Notícias No Paraná
Duzentos jovens vão atuar como agentes cooperativistas no campo
Termo de fomento assinado em abril prevê investimento de R$ 448 mil do Estado e contrapartida de R$ 32 mil da Unicafes na capacitação de jovens para governança, gestão e desempenho comercial nas cooperativas da agricultura familiar. O projeto beneficiará diretamente 200 jovens de 20 cooperativas.

A União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Paraná (Unicafes) lançou na quinta-feira (25) o edital de seleção para jovens que atuarão no Programa de Agentes Cooperativistas Jovens (Projovem). O projeto beneficiará diretamente 200 jovens de 20 cooperativas. A ação fez parte do Encontro Estadual de Cooperativas da Agricultura Familiar de Economia Solidária, que encerrou nesta sexta-feira (26), na sede da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), em Curitiba.

Secretário da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza: “A hora em que conseguirmos reduzir a penosidade, dar condições de conectividade e proporcionar atividades rentáveis o jovem vai ficar, e é para isso que precisamos trabalhar”
Ele é fruto de termo de fomento assinado em abril com a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), no valor de R$ 448 mil, com R$ 32 mil de contrapartida. O objetivo é ampliar a participação de jovens mulheres e homens (distribuídos de forma equitativa) como estratégia de desenvolvimento social e econômico de cooperativas da agricultura familiar. Os focos são o aprimoramento da governança, gestão e desempenho comercial. “A parceria é muito importante porque o sistema de cooperação faz a diferença na vida dos agricultores familiares, empodera, e faz a renda ficar com quem produz”, disse o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza. “O Estado quer ser parceiro e criar uma segunda onda de cooperativismo no Paraná”.
Ele também afirmou que o ambiente rural está envelhecendo. Um dos motivos é a juventude que não tem encontrado no campo o que gostaria, como internet boa, renda confortável e qualidade de vida. “A hora em que conseguirmos reduzir a penosidade, dar condições de conectividade e proporcionar atividades rentáveis o jovem vai ficar, e é para isso que precisamos trabalhar”, conclamou.
Por isso considerou importante a parceria no Projovem. “Poderemos discutir o desenho que queremos para a juventude paranaense rural”, salientou. “Um desenho que faça com que o jovem fique no campo não por exclusão, mas por opção. Ele tem de perceber que isso é importante”.
Êxodo
De acordo com a recém-empossada presidente da Unicafes Paraná, Aline Pasda, um dos objetivos da entidade ao propor políticas voltadas para o jovem é a redução do êxodo rural. “Além de colocar a qualificação dentro da gestão das cooperativas, temos esse olhar de cuidado para que o êxodo rural vá cessando, para que a gente tenha um novo olhar para essa parte lá no campo”, disse.
Do total de recursos colocados pelo Estado, R$ 60 mil serão para o desenvolvimento de material didático para cursos presenciais e por plataforma de ensino a distância; outros R$ 80 mil para organização de turmas regionais; e os R$ 308 mil restantes serão empregados em desenvolvimento e implementação de soluções organizacionais e para o pagamento de bolsas para a contratação dos jovens.
Plano safra
Na manhã desta sexta, o secretário da Agricultura Familiar e Agroecologia, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Vanderley Ziger, apresentou, no mesmo evento da Fetaep, o Plano Safra 2024/25 da Agricultura Familiar. Para esse segmento foram destinados R$ 76 bilhões. Ele acentuou que o Paraná precisa voltar a ser protagonista na captação dos recursos. “Estamos aqui para assumir compromissos juntos, para que voltemos a ser protagonistas nisso, que o governo do Estado, o governo federal, os bancos e os movimentos estejam na mesma pegada, na mesma percepção, entender quais são os gargalos que se têm para avançar, para reconstruir, para repensar inclusive o nosso modelo, nosso sistema de financiamento”, disse.
Segundo ele, o Governo do Paraná tem apresentado boas oportunidades, com programas como o Coopera Paraná e o Banco do Agricultor Paranaense. “Um destaque para a redução da taxa de juros em várias linhas, isso é uma boa decisão”, salientou Ziger. “O Plano Safra é nacional, mas fazer a transformação na vida das pessoas é fundamental, portanto não dá para admitir que nosso Estado tenha redução, queremos voltar a ter esse protagonismo”.

