Avicultura
Eles fazem a avicultura acontecer
Casal do Paraná retoma projeto abandonado e se destaca entre os melhores produtores
Os aviários da família Appel estavam sendo deixados de lado no interior de Marechal Cândido Rondon, PR. Os anos de trabalho deixaram cansado o produtor rural Ingo Apeel, que acabou falecendo há dois anos. Foi quando a filha Lisângela e o esposo Mateus Tholken decidiram alavancar o empreendimento, que estava a beira de ser fechado. Quando assumiram as duas granjas, tinham o terceiro pior Índice de Eficiência Produtiva (IEP) entre todos os cooperados. Em um mês de 2017, chegaram a terceiro melhor índice, que mede a conversão alimentar, o ganho de peso diário, a relação entre aves alojadas e abatidas, entre outros fatores. Por isso, orgulham-se, receberam R$ 1,11 por ave entregue, segundo eles, o maior valor já pago entre os integrados.
“Quando nós assumimos aqui, há pouco mais de dois anos, as granjas estavam praticamente abandonadas. Éramos o terceiro de trás para frente no Índice de Eficiência Produtiva. Em 2017 alcançamos o terceiro lugar geral no IEP”, conta Mateus. De acordo com o site da Copagril, são mais de 220 cooperados no fomento avícola, com mais de 330 granjas nos municípios da microrregião de Marechal Cândido Rondon. Todos têm o IEP mensurado.
“Decidimos participar mais e fazer a coisa certa. Eu penso que se for pra fazer, tem que fazer bem feito, tem que ser extremamente profissional, pois o mercado exige isso”, sugere a produtora. “Fizemos reformas e melhorias nos galpões, contratamos um funcionário e estamos nos capacitando sempre”, diz Mateus. O casal completa três anos gerenciando as granjas em maio de 2018.
São dois aviários, no modelo de cortinas, que abrigam 15 mil aves cada. Além das reformas, frisam, a mão de obra eficiente foi decisiva para mudar da água para o vinho. “Tivemos total assessoria da cooperativa na assistência técnica. Por outro lado, contratamos um rapaz para cuidar dos aviários que nunca tinha atuado na avicultura, mas muito disposto e observador. A mão de obra é muito importante na avicultura”, aposta Lisângela.
O projeto deu tão certo que a avicultura vai ganhar mais espaço na renda de Lisângela Appel Tholken e Mateus Tholken. A propriedade com mais de 30 anos na família agora ganha um novo aviário, que praticamente vai dobrar a capacidade de produção do casal. No modelo dark house, que passa a ser adotado pela Copagril, cooperativa a que são integrados, vão produzir 28 mil aves a cada lote. Ao todo, serão 58 mil aves a cada dois meses. “Estamos apostando na avicultura para diversificar a propriedade”, cita Mateus. O casal ainda conta com 83 alqueires destinados à agricultura – soja e milho.
Tecnologia
Mateus explica que o modelo dark house vai permitir ganhos ainda maiores. “Com esse sistema, muda um pouco o manejo, pois tem mais tecnologia. É um galpão diferenciado, todo automatizado, onde podemos ter o controle de vários índices, como temperatura, umidade, entre outros”, explica. “Hoje tudo se baseia na tecnologia. Quem diria o que a gente ia fazer com um celular. Na avicultura é a mesma coisa”, encara Lisângela. “No novo aviário, vamos instalar um sistema para fermentar a cama com lona. Isso é uma necessidade”, comenta Mateus.
Ansiosa, ela não vê a hora de alojar no novo aviário. “Já era para estar pronto, mas acabou atrasando porque queríamos construir em outro local. Esperamos que a gente possa alojar próximo da metade do ano de 2018”, destaca. De acordo com o casal, diversificação é a palavra de ordem. “Nosso projeto é de diversificação”, aponta Mateus. “Queremos fortalecer a propriedade em 2018”, garante a produtora.
Diversificação
Mateus explica que retomaram a avicultura na propriedade como primeiro instrumento para diversificar a renda. De acordo com o produtor rural rondonense, os planos estão adiantados para que o casal ingresse também na suinocultura e na bovinocultura de corte. “Hoje não dá para depender só da lavoura de grãos. É muito arriscado. Retomamos a avicultura para diversificar. Nossa ideia ainda é fazer um crechário para suínos na outra sede da fazenda. Já estamos pensando também o projeto para iniciarmos a criação de gado de corte, a pasto e confinado”, revela o paranaense.
Além de ter uma alternativa financeira caso haja frustrações de safra ou preços baixos, explica Mateus, a avicultura proporciona renda entrando mais vezes ao ano no caixa da fazenda. “Com as aves temos uma renda a cada dois meses, o que é muito positivo”, aponta. São seis lotes ao ano, com intervalos entre 14 e 20 dias entre eles.
Mais informações você encontra na edição do Anuário do Agronegócio Paranaense de janeiro/fevereiro de 2018.
Fonte: O Presente Rural

Avicultura
SBSA debate como transformar conhecimento técnico em resultados na avicultura
Especialistas discutem gestão, eficiência e aplicação prática durante evento em Chapecó.

