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Suínos / Peixes 2019 promissor

Economia interna e mercado global devem impulsionar suinocultura, avalia Santin

Boas notícias do mercado internacional se somam à expectativa de crescimento econômico no Brasil

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Arquivo/OP Rural

O suinocultor brasileiro, que trabalha com sistemas de integração ou de forma independente, pode comemorar um ano de 2019 bastante favorável para o setor. Depois de penalizado em 2018 por embargos e operações sanitárias que mancharam a imagem da suinocultura brasileira, grandes mercados mundiais reabrem suas portas e novos parceiros podem ganhar relevância nas exportações. São os casos de China, que precisa importar carne por conta do surto de Peste Suína Africana, que diminuiu os planteis e dificultou a logística no gigante asiático, de Rússia, que recentemente reabriu o mercado para a carne brasileira após longo embargo comercial, e de México, país em que as lideranças da suinocultura brasileira concentram esforços para começar a vender.

As boas notícias do mercado internacional se somam à expectativa de crescimento econômico no Brasil, que garante maior poder de compra ao consumidor, que reflete diretamente no consumo de carnes. Elas chegam depois de um 2018 marcado por dificuldades para os suinocultores brasileiros e para as agroindústrias. O custo de produção permaneceu em patamares elevados, a remuneração paga ao produtor não atingiu as cifras desejadas e as empresas sofreram com os reflexos das operações Carne Fraca e Trapaça, que fizeram com que países importadores das carnes brasileiras suspendessem as importações do Brasil. Em meio ao caos político, no ano passado também houve a greve dos caminhoneiros, que resultou em perdas para vários setores da economia.

Em entrevista para a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), o diretor-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, faz projeções otimistas para a suinicultura após o ano a ser esquecido. “Tivemos um ano de 2018 difícil por causa do bloqueio das exportações para a Rússia, mas no final do ano nós conseguimos a reabertura deste mercado. Na China vemos a Peste Suína Africana (PSA) avançar em proporções grandes. Fala-se que a China precisará importar de três a cinco milhões de toneladas de carne suína para atender a demanda. A gente já sabe que essa quantia não está disponível nos países exportadores, incluindo o Brasil”, aponta o executivo.

De acordo com Santin, os chineses vão precisar aumentar o consumo de carne de frango e bovina para suprir a falta de carne suína. Ele reforça que pela retomada das exportações para a Rússia e o episódio de PSA na China o Brasil vai ter um ano positivo na suinocultura.

Santin explica que é cedo para projetar o crescimento nos embarques, mas se nada acontecer de anormal nas questões sanitárias e comerciais, os embarques naturalmente vão ser maiores que os registrados no ano passado. “Devemos exportar muito mais do que as quase 600 mil toneladas de 2018. Infelizmente o envio de carne suína para outros países foi menor no ano passado em relação a 2017, mas em 2019 pretendemos ter patamares muito mais positivos. Como ainda dependemos verificar o panorama global, principalmente o de importação de carne suína da China, a gente ainda não fala em números. Mas se não houver nenhum episódio diferente, nós devemos ter crescimento entre 2 e 5% nos embarques de carne suína”, aponta o dirigente associativista.

Principais mercados externos

A figura dos importadores brasileiros não deve mudar muito, segundo Santin, mas a China deve tomar o posto de maior importador. “A China deve se confirmar como a maior importadora de carne brasileira, superando Hong Kong. Neste ano esperamos a habilitação de novas plantas para a China Continental. Hong Kong, que hoje é o maior importador de proteína brasileira, deve manter um bom volume de compras. A Rússia deve habilitar novas plantas para importar carne do Brasil. Esperamos exportar para a Coreia do Sul, mas temos grande expectativa em relação ao México, que é também um grande importador de carne”, menciona o diretor-executivo da ABPA. “A Ásia e alguns países da Europa estão sentindo os efeitos da Peste Suína Africana. Nós vamos ter a oportunidade de aumentar as nossas exportações porque eles terão diminuição da produção”, amplia.