Notícias
Eventual sanção dos EUA ao Irã não deve afetar o Brasil, avalia governo
Comércio restrito com o Irã e cenário internacional complexo sustentam avaliação de baixo impacto para a economia brasileira.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (15) que uma eventual sanção dos Estados Unidos ao Irã, conforme anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, não deve trazer impactos relevantes para o Brasil. “Os Estados Unidos colocaram que não querem que haja comércio com o Irã. Mas o Irã tem 100 milhões de pessoas. Países europeus exportam para o Irã, a maioria dos países tem algum tipo de exportação. No Brasil, nossa relação comercial com o Irã é pequena”, disse.

Foto: Jonathan Campos
Segundo Alckmin, a proposta de uma super tarifação enfrenta obstáculos práticos e políticos. “A questão da super tarifação é difícil de ser aplicada. Você teria que aplicar em mais de 70 países do mundo, inclusive países europeus”, afirmou.
O ministro destacou ainda que, até o momento, não houve a edição de uma ordem executiva pelo governo norte-americano que efetivamente imponha sanções ao Irã. “Esperamos que não seja aplicada. Porque imposto de exportação é imposto regulatório, é outra lógica. E isso valeria para o mundo inteiro”, ressalta.
Ao citar o comércio europeu com o país do Oriente Médio, Alckmin reforçou que a relação não é exclusiva de economias emergentes. “A Europa, por exemplo, também exporta para o Irã. A Alemanha, muitos países têm comércio exterior”, explicou, complementando: “Vamos torcer, trabalhar para que isso não ocorra”.
O vice-presidente também ressaltou o posicionamento histórico do Brasil no cenário internacional, afirmando que o país não mantém

Foto: Claudio Neves
litígios e tem tradição diplomática pacífica. “No Brasil, a última guerra tem mais de um século. O Brasil é um país de paz e, sempre que pode, atua promovendo a paz. O que nós queremos é paz. Guerra leva à morte, leva à pobreza. É a falência da boa política”, enfatizou.
Para Alckmin, o atual contexto internacional exige maior protagonismo brasileiro. Ele classificou o momento como delicado para o mundo, mas estratégico para o país. “Vamos promover a paz, fortalecer o multilateralismo, tratar de melhorar a vida do povo através do emprego e da melhora de renda. Esse é o bom caminho e é isso que o Brasil está trilhando”, reforçou.
Notícias
Drones ganham escala no campo e desafiam a hegemonia dos aviões agrícolas
Equipamentos já entregam o mesmo desempenho, com mais segurança e menor custo operacional.

