Suínos
Drones, colares GPS e helicópteros: a operação dos EUA que freou os javalis
Mike Marlow, do USDA, mostrou que o avanço dos javalis nos Estados Unidos só começou a ser contido quando o país abandonou respostas isoladas, proibiu a caça esportiva e passou a operar com tecnologia, monitoramento e ação territorial contínua.

Os Estados Unidos não começaram a avançar no controle dos javalis porque encontraram uma solução mágica. Avançaram quando aceitaram que não existe solução simples para um problema dessa escala. A mensagem central da apresentação de Mike Marlow, do National Wildlife Research Center, ligado ao USDA, foi justamente essa: controlar javalis exige operação permanente, tecnologia, ação territorial e disciplina para não transformar o manejo em estímulo à própria dispersão do animal.
Na palestra apresentada on-line durante o Encontro Abraves Paraná, Marlow partiu de um dado que ajuda a dimensionar a gravidade do tema. Segundo ele, o impacto econômico dos javalis nos Estados Unidos gira em torno de US$ 3,4 bilhões por ano. Ao mesmo tempo, o país convive com uma população que, em determinadas estimativas, segundo ele, já supera 6 milhões de animais, distribuídos em 29 dos 50 estados”. “Nós sabemos que não existe uma solução completa para esse problema”, afirmou.
E foi justamente essa constatação que moldou o modelo norte-americano de resposta.
O homem como motor de dispersão
De acordo com Marlow, embora os javalis tenham alta capacidade reprodutiva, com observação de até duas ninhadas por ano em algumas situações, o principal motor da dispersão não é só a biologia do animal, mas a ação humana. Ao abordar a expansão da população nos Estados Unidos, apontou como fator central “o movimento do homem para a caça”, associando esse deslocamento ilegal de animais à manutenção e ampliação do problema.
O javali se reproduz rápido, ocupa territórios distintos e se adapta com facilidade, mas, segundo Marlow, a movimentação humana para promover a caça continuava sendo peça-chave no crescimento da infestação. Não por acaso, os Estados Unidos decidiram enfrentar esse elo de frente. “A caça esportiva é proibida porque entendemos que isso não controla a população”, explicou.
O programa federal
Marlow explicou que o marco da resposta nacional veio em 2014, com a criação do Programa Nacional de Gestão de Danos Causados por Javalis, ainda em vigor. O programa não nasceu com a promessa de resolver tudo da mesma maneira em todos os lugares. Nasceu para dar escala, método e continuidade a um problema que já havia ultrapassado a fase da reação dispersa.
“Nós sabemos que não existe uma solução para esse problema. Por isso, é importante reconhecer as diferenças entre os estados, como geografia, condições ambientais, cultura local e processos”, enfatizou, acrescentando: “Quando se trata de javalis, conseguimos oferecer recursos para que os estados executem localmente.”
O modelo norte-americano não se sustenta numa fórmula única. Ao contrário: ele parte do reconhecimento de que o mesmo animal produz problemas diferentes em paisagens diferentes.
Essa talvez seja uma das lições mais úteis para o Brasil. Não há um “manual universal” de controle. Há um problema nacional que precisa ser tratado com inteligência territorial, o que significa adaptar ferramentas, ritmo de resposta e estratégia conforme o ambiente, a densidade populacional e a capacidade operacional de cada região.
O sucesso não veio de uma técnica só
Marlow deixou claro que o controle nos Estados Unidos não depende de uma única ferramenta. Ele se apoia numa combinação de tecnologias e ações de campo, sempre articuladas com outras agências, produtores e serviços locais. “O programa trabalha com outras agências, produtores e todas as esferas. Usamos armadilhas com sistemas eletrônicos remotos, que nos permitem ver a área da armadilha e fechar somente quando os javalis estão dentro dela, armadilhas de curral, helicópteros, equipes profissionais de captura, drones com tecnologia térmica e sistemas de monitoramento distribuídos”, mencionou.
Essa combinação não é detalhe. Segundo ele, é o centro do sucesso operacional do programa.
Encontrar o grupo inteiro

