Peixes
Eficiência da tilapicultura no Brasil revela gargalos e oportunidades para o setor
Espécie já representa 68,36% dos peixes de cultivo no País, movimentando mais de R$ 6 bilhões por ano. Setor reúne milhares de produtores e empresas dos mais diferentes segmentos de insumos à cadeia da alimentação.

O Brasil destaca-se entre os quatro maiores produtores de tilápia do mundo, atrás da China, Indonésia e Egito. A espécie já representa 68,36% dos peixes de cultivo no país, movimentando mais de R$ 6 bilhões por ano e reúne milhares de produtores e empresas dos mais diferentes segmentos – dos insumos à cadeia da alimentação.

Fotos: Jonathan Campos
No entanto, o professor PhD e livre docente em Administração Rural da Unesp/Feis, campus de Ilha Solteira, Omar Sabbag, aponta que é essencial avaliar indicadores de desempenho para verificar se a produção realmente gera retornos satisfatórios a quem produz e, além disso, buscar soluções para superar eventuais gargalos.
Para jogar luz no tema, Sabbag realizou em 2023 e 2024 pesquisa em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) e produtores do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. “Procuramos avaliar o desempenho de piscicultores com produção em sistema intensivo de tilápia, bem como investigamos as principais variáveis que afetam a eficiência destes piscicultores”, frisou Sabbag.
O estudo, de caráter exploratório, descritivo e quantitativo, foi aplicado aos principais fatores de produção (terra, trabalho e capital empregado), correspondentes à dimensão econômica, como o valor da produção e o salário médio na atividade piscícola.
Entre os dados coletados, destaque para a eficiência média da tilapicultura, que foi de 89,%: 55% das unidades de produção tiveram índices de eficiência acima de 80%. “Entretanto, houve predominância de retornos crescentes de escala (> 70%), inferindo que, à medida que se produz mais, o custo por unidade produzida diminui”, ressaltou Sabbag, destacando que a tecnologia de produção aliada à divisão do trabalho e à especialização podem permitir ganhos de eficiência, complementados por outros fatores, tais como assistência técnica, capacitação e crédito para investimentos.
Em reuniões com os grupos focais, foram listadas as prioridades para proporcionar viabilidade econômica e o contínuo crescimento da produção de tilápia no país: mão de obra qualificada, manejo inadequado com reflexo direto nos custos de produção e aspectos burocráticos, condizentes com a morosidade e custos para o licenciamento ambiental, de forma a orientar as ações para otimizar a produção de tilápias de maneira eficaz e fundamentada.
Quanto ao planejamento estratégico da tilapicultura, destaque à qualidade da água como ponto forte essencial. Pelo lado das fragilidades, os custos elevados e o manejo sanitário são desafios a superar. “O apoio governamental para financiamento apresenta-se como oportunidade para impulsionar o setor produtivo. Ressalta-se que os fatores relacionados à qualidade da água, custos, controle sanitário e apoio governamental representaram aproximadamente 80% das ocorrências na pesquisa”, salienta o especialista.
Além disso, Sabbag defende a simplificação dos processos de licenciamento ambiental, ou torga de água e regularização de propriedades; as políticas setoriais que possibilitem crédito acessível condicionado a práticas sustentáveis, correlacionando-se com tecnologia e inovação, como automação e monitoramento remoto; e a criação de programas de capacitação contínua para produtores, técnicos e extensionistas, abordando temas como manejo, sanidade, nutrição e gestão. “Em outras palavras, elementos que possam impulsionar a cadeia produtiva, refletir na promoção de avanços expressivos e aumentar a competitividade no mercado doméstico e exportador tornam o setor cada vez mais eficiente e inovador”, enalteceu.


Peixes
Lei define quem pode pescar, produzir e comercializar pescado no Brasil; entenda os principais conceitos
Normas estabelecem diferenças entre pesca e aquicultura, classificam profissionais, embarcações e áreas de atuação, além de regulamentar práticas como o defeso e o ordenamento pesqueiro.

A legislação brasileira que regulamenta a pesca e a aquicultura reúne uma série de conceitos que servem de base para a aplicação das normas no setor. As definições estabelecem quem pode exercer cada atividade, quais recursos podem ser explorados, como são classificadas as embarcações e quais regras orientam o manejo sustentável dos estoques pesqueiros.

Foto: Divulgação
Entre os conceitos centrais está o de recursos pesqueiros, que engloba animais e vegetais hidróbios passíveis de exploração econômica, pesquisa ou estudo, tanto na pesca quanto na aquicultura.
Embora estejam inseridas no mesmo setor produtivo, pesca e aquicultura são atividades diferentes sob o ponto de vista legal.
A pesca é definida como toda operação destinada à extração, captura, coleta ou apreensão de recursos pesqueiros em ambientes aquáticos.
Já a aquicultura corresponde ao cultivo de organismos cujo ciclo de vida ocorre total ou parcialmente na água, caracterizando-se pela existência de propriedade sobre os organismos cultivados durante todo o processo produtivo.
Quem pode exercer a atividade
A legislação também diferencia os profissionais que atuam no setor. O aquicultor é a pessoa física ou jurídica

Foto: Claudio Neves
registrada e licenciada pelos órgãos competentes para desenvolver a aquicultura com finalidade comercial.
O pescador profissional exerce a atividade com objetivo econômico, observando os requisitos previstos na legislação específica. Já o pescador amador realiza a pesca sem finalidade comercial, desde que possua a licença exigida.
Outro agente previsto é o armador de pesca, responsável por equipar e disponibilizar embarcações para a atividade pesqueira. A legislação também define a empresa pesqueira como a pessoa jurídica regularmente registrada e licenciada para explorar a pesca comercial.