No entanto, aponta Santin, é preciso manter o status sanitário para que a abertura comercial esperada se confirme. “A PSA está presente em vários países da Ásia, mas principalmente na China. Nós como produtores de suínos precisamos reforçar os cuidados com a sanidade da nossa propriedade. A sanidade é um dos grandes segredos do sucesso da nossa exportação. Esses cuidados devem ser ainda maiores em Santa Catarina, que é livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica”, orienta.

Imagem restaurada

Santin explica que a ABPA e outras entidades parceiras fazem um trabalho de recuperação da imagem desgastada após as operações sanitárias envolvendo a produção de carnes no Brasil. “Nós estamos fazendo um trabalho de recuperação da imagem global, mostrando a qualidade do nosso produto. Tivemos dificuldades de imagem, sim, mas é importante lembrar que desde a operação Carne Fraca, apenas 70 dos 160 mercados que nós atendemos barraram a importação de carnes do Brasil. Hoje todos esses países reabriram mercado com o Brasil”.

Ele amplia: “Continuamos a vender mais de quatro milhões de toneladas e 600 mil toneladas de suínos. Isso mostra a confiança que o mercado internacional tem em nosso produto. Existe muito trabalho para reconquistar a credibilidade e acredito que este ano será muito positivo não somente para o setor, mas também para a imagem brasileira do agronegócio”, aposta a liderança.

Fim da recessão

Ele explica ainda que as expectativas do setor suinícola se renovam com a entrada de um governo supostamente disposto a dar mais atenção ao agronegócio brasileiro, pilar da economia e fonte absoluta do superávit na balança comercial. “As expectativas que a gente tem com o novo governo e com o Ministério da Agricultura (Pecuária e Abastecimento) são positivas. O novo governo traz a responsabilidade de fazer reformas e colocar o país nos trilhos de novo. Nós já percebemos a economia caminhando, o crescimento do emprego e a confiança dos empresários retomada. Felizmente acabou aquele ciclo de retração econômica que nós vivenciamos nos últimos três anos. O crescimento projetado para a economia em 2019 está na casa dos 2,5 a 3%”, menciona Ricardo Santin.

Com relação a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, a expectativa é ainda mais positiva. “A ministra é uma grande conhecedora do nosso setor, uma especialista em agronegócio. Ela também tem o apoio do secretário-executivo Marcos Montes. Vamos ter um ciclo muito positivo para as carnes suína, de aves e de ovos, que são representadas pela ABPA”, sustenta.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Escherichia coli, uma única bactéria, múltiplas patologias

A capacidade patogênica dessa bactéria é determinada pela presença dos chamados fatores de virulência

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Isaac Rodriguez, gerente Técnico e Marketing América Latina da Hipra Saúde Animal

A Escherichia coli pertence à família das enterobactérias, bactérias Gram-negativas anaeróbias facultativas. Dentro dessa espécie, existem cepas de E. coli que pertencem à flora comensal do indivíduo e outras cepas patogênicas potencialmente causadoras de doenças gastrointestinais. A capacidade patogênica dessa bactéria é determinada pela presença dos chamados fatores de virulência, estruturas bacterianas antigênicas que formam parte da conformação natural de E. coli, assim como por sua capacidade de produzir toxinas, substâncias com diversos efeitos patogênicos sobre o indivíduo.

Entre os fatores de virulência mais estudados, encontramos as fímbrias (F), os flagelos (H), o antígeno somático (O) e a cápsula e a microcápsula (K). Há múltiplas classificações que podem ser feitas com as mais de 25 cepas de E. coli identificadas no trato gastrointestinal de um suíno e as mais de 120 espécies descritas. Se nos concentrarmos na combinação do antígeno fimbrial, no tipo de toxinas produzidas e na patologia desenvolvida em suínos afetados por E. coli, poderemos encontrar as doenças mais prevalentes em suínos associadas a esta bactéria.

Há várias curiosidades epidemiológicas sobre o modo de vida dessa bactéria a nível do trato gastrointestinal dos suínos. Por exemplo, as cepas dominantes de E. coli podem variar de um dia para o outro, com a proliferação e a variação máxima das cepas ocorrendo no intestino delgado, enquanto, o número de bactérias permanece constante no íleo e no reto. Em momentos de doença, as mesmas cepas costumam se encontrar presentes em vários animais doentes e costumam persistir em lotes sucessivos, com infecções mistas (por mais de uma cepa) sendo mais frequentes que infecções causadas por apenas uma cepa. Finalmente, destaque-se que as rotinas de limpeza e desinfecção costumam ser insuficientes para romper o ciclo de infecção por E. coli, e é por isso que as infecções por esse agente costumam ser recorrentes nas criações expostas a este.

