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Suínos / Peixes Coronavírus

“É certo que o mercado não será o mesmo de antes do início da pandemia”, afirma Marcelo Lopes

Presidente da ABCS fala sobre momento vivido pelo mercado e como ele está afetando a cadeia suinícola nacional e internacional

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Arquivo/OP Rural

 O mercado muda rápido. E neste ano todos tiveram a prova real disso. O início do ano era bastante promissor, retomada da economia, altas exportações de soja e proteína animal. Tudo mudou em meados de fevereiro com a pandemia do coronavírus. Para entender um pouco do que esperar e como está se comportando o mercado suinícola neste período, a reportagem de O Presente Rural conversou com o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes.

O Presente Rural (OP Rural) – Com esta pandemia, como tem se comportado o mercado suíno nos últimos meses no Brasil e no mundo?

Marcelo Lopes (ML) – No Brasil, o primeiro impacto foi a preocupação com a saúde dos colaboradores. Granjas e frigoríficos de conscientizaram da gravidade da pandemia e adotaram medidas de proteção, tomando as providencias recomendadas pelas autoridades sanitárias. Houve redução de demanda do mercado com as medidas restritivas para fechamento de restaurantes e redução da circulação de pessoas e por isso, o preço pago ao produtor caiu consideravelmente em algumas praças. A preocupação agora é com o poder aquisitivo da população diante da crise, além dos custos de produção ainda em alta.

Em países da Europa e nos EUA, muitas granjas têm adotado o sistema de dois turnos de trabalho, com duas equipes diferentes que não se encontram. É uma forma de prevenir-se para eventuais afastamentos causados pela doença. Na China, acredito que a COVID-19 que já está relativamente controlada e não deve interferir no ritmo de recuperação da suinocultura chinesa. O controle da PSA propriamente dita é que ainda é o grande desafio do país. O Brasil não pode jogar todas as fichas na exportação para a China, a qual já detém quase 60% de nossos embarques (dados de março de 2020). Precisamos investir mais no mercado doméstico que representa mais de 80% de nossa produção.

OP Rural – O que o setor pode esperar para os próximos meses frente a essa pandemia? Percebe que o setor continua otimista?

ML – Não há perspectivas precisas quanto ao tempo de duração da crise nas atividades econômicas e seus desdobramentos. O importante neste momento é direcionar atenção e esforços para a proteção da saúde de colaboradores, adotando as medidas recomendadas e orientando-os quanto às condutas mais seguras no ambiente de trabalho, no transporte e em casa.

É certo que o mercado não será o mesmo de antes do início da pandemia. A queda esperada no poder aquisitivo implicará em vender produtos com menor valor agregado (mais baratos). Neste contexto os alimentos in natura ganharão mais espaço. No caso das granjas, já estávamos com custo de produção elevado e este recuo da demanda e dos preços coloca a atividade com margens negativas. Entretanto, é preciso entender que esta crise atingirá praticamente todos os setores. Não podemos entrar em pânico. Se tem um setor que é essencial e que deverá ser fundamental não somente no combate à pandemia, mas também na recuperação da economia mundial pós pandemia este é o setor da alimentação.

É possível que haja uma queda no poder aquisitivo da população brasileira em decorrência da inevitável crise econômica e isto exigirá criatividade do setor, investindo, dentre outras medidas, no aumento da participação de produtos in natura, mais acessíveis, no varejo.

OP Rural – Diante da pandemia, até mesmo o consumo de carne suína pelo consumidor tem mudado, o que tem feito com que o preço do suíno vivo caísse. Acredita que isso pode acarretar uma crise no setor?

ML – Independente da pandemia, a expectativa já era de um ano de custo de produção elevado, em função do câmbio valorizado e das demandas interna e externa de milho e soja.

Justamente nas semanas em que o preço do suíno despencou, o milho e a soja, atingiram preços recorde, sendo que o farelo de soja chegou a ser vendido a mais de R$ 1.700 reais a tonelada em algumas praças.