Foto: Divulgação/MPA
Embarcações e áreas de atuação
As normas classificam ainda as embarcações utilizadas na atividade. São consideradas embarcações brasileiras de pesca aquelas pertencentes a pessoas físicas residentes no País ou a empresas brasileiras. Já as embarcações estrangeiras pertencem a pessoas ou empresas sediadas no exterior ou são operadas por meio de arrendamento por empresas estrangeiras.
A legislação também delimita os ambientes onde a atividade pode ser desenvolvida, incluindo águas continentais, como rios, lagos, lagoas e açudes; águas interiores, que abrangem baías, estuários, manguezais e canais; além do mar territorial, da zona econômica exclusiva, da plataforma continental e do alto-mar, respeitadas as restrições legais aplicáveis a determinadas áreas.
Transbordo, processamento e gestão dos recursos
Entre as etapas da cadeia produtiva, a legislação define o transbordo do pescado como a transferência do produto e

Foto: Divulgação
de seus derivados de uma embarcação para outra.
Também caracteriza o processamento como o conjunto de operações destinadas ao aproveitamento do pescado oriundo da pesca e da aquicultura.
Outro conceito previsto é o ordenamento pesqueiro, entendido como o conjunto de normas e ações voltadas à gestão da atividade com base em critérios biológicos, ambientais, econômicos e sociais, buscando conciliar a exploração dos recursos com sua conservação.
O que é o defeso?
A legislação estabelece ainda o conceito de defeso, período em que a pesca é temporariamente suspensa para proteger a reprodução, o recrutamento ou a recuperação dos estoques pesqueiros. A paralisação também pode ocorrer em razão de fenômenos naturais ou de acidentes que comprometam os recursos aquáticos.
Ao definir esses conceitos, a legislação cria uma base jurídica comum para a fiscalização, o licenciamento e a gestão da pesca e da aquicultura, além de orientar produtores, pescadores, empresas e órgãos públicos sobre as regras que disciplinam a atividade no Brasil.
Peixes
Tarifa dos EUA preserva mais de 90% das exportações brasileiras de pescados
Tilápia fresca, atuns, espadarte e lagosta congelada ficaram fora da sobretaxa de 25%, que entra em vigor em 22 de julho.
Peixes
Embrapa apresenta aplicativo gratuito para auxiliar gestão da piscicultura
Ferramenta reúne inteligência artificial, monitoramento da água, controle de custos e manejo de tilápia e tambaqui. Apresentação será no dia 05 de agosto.

A Embrapa promoverá no dia 05 de agosto, às 14 horas, uma apresentação on-line sobre o aplicativo Aquicultura Certa para técnicos, piscicultores e demais interessados. Disponível gratuitamente para dispositivos com sistema Android, o app é uma ferramenta de gestão inteligente da piscicultura, auxiliando no manejo e na tomada de decisões.
A apresentação será feita pelo pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (Campinas-SP) Silvio Evangelista, que explicará cada uma das funcionalidades da ferramenta. A participação é gratuita e o acesso pode ser feito clicando aqui.

Foto: Divulgação/Embrapa
A primeira versão do aplicativo conta com informações para a criação de tambaqui e tilápia. Nele, o usuário pode cadastrar seus tanques e criadouros, inserir informações sobre o número de alevinos, data de início da criação e peso alvo.
Um relatório traz indicadores sobre estimativa de despesca, estimativa de produção, custos com análises e tratamento da água, energia elétrica, produtos veterinários e manutenção do viveiro. O relatório traz também análises sobre a viabilidade econômica de cada viveiro.
O aplicativo ainda recebe dados sobre a biometria dos peixes, indicando curva de crescimento, calculando e orientando sobre a alimentação diária necessária. A qualidade da água também pode ser monitorada e as indicações de correção são feitas automaticamente usando, entre outras informações, os dados meteorológicos.
Alertas meteorológicos são emitidos pelo aplicativo, indicando, por exemplo, a recomendação de diminuir a quantidade de ração em certas condições climáticas, que mudam o comportamento dos peixes. O Aquicultura Certa conta ainda com recursos de inteligência artificial, que possibilitam tirar dúvidas do piscicultor por meio de um chat.
Reaqua
A apresentação do dia 05 será uma oportunidade de técnicos e piscicultores de todo o Brasil conhecerem melhor a ferramenta que está disponível gratuitamente. A iniciativa faz parte da Reaqua, rede que integra agentes de assistência técnica e extensão rural de todo o país. A coordenação da rede é da zootecnista Marcela Mataveli, da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO).

Foto: Paulo Michellon
De acordo com ela, “a Reaqua vem se consolidando como um espaço de articulação e troca de conhecimentos entre esses profissionais voltados à aquicultura. Nesse processo, vêm sendo realizadas oitivas com todas as instituições integrantes da rede, cujas contribuições têm orientado a definição das ações prioritárias”.
Marcela continua: “entre as principais demandas identificadas, destacam-se a apresentação e o compartilhamento de tecnologias voltadas aos sistemas intensivos de produção, alinhadas às soluções desenvolvidas pelo projeto BRS Aqua, fortalecendo a transferência de conhecimento e a inovação para o setor”.
Coordenado pela Embrapa, o BRS Aqua tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNA / MPA) e da própria Embrapa, contando ainda com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Para a live, Marcela espera a participação de diferentes públicos: extensionistas, técnicos, produtores e representantes de instituições parceiras. “A live busca fortalecer o engajamento da rede, ampliar o acesso a informações técnicas qualificadas e apresentar novas tecnologias que contribuam para o desenvolvimento e a competitividade da aquicultura brasileira”, entende.