A doença do edema: pouco lembrada, mas muito presente

A doença do edema é causada por VTEC, com as cepas produtoras de verotoxina 2e (Vt2e) ou toxina semelhante a Shiga 2e (STx2e) de Escherichia coli sendo as únicas capazes de produzir a doença do edema (ECED). Essa nomenclatura dupla (Vt2e e Stx2e) possui origem dupla: por um lado o efeito letal que Vt2e tem sobre as células Vero (células de cultura comumente usadas a nível laboratorial) e, por outro, a semelhança estrutural de tal toxina com a produzida por Shigella dysenteriae, e é por isso que tem o nome de toxina semelhante à de Shigella (Stx2e).

Normalmente, E. coli que apresenta majoritariamente fímbrias de aderência F18ab, mas também F18ac, corresponde às cepas responsáveis pela produção de Vt2e. Essa circunstância condiciona o momento de surgimento da doença, já que os receptores de aderência para E. coli F18 não são expressos completamente em leitões com menos de 20 dias de vida, e é por isso que o momento de surgimento da doença ocorre ao redor de 5-14 dias após o desmame desses animais, que costuma ocorrer entre 21 e 28 dias de vida. É importante considerar que a doença do edema também pode se manifestar na fase de engorda, com a introdução dos suínos no lote de terminação, que é o momento crítico em seu desenvolvimento.

Com esses receptores já tendo sido ativados, as ECED colonizam o intestino delgado, aderem às fímbrias e começam a secretar Vt2e. Quando a toxina alcança a corrente sanguínea, distribui-se até os tecidos, onde exerce seu efeito tóxico, que é a destruição das paredes dos vasos sanguíneos, o que se supõe que causa o surgimento dos edemas característicos da doença.

Quando se ingerem ECED em quantidade suficiente, sua proliferação é bastante rápida, atingindo concentrações maciças da ordem de 109 UFC/g. Esse grau de colonização e, portanto, de produção de Vt2e condicionará o desenvolvimento da infecção e, com isso a forma de apresentação da doença. A apresentação clínica da doença do edema poderá ser diferente, com base no grau de colonização e na capacidade de produção de Vt2e.

Formas de apresentação da doença do edema

Forma clínica ou aguda. Trata-se da forma característica da doença, que costuma se apresentar nos animais após seu desmame, embora também possa se apresentar nos animais na entrada da fase de terminação. Essa apresentação se caracteriza por ser esporádica e afetar todo o grupo, embora apenas uma proporção morra de forma súbita, sem apresentar nenhum outro sinal clínico associado.

Os sinais clínicos mais característicos são:

  • Inapetência
  • Inchaço das pálpebras e da parte frontal da cabeça
  • Emissão de grunhidos característicos
  • Incoordenação motora
  • Dificuldade respiratória
  • Ausência de febre e diarreia
  • Nas fases terminais, um número reduzido de animais pode apresentar diarreia aquosa com coágulos de sangue vivo
  • Uma parte dos animais que desenvolvem os sinais clínicos anteriores ficará prostrada e morrerá. Os níveis de mortalidade podem variar entre níveis baixos (que, inclusive, podem passar despercebidos, correspondendo a cerca de 1-3%) ou extremos (incluindo entre 50 e 90% dos animais do lote).

Forma crônica

Os animais que forem capazes de sobreviver a uma forma aguda da doença permanecem no grupo exibindo atraso no crescimento e podendo demonstrar distúrbios nervosos unilaterais, tais como pedalagem, torção da cabeça ou atrofia dos músculos das extremidades, com debilitação progressiva.

Forma subclínica

Os leitões ficam clinicamente saudáveis, mas desenvolvem lesões vasculares, que podem resultar em atraso do crescimento.

Lesões características da doença do edema.