A colheita da primeira safra de milho, aliada à queda vertiginosa dos combustíveis que desvalorizou o etanol, fizeram com que houvesse uma queda gradativa nos preços deste insumo.

Como a exportação do milho brasileiro no primeiro semestre é relativamente baixa, a tendência é que haja mais queda no preço do milho, pelo menos até o final da primeira safra, em mais algumas semanas. Com relação à segunda safra de milho, prevista para iniciar em maio, a expectativa de boa produtividade se mantém, com o clima estável em termos de regime de chuvas nas maiores regiões produtoras desta safra.

Ainda será um ano de custo de produção elevado, mas os preços recordes dos grãos atingidos não devem se repetir, pois os indicadores climáticos e de oferta e demanda interna e externa determinam uma tendência de acomodação dos preços em níveis relativamente mais baixos.

OP Rural – O que podemos esperar do mercado de suínos para os próximos meses no Brasil e no mundo?

ML –

  • Exportação continua em bom ritmo, com tendência de aumento;
  • O mercado doméstico terá que se adaptar rapidamente a provável mudança no perfil de consumo;
  • Os alimentos in natura, menos processados e mais baratos ganharão mais espaço
  • Exigência de maior qualidade e saudabilidade dos produtos;
  • Segundo o estudo “Carne suína: a atual visão do consumidor”, realizado em 2019 pela ABCS, o consumo de carne suína in natura já vinha rescendo com os anos, desde 2004 e no ano passado representava mais de 70% do consumo deste tipo de proteína;
  • O estudo também mostrou que a proteína suína cresce cada vez mais quanto à recomendação de profissionais da saúde como uma proteína saudável;
  • Oportunidades: O isolamento social tem proporcionado maior conexão entre famílias, principalmente nos momentos de preparo da comida. As pessoas estão reaprendendo a cozinhar, experimentando novas receitas, tendo mais criatividade no preparo;
  • Quanto à qualidade na produção, a pandemia é uma boa oportunidade para reforçar algumas medidas de biosseguridade das granjas;
  • Apostar na transparência e segurança na produção, e atender aos requisitos quanto ao bem-estar animal e o uso racional de antibióticos;
  • Fora do país não há dúvidas de que a carne brasileira é de alta qualidade;
  • Exportamos para mais de 100 países e ocupamos o quarto lugar como exportador mundial;
  • Nosso sistema de produção, industrialização e inspeção são referências mundiais e a sanidade do rebanho é considerada uma das melhores do mundo, pois não temos doenças como PRRSS, PED, TGE e PSA.

OP Rural – Como as exportações estão se comportando nesse período?

ML – No primeiro trimestre houve um aumento de 33% das exportações de carne suína in natura em relação ao mesmo período do ano passado. A tendência de bom ritmo se mantém para os próximos meses.

OP Rural – A alta do dólar tem influenciado de alguma forma o mercado suíno?

ML – A alta do dólar tem sido prejudicial na cotação do farelo de soja, em patamar de preço muito elevado. Outros insumos importados, como vitaminas, aminoácidos e produtos veterinários também sofreram aumento e pressionam ainda mais o custo de produção para cima. Por outro lado, o dólar mais caro, tem beneficiado a exportação de carne suína que neste ano deve bater recorde novamente.

OP Rural – Qual tem sido o trabalho da ABCS neste momento de pandemia?

ML – A ABCS tem tomado uma série de medidas para apoiar os produtores durante esse período de pandemia, como a produção de materiais com orientações sobre as medidas necessárias para as granjas e agroindústrias, recomendações quanto ao transporte de colaboradores e dos animais e um material com perguntas e respostas com as principais dúvidas no primeiro momento, preocupação com os colaboradores e com os animais.