Entre as técnicas citadas por Marlow, uma das mais interessantes foi a captura de javalis que depois são soltos com colares para levar as equipes até grupos maiores. A lógica é simples e eficiente: em vez de agir apenas sobre o animal encontrado, o programa tenta localizar o núcleo populacional mais amplo. “Eles também capturam javalis, libertam e colocam um colar. E esse javali leva o pessoal do controle até o local de um grupo maior de javalis”, ressaltou.
O objetivo não é apenas reduzir a percepção do problema numa área. É mexer na estrutura da população, localizar onde ela se concentra e agir com mais precisão.
Para a suinocultura, a lição é clara. Em territórios onde a presença do javali já está instalada, remover o animal visto pode aliviar o sintoma, mas não necessariamente reduz o problema em escala relevante. O programa norte-americano trabalha, justamente, para localizar e desmontar concentrações populacionais maiores antes que elas continuem espalhando dano, risco sanitário e ocupação territorial.
Drones e tecnologia térmica
Marlow também destacou o papel dos drones na batalha contra os javalis, especialmente quando usados com imagem térmica. “Os drones têm importância na batalha. Usando tecnologia térmica com drones, podemos encontrar os javalis facilmente”, mencionou.
Em áreas extensas, de baixa visibilidade ou de acesso difícil, essa tecnologia ajuda a melhorar a vigilância e controle. Ele explicou que alguns dos objetivos do uso dos drones é reduzir tempo de busca, aumentar assertividade e diminuir a chance de que o javali simplesmente mude de posição antes da chegada da equipe. De acordo com ele, a tecnologia não substitui o trabalho de campo, mas amplia sua capacidade de localizar, monitorar e agir com rapidez.
Redução em 10 estados
De acordo com o palestrante, os Estados Unidos já registram significativa da população de javalis em 10 estados. Além disso, segundo Marlow, há estados em monitoramento por mais dois anos

Foto: Divulgação
para confirmar a remoção completa da população. O dado, reforçou em sua palestra, não significa que o país tenha resolvido o problema nacionalmente, mas mostra que metas territoriais concretas podem ser alcançadas quando a resposta ganha continuidade e escala.
O javali no radar sanitário
Além do dano econômico e de uma estimativa de 6 milhões de animais, Marlow destacou a questão sanitária importante, com resultados laboratoriais de mais de 6 mil animais avaliados. Segundo o pesquisador, os testes mostraram alta prevalência de brucelose suína e doença de Aujeszky, reforçando que os javalis não representam apenas dano produtivo ou ambiental, mas também um problema sanitário relevante.
Esse dado tem interesse direto para a suinocultura. Ele mostra que, nos Estados Unidos, o javali já entrou de vez no radar da defesa sanitária. Não apenas como ameaça difusa, mas como população monitorada, testada e incorporada ao raciocínio epidemiológico de um país que sabe o custo de deixar esse elo fora da vigilância.

Foto: Shutterstock
Já existe plano de resposta para peste suína africana em javalis
Marlow explicou que, nos Estados Unidos, existe planejamento específico para eventual resposta à peste suína africana em javalis. “Trabalhamos com os serviços veterinários para basicamente desenvolver um manual de ação”, afirmou.
De acordo com ele, o país não está esperando a crise chegar para discutir como reagir numa população livre amplamente distribuída. Em regiões onde o javali já representa dano econômico e risco sanitário, pensar contingência depois da emergência é sempre mais caro.
O cidadão vigilante
Marlow citou ainda o uso de um aplicativo que permite à população relatar novos avistamentos. A ferramenta tem função prática: ampliar o alcance do sistema e transformar o público em fonte de informação regional. “Ele permite que o público relate novos avistamentos. Esses relatos podem ser benéficos para nós”, frisou.
O aplicativo, segundo ele, gera relatórios e ajuda a apontar áreas onde ainda não há olhos permanentes do serviço oficial. “Não existe uma solução completa para esse problema”, insistiu.
Mas a experiência norte-americana mostra que a ausência de solução única não impede a construção de uma política eficaz. O que ela impede é a ilusão de que a resposta virá por atalho.
Para a suinocultura brasileira, a lição é objetiva. O controle só ganha escala quando o país combina vigilância, tecnologia, operação local, participação dos produtores, coordenação pública e disciplina para não transformar o próprio manejo em vetor de dispersão. Para Marlow, foi assim que os Estados Unidos saíram da reação fragmentada para um programa nacional. E foi assim que passaram a retirar javalis de estados inteiros, em vez de apenas administrar a permanência do problema.
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Suínos
Semana Nacional da Carne Suína amplia oferta de cortes e aposta em experiência de compra
Além de promoções, supermercados investem em ações educativas, receitas e comunicação voltada a diferentes ocasiões de consumo.