Entre as lesões mais frequentes e características da doença do edema clínica e crônica, encontram-se:

  • Edema subcutâneo na cabeça e pálpebras.
  •  O estômago costuma apresentar o conteúdo alimentar aparentemente fresco. Os edemas se localizam na submucosa gástrica e, ocasionalmente, no fundo.
  • Mesocólon edematoso.
  • Edema no mesentério do intestino delgado, assim como da vesícula biliar.
  • Nódulos mesentéricos e do cólon que costumam parecer edematosos, congestos e inchados.
  • As cavidades pericárdica, pleural e peritoneal podem apresentar um ligeiro aumento do conteúdo seroso, com possível presença de fios de fibrina.
  •  Costuma-se apresentar um edema pulmonar, embora em um grau de afecção amplo, indo desde um edema leve até uma congestão sublobular generalizada.
  • Fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença do edema.

Mesmo considerando que a doença do edema possui um único agente causador (Vt2e), pode-se chegar a considerar uma doença multifatorial, por causa dos muitos fatores que condicionam seu desenvolvimento. Entre os fatores de risco mais comuns, encontram-se:

  • Desmames precoces.
  • Situações de estresse ao redor da fase de desmame e da entrada na fase de terminação.
  • Ausência ou presença reduzida de anticorpos maternos contra Vt2e.
  • Composição genética de crescimento rápido e alto consumo de alimentos.
  • Mistura de animais de diferentes origens e status sanitário.
  • Níveis elevados de proteína bruta da dieta nos primeiros dias pós-desmame e da terminação.
  • Alterações de dieta, bem como dietas com proteínas pouco digestíveis.
  • Altas concentrações de farelo de soja.
  • Água de baixa qualidade e não tratada.
  • Presença de doenças concomitantes, especialmente aquelas associadas a E. coli, tais como as diarreias pós-desmame.

Conclusões

Embora a doença do edema seja uma patologia antiga, a realidade atual é que, no entanto, ela costuma se associar diretamente a diarreias pós-desmame. Se acrescentarmos a isso que a doença do edema não costuma estar presente nos diagnósticos diferenciais de leitões com sinais clínicos neurológicos e mortalidade no desmame ou na entrada na fase de engorda, o que encontramos é um possível cenário de doença do edema mal diagnosticada e mais prevalente do que se poderia imaginar.

Portanto, podemos associar E. coli como sendo responsável por outras sintomatologias diferentes das diarreias de fases iniciais ou pós-desmame. Quando se observar sintomatologia nervosa, geralmente atribuída a agentes tais como Streptococcus suis ou Haemophilus parasuis, torna-se importante, por tudo que foi descrito anteriormente, incluir as cepas de E. coli produtoras de verotoxina 2e no diagnóstico diferencial, para uma abordagem correta da doença e um diagnóstico final correto.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Especialistas defendem controle combinado de micoplasma, circovirose e ileíte

Circovirose, micoplasma e ileíte são algumas das enfermidades mais importantes para a suinocultura brasileira porque são as mais prevalentes no país

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Arquivo/OP Rural

Uma estratégia sanitária que combina o controle e a prevenção simultâneos de três agentes infecciosos que mais desafiam a suinocultura tem trazido resultados eficientes ao campo. A circovirose, o micoplasma e a ileíte são algumas das enfermidades mais importantes para a suinocultura brasileira porque são as mais prevalentes no país e, consequentemente, trazem as maiores perdas econômicas. Este quadro vem ganhando importância na medida em que crescem as pressões globais pelo uso cada vez mais restrito de antibióticos na produção animal.

E, diante deste cenário de restrição, um programa sanitário eficiente associado a biosseguridade, manejo adequado e nutrição nunca foi tão importante para minimizar o impacto econômico para o produtor. A médica veterinária e coordenadora técnica da MSD Saúde Animal, Brenda Marques, defende a aclimatação correta das leitoas como estratégia cada vez mais importante e eficiente no controle do Mycoplasma hyopneumoniae.

“É necessário quebrar alguns paradigmas e entender que as granjas precisam se preparar para um novo cenário de produção com uso cada vez mais restrito de antimicrobianos”, afirma a especialista, que também alerta para a importância da prevenção conjunta do micoplasma com estes outros patógenos igualmente desafiadores. “Sabemos da interação destes agentes com outros patógenos e também o impacto de fatores ambientais e estresse na ocorrência de doenças respiratórias”, diz ela salientando a estratégia da empresa de trabalhar simultaneamente na prevenção de enfermidades para manter elevada a produtividade do plantel e a rentabilidade do produtor.