Trabalhando de forma sistêmica, vemos também a preocupação dos consumidores. Por isso, foram realizadas consultas a especialistas (nutricionista e nutrólogo) e compartilhamento de informações sobre os benefícios da carne suína para a saúde e para o aumento da imunidade, tão importante nesse momento que vivemos.

Pensando na cadeia como um todo, também produzimos pacote de marketing com informações sobre imunidade para a utilização de todos do setor e compartilhamento nas redes sociais. Também realizamos videoconferências e lives com especialistas na área da saúde e do mercado internacional, trazendo dicas e atualizações sobre o setor.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

O preço da biosseguridade

No dia a dia da produção animal, os programas de biosseguridade se tornam eficientes ao estarem embasados em normativas e legislações consistentes

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Monalisa Pereira

Artigo escrito por Débora Bernardes, médica veterinária da MS Schippers

Quando falamos de biosseguridade muitas vezes a enxergamos como um investimento, um custo dentro do processo de produção animal, e não como uma medida obrigatória para proteção da sustentabilidade do negócio a longo prazo. A persistência em uma visão de curto prazo sobre a demanda do mercado pode ser fator limitante para a sobrevivência de vários participantes da cadeia de alimentos. O padrão de consumo está mudando a cada ano, e além disso, do ponto de vista de saúde humana, nós sabemos que as próximas décadas exigirão um cuidado maior na utilização de recursos sustentáveis e nas boas práticas de produção, de forma a aumentar a eficiência produtiva e reduzir o uso abusivo de medicamentos. Atualmente vivemos um momento de ascenção da biosseguridade como medida básica de sobrevivência e convívio social, e o desafio pandêmico do coronavírus na saúde humana tende a trazer mais reflexões também dentro da cadeia agropecuária.

Está mais evidente que setores essenciais como o de produção de alimentos precisam estar blindados de catástrofes sanitárias e econômicas para garantir a sobrevivência da população mundial. O setor agropecuário, que já viveu diversas epidemias preocupantes ao longo dos anos, dentro de poucos anos precisará suportar novas pressões de redução no uso de antibióticos e agrotóxicos através de práticas de biosseguridade. A produtividade por área precisará aumentar, já que precisaremos alimentar uma população global continuamente crescente com proteína animal e vegetal suficientes.

Para que isso aconteça, esforços multidisciplinares deverão ser combinados entre empresas, universidades, e governos, como já sugerido pelo conceito de “saúde única” (onde seres humanos, animais e meio ambiente são uma só entidade de saúde a ser tratada). No âmbito de da produção pecuária, sabemos que a infra-estrutura de granjas e fazendas ao redor do mundo é extremamente variável, bem como a intensificação dos sistemas de produção e as legislações que os governam. Por isso, o compartilharmento de informações dentro do tema biosseguridade é fundamental para que o próprio setor se prepare para, em um futuro bastante próximo, mudar suas concepções de prioridade em manejo e produção.

Em sistemas de produção mais intensivos (como na avicultura e suinocultura) o desafio e risco sanitário é grande, afinal o confinamento de mais animais em um mesmo espaço é maior. Nesses cenários, quando pensamos nos prejuízos causados por possíveis epidemias, será que conseguimos definir o custo de eventuais falhas de biossegurança? Quanto vale um plantel inteiro de animais? Quanto custa recuperar uma drástica queda em produção devido a altas taxas de mortalidade? Esse raciocínio nos permite entender que, ao invés do preço, precisamos mesmo é enxergar o valor da biosseguridade para os negócios agropecuários.

Biosseguridade na produção intensiva

No dia a dia da produção animal, os programas de biosseguridade se tornam eficientes ao estarem embasados em normativas e legislações consistentes. Além disso, o suporte de profissionais responsáveis como médicos veterinários, zootecnistas, e gerentes técnicos de granjas faz total diferença na adesão aos protocolos de produção em granjas suinícolas e aviários. Citamos abaixo alguns pontos importantes de biosseguridade que devem ser padronizados pelas granjas e inseridos dentro da rotina de funcionários e visitantes.

