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El Niño pode estender janela de colheita no Oeste do Paraná

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O fenômeno climático El Niño continua influenciando no andamento da safra de verão 2015/2016. Se por um lado a abundância de chuvas registradas logo após o plantio favoreceu o bom desenvolvimento das plantas, de outro as temperaturas amenas, somadas à alta umidade e ao período ininterrupto de chuva, estão impedindo que o produtor entre na lavoura e faça o manejo apropriado. 
Nesta mesma época, em 2014, as máquinas já estavam nas lavouras do Oeste paranaense fazendo a colheita da soja – principal cultura da safra de verão. Para esta safra, a expectativa do engenheiro agrônomo Darlan Verona, da Copagril, é de que a colheita inicie em meados de 09 de janeiro. “Antes disso, acho difícil ter alguém colhendo”, opina.
Verona explica que mesmo nas áreas plantadas antecipadamente o desenvolvimento da planta ainda não está completo, tendo em vista que a semeadura ocorreu com o solo seco.
Assim, a germinação uniforme aconteceu quando iniciaram as chuvas, que atrasaram um pouco. Apesar de ainda estar programada para o período esperado, a colheita deste ano deve se estender até o fim de fevereiro, ou, dependendo da variedade semeada, até início de março. 
“Hoje (ontem, 29) estive em algumas áreas que fizeram o plantio mais cedo, mas até mesmo esses locais ainda não estão no ponto de colher, estão maturando de forma bem desuniforme, no momento de fazer a dessecação”, pontua o agrônomo. “Se o clima colaborar, na semana que vem será possível dessecar algumas áreas e em oito ou dez dias já ser feita a colheita, mas acredito que antes do dia 08 ou 09 de janeiro não haverá nenhum produtor colhendo”, diz. 
Manejo
A aparente trégua que a chuva apresentou na semana passada colaborou para o manejo das lavouras, o que, segundo Verona, foi excelente para recuperar o desenvolvimento, prejudicado pelo extenso período de céu nublado.
“A falta de luz prejudica principalmente o milho. Se o produtor observar, quando ele abrir a espiga terão bastantes grãos na ponteira que estarão murchos, o que ocorre pela falta de luminosidade”, expõe.
“É como se a folha fosse uma célula fotovoltaica, que transforma a energia solar em carboidratos e proteínas que vão nutrir a planta. Sem luz esse processo não acontece”, complementa. 
 
Ferrugem
Principal inimiga das lavouras de soja, a ferrugem asiática não deixou de aparecer nas lavouras do Oeste. “Praticamente todas foram atacadas, algumas em áreas maiores e, outras, apenas em alguns pontos”, revela o engenheiro agrônomo. 
Ele explica que alguns produtores acabaram perdendo o prazo para fazer o manejo correto da lavoura, tendo em vista que não conseguiram entrar com o maquinário no campo em função das chuvas. 
“Se ele fez a primeira aplicação de fungicidas, mas, quando completou o período de 15 a 17 dias para fazer a segunda aplicação caiu naqueles dias de chuva contínua, essa janela entre as aplicações se alongou muito e foi nesse intervalo que a planta ficou desprotegida e o fungo se desenvolveu”, menciona.  
Verona diz que as muitas horas de molhamento foliar e as temperaturas amenas são os dois principais fatores que propiciaram o desenvolvimento do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem na soja. 
Contudo, grande parte dos produtores já estava preparada para o avanço da doença nesta safra e fez o manejo de fungicidas, por isso não devem ocorrer perdas significativas na produtividade e rentabilidade da oleaginosa. “Até agora os agricultores conseguiram fazer o controle do fungo, por isso não precisam se alarmar”, ressalta. 
 
El Niño
O profissional da Copagril comenta que a expectativa de profissionais ligados à meteorologia é de que o El Niño deve permanecer intenso pelo menos no primeiro semestre de 2016. “Principalmente nos três primeiros meses do ano deverá trazer muita água para a nossa região, o que é preocupante”, prevê.
O temor é de que as máquinas não consigam entrar no campo para colher em função do solo úmido, mas, além disso, que a condição da terra não propicie a semeadura da safrinha de milho. “Plantio no barro não tem como ser feito, é mais difícil plantar no molhado do que colher. Agora tudo está em função do tempo”, declara.
A recomendação do engenheiro agrônomo é de que os produtores fiquem atentos para o desenvolvimento de doenças, principalmente nas lavouras semeadas em meados de outubro, tendo em vista que a umidade e a temperatura propiciam o ambiente perfeito para o aumento de fungos, mesmo com pequenos períodos de sol. 
“Às vezes o que o produtor vai economizar no fungicida, que é um saco e meio ou dois por alqueire, ele terá muito mais em prejuízo no final. É preciso procurar uma assistência técnica, programar a próxima dessecação agora que estamos nos encaminhando para o período de colheita, e fazer o manejo adequado pensando numa produtividade maior”, orienta Verona. 

Fonte: O Presente

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor

Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

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Foto: Divulgação

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.

Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas

Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.

De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato

Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.

A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.

Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.

Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado”  – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável

Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.

No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.

Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.

“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27

Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

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Foto: Isabele Kleim/Divulgação

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.

A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina

Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

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Fotos: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.

A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.

Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.

Fonte: Assessoria ABIEC
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