos maiores mercados do mundo.

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: ” O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação” – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser uma vitória do diálogo. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou.
Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é uma sinalização em favor do comércio internacional. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.
O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigor.
Notícias
Dia de Campo da Copacol conecta pesquisa, manejo e mercado ao produtor
Estudos do CPA mostraram, na prática, soluções para solo, soja e milho, além de análises de mercado para apoiar a tomada de decisão do produtor.

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo CPA (Centro de Pesquisa Agrícola), e contou com a participação de 1,5 mil visitantes. “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperados que já acompanham de perto o trabalho do CPA garantem que eventos como esse fazem a diferença, como comenta o produtor de Joetaesse, Cássio Henrique Moeller. “O CPA sempre nos ajuda a alcançar melhores resultados e potencializar nossa produtividade e eventos como o Dia de Campo agregam muito conhecimento e traz novidades que nos ajudam a crescer nas propriedades”.
Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.
Na prática
Um dos assuntos abordados nas palestras em campo foi a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção. Essa compactação consiste na incapacidade de o solo absorver a água, o que muitas vezes pode gerar o aumento da umidade na superfície, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. “Nós utilizamos o método Dres [Diagnóstico rápido de estrutura de solo] onde podemos avaliar o nível de compactação do solo para saber qual técnica deve ser aplicada em cada propriedade, seja com plantas de cobertura, ou utilização de maquinários. É um processo muito importante, que impacta diretamente no desenvolvimento das culturas e na produtividade delas”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do CPA, Andrei Regis Sulzbach.

Para cooperado de Jesuítas, Renato da Silva Tonelli, é importante acompanhar o trabalho do CPA, e saber que problemas que eles enfrentam no dia a dia, já estão sendo estudados e soluções já podem ser aplicadas na propriedade. “No último ano tivemos problema com relação a compactação de solo, e hoje vi que há um trabalho de pesquisa já sendo feito para desenvolver novas formas de manejo, melhorar nossas condições e minimizar esses problemas que nós que vivemos do campo temos”, comenta o cooperado.
Outro assunto que chamou atenção dos participantes foi o painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA, que são apresentadas com duas datas de semeadura, adubação em quantidades de acordo com a época e orientação de acordo com a região plantada, também foram apresentados manejos de doença e controle de pragas. “Apresentamos um demonstrativo com as épocas de semeadura diferentes com o mesmo manejo, onde fica visível a diferença de comportamento de cada planta, para mostrar a importância de se atentar as recomendações do CPA, de acordo com testes feitos na prática”, conta o engenheiro agrônomo André Luiz Borsoi.
Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor.
Além disso, também foram apresentados resultados sobre plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades e manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo.
Comercialização
O mercado também faz parte do processo produtivo, e entender como e quando comercializar os grãos, é fundamental para o cooperado. Pensando nisso, a abertura do Dia de Campo contou com uma palestra sobre tendências no mercado de commodities, com o consultor da StoneX Brasil, Étore Baroni. “O objetivo é trazer mais informações para os cooperados. São muitos fatores que influenciam nos preços, então, é preciso preparar o produtor para aproveitar as melhores oportunidades ao longo do ano. Tivemos mudanças muito fortes nos preços nos últimos anos e o CPA consegue trazer esse ganho de produtividade contínua. Por isso, é preciso alinhar a produtividade boa, com níveis de preços bons, mantendo uma rentabilidade para o produtor”, completa o consultor.
Notícias Maior zona de livre comércio do mundo
Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA
Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos
Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.
No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.
Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.
Carne suína
Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intra-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.
Aves
Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.
O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intra-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.
Cotas do acordo
Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos
A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.
Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.
Confira a Nota Setorial na íntegra:
NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.
O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.
No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.
Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.
No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intra-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.
Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.