A Semana Nacional da Carne Suína segue mobilizando redes de varejo de todas as regiões do país com campanhas que vão muito além das ofertas. As ações desenvolvidas pelo Pão de Açúcar, Extra Mercado, Carrefour, Bretas, Prezunic, GBarbosa, Swift, Amigão, Boa, Compre Mais, Paraná Supermercados, Avenida, Confiança, Jaú Serve, Proença, Shibata, Pague Menos, Mix Mateus, Mateus Supermercados, Camino, Super Pão e Dom Olívio demonstram um esforço conjunto para dar protagonismo à carne suína e estimular novas ocasiões de consumo.

Foto: Divulgação/ABCS
Um dos principais destaques desta edição é a transformação dos espaços de venda. As redes investiram em materiais de ponto de venda e ambientação temática, criando verdadeiros festivais da carne suína dentro das lojas, e o enxoval está sendo utilizado para aumentar a visibilidade da categoria e conduzir o consumidor até os produtos.
As campanhas também mostram uma evolução importante na forma de comunicar a carne suína. Além de focar em preço, as redes passaram a trabalhar conceitos relacionados a sabor, versatilidade, rendimento e economia com forte presença visual em loja, materiais promocionais, tabloides exclusivos e mensagens destacando que a carne suína rende mais proteína, sabor e economia, reforçando atributos que dialogam diretamente com as necessidades do consumidor.
Outro aspecto valorizado foi o sortimento de diferentes cortes. As campanhas apresentam a carne suína de forma

Foto: Divulgação/ABCS
ampla, destacando produtos para diversas ocasiões de consumo. Cortes para o dia a dia, churrasco, refeições especiais e preparações rápidas ganharam espaço nas comunicações, ajudando a mostrar que a proteína está presente em muito mais momentos do que tradicionalmente se imagina.
Algumas redes trabalham uma comunicação focada em ocasiões de consumo, apresentando a carne suína como uma opção para o dia a dia, final de semana, churrasco, receitas especiais e preparações práticas.
A estratégia reforça a versatilidade da proteína e ajuda o consumidor a identificar facilmente como utilizar cada corte em diferentes momentos. Além disso, as redes participantes reforçaram seus estoques e aumentaram a variedade de produtos disponíveis, oferecendo desde cortes tradicionais até opções premium, produtos temperados, congelados, porcionados e itens voltados ao churrasco. Essa estratégia amplia as possibilidades de escolha e estimula a experimentação por parte dos consumidores.
As ações educativas também merecem destaque. Diversas redes incluíram conteúdos sobre cortes suínos, rendimento, preparo e benefícios nutricionais com mapa dos cortes, receitas, sugestões de preparo para air fryer e informações sobre características nutricionais da carne suína, contribuindo para ampliar o conhecimento do consumidor e desmistificar conceitos antigos sobre a proteína.

Foto: Divulgação/ABCS
No ambiente digital, a campanha ganhou força por meio de publicações nas redes sociais, vídeos, receitas, conteúdos com influenciadores e divulgação nos aplicativos das redes. Muitas redes integraram a comunicação online e offline, levando para os canais digitais as mesmas mensagens presentes nas lojas.
Receitas, dicas de preparo, sugestões de harmonização e informações nutricionais ajudaram a manter o tema presente durante todo o período da ação. Fique de olho nos perfis das redes participantes para conhecer essa comunicação!