1- Localização física, construção, e isolamento das instalações

Segundo recomendações da Embrapa, para a construção ou instalação de granjas é necessário escolher um local que esteja distante em, no mínimo, 500m de qualquer outra criação ou abatedouro e pelo menos 100m de estradas por onde transitam caminhões com animais. Isto é importante, principalmente, para prevenir a transmissão de agentes infecciosos por via aérea e através de vetores como: roedores, moscas, cães, gatos, aves e animais selvagens. Além disso é importante cercar a área ao redor dos galpões (com cercas a no mínimo 20 metros de distância das instalações. Um outro ponto importante é qualidade da construção em si, pois dependendo do material utilizado haverá menor ou maior propensão ao aumento da pressão de infecção ambiental após a limpeza das instalações. O uso de revestimentos impermeabilizantes nos pisos e paredes permitirão uma melhor qualidade da lavação feita entre o alojamento dos lotes, enquanto outros materiais (como o concreto) inevitavelmente serão mais porosos, absorvendo a água e a matéria orgânica acumulada dentro das baias, além dos próprios produtos utilizados para limpeza e desinfecção.

2- Controle de vetores

A transmissão de doenças por vetores como roedores, moscas, pássaros, baratas, e animais silvestres também deve ser evitada ao máximo. Entre as medidas gerais também recomendadas pela Embrapa estão: a cerca de isolamento; o destino adequado dos animais mortos, o descarte de restos de parição e de dejetos; e a limpeza da fábrica e depósito de rações. A implementação de armadilhas e iscas (fora do alcance dos animais) também é importante, especialmente nos arredores de galpões com animais e locais onde os alimentos são armazenados. Um exemplo importante para essa compreensão é a relação entre a presença de moscas e roedores com o desenvolvimento de infecções por senecavírus A (SVA), com surtos em granjas ao redor do Brasil. Embora muitos aspectos da epidemiologia do SVA ainda sejam desconhecidos, um recente estudo norte-americano demonstrou a detecção do SVA em ratos e amostras de mosca doméstica, sugerindo que estas pragas possam desempenhar um papel na ocorrência das infecções.

3- Uso de EPIs

Os equipamentos de proteção individual (EPIs) são considerados elementos de contenção primária ou barreiras primárias. Eles podem reduzir ou eliminar a exposição da equipe e do meio ambiente a patógenos e microorganismos em geral. O uso de luvas descartáveis deve ser feito para prevenir a contaminação da pele com material biológico durante os cuidados com os animais e para a manipulação de produtos químico. As máscaras com ou sem válvula de filtragem são, por sua vez, o EPI indicado para a proteção das vias respiratórias contra a possibilidade de respingos ou aspiração de químicos nocivos e eventuais agentes patogênicos. O tipo de máscara deve ser escolhido conforme o tipo de exposição, devendo-se somente utilizar as máscaras de tripla proteção no atendimento de animais com infecção ativa. Os óculos de segurança devem ser usados em atividades que possam produzir respingos e/ou aerossóis, projeção de estilhaços pela quebra de materiais, bem como em procedimentos que utilizem fontes luminosas intensas e eletromagnéticas, que envolvam risco químico, físico ou biológico. Os macacões descartáveis ou higienizáveis devem ser adotados para a proteção de funcionários contra respingos de água, material químico ou biológico, e durante procedimentos como o manejo de animais e a lavação das baias. As botas e/ou calçados utilizados dentro das salas, departamentos, e instalações em geral devem ser higienizados ou trocados ao se transitar de um local para o outro, e a utilização de propés também pode ser associada a essa estratégia, reforçando a proteção contra sujidades carreadas nas solas.