Desafios

A especialista defende que o mercado brasileiro pode avançar mais rapidamente na redução do uso de antimicrobianos na produção, atendendo uma demanda global crescente, aprendendo com as lições que ocorreram em países da Europa e nos Estados Unidos. “Nestes dois mercados não houve adaptações dos produtores. Eles precisaram reagir às pressões. O que temos em nosso favor é que podemos nos adaptar e isso é sem dúvida mais fácil que precisar reagir. E estamos em um bom momento para adaptações”, avalia.

“A capacidade de produção do Brasil é alta e com muitas possibilidades de participar de mercados estrangeiros, especialmente diante do quadro de tensão comercial entre os Estados Unidos e outros países, especialmente falando da China. Outros países da nossa região, como o Chile, por exemplo, estão trabalhando muito rapidamente em questões como redução de antibióticos e bem-estar animal”, continua Brenda.

Ela acredita que a adaptação no plantel brasileiro pode se dar através de sistemas de análises de prevenção de enfermidades, manejo adequado, nutrição e biosseguridade alinhando os objetivos do mercado às necessidades do consumidor.

Controle e Prevenção 

O trabalho de controle e prevenção tem melhores resultados com um programa de vacinação que contemple três agentes infecciosos de maior importância no campo: o circovírus suíno tipo 2, o Mycoplasma hyopneumoniae e a Lawsonia intracellularis. “Redução da perda de peso diária e mortalidade associada com infecção por PCV2 e pela Mycoplasma hyopneumoniae são os primeiros impactos desta medida”.

Outros benefícios também são citados pela especialista, como redução do manuseio dos animais, facilitando o processo de vacinação, além de minimizar o estresse nos leitões, avalia. “Também reduz a excreção viral, resultante das infecções por circovirose, e lesões pulmonares causadas pela infecção por Mycoplasma hyopneumoniae. As doenças são controladas no mesmo momento”, menciona Brenda.
Esta estratégia é resultado de um trabalho de inovação e diferenciação com investimentos em pesquisa e colaborando a melhoria da sanidade e dos resultados da cadeia produtiva, ressalta o médico-veterinário e gerente de Produtos da MSD Saúde Animal, Robson Gomes. Ele ainda lembra a importância de combinar este trabalho de controle do micoplasma associado com outra enfermidade também desafiadora para os produtores: a ileíte.

Esta associação é uma resposta da empresa para o desafio global de se produzir proteína animal com uso cada vez mais restrito de antibióticos. A ileíte é uma doença entérica que acomete suínos nas fases mais tardias de crescimento e terminação e era tratada justamente com estas moléculas, quadro que exige inovações da cadeia produtiva para manter elevados os índices de produtividade no campo.

Entre os principais impactos da doença no plantel estão a queda de ganho de peso e conversão alimentar, sobretudo ao final da fase de terminação, alerta o médico-veterinário. Outro indicador afetado pela enfermidade apontado pelo especialista é a incidência de desuniformidade do lote. “A ileíte sempre teve um impacto significativo na suinocultura. E ganhou importância mais recentemente por conta da restrição no uso de antimicrobianos e a chegada de uma vacina que proporciona o controle eficaz da doença e de forma conveniente para todos os suinocultores”, afirma.

Ele defende a importância de uma vacinação contra Lawsonia intracellularis com longa duração de imunidade, o que significa proteger o animal durante todo o ciclo de crescimento e engorda. “Uma menor pressão de infecção através de uma redução da quantidade e do tempo de excreção de bactérias é outro benefício desta medida, que é ainda mais importante neste momento em que a atividade enfrenta o desafio de manter elevada a eficiência produtiva apesar do uso cada vez mais restrito de antimicrobianos”, defende Gomes.

De acordo com ele, esta experiência no campo permitiu constatar ainda uma eficaz redução da colonização e do tempo de excreção da Lawsonia Intracellularis. “Também foi capaz de reduzir as lesões macro e microscópicas provocadas pela doença”, salienta o especialista, alertando que a prevalência deste agente infeccioso é alta nos rebanhos brasileiros e que a imunização do rebanho pode colaborar com o uso racional ou até mesmo a redução de medicamentos.