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “Ao combinar ofertas, informação, experiência de compra e conteúdo educativo, as redes contribuem para fortalecer a categoria e ampliar sua presença na mesa dos brasileiros” – Foto: Divulgação/ABCS
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, as ações desenvolvidas pelas redes varejistas mostram que a carne suína vem ampliando seu espaço no mercado brasileiro não apenas pelo preço, mas também pela variedade de cortes e pelas diferentes possibilidades de consumo. “A carne suína é uma proteína moderna, versátil e adequada para diferentes perfis de consumo. Ao combinar ofertas, informação, experiência de compra e conteúdo educativo, as redes contribuem para fortalecer a categoria e ampliar sua presença na mesa dos brasileiros”, afirma.
A Semana Nacional da Carne Suína segue até sexta-feira (19) e reúne supermercados de diversas regiões do país. Além das promoções, a campanha tem apostado em ambientação temática nas lojas, ampliação do sortimento, divulgação de receitas e informações sobre cortes, rendimento e preparo dos produtos.
A iniciativa busca aproximar o consumidor da proteína e estimular novas ocasiões de consumo, em um momento em que a carne suína registra crescimento tanto no mercado interno quanto nas exportações e ganha participação cada vez maior na alimentação dos brasileiros.
Suínos
O desafio da sucessão no agronegócio será debatido durante 18º SBSS
Evento será realizado de 11 a 13 de agosto no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

A formação de lideranças, a retenção de talentos e o preparo das novas gerações para os desafios do agronegócio estarão em debate durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). A palestra “Capital Humano e Sucessão: preparando a próxima geração e as equipes de alta performance” será ministrada por Rogério Facin, no dia 13 de agosto, às 10h35, durante o Painel Pessoas – Gestão e Performance, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Foto: Shutterstock
Em um cenário marcado pela transformação do mercado de trabalho, pela busca por profissionais qualificados e pelos desafios relacionados à sucessão nas empresas, o desenvolvimento de pessoas tornou-se um dos principais fatores para a sustentabilidade e a competitividade das organizações. A palestra trará reflexões sobre a preparação de equipes de alta performance e a construção de ambientes capazes de atrair, desenvolver e reter talentos.
Rogério Facin é graduado em Processamento de Dados pela Faculdade de Tecnologia (FATEC) e possui MBA em Gestão de Pessoas. É cofundador da Go Winners, empresa especializada no desenvolvimento comportamental de jovens e na facilitação de sua inserção no mercado de trabalho, e da Indicação Consultoria, organização voltada à gestão de capital humano, desenvolvimento comportamental e projetos de remuneração, com forte atuação no agronegócio.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A tecnologia avança rapidamente, mas são as pessoas que fazem os sistemas funcionarem” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Ao longo de sua trajetória profissional, acumulou mais de 15 anos de experiência em multinacional do setor de máquinas e equipamentos, além de ter atuado como coordenador do Grupo Regional de Remuneração DEASA e professor universitário na área de Gestão de Pessoas. Sua experiência une a visão corporativa à prática do desenvolvimento humano dentro das organizações.
A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que os desafios relacionados às pessoas estão entre os temas de destaque para o futuro da produção animal. “A tecnologia avança rapidamente, mas são as pessoas que fazem os sistemas funcionarem. Hoje, um dos grandes desafios das empresas é formar lideranças, desenvolver equipes e preparar as novas gerações para assumir posições estratégicas. Por isso, esse tema ocupa espaço de destaque na programação do SBSS”, afirma.
Para o presidente da Comissão Científica do SBSS, Lucas Piroca, discutir capital humano é tão importante quanto

Presidente da Comissão Científica do SBSS, Lucas Piroca: “A eficiência das granjas e das agroindústrias passa diretamente pela qualidade das equipes e pela capacidade das empresas de desenvolver talentos” – Foto: Kroma Fotografiais
abordar temas técnicos ligados à produção. “A eficiência das granjas e das agroindústrias passa diretamente pela qualidade das equipes e pela capacidade das empresas de desenvolver talentos. A sucessão, a formação de lideranças e a gestão de pessoas são assuntos cada vez mais presentes na rotina do setor e precisam ser debatidos com profundidade”, ressalta.
Participação
As inscrições para o SBSS já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do primeiro lote, até o dia 25 de junho, é de R$ 600 para profissionais e R$ 400 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.
Tecnologia e negócios
Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.
O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.
Suínos
Consumo de carne suína atinge 20 kg por habitante no Brasil
Marca histórica foi alcançada em 2025 e reflete a expansão do consumo doméstico em paralelo ao crescimento das exportações, que levaram o Brasil ao posto de terceiro maior exportador mundial da proteína.