4- Banhos, lavagem de mãos, fluxo de pessoas

Além dos banhos ao se entrar e sair das instalações, a lavagem das mãos é, sem sombra de dúvidas, a ação mais importante na prevenção da transmissão cruzada entre departamentos e salas da granja. As mãos de funcionários devem ser lavadas antes e após atividades que eventualmente possam contaminá-las; ao início e término do turno de trabalho; entre o atendimento de animais; antes de calçar luvas e após a remoção das mesmas; e quando as mãos forem contaminadas com material biológico e/ou químico. Na ausência de pia com água e sabão, o funcionário deverá realizar anti-sepsia com álcool etílico a 70% de concentração. De forma semelhante ao raciocínio da lavagem de mãos, o fluxo de pessoas e visitantes deve seguir (sempre que possível) uma sequência lógica começando por áreas menos contaminadas para áreas mais sujas, para que se evite carrear sujidades no sentido oposto. Além disso, o controle de materiais, equipamentos, uniformes, e sapatos utilizados em cada área da produção também deve ser feito de forma a evitar esse carreamento de patógenos de uma área para a outra. Para tanto, é possível adotar estratégias simples como o uso de cores separadas por departamento da granja (vide exemplo abaixo).

5- Limpeza, desinfecção e vazio sanitário

A rotina de limpeza e desinfecção das baias durante a troca de lotes ainda é muito negligenciada do ponto de vista de metodologia, dosagem dos produtos aplicados, e tempo de vazio sanitário adequado. As recomendações em geral seguem a sequência de limpeza seca, umidificação das instalações, limpeza úmida, desinfecção úmida, e desinfecção por pulverização ou nebulização. O uso de detergentes e desinfetantes deve ser feito seguindo dosagens e tempo de aplicação específicos para cada granja e desafio sanitário. Recomenda-se a exposição dos protocolos em quadros ou placas à vista para maior adesão e consistência do lavador. É importante salientar, mais uma vez, que a qualidade da limpeza e desinfecção realizadas será profundamente dependente do tipo de material de construção das instalações. Pisos e paredes mais porosos não só vão absorver mais água e microorganismos em suas frestas e ranhuras, como também uma maior quantidade dos próprios produtos químicos utilizados na limpeza. O objetivo final é sempre a remoção da maior quantidade possível de matéria orgânica e contaminantes para reduzir a pressão de a níveis próximos de 1 unidade formadora de colônia por cm². A recomendação de vazio sanitário da Embrapa Suínos é de pelo menos 5 dias, isto é, o período entre a desinfecção das baias e o alojamento de novos animais.

6- Qualidade da água

A qualidade da água disponível nas instalações, tanto para consumo dos animais (água de bebida) quanto para a lavação e outros procedimentos, também é profundamente importante na prevenção à entrada de patógenos dentro das granjas. Dentre os vários microorganismos que podem adentrar as granjas via água estão Enterococcus, E-coli, Streptococcus, Salmonella, Clostridium, entre outros. Quando a qualidade da água está comprometida, a sua palatabilidade e odor são alterados, e há maior contaminação intestinal do animal por microrganismos patogênicos. Isso tende a reduzir a conversão alimentar, o ganho de peso, e aumentar ocorrência de diarréias, elevando os custos de produção. A formação do biofilme é um dos principais pontos de preocupação quando falamos da água de bebida dos animais, pois ele se torna uma fonte de constante contaminação da água, mesmo que na fonte ela seja limpa. Caso essa mesma água (ou outra de origem contaminada) seja utilizada também para o enxágue e lavação das baias estaremos em um contrassenso, afinal uma água contaminada estará sendo adicionada às baias e isso comprometerá o efeito dos produtos utilizados, bem como a pressão de infecção após o alojamento de novos animais. É importante tratar a água da granja com o mesmo zelo, ou mais, que a própria ração e genética utilizadas, pois sua influência no bom aproveitamento das duas anteriores é de grande impacto