A conexão entre conhecimento técnico, gestão e resultados práticos na produção avícola será discutida durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). O tema Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura será apresentado pelos especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, na quarta-feira, 08 de abril, às 16h30, durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio. Com mais de 18 anos de atuação na avicultura industrial brasileira, construiu sua trajetória profissional em empresas como BRF e Seara Alimentos, onde atuou como extensionista, supervisor, especialista agropecuário e gerente agropecuário.

Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Ao longo de sua carreira, prestou consultoria técnica a mais de 30 plantas industriais, desenvolvendo atividades relacionadas à gestão agropecuária, ambiência, manejo de frangos de corte, elaboração de padrões técnicos, condução de testes zootécnicos e formação de equipes técnicas em extensão rural. Atualmente é empreendedor e sócio-proprietário da Granjas Pampeano, no Rio Grande do Sul, onde atua no desenvolvimento de projetos avícolas voltados à eficiência produtiva, sustentabilidade e excelência operacional.
Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atua há 22 anos no setor agroindustrial, com experiência nas áreas de extensão rural, gestão e performance agroindustrial na produção de frangos, suínos, perus, postura comercial, matrizes e avós.
Atualmente dedica-se ao aperfeiçoamento dos sistemas de produção, com foco no desenvolvimento das pessoas que atuam na cadeia produtiva, buscando alavancar ganhos em eficiência, produtividade, qualidade, bem-estar animal, competitividade e sustentabilidade agropecuária, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais do agronegócio.
A palestra abordará os desafios de transformar informações técnicas e orientações produtivas em resultados concretos no campo, considerando fatores como gestão de equipes, eficiência operacional, aplicação de tecnologias e aprimoramento contínuo dos sistemas de produção. O tema destaca a importância de alinhar conhecimento científico, experiência prática e capacitação de profissionais para garantir competitividade e sustentabilidade na avicultura moderna.

João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio
De acordo com a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o Simpósio busca promover discussões que conectem ciência e prática. “O SBSA tem como proposta reunir especialistas que compartilhem experiências aplicáveis à realidade da produção. Discutir como transformar conhecimento em resultados é fundamental para fortalecer a cadeia produtiva e apoiar profissionais que atuam diretamente no campo”, destaca.
A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o bloco Conexões que Sustentam o Futuro foi estruturado para ampliar a visão estratégica do setor. “A produção avícola evolui rapidamente e exige cada vez mais integração entre conhecimento técnico, gestão e desenvolvimento de pessoas. Trazer especialistas com experiência prática na indústria contribui para que os participantes compreendam como aplicar as orientações técnicas de forma eficiente e sustentável”, afirma.
O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 07/04 – Terça-feira
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 08/04 – Quarta-feira
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Roselina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 09/04 – Quinta-feira
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura
Frango cai 5,2% em março e atinge menor preço desde julho de 2023
Cotação média de R$ 6,73/kg no atacado paulista reflete demanda interna fraca e incertezas no mercado externo. Recuo amplia vantagem frente às carnes suína e bovina.

Os preços da carne de frango seguem em queda nas principais praças acompanhadas pelo Cepea, pressionados pela demanda doméstica enfraquecida e por incertezas no mercado externo. O cenário internacional, marcado por tensões no Oriente Médio, importante destino das exportações brasileiras, tem gerado cautela entre agentes do setor e influenciado as negociações.

Foto: Shutterstock
No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado é negociado à média de R$ 6,73 por quilo na parcial de março, até o dia 18, recuo de 5,2% em relação a fevereiro. Em termos reais, considerando deflação pelo IPCA de fevereiro de 2026, trata-se do menor patamar desde julho de 2023.
Com a queda mais acentuada nos preços, a carne de frango amplia sua competitividade frente às demais proteínas. No caso da suína, embora também haja desvalorização, o ritmo de recuo do frango é mais intenso. Já em relação à carne bovina, o diferencial é ainda maior, uma vez que os preços da carcaça casada seguem em alta, ampliando a atratividade do frango para o consumidor.
Avicultura
Diferença de preço entre ovos brancos e vermelhos supera 40% em março
Menor oferta de ovos vermelhos e demanda da Quaresma ampliam descolamento de preços. Granjas operam com produção ajustada.

A diferença entre os preços dos ovos brancos e vermelhos se ampliou ao longo de março nas principais regiões produtoras acompanhadas pelo Cepea. Em Santa Maria de Jetibá (ES), maior polo de produção do país, o diferencial já supera 40% na parcial até o dia 18, acima do observado em fevereiro.

Foto: Divulgação/Asgav
De acordo com o Cepea, o movimento é puxado principalmente pela menor disponibilidade de ovos vermelhos no mercado interno. A oferta mais restrita dessa categoria tem sustentado reajustes mais intensos em comparação aos ovos brancos, ampliando o descolamento entre os preços.
A demanda sazonal também contribui para esse cenário. Durante a Quaresma, há aumento no consumo de ovos, o que pressiona ainda mais as cotações, especialmente dos vermelhos, tradicionalmente mais valorizados em períodos de maior procura.
Com a produção mais enxuta, agentes do setor relatam que parte das

Foto: Divulgação
granjas tem operado com entregas previamente programadas, limitando negociações no mercado spot. Esse ajuste entre oferta e demanda resultou em elevação dos preços médios dos ovos nos últimos dias, com maior intensidade para a variedade vermelha.