A carne suína alcançou um patamar inédito na mesa dos brasileiros. Em 2025, o consumo per capita chegou a 20 quilos por habitante ao ano, maior nível já registrado no país e um indicativo de que a proteína ganhou espaço definitivo na alimentação das famílias.

Foto: Divulgação/HB Audiovisual
O dado, divulgado pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), coincide com outro marco importante para a cadeia produtiva. Após a consolidação dos números internacionais no início de 2026, o Brasil ultrapassou o Canadá e passou a ocupar a posição de terceiro maior exportador mundial de carne suína.
A combinação de um mercado interno mais robusto com exportações em ritmo recorde tem alterado o perfil do setor, que hoje depende menos de oscilações externas e conta com uma base doméstica mais sólida para sustentar seu crescimento.
Mudança de hábito impulsiona consumo
O consumo médio de 20 quilos por pessoa representa uma mudança significativa no comportamento do consumidor brasileiro. Historicamente, a carne suína ocupava espaço secundário em comparação com outras proteínas, mas, nos últimos anos, passou a ser incorporada com maior frequência ao cardápio das famílias.
Segundo a ABCS, a marca simboliza uma transformação cultural, na qual a carne suína deixa de ser um produto

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “Seja no mercado interno ou externo, o que vemos é a validação do que nós produtores temos feito dia após dia na nossa produção” – Foto: Divulgação/ABCS
consumido ocasionalmente para se tornar uma opção cotidiana.
Para o presidente da entidade, Marcelo Lopes, o resultado reflete um trabalho de longo prazo realizado em diferentes frentes da cadeia produtiva. “Seja no mercado interno ou externo, o que vemos é a validação do que nós produtores temos feito dia após dia na nossa produção, investindo em inteligência, sanidade, produtividade, tecnologia, genética e bem-estar”, afirma.
Ele acrescenta que houve também uma mudança na forma como a proteína passou a ser percebida pelos consumidores. “Isso reforça o trabalho que a ABCS tem feito para transformar a percepção da carne suína, para que ela se destaque lá fora e também dentro de casa”, diz.
Brasil supera Canadá e assume terceira posição
O fortalecimento do mercado interno ocorre em um momento de expansão das exportações. Dados consolidados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que o Brasil encerrou 2025 com embarques recordes de 1,51 milhão de toneladas de carne suína, crescimento de 11,6% em relação ao ano anterior.

Foto: Shutterstock
O volume foi suficiente para superar o Canadá, que exportou cerca de 1,45 milhão de toneladas no mesmo período. A diferença de aproximadamente 50 mil toneladas garantiu ao Brasil a terceira posição no ranking mundial, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos.
O resultado é atribuído a uma combinação de fatores, entre eles a diversificação dos mercados compradores, a competitividade dos custos de produção e o rigor sanitário, considerado um dos principais diferenciais da suinocultura brasileira.
Mercado interno reduz dependência externa
O novo cenário é visto pelo setor como um fator de equilíbrio para a cadeia produtiva. Com um mercado doméstico maior e mais consolidado, a suinocultura tende a ficar menos vulnerável a oscilações nas exportações, mudanças cambiais ou restrições comerciais impostas por países importadores.
Ao mesmo tempo, a demanda interna oferece maior previsibilidade para investimentos em tecnologia, genética e

Foto: Divulgação/Pexels
ampliação da produção.
Esse movimento reforça uma característica cada vez mais presente na suinocultura brasileira: a capacidade de crescer simultaneamente dentro e fora do país.
Se no exterior o Brasil ganha espaço entre os maiores exportadores do mundo, no mercado doméstico a marca de 20 quilos por habitante indica que a carne suína conquistou um espaço que parecia improvável há poucas décadas: o de proteína presente de forma permanente na rotina alimentar dos brasileiros.