Embora existam muitos outros aspectos a serem levados em consideração dentro do tema biosseguridade, é importante que todos os envolvidos na cadeia agropecuária primeiramente a entendam como um fator limitante de competitividade no mercado em vários sentidos. O olhar atual que vemos sobre o tema devido à COVID-19 é apenas mais um indicativo da sua importância, no entanto sabemos que dentro da saúde animal as enfermidades e epidemias representam um dos principais pontos de prejuízo e redução de performance desde sempre, com potencial para impactar os negócios e, claro, a própria condição de saúde humana.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

Exportações brasileiras de carne suína crescem 50,4% em junho

Número supera em 50,4% o volume embarcado no sexto mês de 2019, com total de 63,9 mil toneladas

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As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 96,1 mil toneladas em junho, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) nesta terça-feira (07). O número supera em 50,4% o volume embarcado no sexto mês de 2019, com total de 63,9 mil toneladas. Em receita, o desempenho mensal registrou alta de 43,4%, com US$ 198 milhões de saldo registrado em junho deste ano, frente a US$ 138,1 milhões em 2019.

No acumulado do ano, as vendas de carne suína seguem 37,01% maior este ano, em comparação com 2019. Foram 479,4 mil toneladas entre janeiro e junho de 2020, contra 349,9 mil toneladas exportadas nos seis primeiros meses do ano passado. Em receita, houve elevação de 52,5% no mesmo período comparativo, com US$ 1,076 bilhão este ano e US$ 705,6 milhões em 2019.

Carro-chefe das exportações brasileiras, as vendas para a Ásia chegaram a 374,5 mil toneladas no primeiro semestre deste ano, saldo 83,1% superior ao registrado em 2019. A China, maior importadora de carne suína do Brasil, foi destino de 230,7 mil toneladas no período (+150,2%). Hong Kong, no segundo posto, importou 18,6% a mais, com 92,9 mil toneladas. Outro mercado de destaque foi Singapura, com 27,8 mil toneladas (+51,6%).

“Os impactos gerados na Ásia pela Peste Suína Africana desde 2018 continuam a ditar o ritmo das importações da região. O Brasil mantém sua posição como parceiro pela segurança alimentar da China e das demais nações que impulsionaram suas compras neste ano”, destaca Francisco Turra, presidente da ABPA.

Fonte: ABPA
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Suínos / Peixes Nutrição

Enzimas auxiliam na redução de custos com rações, sustenta nutricionista

Formulação com o uso de enzimas tem se apresentado como uma ferramenta econômica e eficaz

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As incertezas em relação a disponibilidade e custos das matérias primas, gerados pelo impacto do Coronavírus (Covid-19) estão trazendo preocupações e dúvidas para os produtores e empresas do setor de produção animal. A avicultura e a suinocultura, em especial, sofrem com a escassez e o aumento nos preços dos insumos, especialmente das principais fontes de proteína e energia das rações, farelo de soja e milho. E, como estratégia para minimizar este cenário de dificuldades e equilibrar as contas, uma das maneiras de superar estes desafios é a redução dos custos com ração.

 Segundo o gerente de mercado de monogástricos da Safeeds, Francisco Bertolini, a formulação com o uso de enzimas tem se apresentado como uma ferramenta econômica e eficaz, pois possibilita um melhor aproveitamento dos nutrientes, por aumentar a digestibilidade dos alimentos e minimizar os custos. “O uso de enzimas na formulação de dietas ajuda o nutricionista a ter flexibilidade na escolha dos ingredientes da ração”, comenta o médico veterinário.

Como funcionam as enzimas

As enzimas são proteínas complexas que ocorrem naturalmente nos sistemas digestivos dos animais, atuando como catalisadores biológicos que aceleram as reações químicas. Essas substâncias possuem a característica de permanecerem sempre ativas após cada catalisação. Em resumo, as enzimas têm como principal função facilitar a digestão.