A evolução tecnológica dos drones profissionais é tão notória que não se questiona mais se os drones substituirão os aviões agrícolas. A questão que se coloca agora é quando isso acontecerá. E a resposta pode ser surpreendente: os drones já são capazes de fazer o mesmo trabalho que os aviões de pulverização e a um custo muito mais baixo e de forma mais segura para as pessoas.
A última fronteira para os drones de pulverização são mesmo os aviões. Isso porque eles se tornaram mais vantajosos do que os métodos tradicionais no campo para aplicação de defensivos agrícolas, fertilizantes e outros insumos, como pulverização costal, equipamento e produtos carregados nas costas pelos trabalhadores, pulverização de arrasto feita por tratores e pulverização de autopropelidos, grandes máquinas agrícolas.
Mais do que a capacidade, que cresceu consideravelmente nos últimos anos, saindo de reservatórios de 20 litros para atuais que superam os 100 litros, o que permite aos drones competir em igualdade com os aviões é o chamado ‘voo em enxame’, que é a operação de mais de um equipamento ao mesmo tempo a partir de uma única estação de pilotagem. Dessa maneira, os drones podem trabalhar sobre uma área maior que antes era alcançada somente por aviões agrícolas. “A possibilidade de vários drones operarem como enxame de forma automática monitoradas por um piloto remoto apenas e dos avanços tecnológicos permitirem a operação em áreas maiores para a aplicação de defensivos vão garantir a supremacia das aeronaves remotamente pilotadas na agricultura”, afirma o engenheiro cartógrafo, Emerson Granemann.
De acordo com um estudo da ResearchAndMarkets, o setor de drones agrícolas vai crescer exponencialmente nos próximos anos. De um mercado de US$ 2,68 bilhões em 2024, vai saltar para US$ 80,94 bilhões em 2034, com um crescimento anual de 40,6% no período entre 2025 e 2034. No Brasil, calcula-se que existam 35 mil drones de pulverização em operação, em 2021 a estimativa era de 3 mil drones.
Notícias
Poder de compra do produtor recua com queda das commodities e pressão cambial
IPCF sobe para 1,31 em dezembro, refletindo desvalorização agrícola, dólar mais forte e ajuste nos preços dos fertilizantes.

O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) encerrou dezembro em 1,31, acima dos 1,12 registrados em novembro, refletindo a combinação de fatores adversos no mercado agrícola e de insumos. O avanço do índice foi influenciado pela desvalorização das commodities agrícolas, pelas variações nos preços dos fertilizantes e pela valorização do dólar, que acumulou alta de 2% no período, impulsionada por incertezas políticas no cenário global e pelos indicadores econômicos mais recentes da economia doméstica.
Esse ambiente reforça a necessidade de monitoramento contínuo das variáveis internacionais, especialmente no que diz respeito ao enxofre, insumo estratégico para a cadeia de fosfatados, cujo equilíbrio entre oferta e demanda ainda não sinaliza uma normalização no curto prazo.
No mercado de commodities, os preços recuaram, em média, 0,8% em dezembro, movimento puxado principalmente pela soja, que caiu 2,3%, e pelo algodão, com retração de 2%. A desvalorização esteve associada à expectativa de uma safra elevada e ao avanço da colheita nos estados do Paraná e de Mato Grosso. Cana-de-açúcar e milho apresentaram estabilidade no período, embora o milho continue sob pressão diante da perspectiva de uma safrinha robusta no Brasil.
Os fertilizantes, por sua vez, registraram recuo médio de 0,3%, em um cenário marcado por baixa liquidez e pressão de inventários, com destaque para a queda de 2% nos preços da ureia. Em sentido oposto, o superfosfato simples apresentou valorização de 3,8% e o cloreto de potássio avançou 2,6%, sustentados pela maior demanda associada aos requerimentos de safra e pelo aumento dos custos de produção.
No mercado interno, o foco permanece concentrado na colheita da soja e no início do plantio da safrinha, fatores que devem seguir influenciando a dinâmica de preços nos próximos meses. Já no cenário internacional, as cadeias de fosfatados continuam operando em um ambiente ajustado, impactado pela redução temporária das exportações chinesas. Ao mesmo tempo, os preços globais do enxofre seguem firmes, sustentados pela maior demanda de outros segmentos industriais, como o de baterias. Esse contexto adiciona pressão gradual aos custos de produção dos fertilizantes fosfatados, ainda que de forma administrada pelo mercado.
Ao longo de 2025, o IPCF registrou média anual de 1,18, refletindo um ano marcado por elevada volatilidade nos mercados agrícolas e de insumos. Apesar desse ambiente desafiador, o índice demonstrou resiliência, evidenciando a capacidade de adaptação do setor às condições internacionais e a manutenção de um ambiente competitivo para o produtor brasileiro.