Para se ter uma ideia do impacto da Enteropatia Proliferativa Suína, a enfermidade traz grandes prejuízos ao suinocultor, como redução no ganho de peso e piorando a taxa de conversão alimentar. No Brasil, a principal forma de manifestação da doença é a subclínica, sendo silenciosa e devastadora.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Fibras na dieta de matrizes melhora desempenho da leitegada

Fibras podem ser utilizadas em todas as fases de produção, auxiliando no funcionamento do trato intestinal dos animais

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Arquivo/OP Rural

Uma boa opção para a nutrição animal, as fibras são ingredientes a base de madeira fresca especialmente selecionadas para a nutrição que passam por processo de moagem ultrafina. Elas dão suporte ao funcionamento fisiológico de todo o sistema gastrointestinal, contribuindo para uma melhor eficiência zootécnica dos suínos. Mesmo sendo já bastante utilizada, ainda são muitas as dúvidas que surgem em produtores e profissionais sobre como utilizá-las e quais são os seus reais benefícios para a produção animal.

Segundo o médico veterinário e CEO da Biosen, Fernando Toledano, são diversas as contribuições que a utilização das fibras proporciona, especialmente na dieta de suínos. “Dietas destinadas à nutrição de animais de produção, tais como aves e suínos, possuem um baixo percentual de fibras, limitando o funcionamento do trato gastrointestinal. O principal benefício das fibras funcionais é permitir um reequilíbrio das funções fisiológicas dos animais utilizando-se baixas inclusões nas dietas”, explica.

Toledano informa que em fêmeas suínas em fase reprodutiva, as fibras funcionais permitem um melhor gerenciamento do nível glicêmico, levando uma melhor estabilidade reprodutiva, leitões mais pesados ao nascimento e melhor produção de leite nas porcas. Já o uso de fibras funcionais em dietas de leitões no período pós desmame previne o desenvolvimento das chamadas diarreias pós-desmame por estimularem o funcionamento adequado dos intestinos. “Elas podem ser utilizadas em todas as fases da criação, especialmente em matrizes”, salienta.

O médico veterinário esclarece que a análise de custo benefício sobre o uso de fibras funcionais deve considerar a situação do plantel. “Quanto maiores forem os transtornos causados pela deficiência de fibras nas dietas dos animais, maior será a contribuição das fibras funcionais e um maior retorno financeiro será observado”, conta. O especialista comenta que, de modo geral, o uso de fibras funcionais na atividade de suinocultura pode ser considerado um dos melhores investimentos na área nutricional a ser feito pelo produtor, tamanha é a deficiência de fibra, “tanto em quantidade, quanto em qualidade”, afirma.

Estudos comprovam

Para aqueles que ainda têm dúvidas sobre os benefícios da utilização das fibras, Toledano diz que atualmente está disponível ao público uma série de pesquisas feitas com animais, especialmente suínos, mostrando os benefícios de uso de fibras funcionais na performance reprodutiva e zootécnica do plantel. “As linhas de pesquisas mais promissoras mostram que as fibras melhoram a produtividade reprodutiva do plantel e a saúde intestinal dos suínos”, conta.

Além disso, as fibras funcionais são ainda uma excelente opção para a redução da utilização dos antibióticos, algo muito cobrado tanto pelo consumidor quanto dos mercados externos. “As fibras funcionais contribuem para redução do uso de antibióticos porque dão suporte às funções gastrointestinais dos animais. Funções estas que são prejudicas no sistema de criação intensiva dos animais”, esclarece o médico veterinário.

O profissional afirma que como consequência disso, há um melhor estímulo a função peristáltica, maior produção de ácidos graxos voláteis e um melhor equilíbrio da microbiota intestinal. “Mas é importante salientar que o alimento sozinho não é a única solução, boas práticas de manejo, bem como bem-estar animal, compõem os pilares para animais melhores e sadios, consequentemente, retorno positivo zootécnico e econômico”, sustenta.

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Fonte: O Presente Rural
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