De acordo com Bertolini, é importante lembrar que as enzimas são substrato/dependente específico, ou seja, elas somente irão atuar na presença do substrato a ser catalisado. “Cada enzima age em seu composto de atuação específico. Por exemplo, as fitases atuam sobre os fitatos, as xilanases nos xilanos etc. Portanto, a escolha da enzima a ser utilizada deve levar em conta a presença dos substratos a serem digeridos e todos os parâmetros de especificidade das enzimas”, orienta o nutricionista.

As enzimas utilizadas na nutrição animal podem ser classificadas de acordo com o tipo de substrato que a mesma irá atuar, entre elas: as fitases, carboidrases, proteases, xilanases, entre outras. Normalmente elas são obtidas por meio de cultura de microorganismos, derivados da fermentação fúngica, bacteriana e de leveduras em reatores especialmente desenvolvidos para este fim.

Porque as enzimas melhoram o aproveitamento dos ingredientes das rações?

Os ingredientes vegetais em sua maioria apresentam digestibilidade variada e podem não ser bem aproveitados pelos animais. Produtos fibrosos e proteicos mal digeridos podem tornar-se substratos para crescimento bacteriano intestinal indesejável. As enzimas fazem a quebra destes produtos indigestos, liberando os nutrientes presos nestes complexos, melhorando a digestibilidade dos ingredientes da dieta, tornando-os mais disponíveis ao animal. Elas maximizam o aproveitamento dos alimentos e reduzem o custo da transformação da ração em proteína animal, também conhecida como Conversão Alimentar (CA).

Como podemos aproveitar os benefícios do uso de enzimas?

Em um cenário de aumento de preços de ingredientes ou ausência de um insumo, muitos acreditam que a solução pode estar no uso de enzimas e, pelo contrário, na indisponibilidade de algum ingrediente, podemos limitar os ganhos que as enzimas podem proporcionar. “Quanto mais opções, mais flexibilidade elas podem proporcionar. O uso de enzima normalmente ‘abre espaço na formulação’ permitindo economias significativas.”

Como as enzimas são usadas na prática?

Temos várias maneiras de se trabalhar com enzimas, sendo:

  1. a) Por custo (Uso de Matriz Nutricional);
  2. b) Desempenho zootécnico (“on top)”; ou
  3. c) Iso-Custo (uma mescla das 2 opções acima).

Na maioria das formulações, se trabalham pelo custo mínimo (opção a:  Uso de Matriz Nutricional). Quando se opta pelo uso da Matriz, o ideal é que se tenha o maior número possível de ingredientes, para se aproveitar ao máximo o potencial das enzimas. Quando temos poucos ingredientes, muitas vezes não se explora o potencial máximo da Matriz.

Por outro lado, na falta de um ingrediente, as dietas podem ficar mais onerosas e, dependendo da situação do mercado, a decisão deve ser para maximizar o desempenho e a CA. Neste caso, as enzimas devem ser exploradas nas outras 2 modalidades (b e c), explorando todo o potencial de digestibilidade das enzimas, mitigando o incremento dos custos com aumento de desempenho.

Como o nutricionista pode decidir pela melhor enzima

Cada empresa tem a sua realidade de custos e de ingredientes, logo as demandas são diferentes. Por isso, o nutricionista tem um papel muito importante na tomada de decisão e adaptação da melhor solução. O bom senso e o uso de ferramentas matemáticas, proporcionadas pelas matrizes nutricionais, permitem que o nutricionista encontre a melhor solução entre substrato existente X enzima e custos X desempenho desejado. Para auxiliar os nutricionistas, há linha de enzimas disponível que compreendem: Fitases, Carboidrases e Proteases. Pode-se escolher entre um produto que contém apenas uma enzima isolada ou um blend de mais de uma enzima. São diferentes combinações que possibilitam versatilidade para o nutricionista. “É possível ainda customizarmos blends enzimáticos específicos, de acordo com as necessidades próprias de cada cliente”, cita o gerente da Safeeds Francisco Bertolini.

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Fonte: O Presente Rural
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